27 de fev de 2013

Rockstar - Capítulo CXIX


- Clara! - Jack chacoalhou-a em suas mãos. - O que? Mick... me ajuda... - ele soltou-a delicadamente no chão, desesperado.

Há muito tempo não pensava mais nele, mas depois que o viu, chegando na estrada que levava até o castelo, quis novamente procurar em seu baú seu maior tesouro,  o pequeno livro, de capa de couro vermelha, a única lembrança material que tinha ficado do que viveram juntos e novamente levou-o para sua cama, como fez por muito tempo na época em que ele partiu. Mais uma vez, ele amanheceu sob seu travesseiro e ela novamente beijava-o  carinhosamente, assim que abria os olhos. Seu pai já tinha voltado da vila, e assim, ela soube de tudo o que tinha acontecido; ele confirmou o que todos já comentavam por lá; o príncipe Jacques estava de volta e finalmente se casaria com a filha do Duque de Villeneuve, a princesa Catherine.

Um casamento que havia sido arranjado assim que  a princesa nasceu, pelos dois duques, o duque de Grimaldi, pai de Jacques e o Duque de Villeneuve, senhor de uma área ainda maior, muito bela e próspera, mais ao norte, entre os alpes e o mar.

Nada se sabia ao certo, as pessoas na vila comentavam, mas ninguém podia afirmar nada, depois da expulsão de Ann e de seu pai, do castelo, eles passaram bastante tempo escondidos na vila, com medo da ordem que a duquesa tinha dado, de matá-los se cruzassem o caminho do príncipe ou de qualquer pessoa que vivia no castelo.

Para a mãe do príncipe Jacques, ela era a grande responsável pelo fim da glória dos Grimaldi, a filha da bruxa que a tinha penalizado tanto a ponto de trazê-la para seu castelo e criado como sua filha, parecia não negar suas origens e tinha sido  a razão de Jacques, o filho único do grande Duque ter desonrado sua casa.
Ao apaixonar-se por aquela moça sem berço, ele deu um duro golpe em sua casa e sua teimosia, fez seu pai adoeçer de desgosto, especialmente quando descobriu que a carta chamando o filho para lutar como oficial do rei, na guerra contra a Áustria era falsa, um embuste criado por ele apenas para fugir de seu compromisso de casar-se com a princesa Catherine.

O respeito pelas pessoas que habitavam aquele castelo tinha acabado e todos na vila comentavam que o comportamento de Jacques na Corte era um verdadeiro escândalo,  outro dandi, circulando entre os poderosos de Versalhes,  gastando todo o ouro de seu pai com inumeras  amantes.

- Clara... acorda, por favor... - ela ouviu a voz de Jack, transtornado, acariciando seu rosto suavemente, enquanto Mick andava ao redor,  celular na mão, pronto para ligar para o médico.

- Mick, espera... não liga ainda, ela está acordando...

- O que aconteceu? - Ela perguntou para Jack, que apenas a abraçou chorando.

- Você desmaiou, querida... - Mick disse aproximando-se dela e pegando sua mão. - Como você se sente?

- Estou um pouco tonta... mas estou bem...

Jack chorava inconsolável, agarrando-a em seus braços. - Me perdoa, Menininha...

- Jack, meu amigo... vem... você precisa descansar um pouco...

- Eu quase a matei, Mick... o amor da minha vida... - ele disse ainda chorando muito.

- Vem, bebe um pouco de água... - ele disse entregando um copo para Jack, tentando separá-lo de Clara. - Vamos, amigo,  você precisa dormir um pouco, até o efeito da bebida passar.

Ainda intrigada com o que tinha visto em seu sonho, ela esperou ansiosamente pelo retorno de Mick à sala de estar. - Como ele está?

- Bem, querida... deitei-o na cama, de lado, para evitar problemas... vai ficar bem...vamos deixá-lo dormir um pouco e mais tarde subimos para vê-lo...

- Obrigada, meu amigo... Mick... preciso te contar uma coisa...

- O que foi, querida? - Mick disse, sentando-se perto dela, no sofá em que ela estava deitada. - Será que não é melhor chamar o Dr Lanee?

- Não, eu estou bem... eu só desmaiei porque, bem... o dia de hoje está sendo bem pesado para mim, não?

- Quer uma bebida?

- Não, querido... obrigada...

- Ok... então, o que você queria me dizer?

- Sabe, no outro dia em que eu desmaiei no jardim? Eu tive um sonho estranho... estava em uma outra época...

- Na casa da montanha?

- Não... é estranho, mas eu não era a Ceridwen, era uma outra pessoa...

- Mesmo? Quem?

- Primeiro, eu me vi no meio de um enorme campo, colhendo lavandas, mas parei meu trabalho para ver um príncipe passar a cavalo, pela estrada próxima do campo... quando o vi, lembrei-me que o amava e que vivia com ele, em seu castelo... foi uma lembrança boa, que deixou meu coração tão feliz...

- Meu Deus! Será alguma lembrança de outra vida?

- Acho que sim... - as lágrimas começaram a correr em seu rosto, um choro de pura emoção.

- Meu amor... - Mick pegou-a em seus braços e segurou-a, por alguns minutos, enquanto ela chorava.

- Não sei o que faria se você não estivesse aqui...

- Querida... tudo o que eu quero no mundo é estar aqui, ao seu lado... te amo tanto... - ele beijou-a com paixão. - Se pudesse, te levava de novo para o meu quarto... - ele sussurrou no ouvido dela.

- Não posso, meu amor... você viu como o Jack está magoado? Eu não posso fazer isso com ele...

- Meu amor... calma... fica tranquila... ele está tão bebado que...

- Não, Mick... exatamente por isso... ele está tão bebado que não consegue fingir que não se importa... ainda estou sentindo a dor dele, aqui, no meu peito...

- Ah, querida... vamos conseguir, tenho certeza... agora, eu quero te ver tranquila, o Jack está dormindo, daqui a pouco, seus parentes estão chegando... o que eu quero agora é que você respire fundo, suba comigo para o seu quarto, onde iremos até seu closet escolher uma roupa linda e algumas jóias para o jantar. Vou arrumar seu cabelo, cuidar da sua pele,  fazer sua maquiagem... tudo para te ver linda hoje à noite...

- Meu doce amigo... - ela sorriu e beijou-o. - Você é maravilhoso para mim...

- Eu te amo... sou seu... estou aqui... inteiro, nessas suas mãozinhas pequenas, que terminam nesses bracinhos fininhos... Vamos?

- Será que não vamos acordar o Jack?

- Ele está muito bebado... não vai acordar tão cedo...

- Tenho medo, porque o sono dele é muito leve, acorda com qualquer barulhinho...

- Ah, querida... também sou assim... é uma coisa de nosso ouvido musical, um pouco mais sensível... Mas acho que nem uma bomba conseguiria acordá-lo agora...

Pelo sim, pelo não, Clara e Mick entraram no quarto em silêncio, foram diretamente ao closet, onde escolheram as roupas que ela usaria e, por insistência de Mick,  pegaram algumas jóias no cofre. Ele tinha decidido que Clara deveria impressionar seus parentes e amigos naquele jantar e não poupou esforços para que isso acontecesse.
Ajudou-a a tomar banho, fez uma longa massagem com óleos essenciais em todo o seu corpo, depois, vestiu-a, penteou-a e maquiou-a tão bem como alguém que preparava uma estrela de cinema para uma festa de gala. Estava penalizado com as grandes manchas roxas que encontrou em seus pulsos, depois da luta para livrar-se das mãos fortes de Jack.

- Linda... estou me apaixonando novamente, cara Lady Noble... - Mick fez uma mesura e beijou-lhe a mão.

- Ah, querido... - ela sorriu para ele. - Vamos para a sala de estar? Eles já devem estar chegando...

- O que você dirá a eles para justificar minha presença nesta casa?

- Gostaria de poder dizer a verdade, mas eles nunca entenderiam... bem... vou dizer o que já disse antes, que você está aqui para trabalhar com meu marido no meu futuro disco solo e que, penalizado pelo meu estado atual, decidiu que deveria ajudá-lo a cuidar de mim...

- Tudo bem...

- Bem, já que estamos falando sobre isso, preciso te dizer que meu pai acredita que você e meu marido têm um caso e que fiquei doente porque os flagrei juntos...

Mick deu uma gostosa gargalhada e abraçou-a: - Pobrezinha... seu pai é ótimo, quero conhecê-lo melhor nesta noite...

- Ele é um ogro, isso sim... se o conheço, vai passar a noite toda te maltratando... te xingando... ah querido...

- Não me importo, querida... perto das coisas que sempre falaram de mim, por aí... isso não é nada... como jornalista, você deve fazer uma ideia, não?

- Claro, querido... - ela sorriu. - Já li uma ou duas biografias não autorizadas assustadoras...

- Pois é... por isso eu queria tanto que você me ajudasse a escrever a minha versão dos fatos... nunca fui um santo, mas também alguns desses livros fazem crer que entre as décadas de 70 e 80, transei com toda a população de Nova York...

- E não transou?

- Meu amor... que pergunta? - ele riu. - Bem... se dissessem a ilha de Manhattan, ou  o Upper East Side, mas toda Nova York? Até para mim é um pouco exagerado, não acha?

Clara riu muito de sua piada  e abraçou-o novamente, no momento em que o mordomo avisava da chegada da van com sua família no portão de casa. Mick deu-lhe a mão e levou-a até a porta: - Agora, calma... vamos recebê-los, você está linda...

- Obrigada querido, mas acho melhor eu recebê-los sozinha... eu tenho medo que eles percebam o que está acontecendo entre nós...

- Tem razão, minha querida... Vá sozinha, mas se precisar de mim, estarei aqui no piano, vou fingir que estou trabalhando...

- Obrigada, meu amor... - ela beijou-o no rosto.

- Vai lá, recebê-los... vai... - Mick sorriu abrindo  o teclado do piano e colocando sobre ele um lápis e um bloco de papel.

Enquanto isso, Clara saiu pela porta da frente da casa e caminhou até a van.

- Você está melhor, querida? - a mãe de Clara perguntou, quando ela foi abraçá-la.

- Estou, mamãe.. - ela sorriu, puxando também seu pai para mais perto. - Me desculpem, meu marido ficou muito preocupado com minha saúde e...

- Nós sabemos, querida... o Jonas nos explicou... você está linda, hoje... - o pai dela sorriu beijando-a no rosto. - Vamos entrar, está muito frio... Como faz frio nessa terra...

Todos entraram e Bradley e mais uma empregada da casa recolheram seus pacotes e os levaram até os quartos. Mick levantou-se graciosamente do piano e cumprimentou um a um os parentes e amigos de Clara, falando com eles em um português razoável.

- Ué? Cadê o Jack? - O pai de Clara perguntou a queima roupa e para quem quisesse ouvir. - Deixou o namorado aqui e se mandou?

- Papai! O Mick não é namorado do Jack... ele está lá em cima, descansando porque teve um dia muito cansativo hoje. Por favor, não destrate o Mick... ele é nosso amigo, está aqui para me ajudar e não merece ser tratado dessa forma...

- Não tem problema... - Mick respondeu para Clara em português para que seu pai também entendesse. - Não estou namorando com ninguém nesta casa, senhor... - ele sorriu charmosamente para Paulo, estendendo-lhe a mão. - Então, podemos ser amigos, senhor Giacome?

- Desculpa... - Paulo respondeu. - É que estou muito nervoso... minha filha, ela quase morreu da outra vez que teve esse problema...e o tal do cantor não está nem por perto para cuidar dela...

- Fica tranquilo, senhor... eu estou cuidando dela... Ela não está linda hoje?

- Está... - Jonas sorriu, tentando interromper a discussão de uma vez. - Minha querida amiga está bem melhor do que quando saímos...

- Obrigada, Jonas... - ela sorriu. - Então... vocês querem tomar um banho e trocar de roupa antes do jantar?

- Sim... - sorriu Ciça. - Eu e a Renata vamos subir agora... Vamos? Papai, mamãe? Jonas?

- Vamos sim... - Jonas disse sorrindo. - Vocês viram como os dois estão arrumados, vocês não querem passar vergonha na hora do jantar, querem?

