22 de fev de 2014

Rockstar - Capítulo CXLVII

 

A manhã seguinte chegou logo e com ela a preocupação de enfrentar todos os amigos reunidos para gravar no estúdio daquele castelo.

Mas ou Mick tinha chegado antes e pedido para não comentarem ou todos ainda estavam chocados demais para falar e por isso, Clara encontrou um cenário bem diferente do que esperava.

- Bom dia, Princesa! - David fez festa assim que a viu chegando à sala de jantar onde todos tomavam café da manhã. - Então... hoje vamos ao estúdio?

- Vamos sim, querido... -  Clara sorriu. - Obrigada...

- Por que querida? Não estou fazendo nenhum favor... você é uma estrela...

- Não... obrigada por me apoiar neste momento tão difícil para mim... o Jack é a minha própria vida e perdê-lo agora... - Clara tentava controlar as lágrimas que escorriam em seu rosto. - Meu coração está destruído... me sinto abandonada... mas sei que vou me reerguer porque tenho vocês aqui ao meu lado...

- Ah, querida... - Mick abraçou-a. - Vai dar tudo certo...  todos aqui te amam muito...

- Mas não é isso o que eu quero falar... quero pedir a todos vocês para ajudar o Jack... sei que ele agora deve estar muito triste e sozinho...por favor... não o abandonem...

- Nós vamos ajudá-lo, querida... - Cindy, olhava agora com muita pena da tristeza da amiga. - Estamos do seu lado...

- Pode contar conosco, Princesa... - Keith sorriu para ela. - Vamos cuidar do Jack para você...

- Obrigada meus queridos... - ela disse, enquanto Mick pegava-a pela mão e a levava até o banheiro para lavar o rosto e recuperar-se.

- Vem, amor... vou cuidar de você... fica tranquila, vou ligar para o Jack assim que terminarmos o café da manhã...

- Obrigada, meu amor... e me perdoa...

- Vai ficar tudo bem... eu te garanto...

- Me desculpa, eu não consigo deixar de me preocupar com ele...

- Eu entendo, meu amor... vamos para o estúdio, eu sei que lá você vai se sentir melhor...

- Vou tentar... mas não prometo nada... estou muito triste com tudo o que aconteceu...

- Eu sei, querida... calma... você vai ficar bem... eu tenho certeza...

Sentindo seu coração em frangalhos, Clara não tinha muita alternativa naquele dia, a não ser concentrar-se na música,  recusando-se a pensar no que tinha acontecido,  ela passou o restante da semana dentro do estúdio com seus amigos músicos e o resultado foi um disco solo, seu primeiro disco, acompanhada por alguns dos maiores astros da música e produzido por eles.

Na quarta-feira seguinte, como combinado, o grupo se dispersou, a maioria dos músicos e suas esposas voltaram para Londres, enquanto Clara, um pouco mais calma, seguiu com Mick, em seu avião particular até Paris.

Ela desejava estar com Jack, tê-lo novamente em seus braços, mas aconselhada por Cindy e Jennifer, não tomou a iniciativa de entrar em contato com ele.

A turnê da Crossroads seguia em frente e ela acompanhava tudo o que acontecia  pela internet, já sabendo que no momento de sua participação, na música "The Light", Jack agora fazia um dueto com sua voz gravada, enquanto imagens do videoclipe apareciam no telão.

Alguns jornalistas especulavam sobre os motivos de sua ausência, mas uma nota oficial emitida pelo escritório de Michael Peters apenas dizia que ela estava com uma forte laringite provocada pelo frio e que precisava de descanso para recuperar-se.

E Clara chorou muito ao ver a gravação do momento em que Jack apresentava "Unexpectedly" durante o show extra na O2 arena, o primeiro desde que estavam separados: "Ela está doentinha agora, mas sei que voltará para os meus braços em breve... Menininha... esta é para você... nunca se esqueça que eu te amo e mesmo depois que o mundo terminar, eu ainda estarei te amando... "

Mick não saía do seu lado e  percebendo-a mais fraca, convocou o Dr Lanee e sua equipe, que com muito esforço e algumas transfusões de sangue, durante uma internação de três dias, conseguiu que seu organismo reagisse o que possibilitou um significativo ganho de peso de dois quilos.

O mês de novembro tinha terminado e a cada dia que passava, Paris ficava mais fria, mas também mais bonita, decorada para o Natal, que se aproximava rapidamente no calendário.

Para evitar comentários, ela só saia do apartamento de Mick para ir ao médico, checar a evolução de seu tratamento; mesmo assim, não conseguia deixar de admirar a beleza da cidade, que naquela época do ano conseguia ficar ainda mais linda.

Com o final da primeira perna da turnê, ela parecia estar mais deprimida e numa tentativa de alegrá-la, Mick voltou para casa naquela tarde, trazendo um enorme pinheiro e muitas caixas com enfeites para decorarem o apartamento para o natal.

