6 de jun de 2013

Rockstar - Capítulo CXXXVI


Quando já conversava com Jonas, sentado na sala de estar, o mordomo Bradley aproximou-se para avisar  sobre a chegada do carro do senhor Jagger, que pelo barulho, era mais uma vez a Ferrari, para a alegria dos parentes de Clara que foram todos conferir de perto o belo e caríssimo carro esporte, agora parado no jardim, na porta da frente da casa.

- Bom dia... - ele disse em português para Paulo e para Jonas, carregando um maço de lavandas em suas mãos. - A Clara está?

- Sim... - Jonas respondeu em inglês. - Ela está se preparando para sair, mas ainda está em casa... Uau, que máquina, hein?

- Obrigado... não é sempre que a uso, mas acho que hoje ela estava querendo sair da garagem... então a Clara vai sair?

- Vai... com a mãe e a irmã... vão fazer umas compras...

- Ah... bem... vou lá conversar com a nossa estrela... com licença... vou deixar o carro aberto, se vocês quiserem vê-lo mais de perto... só tomem cuidado para não soltar o freio...

- Obrigada Mick... é muito lindo... - Jonas disse, traduzindo depois para Paulo.

- Jack Noble... bom dia... - Mick cumprimentou Jack, beijando-o no rosto, uma cena que fez o pai de Clara fazer uma careta e voltar a mergulhar os olhos no belo carro vermelho à sua frente. - Vocês sabem o que fizeram ontem naquele show? A mídia está enlouquecida hoje, ninguém fala de outra coisa...

- Estou muito feliz com isso... trabalhamos bastante para que tudo funcionasse e é muito bom que tenha dado certo... Mas vamos entrar, a Clara já deve ter descido...

- Como ela está?

- Melhor... conversamos um pouco e consegui convencê-la a comer e tomar os remédios... só depois ela me disse que tinha combinado essa saída... me desculpe...

- Não tem importância... vou ficar por aqui hoje... já tinha programado isso, não tenho muito o que fazer, acho que vou à O2 vê-la novamente no palco... ela está muito chateada?

- Ela achou que você a estava abandonando, mas depois que contei a ela o que conversamos no telefone, ela se acalmou um pouco... Cara... se você vai mesmo abandoná-la, este é o pior momento possível...

- Não vou... mas senti que ela estava muito longe de mim, ontem... por isso fui passar a noite no meu apartamento...  me arrependi no momento em que cheguei lá e para ser completamente sincero, dormi muito pouco de ontem para hoje...

- Tudo bem, amigo... mas acho melhor você falar com ela... - Jack disse, olhando para a porta de casa, de onde Clara saía, com um vestido de seda azul, com delicadas flores brancas, que voava ao vento quente, naquele outono londrino, incomum. Uma delicada echarpe de seda branca protegia sua garganta e os longos cabelos louros estavam presos em um rabo de cavalo.

- Bom dia, Mick... - ela sorriu e beijou-o no rosto. - Vamos conversar?

- Você está linda, minha querida... trouxe lavandas hoje, achei que elas combinam com você... e aí, você me perdoa não ter voltado ontem para cá?

- Claro, querido... Obrigada pelas flores... são lindas... elas significam muito para mim... - ela sorriu. - Você acha seguro deixar o Jonas e o meu pai brincando no seu carro, daquele jeito?

- Confio neles, querida...

- Jack... cuida para que eles não destruam o carro, amor... - ela sussurrou no ouvido do marido. - Vou conversar com o Mick no escritório...

- Tudo bem, amor... não se preocupe... - Jack disse, beijando-a rapidamente e caminhando até a Ferrari de Mick.

- Não se preocupe, querida... - Mick sorriu. - É um carro bem mais forte do que parece...

- Sim... mas se quebrar alguma coisa, nenhum dos dois tem dinheiro para consertar...

- Não se preocupe... se quebrar alguma coisa, apresento a conta para seu marido, ok? - Mick riu, fazendo-a rir também.

A sala de visitas estava vazia e assim, Mick e Clara subiram direto para o escritório. - Belo retrato esse do seu marido... - Mick comentou ao ver a enorme pintura de Jack em seus tempos de "Deus do Rock", pendurada na parede.

- Compramos em Paris, estava na vitrine de uma galeria em Montmartre quando o achamos... - Clara sorriu. - Me desculpa... não imaginei que o Jack fosse te ligar...