- Não... não é nenhuma vergonha... - Clara respondeu. - Vocês fiquem a vontade para vestirem o que quiserem... só imaginei que quisessem relaxar um pouco antes do jantar... estou errada?

- Claro que não, querida... - Ana, a mãe de Clara sorriu, pegou o marido pela mão e puxou-o na direção das escadas. - Vamos subir... tomar um banho, Paulo...

Assim que todos subiram, Mick sentou-se novamente no piano e passou a tocar uma melodia suave, queria fazê-la relaxar.

E quando ela percebeu que todos tinham subido, ela levantou-se do sofá e foi até Mick, beijou seu pescoço e sussurrou em seu ouvido: - Eu te amo... Obrigada de novo...

Sem preocupar-se com nada, Mick agarrou-a em seus braços e beijou-a com paixão, deixando-a apavorada, preocupada de ser flagrada em seus braços, mas também surpresa com o que ele a fazia sentir.

Continua

24 de fev de 2013

Rockstar - Capítulo CXVIII



- Eu te amo, Menininha... eu te amo...

- Querido... me perdoa... não quero te deixar triste... vou melhorar, você vai ver...

- Eu sei que vai... agora vem, amor... precisamos ensaiar... quero voltar logo para nossa casa, cuidar de você...

Mal os dois se levantaram e já se ajeitavam para sair do camarim, quando Peters bateu na porta. - Jack, Clara, posso entrar?

- Entra, Peters... - Jack respondeu.

- Olha, amigo... da próxima vez vocês me avisam, ok? - Peters disse com um ar contrariado, assim que Jack abriu a porta.

- O que foi?

- Acabo de ter um problema enorme lá fora com a segurança... achei até que fosse algum tipo de atentado que estávamos sofrendo, até receber um telefonema do Mick Jagger dizendo que a tal ambulância,  tentando entrar no estúdio de qualquer maneira, tinha sido enviada por ele... por que vocês não me disseram nada?

- Porque não sabíamos... o Mick não nos disse nada também... - Clara disse, caminhando até sua bolsa e pegando o celular. - Vou ligar para ele...

- Jack, o que está acontecendo aqui? Posso saber?

- Nada... o Mick contratou esse especialista em sangue, para cuidar da Clara e, bem, acho que ele percebeu que minha mulher está doente e precisa de um médico por perto, para subir no palco... acho que é isso...

- Mas por que o Mick? Os dois estão juntos, é? - Peters perguntou a queima roupa.

- Não é da sua conta, Peters... - Jack respondeu rispidamente. - Só autoriza a entrada, que eu falo com eles... 

- Desculpa Peters... - Clara interrompeu o que poderia rapidamente transformar-se em uma briga. - Acabei de conversar com o Mick e ele nos mandou mesmo uma ambulância... é uma equipe do doutor Pat Lanee que ficará a minha disposição durante os ensaios e os shows, caso eu me sinta mal...

- Então está bem... vou liberar a entrada deles no estúdio... por favor não façam mais isso, preciso saber de tudo o que está acontecendo aqui, ou essa turnê corre riscos sérios...

- Nós também não sabíamos, desculpa, Peters... ele também não nos disse nada... - Clara sorriu, enquanto Peters deixava o camarim, falando com a segurança pelo rádio.

- O Mick não devia ter feito isso... - Jack disse pegando-a pela mão e voltando com ela para o sofá.

- Eu sei, querido... ele me pediu desculpas, disse que só lembrou quando estava no escritório e pensou apenas no meu bem estar...  ligou para o doutor Lanee e ele providenciou o envio da ambulância, para ficar de sobreaviso, caso eu tenha algum problema...

- Me desculpa, querida... eu me deixei levar pelo momento, ele está certo, é melhor termos recursos para te ajudar, caso você passe mal novamente... vou ligar para ele, para conversarmos... - Jack pegou seu celular, falou com Mick por alguns minutos, enquanto esperavam pela chegada da equipe médica no camarim. 

Depois de conversar com o médico, que era um dos sócios do Dr Lanee e a mesma enfermeira que já tinha colhido o sangue de Clara, de manhã;  Jack e Clara finalmente chegaram ao palco, onde toda a banda já esperava por eles.

- Vamos trabalhar um pouco, Velhão? - David disse no microfone, já impaciente, com sua guitarra ligada e pronta para começar a tocar.

Clara desceu do palco e sentou-se na cadeira reservada para ela, na plateia, enquanto sua amigas, já preocupadas com ela, perguntavam o que tinha acontecido.

Mas a música começou, e assim que o  "rolo compressor" da Crossroads começou a rodar,  não havia mais nada a se dizer ou comentar, apenas aquela música e a beleza que ela invocava. Penetrando nos poros, arrepiando a pele e fazendo Clara voltar a chorar cada gota de água que ainda restava em seu corpo.

Cindy, impressionada com o choro, pediu a um roadie que trouxesse uma garrafa d'água. - Você está bem, querida?

- Estou bem, Cindy... é que a Crossroads sempre me emociona muito...

- A mim também, querida... - Cindy sorriu.

No palco, David parou o ensaio, logo após o final da primeira canção. - Jake, eu acho que essa caixa da esquerda morreu... abre mais o volume dela aí...

- Para mim também, Jake, todo o lado esquerdo está parecendo desligado...

- Espera aí, Jack... acho que é um problema aqui na mesa... vamos parar para arrumar, já recomeçamos...

David e Jack desceram do palco e caminharam na direção de Clara e Cindy. - Como você está querida?

- Bem, amor... Estava lindo, você me emocionou muito agora cantando "Rockin' Over"... estou toda arrepiada...

Jack agarrou-se na esposa e beijou-a.

- Velhão... a coisa hoje parece que vai longe aqui... Princesa, você está bem?

- Estou Dave...

- Olha, querida... estava aqui pensando... acho que você precisa descansar, para sentir-se melhor amanhã... o que você acha de passarmos a sua música assim que eles disserem que as caixas voltaram a funcionar?

- Não sei... Jack? O que você acha?

- Acho uma boa ideia, Dave... estou aflito porque sei que isso aqui vai demorar muito... sempre tem alguma coisa que não funciona, ainda mais hoje, com essa história de telão...  Aliás, de quem foi a ideia dessa coisa? Quero mais ventiladores aqui na frente, olha como eu já estou suado... Jake... espera um pouquinho, amor... vou falar com o Jake ali embaixo para ver se dá para colocar mais ventiladores aqui...

- É, Princesa... o Jack sempre foi assim... meio complicado na hora de passar o som, mas a gente o ama assim mesmo... - David sorriu.

- Ele tem razão... esse telão deixa o palco muito quente... aqui, tudo bem... está o que, uns dez graus lá fora?

- Por aí...

- Agora imagina quando o show chegar no Brasil, por exemplo... em um estádio, 30 graus lá fora... Aqui em cima teremos pelo menos uns 50... - ela disse tirando o casaco de couro que estava usando até então e entregando-o a um roadie.

- Ela tem razão, Dave... - Silver disse aproximando-se dos dois, com uma garrafa de água nas mãos. - o palco está lindo, mas vai cozinhar-nos vivos, se deixarmos... imagina o coitado do Clarke, que está ainda mais perto dessa coisa... Paul... está muito quente aí?

- Oi, Silver... está sim... já pedi mais três ventiladores, mas acho que só vai melhorar mesmo se trouxermos a bateria um pouco mais para a frente...

- Vou lá embaixo falar com o Jake....

A parada demorou mais alguns minutos e enquanto o palco recebia mais ventiladores e a bateria era puxada alguns metros para a frente, todos aproveitavam a temperatura mais agradável do camarim para relaxar.

Alguns minutos depois, Michael Peters batia na porta e todos caminharam juntos pelos corredores que levavam de volta ao palco, Clara apoiavasse em Jack, ainda sem muita confiança em suas próprias pernas.

- Então, Menininha... vamos cantar? - ele sussurrou em seu ouvido. - está pronta?

- Estou meu amor... - ela respondeu e beijou-o no rosto, enquanto ajeitava-se em um dos três banquinhos sobre o palco.

De lá dava para ouvir os gritos de Michael Peters com o set designer, reclamando de sua total falta de consideração com os músicos.

- Jake, vamos passar "The Light" agora,  a Clara  precisa ir para casa descansar, então pessoal, a temperatura está melhor? Tudo funcionando?  - David disse. - Luzes? Telão? Johnny, me traz a acústica de 12...

Enquanto um exército de roadies se mexiam ao redor, deixando tudo pronto, Clara procurava acalmar-se, pensando apenas em sua tarefa. Pegou a mão de Jack e segurou-a firme e quando a música começou a soar, prestou atenção na letra que corria no teleprompter e soltou a voz no microfone a sua frente, tensa, com muito medo de errar e envergonhar seus amigos diante daquele exército de funcionários que tinham parado para vê-los cantar.

- Perfeito! - David sorriu assim que as últimas notas da música soaram, no enorme galpão vazio. - Princesa... eu te amo!

- Ah David... obrigada! - Ela sorriu, levantou-se do banquinho, abraçou e beijou Jack e seguiu para o camarim, não queria que vissem que estava chorando muito, ela seguiu sozinha pelo labirinto de corredores, enquanto ouvia ao longe a Crossroads passando mais uma música, a balada "Song of the Woods", a próxima no setlist do novo show e sua favorita.

Concentrada no que fazia, ela foi até o camarim, pegou sua bolsa, conversou com Peters e pediu a ele para combinar com a equipe médica  os detalhes de sua presença nos bastidores do show na O2, no dia seguinte, também pediu um motorista para levá-la de volta para casa. Por mais que quisesse continuar por lá e acompanhar os ensaios, era melhor para sua saúde que voltasse para casa e descansasse, pois já começava a sentir que suas pernas não estavam mais tão firmes quanto antes.

Da lateral do palco, ela acenou para Jack e foi embora, acompanhando Peters até a limusine, pronta para levá-la para casa. Estava triste,  mas aliviada.

Mal o carro começou a rodar na rodovia que a levaria de volta a Londres, seu celular começou a tocar, era Mick, querendo saber se tudo estava bem.

- Está tudo bem, querido... os rapazes disseram que o ensaio seria muito demorado, então nós passamos a minha música e já estou voltando para casa...

- Vou para casa também, querida... não quero deixá-la sozinha... - Mick disse preocupado.

- Não precisa, querido... vou comer alguma coisa e me deitar, não tem muito que eu possa fazer aqui sozinha, afinal...

- Não, meu amor... eu estou indo para aí... quero cuidar de você...

- Está bem, querido... estarei esperando então...

Assim que chegou em casa, Clara foi até a cozinha e pediu para a cozinheira preparar uma sopa de legumes bem leve para o almoço. Os remédios e o stress de sua condição já começavam a dificultar sua digestão, contribuindo para uma sensação quase permanente de mal estar. Pediu também um filé de salmão grelhado, com molho preparado a parte e uma salada, para que Mick tivesse a chance de alimentar-se bem também.

Pediu também uma boa quantidade de frutas para a sobremesa, seguindo a dieta indicada para ela a risca.

Depois de apenas alguns minutos, Mick chegava em casa, com um vaso com uma bela e rara orquídea nas mãos. - Boa tarde, minha querida... - ele sorriu. - Os rapazes me disseram que sua estufa está quase pronta, resolvi trazer essa pequena contribuição para embelezá-la...

- Que linda! Obrigada, querido... - Clara abraçou-o e beijou-o no rosto, mas ele virou-se e beijou-a na boca, um beijo apaixonado que deixou Clara momentaneamente sem ação.

- Mick, por favor... - ela suspirou.

- Desculpe... não queria deixá-la nervosa... é que eu ainda te amo, sabe?

- Também te amo, querido... mas não quero trair mais o Jack... lembra?

- Está bem, querida... tenho que pedir desculpas não só por isso, não é? Eu não pensei, só me lembrei de repente, que você estaria lá, naquela distância, frágil, emocionada e mandei uma equipe médica para te ajudar, caso tivesse problemas... o Jack ficou irritado comigo... não quis passar por cima dele, nem de ninguém...

- Eu sei, querido... mas o Peters ficou fazendo perguntas... ele ficou nervoso, não quer que o resto do mundo saiba sobre o que está acontecendo nesta casa. 

- Meu amor... eu quero cuidar de você, se pudesse te pegava no colo e ficava aqui, fazendo cada uma de suas vontades... você seria a garota mais mimada de todo o mundo...

