13 de jan de 2013

Rockstar - Capítulo CII


- Está tudo bem? - Cindy perguntou discretamente e recebeu um aceno afirmativo de Clara.

- Então, Velhão? Está melhor? - David perguntou quando chegaram na sala de estar.

- Estou Brother... obrigado! - Jack sorriu. - Graças ao doutor Jackson, estou prontinho para outra...

- Senhor Noble, eu vou reforçar meu pedido, agora na frente de sua esposa... o senhor deve procurar repousar nestes dias... qualquer esforço maior, mesmo que indolor, pode causar o rompimento dos micro vasos que foram suturados e, assim,  comprometer o retorno à sua capacidade reprodutiva... são estruturas muito delicadas, da espessura de fios de cabelo... Recomendo que os senhores, se puderem, procurem até dormir em quartos separados, pelo menos até se completarem as duas semanas de resguardo...

- Ah, doutor... por favor, não fala isso... - Jack pediu ao médico. - Nós nos casamos há poucos meses... precisamos pelo menos dormir juntos...

- Digo isso pela sua saúde, senhor Noble... no momento, com a área de sua cirurgia ainda inflamada, o risco de rompimento dos pequenos dutos é imenso...

- Doutor, estou muito preocupada com o meu marido... ele sente muita dor sempre que se excita... ele está correndo risco?

- O risco maior é o de perder a reconstituição dos dutos que foi feita pela cirurgia e ela não adiantar nada...

- Então é melhor seguirmos as ordens do doutor Jackson, amor... - Clara disse abraçando Jack. - Cindy, posso passar esta noite na suite de sempre?

- Pode, querida... claro... você está em casa aqui...

- Você vai mesmo me deixar sozinho, Menininha?

- Oh amor... não vou te deixar sozinho, mas não quero que você se machuque... hoje, vou estar ao seu lado até você pegar no sono e depois, eu subo para dormir... É tão difícil para mim ficar longe dele, doutor...

- Não precisa ficar longe... apenas tente não excitá-lo...

- Isso é difícil, doutor... ela é linda demais e nós dois nos amamos muito...

- Amor... agora, você precisa se cuidar... vou te ajudar no que puder e tenho certeza que vamos conseguir...

- Vamos sim... ah, doutor... estou começando a ficar dolorido de novo... vou me deitar, no meu quarto... amor, você pode acertar a conta com o doutor?

- Claro, amor... um momento, doutor... vou buscar minha bolsa no quarto e acompanhar o Jack até lá...

- A vontade, senhora Noble... senhor, Noble... o senhor precisa de ajuda para caminhar?

- Minha mulher me ajuda... ela já volta...

Preocupada com a fragilidade que Jack exibia, Clara abraçou-o e ajudou-o a voltar para o quarto. - Vamos, amor... vou te ajudar... Pronto... descansa, querido... Olha, amor... você sabe que não consigo sair de perto de você, vou lá conversar com o médico, mas não acho que vou conseguir ir dormir longe de você... - ela disse, beijando-o na testa. - Descansa, amor... já volto...

- Fica tranquila, querida... vou tentar me ajeitar aqui e já melhoro... e se você não quiser dormir mais comigo...

- Que ideia é essa? Claro que eu quero dormir com você... só não quero te prejudicar... e prejudicar o nosso filho...

- Eu sei, meu amor... me perdoa... estou cansado, dolorido e triste...

- Vou te compensar por tudo isso mais tarde... eu te amo muito... me perdoa pelo que aconteceu hoje...

- Já perdoei, querida... Vai lá, amor...

- Já volto... - ela disse pegando sua bolsa e caminhando até a sala de estar. Lá, ela ouviu mais conselhos do médico e pagou-o pela consulta com um cheque. Assim que ele partiu, pediu desculpas para seus amigos e foi até o quarto para ficar com Jack.

- Voltei correndo para você amor... o doutor Jackson já foi embora...

- Oh, minha vida... vem aqui... vem...

Clara caminhou direto para a cama onde Jack estava sentado e se agarrou nele. - Amor... o doutor Jackson pediu para irmos devagar, não quero te prejudicar...

- Não vai... fica comigo...

- Está bem... vou me trocar de roupa e te ninar, está bem?

- Tira só a roupa... vem ficar comigo...

