22 de abr de 2013

Rockstar - Capítulo CXXXII


Depois de tanta emoção e em clima de carinho, um ajudou o outro a vestir-se e quando estavam prontos, seguiram até o camarim ao lado, onde o resto da banda esperava por eles. Lá, o silêncio reinava, todos concentrados para entrar no palco, agora sorriam ao ver  Clara aproximando-se pela primeira vez com seu figurino completo de "Rainha da Luz".

De lá, seguiram pelos corredores até a coxia, enquanto ouviam a plateia explodir em gritos, no momento em que as luzes se apagaram e uma gravação de um duelo entre a  guitarra de David Mersey e a voz de Jack Noble, em uma música feita especialmente por eles como introdução para o  show. Acompanhados por Peters, dois seguranças e Sarah, que usava seu tablet para mostrar tudo para Jo, o melhor amigo dela e de Clara, a banda Crossroads se preparava para começar sua primeira turnê, 30 anos depois do fim.

- Amor... está na hora... - Jack abraçou Clara e beijou-a, antes de seguir com seus amigos até o palco, sob o ruído ensurdecedor do público. - 1, 2, 3... 1, 2, 3, 4... - Paul Clarke contou e os primeiros acordes de "Rockin' Over" sairam dos alto falantes, enquanto as cortinas de veludo pesadas, que fechavam a boca do palco se abriam, dando passagem à uma avassaladora onda sonora.

Clara chorava em silêncio, seus olhos mergulhados no palco e seu coração na garganta, enquanto ela presenciava, de um dos cantos do palco, um dos maiores sonhos de sua vida transformando-se em realidade.

Sarah, sua amiga, preocupada com ela, desligou o tablet e segurou sua mão, que agora estava muito gelada. Ela também estava muito emocionada com aquela explosão de sons e luzes que acontecia sobre o palco. Clara agora chorava abertamente, o que motivou Michael Peters a mandar buscar Pablo no camarote da produção, para cuidar novamente de sua maquiagem.
Além disso, o empresário providenciou um banquinho para que ela se sentasse e mandou servir whisky para ela e para a amiga. Mick e Keith se juntaram ao grupo e sem qualquer preocupação com o que as pessoas pudessem dizer, ela abrigou-se entre os braços de Mick de onde passou a assistir ao show.

Jack olhava para eles do palco, preocupado com o estado emocional de Clara, ele aproveitou o intervalo entre uma música e outra e caminhou até a coxia para perguntar como ela estava e beijá-la, assim, mesmo com ela entre os braços de Mick, ele a beijava e repetia que a amava.

O show seguia em frente, deixando Clara mais e mais emocionada, com a chegada de Pablo, nos bastidores, Mick afastou-se um pouco para que ele pudesse retocar o estrago que suas lágrimas fizeram em  sua maquiagem.

Terminado o trabalho do maquiador, que foi rapidamente guiado de volta ao camarote, Mick voltou a aproximar-se com mais uma dose de whisky, durante o longo solo de teclado de Michael Silver, que no roteiro antecedia o bloco acústico e nas contas de Clara, faltavam apenas mais duas músicas para que ela fosse chamada ao palco.

- Meu amor... - Mick sussurrou no ouvido dela. - Respira fundo, você sabe que pode, você é minha estrela... minha e dele... - Ele a beijou, apenas alguns segundos antes de Jack começar a falar.

- Bem, nunca fiz segredo para ninguém neste mundo, que não queria a volta da Crossroads, porque para mim, a banda terminou quando meu irmão Richard Donovan nos deixou, em 1980. Mas a vida me surpreendeu e em um belo dia de verão, quando estava apresentando meu show solo em Nova York, um anjo apareceu e me deu uma nova razão para compor novas músicas e um novo significado para a minha relação com a banda. E sendo um anjo, ela não era só linda, como também tinha uma voz maravilhosa e eu tive que levá-la comigo ao estúdio, onde fizemos esta nova versão para a saga da Rainha da Luz... Senhoras e senhores, a minha "Rainha da Luz", Clara Noble...

Depois de respirar fundo ela deu alguns passos e caminhou até Jack, que pegou-a pela mão e sentou-a no banquinho ao lado do dele, depois de dar-lhe um selinho. - Boa noite, Londres... - ela disse no microfone. - Estou muito feliz de estar aqui, ao lado da melhor banda de rock que já existiu neste mundo...

O público, que já a aplaudia, reagiu gritando: "Crossroads! Crossroads! Crossroads!", as luzes da plateia se acenderam e a banda emocionada agradeceu os aplausos e assim que as luzes se apagaram, Clara abaixou a cabeça e fechou os olhos para concentrar-se na contagem de Paul Clarke.

- 1, 2, 3... 1, 2, 3, 4...

Ela e Jack cantaram "The Light" e foram muito aplaudidos, assim que a música terminou, Jack deu um beijo apaixonado nela e levou-a pela mão de volta à coxia, enquanto a plateia gritava: "Clara! Clara! Clara!".

Mick foi o primeiro a aproximar-se dela, que chorou em seus braços o restante da emoção que sentia. - Parabéns, meu amor... você estava linda! - ele sussurrou em seu ouvido.

Sarah aproximou-se dos dois, abraçou Clara e entregou o tablet ligado em suas mãos. - O Jo quer falar com você...

- Oi Jo... - ela disse tentando parar de chorar...

- Amooooooooooooooorrrrrrrrrrrrrrrr!!!!!!!!!!!! Que lindaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!! Confesso que achei que você ia ficar com medo, tropeçar, errar a letra, mas você é uma estrela minha amiga... estou morrendo de orgulho de você!!!!!!!!!!!

- Obrigada querido... mas parece que um caminhão me atropelou... estou muito emocionada...

Mick aproximou-se novamente dela e deu mais um copo de whisky em suas mãos. - Pronto, agora calma, meu amor...

- Jo... vou desligar... quero ver o show... mais tarde nos falamos de novo, ok?

- Claro, amor... vai lá... vou estar por aqui... é só chamar...  beijos...

- Beijos, querido... - ela disse, desligando o tablet.

Keith, também pronto para entrar no palco, com Mick, caminhou até eles e beijou Clara no rosto: - Parabéns, Princesa! Foi lindo!

- Obrigada, Keith... estava tão emocionada que fiquei com medo de estragar tudo.

- Você estava linda naquele palco... - Keith sorriu. - Daqui a pouco somos nós, Princesa... olha lá...

- Esta tem sido uma noite cheia de emoções para a Crossroads e agora vamos dividir um presente com vocês... vou chamar aqui no palco dois grandes amigos que por acaso são dois grandes ícones do rock, para fazer uma pequena jam acústica aqui com a gente; Keith Richards e Mick Jagger...

Mais uma vez as paredes da Arena O2 quase vieram abaixo com a reação do público, enquanto Keith e Mick caminhavam até os banquinhos colocados para eles no centro do palco e cumprimentavam seus amigos da Crossroads. - Então, Londres... como vão? - Mick disse sorrindo para a plateia que gritava e se agitava. - Nada mal ter a Crossroads de volta, não?

- Então... vamos tocar uns blues? - David Mersey perguntou, avisando que tudo estava pronto para começarem... - 1, 2, 3... 1, 2, 3, 4...

Uma melodia blues doce e lenta começou a sair dos violões de Keith Richards e David Mersey e Clara profundamente concentrada no que acontecia no palco, entregava-se novamente à emoção. Os olhos já ficando inchados, ela tinha apenas Sarah agora para segurar sua mão e dizer que tudo estava bem, enquanto os dois homens que amava dividiam os versos e acordes de "Love in Vain" sob as luzes do palco.

E agora, ela só queria estar nos braços deles, imaginava-se descansando com eles sob o carvalho de seu quintal, enquanto o sol os banhava suavemente. Tinha lutado tanto até aquele instante com seus sentimentos e percebeu que aquela era uma batalha inútil tentando matar sentimentos que faziam com que mais uma vez seu coração voltasse a bater na garganta.

Entregando-se então à espada do inimigo, ela suspirou e soltou seu coração para que ele os amasse plenamente, desejando que aquele show terminasse logo para poder tê-los em seus braços... "Só mais um pouco... ", Clara repetia para si mesma.

"Crossroads", a velha canção que falava do pacto entre um músico e o diabo chegou ao fim. Keith e Mick agradeceram os aplausos e vieram para a coxia. - Foi lindo, querido... - Clara sussurrou no ouvido de Mick. - Eu te amo...

- Ah, querida... - Mick sorriu e agarrou-se a ela. - Também te amo... muito...

Mais uma música e Jack vinha na direção deles, suado, ele pegou a toalha que Clara segurava e usou-a para secar o rosto. Ela também entregou a ele uma camiseta que ele vestiu, deixando com ela a camisa enxarcada de suor, que tinha acabado de tirar.

O público não parava de chamar a banda de volta. David, Michael, Jack e Paul em estado de graça. Clara via pela primeira vez em sua vida David Mersey chorando, abraçado em Jack e em Michael, ele não conseguia mais segurar a emoção e sucumbia a ela.

Jack, aproximou-se de Clara novamente: - Querida, cadê o Mick?

- Ele foi atender o celular no camarim... Já volta...

- Vamos voltar, Jack? - David perguntou ao amigo.

- Vamos! Amor... já volto... - Jack disse beijando Clara. - Eu te amo...

- Eu te amo mais... - Clara respondeu sorrindo, ainda sentindo o coração gritar rebelado contra qualquer tentativa de controle.