- Já sou... - Clara sorriu e acariciou o rosto de Mick.   - Obrigada, querido...

- Eu te amo... - Mick puxou-a para mais perto de seu corpo e mesmo lutando contra as mãos dela que agora o empurravam, ele beijou-a novamente e passou a percorrer com suas mãos suas coxas e a abrir os botões de sua blusa.

- Não Mick... por favor...

- Eu sei que você quer...

- Não podemos, meus empregados... eles podem vir  aqui a qualquer momento... por favor...

- Vamos para o meu quarto então... vem... preciso de você agora... - Mick levantou-se, pegou-a no colo e carregou-a até o quarto improvisado para ele, na sala que ainda aguardava pelos aparelhos e acessórios que a transformariam em uma academia.

No colo de Mick, Clara chorava, mas não conseguia mais ignorar o desejo que sentia de entregar-se novamente àquele amor que a enlouquecia. Dentro do quarto, com as portas trancadas, os dois se amaram e depois descansaram nos braços um do outro.

Ela decidiu que desta vez não contaria nada a Jack sobre o que tinha acontecido, afinal, naquele mesmo dia tinha se recusado a entregar-se a ele, na limusine, rumo ao estúdio onde foram ensaiar e agora estava lá, na cama com Mick.

E se ela era o lado fraco daquele casamento e não conseguia mesmo resistir àquele desejo, era sua obrigação afastar-se e deixar Jack livre para fazer o que quisesse.  Quanto a ela, ficaria nos braços de Mick até que tudo terminasse; não colocava muita fé que aquele relacionamento fosse muito além, de qualquer maneira já conhecia  aquele homem suficientemente para saber que em pouco tempo se cansaria dela e se afastaria de uma vez por todas. 

- Meu amor... você está chorando...

- Me desculpa, querido... não é sua culpa,  isso não devia ter acontecido na primeira vez e eu deixei acontecer novamente... eu acho que devo ir embora, não posso continuar aqui machucando o Jack desse jeito...

- Ele não precisa saber... o que ele não sabe não pode machucá-lo...

- Ah Mick... no meu relacionamento com ele isso não existe... não posso enganá-lo... como te disse, nos conhecemos há muitos séculos...

- Isso não faz sentido, Clara... nenhum... eu sei que vocês acreditam nessa coisa toda, mas eu me sinto tão próximo de você, muito mais  do que ele. Somos perfeitos juntos e nunca me senti assim com ninguém nesse mundo... Já te disse isso... eu me apaixonei por você na primeira vez em que te vi, naquela noite, em Nova York...

- Não sei, Mick... eu ainda não entendo o que acontece comigo... por que eu não consigo resistir a ficar com você? Me desculpa, Mick... você é um homem inteligente, sedutor... me trata muito bem...

- Querida... você está tentando mesmo racionalizar o que está acontecendo aqui... é isso? Porque dói...

- Ah... me desculpa... eu te adoro... mas não entendo porque não consigo dizer não para você...

- Porque você me ama... Porque você sente que sou verdadeiro com você...porque você se sente sexualmente atraída por mim...

- Não sei, Mick...

- Como não sabe? Será que você não pode estar aqui só porque quer estar? Por que precisa ter alguma outra razão?

- Me perdoa... Ah, querido... eu acho que estou enlouquecendo... é que eu amo tanto o Jack que sinto que estou cometendo um crime contra ele, aqui com você... preciso de uma justificativa para isso... ou a culpa vai me matar... entende?

- Não... culpa não, meu amor... sabe... eu te conheço tanto e somos tão próximos, que me esqueço de que você é de outra geração... olha, amor... sei que vocês supervalorizam essa coisa de fidelidade... mas tudo isso é bobagem... eu e o Jack somos muito mais bem resolvidos nessa área...

- Como bobagem? Não importa o que você possa me dizer, estou aqui traindo o meu marido... o homem que eu amo...

- Mas você me ama também... eu sei que ama, seu corpo já me disse...

- Eu te amo sim... mas não posso amar... e isso está me enlouquecendo, entende? - Clara disse começando a chorar novamente.

- Calma... vem aqui, meu amor... - Mick prendeu-a em seus braços. - Descansa... vamos levantar agora, almoçar, andar no jardim e apenas aproveitar a companhia um do outro... está um solzinho tão bom lá fora...

- Está bem... você tem razão... não vou ficar pensando mais nisso... está muito difícil para mim... não deveria me sentir como estou me sentindo...

- E como você está se sentindo?

- Feliz de estar ao seu lado... eu sou uma monstra, não sou?

- Não! - Mick agarrou-a e beijou-a. - Nós nos amamos e isso é sublime... não sinta culpa...

- Vou tentar... - ela sorriu e acariciou Mick. - Vou tomar um banho... Preciso que você me ajude, tenho medo de cair no banheiro...

- Claro, meu amor... vou buscar roupas para você no seu closet, se você quiser...

- Quero sim, querido... vou te esperar aqui...

- Ok... alguma preferência?

- Roupas quentes e confortáveis... vou usar meu par de tênis, que já está aqui...

- Seu desejo é uma ordem, meu amor... já volto... - Mick levantou-se da cama, vestiu um robe de seda ainda mais chamativo e colorido do que aquele que ela  costumava usar e seguiu descalço pelos corredores da casa.

Subiu rapidamente os degraus com medo de ser visto pelos empregados, entrou na suite de Clara, trancou a porta e foi direto até seu closet. Abriu a porta e imediatamente começou a chorar ao sentir o perfume que ela usava em seu dia-a-dia, exalando de suas roupas.

Não resistiu e passou a vasculhar suas gavetas, ficou alguns minutos assim, desconcentrado, em êxtase, somente por estar tocando as delicadas lingeries da mulher que ele amava.

Demorou um pouco, mas Mick secou as lágrimas e  voltou a concentrar-se em sua tarefa; escolheu um belo suéter de lá, calças jeans, meias de lã e delicadas roupas íntimas para ela vestir. Pegou também uma jaqueta de couro e um cachecol, pois sabia que ela, naquele momento, por causa de sua fragilidade,  tinha pouca resistência ao frio.

- Você demorou...

- A culpa é sua...

- Minha?

- Eu comecei a sentir seu perfume e não resisti... me desculpa, fiquei fora de mim, envolvido por você....

- Ah, meu querido... vem aqui, vem... - ela chamou-o para deitar-se novamente ao seu lado, na cama. - Eu não sei por que, mas estou me sentindo em casa, nos seus braços...

- Ah... - Mick suspirou. - Eu sou mais seu do que nunca e estou feliz demais de tê-la aqui nos meus braços novamente... Por favor, não me expulse de sua vida...

- Eu não conseguiria fazer isso agora... acho que terei que deixar o Jack... para o bem dele...

- Não tome atitudes precipitadas, querida... eu sei o quanto vocês dois se amam, não tenho ilusões, sei que você estará sempre ligada a ele... seria devastador, para vocês dois, se vocês se separassem...

- Mas eu não posso continuar casada com ele e pensando em você...

- Mas você não pensa mais nele?

- Penso, claro que penso... ele é meu marido... não nos casamos por acaso... ah... não sei... me ajuda, Mick... eu preciso ter paz...

- Nós três precisamos, querida... e teremos... então... vamos tomar banho?

- Vamos... depois que minhas pernas ficaram assim fracas, não tive mais coragem de tomar banho sozinha...

- Meu amor... vem... você precisa comer também... já estou me sentindo culpado de mantê-la aqui no quarto por tanto tempo...

- Está tudo bem, querido... Vamos... eu pedi um almoço para nós dois... já deve estar pronto...

Mick tomou banho junto com ela e os dois vestiram-se e foram almoçar. Clara tomou seus remédios e sentia-se suficientemente bem para caminhar ao lado do amigo pelo jardim.
Exploraram toda a propriedade e escolheram a sombra de um carvalho centenário cujas folhas caídas tinham produzido um lindo tapete cor de fogo sob seu tronco, onde os dois sentaram-se para conversar.

- O que foi? - Mick perguntou para ela estranhando seu silêncio prolongado. - Você não vai ficar remoendo o que aconteceu hoje e...

- Não, querido... me desculpa... estava pensando naquele casal do afresco do seu castelo... você já tentou descobrir mais sobre eles?

- Não... só sei o que o antigo proprietário costumava dizer para  seus hóspedes... engraçado, mas aquela imagem sempre me perturbou um pouco, mesmo antes de saber a sua história... só decidi mantê-la ali depois de conversar com um amigo meu que trabalha no Louvre. Ele me disse que era um trabalho importante de um pintor italiano renascentista e que eu deveria mandar restaurá-lo. Foi ele quem me indicou o Laurent, que também trabalha para o Louvre...

- Eu até já sonhei com aquela cena, estava sob aquela árvore, com o Jack... cheguei a contar para ele o sonho e ele teve uma crise de ciúmes... você acredita?

- Imagina se ele nos encontra aqui, quando voltar do ensaio... - Mick sorriu. - Acho que nunca teremos paz...

- Eu tenho certeza disso, querido... - ela disse acariciando o rosto dele e suspirando. - Você está me fazendo tão bem, querido... se ao menos o Jack pudesse entender...

- Eu não vou a lugar nenhum, Clara... se estou te ajudando a melhorar, continuarei ao seu lado. O Jack tem que entender isso...

- Você é maravilhoso comigo... e pensar que achava que você estava tentando me seduzir só por ego... sabe? Pela caça...

- Não... eu te vi naquela noite, em Nova York... no camarim do show do Jack e já quis muito falar com você, te conhecer melhor... alguma coisa em você me pegou já naquele momento. Fiquei muito frustrado quando vi vocês se beijando... eu queria muito estar no lugar do Jack...

- Ah, querido... aquele beijo já tinha sido adiado... eu conheci o Jack no saguão do Four Seasons de Manhattan, e ele convidou eu e o meu sócio para almoçar com ele, na suite dele... Eu senti uma enorme atração por ele e vice-versa, mas quando ele tentou me beijar, eu fugi. Fiquei com medo de estragar o trabalho que ele estava me contratando para fazer...

- Mas depois você não teve mais medo?

- Não... acho que sou assim... eu não queria admitir para mim mesma que o desejo que estava sentindo por ele era intenso demais para ser negado...

- Foi amor a primeira vista também...

- É...

- E quando você me viu pela primeira vez? O que você sentiu?

- Ah, Mick... eu fiquei feliz de estar pela primeira vez perto de você... me senti realizando um dos meus sonhos...

- Você sonhava me conhecer?

- Será que todo mundo não sonha?

- Não sei... tem muita gente que se aproxima para me distratar, me agredir...

- Mesmo? Eu sempre amei a sua música, ela sempre me fez bem... eu comecei a ouvir vocês e fiquei curiosa para conhecer o blues e me apaixonei... sempre que vocês passaram pelo Brasil, eu dei um jeito de ir aos shows... e chorei o tempo todo de emoção.

- Ah, meu amor... - Mick abraçou-a e beijou-a. - Você é tão doce, tão linda... e agora está ficando um pouquinho gelada... acho que está na hora de entrarmos... está ficando muito frio aqui fora.

- Está bem, querido... vem... vou fazer um capuccino para nós dois... - ela disse apoiando-se no tronco da árvore para levantar-se do chão.

- Você está bem mesmo hoje, não?

- Culpa sua... - Clara sorriu, abraçando-o. - Você é o meu melhor remédio...

- Vamos voltar para o meu quarto, vem amor... - Mick sussurrou no ouvido dela.

- Não posso... vem comigo até a cozinha... me ajuda com os capuccinos...

- Ainda tem daqueles chocolates?

- Claro, amor... eu tenho várias caixas na minha dispensa... os empregados mantém meu estoque sempre abastecido... eu adoro esse chocolate...

- Eu também... - Mick sorriu. - Adoro o chocolate e a sua doçura, querida...

- Estou me sentindo tão bem agora, que estou com medo de tudo ser um sonho, Mick...

- Se você viesse comigo para o meu quarto eu te daria mais uma razão para sonhar...

- Ah, querido... - Clara suspirou. - Sempre sedutor... você sabe que não podemos, que o Jack pode chegar aqui a qualquer momento...

- Será que ele não te ligou?