- Eu sei... ele me disse... me perdoa... não quis que você achasse que estava sendo abandonada... eu te juro que nem pensei direito... acho que tive ciúmes de ver vocês tão bem ontem, no topo do mundo, fiquei com medo de estar sobrando...

- Ah, querido... eu te amo... me desculpa... eu sei que não posso exigir nada de você... mas me senti tão triste... você sabe como é a minha cabeça, fiquei com medo de estar sendo abandonada...

- Meu amor, me perdoa... me perdoa... passei quase a noite toda em claro, pensando em como eu iria te ganhar de novo...

- Mas você não me perdeu, querido...

- Ah, meu amor... - Mick puxou-a para seus braços e beijou-a. - Eu te amo... mas me doeu tanto achar que tinha te perdido...

- Em mim também, quando o Bradley me disse que você não tinha voltado para casa, o chão desapareceu sob os meus pés... eu continuo te amando tanto quanto ontem...

- Me perdoa, querida... eu fiquei louco de ciúmes... vocês dançando ontem, pareciam tão felizes juntos... eu queria estar no lugar do Jack... ter você nos meus braços...

- Não fica assim... amanhã vamos para o seu castelo e poderemos conversar melhor... sem medo, sem preocupação... conversei bastante com o Jack e ele me apoia tanto... e é tão doce comigo que me sinto culpada pelo que está acontecendo entre nós...

- O Jack é um grande cara... gosto muito dele... não sei se conseguiria segurar essa situação que ele segura... eu te amo tanto... poderíamos ser tão felizes juntos...

- Ele me disse que abriria mão de mim, se fosse para me fazer feliz... eu o amo tanto... me sinto um peso na vida dele... justo eu, que não o deixa olhar para o lado, não consigo resistir a outro homem... pior ainda... estou amando tanto este outro homem, que não consigo ser feliz sem ele...

- Eu te amo... - Mick abraçou-a novamente, tentando fazê-la parar de chorar. - Fica tranquila... só me afastarei  se você me mandar embora... sou seu...

Os dois se beijaram novamente e decidiram que se encontrariam mais tarde, quando ela voltasse para casa depois das compras. Mick disse que faria companhia para os homens que ficariam em casa e que iria ao show, ver novamente ela e Jack cantando. - Não vou perder a chance de vê-la no palco novamente hoje, querida... não sei quais seus planos, mas vou para a Arena me emocionar novamente com sua beleza...

- Ah, querido... eu nem sei o que te dizer... vai ser muito bom ter sua companhia lá... - Clara disse, despedindo-se de Mick com um beijo no rosto, na sala de estar, onde se juntou às pessoas que a esperavam para sair para as compras. As quatro entraram no jipe de Jack, deixando a Mercedes de Khaled no páteo da frente da casa, junto com a Ferrari de Mick.

- Então filha? Você está melhor? - Dona Ana perguntou para Clara assim que o carro começou a andar. - Conversou com o Mick?

- Conversei... está tudo bem... estou me sentindo melhor agora... fiquei muito abalada hoje cedo... ainda não consigo viver sem ele...

- Ah filha... e seu marido? Como ele fica? Você não o está magoando?

- Ele me aceita como eu sou... ah mamãe... eu amo os dois... não consigo viver sem eles... mas vamos conversar melhor neste fim de semana... amanhã vamos para o castelo do Mick, em Nice e vamos tentar conversar melhor e tomar uma decisão...  dói muito amar os dois...

- Claro que dói... não entendo como você arrumou um problema desses, filha... você sempre foi tão inteligente...

- Mamãe... não é uma questão de inteligência, mas de carinho, envolvimento... os dois se dizem meus... e eu me sinto deles... nós nos amamos... é estranho, eu sei, mas não tem outro jeito de explicar o que está acontecendo...

- Os dois sabem tudo, Clara? Quero dizer... o Jack sabe que você e o Mick estão juntos? - Ciça perguntou, ainda tentando digerir as informações.

- Os dois sabem, Ciça e os dois me dizem que sou dona deles... que farão aquilo que eu decidir...

- Cuidado, Clara... acho muito perigoso isso... homens são naturalmente competitivos, os dois dizem agora que aceitam a situação, mas, não sei até onde isso vai... aquela Ferrari linda não foi tirada à toa da garagem, querida... - a mãe de Clara disse preocupada com o que estava acontecendo com a filha. - Ok, são artistas, mais sensíveis, mais abertos... mas continuam sendo homens... o instinto masculino logo vai se manifestar...

