7 de jun de 2014

Rockstar - Capítulo CXLVIII


Seu plano era razoável, mas não tinha pensado em tudo. Paris já decorada para o Natal estava mais linda do que nunca e seu desejo de dividir toda aquela beleza com ela era cada vez maior.

Queria vê-la novamente, mas não tomaria a iniciativa. Não sabia o que estava acontecendo com ela naquele momento, mas se ela estivesse feliz, ao lado de Mick, não seria ele quem estragaria aquela felicidade, mesmo que isso custasse o fim de sua própria felicidade.

Jennifer e Cindy ligavam a toda hora, queriam saber como ele estava e segundo elas, cuidavam dele a pedido de Clara.. Elas também já tinham dado muitos conselhos sobre como ele deveria procurar por ela, mas ele não achava que isso o ajudaria.

E depois de instalar-se no apartamento do amigo Michael Silver,  ele  achou melhor colocar seu próprio plano em funcionamento.

Já era alta madrugada, Clara e Mick dormiam, cada um em seu quarto, enquanto ele, de frente para seu computador, tentava escrever o texto mais difícil de sua vida. Tinha decidido que libertaria Clara até de sua obrigação como ghost writer e, para isso, seguiria com a elaboração de sua autobiografia do ponto em que ela tinha parado.

Mas não sabia nem como começar, a dor que sentia em seu peito cada vez que começava a escrever alguma coisa... precisava dela, se ela estivesse ali tudo estaria bem e as lembranças da morte de seu amigo Richard Donovan não o fariam mais chorar, como chorava.

Mais uma vez puxava seu notebook para mais perto e começava a escrever...

"Meu amor, me perdoe... sei que prometi me afastar para que você pudesse viver completamente seus sentimentos, mas está muito difícil.
Estou escrevendo depois de tentar muitas e muitas vezes terminar minha autobiografia, queria libertá-la da obrigação de ter que continuar lidando comigo e com meus problemas, pelo menos como ghost writer, mas não estou conseguindo. A dor imensa da perda do meu melhor amigo agora se alia a uma ainda maior e me paralisa diante do teclado.
Sem você é impossível... e eu quero que você saiba disso... mas não quero com isso  pressioná-la a retomar o trabalho, estou apenas pedindo perdão por ser incapaz de terminar de contar minha história e reconhecendo que preciso de você... se bem que preciso de você, não só por isso...
Mas não quero pressioná-la... Continuo te amando muito... Fique bem...  Jack."

Leu e releu o texto que tinha escrito,  depois, sem querer pensar muito, copiou-o para seu e-mail e enviou-o a Clara. Arrependeu-se disso, no segundo seguinte, mas pelo menos assim, ela saberia o que estava acontecendo com ele.

E pensar que ela estava muito perto dele agora, na mesma rua, no mesmo quarteirão, apenas alguns prédios distante,  nos braços de seu amante, no apartamento dele.

Se ao menos ele conseguisse fazer com que ela o esquecesse; mesmo que tudo indicasse que ele tinha feito parte de sua vida anterior. Teriam até tido um filho juntos, não fosse o trágico desfecho, teriam tido anos felizes de vida em comum, naquele maldito castelo ou em qualquer outro lugar em que vivessem.

Ele também fez parte do passado dela, uma vida em comum, há muitos séculos, pelo menos ele achava que teve. Quando ele era Berthold, o segundo filho do senhor de toda a região e ela era Ceridwen, sua pequena Ceridwen e dividiam um casebre construído por suas próprias mãos, no alto da montanha.

Foram muito felizes lá, mas por pouco tempo e novamente naqueles poucos meses que conviveram. Que ela o amava, nunca teve dúvida, quando estavam juntos tudo ficava perfeito, mas agora ele precisava reconquistá-la.

Seria difícil, muito difícil, mas estava disposto a fazer qualquer coisa para tê-la de novo.

Continua
 

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