28 de jun de 2013

Rockstar - Capítulo CXXXVII

 
Jack e Paulo foram para casa, onde Jonas e Mick já esperavam prontos para sair. O restaurante era próximo da casa, mas o trânsito da hora do almoço costumava ser complicado. Para não ter problemas com os paparazzi, que certamente se agitariam com a chegada de Mick e de Jack juntos no restaurante, Mick ligou para o segurança que costumava acompanhá-lo.

As compras de Clara e de sua família continuavam firmes, agora, motorista e segurança ajudavam a carregar sacolas para dentro do carro. Ela estava feliz, mesmo sendo interrompida aqui e ali,  enfrentava o assédio dos fãs sempre com um enorme sorriso.

- Ela nasceu para isso... - Renata comentava com Ciça depois de Clara parar novamente para tirar mais uma foto ao lado de duas adolescentes que festejavam a sorte de encontrá-la ali, andando na rua.

- O que vocês estão cochichando aí? - Clara sorriu ao aproximar-se novamente do grupo.

- Nada... estávamos comentanto o quanto você já parece uma estrela... todas essas fotos... já teria mandado o Bóris para cima desse pessoal aí, sem dó...

- Bóris?

- É... - Ciça riu. - Não entendemos o nome do segurança e resolvemos chamá-lo de Bóris... você se importa?

- Por favor, meninas... não façam isso... eu tenho que conviver com essas pessoas depois que vocês forem para o Brasil... - Clara riu. - O nome dele é Worthington...

- Ah... mas Bóris é mais fácil... - Renata riu.

- Já está na hora... - Clara disse olhando o relógio do celular. - Vamos para o restaurante?

- Vamos... é muito longe daqui? - A mãe de Clara perguntou depois de colocar mais sacolas com compras no carro.

- Não... são uns dois quarteirões naquela direção... mas vamos de carro, porque senão não conseguiremos passar pelos paparazzi...

- Paparazzi? - Ciça sorriu. - Eba! Posso fazer umas poses para eles? Deixa irmã...

- Ciça... você está se revelando! Não vamos fazer pose nenhuma... vamos descer do carro e aproveitar a ajuda do Bóris para entrar no restaurante rapidinho... Na saída, talvez... se o Jack e o Mick estiverem de bom humor, paramos alguns segundos para umas fotos... senão... não paramos... entramos correndo nos carros e vamos para casa rapidamente para não sermos seguidos... todo mundo entendeu?

- Claro, filha... e vocês duas vão fazer o que ela falou, não vão?

- Pode deixar, mamãe... - Ciça sorriu. - Estávamos só brincando...

- Não se preocupe, mamãe... elas estão falando assim agora porque ainda não viram esses paparazzi de perto... deixa elas... vão ficar tão assustadas que já mudam de ideia.

Por causa da mão do trânsito na King's Road, Khaled precisou dar uma boa volta para chegar à porta do restaurante já estranhamente tomada por um grande número de paparazzi, todos agitados já ao perceberem o carro aproximando-se da porta.

Mesmo mantidos do lado de fora da grade e contidos pelos seguranças do restaurante, os fotógrafos gritando e os flashes que iluminavam ainda mais aquela tarde londrina ensolarada, assustaram Ana, Ciça e Renata que, como Clara imaginava, correram sob o abrigo do segurança, para dentro do restaurante.

- Que medo, Clara... isso é horrível... - Ciça disse ainda assustada. - Não quero ser famosa, não...

- Filhinha... você está bem?

- Estou mamãe... vamos ver se o Jack já chegou... - ela disse caminhando até o balcão onde o maitre da casa recebia os clientes. - Meu marido já chegou?

- Ainda não, senhora Noble... a mesa de sempre já está reservada... por favor, me acompanhem...

- Obrigada! - ela sorriu e chamou suas acompanhantes para seguir o maitre até a mesa em que costumava sentar-se, quando almoçava lá.

- Nossa, irmã... que chique... - Ciça sussurrou no ouvido de Clara assim que chegaram à mesa que as esperava. - Sempre me esqueço o quanto você é rica agora...

- Ah... para já, Ciça... não fica pegando no pé da sua irmã desse jeito... você sabe que ela não gosta...

- Estou só brincando... poxa... não se pode nem brincar mais...

- Pode... mas não fica falando esse tipo de bobagem... principalmente quando o papai estiver aqui... vocês sabem que ele não gosta desse tipo de lugar...

- Está bem, Clara... vamos nos comportar... não é verdade, Renata?

- Vamos sim... não queremos pagar mico... não em um lugar como este... Por falar em micos? Posso bater umas fotos nossas aqui, para postar no meu Facebook?

- Nunca fiz isso, mas é melhor perguntar ao maitre se pode, antes, ok?

- Ok...

- Eles chegaram, querida... - Dona Ana disse a frase que fez o coração de Clara disparar, enquanto recebia também as garrafas de água mineral que o garçom servia para ela e para suas acompanhantes.

