7 de abr de 2013

Rockstar - Capítulo CXXVIII


Jack abriu a porta. Com os olhos fixos nela, agarrou-a como um animal que, caçando, aguardava sua presa para dar o bote;  mal ela deu dois passos para dentro do camarim, ele prendeu-a em seus braços e beijou-a apaixonadamente na frente de todos que estavam lá, inclusive Mick.

- Oh Velho, na última vez em que eu beijei minha  mulher desse jeito, ela ficou grávida... - Keith disse gargalhando, aumentando a sensação de horror que a cena já tinha criado em Mick.

Alheio aos comentários e às risadas dos amigos, Jack continuou segurando Clara em seus braços, tornando impossível para ela dar mais um passo. - Querido... se eu soubesse que você estava com tantas saudades, já teria vindo para cá antes... Pessoal... acho que vocês conhecem minha amiga Sarah Hudson...

Bastante sem graça, Sarah cumprimentou as pessoas que estavam no camarim. Mick aproximou-se da amiga de Clara e beijou sua mão. - Olá Sarah, você então é amiga da minha querida Clara...

- Olá Mick... é uma honra te conhecer...

- A honra é minha, querida... - Mick sorriu. - Então Jack... você se importa de permitir que eu cumprimente minha melhor amiga... se bem, que no seu lugar, eu faria a mesma coisa... é tão difícil soltar este anjo...

- Desculpa Mick... - Jack disse tentando conter-se, ele soltou Clara e foi direto até uma garrafa de whisky deixada sobre a bancada com espelho. - Alguém quer um drink?

Clara fez um sinal para que Mick não se aproximasse e foi atrás de Jack. - Querido... o que foi?

- Nada! Quer uma bebida?

- Eu bebo do seu copo... - Clara tirou o copo quase cheio de whisky das mãos de Jack e bebeu metade, em apenas um gole,  fazendo uma careta, mas isso não abalou a disposição de Jack para beber e ele voltou a encher o copo.

- Posso saber o que está acontecendo aqui? - Clara tomou coragem para falar.

- Nada... Estamos combinando o que vamos tocar juntos... - Jack disse, sentando-se ao lado de Keith. - Love in Vain e Crossroads, então?

- Não sei... o que você acha, Mick? - Keith disse acendendo um cigarro. - Fazemos as duas?

- Eles que sabem... Serão as duas? Jack? Dave? Mike?

- As duas... - David sorriu. - não quero perder essa chance de tocar com vocês... Só não sei quem vai tocar a gaita? Você ou o Mick, Velhão?

- Os dois... - Jack sorriu. - Se ensaiarmos direitinho aqui e definirmos quem entra quando, os dois tocam e vai ficar muito bom...

Clara sentou-se no colo de Jack, tirando das mãos dele o copo de whisky e bebendo, na tentativa de fazê-lo beber menos. Mas isso não o convenceu, depois de secar mais uma vez o copo, ele levantou-se e pegou novamente a garrafa. Clara foi atrás dele e sussurrou em seu ouvido. - O que foi?

- Nada... Por que você acha que tem que estar acontecendo alguma coisa?

- Não sei, querido... venho até aqui e você está bebendo desse jeito... tentando me segurar... não estou entendendo, há poucos minutos lá no meu camarim estava tudo bem...

- Me perdoa, querida... eu sou um idiota... estou estragando tudo...

- Jack... eu sou sua para sempre, lembra? - ela acariciou o rosto de Jack e percebeu que ele estava chorando. - O que foi, meu amor?

- Me perdoa, querida... não quero te deixar triste, vou lá fora falar com o Peters....

- Jack... - Clara começou a andar atrás de Jack, mas foi segura por David.

- Deixa, Princesa... é melhor... ele dá uma volta por aí,  esfria a cabeça e daqui a pouco tudo está bem... calma...

- Querida... você quer que eu vá embora? - Mick disse abraçando-a. - Eu faço o que você quiser...

- Não, Mick... me perdoa... não sei o que está acontecendo com o Jack... nós conversamos tanto, não esperava por isso... não hoje... não é melhor eu ir falar com ele?

- Acho que  não... Clara... - Michael Silver que acompanhava tudo de longe decidiu interferir. - O Jack vai dar uma respirada e já volta... ele sempre foi assim...

