28 de dez de 2014

Rockstar - Capítulo Final



- Bom dia, querida... - Mick aproximou-se dela, assim que percebeu que tinha terminado sua meditação, no quarto que mantinha como academia. - Teve uma boa noite?

- Bom dia, Mick... - ela levantou-se  da esteira, tirou os fones de ouvido e beijou-o no rosto. - Foi muito boa, querido... e a sua?

- Só não foi perfeita porque você não estava comigo... mas sonhei a noite toda conosco... sei que você não está mais na mesma página que eu, mas...

- Ah, Mick... me desculpa... talvez seja melhor eu ir embora... voltar para o Brasil...

- Não, meu amor... você não pode ir... prometi ao seu marido que não permitiria isso...

- Como? Você prometeu?

- Sim... quando ele veio me dizer que se afastaria para nos dar a chance de vivermos o que precisávamos viver, eu prometi a ele que não te deixaria partir daqui... nós dois tínhamos muito medo de que você fugisse de nós e voltasse para o Brasil...

- E o que mais você prometeu em meu nome? Tem algum prazo para me devolver para ele ao final do contrato? - ela secava as lágrimas que escorriam pelo seu rosto.

- Clara... por favor... me perdoa... nós dois apenas queremos vê-la bem...

- Eu sei... me desculpa... mas você sabe o quanto eu o amo...

- Ele também sabe, meu amor... - Mick abraçou-a. - Vamos passear um pouco? Fazer umas compras para o natal? Acho que você precisa relaxar...


- Não posso... tenho medo que algum paparazzo nos fotografe juntos...

- Não se preocupe com isso, minha vida... você sabe que não costumo deixar espaço para o acaso...

- Está bem, querido... vou me arrumar... mas antes vou dar uma olhada na internet... sonhei com  o Jack e no meu sonho, ele chorava muito, na frente do computador...

- Ah, querida... faça isso na volta... quero te fazer relaxar um pouco agora... - Mick disse, tirando o notebook das mãos dela e beijando-a.

- Está bem...

Clara teve alguma dificuldade para encontrar as roupas certas para sair, mas decidiu-se por uma calça jeans agarrada ao corpo, um suéter de lã, um par de botas e seu casaco longo de couro.

- Você está linda, querida... - Mick, que também estava usando roupas quentes e casuais, disse ao encontrá-la na sala de estar. - Espera... acho que você deve proteger mais a garganta... vou pegar um cachecol para você...

- Está bem, querido... - Clara sorriu, deixando que ele trouxesse para ela uma paximina cinza, que ele ajeitou ao redor de seu pescoço.

- Pronto... embrulhadinha para sair no frio... - Mick sorriu.

Os dois desceram pelo elevador e sentaram-se no banco detrás de um mercedes preto. E quando Mick disse que nunca deixava espaço para o acaso, ele falava sério. Um carro com 4 seguranças acompanhava de perto o carro de vidros  escuros em que estavam.

Apesar do sol e do céu azul naquela manhã sem nuvens, fazia muito frio. E as pessoas que caminhavam pelas ruas, andavam rapidamente, bem agasalhadas com seus casacos, luvas e gorros.

Logo os dois desciam do carro nas melhores lojas da cidade e faziam suas compras; basicamente presentes de natal para toda a família de Clara e para seus amigos, bem como os presentes que Mick distribuiria para sua família e amigos.

- Querida, estava aqui pensando... podemos chamar seus parentes e amigos para passarem as festas conosco...

- Não posso, Mick... tinha combinado outra coisa com eles, faria as festas na minha casa em Londres... eles nem sabem que estou separada do Jack...

- Mas você não está... podemos mudar as festas para meu apartamento e recebemos todo mundo, inclusive o Jack...

- Você faria isso por mim?

- Não há nada que eu não faça por você, meu amor...

- Ah, Mick... você é mesmo muito gentil comigo... mas ainda estou muito confusa...

- Fica tranquila, meu amor... não precisa decidir nada agora... quer saber o que faremos? Vamos almoçar? Estou com uma vontade enorme daquela torta de trufas negras do Cinq...

- Não podemos... lá tem sempre muita gente... vão nos reconhecer...

- Está bem... vamos para casa, então... vou ligar para o meu mordomo e mandar que ele encomende com o restaurante o que queremos comer... está melhor assim?

- Perfeito, querido... o Dr Lanee pediu que eu coma carne em todas as refeições...

- Eu sei... eles têm aquele cordeiro maravilhoso lá...

- Pode pedir, querido... me perdoa... sei que estou atrapalhando a sua vida...

- Atrapalhando? De jeito nenhum, meu amor... você me faz tão feliz...

- Não faço e você sabe disso...

- Eu te amo... só isso me importa...

- Também te amo, mas...

- Isso basta, meu amor... sabe... estes sonhos que tenho tido conosco, no castelo...

- Sim...

- Sabe o que mais nos vejo fazendo?

- O que?

- Conversando, querida... você era a minha melhor amiga e ficávamos falando sobre nossos sonhos e nossas aspirações como falamos hoje em dia e éramos muito felizes...