- Que lindo, querido... vamos fazer isso juntos, então? - Clara abraçou Mick assim que ele revelou seus planos.

- Vamos... Minha querida... - ele a beijou. - Eu quero ver você feliz de novo... me diz... o que você quer... o que eu posso fazer por você?

- Você já fez, querido... se você não estivesse aqui, ao meu lado, provavelmente eu já estaria morta...

- Você está sentindo muita falta dele, não?

- Muita... e acho que não vai passar... vai? - Clara começou a chorar e Mick abraçou-a novamente.

- Ah, meu amor... - Mick beijou-a e passou a acariciá-la de uma forma mais ousada. Não tinham mais transado e naquela temporada em Paris, dormiam em quartos separados, mas isso não significava que o desejo entre eles estava completamente extinto, pelo contrário, por baixo de uma fina camada de cinzas, aquele amor ainda ardia em brasas e podia incendiar-se novamente a qualquer instante.
- Não... - ela o empurrou e fugiu dos seus braços, porque por mais que o desejasse, estava triste e confusa demais para permitir-se ceder a seus próprios desejos. - Por favor, querido... eu não consigo...

-  Está bem, meu amor... quero te fazer feliz.. vem, meu anjo... vamos montar a árvore de natal juntos...

Pacientemente, os dois foram espalhando os enfeites e lâmpadas pelos galhos da árvore e em poucas horas, tinham terminado e já podiam ligá-la na tomada.

Penduraram festões e meias de pelúcia na lareira e depois de todo o trabalho, relaxaram sentados no tapete, admirando a beleza do que tinham feito, com as luzes da árvore de natal iluminando a sala, enquanto xícaras de chocolate quente e cremoso ajudavam a aquecê-los.

- Ficou lindo, meu amor... - Clara esforçava-se para parecer feliz, mas seu sorriso triste denunciava seus reais sentimentos. - Me perdoa...

- Não tenho o que perdoar, meu anjo... eu quero apenas vê-la feliz novamente... mas acho que você não me ama mais...

- Não, querido... é claro que eu o amo... mas ainda sinto muita dor... quando me lembro dele...

- Eu sei, meu amor... eu sei... você ainda o ama muito e se sente abandonada  e cansada depois de tudo o que aconteceu...

- Tem razão, estou muito triste, nunca imaginei que ele me abandonaria desse jeito...

- Por que você não telefona para ele?

- Porque assim, enquanto não nos falarmos, continuarei tendo a impressão de que ele pode voltar para mim a qualquer momento... estou com medo  que ele me diga que não quer mais me ver... 

- Ele não faria isso, meu amor... tenho certeza que não...

- Não sei... ele foi embora e me deixou...

- Mas ele disse que estava fazendo isso para que nós dois pudéssemos viver o que precisamos viver...

- Eu sei querido... eu sei... mas eu achava que ele voltaria para mim...

- Não, meu anjo... acho que você vai precisar ir atrás dele... se é isso o que você quer...

- Eu não sei o que eu quero, Mick...

- O destino foi muito cruel conosco... você, eu e ele... não merecemos essa dor... por que tudo isso se tudo o que sinto é amor?

- Eu também... por que eu tinha que me apaixonar por dois homens?

- Tenho sonhado com nossa vida no castelo, querida... foi uma tragédia o que nos aconteceu, mas fomos muito felizes juntos...

- Eu sei, querido...  me perdoa por isso... o David Mersey disse que tenho esse poder de ver minhas vidas anteriores... e as pessoas que fizeram parte dessas vidas, acabam vendo também, quando estão perto de mim...

- Perdoar? Perdoar o que? É maravilhoso descobrir que eu te amo há tanto tempo... nunca amei ninguém assim... - Mick beijou-a novamente, os dois tentavam buscar nos braços um do outro a felicidade há muito tempo perdida.

Enquanto isso, Jack tentava relaxar em Heathrow, esperando seu voo ser chamado. Tinha decidido passar uns dias longe de tudo, seus amigos tinham oferecido a ele diversas possibilidades, mas a proposta que mais o agradou foi a de passar uns dias em Paris, no apartamento de Michael Silver, que estava a caminho de Los Angeles, com Jennifer.

Sabia que Clara estava lá, mas não ia com a intenção de encontrá-la. Tinha decidido que esperaria pacientemente que ela voltasse para ele, porque sabia que ela voltaria, era apenas uma questão de tempo.

Continua

18 de fev de 2014

Rockstar - Capítulo CXLVI



Em clima de namoro, Mick e Clara saíram da academia e desceram a escadaria do castelo, rumo ao salão de jantar, onde o afresco que retratava o drama de uma das vidas anteriores de ambos decorava o teto.