- Tenho medo que aconteça bem mais do que isso... no momento, ando em pânico de engravidar do Mick...

- Puxa... isso pode acabar muito mal.... - Renata disse também preocupada com a amiga. - Toma cuidado porque se você ficar grávida do Mick, é capaz do Jack nunca mais querer te ver...

- Eu sei... por isso estou com medo... vou ao médico assim que voltar de Nice... e se voltar a transar com o Mick, vai ser com camisinha...

- Meu Deus... e você não estava usando? E se pegar alguma doença? Eles sempre foram muito promíscuos, filha...

- Não... mãe... não são mais... são como executivos de grandes companhias, chefiam corporações imensas... por isso, os seguros os obrigam a fazer exames periódicos... os dois são completamente saudáveis... meu medo é só esse... da gravidez... mesmo porque eu e o Jack temos planos para isso... ele já fez a reversão da vasectomia e, agora, quando eu deveria tomar outra dose daquele hormônio para impedir a ovulação, vou ao médico tomar hormônios para facilitar a gravidez...

- Você se cuida, Clara... o Jack está se controlando agora... mas não sei o que vai acontecer se você tiver um filho com o Mick... sem falar no escândalo... já pensou?

- Eu vou tomar cuidado... vamos mudar de assunto, agora? Vocês querem comprar o que? - Clara sorriu, tentando tirar o foco da conversa de sua vida pessoal.

- Eu quero uns casacos bons de inverno e umas lembrancinhas para dar de presente... nós vamos passar o final de ano com vocês, mas acho bom já comprar umas lembrancinhas para o pessoal que vai ficar lá no Brasil...

- E como estão as coisas por lá?

- Tudo bem... mas você sabe... sempre os mesmos fazendo as mesmas coisas... - Ciça sorriu. - Até o papai está com o "pé atrás" dessa vez... suas tias não param de ligar para ele, sempre especulando, se você mandou dinheiro, se deixou de mandar...

- Mas o papai ainda tem uma parte daquele dinheiro que eu mandei, não tem? - Clara perguntou preocupada.

- Sim... ele tem... está naquelas aplicações que o Jonas fez para ele... eu estou controlando, porque senão ele gasta tudo, filha... você sabia que sua tia já andou especulando sobre o quanto você mandou, se continuava mandando... não gosto do tom deles, você sabe...

- Eu vou mandar mais... mas eu quero que vocês comprem imóveis com o que eu mandar... para investir... quero que a Ciça e o Fernando coloquem esses imóveis para alugar, para terem um dinheiro a mais, além do salário... o papai também... o Jonas está procurando um apartamento bom em São Paulo para mim e para o Jack... nós queremos alguma coisa na Vila Nova Conceição... quero que estes imóveis que vocês comprem também sejam em bairros bem valorizados... vou pedir ao Jonas para ajudar vocês na procura...

- Está bem... - Ana sorriu para Clara. - Eu sei que você quer nos ajudar, filha... mas todos estão bem... não precisa se preocupar tanto...

- Mas me preocupo... quero ver vocês tranquilos, sem nem precisar pensar em dinheiro... ok? Se existe uma coisa boa nesta minha situação atual é eu poder ajudar as pessoas que amo... e não consigo ficar em paz, de verdade, se vocês não estiverem também...

- Ah, filha... quem eram aquelas pessoas que estavam conversando com você lá na festa ontem?

- Não sei mamãe... falamos com tanta gente...

- Sim... mas era uma família... uma senhora bonita, com o cabelo vermelho, olhos azuis, ela estava com um moço lindo, alto, a cara do seu marido... aquele moço é filho dele, não?

- Ah... sim... a Linda... é... o rapaz é filho do Jack... ela era uma groupie e eles tiveram um caso por anos, mas quando ela ficou grávida, o Jack estava casado e ela, então, casou-se com um outro rapaz que era namorado dela... ele assumiu o filho como dele, mas o Jack deu a ela uma loja linda na Carnaby Street, que ela tem até hoje... sabe que quando chegamos aqui em Londres, pela primeira vez, ele me levou à loja dela e foi lá que ele me comprou o primeiro presente que me deu... aquele conjunto de colar e brincos indianos com rubis e diamantes... amei as jóias e a loja... mas até hoje tenho ciúmes da relação deles... 

- Ciúmes? Por que? - Renata perguntou.

- Porque ele sempre deixa claro que ela é uma espécie de melhor amiga dele, que ele  adora...