- Eu te adoro, Mick... - Clara beijou-o e os dois percorreram o restante do caminho de volta ao apartamento abraçados, no banco detrás da Mercedes.

Chegaram ao apartamento, distribuíram o conteúdo das muitas sacolas de compras sob a árvore de natal, almoçaram os pratos sofisticados que já esperavam por eles,  e ainda em clima de paz, foram descansar no quarto de Mick, assistindo a um filme na TV, deitados em sua cama, Clara lembrou-se de olhar seus e-mails, pegou o notebook e logo começou a chorar.

- O que foi, querida? - Mick aproximou-se dela, assustado com suas lágrimas.

- Olha isso, Mick... - ela disse, colocando o computador no colo dele.

Enquanto Mick lia, seu celular começou a tocar. - É o Jack, querida... - ele disse ao ver o nome do amigo piscando na tela.

- Jack? Preciso falar com ele...

- Acho melhor eu falar com ele antes...

- Está bem...

-  Olá Jack, tudo bem com você?

- Tudo, amigo... e com você?

- Está tudo bem... estou em Paris... na casa do Mike... vocês ainda estão na cidade?

- Que bom... nós estamos sim... vem aqui, no meu apartamento... a Clara está muito ansiosa para te ver...

- E eu preciso vê-la... sei que estou interrompendo algo importante para vocês...

- Não, Jack... você não está interrompendo nada... somos amigos... estou aqui apenas apoiando minha melhor amiga, neste momento em que ela espera que o grande amor de sua vida volte para ela...

Clara ouvia o que Mick dizia para Jack e chorava, com a cabeça pousada no ombro do amigo.

- Diga a ela que preciso dela...

- Você quer falar com ela? - Mick perguntou, ao sentir a voz do amigo embargada de emoção do outro lado da linha.

- Está bem...

Mick entregou o celular nas mãos de Clara, o que a fez chorar ainda mais. - Jack, meu amor...

- Menininha...  - ele também chorava do outro lado da linha. - Que bom ouvir sua voz... me perdoa por atrapalhar... mas estou com muitas saudades...

- Você não está atrapalhando nada, meu amor... onde você está?

- No apartamento do Mike...

- Fica aí... eu vou até você...

- Está bem, meu amor... estou te esperando...

- Mick querido...

- Eu sei... não precisa dizer nada... vai lá vê-lo... vocês dois merecem essa felicidade... sofreram tanto...

- Eu vou... sim... olha, Mick... eu não estou deixando de te amar... o Jack me ensinou isso... amar é para sempre...

- Eu sei... não se preocupe, querida... estaremos bem... eu sei disso... mas você precisa estar com ele de novo... vai tranquila, meu amor...

Clara beijou Mick no rosto, levantou-se da cama, vestiu as mesmas roupas que estava usando antes, desceu de elevador, deixou o prédio e caminhou, em prantos, até o próximo quarteirão.

Não sabia o que diria, quando chegasse lá. Apenas se concentrava em continuar caminhando, enquanto o vento frio fazia seu rosto doer.

- Boa tarde, Madame Noble... está muito frio hoje, não? - o porteiro do prédio de Michael Silver conversava em um inglês cheio de sotaque com Clara, visivelmente embaraçado por vê-la chorando. - A senhora precisa de alguma coisa?

- Não Louis... obrigada... o senhor Noble me espera...

- Sim... suba por favor...

- Obrigada...

No elevador, Clara sentia as mãos tremendo ainda mais. Sua ansiedade provocando uma crise de asma pesada, estava quase sufocando quando conseguiu alcançar o remédio no bolso de sua calça jeans e usá-lo, antes que o elevador chegasse ao andar do apartamento de Michael Silver.

Jack a esperava do outro lado da porta do elevador, pegou-a em seus braços e a beijou. Um beijo apaixonado, doce, carregado de um amor que existia desde sempre.

Estavam juntos de novo, sempre tinha sido assim e para sempre seria.

FIM

7 de jun de 2014

Rockstar - Capítulo CXLVIII


Seu plano era razoável, mas não tinha pensado em tudo. Paris já decorada para o Natal estava mais linda do que nunca e seu desejo de dividir toda aquela beleza com ela era cada vez maior.

Queria vê-la novamente, mas não tomaria a iniciativa. Não sabia o que estava acontecendo com ela naquele momento, mas se ela estivesse feliz, ao lado de Mick, não seria ele quem estragaria aquela felicidade, mesmo que isso custasse o fim de sua própria felicidade.

Jennifer e Cindy ligavam a toda hora, queriam saber como ele estava e segundo elas, cuidavam dele a pedido de Clara.. Elas também já tinham dado muitos conselhos sobre como ele deveria procurar por ela, mas ele não achava que isso o ajudaria.

E depois de instalar-se no apartamento do amigo Michael Silver,  ele  achou melhor colocar seu próprio plano em funcionamento.

Já era alta madrugada, Clara e Mick dormiam, cada um em seu quarto, enquanto ele, de frente para seu computador, tentava escrever o texto mais difícil de sua vida. Tinha decidido que libertaria Clara até de sua obrigação como ghost writer e, para isso, seguiria com a elaboração de sua autobiografia do ponto em que ela tinha parado.