- Precisamos conversar com o Jack... onde será que ele está?

- Deve ter descido para o estúdio, querida... vamos lá?

- Vamos... - Clara sorriu e acariciou o rosto de Mick. - Espera, lá embaixo é sempre mais frio, vou pegar um casaco e a minha câmera...

Clara subiu os degraus rapidamente e abriu a porta do quarto, onde encontrou Jack arrumando as malas.

- Querido... o que você está fazendo?

- Vou embora... preciso fazer as malas...

- Embora? Como assim? - Clara sorria, imaginando que Jack estivesse brincando.

- Vou até Nice e de lá pego um voo para Londres... acho que até o fim do dia consigo chegar na nossa montanha...

- Espera... você está falando mesmo sério? Quer dizer... você está me abanonando?

- Não estou te abandonando, estou apenas saindo de cena para que você e  ele tenham a chance de viver isso que vocês estão sentindo agora...

- Por favor, Jack não faça isso...

- Já me decidi, Menininha... demorei demais para entender,  mas acho que será melhor assim... Você precisa ser feliz... e eu não estou te fazendo feliz... 

- Mas...

- Meu amor... eu acabei de ver vocês juntos, naquela sala de ginástica, senti dentro do meu coração a tua felicidade e entendi o que devo fazer... você precisa viver isso que sente por ele primeiro e depois... bem... depois, você sabe onde vai me encontrar...

- Jack... por favor...

- Querida... fica tranquila... de verdade...não estou te abandonando... sou seu... só vou te dar um pouco de espaço para você e para ele... não estou com ciúmes, só tenho amor e carinho por você... mas acho que você será mais feliz se puder viver isso que eu senti dentro de mim... Você o ama muito... não pode simplesmente deixá-lo para trás...

- Mas Jack... - Clara aproximou-se do marido e abraçou-o. Os olhos dos dois cheios de lágrimas. - Não me abandona... se você quer que eu esqueça dele, eu vou me esquecer...

- Não precisa... quero que você seja feliz e se isso significa que você precisa ficar com ele, eu aceito... me afasto e vocês ficarão bem...

- Para mim, é impossível viver sem você...

- Não é, meu anjo... não é... descansa esse seu coração... você não pode ser feliz de verdade comigo por perto... e é isso o que eu quero... te ver feliz de verdade...

- Mas como eu posso ser feliz sem você?

- Continuo sendo seu, meu amor... só vou me afastar um pouco para que você possa viver esse seu outro sentimento...  não suporto mais te ver assim, cheia de culpas, doente... não... você fica com ele, volta a ser feliz e depois, se você ainda me  quiser...

- Por favor, Jack... meu amor... - Clara já começava a sentir-se sem forças, enquanto Jack continuava a andar pelo quarto, juntando suas coisas em uma mala menor, tentando manter-se forte em seu propósito, concentrando-se apenas no que estava fazendo, enquanto sentia seu coração estraçalhado pelo sofrimento dela.

- Fica bem, meu amor... - Jack beijou Clara na testa e saiu do quarto com sua mala, deixando-a deitada na cama, chorando descontroladamente.

Apesar da dor que sentia no peito, Jack não recuou, conversou rapidamente com Mick e em poucos minutos já estava a caminho do aeroporto de Nice e depois, em um jatinho particular, rumo a Londres.

- Jack... - Clara acordou com o barulho de um trovão, que iluminou o quarto.

- Calma, querida... - Mick, sentado na cama, ao lado dela, com seu iPad em mãos, agora a abraçava. - Está tudo bem...

- Não, não está... o Jack me abandonou...

- Não, querida... ele só quer que você fique bem... me explicou tudo antes de ir...

- Meu casamento acabou...

- Não, meu amor... ele só quer nos dar espaço para conversarmos direito e vivermos o nosso amor sem culpa... sem pressão... relaxa, minha vida... eu e o Jack queremos a mesma coisa, te fazer feliz...

- Ele me abandonou, querido... não estou mais viva... morri por dentro...

- Meu amor... não faz isso com você... - Mick puxou-a para seus braços, acariciando seus cabelos, na tentativa de acalmá-la. - Eu te amo, me dá uma chance de te fazer feliz, minha querida... por favor...

- Está bem... não tem nada mais que eu possa fazer, agora que ele não me quer mais... - Clara agora tentava secar as lágrimas de seu rosto. - Você me ajuda?

- Ah, meu amor... - Mick segurava-a em seus braços, enquanto a sentia desvanecendo, de tanta tristeza. - Calma... vai dar tudo certo... vem querida... vamos lavar o rosto e descer, vou preparar alguma coisa para você comer... aliás, para nós dois comermos, porque eu também estou com fome... Vou cuidar de você... me deixa te fazer feliz... por favor...