Enquanto Jack voltava ao palco com seus amigos, Mick voltava a abraçá-la. - Era meu piloto, queria saber se amanhã cedo vou para Paris...

- Você vai?

- Não... vou para Nice no sábado, junto com todos vocês... não consigo mais ficar longe de você... me desculpa...

- Eu quero que fique... você e o Jack me fazem muito feliz... acho que preciso mesmo de vocês dois...

E depois de mais de duas horas no palco, a Crossroads voltava para os camarins em definitivo. Todos cansados, suados, mas em um estado de euforia, muito próximo do êxtase místico, eles aproveitaram as instalações confortáveis da Arena para tomar banho e preparar-se para a festa de pós-show, que logo aconteceria em um dos camarins já preparado para receber todos os convidados da banda.

Clara voltou ao seu próprio camarim, para onde levou sua amiga Sarah, enquanto Jack, seguiu seus amigos de volta ao camarim da banda. Mick trocou a camisa de seda que estava usando por uma camiseta da turnê da Crossroads e sentou-se ao lado de Sarah no sofá esperando Clara trocar o figurino do show pelo vestido de festa feito para ela por Jean Paul, depois recebeu a ajuda de Pablo para refazer a maquiagem e ajeitar os cabelos, depois de tirar sua coroa de "Rainha de Luz" da cabeça.

- Querida, as pessoas estão enlouquecidas aqui no Twitter. - Sarah disse quebrando o silêncio. - Olha, tem muita gente comentando o show... Que lindo... as pessoas amam muito a Crossroads...

- Eu sei...  eu também amo... - Clara sorriu com os olhos cheios d'água. - Desculpa Pablo, mas estou muito emocionada...

- E quem não está, meu amor... depois do que vocês fizeram naquele palco... estou tremendo até agora... Foi inesquecível, de verdade...

- O Pablo tem razão, querida... - Mick sorriu no sofá, enquanto postava comentários em seu twitter. - Há muito tempo não via nada tão emocionante.

- Onde está o senhor Noble? - Pablo perguntou, incomodado pelo fato de Mick estar novamente com ela no camarim.

- O Jack foi tomar um banho no  camarim dos rapazes... acho que vai demorar um pouco até ele descer das nuvens em que está agora e lembrar que eu existo... - Clara sorriu.

- Vai sim... - Mick riu do comentário dela. - Mas deixa ele... não tem sensação melhor do que essa... ela dura bastante, algumas horas depois do show, você continua com ela. Não tem nada igual no mundo... e eu sou viciado nessa sensação, sempre fui...

- Agora mesmo, ele me beijou na coxia, assim que saiu do palco, mas dava para perceber que ele não estava exatamente ali...

- Eu imagino... e vai demorar um bom tempo para ele voltar... - Mick sorriu. - Você também, não está sentindo?

- Não sei se é isso... agora, estou com uma vontade enorme de sair daqui e ir para algum lugar dançar até amanhã cedo? - Clara riu. - Se for isso...

- É... mas também pode ser uma sensação de inquietação... uma vontade de subir de novo no palco e passar o resto dos seus dias lá...

- O Jack me disse isso também, antes do show... que eu ía achar que o mundo fora do palco era sem graça e sem cor, assim que descesse de lá... mas não me sinto assim... estou só feliz, bem mais do que costumo me sentir...

- É... pode ser isso... então gostou da experiência, querida? - Mick levantou-se do sofá para pegar a garrafa de whisky na bancada e servir-se de mais uma dose. - Querem um whisky? Sarah? Pablo?

- Não obrigado... - Pablo sorriu.

- Amei... mas eu estou me sentindo um pouco desencaixada agora... sem condições de lidar com nada...

- É assim mesmo... sinto muito, mas é  provável que você não vai conseguir dormir nesta noite...

- Acho que não... - Clara riu. - Vamos sair para dançar? Até amanhã cedo, todos nós? Vamos, Sarah?

- Não posso, querida... ainda vou até a emissora falar com meu editor... é provável que eu também não durma tão cedo...  talvez ele ainda me faça gravar mais alguma coisa. Minha noite será mais longa do que a de vocês... - Sarah sorriu.

- Ah... que pena... você não vai ficar na festa?

- Só um pouquinho, o tempo de brindar com vocês,  meu editor de Nova York está de olho em mim, acabei de ser contratada, preciso mostrar serviço...

- Ah amiga... que pena... Mas você vem amanhã, não vem?

- Meu editor me quer de volta em Nova York... já tenho reserva para o voo da tarde de volta para casa, amanhã cedo, entrevisto o seu médico e de lá, já vou para o aeroporto... sinto muito, querida...

- Mas você volta para o Natal, não?

- Ainda não sei, querida... tudo vai depender da escala de serviço... ainda não saíram os plantões...

- Você e o Jo estão me matando... Quanto mais eu preciso de vocês comigo, menos vocês podem ficar... Mick, será que você pode me ajudar a convencer a Sarah a ficar aqui em Londres comigo...

- Sua amiga precisa de você, Sarah... - Mick aproximou-se charmosamente da amiga de Clara, tentando fingir-se de sério  - Minha missão aqui é fazê-la feliz... será que você não pode colaborar? Sabe que presido uma organização bem grande, posso arrumar uma vaga para você no meu setor de imprensa.... posso ser bastante generoso...

- Obrigada, Mick... eu também quero fazer a Clara feliz, mas este meu trabalho em Nova York é um sonho antigo...

- Por favor Mick... eu não gostaria que ela abrisse mão de um sonho para ficar presa em mim... mas obrigada assim mesmo, você está sendo muito doce comigo...

- É o mínimo que posso fazer, minha querida... - Mick sorriu olhando-a através do espelho. - Você sabe que quero te fazer feliz, não sabe?

Pablo continuava quieto, apenas observando a conversa, enquanto continuava ajeitando o cabelo e refazendo a maquiagem de Clara. Agora tinha certeza que o que tinha lido nos tablóides era verdade, mas sabia que não podia contar nada a ninguém, existia o contrato que Michael Peters o fez assinar com páginas e páginas descrevendo o que aconteceria com ele, caso abrisse a boca para alguém.  Teve até um pesadelo na noite em que assinou o contrato, sonhou com uma multidão de advogados, vestindos ternos elegantes e carregando pastas com documentos,  perseguindo-o pelas ruas, cobrando milhões dele e levando todo o dinheiro que ele tinha. 
Estaria quieto, mas na sua opinião,  tudo era um enorme desperdício, não demoraria muito para que todos soubessem que o chamado "casamento do ano"  já tinha acabado. Uma pena aquela  história de amor tão linda terminar daquele jeito. Era surpreendente que ela, com aquele rosto de anjo, traia o marido tão descaradamente.

- Pronto... a nossa estrela está pronta! - Pablo disse sorrindo depois de terminar a maquiagem. - Promete que não vai mais chorar?

- Ah, querido... juro que estou tentando... mas está muito difícil... eu já sou naturalmente chorona, imagina hoje... desculpa, não estou conseguindo me controlar...

- Poxa, Pablo... pobrezinha... deixa ela viver um pouco... - Mick sorriu, levantando-se do sofá e aproximando-se de Clara que já estava de pé. - Você está linda, meu amor...

- Obrigada, querido... - Clara disse abraçando-o - Queria poder dançar com você... - ela sussurrou no ouvido dele.

- Clara... desculpa... eu e o Pablo vamos agora para a festa... você vai para lá também, não vai? - Sarah interrompeu com medo de Pablo estar enxergando o mesmo que ela, dois amantes se agarrando, prestes a se beijarem.

- Vou sim... o Jack disse que vem me buscar depois do banho...

- Podem ir... eu fico aqui esperando com ela... - Mick disse, ainda agarrado em Clara.

- Pablo, você já guardou as minhas jóias?

- Sim... estão fechadas na mala... a chave está na bancada...

- Ok... obrigada Pablo... daqui a pouco nos vemos de novo...

- Beijos, querida... - ele disse saindo do camarim.

- Mick, me ajuda... preciso pegar meu colar... vou colocar aquele coração de diamantes que o Jack me deu...

- Para combinar com essa pulseira incrível que eu ainda não tinha visto? - Sarah perguntou sorrindo, depois de voltar para pegar sua bolsa.

- Linda, né? Ganhei do Jack, hoje, um pouco antes do show... eu o amo tanto...

- Deixa eu ver... - Sarah aproximou-se dela, enquanto Mick abria a mala fechada com chave.

- Qual das caixas?

- Essa média da esquerda... prende ele para mim... tenho medo de estragar minhas unhas.

Mick pegou a corrente com o coração de diamantes nas mãos e prendeu-a ao redor do pescoço de Clara, beijando-a apaixonadamente em seguida. - Eu te amo... muito... 

- Querido, não... a Sarah...

- Sarah, você se importa de nos deixar a sós por um momento?

- Não... - Sarah respondeu, abrindo a porta e saindo do camarim imediatamente.

- Então... onde paramos?  Ah... Já sei... - Mick disse agarrando-a novamente e beijando-a. Seu corpo agora empurrando-a contra a porta do camarim. Completamente envolvidos pelo que sentiam, os dois só desejavam estar juntos, mas aquele não era o momento, muitos convidados esperavam por eles.

- Ah, querido... não podemos... não hoje... - Clara empurrou Mick, com medo de que o que sentia agora por ele a fizesse cometer uma loucura, como transar com ele ali, de pé, atrás da porta.

- Queria poder te levar para o meu apartamento hoje... eu te quero tanto...

- Ah, meu amor... não quero deixar o Jack triste... ele me disse que não se importa, mas sei que ele fica muito decepcionado quando nos vê juntos...