- Acho que não... - ela disse carregando a bandeja com os dois capuccinos e uma caixa de chocolates até a sala de estar, seguida de perto por Mick. - Vou dar uma olhada no meu celular, está na sala de estar, na minha bolsa... Hum... parece que ele esqueceu que eu existo... nenhuma ligação, de ninguém...

- Você seria capaz de deixá-lo? Se ele te esquecesse... eu quero dizer... - Mick perguntou depois de tomar um gole do capuccino quente e espumante em sua xícara.

- Acho que não... mas hoje estou fazendo questão de não pensar em nada... desculpa... não tenho uma resposta para sua pergunta. Não agora...

- Uau! - Mick comemorou. - Acho que hoje eu consegui balançar suas estruturas mesmo... até ontem você começaria a chorar e diria que não consegue viver sem ele...

- Mas ainda acho que não consigo... eu o amo há muito tempo...

- Mas ele não faz bem para você...

- Faz sim...

- Mas eu sinto aqui dentro que um dia desses, você vai deixar tudo isso para trás e ficar comigo para sempre...

- Ah Mick... por favor... estou  aqui, lutando para manter a culpa longe e você vem me dizer isso...

- Me desculpa... não tive essa intenção...

- Nós podemos conviver bem... mas eu preciso que você me ajude... Me apóie...

- Meu amor, sou seu... inteiramente seu, ok? Não estou querendo forçar nada, aceito tudo o que você decidir... só me deixa ficar perto de você...

- Está bem, querido... estou me sentindo estranha hoje... quando fui para o seu quarto, achei que passaria o resto do dia chorando, deprimida... e o seu carinho me deu forças.

- Fico feliz em poder te ajudar, meu amor... de verdade... - Mick abraçou-a e beijou-a no rosto.

O mordomo Bradley pediu licença e interrompeu a conversa dos dois: - Senhora Noble, o senhor Jean Paul está na porta...

- Ah por favor, Bradley mande-o entrar... Nossa! Ele foi rápido... Mick, querido... você se importa de ir para seu quarto? Tenho medo que ele comente sobre a sua presença aqui e... você sabe...

- Claro, meu amor... tem razão... não podemos confiar em ninguém... - ele disse beijando-a na mão e começando a caminhar.

- Espera... - ela puxou-o,  beijou sua boca e entregou a ele a caixa de chocolates. - Leva o chocolate com você...

- Obrigado, amor... - Mick sorriu e seguiu para seu quarto. - Depois você me mostra como ficou seu figurino?

- Claro, querido...

Clara foi para a porta da casa e recebeu Jean Paul sozinha. Subiu com ele para seu quarto e experimentou o vestido na frente dos espelhos do closet, constatando que estava perfeitamente ajustado às suas novas medidas. Rapidamente, ela pegou os figurinos das mãos de Jean Paul, tentando evitar responder suas muitas perguntas.

- Pronto, querida... perfeito... não disse? Você está deslumbrante...

- Obrigada, Jean Paul...

- Aliás...  parece que você já melhorou bastante, desde hoje de manhã...

- Você acha? Estou tomando tantos remédios... acho que em algum momento eles têm que começar a fazer efeito, não?

- Não, querida... é uma coisa de pele, você estava apagadinha hoje cedo e agora está radiante...

- Estou? - Ela sorriu olhando-se no espelho mais uma vez. Concordava completamente com o diagnóstico do estilista, estava em um daqueles momentos em que sentia-se capaz de brilhar no escuro e saltar entre as nuvens, mas não tinha qualquer intenção de deixá-lo saber que a verdadeira razão para aquela melhora, estava naquele momento em um quarto improvisado, no primeiro andar da casa, muito provavelmente devorando uma caixa de chocolates.

- Bem querida... vou voltar ao meu hotel e terminar meu trabalho... trouxe esses dois para evitar imprevistos com o show de amanhã, mas ainda preciso terminar todos os outros... acredito que os entregarei a tempo do segundo show da O2; depois de amanhã, à tarde, eu os trarei pessoalmente...

- Obrigada querido... não sei o que seria de mim, sem você... - ela sorriu. Aliás, agora, era o que ela queria fazer, comemorando o retorno da força a seus braços e pernas, depois de dias de mal estar.

Clara pediu que Jean Paul descesse, enquanto ela se trocava novamente de roupa, descendo em seguida a escadaria de sua casa, com uma firmeza que não tinha há muito tempo. Quando Jean Paul disse que estava com pressa e que precisava ir embora, ela deu ordens a Bradley para conseguir um taxi para ele e despachou-o rapidamente de volta ao hotel.

Assim que ele se foi, ela caminhou até o quarto de Mick e encontrou-o estendido na cama, de olho na tela de seu tablet. - Já? - ele disse sorrindo.

- Já, meu amor... então... quer ver como ficou meu figurino? - ela perguntou para ele aproximando-se da cama e estendendo a mão.

- Acho que preferia te ver nua, mais uma vez... - ele sorriu e puxou-a para cima da cama, tirando seu sueter, beijando seus seios, enquanto acariciava todo seu corpo.

- Mick... não podemos... meu marido pode chegar a qualquer momento... quero poupá-lo, lembra?

- Ah, meu amor... me perdoa... mas você está tão linda, que é difícil resistir... como esse chocolate maravilhoso...

- Desculpa, querido... mas não quero arriscar mais meu casamento...

- Eu sei... vamos lá para a sala? Acho que está na hora de comer mais um lanchinho e tomar mais um remédio...

- Está bem, querido... - ela sorriu. - obrigada por ser compreensivo...

- Já te disse que sou seu... estou aqui para te ajudar...

Os dois foram direto para a cozinha onde verificaram como estavam os preparativos para o jantar e eles mesmos prepararam sanduíches com coisas que encontraram na geladeira e os comeram, sob os olhos atentos da velha senhora Hammer que parecia não entender muito bem o que estava acontecendo naquela casa, na ausência do senhor Noble.

- Senhora Noble, está tudo bem encaminhado para o jantar, só não sei ainda a que horas, ele deve ser servido... 

- Não sei, senhora Hammer... os nossos convidados ainda não me disseram a que horas irão chegar, nem meu marido... mas vou telefonar para eles daqui a pouco e já teremos uma ideia... ok?

- Ok, senhora Noble... o senhor e a senhora Benning estão voltando para cá também?

- Não... eles continuarão hospedados no hotel. Quem está chegando são meus pais, minha irmã e meus dois amigos... estaremos em oito pessoas nesta noite, senhora Hammer...

- Está bem, senhora... vou então aguardar para saber o horário do jantar...

- Obrigada... vou só terminar meu lanche e já providencio isso... - Clara sorriu.

Assim que acabaram de comer, Clara e Mick seguiram para a sala de estar e ela pegou seu celular e ligou primeiro para Jack, que estava com seu celular desligado e depois para Jonas que disse que já estava na estrada e chegaria em Londres em aproximadamente duas horas, pelos cálculos de Khaled. Depois de desligar o telefone, Clara deu um longo suspiro.

- Fico tão chateada quando não consigo falar com o Jack... - ela disse deitando sua cabeça no ombro de Mick.

- Calma, amor... vou ver se dou um jeito nisso para você... - ele disse pegando seu celular e ligando para Michael Peters.

- Oi Peters, aqui é o Mick Jagger, tudo bem?

- Tudo... a que devo a honra?

- O Jack Noble está com você?

- Não... o sound-check já terminou há algumas horas e ele foi embora com os rapazes... por que?

- Preciso falar com ele... será que você tem como pedir a ele para me ligar?

- Ok... vou ver o que posso fazer... 

- Obrigado...

Mick desligou o celular e imediatamente ligou para David Mersey.

- Mersey? Mick, querido, como foi o ensaio?

- Perfeito,  Mick, meu velho e aí,  como estão as coisas?

- Muito bem... o Jack Noble está por aí? Tentei ligar no celular dele, mas está desligado...

- O Velhão? Ele não está mais aqui... viemos comemorar o ensaio e ele destruiu o estoque do pub...  mandamos ele de volta para casa, no carro dele, mas com nosso motorista, já deve estar chegando por aí a essa hora...

- Obrigado, Dave... nos vemos amanhã...

- Com certeza, amigo... sabe que nós todos te amamos, cara! Você é muito importante para nós!

- Obrigado amigo! Eu também amo vocês!  Até amanhã! Beijo!

- Beijo!

- Então? - Clara perguntou ansiosa.

- O Jack está vindo para casa... mas pelo que o Dave disse, você não vai gostar...

- O que houve?

- Ele tomou todas no pub... e tem um motorista trazendo ele e o carro para casa...

- Droga! A culpa é minha!

- Não, meu amor... não se culpe... - Mick abraçou-a. - Fica tranquila, isso faz parte, já fiz isso muitas vezes... tenho certeza que não é sobre você... eu sempre bebia para comemorar quando tudo dava certo no ensaio ou para esquecer quando dava errado... enfim... eles saíram para comemorar e todo mundo encheu a cara... O Mersey também está bebado...

- Eu sei... ah, meu amor... obrigada por estar aqui, ao meu lado...

- Ah, querida... você vai precisar me trancar para fora, se quiser me ver longe... eu te amo...

- Também te amo... - ela sorriu e beijou-o. Lágrimas começaram a correr de seus olhos e ele passou a secá-las com seus dedos.

- Não chora, meu amor... tudo vai dar certo... tenho certeza...

Os dois ainda estavam abraçados no sofá quando o carro de Jack, conduzido por um motorista que trabalhava para a banda estacionou na porta da frente da casa. Clara e Mick foram a seu encontro e o ajudaram a descer do carro.

- Amor... vem... vamos entrar... está muito frio agora... - Clara disse para Jack, abraçando-o e levando-o para dentro, enquanto Mick pegava a chave do carro com o motorista e dava-lhe algum dinheiro para o taxi de volta.

- Querida... estou com saudades de você.... - Jack disse agarrando-a. - Vamos lá para o quarto... precisamos compensar o tempo perdido...

- Vamos, meu amor...

- Clara... vou colocar o carro na garagem... - Mick disse, enquanto os dois caminhavam até a porta.

- Oh, Mick, meu velho... - Jack voltou para cumprimentar Mick, beijando-o no rosto. - Obrigado por cuidar da minha mulher... você é um cara bacana... eu só fico irritado  quando você transa com a minha mulher, mas tudo bem... eu gosto de você assim mesmo... só não leva minha mulher embora...

- Não vou levar, amigo...

- Obrigado... - ele disse abraçando Mick e começando a chorar. - Sabe... eu preciso dela... é a única coisa que me mantem vivo... a minha ninfa... eu demorei muito para encontrá-la...

- Eu sei, Jack... vem... vamos lá dentro, está muito frio aqui fora... fica tranquilo, a Clara não vai a lugar nenhum...

- Vem meu amor... você precisa descansar... vamos para dentro... - Clara disse puxando-o pela mão.

- Por que você me traiu? - Jack pegou Clara pelos braços e chacoalhou-a com força.

- Querido... você está me machucando...

- Jack... por favor... solte-a. - Mick disse empurrando-o com força, mas sem conseguir libertá-la. - Você vai machucar a Clara...

- Mas eu preciso que ela me explique... Me diz, por que você tinha que fazer isso?

Clara em prantos desesperada, apenas tentava soltar-se dele. - Me solta... por favor... você está me machucando... - Ela empurrou-o novamente e o esforço e desespero da situação fizeram-na desmaiar em suas mãos.

Continua

23 de fev de 2013

Rockstar - Capítulo CXVII


Quando a limusine que ia levá-los aos Estúdios Shepperton chegou, os dois já aguardavam prontos na sala de estar. Mick também já de volta de seus exercícios, tinha tomado banho e saído para trabalhar em seu escritório.

Com tudo que precisavam já embalado e em suas mãos; eles caminharam abraçados até o carro e prontos para a longa viagem, de pouco mais de uma hora que os separava do lugar, no meio da semana, com o costumeiro trânsito pesado da cidade.

Como eles não precisavam de mais stress, Jack e Clara apenas relaxaram nos braços um do outro, enquanto atravessavam lentamente o mar de carros quase parados até seu destino.

- Ah, amor... - Clara suspirou. - Não vamos chegar nunca...