- Hum... isso não é bom... - Ciça sorriu. - Mas ela é casada, não é? Quero dizer... o Jack não tem ainda um caso com ela...

- Não... mesmo assim... ele a trata com tanto carinho que sempre me deixa um pouco nervosa...

- Ele é carinhoso, querida... - dona Ana, disse segurando a mão de Clara. - Mas não acho que você deva se preocupar com nenhuma outra mulher neste mundo... ele te ama tanto que consegue dividí-la com outro homem... você já pensou nisso?

- Eu sei, mamãe... mas... às vezes é maior do que eu, eu acabo perdendo a cabeça...  aquela história de ontem, no metrô... eu briguei com ele por causa daquela Ann Kurtiss... ainda bem que ela nem chegou perto do Jack na festa...

- Quem é essa?

- Não sei se vocês repararam nela... é uma loira alta, de cabelo liso, que estava com o empresário do Jack ontem... com um vestido curto preto, de paetês... Ah, gente, ela gravou um disco com o Jack... lembram?

- Ah... sei... mas se ela nem chegou perto do Jack...

- Acho que ela ficou com medo de outro escândalo... depois da história do vídeo... - Clara disse, perturbada. - Talvez o Jack tenha dado ordens para o Peters mantê-la longe, para não me contrariar... o Jack me protege muito, sabe... ah... por que eu tinha que me apaixonar pelo Mick? Por que?

- Não mandamos no nosso coração, querida... - dona Ana disse sabiamente, um pouco antes de chegarem na King's Road, uma das ruas favoritas de Clara para fazer compras. A manhã clara e ensolarada levou muita gente às ruas também, todos felizes por poderem desfrutar das alegrias da decoração natalina, sem os rigores do clima gelado habitual para aquela época do ano.

- Só pode ser o aquecimento global... - as pessoas comentavam preocupadas, cada vez que tinham uma chance. Aquele hábito tão inglês de falar do tempo, estava diferente em conteúdo, naquela semana de tanto sol.

Além do sol, a presença de Clara chamava atenção nas lojas que ela e seu pequeno grupo percorriam, atrás de presentes, roupas e acessórios, que compravam alegremente; ocasionalmente interrompidas por pedidos de fotos e autógrafos. A pedido de Clara, o segurança, que Jack pediu para acompanhá-las ficava atento, distante do grupo, mas pronto para protegê-las de assédios mais inconvenientes ou de um possível ajuntamento maior de pessoas.

- Mamãe... este vestido é a sua cara... olha só que lindo... - Clara disse animada com um belo vestido de festa na vitrine. - Vai mamãe, experimenta...

- Ah, filha... é muito... não tenho nem lugar para ir com um vestido desses...

- Tem sim... quero te ver linda, mamãe... vai lá provar o vestido... vai ser um presente meu... vai...

- Ah, querida... mas não precisa...

- Precisa sim... - Clara disse pedindo à vendedora para trazer o vestido da vitrine, no tamanho de dona Ana, para que ela provasse.

- Lindo esse vestido, Clara...- Ciça sorriu. - Vai ficar perfeito nela...

- Vai sim... sabe... eu fico muito feliz de podermos ter o que quisermos agora... ficava tão aflita antes, vendo ela e o papai lutando tanto e não conseguindo quase nada... agora, quero que ela viva como uma rainha... espera, um instante, acho que meu celular está tocando... alô... - ela disse afastando-se um pouco do grupo, ao ver o nome de Mick na tela do aparelho. - Olá querido...

-  Olá, meu amor... então... como estão as coisas?

- Bem... e aí?

- Bem também... seu marido saiu para dar uma volta na Ferrari, com seu pai e eu aproveitei para vir até seu quarto, sentir seu perfume...

- Mick... você está maluco? Se o Jack te pega aí dentro...

- Mas já vou sair... só precisava sentir seu perfume... e nada como ficar um pouco no seu quarto, no seu closet, para isso...

- Ah... querido... você pode me fazer um favor?

- Sim... o que você quiser, meu amor...

- Estava aqui pensando... por que não almoçamos todos juntos no francês? Vou ligar para o Jack, chamando-o... é claro que meu pai vai reclamar, mas você o coloca na Ferrari, ele vai adorar ser visto descendo de uma Ferrari, na porta daquele restaurante, cheio de fotógrafos...