- Está bem... vou esperar por ele... - ela disse puxando Mick pela mão e levando-o até o sofá. - Me perdoa... isso não podia estar acontecendo...

- Calma, meu amor... não tenho o que perdoar... não desta vez...

- Mick... por favor... - mais uma vez Clara perdeu o controle, sentou-se no sofá chorando muito. - Estou tão cansada... ele não sabe, mas quem tem vontade de sair andando sou eu... largar tudo... mesmo depois de ter vivido tudo o que vivemos... é dor demais, essa culpa que eu sinto... não quero mais sentir nada... pego um avião, volto para minha casa e esqueço de tudo...

- Calma, querida... você precisa se acalmar... - Mick disse pegando-a pela mão. - Não decida nada, hoje pelo menos, todo mundo aqui está muito nervoso... é o dia da estreia, existe muita coisa em jogo. O Jack sofreu muito nos últimos 30 anos, queria voltar para a banda, mas sentia-se culpado... até você fazê-lo esquecer dessa culpa, mas acredito que, como toda velha ferida, ela ainda dói...

- Mick... será que você não entende... meu casamento está por um fio...

- Meu amor, você é quem não entende... antes de você vir até aqui, ele já estava assim... bebendo, o olhar perdido no horizonte, sussurrando pedidos de desculpas ao vento...

- Verdade, Princesa... o que o Jack tem hoje é muito diferente das crises de ciúmes de sempre... esse é o velho Jack com quem convivo desde a morte do Don... lutando contra seus fantasmas... fica tranquila, desta vez não é sobre o casamento de vocês... é sobre aquele dia, há trinta anos, em que o melhor amigo dele socou nós dois e acelerou aquele maldito carro de corrida até se espatifar naquela maldita árvore, na estrada. Até você aparecer na vida dele, quando ele fazia qualquer coisa relacionada à banda, ele ficava assim... bebia, repetia mil vezes ao vento que era ele que deveria ter morrido e depois subia no palco, descia todo estraçalhado emocionalmente, ía até a montanha onde passava uns dias sozinho, curando as feridas com muito whisky...

- Vocês nunca me disseram isso... Por que vocês deixaram chegar a esse ponto, se sabiam que dói tanto para ele? David... se eu soubesse disso...

- Ah, Princesa... porque você viu... quando você apareceu mudou tudo... nós tinhamos certeza de que os dias de sofrimento tinham acabado... podíamos pensar tudo, menos que ele fosse voltar a ter uma dessas crises... e justo hoje...

- Vou atrás dele... - Clara disse, levantando-se do sofá. - Era tudo o que eu precisava, como se já não bastasse ver meu casamento ruindo... não suporto a ideia de vê-lo sofrendo... eu preciso fazer alguma coisa... Sarah... fica com meu celular, o Jonas vai ligar quando chegar, vou procurar o meu marido...

Clara deixou todos no camarim e saiu procurando por Jack pelos corredores da Arena. Primeiro foi até o palco, que parecia agora um lugar mágico, como um templo, quieto e na penumbra, enquanto tudo vibrava atrás da pesada cortina de veludo que ajudava a conter o calor e abafava uma parte do som, o que ela sentiu quando pisou ali a fez ficar arrepiada da cabeça aos pés. Mesmo que ali nada estivesse acontecendo, além do trabalho dos técnicos, ainda correndo para deixar tudo pronto para a explosão de pura emoção que aconteceria dali a poucas horas.

Vendo-a no palco, Michael Peters, que conversava com um técnico, atrás da mesa de controle, na outra lateral do palco, veio até ela. - Clara... o que foi? Está tudo bem?

- O Jack... você sabe onde ele está?

- No camarim... ele não está passando a música com o Jagger?

- Não... - ela balançou a cabeça, concentrando-se para não chorar. - Ele disse que vinha te procurar...

- Mas não veio... espera... vou chamá-lo pelo celular... - Peters disse ligando para Jack. - Está desligado...

- Tudo bem... vou procurar no outro camarim... quem sabe ele foi para lá...

- Você quer quer que eu coloque os seguranças atrás dele? Eles o encontram para você...

- Não... acho que ele foi para o meu camarim... pode deixar que eu o encontro...

Continua


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