- Vamos sim, querida... fica tranquila e descansa em mim... não quero que você se desgaste por nada nesse mundo... só fica aqui comigo... não é tão ruim assim, é?

- De jeito nenhum, meu amor... você é a melhor coisa da minha vida... estou me sentindo tão bem hoje, aqui... com você... - ela disse acariciando a barba de Jack, que imediatamente puxou-a para seu colo.

- Eu sei que o médico não quer que você se canse, mas...

- Jack... eu também quero, mas você ainda não pode e eu... acho que não consigo... fico cansada só de ficar em pé por mais de cinco minutos... não quero piorar nossa situação, amor...

- Eu sei... me perdoa, tenta descansar Menininha, logo você estará bem novamente...

- Me perdoa,  eu só quero te ver feliz, Grandão...

- Tenho certeza disso, meu amor...

O carro chegou apenas quinze minutos depois do horário combinado, mas nem Jack, nem Clara se preocupavam mais com isso. A melhor parte foi que quando chegaram, descobriram que Michael Silver ainda estava preso no trânsito e podiam relaxar no camarim preparado para eles junto com David e Cindy, os primeiros a chegar naquela manhã gelada.

- Princesa! Como você está se sentindo hoje? - David perguntou ao vê-la entrar  com Jack.

- Bom dia, queridos! - ela sorriu. - Estou me recuperando, Dave...

- Está linda, como sempre, querida... - David disse beijando sua mão. - Ela não está linda, Cindy?

- Está sim... bom dia, amiga... então... como vocês estão?

- Bem... - Clara sorriu. - Já me sinto melhor... ansiosa pelo show de amanhã,  mas muito feliz de ter essa chance de subir no mesmo palco que a Crossroads... é um sonho que eu nem sabia que tinha... mas que agora está aquecendo meu coração como nada...

- Querida... você vai precisar amanhã de maquiagem a prova d'água, não? - Cindy aproximou-se de Clara para oferecer-lhe lenços de papel, pois ela já tinha começado a chorar.

Jack agarrou-a e sentou-a em seu colo, no sofá, envolvendo-a carinhosamente com seus braços até que as lágrimas terminassem. 

- Desculpem... estou muito emotiva nestes últimos dias. Já estou com pena do Jack, ele passa metade do  dia cuidando de mim e a outra metade, me fazendo parar de chorar...

- Ah, Menininha... eu amo cuidar de você... - Jack sorriu e beijou-a no rosto.

- Achei que o Mick Jagger estaria por aqui também... - David disse, irritando Jack sem querer.

- Não... ele foi cuidar dos negócios hoje, para ter o dia de amanhã livre... - Clara respondeu, levantando-se do colo de Jack. - Acho que preciso comer alguma coisa, estou começando a ficar tonta...

- Vou pegar um sanduiche para você.... fica aqui, bem quietinha...

Jack foi até a mesa, encheu um copo com suco de laranja e preparou para ela um sanduíche com fatias de presunto e queijo, que encontrou na grande mesa que tinha um brunch completo para eles. A pedido de Jack a mesa tinha até croissants de chocolate encomendados diretamente do café parisiense favorito deles. 

- Olha amor... eu pedi os nossos croissants de chocolate e eles trouxeram...

- Mas o papel... que delícia, amor... vai me dizer que eles vieram daquele lugar perto do hotel?

- São... eu pedi... estão quentinhos... você quer?

- Claro, meu amor...

Enquanto todos aproveitavam as guloseimas à sua disposição, David pegou um croissant e foi direto ao palco para saber como estavam as coisas e conversar um pouco com Paul Clarke, o baterista contratado para tocar com eles nos shows, mas voltou rápido ao camarim porque ainda estava com fome.

- Vem amor... tem outro comprimido aqui para você tomar...

- São tantos remédios... - Cindy olhou penalizada para a amiga, que agora estava deitada no sofá, para recuperar-se.

- O que aconteceu com a Princesa, Jack?

- Ela está com um pouco de tontura, cansou-se... - Jack disse, sentando-se ao lado dela e acariciando seus cabelos. - Como estão as coisas lá fora?

- Já está tudo pronto, queria que você viesse comigo dar uma olhada... - David disse um tanto contrariado pela atenção que ele dava a esposa. - Vamos lá, Velhão? A Cindy cuida da Princesa... se tiver qualquer problema ela nos chama, ok?

- Vai amor... - Mesmo tonta, Clara sentou-se no sofá para incentivá-lo.- Já estou melhor...

Jack puxou-a mais uma vez para seu colo e beijou-a. - Eu te amo! Qualquer problema você me chama, ok Cindy?

- Não se preocupe... ela está bem... - Cindy sorriu. - Vai trabalhar, Jack...

Jack e David seguiram por corredores até o enorme galpão dos estúdios, onde normalmente se rodavam filmes. O palco que estava montado ali era o terceiro, dos quatro encomendados pela banda a uma grande empresa que costumava atender as solicitações de estruturas para shows grandiosos de artistas como Madonna e U2.

Um pouco menos complicado, mas igualmente grandioso, o palco da turnê "Forever" da banda Crossroads era dominado por um imenso telão de led que além de servir como cenário, facilitaria a vida dos fãs, nas apresentações nos grandes estádios e arenas, ele permitiria que seus ídolos fossem vistos em detalhes, pois era ainda maior do que a dos cinemas.
Trinta anos mais velhos do que no momento em que a banda se desfez, mas ainda com o mesmo talento musical de antes, reconhecido facilmente no novo repertório do álbum "Forever", um disco carregado de emoções fortes e marcado pela alegria dos reencontros, entre os membros da banda, entre eles e sua música e principalmente entre dois amantes que se conheciam há séculos.

- Espera, acho que seu celular está tocando.... - Cindy disse pegando a bolsa de Clara e levando-a até ela no sofá.

- É o Mick! - Clara disse ao pegar o aparelho. - Alô!

- Oi querida... como você está se sentindo... estou aqui resolvendo umas coisas, mas não consigo parar de pensar em você...

- Estou melhor, querido... descansando um pouco no camarim... daqui a pouco vou conhecer o palco...

- O Jack está aí com você?

- Não... ele foi dar uma olhada nos equipamentos... eles estão esperando o Silver chegar, parece que ele está preso no trânsito...

- O Laurent me mandou mais fotos do quadro... está quase pronto... está tão lindo, meu amor... vou mandá-las para você...

- Obrigada, querido... aliás, queria agradecer tudo o que você tem feito por mim e pelo Jack nestes últimos dias...

- Ah, meu amor... é tão bom estar perto de você, que até me esqueço que o Jack tem ciúmes... e que você ainda é casada com ele...

- Mick, eu te amo... mas  precisamos tomar cuidado... Não posso permitir que ele se machuque...

- Está bem, meu amor... o que você quiser, como você quiser... Daqui a pouco estarei com vocês... seus pais já te ligaram?

- Não... o Jonas certamente está cuidando deles para me poupar.... o Jack diz que não fez nada disso, mas sei que ele os está mantendo quietos para que eu não precise me preocupar...

- O Jack faz qualquer coisa por você Clara, até aceitar a minha presença na casa de vocês... Nunca duvide do amor dele...

- Nunca duvidei... me desculpa te dizer isso, mas eu o amo muito... talvez mais do que amo a mim mesma....

- Eu sei, querida... não precisa desculpar-se por isso... eu sei que ainda sou o bandido dessa história de vocês, mas me apaixonei por você... e te amo o bastante para aceitar que vocês continuem juntos, para me contentar em apenas estar perto de você, em te ajudar a ficar bem... em poder dividir um momento de alegria como o que nós tivemos na noite passada... te ouvir cantando a minha música, foi lindo para mim...

- Ah, Mick.... queria tanto poder te ajudar... eu te amo... mas preciso me recuperar, esquecer do que estou sentindo por enquanto... pelo menos até me sentir melhor, ter condições de pensar com calma, sem desespero... - Clara já chorava muito naquele instante. Cindy, que a observava de longe resolveu que era o momento de interferir.

- Clara, querida... chega... me entrega seu celular, por favor...

- Mick, me desculpa... a Cindy está me pedindo o celular...

- Desculpa, não queria te deixar nervosa...

- Mick, por favor... ela precisa descansar... não a deixe nervosa... vou desligar agora e tentar ajudá-la...

- Cindy... me perdoa... não queria deixá-la nervosa... eu a amo muito...

- Eu sei, querido... vou desligar agora, depois vocês conversam... mas eu gostaria de te pedir para  não deixá-la mais assim nervosa... está bem?

- Está... cuida dela por favor... diga que mandei um beijo para ela... tchau...

- Tchau, querido... - Cindy desligou o celular de Clara e colocou-o novamente em sua bolsa.

- Clara, querida... toma mais um copo de suco... - Cindy levou até ela um copo de suco de laranja. - Calma agora...

- Estou bem, Cindy... - ela disse secando as lágrimas e pegando o copo de suco. - A minha situação continua horrível... eu amo o Mick... mas não posso amar porque também amo o Jack... a minha cabeça fica muito confusa... e meu coração, muito triste, dolorido...

- Mas você acha mesmo que deve ficar com os dois? Quero dizer... transar com os dois, viver com eles... tipo, dois maridos...

- Eu não sei... sinto vontade de beijar o Mick... eu o adoro... mas não consigo achar certo um casamento a três... e isso está me matando...

- Calma... tenta relaxar e faça um favor para você mesma... não pense em nada... você não precisa resolver nada agora, os dois estão a sua disposição, descansa nos braços dos dois... e quando estiver melhor, senta com eles e conversa... mas melhora primeiro... você está muito frágil ainda para ficar se torturando assim...

- Eu sei... o Jean Paul, hoje cedo, não conseguiu esconder a cara de aflição, quando me viu... eu fiquei muito triste... da outra vez também foi assim... as pessoas me olhavam e queriam chorar, mas saiam de perto e disfarçavam para que eu não visse.

- Então, querida... simplifica sua vida... se acalma... agora é hora de descansar e recuperar-se, depois, você vai encontrar um jeito de seguir em frente, de ser feliz, com ou sem eles...

- Eu quero muito acreditar nisso... mas estou tão perdida... engraçado, mas quando comecei a namorar com o Jack achei que tudo na minha vida estava resolvido... nunca pensei que fosse me sentir triste de novo...e agora...

- Querida... esquece disso por enquanto, ou seu marido vai me matar porque eu deveria cuidar para te manter bem...

- Vou me acalmar... - Clara disse levantando-se do sofá e indo novamente até o bufet. - Quer um croissant de chocolate?

- Quero sim... - Cindy sorriu. - Esses croissants são maravilhosos... e Deus sabe que preciso de muito chocolate hoje...

- Por que?

- Com o show chegando, mal tenho visto o David... desde que chegamos de Nova York, me sinto isolada  naquela casa... passei o dia de ontem inteiro na minha estufa...

- Eu sinto muito... mas deixa passar a estreia, acho que tudo vai se acalmar um pouco depois dela...

- Isso é o que eu espero... estou muito chateada, gosto muito do David, não quero perdê-lo...

- Não vai, querida... eu sei que ele te ama... vi isso nos olhos dele, no outro dia,  em Nova York, quando estava preocupado por não conseguir falar com você...

- Boa noite, amigas! - Jennifer disse sorrindo ao abrir a porta. - Londres não é uma cidade linda? Se já está assim agora, imagina durante a Olimpíada, no ano que vem?

- Ah... tudo vai dar certo... - Clara sorriu. - Vem até aqui pegar um desses croissants de chocolate e tudo vai melhorar!

- Deus sabe que depois desse trânsito, eu preciso deles... - Jennifer riu, deixando sua bolsa sobre o sofá, beijou suas amigas e foi até o bufet pegar um croissant. - Deus... é do Saint Ettienne?

- É... o Jack pediu para a produção e eles trouxeram... está uma delícia...

- Ser casada com um rockstar tem que ter alguma vantagem... - Cindy sorriu, tentando distanciar-se agora de seus problemas. - Isso é bom demais...

- Ah... Jenni... preciso te agradecer...

- Me agradecer? Por que, querida?

- Você ajudou o Jack a encomendar aquele colar lindo na Tiffany's... eu amei!

- Ah! Pobrezinho... a ideia dele era muito boa, mas ele se enrolou tanto para explicar... eu só fui lá servir de tradutora... - Jennifer sorriu. - Você está com ele aí? Não vi como ficou...