- Entendi... e eu vou adorar almoçar com a mulher mais linda de Londres... e toda a sua família... inclusive seu marido... ótima ideia, querida... vou ajudar você a convencê-los... meu amor... pode ficar tranquila...

- Obrigada, querido... vou ligar para o Jack agora... ah... e por favor, não o deixe vê-lo aí...

- Está bem, amor... já vou sair... ah... tomei a liberdade de pedir para sua arrumadeira colocar as lavandas no vaso do seu quarto... ficaram lindas aqui...

- Eu te amo... - Clara riu. - Beijos...

- Beijos, amor...

Assim que desligou, ligou para Jack, propondo o almoço em família no francês e ele considerou uma ótima ideia, mas só teria certeza sobre o que faria, quando voltasse para casa e pedisse a Jonas para traduzir os planos de Clara para Paulo, que naquele momento, parecia uma criança, passeando ao redor do Hyde Park no belíssimo carro de Mick.

Jack até tentou explicar a ele, em um espanhol muito ruim, o que Clara estava dizendo, mas não conseguiu. Então, ele entregou o celular nas mãos de Paulo e Clara mesmo explicou.

- Papai... estamos combinando todos de almoçarmos juntos em um restaurante aqui perto de onde estamos fazendo compras... você vem com o Mick, na Ferrari e o Jack vem com o Jaguar, junto com o Jonas... ok? Quero todo mundo aqui... entendeu, papai?

- Entendi... não se preocupa, filha... vou sim... com o Mick, então?

- É... e você vai colocar terno e gravata, não vai?

- Tudo bem, filha... mas esse restaurante é muito chique, é?

- Um pouco... mas eu quero que vocês venham...

- É que fico sem jeito nesses lugares...

- Não fica não... quero almoçar com todo mundo e quero ver você lindo... entendeu? A mamãe me disse que você trouxe terno e gravata na mala... pois então você vai usar... ok?

- Está bem, está bem, filha... eu vou...

- Ótimo... vamos esperar por vocês... agora passa o telefone para o meu marido... Jack, querido...

- Oi, amor!

- Resolvido... quero os quatro aqui, no francês, às 2 da tarde, pode ser?

- Claro que pode... você manda, eu obedeço, com um sorriso nos lábios, meu amor...

- Ah, que lindo... querido... você me faz tão feliz... eu não te mereço, amor... de verdade...

- Merece sim... você merece todo amor que eu puder te dar... tudo o que eu estou sentindo agora, contando os segundos para ter você em meus braços de novo...

- Eu te amo, Jack... muito... vou desligar... até daqui a pouco, beijos meu amor...

- Beijos, querida... - Jack suspirou, desligando o celular. - Amo muito a sua filha, senhor Paulo... - Jack disse em um espanhol enrolado para o pai de Clara.

- É... eu sei... - Paulo sorriu para ele. - Ela ama muito você... Vamos para casa agora?

- Vou passar em um lugar antes... vamos até a joalheria, senhor Paulo, quero dar mais um presente para a Clara... - Jack disse lentamente em espanhol, conseguindo se fazer entender.

- Ela vai gostar muito da surpresa... - Paulo sorriu.

- Foi aqui que comprei o anel de noivado para Clara, senhor Paulo. Vou comprar mais um anel para ela...

Os dois entraram na loja e um sorridente gerente logo veio em sua direção, mostrando jóias lindas e Jack encantou-se com um lindo anel com diamantes azulados. Mais uma vez, ele apenas entregou o cartão de crédito para o vendedor e assinou a fatura, sem sequer perguntar o preço de uma jóia que muito provavelmente era das mais caras disponíveis na loja.

- Você é mesmo apaixonado por ela, não? - Paulo perguntou a Jack, que não entendeu exatamente a pergunta, mas acabou respondendo.

- Eu amo a Clara mais do que tudo no mundo, senhor Paulo... - Jack sorriu. - Ela é a mulher mais linda e doce que conheci... quero fazê-la feliz... vou comprar flores também...

- Sabe, Jack... eu sei que você não entende bem o que eu falo, mas eu vou dizer assim mesmo... a minha filha está muito feliz com você... obrigado por não desistir dela...

Jack sorriu, não compreendia as palavras de Paulo, mas sentia que eram sobre o amor de Clara por ele, um sentimento que continuava enchendo seu coração de esperança, de um dia voltarem a ser felizes de verdade. Um casamento de duas pessoas apenas, sem mais nenhuma interferência externa.

Continua 

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