Mas não sabia nem como começar, a dor que sentia em seu peito cada vez que começava a escrever alguma coisa... precisava dela, se ela estivesse ali tudo estaria bem e as lembranças da morte de seu amigo Richard Donovan não o fariam mais chorar, como chorava.

Mais uma vez puxava seu notebook para mais perto e começava a escrever...

"Meu amor, me perdoe... sei que prometi me afastar para que você pudesse viver completamente seus sentimentos, mas está muito difícil.
Estou escrevendo depois de tentar muitas e muitas vezes terminar minha autobiografia, queria libertá-la da obrigação de ter que continuar lidando comigo e com meus problemas, pelo menos como ghost writer, mas não estou conseguindo. A dor imensa da perda do meu melhor amigo agora se alia a uma ainda maior e me paralisa diante do teclado.
Sem você é impossível... e eu quero que você saiba disso... mas não quero com isso  pressioná-la a retomar o trabalho, estou apenas pedindo perdão por ser incapaz de terminar de contar minha história e reconhecendo que preciso de você... se bem que preciso de você, não só por isso...
Mas não quero pressioná-la... Continuo te amando muito... Fique bem...  Jack."

Leu e releu o texto que tinha escrito,  depois, sem querer pensar muito, copiou-o para seu e-mail e enviou-o a Clara. Arrependeu-se disso, no segundo seguinte, mas pelo menos assim, ela saberia o que estava acontecendo com ele.

E pensar que ela estava muito perto dele agora, na mesma rua, no mesmo quarteirão, apenas alguns prédios distante,  nos braços de seu amante, no apartamento dele.

Se ao menos ele conseguisse fazer com que ela o esquecesse; mesmo que tudo indicasse que ele tinha feito parte de sua vida anterior. Teriam até tido um filho juntos, não fosse o trágico desfecho, teriam tido anos felizes de vida em comum, naquele maldito castelo ou em qualquer outro lugar em que vivessem.

Ele também fez parte do passado dela, uma vida em comum, há muitos séculos, pelo menos ele achava que teve. Quando ele era Berthold, o segundo filho do senhor de toda a região e ela era Ceridwen, sua pequena Ceridwen e dividiam um casebre construído por suas próprias mãos, no alto da montanha.

Foram muito felizes lá, mas por pouco tempo e novamente naqueles poucos meses que conviveram. Que ela o amava, nunca teve dúvida, quando estavam juntos tudo ficava perfeito, mas agora ele precisava reconquistá-la.

Seria difícil, muito difícil, mas estava disposto a fazer qualquer coisa para tê-la de novo.

Continua
 

22 de fev de 2014

Rockstar - Capítulo CXLVII

 

A manhã seguinte chegou logo e com ela a preocupação de enfrentar todos os amigos reunidos para gravar no estúdio daquele castelo.

Mas ou Mick tinha chegado antes e pedido para não comentarem ou todos ainda estavam chocados demais para falar e por isso, Clara encontrou um cenário bem diferente do que esperava.

- Bom dia, Princesa! - David fez festa assim que a viu chegando à sala de jantar onde todos tomavam café da manhã. - Então... hoje vamos ao estúdio?

- Vamos sim, querido... -  Clara sorriu. - Obrigada...

- Por que querida? Não estou fazendo nenhum favor... você é uma estrela...

- Não... obrigada por me apoiar neste momento tão difícil para mim... o Jack é a minha própria vida e perdê-lo agora... - Clara tentava controlar as lágrimas que escorriam em seu rosto. - Meu coração está destruído... me sinto abandonada... mas sei que vou me reerguer porque tenho vocês aqui ao meu lado...

- Ah, querida... - Mick abraçou-a. - Vai dar tudo certo...  todos aqui te amam muito...

- Mas não é isso o que eu quero falar... quero pedir a todos vocês para ajudar o Jack... sei que ele agora deve estar muito triste e sozinho...por favor... não o abandonem...

- Nós vamos ajudá-lo, querida... - Cindy, olhava agora com muita pena da tristeza da amiga. - Estamos do seu lado...

- Pode contar conosco, Princesa... - Keith sorriu para ela. - Vamos cuidar do Jack para você...

- Obrigada meus queridos... - ela disse, enquanto Mick pegava-a pela mão e a levava até o banheiro para lavar o rosto e recuperar-se.

- Vem, amor... vou cuidar de você... fica tranquila, vou ligar para o Jack assim que terminarmos o café da manhã...

- Obrigada, meu amor... e me perdoa...

- Vai ficar tudo bem... eu te garanto...

- Me desculpa, eu não consigo deixar de me preocupar com ele...

- Eu entendo, meu amor... vamos para o estúdio, eu sei que lá você vai se sentir melhor...

- Vou tentar... mas não prometo nada... estou muito triste com tudo o que aconteceu...

- Eu sei, querida... calma... você vai ficar bem... eu tenho certeza...

Sentindo seu coração em frangalhos, Clara não tinha muita alternativa naquele dia, a não ser concentrar-se na música,  recusando-se a pensar no que tinha acontecido,  ela passou o restante da semana dentro do estúdio com seus amigos músicos e o resultado foi um disco solo, seu primeiro disco, acompanhada por alguns dos maiores astros da música e produzido por eles.