- Estou... fiz questão de trazer para mostrar para vocês... Olha só que lindo... - Clara mostrou a gargantilha para suas amigas que ficaram encantadas com a beleza e a delicadeza da jóia.

- Lindo! O Jack daria um bom designer de jóias, Clara... ele tem umas ideias ótimas... só não sabe explicar direito o que quer... de resto, ele tem muito bom gosto...

- Falo sempre isso para ele, mas cada vez que ele me dá um presente ele se desculpa, diz que se não for do meu gosto, eu posso pedir para trocar... ah, ele é tão lindo...- Clara suspirou.

- É... você tem muita sorte... o Mike nem me dá mais presentes...

- Eu amo meu marido... gostaria muito de conseguir fazê-lo feliz como ele merece...

- E o Mick?

- Ele fez músicas lindas para eu gravar... estou cada vez mais apaixonada...

- Ele te ama muito... sabia que ele me ligou hoje cedo me pedindo para ajudar o Jack a cuidar de você?

- Ah! - Clara suspirou. - Ele é muito doce...

- Querida... melhor não pensar nisso agora... - Cindy disse aproximando-se dela e abraçando-a. - Calma... logo tudo vai melhorar...

- Por que? O que houve? - Jennifer perguntou a Clara ainda sem entender o que estava acontecendo.

- Nada... eu estava conversando com o Mick e eu estou me sentindo tão impotente para resolver essa situação, que comecei a chorar... a Cindy me pediu para desligar... quero ligar para ele de novo... dizer que está tudo bem...

- Não precisa fazer isso... - Cindy disse preocupada.

- Só vou dizer que está tudo bem... - ela pegou o celular para ligar para ele.

- Querida... não faça isso... ele está tranquilo... - Cindy disse, pegando o celular das mãos de Clara. - O Jack me pediu para cuidar de você, por favor, tenta me ajudar, você conversa com ele mais tarde, na sua casa...

- Está bem... acho que você tem razão... eu preciso me reequilibrar... estou tão cansada...

- Então, querida... relaxa... - Jennifer disse abraçando-a, pois mais uma vez ela começava a chorar.

- Tem champagne aqui na mesa... - Cindy disse pegando uma garrafa. - Querida... bebe um pouco...

- Estou tomando remédio, não devo beber... - ela respondeu procurando lenços de papel em sua bolsa, para secar o rosto. - Desculpem... sei que não estou sendo a pessoa mais agradável do mundo para se conviver neste momento...

- Querida... você vai ficar bem... tenho certeza disso... - Jennifer disse puxando-a pela mão para sentar-se novamente no sofá.

- Clara, meu amor... o que aconteceu? - Jack disse assim que entrou no camarim e a viu ainda chorando. - Queridas, vocês podem nos dar um minuto por favor? O ensaio já vai começar e eu preciso conversar com a Clara...

- Claro... vamos Jenni... eu sei chegar no palco... - Cindy disse puxando Jennifer pela mão. - Vamos guardar lugar para você querida...

- Obrigada...

- Estou preocupado com você, meu amor... você não está bem...

- Estou lutando muito para melhorar, querido... muito... - ela disse limpando as lágrimas. - Olha, meu amor... eu queria te explicar...

- Não precisa me explicar nada... quando ele está por perto, você melhora, quando se afasta... só chora... você deveria estar com ele...

- Não! Você entendeu errado...

- Não tem o que entender errado... está claro... no final do dia ele volta para casa e você melhora... até lá... eu só preciso que você nos ajude a passar o som...

- Jack... não faz isso...

- O que eu estou fazendo? Você quer  ficar com ele... - Tentando controlar-se com todas as forças, Jack secou as lágrimas que teimavam em aparecer. - Querida... me perdoa, eu custei a entender isso... vou deixar o caminho livre para vocês...

- Não Jack! Por favor.... eu... eu estou me sentindo perdida, mas não porque não te amo... estou assim porque sei que estou te magoando e por mais que eu lute comigo mesma, não consigo me livrar do que sinto... estou lutando muito para arrancar o que sinto por ele de dentro do meu coração...

- Eu sei... querida... calma... vamos resolver isso juntos... você vai me prometer que vai relaxar e seguir aquilo que seu coração mandar... não quero te ver mais assim, triste, chorando pelos cantos... estou aqui para te fazer feliz... eu quero ter você comigo, mas se isso está te machucando...

- Não está... o que me dói mais é saber que você está tão magoado e não poder fazer nada para consertar o que eu fiz... eu te traí...

- Amor... o que eu faço para que você entenda que eu já superei isso? Doeu sim, mas já passou.... A única coisa que está me machucando agora é te ver assim... eu já te disse que estou disposto a qualquer coisa para te ver novamente saudável... me diz... o que te falta? Por que você chora o tempo todo?

- Não sei... - Clara disse escondendo seu rosto no peito de Jack. - Eu não sei.... eu só sei que dói... por isso eu choro... porque não consigo fugir dessa dor...

- Eu sentiria essa dor por você, se pudesse... você sabe disso... como não posso... o que eu posso fazer por você? Você quer ficar com ele? Me diz... o que eu posso fazer para te ajudar? - ele perguntou já desesperado.

Ela não disse nada, apenas agarrou-se a ele e beijou-o, apaixonadamente e ele  pegou-a em seu colo e deitou-se com ela no sofá do camarim, quase sufocando-a com seu peso sobre seu corpo agora tão fragilizado.

Continua

16 de fev de 2013

Rockstar - Capítulo CXVI

Por terem pouco tempo livre naquele dia, tudo teria que começar muito cedo, assim, Jack e Clara acordaram às 6 da manhã para receber uma enfermeira da equipe do doutor Pat Lanee que foi colher sangue para exames.

Assim que ela se foi, os dois foram tomar café da manhã e encontraram Mick Jagger já na mesa, pronto para sair para uma corrida pelo parque. Estava bem disposto e usando discretas roupas esportivas. Mas não sairia sozinho, por isso, um personal trainer que também serviria de segurança, já esperava por ele na sala de estar.

- Bom dia, sir e lady Noble... tomei a liberdade de chamar meu personal trainer para me acompanhar em alguns exercícios pelo parque, espero que isso não os incomode...

- Imagina, querido... - Clara sorriu. - bom dia...

- Bom dia, sir Jagger... - Jack sorriu. - Faz muito bem, Deus sabe que eu também deveria fazer algo desse tipo, mas neste momento isto seria impossível...

- Como você se sente hoje, querida? - Mick perguntou ao vê-la com um novo esparadrapo preso ao braço.

- Vieram colher meu sangue aqui, hoje cedo, querido... estou me sentindo melhor... acho que  sua música e os remédios do doutor Lanee estão fazendo efeito.

- Aliás, obrigado pela música, Mick... - Jack sorriu. - Achei que precisaria de muito convencimento hoje para levá-la comigo ao ensaio geral, mas sua música parece ter feito o truque...

- Tenho mais músicas para ela... essa de ontem é só minha... acho que o Keith vai ficar mordido se vocês gostarem mais dessa do que das outras que fizemos juntos...

- Querida, esqueci de te dizer, o seu cabelereiro vai te arrumar amanhã... o Peters já acertou tudo com ele... não era para te dizer, mas tem um camarim inteiro só para você lá na O2...

- Que lindo! Obrigada, vocês sempre me surpreendem... - Clara sorriu.

- Você merece... é uma estrela... - Mick sorriu. - Além do mais, não sei quanto a esses caras, mas o camarim dos Stones nunca foi exatamente um lugar para damas...

- Você virá conosco ao ensaio hoje? - Clara perguntou.

- Não, querida... quero deixá-los a vontade... vou correr um pouco, depois volto para cá, tomo um banho e vou ao escritório resolver algumas coisas... Acho que volto só no final do dia...

- Ótimo... - Jack sorriu. - Mas precisamos de você à noite porque teremos casa cheia de novo... e você vai me ajudar a cuidar para que a Clara não se canse muito...

- Sim... vamos te manter calminha... - Mick sorriu. - Fica tranquila porque eu volto cedo para cuidar de você...

- E amanhã?

- Amanhã estarei a disposição de vocês o dia todo... quero que  seja um dia inesquecível para vocês dois...

- Obrigada, querido... - Clara sorriu e mandou um beijo para Mick.

- Então, está bem... - Jack disse com uma dose de irritação na voz que não passou despercebida.

Em poucos minutos, Mick saiu com seu personal trainer para exercitar-se e Clara recebeu Jean Paul que não disse nada, mas ficou bastante impressionado com sua magreza. A ideia é que ele levasse todos os figurinos com ele, para ajustar, mas para evitar ter que mudá-los novamente mais tarde, caso ela voltasse a recuperar o peso que perdeu, apenas uma parte deles seriam apertados por enquanto.

- Desculpe, Jean Paul, mas por favor não comente nada sobre o emagrecimento dela com ninguém...

- O que aconteceu? Ela está parecendo doente... é anorexia?

- Não... é a anemia dela... está se tratando, mas está muito fraca porque perdeu muito peso desta vez...

- Pobrezinha...

- Estamos tratando, mas o médico já disse que ela pode emagrecer ainda mais antes de começar a responder ao tratamento...

- Pode contar com minha discrição senhor Noble... gosto muito dela para sair espalhando uma coisa dessas por aí... e pode ter certeza que estarei orando para que ela se recupere logo...

- Obrigado... estou muito preocupado, amanhã ela subirá no palco conosco e o que mais me dá medo são os comentários que virão depois e o que terei que fazer para mantê-la longe deles...

- Ela é uma flor tão delicada... tão frágil...

- É... e eu já sei que as pessoas irão comentar e deixá-la ainda mais preocupada do que já está...

- Mas se a participação dela for cancelada, acho que as pessoas falarão ainda mais...

- Estou muito preocupado com isso também... se ela não fizer o show, as pessoas acharão que está morrendo...

- Pode ter certeza que eu estou do lado de vocês... Vou fazer um vestido novo lindo para alegrá-la... - Jean Paul sorriu assim que a viu descendo as escadas,  vindo na direção dos dois.

- Querida... eu pedi para você esperar, não queria que você descesse sozinha... - Jack disse aflito ao vê-la descendo lentamente, segurando-se no corrimão das escadas.

- Estou bem, querido... - ela sorriu. - Então, Jean Paul quando você vai nos entregar os figurinos? Estou aflita porque amanhã é a estreia...

- Fica tranquila, querida... vou entregar os três primeiros ainda hoje, no final do dia... estou aqui para resolver todos os seus problemas... e estou louco para vê-la brilhando como uma estrela naquele palco amanhã...

- Obrigada, querido... - Clara sorriu, mas concentrou-se ao máximo para conseguir caminhar sem tropeçar até o estilista e abraçá-lo.

- Você está linda, querida... - ele sorriu.

- Ela é linda, Jean Paul... - Jack aproximou-se dela e a abraçou, sentiu que ela já estava com alguma dificuldade de ficar de pé sozinha e por isso foi apoiá-la.

- Bem, meus caros... vou voltar ao hotel e trabalhar... sei que vocês terão um dia cheio hoje e não quero mais ficar aqui tomando seu tempo... - Jean Paul sorriu. - No final do dia nos vemos novamente, faço questão de trazer seus figurinos pessoalmente.

- Obrigada, querido...

- Amor, fica aqui dentro porque lá fora está muito frio e você precisa preservar sua voz para amanhã... eu acompanho o Jean Paul...

- Ok, amor... - ela disse suspirando e caminhando lentamente até a sala de estar, onde sentou-se no sofá.

Jack levou Jean Paul até a rua para pegar um taxi e voltou correndo para dentro. Estava muito preocupado com Clara, mas encontrou-a tranquila, sentada no sofá, esperando por ele.

- Você está bem, meu amor?

- Estou, querido... mas minhas pernas ainda não estão ajudando muito... fiquei com medo de cair na frente dele....

- Como você está se sentindo?

- Melhor que ontem, o Dr Lanee disse que devo melhorar um pouco agora, não disse...

- Você vai melhorar, meu amor... tenho certeza... hoje você está com menos olheiras do que ontem, você reparou?

- Eu sei, querido... mas não temos muito tempo agora...