- Não posso... vou dormir de pijama...

- Ah, amor... não se esconde de mim... por favor... eu preciso ficar com você aqui comigo... sou viciado nesse seu corpo... pelo menos fica do meu lado até eu dormir...

- Querido... o doutor Jackson pediu...

- Ah, amor... está bem... você não me quer mais...

- Quero sim... só acho que você deveria levar mais a sério as recomendações do seu médico...

- Eu levo... apenas estou precisando de seu carinho hoje... ou será que você só quer o Mick agora...

- Não... ah, Jack... eu não sei o que fazer... depois do que ouvi o dr Jackson dizendo, pode estragar sua cirurgia...

- Está bem... eu não vou insistir... acho que estou começando a te perder e isso me deixa triste...

- Você não vai me perder nunca, meu amor... nunca... Vem... deita em mim... - ela disse deitando-se na cama, vestindo apenas um velho blusão de moleton dele, que nela mais parecia um vestido.

Jack agarrou-se nela e deitou sua cabeça em seu colo. Ela, por sua vez, passou a acariciar os cabelos longos de Jack e a brincar com seus cachos dourados. Cansados, os dois pegaram no sono rapidamente. Um sono intranquilo para ambos, interrompido a intervalos cada vez mais curtos e retomado novamente entre lágrimas.

- Amor... - Jack acordou Clara após perceber que ela não tinha ouvido o alarme do celular anunciando que já eram 5 da manhã. - Bom dia... precisamos nos preparar, o voo sai às 7.

- Bom dia, amor... - ela respondeu, com dificuldade de abrir os olhos, inchados de tanto chorar.

- Amor... vamos... hoje precisamos ser rápidos... ou ficamos para trás... não quer tomar café da manhã?

- Não estou com fome...

- Vem, amor... vou cuidar de você... - Jack disse puxando-a pelo braço. -  Se pudesse, te levava no colo...

- Não precisa... - Clara espreguiçou-se, já estou levantando. Ela saiu da cama em um pulo e correu até o banheiro, fugindo de Jack, que agora a perseguia para fazer cócegas. - Não... amor... meu Deus, olha só meus olhos... não posso aparecer na frente da imprensa com esses olhos inchados, estou parecendo um sapo... 

- Ai amor... coloca um óculos de sol... vem aqui, meu sapinho gostoso... - Jack riu da preocupação dela com sua aparência. - Vem aqui me esquentar... estou com frio... - ele disse agarrando-a.

- Hum... que bom humor é esse, a essa hora da manhã?

- Tive o melhor dos sonhos... você cavalgava toda nua, um cavalo branco, na areia da praia, com seus cabelos voando ao vento e quando me viu te olhando, parou o cavalo e correu para mim... nos amamos na areia...

- Que lindo, querido... eu dormi tão pouco...

- Eu sei... vem aqui, meu amor... - Jack abraçou-a. - você está bem?

- Estou, meu amor... tentando de verdade acalmar meu coração...

- Se lembra sempre que sou seu... estou aqui para te ajudar... Meu amor por você só cresce...

- Lindo! - ela beijou-o com paixão. - Me desculpa... não quero...

- Está tudo bem, amor... não está doendo, mas você viu o que você faz comigo? - ele sorriu.

- Não queria... quer dizer... eu não quero te causar dor...

- Não está doendo... mas sei que preciso me cuidar... vem vamos nos vestir... quero te mimar hoje o dia todo...

- Te amo... - ela disse, deixando-o ajudá-la a vestir-se e logo ambos estavam vestindo roupas quentes e elegantes, escolhidas com a função de impressionar os jornalistas que registrariam o embarque da banda para Nova York, no avião que os levaria pelo mundo durante a turnê que estava prestes a iniciar.

- Vamos... ou eles nos deixam aqui, Menininha... - Jack sorriu. - Você está linda...

- Meus olhos estão inchados... vou precisar usar óculos escuros...

- Você é uma estrela... pode usar o que quiser...

Os dois caminharam pelos corredores da casa até a sala de vidro, onde seus amigos já estavam reunidos tomando o café da manhã.

- Velhão! Princesa! Bom dia! - David disse animadamente assim que os viu chegando.

- Bom dia, Brother! - Jack riu. - Nossa, que animação! Tira o açúcar de perto dele, Cindy...

