12 de fev de 2013

Rockstar - Capítulo CXII


Todos combinaram que o domingo seria de folga e assim, diretamente da pista do aeroporto, cada um seguiu para sua respectiva casa, enquanto Michael e Jennifer, que viviam em Paris, foram para o Hotel Four Seasons Over the Park.

Descansados por terem dormido uma boa parte do voo, Clara e Jack chegaram em casa, desfizeram as malas, trocaram suas roupas por seus roupões e foram para a cozinha, onde Jack preparou seu prato favorito, purê de batatas com salsichas. Novamente em clima de lua de mel, comeram juntos e depois, simplesmente foram relaxar juntos, na cama.

Acordaram cedo e embarcaram na van de Khaled  até o o aeroporto para buscar os parentes e amigos de Clara chegando na cidade para assistirem ao show da estreia da turnê da Crossroads na O2 Arena.
Ela não disse nada, mas estava ansiosa pelo encontro, quando eles se aproximaram dela e do marido na porta de saída do desembarque.


- Mamãe, papai... que saudades... - ela disse abraçando seus pais. - Então... como vocês estão?

- Estamos bem, querida, mas você está um pouco abatida... - a mãe de Clara disse ao abraçá-la. - E mais magrinha também... você tem comido direitinho, filha?

- Tenho... - ela sorriu um pouco sem graça, enquanto Jack também abraçava e cumprimentava todos em um português quase incompreensível.

A presença dos dois no aeroporto começava a chamar atenção e alguns fãs da Crossroads se aproximaram em busca de fotos e autógrafos. Clara, percebendo que Jack já estava ficando incomodado com a situação, tratou de apressar todo mundo e logo todos estavam dentro da van de Khaled, rumo a casa deles, onde ficariam hospedados.

- Então... o que está acontecendo com você, filha? - Paulo disse mostrando-se preocupado. - Você está doente?

- Estou bem, papai... só que eu e o Jack chegamos de madrugada, de Nova York, e ainda não tivemos tempo para descansar...

- Não é isso não... você está parecendo uma caveira, filha...da outra vez você também disse que estava bem... e foi parar na UTI...

- Paulo! Não fala assim com a menina... - Ana disse rispidamente, chamando atenção de Jack que quis saber do que estavam falando.

- Como eu falo que a Clara está bem? - Jack perguntou a Jonas dentro do carro.

- Ela está bem... - Jack repetiu o que Jonas lhe disse.

Clara pegou as mãos de Jack e começou a falar. - Eu estou bem... tive uns problemas em Nova York, mas já estou me recuperando...

- Então você está doente... - Paulo perguntou. - Por que não nos disse nada?

- Eu tive um mal estar em Nova York e precisei ver um médico, mas estou bem... 

- Ela vai estar bem... - Jack disse gesticulando para Jonas traduzir para eles. - Vou levá-la ao médico amanhã...

Clara olhou para ele estranhando aquela informação e ele respondeu sorrindo para ela. - O Mick marcou uma consulta para você com o maior especialista em sangue do Reino Unido... vou levá-la lá amanhã...

- O que ele disse? - Paulo perguntou a Jonas desconfiado.

- Ela tem uma consulta marcada para amanhã com o maior especialista em sangue do país... - Jonas traduziu, tentando proteger Clara dos olhares preocupados de todos dentro do carro.

- Então tá! - Paulo disse suspirando. - Ela precisa ir ao médico...não dá para brincar com essas coisas...

Clara decidiu que era o momento de mudar de assunto e passou a contar para eles sobre seus planos para o final de ano e o quanto queria que eles viessem passar as festas com ela.

- Agora vamos para a minha casa que já está esperando por vocês, temos um tempinho, então dá para todo mundo trocar de roupa, tomar banho, se quiser e daí saímos para almoçar fora... meus empregados já voltaram da folga e farão um jantar delicioso para todos  nós... ah! E por favor, tentem não fazer muito barulho, a filha, o genro e o neto do Jack estão passando uns dias conosco e ele é só um bebezinho  de pouco mais de um mês e precisa dormir, ok? - Clara sorriu.

- Filha, neto? Eles não têm casa não? - Paulo disse em voz alta o que estava pensando.

- Papai... eles estão se mudando para Londres e chegaram em casa quando ainda estávamos nos Estados Unidos... sim... eles têm uma casa, mas ela ainda está sendo arrumada para eles.

- Esse restaurante que nós vamos não é daqueles chiques, cheios de frescura... é? - Paulo interrompeu o que Clara estava dizendo.