Na quarta-feira seguinte, como combinado, o grupo se dispersou, a maioria dos músicos e suas esposas voltaram para Londres, enquanto Clara, um pouco mais calma, seguiu com Mick, em seu avião particular até Paris.

Ela desejava estar com Jack, tê-lo novamente em seus braços, mas aconselhada por Cindy e Jennifer, não tomou a iniciativa de entrar em contato com ele.

A turnê da Crossroads seguia em frente e ela acompanhava tudo o que acontecia  pela internet, já sabendo que no momento de sua participação, na música "The Light", Jack agora fazia um dueto com sua voz gravada, enquanto imagens do videoclipe apareciam no telão.

Alguns jornalistas especulavam sobre os motivos de sua ausência, mas uma nota oficial emitida pelo escritório de Michael Peters apenas dizia que ela estava com uma forte laringite provocada pelo frio e que precisava de descanso para recuperar-se.

E Clara chorou muito ao ver a gravação do momento em que Jack apresentava "Unexpectedly" durante o show extra na O2 arena, o primeiro desde que estavam separados: "Ela está doentinha agora, mas sei que voltará para os meus braços em breve... Menininha... esta é para você... nunca se esqueça que eu te amo e mesmo depois que o mundo terminar, eu ainda estarei te amando... "

Mick não saía do seu lado e  percebendo-a mais fraca, convocou o Dr Lanee e sua equipe, que com muito esforço e algumas transfusões de sangue, durante uma internação de três dias, conseguiu que seu organismo reagisse o que possibilitou um significativo ganho de peso de dois quilos.

O mês de novembro tinha terminado e a cada dia que passava, Paris ficava mais fria, mas também mais bonita, decorada para o Natal, que se aproximava rapidamente no calendário.

Para evitar comentários, ela só saia do apartamento de Mick para ir ao médico, checar a evolução de seu tratamento; mesmo assim, não conseguia deixar de admirar a beleza da cidade, que naquela época do ano conseguia ficar ainda mais linda.

Com o final da primeira perna da turnê, ela parecia estar mais deprimida e numa tentativa de alegrá-la, Mick voltou para casa naquela tarde, trazendo um enorme pinheiro e muitas caixas com enfeites para decorarem o apartamento para o natal.

- Que lindo, querido... vamos fazer isso juntos, então? - Clara abraçou Mick assim que ele revelou seus planos.

- Vamos... Minha querida... - ele a beijou. - Eu quero ver você feliz de novo... me diz... o que você quer... o que eu posso fazer por você?

- Você já fez, querido... se você não estivesse aqui, ao meu lado, provavelmente eu já estaria morta...

- Você está sentindo muita falta dele, não?

- Muita... e acho que não vai passar... vai? - Clara começou a chorar e Mick abraçou-a novamente.

- Ah, meu amor... - Mick beijou-a e passou a acariciá-la de uma forma mais ousada. Não tinham mais transado e naquela temporada em Paris, dormiam em quartos separados, mas isso não significava que o desejo entre eles estava completamente extinto, pelo contrário, por baixo de uma fina camada de cinzas, aquele amor ainda ardia em brasas e podia incendiar-se novamente a qualquer instante.
- Não... - ela o empurrou e fugiu dos seus braços, porque por mais que o desejasse, estava triste e confusa demais para permitir-se ceder a seus próprios desejos. - Por favor, querido... eu não consigo...

-  Está bem, meu amor... quero te fazer feliz.. vem, meu anjo... vamos montar a árvore de natal juntos...

Pacientemente, os dois foram espalhando os enfeites e lâmpadas pelos galhos da árvore e em poucas horas, tinham terminado e já podiam ligá-la na tomada.

Penduraram festões e meias de pelúcia na lareira e depois de todo o trabalho, relaxaram sentados no tapete, admirando a beleza do que tinham feito, com as luzes da árvore de natal iluminando a sala, enquanto xícaras de chocolate quente e cremoso ajudavam a aquecê-los.

- Ficou lindo, meu amor... - Clara esforçava-se para parecer feliz, mas seu sorriso triste denunciava seus reais sentimentos. - Me perdoa...

- Não tenho o que perdoar, meu anjo... eu quero apenas vê-la feliz novamente... mas acho que você não me ama mais...

- Não, querido... é claro que eu o amo... mas ainda sinto muita dor... quando me lembro dele...

- Eu sei, meu amor... eu sei... você ainda o ama muito e se sente abandonada  e cansada depois de tudo o que aconteceu...

- Tem razão, estou muito triste, nunca imaginei que ele me abandonaria desse jeito...

- Por que você não telefona para ele?

- Porque assim, enquanto não nos falarmos, continuarei tendo a impressão de que ele pode voltar para mim a qualquer momento... estou com medo  que ele me diga que não quer mais me ver... 

- Ele não faria isso, meu amor... tenho certeza que não...

- Não sei... ele foi embora e me deixou...

- Mas ele disse que estava fazendo isso para que nós dois pudéssemos viver o que precisamos viver...