- Ah Velhão! Hoje é o dia! Faz tanto tempo que eu espero por essa turnê... acho que sou o mais feliz aqui dessa mesa hoje... de longe...

- Eu sei... - Jack sorriu e sentou-se ao lado da esposa. - Amor, você vai adorar o nosso avião...

- Tenho certeza que sim... - Clara sorriu. - Se vocês gostaram...

- Ah, Princesa... dessa vez teremos um boeing 747 enorme... tem quatro quartos individuais, uma sala de reuniões, um bar e mais uma porção de coisas que você vai adorar, querida...

- Sei que vou... são umas 8 horas até lá, não?

- Sim, amor... por que?

- Estou cansada, acho que vou experimentar o nosso quarto particular, amor... - Clara sorriu. - Sabe que amo todos vocês, mas dormi muito pouco esta noite...

- Você está bem, querida? - Cindy perguntou ao perceber os olhos inchados de Clara e o fato dela não ter comido quase nada.

- Estou sim... - ela sorriu.

- Mas você nem tocou na comida. - Jennifer disse preocupada.

- Estou com mais sono do que fome hoje, Jen.

- Amor... come por favor.... - Jack disse, pegando a mão de Clara. - Relaxa...

- Eu estou bem, Jack... só não estou com fome... - Clara sorriu. - Então, as limousines chegam aqui a que horas?

- Elas já estão lá fora, querida... precisamos agora apenas terminar nosso café, pegar nossas malas de mão e partir...

- Ótimo! - Clara sorriu. - Querido... preciso voltar para nosso quarto porque acho que esqueci meu passaporte...

- Está bem, amor... - ele respondeu resignado. - Vai lá que estaremos esperando...

- O que está acontecendo, Velhão? Se você fez alguma coisa de ruim para a Princesa...

- Não fiz nada... juro... ela ficou muito abalada por causa do meu problema de ontem...

- Não é certo fazer um anjo sofrer...

- Jack, você sabe o quanto ela te ama, não? - Jennifer perguntou com a certeza de que sabia do que se tratava.

- E eu a amo muito... mais do que ela sequer imagina, Jen... e não importa o que ela possa fazer, eu vou continuar amando...

- Vocês dois fazem tanto sentido juntos... é lindo, sabia? - Cindy sorriu. - E inspirador...

- Então? Todos prontos para ir? - David disse levantando-se da mesa. - Vamos para Nova York?

- Vamos... - Silver sorriu. - Minhas malas já estão na sala de estar...

- Vou buscar a minha mulher... estou preocupado com ela...

Cindy chamou Jack discretamente no corredor que ligava a sala de vidro ao resto da casa. - Você já sabe, então...

- Ela me contou... e conversamos muito sobre isso ontem e ela sabe que eu estou do lado dela... não importa o que aconteça...

- Você é um homem muito especial, Jack... não deixa ela se abater por causa dessa bobagem...

- Eu sei... vou cuidar dela... sei que ela está precisando de mim...

- Vai lá, querido... - Cindy sorriu para ele.

- Amor... o que foi?

Jack foi até ela e abraçou-a, ao vê-la deitada chorando. - Vem amor... me abraça, descansa em mim...

- Eu não te mereço, minha vida... eu acho que devo ir embora, te deixar em paz...

- Mas eu não quero isso... eu te amo muito, não aceito ficar longe de você... vem, vamos lavar o rosto para irmos embora...

- Mas eu destrui nosso amor...

- Não destruiu querida... ele é indestrutível... vem, quero te mimar o dia todo hoje...

Clara lavou o rosto e colocou seus óculos de sol. Logo cada casal embarcou em uma limousine, luxo providenciado por Michael Peters como mais uma de suas armas de marketing, a super banda chegando ao aeroporto, a mesma grandeza do passado recriando o momento mágico em que a Crossroads era a banda mais poderosa do mundo.

Sem dizer nada, assim que entraram no carro, Jack puxou Clara contra seu peito e apenas acariciou seus cabelos, enquanto ela chorava durante todo o percurso.

- Meu amor... obrigada... Eu te amo muito... - ela disse quando o carro parou atrás das outras limousines para eles descerem. Lá fora, flashes e luzes da TV iluminavam a manhã cinzenta e faziam ainda mais impressionante o enorme boeing 747, pintado com o logotipo da banda.