- Está bem, meu amor... como você quiser... eu já disse que aceito todas as suas decisões... Eu te desejo, muito... eu preciso ter você...

- Não posso, meu amor... vem... vamos... todo mundo está lá fora, esperando por nós... vem... antes que eu perca a coragem...

Mick beijou-a novamente, estava enlouquecido de desejo e acariciava todo o corpo dela. - Eu sei que você quer...

- Mick... por favor... - ela sabia que precisava empurrá-lo, mas não tinha mais forças para isso. - Querido... não... por favor... não posso magoar o Jack...

Mick respirou fundo e afastou-se dela. - Me desculpa, mas isso me enlouquece... Olha só meu estado...

- Me perdoa... eu não posso... - Clara disse chorando. - Eu amo você, mas o Jack é meu marido...

- Por favor... vai para o outro camarim... me deixa um pouco aqui sozinho... - ele disse abrindo a porta para ela sair. - Por favor... já vou para lá...

- Me perdoa...

- Já perdoei, meu amor... - ele sorriu para ela.

Ela acariciou o rosto dele, frustrada por não poder ceder aos desejos que também eram dela.

Continua

20 de abr de 2013

Rockstar - Capítulo CXXXI


Clara beijou-o, sentindo um enorme carinho por ele. Aquele não era o melhor momento para decidir nada, mas ela precisava de uma solução para o impasse em que estava vivendo. Apesar de amar profundamente os dois homens, nem ela encontrava um jeito de aceitar com naturalidade seus próprios sentimentos.
Sabia que Mick administrava muito bem aquele relacionamento, cercando-a sempre de tanto amor, ele se mostrava verdadeiramente disposto a obedecer qualquer decisão que ela tomasse.
Jack dizia a mesma coisa,  mas ela sentia que não era sincero; algo dentro de seu coração a fazia perceber a dor e a decepção dele, por vê-la envolvida com outro homem, justamente ela, a mulher com que ele sonhou quase toda a sua vida.

Ela precisava de um pouco de paz, talvez algum tempo sozinha com os dois para resolver o que fazer com aquele sentimento que a enlouquecia. Mas agora, há poucas horas dos três subirem no palco da Arena O2, na estreia da turnê, não era o momento. Aliás, para que tudo desse certo naquela noite, o melhor seria mesmo deixar as coisas como estavam.

- Amor... então fica tudo combinado... vou me aproveitar mais um pouco da sua hospitalidade... me sinto tão bem quando estou perto de você...

- Eu gosto muito de você, Mick... mas estou com muito medo de perder o Jack... o nosso casamento...

- Eu sei, querida... eu sei... seu casamento... - Mick suspirou. - Sei que hoje não é o dia certo para dizer isso, mas você já parou para pensar que se seu casamento fosse mesmo perfeito, você não teria se apaixonado por mim...

- Por favor... não fala assim...

- Me perdoa... não devia dizer isso... - Mick abraçou-a novamente. - Tudo bem, querida...

- Ah, Mick... eu te amo tanto... mas não está certo amar dois homens ao mesmo tempo...

- Calma, meu amor... este não é o momento para isso, o Jack me disse que vocês decidiram só conversar sobre isso quando formos para o castelo...

- Foi... eu conversei com ele e decidimos isso... mas continuo muito aflita...

- Não fica, meu amor... não quero te ver mais triste, nem doente... fica em paz...

- Vou tentar... - ela sorriu e levantou-se para abrir a porta para Michael Peters e Pablo, seu cabelereiro. A hora do show se aproximava e ele precisava terminar de arrumar seu cabelo e maquiá-la.

- Bem, querida... não quero mais te incomodar, vou estar no camarim com os rapazes... - Mick deu um sorriso triste e depois caminhou na direção de Pablo. - Olá, como é seu nome?

- Pablo... - ele disse apertando a mão de Mick, com uma expressão no rosto que misturava admiração e surpresa. - Cuida bem da nossa Princesa, amigo... ela merece...

Clara sorriu e mandou um beijo para ele. - Obrigada, querido...

Concentrando-se em uma tentativa vã de disfarçar o que estava acontecendo naquele camarim, onde os dois estavam sentados juntos, sozinhos, no sofá, ela disse para Peters: - O Mick veio aqui me pedir emprestado o recarregador do celular, mas eu não trouxe o meu... você pode conseguir um para ele, Peters?

- Claro... - o empresário ajudou no disfarce. - Tem o meu, está na bolsa da Ann, vou levar para ele... obrigada, Clara... Pablo, quando você terminar sobe lá para o camarote, por favor... e falando em camarotes, seus pais querem que você ligue para eles antes de começar o show... eles já estão lá no camarote há algum tempo...

- É mesmo, Peters... - Clara sorriu. - Me esqueci deles... vou ligar agora...

- Ok, senhor Peters.... obrigado por tudo... - Pablo disse, ainda embaraçado por ter  notado que alguma coisa estava acontecendo naquele camarim entre Clara e Mick.

Assim que Peters saiu do camarim, estabeleceu-se um silêncio constrangido entre ela e Pablo. Ele não tinha coragem de perguntar diretamente e Clara não se sentia suficientemente segura para mentir para ele, por isso, os dois apenas continuavam o que estavam fazendo e desviavam um do outro, quando seus olhares se encontravam, no reflexo do espelho. 

- Desculpa, Pablo, vou ligar para os meus pais... é só um minuto...

- Não tem problema, querida, eu espero...

O cabelereiro ajeitou o equipamento que usaria na bancada, enquanto ela conversava rapidamente com seus pais, sua irmã e seus amigos através do celular de Jonas. Depois de desligar o telefone, o silêncio caiu novamente entre eles.

- Desculpa... - Pablo disse não aguentando mais ficar quieto. - Eu sei que não é da minha conta.... mas ainda estou tentando... ah... você e o Mick estão mesmo juntos, como os tablóides disseram...

- Não...  nós somos só amigos, Pablo... - Clara sorriu. - Ele veio aqui para me contar sobre o casamento dele...

- Ele é casado?

- Era... até hoje pelo menos, com a modelo Gianna Carli... e ele está muito chateado por isso...

- Ah... não sabia... que pena...

- Pena mesmo... a Gianna era minha amiga também e estou triste que o casamento deles não tenha dado certo... 

- Ah, querida... mas hoje é o seu dia, nada de ficar se preocupando com os outros... você vai ficar linda...

- Estou muito nervosa... tenho medo de passar vergonha naquele palco e, pior do que isso, envergonhar meu marido...

- Querida, você é  muito talentosa... fica tranquila que vai dar tudo certo... Preciso saber de uma coisa...

- O que?

- O figurino... quando você pretende vestí-lo?

- Daqui a pouco, alguns minutos antes do show, estou com medo de sujar, amassar... por que?

- Porque eu vou fazer a maquiagem e arrumar o cabelo... e... dai... vai ser mais difícil de vestir as coisas com aquela coroa presa em sua cabeça....

- É verdade, não pensei nisso... mas estou usando uma camisa...

- Eu sei... mas vai ser difícil colocar aquele vestido sozinha...

- Ela não vai estar sozinha... - Jack disse parando na porta do camarim que tinha acabado de abrir. - Estou aqui para ajudá-la...

- Oh meu amor... que bom que você veio me ajudar... estava aqui conversando com o Pablo e ele acha melhor eu tirar essa roupa e vestir um robe... você me ajuda, querido?

- Claro! E mais tarde eu posso te ajudar com o figurino... que tal?

- Ótimo, senhor Noble! - o cabelereiro sorriu. - Assim ela fica  mais a vontade, enquanto faço o cabelo e a maquiagem...

- Está bem... vou me trocar no banheiro... - Clara disse, levantando-se da cadeira, pegando seu robe de seda e indo ao banheiro. - Vocês se comportem, enquanto me troco, ok?

- Pode deixar, meu amor... - Jack sorriu. - Vou ali, deitar um pouco no sofá para descansar... Sabe, Pablo, para mim, a pior coisa do mundo é subir no palco sem dormir um pouco antes, minha voz nem sai da garganta...

- Eu também fico um "caco" quando não durmo... nem enxergo direito...

- Ela está tão linda hoje... - Jack suspirou antes de deitar-se no sofá.

- Ela é linda, senhor Noble... uma estrela de verdade...

- Estão falando mal de mim, por acaso? - Clara disse rindo, ao sair do banheiro, vestindo seu robe e carregando as roupas nas mãos.

- Ah, meu amor... você sabe que não consigo fazer isso... - Jack sorriu. - Vem aqui, porque eu preciso te beijar, mas também preciso descansar um pouco e não vou levantar daqui para isso...

- Está bem, meu amor... - ela sorriu, caminhando até ele e beijando-o. - Você também precisa colocar suas roupas de show, amor...

- Daqui a pouco... agora vou descansar um pouco...

Clara sentou-se na cadeira próxima da bancada com espelho e foi penteada e maquiada por Pablo, que interrompeu seu serviço, apenas para abrir a porta para Sarah Hudson, a amiga de Clara, que voltava de um encontro com sua equipe de reportagem.

Enquanto Jack dormia no sofá, ela assistia o final da transformação de Clara em "Rainha da Luz", assim que Pablo ajeitou e prendeu  em sua cabeça com grampos,  o "diadema de Galadriel"; uma coroa de ouro branco, amarelo e diamantes usada por Cate Blanchet durante as filmagens da Trilogia "O Senhor dos Anéis"  e depois dada a ela pelo amigo Mick Jagger, que comprou-a em um leilão.