- Eu sei querido... eu sei... mas eu achava que ele voltaria para mim...

- Não, meu anjo... acho que você vai precisar ir atrás dele... se é isso o que você quer...

- Eu não sei o que eu quero, Mick...

- O destino foi muito cruel conosco... você, eu e ele... não merecemos essa dor... por que tudo isso se tudo o que sinto é amor?

- Eu também... por que eu tinha que me apaixonar por dois homens?

- Tenho sonhado com nossa vida no castelo, querida... foi uma tragédia o que nos aconteceu, mas fomos muito felizes juntos...

- Eu sei, querido...  me perdoa por isso... o David Mersey disse que tenho esse poder de ver minhas vidas anteriores... e as pessoas que fizeram parte dessas vidas, acabam vendo também, quando estão perto de mim...

- Perdoar? Perdoar o que? É maravilhoso descobrir que eu te amo há tanto tempo... nunca amei ninguém assim... - Mick beijou-a novamente, os dois tentavam buscar nos braços um do outro a felicidade há muito tempo perdida.

Enquanto isso, Jack tentava relaxar em Heathrow, esperando seu voo ser chamado. Tinha decidido passar uns dias longe de tudo, seus amigos tinham oferecido a ele diversas possibilidades, mas a proposta que mais o agradou foi a de passar uns dias em Paris, no apartamento de Michael Silver, que estava a caminho de Los Angeles, com Jennifer.

Sabia que Clara estava lá, mas não ia com a intenção de encontrá-la. Tinha decidido que esperaria pacientemente que ela voltasse para ele, porque sabia que ela voltaria, era apenas uma questão de tempo.

Continua

18 de fev de 2014

Rockstar - Capítulo CXLVI



Em clima de namoro, Mick e Clara saíram da academia e desceram a escadaria do castelo, rumo ao salão de jantar, onde o afresco que retratava o drama de uma das vidas anteriores de ambos decorava o teto.

- Precisamos conversar com o Jack... onde será que ele está?

- Deve ter descido para o estúdio, querida... vamos lá?

- Vamos... - Clara sorriu e acariciou o rosto de Mick. - Espera, lá embaixo é sempre mais frio, vou pegar um casaco e a minha câmera...

Clara subiu os degraus rapidamente e abriu a porta do quarto, onde encontrou Jack arrumando as malas.

- Querido... o que você está fazendo?

- Vou embora... preciso fazer as malas...

- Embora? Como assim? - Clara sorria, imaginando que Jack estivesse brincando.

- Vou até Nice e de lá pego um voo para Londres... acho que até o fim do dia consigo chegar na nossa montanha...

- Espera... você está falando mesmo sério? Quer dizer... você está me abanonando?

- Não estou te abandonando, estou apenas saindo de cena para que você e  ele tenham a chance de viver isso que vocês estão sentindo agora...

- Por favor, Jack não faça isso...

- Já me decidi, Menininha... demorei demais para entender,  mas acho que será melhor assim... Você precisa ser feliz... e eu não estou te fazendo feliz... 

- Mas...

- Meu amor... eu acabei de ver vocês juntos, naquela sala de ginástica, senti dentro do meu coração a tua felicidade e entendi o que devo fazer... você precisa viver isso que sente por ele primeiro e depois... bem... depois, você sabe onde vai me encontrar...

- Jack... por favor...

- Querida... fica tranquila... de verdade...não estou te abandonando... sou seu... só vou te dar um pouco de espaço para você e para ele... não estou com ciúmes, só tenho amor e carinho por você... mas acho que você será mais feliz se puder viver isso que eu senti dentro de mim... Você o ama muito... não pode simplesmente deixá-lo para trás...

- Mas Jack... - Clara aproximou-se do marido e abraçou-o. Os olhos dos dois cheios de lágrimas. - Não me abandona... se você quer que eu esqueça dele, eu vou me esquecer...

- Não precisa... quero que você seja feliz e se isso significa que você precisa ficar com ele, eu aceito... me afasto e vocês ficarão bem...

- Para mim, é impossível viver sem você...

- Não é, meu anjo... não é... descansa esse seu coração... você não pode ser feliz de verdade comigo por perto... e é isso o que eu quero... te ver feliz de verdade...

- Mas como eu posso ser feliz sem você?

- Continuo sendo seu, meu amor... só vou me afastar um pouco para que você possa viver esse seu outro sentimento...  não suporto mais te ver assim, cheia de culpas, doente... não... você fica com ele, volta a ser feliz e depois, se você ainda me  quiser...

- Por favor, Jack... meu amor... - Clara já começava a sentir-se sem forças, enquanto Jack continuava a andar pelo quarto, juntando suas coisas em uma mala menor, tentando manter-se forte em seu propósito, concentrando-se apenas no que estava fazendo, enquanto sentia seu coração estraçalhado pelo sofrimento dela.

- Fica bem, meu amor... - Jack beijou Clara na testa e saiu do quarto com sua mala, deixando-a deitada na cama, chorando descontroladamente.

Apesar da dor que sentia no peito, Jack não recuou, conversou rapidamente com Mick e em poucos minutos já estava a caminho do aeroporto de Nice e depois, em um jatinho particular, rumo a Londres.