- Eu te amo mais... - Jack sorriu, beijou-a e os dois desceram do carro de mãos dadas em um tapete vermelho que seguia até as escadas do avião.

Abraçados,  ejes pararam por algum tempo juntos no tapete vermelho e depois, Clara afastou-se para que a banda fosse fotografada na frente do avião. Os jornalistas foram avisados que só seria permitido o registro de imagens, mas mesmo assim, gritavam em vão, pedindo entrevistas, detrás da barreira de contenção, vigiada de perto por seguranças grandes e mal encarados.

Michael Peters pediu para Clara e suas amigas subirem a bordo e continuou esperando as fotos terminarem, ao lado de Charles Hutton, o assessor de imprensa da Crossroads.

Clara subiu com suas amigas e mesmo já esperando um ambiente de luxo e conforto, ela surpreendeu-se com o que encontrou. Estava em uma imensa mansão voadora, com poltronas muito confortáveis, uma grande tela de cinema, um bar completo, sala de reuniões, que também poderia ser usada como sala de jantar e uma área separada com poltronas comuns, que desta vez iria vazia, para carregar os técnicos e produtores que trabalhariam na turnê.

No andar de cima, quatro quartos completos, privativos; com camas de casal. Pequenos, mas confortáveis, além de banheiros equipados até com chuveiros.

- Amiga... que luxo! - Jennifer disse rompendo o silêncio tenso que tinha se instituído entre as três, desde que chegaram, por conta da expressão triste que Clara ainda carregava no rosto.

- Isso é que é avião... - Clara sorriu. - Ah, graças a Deus não é um daqueles jatinhos horríveis...

- Não, meu amor... isso aqui é um 747! Acho que afinal terei mesmo que acompanhar meu querido marido nesta turnê... - Cindy riu.

- Bom dia, senhoras... meu nome é Ian e sou o chefe da equipe de comissários que atenderão os senhores durante este voo. Gostaria de convidá-las a instalarem-se em nossas poltronas e ficarem a vontade.

- Quantos comissários nesta aeronave? - Clara perguntou curiosa.

-  Nesta viagem, seremos uma equipe de 6 comissários, senhora.

- Nesta viagem?

- Sim... temos menos passageiros hoje, então a equipe está menor. Durante as viagens da turnê a equipe completa terá 10 comissários.

- Menos passageiros? - Cindy perguntou intrigada.

- Sim, senhora... a equipe de técnica deve viajar com os senhores, na parte detrás da cabine.

- Estou impressionada... - sorriu Clara.

- As senhoras gostariam de uma bebida? Champanhe? Vinho?

- Ainda é muito cedo para isso... vamos esperar que nossos maridos subam... - Jennifer sorriu.  - Vocês têm internet a bordo, não?

- Sim senhora... assim que decolarmos, o comandante avisará quando a conexão estiver disponível...

- Você sabe quantas horas de voo tem daqui até Nova York? - Cindy perguntou.

- São oito horas, senhora...

- Obrigada... vamos aguardar nossos maridos aqui, nestas poltronas... - sorriu Jennifer. - Vem Clara, Cindy, vamos sentar porque já cansei de ficar de pé... este salto está me matando hoje.

- Que bota linda, amiga... - Clara sorriu, tirando pela primeira vez os óculos de sol para enxergar melhor e mostrando olhos muito inchados de tanto chorar.

- Querida... você está bem? - Cindy perguntou. - O que aconteceu ontem?

- Contei tudo para o Jack... não suporto a ideia de enganá-lo...

- Ele me disse... você foi muito corajosa...

- O que? Você contou tudo para ele? - Jennifer perguntou assustada.

- Contei e ele foi maravilhoso comigo... agora tenho certeza que não o mereço...

- O Jack é mesmo surpreendente... ele aceitou assim? Mas você o traiu...

- Ele me disse que me ama e que não quer me perder... e também que não é um homem ciumento... que as crises que teve antes foram porque estava muito apaixonado por mim... enfim... para resumir... eu não o mereço... sou uma monstra que se entregou ao primeiro homem que viu, na primeira ocasião que teve...