- Perfeita! - Pablo disse olhando-a pelo espelho. - É mesmo um desperdício você não ser realeza, querida... você fica tão linda com essa coroa na cabeça...

- Obrigada, querido... - Clara suspirou. - Há tanto tempo não me sinto assim, tão bonita...

- Você não está bonita, amiga... você está linda... Posso te mostrar para o Jo?

- Claro, querida, pega meu tablet ali, naquela mesinha perto do Jack...

- Querida, quer que eu já amarre esse colar lindo no seu pescoço? - Pablo sorriu abrindo a caixa onde estava a joia desenhada por Jack. - Nossa, querida... acho que nunca vi nada tão lindo...

- Meu marido mandou fazer para mim... foi ele quem o desenhou...  fiquei tão emocionada quando ele me deu...

- Bom, querida... está pronto! Vou para o meu camarote, porque o show começa daqui uns 20 minutos... Você está maravilhosa...

- Obrigada, querido... foi obra sua... você me deixou assim...

- Você está linda, querida... como dizem os franceses... "Merde!"

- Obrigada, Pablo... nos vemos daqui a pouco, na festa... - ela disse dando um beijo no rosto do cabelereiro.

- Oi Jo... a Clara está quase pronta para o palco... - Sarah disse assim que o cabelereiro saiu do camarim.

- Oi Sarah... me mostra, que eu quero ver...

- Se prepara... um, dois... - Sarah virou a câmera para Clara que acenou para o amigo. - Olha que linda...

- Puxa! Você está linda amor! - Jo sorriu do outro lado da tela. - Mas ainda não se vestiu...

- Não... acabei a maquiagem, o cabelo e as jóias,  daqui a pouco vou ajudar meu marido a se vestir e daí, ele me ajuda a entrar no figurino...

- Mas é só trocar de roupa, Clara Oberhan... não vai ficar aí de "saliência" com seu marido, que o show vai atrasar...

- O show não vai atrasar... aliás... daqui uns dois minutos vou acordar meu marido e nós dois vamos ficar prontinhos...

- Olha, amor... eu te desejo todo o sucesso do mundo... queria muito estar aí agora para te abraçar... ah... estou com tantas saudades das nossas conversas... das reuniões de diretoria lá no barzinho perto do seu apartamente...

- Eu não quero chorar... mas você não está ajudando, agora!

- Para já com isso... vai borrar toda a maquiagem... Sarah, faz alguma coisa... impede essa louca da sua amiga de chorar...

- Vou pegar um copo d'água para ela... Calma amiga, pega o tablet e pensa em outra coisa...

- Isso, amor... lembra daquele tempo em que nós eramos duros e precisavamos esperar amanhecer para pegar o metrô, na hora de voltar para a balada...

- Ah... para... amor... é melhor eu desligar, até daqui a pouco... meu celular está tocando... beijos, amor... daqui a pouco a gente se fala...

- Beijos amor... arrasa!

- Oi Clara... acabamos de chegar... você acredita que o David pediu ao Peters para não nos deixar entrar? - Cindy disse ainda indignada com a atitude do marido. - Ele disse que vão liberar nossa entrada nos bastidores só no final do show...

- Ué? Por que? Quer que eu fale com o David?

- Não... já falei com ele... falou que estamos muito atrasadas,  que o show já vai começar e  que estaremos mais confortáveis vendo o show daqui do camarote... aliás, sua família também está aqui...

- É... eu sei... já conversei com eles...

- Como estão as coisas aí?

- Ótimas... o Jack está no meu camarim, dormindo... daqui a pouco vou acordá-lo para que ele troque de roupa para o show...

- Querida, eu e a Jen desejamos tudo de bom para vocês nesta estreia... nós te amamos...

- Obrigada, queridas... vocês sempre foram maravilhosas comigo e estarei esperando o final do show para que possamos conversar mais... beijos... 

- Beijos... vou acordar o Jack agora...

Clara desligou o  celular, bebeu o copo de água que a amiga trouxe, despediu-se dela, na porta do camarim e depois, concentrou-se muito para não chorar, enquanto caminhava até o sofá para acordar Jack para o show.

- Amor... está na hora... - ela sussurrou suavemente no ouvido dele, vendo-o abrir os olhos e bocejar.

- Ué? Para onde foi todo mundo?

- Faltam só 15 minutos para o show... estão todos a caminho dos seus lugares... você sabia que o David mandou barrar a Cindy e a Jen?

- Ele está mais nervoso do que eu e você juntos... além disso, eu ouvi ele dizendo que se elas viessem para cá muito tarde,  não as deixaria entrar... não liga, ele é assim mesmo...

- Fiquei com pena delas... mas vendo pelo lado de vocês, talvez seja melhor para concentrar-se no show, não?

- Com certeza... Espera... vem aqui... - ele disse puxando-a pela mão para sentar-se no sofá. - Eu quero te dizer que, eu te amo muito e não importa o que possa acontecer naquele palco hoje, você e eu somos para sempre... - ele disse tirando do bolso uma caixa de jóias.

- Amor... eu... não posso chorar... vai destruir a minha maquiagem... - ela disse abrindo a caixa e encontrando dentro dela uma pulseira de diamantes ainda mais linda do que todas as que já tinha ganho dele. - Meu amor... que coisa mais linda....

- Eu mesmo escolhi desta vez... se você não gostar...

- Ah, meu amor... é claro que eu gosto, olha só que linda... - Clara colocou a pulseira em seu braço direito. - Fecha para mim, amor... Obrigada... Eu te amo... eu te amo... - ela disse beijando-o. - Obrigada... você é maravilhoso comigo, me mima tanto que tenho medo de estar sonhando...

- Meu amor... hoje é o dia... sei como você está se sentindo agora... com medo de subir lá, de tropeçar e uma porção de outros medos que quase te paralisam e prendem a tua voz aqui na garganta... eu senti esses medos por toda a minha vida. Não adianta tentar fugir deles, eles estarão escondidos na próxima esquina, esperando por você, não importa o que faça... o melhor é respirar fundo, beber um ou dois goles, para relaxar e fazer cada uma das coisas que precisa com tranquilidade, vivendo o momento... você vai ver... lá em cima é um mundo aparte, você vai sentir o calor daquele oceano debaixo dos seus pés e a energia dele vai te envolver e jogar para cima, mesmo assim, você não conseguirá nem enxergá-los direito... e quando tudo acabar... você vai descer do palco querendo mais... e um dia, você vai se pegar desejando poder passar o resto da sua vida lá em cima, porque vai perceber que aqui embaixo não existe nada de tão maravilhoso quanto aquela sensação...

- Mas existe... existe você... e existe o amor que eu sinto por você, Jack... Obrigada... eu sei que nunca vou me esquecer desse momento que estamos vivendo... e embora eu não possa chorar agora, porque se o fizer minha maquiagem vai derreter completamente... - ela disse sentindo as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. - Eu preciso dizer que este momento é um dos mais lindos da minha vida.

- Calma, meu amor... não chora... eu queria agora soar como o velho profissional, dando dicas para a novata que está começando no trabalho hoje, mas não consigo... Ah, Menininha... esse é também um dos momentos mais lindos da minha vida e eu já vivi tanto... você me emociona e eu te amo... muito... - Jack disse beijando-a apaixonadamente, os dois derretendo-se nos braços um do outro, movidos por um amor que só fazia crescer.

Continua

16 de abr de 2013

Rockstar - Capítulo CXXX



- Princesa! - David gritou do fundo da sala. - Você conseguiu!!! E ai, Velhão? Melhorou?

- Eu tenho um anjo ao meu lado... - Jack sorriu e beijou Clara na testa. - Ela foi lá no fundo do poço me buscar e me trouxe...

Clara caminhou até sua amiga Sarah, procupada com seus pais, que tinham acabado de chegar na Arena.

- Já ligo para eles, amiga... - ela disse pegando o celular das mãos de Sarah. - Obrigada... estou me sentindo tão culpada por eles não estarem aqui...

- Ah, querida... uma coisa por vez... eles estão tranquilos lá, confortáveis... as coisas seriam bem mais complicadas com eles aqui dentro, não seriam? Imagina eles verem o Jack daquele jeito que ele estava... seu pai já não gosta dele...

- Eu sei, amiga... mesmo assim, me sinto tão culpada por não poder dar a atenção que eles merecem...

- Está tudo bem, Jack? - Mick aproximou-se de Jack e de Clara.

- Está, amigo... graças ao meu amor... - Jack sorriu. - Sabe... se ela não estivesse aqui, eu não sei o que aconteceria comigo...

- Ela é encantadora... - Mick suspirou. - Me perdoa, amigo, mas não consigo deixar de amá-la...

- Eu sei... quem conseguiria? - Jack abraçou Mick. - Vai ficar tudo bem, cara...

- Do que vocês estão falando? - Clara aproximou-se dos dois com uma expressão em seu rosto que indicava que estava quase em pânico, preocupada com a possibilidade dos dois começarem uma briga de ciúmes ali, na frente de todos.

- Vem aqui, meu amor... - Jack sorriu, puxando-a para seus braços. - Eu te amo...

- Ela é linda demais... - Mick sorriu. - Como você está, minha querida?

- Bem... Agora está tudo bem... preciso contar  uma coisa para  vocês dois... quando saí daqui atrás do Jack, passei pelo palco... e foi só pisar lá que fiquei toda arrepiada...  foi incrível, meu coração disparou... estou emocionada até agora...

- É... não tem jeito, Jack... temos uma estrela nas mãos... - Mick sorriu acariciando o rosto de Clara e abraçando-a.