- Não... pensamos em alguma coisa simples... - Clara sorriu e traduziu para Jack, o que seu pai estava dizendo.

Jack riu e respondeu. - Não se preocupe senhor Oberhan... vamos a um pub, perto de casa... não precisamos nem de um carro...

- Querido, meu pai não é Oberhan, é Giacome, lembra?  - Clara sorriu. - Ele disse que vamos a um pub, perto de casa e não precisamos nem de um carro para chegar lá...

- Ótimo... - disse Paulo. - Era isso o que eu queria... aliás, que todos nós queriamos... ninguém aqui gosta de  restaurante cheio de frescura... e além disso, somos pobres, não temos roupas e não queremos envergonhar vocês...

- Imagina, papai... eu sei que todo mundo aqui é capaz de fazer bonito, seja onde for... mas sinceramente, eu e o Jack nem gostamos desses lugares muito sofisticados, papai... - Clara sorriu. - Mas vocês sabem que  um pouco de luxo não faz mal a ninguém e se vocês acham que precisam comprar roupas, nós podemos providenciar isso também...

- Clara, seu pai está só sendo um ogro, é claro que  não precisamos de roupas... - a mãe de Clara interrompeu. - Explica para ele que vocês precisam frequentar esses lugares, e que isso é bom para as suas carreiras...

- Não é bem assim, mamãe... mas gostamos de ir a esses lugares também... alguns são lindos,  muito românticos... aliás, se conseguirmos tempo, quero levar vocês numa casa de chá maravilhosa daqui de Londres... é um antigo palácio que foi reformado, é como viajar no tempo, vocês vão adorar! - ela disse em português e depois traduziu para Jack.

- Ah, Menininha... Vamos sim... eles vão gostar muito de lá... Pena que teremos tantos compromissos nestes próximos dias, mas vamos nos dividir e cuidar de tudo para que eles aproveitem  bem essa estada conosco... 

- Vamos sim, amor... - Clara sorriu e traduziu tudo o que Jack disse.

Todos ficaram impressionados com a casa deles depois da reforma e depois de instalar cada um de seus visitantes em seu quartos de hóspedes, todos saíram juntos, a pé, aproveitando o dia ensolarado que mantinha a temperatura bastante amena para aquela época do ano.

O almoço no pub do Dan foi alegre e tranquilo, com direito a um longo passeio pelo parque na volta. Depois, com todos cansados pela viagem, todo mundo foi para a casa de Clara para relaxar em torno de xícaras de café expresso e bombons de chocolate. 

E todos gostaram muito de conhecer o Pequeno Jack que foi passado de colo em colo entre eles, antes de Kate e  Mark, acompanhados pela babá,  levá-lo a uma visita a seu apartamento em reforma.

- Quando vou ter meu netinho? - Paulo comentou de olho em Clara. - Vocês vão me dar um netinho, não?

- Vamos papai...estamos nos preparando para isso...

- Mas precisa ser logo, daqui a pouco o rapaz aí vai estar mais velho do que eu...

- Papai!

- Nossa... como eu comi... - sorriu Jonas, percebendo que a conversa começava a deixar Clara nervosa. - Nunca imaginei que algum dia a minha melhor amiga se tornaria o nome de um prato de sopa em um restaurante... e uma delícia como aquela...

- É... a nossa amiga agora é poderosa, Jonas... você viu só essa casa? - Renata sorriu.

- Não sou poderosa nada... - Clara riu. - Eu os ensinei a fazerem aquela sopa, eles gostaram e a colocaram no cardápio, só isso... o Jack é amigo do dono daquele pub há muito tempo...

- Ele me disse... - Jonas sorriu. - E já que você falou no passado do Jack, você já sabe quando vai terminar o livro?

A conversa entre os amigos foi brevemente interrompida, quando os pais e a irmã de Clara decidiram que precisavam descansar um pouco. Jack,  vendo-se livre também da obrigação de entreter seus convidados, subiu para a sala de TV para assistir a um jogo de futebol.

- Tenho tido muita dificuldade para escrever ultimamente... você não faz ideia...

- Eu sei de tudo, a Sara nos contou o que aconteceu querida, você não pode arriscar assim seu casamento... - Jonas disse depois de finalmente criar coragem.

- Não quero falar sobre isso, minha família não pode saber... ainda bem que eles subiram para dormir,  mas está sendo muito difícil para mim...estou me sentindo muito culpada...

- Mas como foi acontecer isso? Quero dizer... como você foi parar na cama do Mick Jagger?

- Foi ao contrário... ele veio parar na minha cama... - Clara disse com lágrimas nos olhos.