- Está bem, querido... me perdoa... eu não esperava isso... estou muito triste agora... e os nossos amigos? Eles ainda estão aqui no castelo?

- Sim, meu amor... já é madrugada e estão todos lá embaixo, no estúdio trabalhando... estive lá e todo mundo está ainda um pouco perdido com o que aconteceu... mas todos estão preocupados com você... eu te dei um calmante, porque achei melhor que você descansasse um pouco...

- Ah, querido... você é tão maravilhoso comigo... eu te amo tanto...

- Casa comigo... peço um tempo para os Stones e vamos para longe, onde você quiser ir... Brasil, Tahiti, Paris... você escolhe...

- Ah, meu amor... eu não sei se vou conseguir...

- Vai sim... eu vou cuidar de você e te fazer feliz...

- Meu querido... - Clara sentiu uma onda de carinho enorme por Mick e beijou-o. Ele reagiu, puxando-a para seu colo e acariciando todo o seu corpo. Logo, ela não chorava mais, completamente entregue ao prazer intenso que ele a fazia sentir.

Depois do sexo, os dois desceram juntos na cozinha do castelo, completamente silencioso, enquanto seus amigos dormiam ou continuavam dentro do estúdio, no porão.

- Dizem que tem muitos fantasmas neste castelo... - Mick sorriu, enquanto preparava sanduiches para ele e para Clara com restos de um rosbife que encontrou na geladeira. - Eu nunca vi nada, mas o antigo proprietário do castelo me disse que via sempre uma mulher, andando pelos corredores...

- Mesmo? Engraçado... a única coisa que realmente mexeu comigo aqui foi aquela pintura no salão de jantar...

- Também mexeu comigo... chamei o Laurent para ver porque queria cobrir aquilo... mandar pintar... mas depois me disseram que era uma obra de arte importante e acabei desistindo... mas ela ainda me dá arrepios...

- O seu sonho... com a gaveta... como foi?

- Ah, querida... acordei chorando naquele dia... estava tão triste, escrevendo naqueles diários... sentia muita falta da mulher que eu amava...

- Meu querido... sofri tanto na noite passada, quando vi a morte dela... ela te amava muito e a pior dor,  foi perceber que meu filho... o filho dela... morria comigo... ela morreu muito triste por isso...  - Clara chorava, enquanto Mick secava suas lágrimas com os dedos...

- Meu amor... calma... não chora... - ele disse, também com os olhos molhados. - Estamos bem... estamos juntos... o tempo vai curar tudo, querida... tudo... Agora eu entendi... estou aqui para cuidar dessa dor.... curar seu coração....

- Mick... meu amor... é tão bom que você esteja comigo agora que o Jack me abandonou...

- Ele não te abandonou, meu amor... agora mesmo ele está esperando que você melhore... ele me disse isso... que ia se afastar para que você parasse de sentir culpa...

- Mas eu sinto... aqui dentro... meu coração está despedaçado. O Jack sempre foi um sonho para mim... e eu consegui perdê-lo...

- Você não o perdeu... de verdade... sabe o que ele me disse?

- O que?

- Mick, não sei mais o que fazer... eu a amo muito e não consigo mais vê-la sofrendo assim... acho que você pode ajudá-la, mas só se eu não estiver por perto... porque eu só a faço sentir-se culpada...

- Eu o amo muito... e mesmo entendendo a intenção dele, estou me sentindo abandonada... e culpada por isso... eu errei em me apaixonar por você... sinto meu coração morrendo aqui dentro do meu peito...

- Amor... você vai ficar bem... eu sei que vai... fica tranquila porque eu vou te ajudar... se você quiser podemos passar um tempo na Suiça... o doutor Lanee me mostrou fotos de um spa que ele tem por lá... vou com você e te ajudo a melhorar... e quando você estiver bem... eu estarei feliz... e você pode voltar para ele...

- Eu não sei... será que vou conseguir fazer isso? Estou tão triste...

- Vou te fazer feliz, meu amor... me dá uma chance... sabe...  nos últimos dias vi a vida inteira do Duque Jacques e foi tudo tão triste... acho que merecemos viver um pouco... só se você não me ama mais...

- Eu te amo, querido... - Clara sorriu e pegou a mão dele, sobre o balcão da cozinha. - Não duvide disso, meu amor...  se eu não te amasse, não estaria mais viva...

- Então... descansa em mim... relaxa... se cura e quando estiver bem, eu te levo até ele... onde ele estiver...

- Ah, querido... você faria isso por mim?

- O que você quiser, meu amor...

- Então vou lutar muito para ficar boa... Obrigada, meu amor por acreditar em mim...

Mick puxou-a para perto de seu corpo e beijou-a com paixão. Os dois choravam novamente, emocionados com os sentimentos que sentiam fluir, agora mais livremente de seus corações.

Continua