9 de abr de 2013

Rockstar - Capítulo CXXIX


Tentando controlar-se, ela parou no corredor que levava aos camarins, respirou fundo e deu uma olhada da porta no camarim maior, que estava sendo preparado para  a festa após o show. Lá algumas pessoas trabalhavam, ajeitando tudo para receber os convidados; Jack não estava lá também.

Das áreas que estavam sendo utilizadas pela produção, faltava olhar apenas duas, seu próprio camarim e o estacionamento, onde as limusines e duas ambulâncias esperavam, uma reservada para ela, com a equipe do mais renomado especialista em sangue do Reino Unido e a outra, uma exigência da seguradora, listada dentro dos  complicados contratos do showbusiness de nossa época, para o restante da produção.

Mas algo dizia a ela que não valeria a pena pegar carona em um dos carrinhos elétricos para ir até lá, porque Jack certamente procurava agora algum conforto em seu camarim exclusivo, fechado atrás da porta com uma estrela dourada, talvez tentando relaxar no mesmo sofá onde há poucas horas tinham feito amor.

Secando as lágrimas de seus olhos e respirando fundo mais uma vez, ela abriu a porta e encontrou Jack deitado no sofá, agarrado em um casaco que ela tinha trazido em sua mala.

- Meu amor... - ela disse, fechando a porta e caminhando até ele. - Você está bem?

- Me perdoa, querida... - ele disse, sentando-se e puxando-a para seu colo. - Me senti perdido lá fora e vim para cá, queria me sentir perto de você de algum jeito, sem te deixar triste  e lembrei que aqui estaria com suas flores, suas roupas, seu perfume... Quando estava lá com os rapazes, lembrei do Don, fiquei imaginando o quanto ele gostaria de tocar em um lugar como este... eu sei que ele estaria muito feliz de estar aqui... se você visse os lugares em que tocávamos antigamente... ah, meu anjo... dói tanto ainda...

- Ah, meu amor... - ela o abraçou. - Se eu soubesse... se você tivesse me dito... eu nunca teria deixado você aceitar a volta da Crossroads...

- Não, querida... não sentia mais isso há muito tempo... pensei que nunca mais me sentiria assim, mas... mesmo sem olhar para ela, ela continua lá... em um canto, me esperando... depois de 30 anos, me acostumei com ela... - ele disse, secando as lágrimas nos olhos dela. - Eu a trouxe para minha vida, quando não consegui evitar que meu melhor amigo morresse... e eu sei que ela estará aqui no meu peito até o final dos meus dias...

- Mas não precisa... meu amor... você não podia ter feito nada... entenda isso... o que aconteceu com ele não foi sua culpa, nem de ninguém... deixa isso ir... solta esse sentimento porque ele só te faz mal...

- Ah minha vida... eu te amo tanto... - Jack disse, agarrando-se em Clara e chorando em seu ombro. Ela apenas acariciou os cabelos de seu marido e chorou com ele, sentindo em seu peito a mesma dor que ele sentia.

- Meu amor... vou buscar água para você... - ela disse, levantando-se do colo dele, já com o corpo um pouco dolorido. - está melhor?

- Você é o meu remédio, querida... - ele disse limpando o rosto e caminhando até Clara. - Obrigado, meu amor... você está aqui comigo... e me sinto envolvido pelo seu amor... agora, estou te sentindo em mim, minha vida...

- Sou sua, meu amor... vem beber água, querido...

- Eu vou melhorar, querida... você vai ver...

- Se você tivesse me dito que ainda doia...

- Não... mas não me doía mais... estava bem, seguro do que queria, mas quando estava lá com os rapazes, pensei no Don e tudo voltou... tentei afastar a lembrança com um pouco de whisky, mas não consegui... comecei a me sentir mal... ainda bem que você estava aqui para me ajudar...

- E eu, achei que você estava com ciúmes do Mick...

- Não, meu amor... estou cada vez mais em paz com isso... sinto aqui dentro o quanto você me ama, por isso, não  tenho nenhuma razão para ter ciúmes... - ele disse apontando para o coração. - Você é minha... e eu sei que você é... 

- Sou sim... toda e inteiramente sua, meu amor... - Clara disse, beijando-o. - Então... vamos lá ficar com os rapazes? Todos estão muito preocupados com você...

- Vamos lá... ainda nem passamos as músicas que vamos tocar com os Stones... estou com vergonha de mim mesmo, querida... vou até o banheiro lavar o rosto... e já vamos...

- Está bem... - ela sorriu para ele e os dois saíram abraçados de lá e, juntos, entraram no camarim onde todos ainda estavam reunidos, tocando e cantando velhos blues.

Continua

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