- Aqui? Nessa casa? - Renata perguntou espantada.

- Sim... - Clara suspirou. - Há algum tempo, eu e o Mick estamos mais próximos, muitas vezes ligo para ele para simplesmente desabafar e quando o Jack foi fazer a cirurgia, ele ficou todo o tempo ao meu lado, no hospital... enfim... eu me apaixonei por ele... fomos ficando mais e mais íntimos e aconteceu...

- Meu Deus! Isso é uma loucura... e o Jack? - Jonas disse com os olhos arregalados.

- Ele sabe de tudo... contei para ele tudo o que aconteceu, no mesmo dia...

- E ele? - Renata perguntou assustada.

- Ele me apoiou, disse que não tinha ciúmes, mas aos poucos a ficha foi caindo e por isso estou assim, sem comer ou dormir direito há dias... com essa cara de caveira que meu pai mencionou...

- ... Não, querida... v-você está linda... - Jonas disse tentando não preocupá-la.

- Obrigada Jonas, mas não estou... eu estou triste, cansada e muito doente... já pedi para todos os meus amigos daqui para cuidarem do Jack, para que ele não sofra, quando eu for...Agora peço para vocês também...

- Como assim? O Jack disse que vai te levar ao médico... - Renata disse já aflita com o que ela dizia.

- Vai... mas ele não estava lá quando fiquei doente da outra vez, nem vocês... estou com muito medo...

- Não fica, querida... - Jonas e Renata a abraçaram, enquanto ela mais uma vez chorava.

- Calma, querida... você vai ficar bem... - Jonas disse levando-a até o sofá da sala de estar e pedindo um copo de água para o mordomo. - Bebe a água... quer que eu chame o Jack?

- Não... não quero que ele me veja chorando de novo... isso o magoa muito... ele acha que choro porque sinto falta do Mick... mas...

- Calma, Clara... não chora...

- Eu  preciso que vocês saibam... eu não estou assim por causa do Mick, mas porque sinto que minhas forças já estão falhando... não sei quanto tempo mais eu tenho...

- Ah Clara, não fica assim... o Jack não vai deixar nada disso acontecer... a situação é muito diferente agora, estamos em um país de primeiro mundo e seu marido é muito rico, tem condições de pagar os melhores médicos...

- Mas é meu organismo, eu o conheço... já começou, eu sinto que meu corpo não está  respondendo bem aos  remédios que me receitaram em Nova York... tudo é em vão... eu não vou conseguir, entenderam? Estou muito cansada... - Clara suspirou deitando-se no sofá.

Tentando não fazer muito alarde, Jonas correu até a sala de TV de Clara e chamou Jack, que desceu correndo as escadas.

- Clara, querida... - Jack chamava-a sem obter uma resposta. Suas mãos estavam geladas e sua face muito pálida. - Amor... me responde, por favor... O que aconteceu?

- Ela disse que estava muito cansada e se deitou... - Renata disse desesperada. - Vou chamar os pais dela...

- Não, você vai assustá-los... ela está respirando... olha... - ele disse aproximando o seu celular do nariz dela, vendo embaçar a tela. - Vou chamar o médico aqui para vê-la....

Jack chamou o doutor Pat Lanee para  vê-la em casa e antes dele chegar, ela já tinha recobrado os sentidos, embora estivesse muito confusa e não entendesse o que estava acontecendo.

Jack e Jonas a levaram até o quarto em silêncio, queriam evitar alarmar seus pais e irmã que continuavam dormindo.

- Senhor Noble, o senhor Jagger tinha me descrito o problema dela, mas sinceramente a situação é um pouco mais preocupante do que eu esperava. Aconselho a removê-la agora para um hospital. Lá faremos todos os exames necessários e podemos providenciar uma transfusão de sangue que deve melhorar sua condição... 

- Sim... mas estamos em um momento terrível aqui... temos convidados em casa,  uma porção de compromissos...

- Senhor Noble... eu acho que não me fiz entender... ela precisa de cuidados médicos  intensivos... estamos falando de alguém com anemia profunda e um quadro bastante grave de inanição... sei como reverter sua condição, mas será  preciso levá-la ao hospital...

- Está bem... vou avisar todo mundo...

Jack avisou Jonas e Renata e eles providenciaram que os pais e a irmã de Clara fossem acordados e avisados, também ligou para Mick contando tudo que estava acontecendo e ele disse que voltaria imediatamente para Londres para ajudar.

Uma ambulância veio buscá-la e Jack deixou Jonas encarregado de aguardar a van de Khaled que levaria  todos até o hospital, enquanto embarcava na ambulância com ela e com o médico.