- Jack... - Clara acordou com o barulho de um trovão, que iluminou o quarto.

- Calma, querida... - Mick, sentado na cama, ao lado dela, com seu iPad em mãos, agora a abraçava. - Está tudo bem...

- Não, não está... o Jack me abandonou...

- Não, querida... ele só quer que você fique bem... me explicou tudo antes de ir...

- Meu casamento acabou...

- Não, meu amor... ele só quer nos dar espaço para conversarmos direito e vivermos o nosso amor sem culpa... sem pressão... relaxa, minha vida... eu e o Jack queremos a mesma coisa, te fazer feliz...

- Ele me abandonou, querido... não estou mais viva... morri por dentro...

- Meu amor... não faz isso com você... - Mick puxou-a para seus braços, acariciando seus cabelos, na tentativa de acalmá-la. - Eu te amo, me dá uma chance de te fazer feliz, minha querida... por favor...

- Está bem... não tem nada mais que eu possa fazer, agora que ele não me quer mais... - Clara agora tentava secar as lágrimas de seu rosto. - Você me ajuda?

- Ah, meu amor... - Mick segurava-a em seus braços, enquanto a sentia desvanecendo, de tanta tristeza. - Calma... vai dar tudo certo... vem querida... vamos lavar o rosto e descer, vou preparar alguma coisa para você comer... aliás, para nós dois comermos, porque eu também estou com fome... Vou cuidar de você... me deixa te fazer feliz... por favor...

- Está bem, querido... me perdoa... eu não esperava isso... estou muito triste agora... e os nossos amigos? Eles ainda estão aqui no castelo?

- Sim, meu amor... já é madrugada e estão todos lá embaixo, no estúdio trabalhando... estive lá e todo mundo está ainda um pouco perdido com o que aconteceu... mas todos estão preocupados com você... eu te dei um calmante, porque achei melhor que você descansasse um pouco...

- Ah, querido... você é tão maravilhoso comigo... eu te amo tanto...

- Casa comigo... peço um tempo para os Stones e vamos para longe, onde você quiser ir... Brasil, Tahiti, Paris... você escolhe...

- Ah, meu amor... eu não sei se vou conseguir...

- Vai sim... eu vou cuidar de você e te fazer feliz...

- Meu querido... - Clara sentiu uma onda de carinho enorme por Mick e beijou-o. Ele reagiu, puxando-a para seu colo e acariciando todo o seu corpo. Logo, ela não chorava mais, completamente entregue ao prazer intenso que ele a fazia sentir.

Depois do sexo, os dois desceram juntos na cozinha do castelo, completamente silencioso, enquanto seus amigos dormiam ou continuavam dentro do estúdio, no porão.

- Dizem que tem muitos fantasmas neste castelo... - Mick sorriu, enquanto preparava sanduiches para ele e para Clara com restos de um rosbife que encontrou na geladeira. - Eu nunca vi nada, mas o antigo proprietário do castelo me disse que via sempre uma mulher, andando pelos corredores...

- Mesmo? Engraçado... a única coisa que realmente mexeu comigo aqui foi aquela pintura no salão de jantar...

- Também mexeu comigo... chamei o Laurent para ver porque queria cobrir aquilo... mandar pintar... mas depois me disseram que era uma obra de arte importante e acabei desistindo... mas ela ainda me dá arrepios...

- O seu sonho... com a gaveta... como foi?

- Ah, querida... acordei chorando naquele dia... estava tão triste, escrevendo naqueles diários... sentia muita falta da mulher que eu amava...

- Meu querido... sofri tanto na noite passada, quando vi a morte dela... ela te amava muito e a pior dor,  foi perceber que meu filho... o filho dela... morria comigo... ela morreu muito triste por isso...  - Clara chorava, enquanto Mick secava suas lágrimas com os dedos...

- Meu amor... calma... não chora... - ele disse, também com os olhos molhados. - Estamos bem... estamos juntos... o tempo vai curar tudo, querida... tudo... Agora eu entendi... estou aqui para cuidar dessa dor.... curar seu coração....

- Mick... meu amor... é tão bom que você esteja comigo agora que o Jack me abandonou...

- Ele não te abandonou, meu amor... agora mesmo ele está esperando que você melhore... ele me disse isso... que ia se afastar para que você parasse de sentir culpa...

- Mas eu sinto... aqui dentro... meu coração está despedaçado. O Jack sempre foi um sonho para mim... e eu consegui perdê-lo...

- Você não o perdeu... de verdade... sabe o que ele me disse?

- O que?

- Mick, não sei mais o que fazer... eu a amo muito e não consigo mais vê-la sofrendo assim... acho que você pode ajudá-la, mas só se eu não estiver por perto... porque eu só a faço sentir-se culpada...

- Eu o amo muito... e mesmo entendendo a intenção dele, estou me sentindo abandonada... e culpada por isso... eu errei em me apaixonar por você... sinto meu coração morrendo aqui dentro do meu peito...