- Boa tarde, minhas queridas... - Jack disse, entregando um enorme bouquet de rosas cor de lavanda, nas mãos de Clara. - Olá, meu amor...

- Oh querido... obrigada! Eu te amo, muito... - Ela sorriu, pedindo ao garçom para cuidar de suas flores, enquanto almoçavam. - Jonas, papai, Mick... então, todos já estão aqui... gostaram da minha ideia?

- Muito... - Mick disse chamosamente, enquanto beijava as mãos de todas as mulheres da mesa. - O senhor Paulo ainda está assustado com os fotógrafos lá fora...

- Ah, papai... desculpa... mas eles são assim mesmo...

- Eu sei, filha... o Mick me explicou tudo... - Paulo disse com um sorriso.

- Obrigada, querido... - Clara sorriu para o amante, que devolveu o sorriso.

- Você não precisa agradecer, minha querida... adoro seu pai...

- Paulo, que gravata é essa? - Dona Ana estranhou a bela gravata de seda azul que o marido estava usando no pesoço.

- Ah... o Mick me deu... bonita, não é?

- Linda... mas... por que ele te deu uma gravata? Você trouxe gravata na mala, não trouxe?

- Trouxe... mas essa que ele me deu é mais bonita.. falei para ele que a Clara tinha me mandado vestir terno e gravata e ele me deu essa de presente... é muito mais chique que a minha, não é?

Clara assistindo a cena apenas sorriu novamente para Mick, que sorria para ela. - Obrigada querido... - ela sussurrou, enquanto Jack fazia força para não fazer uma careta. Ele também estava de terno e gravata, coisa que detestava usar, mas que agora vestia apenas para agradar Clara. Por que exatamente naquele dia, depois de amanhecer tão feliz nos seus braços, ela já tinha chorado pela ausência do amante, e agora, não parava de sorrir para ele.

- Então... já sabem o que irão pedir? - Jack disse olhando Clara nos olhos e depois abrindo o menu do restaurante. - O que vocês querem?

- Não sei... o que é bom aqui? - Ciça respondeu sorrindo.

- Vocês gostam de lagosta, não? - Clara perguntou. - Aqui tem uma na champagne que é maravilhosa...

- Adoro! - Ciça sorriu. - Mamãe... papai?

- Pode ser filhinha.... - Dona Ana sorriu. - Não é Paulo?

- Pode, querida... bem que você me disse, não é Mick?  - Paulo sorriu para Mick. - Aqui, todo mundo gosta muito de frutos do mar...

- Eu sei... o restaurante favorito da Clara em Paris é  de frutos do mar... já estivemos lá muitas vezes... não foi querida?

- Sim... eu adoro aquele restaurante e quero levar todos vocês lá, um dia desses... - Clara sorriu, preocupada já com a amizade que seu pai parecia ter desenvolvido em uma questão de poucas horas com Mick Jagger.

Lagostas servidas e  bem apreciadas, Jack sugeriu como sobremesa um bolo de chocolate crocante com sorvete e calda de morango,  consumido com mais uma garrafa de champagne e ele esperou até que todos terminassem para fazer uma nova surpresa para Clara.

- Preciso falar agora algumas palavras... vou pedir que o Jonas traduza para o português... bem... não é segredo para ninguém aqui nesta mesa, que a noite passada foi uma das mais felizes da minha vida... eu compartilhei o palco,  a pista de dança e a cama com a mulher mais maravilhosa do mundo...

- Ah, meu amor...

- Por isso... hoje eu quero mimá-la e cobrí-la de presentes... - Jack disse, tirando do bolso a caixinha com o anel de diamantes que tinha comprado há poucas horas. - Obrigado por me fazer tão feliz, meu amor...

- Jack! - Ela disse surpresa. - Oh, meu amor...

Jack pegou o anel na caixinha e colocou-o no dedo anular da mão direita de Clara, que beijou-o. - Obrigada, meu amor, que lindo! Eu te amo muito... você me faz muito feliz...

Era a vez de Mick sentir-se apreensivo, com medo de perder a mulher que amava. Apesar da reação que ela teve de manhã à sua ausência, ela tinha passado a noite toda nos braços do marido e agora parecia muito empolgada com aquele novo presente. Ele precisava de um plano, necessitava agir, ser rápido e eficaz, ou ela perceberia que os sentimentos que tinha por ele a impediam de ser feliz realmente ao lado de Jack, coisa que ela era antes dele insistir tanto, até fazê-la admitir que o amava e deixá-la naquela situação difícil.

- Nossa, filhinha... que lindo... - Dona Ana disse sorrindo. - Seu marido está muito apaixonado...

- É, Clarinha... olha só... - Ciça disse pegando a mão de Clara para ver melhor o anel. - Nossa! Lindo mesmo, mamãe...