- Calma, minha vida... você vai estar bem... já te disse que gravaremos em vídeo o ensaio de hoje e vamos assistí-lo hoje à noite. Quero que você suba no palco amanhã com toda a segurança do mundo...

- Eu te amo, Jack... - ela disse, beijando-o. - Obrigada por me ajudar... eu quero te dizer que o que mais desejo agora é voltar a me sentir bem...

- Mas você vai melhorar, tenho certeza disso... você vai usar o vestido azul amanhã, na estreia, não vai?

- Vou, querido...

- Bem...eu tive uma ideia há alguns dias, peguei um dos desenhos que você tinha feito para os bordados do figurino e fui até a joalheria para pedir a eles que fizessem algo especial para você... é claro que eles não entenderam direito o que eu queria e tive que ligar para a Jennnifer me socorrer... - Jack sorriu, tirando do bolso um estojo preto com a marca da joalheria Tiffany and Co gravada em dourado. - Espero que você goste... eu acho que ficou lindo...

Sem acreditar muito no que estava vendo, Clara abriu o estojo e encontrou dentro dele uma gargantilha de veludo azul marinho com um pendente dourado no formato dos desenhos que ela tinha mandado bordar nos vestidos, com muitas safiras e diamantes. Junto com a gargantilha um lindo par de brincos com as mesmas pedras, para combinar.

- Meu amor... que lindo! - Clara começou a chorar e agarrou-se nele. - Eu não mereço nada disso...

- Merece muito mais... eu te amo tanto, quero te cobrir de jóias e de amor... - Jack beijou-a e amarrou o colar no pescoço dela. - Vem ver aqui no espelho, ele disse segurando as mãos de Clara para ajudá-la a levantar-se.

- Que lindo, meu amor... vai ficar perfeito com os figurinos do show...

- Claro que vai, meu amor...  Que bom que seu amigo não está aqui hoje... - Jack suspirou.

- Ah, meu amor... eu te amo muito... eu sei que você não gosta de vê-lo aqui... mas ele está nos ajudando tanto...

- Eu sei... eu juro que estou tentando me controlar, mas quando ele te beija e te abraça... fico quase louco...

- Ah, querido... sou tua, está bem? Ele é nosso amigo, está aqui para nos apoiar... ele é tão doce comigo...
você viu a música linda que ele fez para mim?

- Gostei muito... você cantou tão lindo ontem à noite, que não consegui nem sentir ciúmes...

- Estava pensando em você, quando cantei... aliás eu penso o tempo todo em você, meu amor...

- E ele?

- Ele é meu amigo... eu o amo como um amigo, agora, depois de tudo o que aconteceu, eu estou começando a entender isso. Sei que tudo o que aconteceu entre nós não deveria ter acontecido... não tenho como desfazer... nunca vou me perdoar...

- Meu amor... vem aqui... - ele puxou-a para seu colo. - Eu não estou magoado, nem ferido, nem com ciúmes... eu já perdoei completamente, agora eu quero que você se perdoe... Eu te amo e te apoio completamente...

Clara caiu no choro novamente e Jack agarrou-se a ela assustado com sua tristeza. - Eu te amo, Menininha... eu te amo... sou seu...

- Eu tento me perdoar, mas dói tanto saber que coloquei em risco a coisa mais importante da minha vida...

- Estou aqui, Menininha... e mesmo que você me chute e me xingue e transe com o Mick  na minha frente... nada vai mudar... eu vou continuar aqui, ao seu lado, te amando infinitamente...

Clara chorou mais ainda ao ouvir aquilo e ele apenas a segurou em seus braços e beijou sua cabeça, enquanto chorava também.

- Amor... acho que está na hora do seu remédio, não? - Jack disse limpando suas próprias lágrimas. - Vou até a cozinha buscar...

- Obrigada, meu amor... - Clara disse beijando-o. - Eu sou sua, para sempre... sua mulher, sua amiga, sua amante... e lutarei até o fim para ser a mãe dos seus filhos...

- Vem, amor... vamos tomar o remédio... não quero mais te ver chorando... - ele disse erguendo-a do sofá. Não disse nada, mas estava muito preocupado com o momento em que o médico teria que dizer-lhe a verdade, que ela não poderia engravidar sem correr um enorme risco de vida.

Continua

15 de fev de 2013

Rockstar - Capítulo CXV


Ela sabia que não deveria fazer isso, mas sua curiosidade era maior que o medo que sentiu quando ouviu o som do cavalo aproximando-se do campo, sem pensar, ela levantou-se e correu para mais perto da estrada, mesmo sabendo que seria melhor não ser vista.

Há muito tempo não o via, mas naquele instante, os dias cheios de sol de sua juventude voltavam em todas as suas cores gloriosas a sua memória mais uma vez, a vida entre os salões confortáveis do castelo, entre conversas, bordados e sobretudo, livros e música. Agora que seu árido cotidiano a tinha afastado da música para sempre, ela percebia novamente o quanto ela sentia sua falta.

Desejava muito vê-lo mais uma vez, mas preferia não ser vista por ele, não naquelas condições, com suas roupas manchadas pelas flores que colhia e seus cabelos desgrenhados, colados em sua fronte pelo suor. Se pudesse, ela desejava ser invisível, como um dia, para eles, já foram todos  que viviam fora dos muros do castelo.

Em suas cavalgadas de então, em "petit comite", rumo à vila, nada interessava, nem a paisagem, nem as pessoas que nela habitavam. Eram apenas manchas coloridas contrastando com o verde da natureza em seu caminho para as tantas alegrias da vila.

Mas  para seu azar, ele agora cavalgava mais lentamente, olhando intencionamente para o casebre em que ela e seu pai viviam, desde que  foram afastados do castelo.

Era claro que a  notou ali, no meio do campo, os cabelos ruivos e rebeldes, escapando de suas amarras e  voando ao vento, que também soprava suas roupas com força.

Sem perceber o que fazia, ele continuava cavalgando, seus olhos mergulhados naquela pequena figura delicada, no meio do tapete roxo vivo de lavandas.

Mergulhada em lembranças e também sem  perceber o que fazia, ela agora caminhava na direção da estrada. Montado em um maravilhoso cavalo negro, paramentado com toda a distinção que só era permitida a alguém de sua posição, ela finalmente pode vê-lo mais de perto. Era ainda muito jovem quando se foi, mas agora voltava um  homem feito, belo e altivo, a caminho do castelo de seu pai, de onde tinha partido para a guerra há alguns anos.
As pessoas da vila comentavam que ele estava vivendo em Versalhes, aproveitando-se dos luxos da corte e lá gastando uma boa parte da fortuna que herdou de sua família em todos os tipos de excessos. A julgar pela sua aparência impecável e pelo luxo de suas roupas, era óbvio que nunca tinha sequer pisado em um campo de batalha.

Altivo, ele, que nunca se abalava nem com a beleza, nem com os perigos que a paisagem podia  revelar, mas ficou  intrigado com a moça de longos cabelos ruivos e cacheados que olhava para ele de longe e parecia assustada, sabia que a conhecia, mas não conseguia lembrar-se exatamente de onde. Certamente voltaria a passar por lá daqui uns dias, mas agora necessitava de descanso.

A moça também precisava descansar, o trabalho no campo era pesado e o vento forte a atrapalhava, mas logo ela conseguia amarrar o pesado fardo de flores que logo se juntaria aos outros na carroça que levaria seu pai para negociá-las no mercado da vila.

- Clara... acorda... o que aconteceu? O que você está fazendo aqui fora? - Jack abraçou-a carinhosamente, pegando-a no colo e levando-a para dentro, enquanto Mick seguia atrás dos dois também muito preocupado.

Jack colocou-a na poltrona e pediu que Bradley trouxesse um cobertor, enquanto Mick colocava uma dose de conhaque para ela, em um copo. - Toma querida, bebe isso... vai te esquentar.

- Que loucura foi essa de ir lá fora sozinha? Bradley, traz logo esse cobertor... ela está gelada... fala comigo, amor...

- Calma, Jack... - ela disse trêmula em seus braços. - Eu não t-tive forças... muit-to frio...

- Calma, Jack... deixa ela se recuperar...

Bradley chegou com um cobertor de lã bem grosso e Jack embrulhou-a nele.  - Vou te levar para o hospital...

- N-não precisa... - ela disse, pegando a mão de Jack. - Estou me recuperando... Só me abraça...

- Você vai ficar bem, querida... quer mais conhaque?

- Não... já estou mais quente... obrigada Mick... - ela sorriu pegando a mão dele e beijando-a. - Me desculpem... vocês sabem que sou ansiosa, não consegui ficar aqui esperando... só queria estar com vocês... achei que era capaz, mas minhas pernas começaram a falhar e eu tive medo de morrer de frio....

Jack e Mick a abraçaram e ela ficou ali, quieta apenas sentindo-se envolvida pelo amor daqueles dois homens. - Obrigada, meus queridos... - ela beijou os dois no rosto. - Eu amo tanto vocês... - Clara deu um longo suspiro e segurou as mãos dos dois.  - Onde vocês estavam?

- Na garagem.. eu segui o Jack até lá e começamos a conversar... foi quando eu vi o seu mini cooper e ele o abriu para que eu o visse melhor... Desculpe, deveríamos ter voltado antes... não podemos deixá-la sozinha...

- Desculpa, amor... - Jack disse beijando-a na boca, praticamente um xeque-mate que tentava dar em Mick,  na  guerra silenciosa dos dois pela atenção de Clara. Era preciso deixar claro para seu competidor que ela pertencia a ele.

Ela percebeu o truque e sorriu, afastando-se um pouco deles, enquanto ajeitava-se sob a pesada manta de lã. - Posso pedir uma coisa para vocês?

- Claro, meu amor... você pode pedir o que quiser... - Jack disse acariciando seus cabelos. - Estou aqui para você...

- Eu também, querida... - Mick sorriu ao perceber que Jack, incomodado pela sua proximidade de Clara agora a puxava para mais perto de seu peito.

- Ok... eu quero meus parentes aqui em casa, eles vieram de longe para me ver e não é justo que vocês me afastem deles. Só vou precisar que vocês me ajudem a cuidar de tudo para que isso não vire um caos... vocês me ajudam?

- Pode contar comigo, meu amor... - Mick beijou-a na testa.

- Comigo também... me desculpe, não fiz por mal, apenas achei que você precisava de um pouco de tranquilidade para recuperar-se...

- Eu sei... eu amo você, Jack... muito... - ela sorriu acariciando o rosto do marido. - e amo você também, meu querido amigo... - ela acariciou o rosto de Mick. - Obrigada por me ajudarem e me entenderem... Vocês sabem onde meu celular está?

- Acho que na sua bolsa, lá em cima...  Vou buscar para você... - Jack sorriu, levantou-se rápido e correu na direção das escadas. Queria voltar logo, com medo de encontrar Clara agarrada em Mick, quando descesse.

- Seu marido está preocupado em nos deixar aqui sozinhos... - Mick sorriu um pouco sem graça com a pressa de Jack.

- Por favor, querido... vamos tentar deixá-lo seguro... - ela suspirou e tirou o cobertor de cima de seu corpo. - Já melhorei, não estou mais com frio... seu celular, eu  deixei ali, na mesinha...

- Quer chocolate? - Mick disse pegando a caixa de bombons junto com seu celular e colocando no colo dela. - Esse chocolate é tão bom...

- Pronto, querida... encontrei sua bolsa... - Jack disse no topo da escada, trazendo a bolsa em suas mãos, de olho no que estava acontecendo lá embaixo e sorrindo por encontrá-los comendo chocolates.

- Amor... agora senta aqui comigo e respira... não tinha tanta pressa, você foi até lá em cima como um furacão... vem aqui, vem... - ela deitou a cabeça de Jack em seu ombro. - Não vou te trair, o Mick é nosso amigo e está aqui para nos ajudar, está bem?

- Me perdoa... - Jack disse ainda com a respiração pesada. - Não era minha intenção, mas acho que fiquei com ciúmes de deixar vocês dois sozinhos aqui...

- Ih, amor... meu celular está mortinho, sem bateria... o carregador está aqui... coloca na parede para mim?

- Usa meu celular, querida... - Jack sorriu, tirando do bolso seu aparelho e levando o dela até a tomada no canto da sala. - Olha amor, já está ligado...