- Amor... você vai ficar bem... eu sei que vai... fica tranquila porque eu vou te ajudar... se você quiser podemos passar um tempo na Suiça... o doutor Lanee me mostrou fotos de um spa que ele tem por lá... vou com você e te ajudo a melhorar... e quando você estiver bem... eu estarei feliz... e você pode voltar para ele...

- Eu não sei... será que vou conseguir fazer isso? Estou tão triste...

- Vou te fazer feliz, meu amor... me dá uma chance... sabe...  nos últimos dias vi a vida inteira do Duque Jacques e foi tudo tão triste... acho que merecemos viver um pouco... só se você não me ama mais...

- Eu te amo, querido... - Clara sorriu e pegou a mão dele, sobre o balcão da cozinha. - Não duvide disso, meu amor...  se eu não te amasse, não estaria mais viva...

- Então... descansa em mim... relaxa... se cura e quando estiver bem, eu te levo até ele... onde ele estiver...

- Ah, querido... você faria isso por mim?

- O que você quiser, meu amor...

- Então vou lutar muito para ficar boa... Obrigada, meu amor por acreditar em mim...

Mick puxou-a para perto de seu corpo e beijou-a com paixão. Os dois choravam novamente, emocionados com os sentimentos que sentiam fluir, agora mais livremente de seus corações.

Continua

9 de jan de 2014

Rockstar - Capítulo CXLV



- Bom dia, Princesa, bom dia Velhão.... - David disse assim que os viu chegando ao salão de jantar. - Então? Prontos para o estúdio?

- Bom dia, Dave... - Jack sorriu para o amigo. - Acho que estamos prontos... e o nosso anfitrião? Onde está?

- Lá fora, despedindo-se da Doutora Hubllot... disse que já volta... e então, passaram muito frio nesta noite?

- Bastante... - Clara sorriu. - Mas meu amor, me aqueceu...

- Muito bem, Velhão... cuida da Princesa porque ela merece. Incrível essa história do sonho do Mick, não?

- É... - Jack apenas suspirou, não estava disposto a falar sobre aquele assunto,  sentia muito mais ciúmes do que gostaria de admitir. - Então, vamos fazer o que no estúdio hoje?

- Ainda não sei, Velhão... estou esperando conversar com o Mick e o Keith para saber...

- E o Keith?

- Ainda não acordou, Velhão... o Ron e o Charlie já levantaram e foram dar uma olhada na torre lá em cima, agora que parou de chover...

- E o Mike?

- Estava aqui, mas o celular dele tocou e ele foi para a sala de estar atender... a Cindy e a Jenni estão na sala de ginástica... você sabe como elas são...

- Sala de ginástica? - Clara sorriu. - Querido, você se importa se eu for até lá encontrá-las?

- Acho melhor você comer um pouquinho antes, amor... sua noite foi tão difícil...

- Mas não vou me exercitar, querido... sei que não posso ainda... só pensei em ir até lá para conversar mesmo...

- Eu sei, meu amor... eu só quero que você se alimente um pouco antes... preciso que você se cuide...

- Está bem, querido... vou comer alguma coisa, então...

- Bom dia, meus querido... - Mick sorriu ao ver que Jack e Clara já estavam no salão de jantar. - Então, vamos brincar um pouco lá no estúdio hoje?

- Vamos... - Jack sorriu. -  Vamos gravar aquela música que você nos mostrou na outra noite, Mick?

- Aquela e umas outras que eu tenho e que vocês ainda não ouviram... Clarinha, meu amor... você está bem hoje? Está pronta para cantar um pouco?

- Estou...

- Hum... este "estou" não me pareceu exatamente animado... o que foi, minha querida?

Clara não sabia o que responder, apertou a mão de Jack, que a ajudou. - Ela ainda está se recuperando, Mick... um dia ela está melhor, no outro, nem tanto...

- Mas você vai cantar, meu amor e tudo vai melhorar... eu te prometo... - Mick pegou a mão de Clara e beijou-a.

- Obrigada, querido... - ela sorriu para ele, ainda preocupada com uma possível reação de Jack. - Acho que você tem razão...

- Então, Princesa... Vamos lá cantar um pouco... acordei com a cabeça fervilhando de ideias e acho que hoje faremos músicas lindas...

- Que bom, David... - Clara sorriu para ele. Sua cabeça também fervilhava, estava ainda mais confusa, agora que tinha entendido que Mick também tinha feito parte de uma de suas vidas passadas.

Depois de comer tudo o que Jack e Mick serviram a ela, Clara levantou-se da mesa e foi até a academia completa que Mick mantinha no segundo andar do castelo.

- Bom dia, amigas... - ela disse assim que chegou. - Nossa! Que academia linda essa aqui...

- Oi Clara... - Cindy sorriu para ela, parando a esteira em que corria. - Que tal isso aqui, amiga? Vamos fazer um pouco de Yoga?

- Bom dia, querida... - Jennifer sorriu, também parando a bicicleta. - Lindo isso aqui, não?

- Lindo mesmo... - Clara sorria e examinava o enorme salão com piso de madeira, uma grande  parede espelhada e os mais modernos aparelhos de ginástica, além de uma grande área, próxima do espelho, coberta por um tatame, onde seria possível ensaiar passos de dança. - É a cara do Mick... olha só...