- Está certo, meu amor... vai ser lindo ter você lá comigo... a nossa estrela, Mick... - Jack juntou-se ao abraço dos dois. Uma cena que chamou atenção de todos na sala, preocupados com o que estavam vendo.

- Vamos passar a música, Velhão? Mick? - David gritou do outro lado do camarim. - Eu sei que a Princesa é linda, mas nós precisamos trabalhar...

- Verdade, queridos... estou louca para vê-los cantando juntos... - ela disse beijando os dois homens no rosto, antes de ir sentar-se em uma poltrona junto com Sarah.

-  Ai, eu amo esses dois... - Clara suspirou. - E você, se prepara para ter uma das experiências musicais mais lindas da sua vida...

David e Keith tinham agora violões nas mãos e combinavam uma versão acústica para os dois blues de Robert Johnson que íam apresentar naquela noite; Michael Silver mandou um roadie ir atrás de seu baixo acústico e logo a banda estava completa no camarim, com a chegada do baterista Paul Clarke, que acompanharia a música com um dos pandeiros de Jack.

- Amor... - Jack chamou Clara para sentar-se mais perto dele e sussurrou em seu ouvido. - fica perto de mim... preciso de você...

Clara beijou-o. - Eu te amo... - ela sussurrou em seu ouvido.

- 1, 2, 3... 1, 2, 3, 4... - contou David e a música encheu a sala. Aqueles gênios juntos, fizeram uma versão linda de "Love In Vain", o velho blues que Clara amava há muito tempo e que a deixou novamente, com os olhos cheios de lágrimas. Mas desta vez, o choro era de pura emoção. Aquele era outro momento maravilhoso que ela vivia.

Sarah, amiga de Clara, também estava emocionada e com a forte impressão de que vivia um sonho. Ela  sentia-se frustrada por não poder mostrar ao mundo toda aquela beleza, mas estava feliz pelo privilégio de estar naquela sala, cercada por aquelas pessoas tão admiráveis.

- Meu Deus... - ela sussurrou no ouvido da amiga. - Isso é lindo demais...

- Eu sabia que você ía gostar... - Clara sorriu.

- Queria poder gravar tudo e mandar para a emissora...

- Ah, mas isso destruiria todo encanto... - Clara sorriu. - Eu também tenho vontade de dividir isso com o mundo... mas uma câmera aqui dentro complicaria tudo... assim que o Peters descobrisse, ele viria para cá como um raio e toda a equipe dos Stones também... e tudo o que você conseguiria seria uma enorme dor de cabeça... eles são praticamente prisioneiros dessa gente, advogados, empresários, gravadoras... ninguém aqui nessa sala faz o que quer... e se fizer... alguém vai exigir um pagamento por isso. Mesmo que eles não liguem, nem sequer estejam pensando em dinheiro agora, toda a estrutura em volta não sossegaria enquanto não recebesse cada centavo...

- Não tinha pensado nisso... só queria que as pessoas pudessem ver  esse momento tão lindo que estamos testemunhando...

- Ah, querida... espera um pouco...  Jack, querido... posso gravar vocês para meu arquivo?

- Sem problemas meu amor... Mick, Keith? Tudo bem?

- Tudo, querida... só não publica porque... bem... já conversamos sobre isso, não?

- Eu sei... só quero gravar para mim, como lembrança...

- Então vá em frente, Princesa... - Keith sorriu. - Depois você me dá uma cópia?

- Claro... copio para todos vocês...

- Obrigada, Princesa!

Clara pegou sua câmera fotográfica na bolsa e passou a gravar em vídeo, enquanto a banda passava pela segunda vez a música "Love In Vain"; definindo melhor o arranjo e combinando cada solo.

- Ah, como eu amo vocês! - Clara disse emocionada assim que eles terminaram de tocar. - A gravação está linda... vou copiar para todos...

- Vamos passar a "Crossroads" agora? - David perguntou. - Vai ser acústica também, não é?

- Vai sim... - Jack sorriu. - O que você acha, Mick? Eu queria um andamento mais lento... toca um pouco para eles Dave, daquele jeito que você fez no outro dia...

Clara gravou em vídeo também a segunda música, um dos maiores clássicos do blues, a mesma que serviu de inspiração para David Mersey na hora de batizar a banda que ele formou no final da década de 60. Um grupo bastante improvável de músicos que tomou o mundo musical de assalto durante uma década, mas que terminou de forma trágica e repentina, com a morte de Richard Donovan, em um horrível acidente de carro.

Depois de passar a música, David e Jack seguiram pelos corredores da Arena mais uma vez, atrás de Michael Peters, estavam impacientes e preocupados com a hora do show que se aproximava rapidamente; enquanto Keith conversava com Michael Silver e Mick aproximava-se de Clara.

- Será que podemos conversar um pouco, querida? - Mick disse pegando-a pela mão.

- Podemos sim... Sarah, vou até meu camarim para falar com o Mick, se alguém me procurar, diz que estou com meu celular..  já volto...

- Vou sair também, preciso  falar com meu cinegrafista... desculpa... - Sarah sorriu sem graça.

-  Tudo bem... - Clara sorriu. - Preciso conversar com o Mick...

- Vai lá, querida...

Os três saíram do camarim e seguiram em direções opostas no longo corredor da Arena.

Mick e Clara foram até o  camarim com a estrela dourada na porta, entraram, trancaram a porta e foram direto para o sofá, onde se sentaram. - Como você está, querida?

- Bem... - ela suspirou. - ah, querido, o dia de hoje está sendo difícil demais  para mim... e você? Como foi com a Gianna?

- Eu gosto muito dela, você sabe... mas ela ainda está com muitos ciúmes... não conseguimos nos entender, ela enlouqueceu quando soube que eu estava passando uns dias na sua casa...

- Você não deveria ter contado isso para ela, Mick...

- Ela me provocou e eu tive que ser sincero... você sabe como ela é...

- Sei... - Clara sorriu. - Então vocês não voltaram...

- Não... ela até me devolveu o anel... olha só... - Mick disse, abrindo a caixinha com o belo anel de diamante, que Clara o tinha ajudado a escolher. - É uma pena...

- É mesmo... Você está triste?

- Não... um pouco desapontado comigo mesmo, mas não consigo ficar triste, com você ao meu lado... - Mick disse, beijando a mão de Clara. - Só uma coisa não muda, meu amor por você...

- Ah, meu querido... - Clara suspirou e acariciou o rosto de Mick. - Eu te amo... mas... é tão duro amar dois homens ao mesmo tempo... eu me sinto tão culpada quando estou com você...

- Eu sei, meu amor... eu sei... eu sinto muito... é maravilhoso quando estamos juntos, mas eu sei o quanto essa culpa te machuca... ah, minha querida... eu te adoro... você é minha melhor amiga, sabe... aquelas coisas que eu sonho, aquelas ideias que aparecem do nada na minha cabeça... eu fico sempre louco para poder te contar... meu coração é seu... e como já te disse muitas vezes, sou seu e farei o que você quiser...

Continua


9 de abr de 2013

Rockstar - Capítulo CXXIX


Tentando controlar-se, ela parou no corredor que levava aos camarins, respirou fundo e deu uma olhada da porta no camarim maior, que estava sendo preparado para  a festa após o show. Lá algumas pessoas trabalhavam, ajeitando tudo para receber os convidados; Jack não estava lá também.

Das áreas que estavam sendo utilizadas pela produção, faltava olhar apenas duas, seu próprio camarim e o estacionamento, onde as limusines e duas ambulâncias esperavam, uma reservada para ela, com a equipe do mais renomado especialista em sangue do Reino Unido e a outra, uma exigência da seguradora, listada dentro dos  complicados contratos do showbusiness de nossa época, para o restante da produção.

Mas algo dizia a ela que não valeria a pena pegar carona em um dos carrinhos elétricos para ir até lá, porque Jack certamente procurava agora algum conforto em seu camarim exclusivo, fechado atrás da porta com uma estrela dourada, talvez tentando relaxar no mesmo sofá onde há poucas horas tinham feito amor.

Secando as lágrimas de seus olhos e respirando fundo mais uma vez, ela abriu a porta e encontrou Jack deitado no sofá, agarrado em um casaco que ela tinha trazido em sua mala.

- Meu amor... - ela disse, fechando a porta e caminhando até ele. - Você está bem?

- Me perdoa, querida... - ele disse, sentando-se e puxando-a para seu colo. - Me senti perdido lá fora e vim para cá, queria me sentir perto de você de algum jeito, sem te deixar triste  e lembrei que aqui estaria com suas flores, suas roupas, seu perfume... Quando estava lá com os rapazes, lembrei do Don, fiquei imaginando o quanto ele gostaria de tocar em um lugar como este... eu sei que ele estaria muito feliz de estar aqui... se você visse os lugares em que tocávamos antigamente... ah, meu anjo... dói tanto ainda...

- Ah, meu amor... - ela o abraçou. - Se eu soubesse... se você tivesse me dito... eu nunca teria deixado você aceitar a volta da Crossroads...

- Não, querida... não sentia mais isso há muito tempo... pensei que nunca mais me sentiria assim, mas... mesmo sem olhar para ela, ela continua lá... em um canto, me esperando... depois de 30 anos, me acostumei com ela... - ele disse, secando as lágrimas nos olhos dela. - Eu a trouxe para minha vida, quando não consegui evitar que meu melhor amigo morresse... e eu sei que ela estará aqui no meu peito até o final dos meus dias...