- Então, queridos... vamos para casa?  - Clara disse depois de mais uma rodada de champagne.

- Vamos... estou louca para experimentar de novo aquelas roupas lindas que nós compramos... - Ciça sorriu. - Ah... o dia de hoje está sendo inesquecível para mim...

- Que bom, Ciça! - Clara sorriu. - Para mim também... eu amo todos e cada um de vocês... é muito bom tê-los todos aqui, comigo... e vai ser ainda melhor nas festas de final de ano, vamos passar o Natal e o Ano Novo juntos, não vamos?

- Ah, querida... - Dona Ana, sorriu. - Vamos sim... até o Fernando vem...

- Que bom... estou com saudades dele...

A conversa continuava na mesa, com Mick encantando todos conversando em português. Enquanto Jack apenas tentava concentrar-se esperando a chegada da conta; geralmente uma visita do gerente do restaurante na mesa e a manifestação de sua alegria por estar recebendo clientes tão distintos.

O gerente logo veio, cumprimentou as estrelas da mesa e seus acompanhantes e logo todos estavam apreciando capuccinos ou xícaras de café expresso, acompanhados de deliciosos bombons de chocolate belga na sala de estar da casa de Clara.

Lá sim, eles puderam ser fotografados como queriam Ciça e Renata, depois de fugirem e esconderem-se do bando de paparazzi, homens rudes que deram trabalho tanto aos seguranças que os acompanhavam como aos que trabalhavam para o restaurante.

- Vocês sempre enfrentam aqueles caras quando vão ao restaurante? - Renata perguntou para Clara ainda impressionada com o que tinha visto. - É assustador...

- Basicamente sim... mas hoje eles estavam um pouco piores do que o de costume... eu fiquei apavorada quando eles começaram a nos seguir de moto.

- Bom, querida... me senti o James Bond, fugindo daquelas motos, com o Mick... - Paulo não parava de sorrir depois de mais  uma amostra do poder da Ferrari de Mick,  seu mais novo melhor amigo. Um cara muito mais simpático que aquele hippie sem graça que sua filha tinha escolhido como marido. Até uma gravata ele já tinha ganho de presente dele. E segundo sua filha, uma das caras, embora ele nunca tenha se preocupado muito com bobagens como marcas de roupas, aquela era do tipo que ele jamais teria condições de comprar com o que ganhava de aposentadoria. 

Mas aquela gravata era um começo para coisas maiores,  como comprar seu próprio carro esporte; sabia que seria muito caro, mas sua filha era uma rockstar agora e vivia coberta de diamantes, até os jornais diziam que ela e o marido tinham mais de 3 bilhões de reais na conta, agora que a turnê tinha começado. O preço daquela Ferrari, para ela seria quase nada, bem que ela poderia lhe dar  uma de presente no Natal. Não era muito a cara dela, um presente daqueles, mas poderia acontecer, não poderia?

Era uma pena ela ter se casado com o rockstar errado. Mick sim era "o cara" para ela, ele sim a trataria como ela merece, alguém que tinha um castelo, um avião e uma Ferrari,  certamente trataria sua filha como uma rainha e seria capaz de dar a ela uma Ferrari de presente,  quem sabe um gesto tresloucado de amor como aquele, a ganharia de vez. Ainda mais depois que o  hippie cabeludo que ela chamava de marido deu a ela apenas aquele carrinho de brinquedo.

Completamente alheio aos sonhos de Paulo, Mick sentou-se no piano, fazia isso quando precisava pensar mais claramente sobre um assunto e agora, sua cabeça rodava por não poder competir com os presentes que Jack sempre dava a ela. Não que não pudesse dar a ela joias ainda mais caras ou uma Ferrari como a sua. O problema era que ela não aceitaria o presente, Jack fez questão de pagar até por aquela coroa que ela usava nos shows agora.

Começou a tocar uma balada suave, "Hard Woman" uma pequena canção de sua carreira solo que voltava à sua mente naquele instante. Não era nem sua intenção, mas assim que cantou o primeiro verso, ouviu um gritinho de Clara que aproximou-se imediatamente do piano, sentando-se ao seu lado e sussurrando em seu ouvido: - Eu amo essa música!

Mick sorriu, beijou sua mão e começou a tocar novamente. Quem diria, Jack com suas flores e joias tinha sido derrotado por uma canção... aquela não era uma "mulher difícil de se agradar, afinal".

Ao ver a cena, Jack afastou-se, pegou o telefone e subiu para o escritório para conversar com David,  um jeito digno de ficar longe, pelo menos naquele momento em que Clara só tinha olhos para seu amante. Não esperava aquele desfecho, não depois da noite tão incrivelmente perfeita que tiveram.
Aquela noite não podia ter acabado naquela crise de choro, de manhã, depois que ela descobriu que ela achou que foi abandonada, não, aquela noite tinha sido suficientemente  poderosa para varrê-lo para sempre de suas vidas.

Continua

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