- Então, querida... ficou com ciúmes ontem? - Jennifer caminhou até ela, pegando uma garrafinha de água mineral e seu celular que estavam em uma bela mesinha, em um dos cantos da academia. - O Mick não deixa mesmo passar nada...

- Só um pouco... mas já passou... sabe... acho que ter ciúmes do Mick seria mesmo uma perda de tempo... - Clara sorriu. - Queria tanto conseguir deixar de amá-lo...

- Você me parece abatida hoje, querida... você está bem? - Cindy disse, enquanto regulava os pesos de outro aparelho para exercitar-se.

- Tive um pesadelo horrível na noite passada... eu era a Anne de Bretagne, estava grávida, com uma barriga enorme e tinha saído do meu esconderijo para respirar um pouco, quando soldados da duquesa me encontraram, me perseguiram entre a praia e a floresta, aqui ao lado e me mataram...

- Meu Deus! Você está bem, querida? - Jennifer aproximou-se dela e abraçou-a. - Então...

- É... acho que eu era ela...

- E o Mick era o Duque, certo?

- Era... será que todas as vezes em que eu encontrar o amor será assim?

- Querida... não fica assim... puxa... isso explica muita coisa... vocês se gostam tanto, não?

- Eu o amo... e vai me doer muito ter que deixá-lo...

- Mas você vai mesmo separar-se dele?

- Vou... o Jack não disse nada, mas eu sinto que ele está muito abalado... não posso perdê-lo...

-Ah, querida... calma... acho que o Jack está tranquilo com isso...

- Não está... eu sinto aqui dentro do meu peito, é uma dor horrível... ele está muito decepcionado...

- Calma, querida... vem aqui, bebe um pouco de água... - Cindy puxou Clara pela mão e levou-a até o banheiro da academia, para lavar o rosto e beber água. - Isso, querida... relaxa... vai dar tudo certo...

- Espero que sim... Obrigada por me ouvir, por me ajudar... amo muito vocês...

- E nós te amamos amiga... - Jannifer abraçou Clara, que tentava parar de chorar.

- O Mick já sabe disso? - Cindy perguntou preocupada.

- Não... e não sei se devo contar para ele... tenho medo de magoar ainda mais o Jack... não tenho intenção de contar...

- Meninas, cadê vocês? - Mick disse ao abrir a porta da academia, procurando pelas três amigas. - Clara, querida... onde você está?

- É o Mick... vou lá fora falar com ele... - Jennifer ajeitou-se no espelho e saiu rapidamente do banheiro. - Oi, querido... tudo bem?

- Oi Jenni... onde a Clara está?

- No banheiro... ela já vem...

- Está tudo bem com ela?

- Está, querido...

- Preciso falar com ela... o Jack acabou de me contar uma coisa... estou preocupado com ela agora...

- Oi Mick... - Clara disse ao sair do banheiro, ainda lutando com suas lágrimas.

- Queridas... será que vocês podem nos deixar conversar um pouco?

Jennifer e Cindy pegaram seu material e deixaram a academia, enquanto Mick e Clara olhavam um para o outro, parados, esperando.

- Meu amor... - Mick caminhou na direção de Clara e abraçou-a. - O Jack me contou tudo...

Clara apenas voltava a chorar nos braços de Mick. Estava cansada, pela noite mal dormida e ainda chocada por tudo o que tinha visto em seu sonho.

- Ah, querido... foi tão horrível...

- Eu sei, meu amor... eu sei... eu queria muito que isso tudo nunca tivesse acontecido... a ignorância pode mesmo ser uma bênção... eu... o que eu posso fazer para te ajudar, minha vida... preciso te fazer feliz...

- Você me faz feliz, querido... muito... e eu te amo tanto...

Mick beijou-a apaixonadamente, envolvendo-a em seus braços, aquele era um reencontro diferente, de dois amantes que passaram séculos separados.

- Ah... querida... - Mick também chorava, segurando-a. - Meu amor... você sabe que essa coisa mística nunca me seduziu, mas... quando o Jack veio me contar... tudo fez sentido... esse amor que eu sinto...

- Eu sei querido... para mim também fez sentido... o que vamos fazer sobre isso?

- O que você decidir, minha querida... eu estou nas suas mãos...

- Não sei, meu amor... você vai precisar me ajudar... estou completamente perdida agora...

- Mas tudo vai ficar bem, meu amor... você vai continuar tomando seus remédios, vai recuperar o peso, vai fazer a turnê com seu marido e se precisar de mim, você me terá por perto... basta me chamar...

- Ah, Mick... eu te amo tanto...

- Também te amo, querida... nada para mim é mais lindo do que ter você nos meus braços...

- Meu amor... - Clara beijou-o novamente, sentindo-se derreter mais e mais em seus braços.

No momento exato em que Jack abria a porta da academia. Sem fazer qualquer som, ele simplesmente fechou a porta e foi até o quarto que dividia com ela no castelo. Tinha tomado uma decisão e sabia que iria doer muito, mas que a faria feliz e fazê-la feliz era a única coisa que importava para ele.

Continua