- Mas não precisa... meu amor... você não podia ter feito nada... entenda isso... o que aconteceu com ele não foi sua culpa, nem de ninguém... deixa isso ir... solta esse sentimento porque ele só te faz mal...

- Ah minha vida... eu te amo tanto... - Jack disse, agarrando-se em Clara e chorando em seu ombro. Ela apenas acariciou os cabelos de seu marido e chorou com ele, sentindo em seu peito a mesma dor que ele sentia.

- Meu amor... vou buscar água para você... - ela disse, levantando-se do colo dele, já com o corpo um pouco dolorido. - está melhor?

- Você é o meu remédio, querida... - ele disse limpando o rosto e caminhando até Clara. - Obrigado, meu amor... você está aqui comigo... e me sinto envolvido pelo seu amor... agora, estou te sentindo em mim, minha vida...

- Sou sua, meu amor... vem beber água, querido...

- Eu vou melhorar, querida... você vai ver...

- Se você tivesse me dito que ainda doia...

- Não... mas não me doía mais... estava bem, seguro do que queria, mas quando estava lá com os rapazes, pensei no Don e tudo voltou... tentei afastar a lembrança com um pouco de whisky, mas não consegui... comecei a me sentir mal... ainda bem que você estava aqui para me ajudar...

- E eu, achei que você estava com ciúmes do Mick...

- Não, meu amor... estou cada vez mais em paz com isso... sinto aqui dentro o quanto você me ama, por isso, não  tenho nenhuma razão para ter ciúmes... - ele disse apontando para o coração. - Você é minha... e eu sei que você é... 

- Sou sim... toda e inteiramente sua, meu amor... - Clara disse, beijando-o. - Então... vamos lá ficar com os rapazes? Todos estão muito preocupados com você...

- Vamos lá... ainda nem passamos as músicas que vamos tocar com os Stones... estou com vergonha de mim mesmo, querida... vou até o banheiro lavar o rosto... e já vamos...

- Está bem... - ela sorriu para ele e os dois saíram abraçados de lá e, juntos, entraram no camarim onde todos ainda estavam reunidos, tocando e cantando velhos blues.

Continua

7 de abr de 2013

Rockstar - Capítulo CXXVIII


Jack abriu a porta. Com os olhos fixos nela, agarrou-a como um animal que, caçando, aguardava sua presa para dar o bote;  mal ela deu dois passos para dentro do camarim, ele prendeu-a em seus braços e beijou-a apaixonadamente na frente de todos que estavam lá, inclusive Mick.

- Oh Velho, na última vez em que eu beijei minha  mulher desse jeito, ela ficou grávida... - Keith disse gargalhando, aumentando a sensação de horror que a cena já tinha criado em Mick.

Alheio aos comentários e às risadas dos amigos, Jack continuou segurando Clara em seus braços, tornando impossível para ela dar mais um passo. - Querido... se eu soubesse que você estava com tantas saudades, já teria vindo para cá antes... Pessoal... acho que vocês conhecem minha amiga Sarah Hudson...

Bastante sem graça, Sarah cumprimentou as pessoas que estavam no camarim. Mick aproximou-se da amiga de Clara e beijou sua mão. - Olá Sarah, você então é amiga da minha querida Clara...

- Olá Mick... é uma honra te conhecer...

- A honra é minha, querida... - Mick sorriu. - Então Jack... você se importa de permitir que eu cumprimente minha melhor amiga... se bem, que no seu lugar, eu faria a mesma coisa... é tão difícil soltar este anjo...

- Desculpa Mick... - Jack disse tentando conter-se, ele soltou Clara e foi direto até uma garrafa de whisky deixada sobre a bancada com espelho. - Alguém quer um drink?

Clara fez um sinal para que Mick não se aproximasse e foi atrás de Jack. - Querido... o que foi?

- Nada! Quer uma bebida?

- Eu bebo do seu copo... - Clara tirou o copo quase cheio de whisky das mãos de Jack e bebeu metade, em apenas um gole,  fazendo uma careta, mas isso não abalou a disposição de Jack para beber e ele voltou a encher o copo.

- Posso saber o que está acontecendo aqui? - Clara tomou coragem para falar.

- Nada... Estamos combinando o que vamos tocar juntos... - Jack disse, sentando-se ao lado de Keith. - Love in Vain e Crossroads, então?

- Não sei... o que você acha, Mick? - Keith disse acendendo um cigarro. - Fazemos as duas?

- Eles que sabem... Serão as duas? Jack? Dave? Mike?

- As duas... - David sorriu. - não quero perder essa chance de tocar com vocês... Só não sei quem vai tocar a gaita? Você ou o Mick, Velhão?

- Os dois... - Jack sorriu. - Se ensaiarmos direitinho aqui e definirmos quem entra quando, os dois tocam e vai ficar muito bom...

Clara sentou-se no colo de Jack, tirando das mãos dele o copo de whisky e bebendo, na tentativa de fazê-lo beber menos. Mas isso não o convenceu, depois de secar mais uma vez o copo, ele levantou-se e pegou novamente a garrafa. Clara foi atrás dele e sussurrou em seu ouvido. - O que foi?

- Nada... Por que você acha que tem que estar acontecendo alguma coisa?

- Não sei, querido... venho até aqui e você está bebendo desse jeito... tentando me segurar... não estou entendendo, há poucos minutos lá no meu camarim estava tudo bem...

- Me perdoa, querida... eu sou um idiota... estou estragando tudo...

- Jack... eu sou sua para sempre, lembra? - ela acariciou o rosto de Jack e percebeu que ele estava chorando. - O que foi, meu amor?

- Me perdoa, querida... não quero te deixar triste, vou lá fora falar com o Peters....

- Jack... - Clara começou a andar atrás de Jack, mas foi segura por David.

- Deixa, Princesa... é melhor... ele dá uma volta por aí,  esfria a cabeça e daqui a pouco tudo está bem... calma...

- Querida... você quer que eu vá embora? - Mick disse abraçando-a. - Eu faço o que você quiser...

- Não, Mick... me perdoa... não sei o que está acontecendo com o Jack... nós conversamos tanto, não esperava por isso... não hoje... não é melhor eu ir falar com ele?

- Acho que  não... Clara... - Michael Silver que acompanhava tudo de longe decidiu interferir. - O Jack vai dar uma respirada e já volta... ele sempre foi assim...

- Está bem... vou esperar por ele... - ela disse puxando Mick pela mão e levando-o até o sofá. - Me perdoa... isso não podia estar acontecendo...

- Calma, meu amor... não tenho o que perdoar... não desta vez...

- Mick... por favor... - mais uma vez Clara perdeu o controle, sentou-se no sofá chorando muito. - Estou tão cansada... ele não sabe, mas quem tem vontade de sair andando sou eu... largar tudo... mesmo depois de ter vivido tudo o que vivemos... é dor demais, essa culpa que eu sinto... não quero mais sentir nada... pego um avião, volto para minha casa e esqueço de tudo...

- Calma, querida... você precisa se acalmar... - Mick disse pegando-a pela mão. - Não decida nada, hoje pelo menos, todo mundo aqui está muito nervoso... é o dia da estreia, existe muita coisa em jogo. O Jack sofreu muito nos últimos 30 anos, queria voltar para a banda, mas sentia-se culpado... até você fazê-lo esquecer dessa culpa, mas acredito que, como toda velha ferida, ela ainda dói...

- Mick... será que você não entende... meu casamento está por um fio...

- Meu amor, você é quem não entende... antes de você vir até aqui, ele já estava assim... bebendo, o olhar perdido no horizonte, sussurrando pedidos de desculpas ao vento...

- Verdade, Princesa... o que o Jack tem hoje é muito diferente das crises de ciúmes de sempre... esse é o velho Jack com quem convivo desde a morte do Don... lutando contra seus fantasmas... fica tranquila, desta vez não é sobre o casamento de vocês... é sobre aquele dia, há trinta anos, em que o melhor amigo dele socou nós dois e acelerou aquele maldito carro de corrida até se espatifar naquela maldita árvore, na estrada. Até você aparecer na vida dele, quando ele fazia qualquer coisa relacionada à banda, ele ficava assim... bebia, repetia mil vezes ao vento que era ele que deveria ter morrido e depois subia no palco, descia todo estraçalhado emocionalmente, ía até a montanha onde passava uns dias sozinho, curando as feridas com muito whisky...

- Vocês nunca me disseram isso... Por que vocês deixaram chegar a esse ponto, se sabiam que dói tanto para ele? David... se eu soubesse disso...

- Ah, Princesa... porque você viu... quando você apareceu mudou tudo... nós tinhamos certeza de que os dias de sofrimento tinham acabado... podíamos pensar tudo, menos que ele fosse voltar a ter uma dessas crises... e justo hoje...

- Vou atrás dele... - Clara disse, levantando-se do sofá. - Era tudo o que eu precisava, como se já não bastasse ver meu casamento ruindo... não suporto a ideia de vê-lo sofrendo... eu preciso fazer alguma coisa... Sarah... fica com meu celular, o Jonas vai ligar quando chegar, vou procurar o meu marido...

Clara deixou todos no camarim e saiu procurando por Jack pelos corredores da Arena. Primeiro foi até o palco, que parecia agora um lugar mágico, como um templo, quieto e na penumbra, enquanto tudo vibrava atrás da pesada cortina de veludo que ajudava a conter o calor e abafava uma parte do som, o que ela sentiu quando pisou ali a fez ficar arrepiada da cabeça aos pés. Mesmo que ali nada estivesse acontecendo, além do trabalho dos técnicos, ainda correndo para deixar tudo pronto para a explosão de pura emoção que aconteceria dali a poucas horas.