- Ok... Obrigada, Jack... Vou ligar para o Jonas, então... Oi, querido...

- Clara, é você? Achei que fosse o Jack, de novo... está tudo bem?

- Está... e com vocês?

- Estamos em uma pousada incrível, aqui, na cidade do Shakespeare, querida... você ía adorar... sua mãe e seu pai estão muito preocupados com você, mas o Jack me garantiu que você está bem e me pediu para mantê-los longe... tentei te ligar e não consegui... fiquei preocupado...

- Eu sei querido, me perdoa... eu estava sem condições, o Jack tomou a frente de tudo e fez as coisas sem me consultar... achou que eu precisava de descanso...

- E como você está se sentindo agora?

- Melhorei um pouco, mas estou me sentindo muito fraca, não consigo andar muito sem apoio... querido, estou com medo de não conseguir me recuperar desta vez...

- Você vai melhorar sim... imagina... sabe que olhei na internet e, esse médico que está te tratando, cuida da   família real... você está em ótimas mãos...

- Espero que sim, querido...

- O Mick ainda está aí com vocês?

- Sim... ele está me ajudando... por que?

- Porque seu pai anda nos dando um pouco de trabalho aqui... tem toda uma teoria de conspiração na cabeça dele e... bem... ele acha que seu marido e o Mick têm um caso e que por isso você está doente, porque seu marido está te obrigando a conviver com o amante dele...

- O que? Ah, mas meu pai é mesmo muito maluco... - ela riu.

- É, querida! Mas ele não está muito longe da verdade, não é?

- Não... mas nós três estamos em paz com isso... o Jack é meu marido e o Mick é nosso amigo... só isso... ele não é meu amante...

- Não é mais...

- É... ele foi meu amante por um momento, mas não é mais...  Bem, querido... então... vocês estão aí com o Khaled, certo?

- Sim...

- Converse com ele, quero vocês todos aqui na minha casa amanhã, sem demora e sem desculpas... o Jack e o Mick irão me ajudar a cuidar de vocês e pronto... todo mundo fica mais tranquilo...

- Mas nós vamos até Stonehenge amanhã, Clara... eu nunca estive em Stonehenge...

- Ah, Jonas... por favor...

- Sério, querida... todo mundo aqui está  aproveitando o passeio... então... para que vocês não tenham mais problemas, acho melhor seguirmos para Stonehenge e depois, voltamos para Londres... sem que ninguém saiba o que está acontecendo... entendeu?

- Está bem... obrigada por segurar essa situação toda, por ser meu amigo e por tudo o que tem feito por mim, meu querido...

- Ah, Clara... eu te amo, você sabe disso... você é minha melhor amiga nesse mundo...

- Ah, querido... eu te amo também... - Clara disse emocionada. - Muito obrigada, querido... nos vemos amanhã então... Um beijo! - Ela deu um longo suspiro depois de desligar o celular de Jack. - Queridos, eu pedi que eles voltem amanhã para Londres...

- Ótimo... está tudo bem com eles? - Jack perguntou preocupado.

- Está, querido... eles vão para Stonehenge amanhã e depois voltam para Londres... - Clara disse começando a chorar.

- O que foi, amor? - Jack pegou a mão dela, preocupado.

- Nada, querido... estou tão triste com essa situação... vocês dois, que têm tanta coisa para fazer, estão aqui presos ao meu redor... meus pais lá pensando uma porção de bobagens e eu aqui, me cansando só de ficar em  pé...

- Amor, vem aqui... - Jack pegou Clara no colo com muito carinho. - Mick, por acaso tem alguém te prendendo aqui, você está acorrentado ou coisa parecida?

- Claro que não... aliás vocês teriam é que me prender para fora se quisessem me manter longe...

- Eu também, estou aqui porque quero... eu te amo, não tem outro lugar no mundo em que eu queira estar...

- Mas...

- Mas nada, Menininha... - ele a puxou e deu um longo beijo apaixonado. - Eu te amo...

- Eu te amo, Jack... tanto...

- Desculpa, não quero interromper o namoro de vocês, mas a cozinheira pediu para perguntar quando ela deve servir o jantar...

- Tudo bem, querido... não tem problema... - Clara sorriu tentando compensar as caretas que Jack estava fazendo naquele instante. - Vocês querem jantar agora?

- Não estou com fome, amor... - Jack puxou-a e agarrou-a. - Mas você, Menininha, precisa comer... então podemos jantar já, não Mick?

- Podemos sim... vi lá na cozinha que você precisa tomar seus remédios, Clara...

- Ah, então vamos lá jantar...

Clara pediu para Jack apenas para acompanhá-la de perto e caminhou sozinha, com suas próprias pernas até a sala de jantar. Depois do susto, ela agora sentia-se melhor e queria testar sua própria capacidade.

O jantar dos três foi delicioso e divertido, com Mick e Jack ainda disputando sua atenção, mas agora, tentando fazê-la rir,  contando piadas e fazendo imitações. Logo após o jantar, Mick fez uma surpresa, sentou-se no piano e cantou e tocou algumas das músicas que tinha escrito para ela gravar, deixando-a mais  animada para recuperar-se logo.

Enquanto Mick cantava, Jack saiu da sala para conversar com David pelo telefone, o ensaio geral do show estava marcado para o dia seguinte e eles precisavam tomar decisões. Assim que desligou o telefone, Jack ligou para Jonas e pediu a ele para voltar só no final do dia, para que Clara tivesse a chance de ir ao ensaio sem ficar preocupada com a volta deles para Londres.

- Essa última que você tocou é a mais linda, querido... - Clara sorriu e caminhou até Mick. - Posso sentar aqui?

- Claro... vem... a letra está aqui no meu tablet... quer tentar cantar?

- Eu queria... será que eu posso?

- Tem certeza que não ficará cansada?

- Cantar nunca me cansou antes, querido... Canta de novo para eu acompanhar aqui com a letra:

"The love that I feel is so deep in my heart, now that I found you...

The tears that I've cried have dried on my face...

now that your light... is here... and it feels so good...

And my heart is so happy..."

A baladinha pop, deliciosa, fez o rosto de Clara iluminar-se novamente, como não se via há dias e também deu a ela mais uma boa razão para desejar melhorar, o quanto antes. De olhos fechados, ela cantou junto com Mick, sentindo-se mais e mais relaxada a cada nova repetição.

- Meu amor... você está cantando lindamente! - Jack disse, voltando para a sala, ainda preocupado por tê-la deixado tanto tempo sozinha com Mick. - Essa música é muito boa, Mick!

- Eu a fiz há algum tempo... mas nunca tive a chance de mostrá-la para  Clara... você gostou, querida?

- Eu amei! - Ela sorriu e beijou-o no rosto. - Obrigada, querido! Essa música é  linda...

- Obrigada, meu amor...

Jack não disse nada, mas pegou Clara pela mão e abraçou-a. - Meu amor... como você está se sentindo?

- Melhor, querido... muito melhor...

- Eu acabei de falar com o Dave e com o Jonas e quero convidar você e o Mick a ir amanhã conosco ao ensaio geral do show... o Peters vai mandar um motorista para nos pegar...

- Onde será? - Mick perguntou.

- Nos estúdios Shepperton...

- Não sei, acho que amanhã precisarei ir até meu escritório encaminhar algumas coisas... tenho feito tudo por telefone, internet, mas existem algumas pendencias que eu preciso resolver pessoalmente...

- Que pena... eu vou... e o Jonas?

- Liguei para ele e pedi que voltem só no final do dia. O ensaio começa às 11 da manhã e termina às 5. E quando voltarmos para casa, eles já estarão aqui, prontos para o jantar... agora, só resta conversar com a senhora Hammer e pedir um menu especial... o que você vai querer servir para eles, Menininha?

- Não sei... vocês me ajudam a escolher?

- Você vai cantar, querida?

- Vocês acham que eu consigo? Estou me sentindo tão feia... emagreci tanto que acho que meu figurino vai ficar enorme....

- Calma, amor... vamos fazer uma coisa? Você experimenta o figurino da estreia e se ele estiver mesmo grande, nós ligamos para o Jean Paul... ele já deve estar na cidade, para o show...


- Não sei, querido...

- Querida, você acabou de cantar tão bem comigo... no show, o Jack vai te buscar na coxia e depois te leva de volta... se o figurino estiver muito grande,  eu arrumo alguém para consertar com um telefonema, querida... conheço muita gente no ramo da moda... você sabe... 

- Não, Mick querido... teria que ser o Jean Paul mesmo...

- Vem... nós te ajudamos a subir, vamos experimentar as roupas lá no closet...

- Vocês acham que eu conseguirei subir no palco sem dar vexame?

- Claro que sim, meu amor... - Jack sorriu e beijou-a.

- Você está cantando lindamente, querida... afinada, doce... você é uma estrela... - Mick pegou sua mão e beijou-a.

Clara subiu a escadaria até seu quarto lentamenta para não se cansar e apoiada em Mick e em Jack. Os dois foram com ela até o closet, ajudaram-na a encontrar os vestidos prontos para o figurino do show e saíram do quarto para que ela vestisse aquele que pretendia usar na estreia.

- Queridos... - ela chamou da porta do quarto. - Olha... está muito feio...

- Vou ligar agora para o Jean Paul vir até aqui, amanhã cedo, antes de sairmos para o ensaio geral... - Jack disse, pegando seu celular. - Você quer cantar comigo na estreia, não quer?

- Quero, querido... - Clara sorriu. - Se você acha que eu posso...

- Você vai estar linda no palco, querida! - Mick aproximou-se puxando um pouco o vestido nas costas de Clara. - Olha... é só apertar um pouco aqui...

- Obrigada querido... - ela sorriu, um pouco embaraçada com o olhar venenoso que Jack lançava agora sobre Mick, que empolgado, parecia uma costureira experiente, prendendo com suas mãos uma porção do vestido.

- Olha, agora, querida...

Com Mick prendendo em sua mão tudo o que sobrava de seu vestido, ela olhou-se no espelho e gostou do que viu. Estava alguns quilos mais magra, não tinha muita certeza de quantos, porque há dias não tinha coragem de subir na balança, mas começou a imaginar-se pronta para o show, já com tudo ajustado, maquiada,  com seu cabelo arrumado e suas jóias. E voltou a empolgar-se com a ideia de cantar ao lado de sua banda favorita.

- Obrigada meus queridos... - ela disse puxando os dois para mais perto e agarrando-se neles. - Vocês estão sendo maravilhosos comigo... não vou perder a chance de cantar com a minha banda favorita nesse mundo... desculpa, Mick...

- Ah, querida... - Mick puxou-a e beijou-a no rosto, Jack, um pouco contrariado, tirou-a dos braços de Mick e deu-lhe um longo beijo apaixonado, que deixou-a um pouco tonta.

Quando recuperou-se do beijo, ela expulsou os dois do quarto e trocou-se de roupa novamente. Os dois a ajudaram nas escadas e logo eles estavam novamente na sala de visitas.

- Estava pensando... eu mesma vou ligar para o Jean Paul... acho melhor... - Clara disse caminhando até a tomada onde tinha deixado seu celular carregando. - Olha... já está carregado...

Ela ligou para Jean Paul que disse que já estava em Londres e que tinha tentado ligar para ela, mas que não tinha conseguido e combinaram de ele vir até a casa de Clara às 9 da manhã do dia seguinte.

- Então... Lady Noble... - Jack sorriu. - Não vou me acostumar nunca com isso...

- Vai sim, Jack... até eu tenho um... - Mick sorriu também. - Não dói nada...

- Sim... eu sei... então, vamos agora comer mais um lanchinho antes de ir dormir? Ninguém aqui está ficando mais jovem e a pior coisa para a nossa voz, minha cara, é ir dormir muito tarde... vamos, milady? - Jack fez uma mesura e estendeu-lhe a mão.

- Vamos... Sir Jagger, nos acompanha?

- Claro, milady... Sir Noble... - Mick também fez uma mesura para os dois e os três seguiram juntos até a cozinha onde Jack preparou mais um de seus purês com salsichas que foi devorado pelos três acompanhado de uma taça de vinho cada um.

Depois da pequena refeição, os três subiram para seus quartos e foram deitar-se. O dia seguinte deveria começar cedo e teria muito trabalho a ser realizado.

Continua