Dentro da ambulância, Clara que tinha se mantido controlada para não assustar seus pais, caiu no choro, segurando a mão de Jack todo o tempo.

- Calma, amor... vai ficar tudo bem...

- Me perdoa, querido... não queria te dar tanto trabalho...

- Você vai melhorar, meu amor... fica tranquila o doutor Lanee vai te ajudar...

- Fica tranquila, senhora Noble... vamos levá-la ao hospital apenas para facilitar o tratamento... está tudo bem... - O médico disse tentando acalmá-la. - Vamos fazer uma transfusão assim que chegarmos e a senhora logo se sentirá melhor, então, a senhora passa a noite conosco, descansa um pouco, faz alguns exames  e amanhã cedo volta para casa...

No hospital, ela foi rapidamente encaminhada para um dos quartos particulares e logo recebia o sangue de que necessitava para melhorar. Enquanto Jack e Jonas controlavam a agitação dos pais e parentes dela que depois de alguma insistência, concordaram em fazer um rodízio para vê-la por alguns minutos e voltar para casa em seguida, deixando Jack sozinho no hospital com ela.

Enquanto esperava no corredor, que ela fizesse mais um exame, Jack ligou para David e para Peters e combinou com eles que só iria a coletiva, marcada para o dia seguinte, se Clara estivesse bem. Mick chegou em Londres à noite e foi direto ao hospital.

- Como ela está?  - Mick disse preocupado, abraçando Jack no corredor do hospital.

- Ela estava muito agitada e o médico deu um tranquilizante para forçá-la a descansar. Quer vê-la?

- Sim... quando você me ligou, fiquei louco de preocupação...

- Vem comigo, vamos entrar no quarto...

Jack e Mick entraram silenciosamente no quarto, Clara dormia profundamente e estava ligada a aparelhos que monitoravam seus sinais. Estava ainda mais pálida e aparentava muita fragilidade. Mick começou a chorar imediatamente, aproximou-se da cama e beijou sua testa, saindo em seguida, junto com Jack.

- Onde está o doutor Lanee?

- Na sala dos médicos, está esperando o resultado de alguns exames...

- Posso conversar com ele?

- Acho que sim... mas o que você quer com ele?

- Vou me colocar a disposição dele... ver se ele precisa de alguma coisa... cortou meu coração vê-la assim... - Mick disse tentando secar as lágrimas.

- Calma, amigo... ela vai melhorar... - Jack disse limpando suas próprias lágrimas. - Me perdoa, sei que você a ama...

- Não, Jack... acho que nunca amei ninguém como a amo... nunca irei me perdoar se...

- Não vai acontecer nada, Mick... ela vai se recuperar... tenho certeza... vem... vamos conversar com o doutor Lanee...

Mick e Jack chamaram o médico e colocaram-se a sua disposição para qualquer coisa que fosse necessária para ajudar Clara a recuperar-se.

Mais tarde, David e Cindy passaram pelo hospital para vê-la e apoiar Jack em seu sofrimento. Os dois nada disseram, mas comentaram no carro, de volta para casa que Mick parecia bem mais abatido do que Jack.

Embora tenham sido mandados para casa inúmeras vezes durante a noite, pelo próprio doutor Lanee e por todos os enfermeiros e funcionários do hospital, Jack e Mick passaram a noite lá, velando o sono de Clara e conversando no corredor. Aliás, foi no corredor que começaram a fazer planos para cuidar dela, em casa. 

A teimosia deles de permanecer ao lado dela, apressou um pouco o médico; que acordou Clara assim que o dia amanheceu, fez um último exame, entregou um calhamaço de receitas, um caderno com a dieta que deveria seguir e  providenciou sua alta.

Os dois acompanharam-na até o carro e seguiram juntos até a casa de Clara e Jack, sem parar nem para pensar nas explicações que dariam, caso a família dela estranhasse a presença de Mick ali. 

Em casa, Jack ajudou-a a trocar de roupa e colocou-a na cama, Mick foi dormir um pouco, na sala de ginástica, improvisada como quarto, porque todas as acomodações de hóspedes estavam tomadas no momento. Jack trocou-se de roupa e deitou-se ao lado dela, atento a todos os seus movimentos, olhando para seu rosto abatido e tentando controlar as lágrimas que insistiam em escorrer de seus olhos.

Precisava descansar, no caminho tinha conversado com Michael Peters e confirmado sua presença na coletiva de imprensa que aconteceria dali a poucas horas, no hotel Savoy. Com Mick por lá, ele sabia que Clara seria bem cuidada.

Continua

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