Vendo-a no palco, Michael Peters, que conversava com um técnico, atrás da mesa de controle, na outra lateral do palco, veio até ela. - Clara... o que foi? Está tudo bem?

- O Jack... você sabe onde ele está?

- No camarim... ele não está passando a música com o Jagger?

- Não... - ela balançou a cabeça, concentrando-se para não chorar. - Ele disse que vinha te procurar...

- Mas não veio... espera... vou chamá-lo pelo celular... - Peters disse ligando para Jack. - Está desligado...

- Tudo bem... vou procurar no outro camarim... quem sabe ele foi para lá...

- Você quer quer que eu coloque os seguranças atrás dele? Eles o encontram para você...

- Não... acho que ele foi para o meu camarim... pode deixar que eu o encontro...

Continua


6 de abr de 2013

Rockstar - Capítulo CXXVII


- Oi Jack, oi Princesa... então é hoje, não?

- Pois é, cara... tudo bem com você?

- Ótimo... o Dave me disse que está lá no palco... vou deixar minhas coisas no camarim e vou para lá, vocês vão comigo?

- Vamos sim, Mike... - Clara sorriu. - E a Jenny? Quando ela vem para cá?

- Daqui a pouco... está no salão de beleza com a Cindy... elas estão super ansiosas...

- Eu queria que elas chegassem logo... para ficar um pouco aqui comigo, estou tão nervosa...

- Não fica, Princesa... todo mundo aqui te ama muito...

- Pessoal... - David disse aparecendo no final do corredor e vindo na direção do grupo, com o celular na mão. - Velhão, o Mick Jagger acabou de me ligar, perguntou se estamos interessados uma canja dele e do Keith, hoje à noite... o que você acha?

- Por mim tudo bem... - Jack sorriu, olhando Clara nos olhos por um momento. - O que você acha, Mike?

- Ótimo! Já fizemos isso em Paris, lembra? - Mike sorriu e também olhou para Clara. - O que você acha, Princesa?

- Por mim, tudo bem... - Clara deu um sorriso sem graça. - Nem acho que tem cabimento dar minha opinião em uma coisa dessas... são os Rolling Stones querendo tocar com a Crossroads... não cabe a mim decidir...

- Cabe sim, Princesa... - David sorriu. - Aqui, você  é quem manda... e não só no Velhão....

- Vocês são uns queridos... - Clara sorriu. - Amo vocês...

- Quer que eu ligue para o Mick para dar a resposta? Será que eles vão querer passar o som?

- Ah, não precisa... - David sorriu. - Aqui todo mundo é macaco velho, brother... Vou ligar para ele...

- Deixa que eu ligo... - Jack interrompeu o amigo. - Já precisava falar com ele mesmo...

- Nós vamos lá para o palco, Jack... - Michael Silver disse, seguindo David Mersey.

- Nós já vamos... - Jack disse parando no corredor com Clara, para ligar para Mick. - Então Menininha... vou ligar, ou você liga?

- Prefiro que você ligue, meu amor... - Clara disse agarrando-se a Jack.

- Oi Mick, tudo bem?

- Oi Jack... liguei para o David e ele disse que ia ver se vocês queriam a gente aí, hoje à noite...

- Claro que queremos, amigo... estamos aqui te esperando... vocês querem passar o som?

- Você acha que precisa?

- Fica a vontade, amigo... pergunta para o Keith e se vocês quiserem podem vir para cá agora... assim, você pode fazer companhia para a Clara, ela está tão nervosa...

- Ela está bem?

- Está... um pouco nervosa, mas não tem jeito... é a estreia e todo mundo está assim por aqui...

- Nós vamos para aí, então... posso passar, Jack?

- Claro, amigo... vem sim... estamos esperando por vocês...

Clara estava agora preocupada, sentia os olhos de Jack examinando-a todo o tempo,  mesmo enquanto conversavam sobre o palco e a banda checava novamente cada detalhe agora que os portões estavam para ser abertos ao público.

- Princesa... está chegando a hora... - David disse sorrindo para ela. - Nervosa?

- Um pouco... - ela sorriu de volta.

- Ela já vai ficar bem calma, não é, amor? - Jack provocou, abraçando-a e sussurrando em seu ouvido. - Ele está vindo...

- Jack... por favor... - Clara abraçou-o e começou a chorar. - Me perdoa... - ela sussurrou no ouvido dele.

- Oh, meu amor... - Jack disse beijando-a apaixonadamente. - Eu te apoio completamente, não se preocupe mais... sou seu...

- Eu te amo... - ela suspirou.

- Velhão... tudo certo por aí? Dá para liberar o palco?

- Por mim, tudo ok, Dave... - Jack sorriu. - E se ninguém precisa mais de mim, estou indo para o camarim da minha mulher...

- Ok, Velhão... vai namorar... - David sorriu. - Quando eles chegarem, eu te chamo...

Todos deixaram o palco juntos, enquanto as pesadas cortinas de veludo vermelho se fechavam na frente dele.  Jack e Clara continuaram caminhando mais alguns passos até o camarim com a estrela dourada na porta.

- Querido... eu queria conversar com você...

- O que foi, meu amor... desde que o Mick disse que está vindo para cá você ficou tão nervosa...

- Ah, Jack... - Clara agarrou-se ao marido. - estou cansada, mas vou conseguir... vou falar com o Mick assim que ele chegar aqui... pedir que ele se afaste...

- Não faça isso, não quero te ver sofrer nunca mais e se precisar, eu mesmo peço a ele para ficar... eu sei o que ele significa para você... você melhora quando ele está por perto. Ah, amor... não se preocupa, tudo vai ficar bem... - Jack sorriu. - Quer uma bebida?

- Quero sim, amor... - Clara suspirou vendo Jack servindo duas doses de whisky. - Está bem... estou cansada de lutar, talvez você tenha razão... deixa passar os shows, vamos conversar melhor e decidir tudo no castelo... eu preciso tanto ficar em paz...

- Nós vamos ficar em paz, querida... eu te prometo...

- Eu te amo, Jack...

- Vem aqui... você comeu tão pouquinho hoje... eu preciso cuidar de você... - ele disse entregando a ela um dos copos que estavam em sua mão.

- Ah, meu querido... eu te amo tanto... não posso te perder...

- Não vai... ok? Então... - ele sentou-se ao lado dela, tentando mudar de assunto. - Acho que seus pais já estão vindo para cá...

- Estou tão triste porque te decepcionei...

- Não, meu amor... você não me decepcionou... pelo contrário... estou muito feliz porque você está aqui comigo, porque sei que você me ama...

Os dois foram interrompidos por alguém batendo na porta. Jack abriu. Era Pablo acompanhado de Michael Peters e pela manicure que tinha acabado de chegar para fazer as mãos de Clara. A abertura da porta trouxe também para dentro o burburinho do público, que lentamente começava a encher as dependências da Arena.

- Querida... essa é a minha auxiliar Raquel... ela vai fazer suas unhas... - Pablo disse sorrindo para Clara, completamente sem jeito por perceber que estava interrompendo o que ele imaginava ser o namoro dos dois.

- Oi Raquel, por favor, entrem... vamos fazer logo essa mão... Onde é melhor?

- Aqui, amor... - o cabelereiro indicou a cadeira próxima da bancada com espelho onde mais tarde seria feita a maquiagem.

Ela sentou-se, levando consigo o copo de whisky,  com pressa de fazer logo as unhas antes que Mick chegasse, não queria que seu cabelereiro e agora a manicure, o vissem por lá, quando chegasse.

- Que cores você tem, querida?

- As que você quiser... - a manicure disse abrindo uma maleta onde existia uma enorme variedade de esmaltes de todas as cores imagináveis. 

- Antes de qualquer coisa, meu figurino é aquele que está ali na arara, e o vestido que usarei depois é o que está atrás dele... então, que cor?

- Que tal este dourado?

- Acho que é um pouco claro demais... - Clara disse examinando o vidrinho de esmalte, enquanto Jack sentava-se ao seu lado.

- Este aqui cor de cobre me parece mais bonito... O que você acha Pablo?

- Lindo, querida... vai ficar perfeito com todas as suas jóias... Olha só.... ela também vai aplicar estes cristais na unha...

- Que lindo! Olha só, amor... - Clara mostrou para Jack as pequenas pedrinhas que seriam presas pelo esmalte.

- Pablo, você gostaria de comer alguma coisa? Quer uma bebida? - Jack disse levantando-se novamente e servindo mais uma dose de whisky em seu copo.

- Não, obrigado, senhor Noble.

- Amor... quer mais croissant, enquanto ela ainda não começou?

- Quero sim, querido... obrigada... - Clara sorriu para o marido, que entregou-lhe mais um croissant de chocolate nas mãos e deu-lhe um beijo. - Eu te amo...

- Sabe, Pablo... encomendei esses croissants em Paris... eles valem a pena... de verdade... - Jack disse sorrindo.

- Senhor Noble, eu sei que não é da minha conta o que eu vou dizer, mas fico até emocionado com o carinho que eu sinto que existe entre vocês dois... sério... algum dia, eu gostaria de ter tanto amor por alguém como eu percebo que vocês têm um pelo outro..

- Obrigada, Pablo... - Clara disse secando os olhos que lacrimejavam alheios à sua vontade.

Jack aproximou-se de Clara e beijou-a na testa. - Não chora, meu amor... Quer mais uma bebida?

- Não, querido... - ela disse, sentindo seu coração dar um salto, assustado com o toque que anunciava que o celular de Jack tinha acabado de receber uma mensagem.

- Amor, o Mick e o Keith chegaram... vou lá no camarim encontrar com eles... já volto...

- Vai lá, querido... - Clara disse  aflita, com medo da possiblidade de eles virem ao seu camarim. - Quando terminar de fazer a unha, vou até lá...

- Amor, Mick e Keith? Os Rolling Stones estão aqui? - Pablo perguntou assim que Jack saiu da sala.

- É, Pablo... eles estão combinando uma participação especial  no show...

- Amor... não me leva a mal... mas as pessoas estão falando... quer dizer... depois daquele vídeo de hoje de manhã...

- Não tem problema, Pablo... o Mick é nosso amigo, estamos trabalhando juntos e não.... ele não foi a causa daquela briga de hoje cedo... daqui a pouco vou passar lá no camarim para vê-los.  Está ficando tão linda essa unha, Raquel... - Clara sorriu tentando mudar de assunto.

- Você ouviu o barulho que veio do corredor, quando o senhor Noble abriu a porta? ... esse show vai ser uma loucura.

- Não fala isso, Pablo, já estou tão nervosa...

- Amor, não fica... você é uma estrela... tão linda...

- Obrigada, Pablo... você é um querido... - Clara sorriu. - Vai lá provar os  croissants de chocolate que meu marido mandou vir de Paris, eles são feitos no nosso café favorito de lá... experimenta, amor...

- Vocês são mesmo chiques, né amor...

- Não... só estamos muito apaixonados e adoramos ficar juntos, namorando em Paris... como todo mundo...

- Amor, seu celular está tocando...

- Quem é? Pega ele para mim e traz aqui para a bancada....

- É Sarah, amor...

- Ótimo... atende para mim e aperta esse botãozinho do viva-voz.... Obrigada... - Clara disse para o cabelereiro que tinha trazido o aparelho para perto dela. - Oi querida, você está no viva-voz, estou fazendo a unha...

- Já cheguei, Clara, o Hutton já me entregou o backstage pass e agora, estou só esperando alguém para me guiar até o seu camarim.

- Que bom, querida... estou aqui esperando.... precisa que eu agilize alguma coisa para você?

- Não... o Hutton já está voltando com uma outra pessoa... já estou indo para aí, então... beijos...

- Beijos, querida...

- Nossa! Dizem que português e espanhol são línguas parecidas, eu não vejo onde.... - Pablo sorriu. - Não entendi quase nada...

- É engraçado isso, mas também tenho a maior dificuldade para entender espanhol... e falo inglês, francês, italiano e português... mas o espanhol... não entra na minha cabeça...

- Você é linda, querida... já fala tantas línguas, não precisa falar espanhol também...

Logo Sarah batia na porta e Clara suspirava aliviada por tê-la por perto, para ajudá-la a acalmar-se. - Querida! Que bom que você chegou!

- Oi Clara...

- Este é o Pablo, meu cabelereiro e essa é a Raquel, minha manicure... essa aqui é a Sarah Hudson, uma velha amiga...

Sarah cumprimentou os dois e sentou-se perto de Clara,  contou sobre a efervescência que tinha encontrado na porta da Arena, sobre a animação das pessoas que ela tinha ouvido cantando nas muitas filas que se formavam lá fora, por onde passava, a caminho da porta de entrada destinada a imprensa.

- Eles já abriram os portões para o público, não?

- Já... - Sarah sorriu. - Que lindo esse esmalte...

- Também achei lindo, Sarah... - Clara sorriu. - Você viu os cristais que ela vai aplicar na minha unha?

- Olha... que lindo! Você vai arrasar hoje, querida... Você vai usar aquele vestido ali? - Sarah disse, mexendo nos vestidos pendurados na arara. 

- Não... aquele é para a festa, depois do show... meu figurino é aquele azul, bordado... do outro lado...

- Ah, que lindo...

- E tem aquela capa de veludo, que vai por cima...

- Uau... essa capa é linda... Você vai mesmo arrasar nesse show... Já mostrou essas roupas para o Jo?

- Ainda não... ele me deixou muito triste hoje, com umas coisas que ele disse...

- Ah, não leva em conta... você conhece o Jo... ele acha que tem a solução para a vida de todo mundo e acaba sempre falando demais...

- Eu sei... mas o que ele disse me deixou tão inquieta... não queria estar assim... não hoje... - ela disse tomando mais um gole de whisky. - Quer uma bebida, amiga?

- Só água, querida... ainda tenho que gravar uma matéria, na hora do show... - ela sorriu. - Deixa, que eu me sirvo...  Clara, na boa, descansa... não vale a pena enlouquecer por causa do Jo...

- Juro que estou tentando...

- Bom, já te disse que meu editor adorou a entrevista de vocês e vai colocá-la não só no canal a cabo, como na TV aberta... vai ser a primeira vez que eu vou entrar em rede nacional,  em um noticiário de TV aberta, graças a você, querida...

- Que ótimo! Fico feliz... quanto mais audiência melhor.

- Ah... e já mandaram o escritório daqui conversar com uns especialistas porque o seu problema médico vai entrar na pauta do Fantástico, no próximo final de semana... vou entrevistar uns dois ou três médicos da Academia Real de Medicina...

- Algum deles se chama Lanee, por acaso? Doutor Pat Lanee?

- Acho que vi esse nome na pauta sim... por que? É o seu médico?

- É... ele é a maior autoridade em sangue aqui do Reino Unido... foi ele quem me levantou...

- Ótimo...

- Senhora Noble, desculpa interromper... - disse Raquel. - o esmalte está pronto... agora vou preparar os cristais para a aplicação... e eu preciso secar essa camada, vamos usar esse aparelho aqui... a senhora coloca os dedos aqui, por favor...

- Ok... - Clara sorriu ao ver um pequeno aparelho que lembrava uma sanduicheira com um espaço onde encaixar os dedos. Quando ligado, o aparelho emitia uma estranha luz arroxeada.

- Sarah... você pode me fazer um favor? Pega o meu celular e liga para o Jonas... veja se eles já chegaram aqui... estou preocupada...

- Calma querida... já vou ligar...  Alô, Jonas?

- Clara?

- Não, querido... é a Sarah... ela me pediu para te ligar, quer saber onde vocês estão... já chegaram aqui na arena?

- Ainda não... estamos chegando, mas estamos parados no trânsito... quando chegarmos, eu ligo para você, pode ser?

- Pode... ela está esperando, ok?

- Ok, querida... manda um beijo para ela...

Sarah desligou o celular e colocou-o de volta na bancada do camarim. - É... o trânsito aqui perto da Arena está um caos... o motorista da minha equipe ficou quase maluco...

- Estou ficando tão nervosa, amiga...

- Não fica... quer que eu vá buscar o Jack?

- Não... deixa ele...

- Pronto... agora vou colocar os cristais, senhora Noble... - a manicure disse, interrompendo o diálogo das duas, enquanto começava a delicadamente colar um a um, cada pequeno cristal nas unhas de Clara e depois  de mais uma sessão de secagem, as mãos estavam prontas para o show.

- Nossa que lindo! - Sarah sorriu ao ver as unhas de Clara prontas. - Puxa... é luxo puro, amiga!

- Definitivamente, estou nervosa agora... olha.... estou gelada....

- Calma, amor... vai dar tudo certo...

- Vocês já combinaram com o Michael Peters como assistirão ao show, não combinaram? - Clara perguntou ao cabelereiro assim que a manicure terminou de ajeitar suas coisas para deixar o camarim.

- Sim... o senhor Peters nos deu um ingresso para um camarote onde estarão as pessoas que estão trabalhando no show... já está tudo certo, senhora Noble...

- Ok... obrigada por esta obra de arte, querida... - Clara cumprimentou a manicure simpaticamente, enquanto ela deixava o camarim junto com o cabelereiro, que voltaria mais tarde para ajeitar seu cabelo e maquiá-la para o palco.

Assim que os dois saíram do camarim, Clara contou tudo o que tinha acontecido para Sarah e disse que naquele momento, Mick estava no camarim dos rapazes, provavelmente conversando com Jack sobre aquela situação sem esperança de solução em que ela tinha atirado os três.

- Você vai comigo até lá, não vai?

- Não sei se devo, amiga...

- Por favor, Sarah... me ajuda... não tenho forças de entrar lá sozinha, mas preciso vê-lo... preciso saber o que aconteceu hoje entre ele e a Gianna...

- A ex dele?

- É... ele me disse que ia tentar trazê-la ao show hoje à noite.

- Você acha que eles voltaram?

- Não sei o que pensar... mas estou morrendo de ciúmes... como fiquei com ciúmes do Jack hoje de manhã...

- Calma... vou com você então... vou lá agradecer o Jack pela entrevista... está bem?

- Então vamos... - Clara supirou profundamente e conferiu mais uma vez sua imagem no espelho, antes de sair com a amiga e trancar a porta do camarim novamente. - Estou me sentindo ridícula com meus cabelos assim presos...

- Você não tem um lenço para esconder esses rolinhos?

- Boa ideia, amiga.... - ela disse pegando um lenço de seda que estava amarrado à sua bolsa e amarrando-o em sua cabeça. - Então?

- Lindo! Vamos?

Clara e Sarah caminharam pelo corredor e ficaram impressionadas com o som que ecoava pela Arena vindo da plateia, Clara lembrou-se que sua família já devia estar por lá e ligou para Jonas, mas não conseguiu falar. Decidiu então bater na porta do camarim.

Continua