- Ah isso não, amiga... você lutou muito... você não pode diminuir-se desse jeito... Você se apaixonou pelo Mick, não teve culpa... - Jennifer disse preocupada com a amiga que tinha retomado o choro.

- Mas eu sinto isso... meu peito está doendo muito hoje... estou com medo de ter destruído meu casamento...

- Não destruiu, querida... o Jack disse para nós duas que te ama muito mais do que você imagina e que não vai deixar nada estragar isso...

- Viu... eu não o mereço...

- Querida... você também o ama... tenho certeza disso... nunca vi ninguém mais apaixonado do que o Jack... de verdade, querida... não se preocupe... vocês estarão bem...

- Espero que sim... - Clara deu um sorriso sem graça e limpou as lágrimas quando percebeu que Michael Peters se aproximava delas

- Bom dia, senhoras... - ele disse. - então, gostaram do avião?

- Muito! - Cindy sorriu. - E ainda nem vimos nossas suites...

- Ah... são puro luxo. Tenho certeza que vocês irão adorar...

- Os rapazes ainda irão demorar muito?

- Eles e o Hutton decidiram conversar com a imprensa... coisa rápida, porque temos que partir... bem, com licença, vou conversar com nosso comandante. Gostariam de conhecer a cabine?

- E a Ann? Ela não vem? - Jennifer perguntou fingindo-se interessada.

- Ela foi para Nashville na noite passada e irá nos encontrar em Nova York... tinha alguns compromissos por lá...

- Vamos embora? - David disse chegando à espaçosa "sala de estar" onde todos  se concentravam. - Princesa... gostou do nosso jatinho?

- Muito, querido! - Clara sorriu ao ver Jack sorrindo para ela. - Vem amor... senta aqui ao meu lado...

- Poxa Hutton... você não disse que não teria entrevistas hoje? - Michael Silver reclamou.

- Desculpem... só quis aproveitar a chance para fazer uma coisa mais marcante do que simples imagens das limousines e do avião...

- Não me importo... - Jack sorriu. - Sabe o que me perguntaram? Quando teremos um disco solo da Clara? Você já é uma estrela, meu amor...

- Logo... assim que pudermos entrar no estúdio, não é Princesa?

- Acho que sim... - ela disse sem muita convicção. - Estou cansada, será que posso ir dormir na nossa suite, amor?

- Só depois que o avião decolar... eles nos pediram isso ontem... que na decolagem e no pouso, nós devemos estar nesta área porque ela tem os cintos nas poltronas e as máscaras de oxigênio são mais fáceis de usar, caso aconteça algum problema...

- Ok... mas acho que assim que decolarmos, vou dormir um pouco...

- Vou ficar lá te embalando, querida... - Jack sorriu. - Você não vai se livrar de mim...

- Não quero me livrar de você, Jack... sou muito grata por você ainda estar aqui ao meu lado... me sinto indigna de tanto amor...

- Você é minha própria vida, querida... - Jack disse beijando-a. - te amo muito... muito...

- Ah Jack... você vai me fazer chorar de novo...

- Acalma esse coraçãozinho, Menininha... e fica comigo... nós dois precisamos só disso... - ele a abraçou ternamente.

Logo todos estavam acomodados na confortável sala de estar e antes mesmo da decolagem um comissário de bordo servia champagne. Clara agora bebia e tentava relaxar. Alguns minutos depois, pontualmente às 8 da manhã, o avião partia de Heathrow, com chegada prevista em Nova York para 11 da manhã, horário local.

Jack e Clara subiram juntos, discretamente e foram descansar em sua própria suíte, um pequeno quarto, em que a cama de casal tomava quase todo o espaço, com um pequeno armário com travesseiros, cobertores e alguns cabides para pendurar as roupas e um banheiro minúsculo, com box e chuveiro.

- Sabia que esta cama é a maior do avião? Estamos na suite master, amor... os rapazes me deixaram usar esta por causa da minha altura.  - Jack riu da dificuldade que estavam tendo para despirem-se no minúsculo quarto.

- Ai amor... é tão bom estar aqui com você... - Clara sorriu. - Vem querido... só consigo dormir agarrada em você...

- Queria tanto poder ter você... é o que está me doendo mais hoje...

- Logo, meu amor...  logo... me perdoa por ontem...

- Já perdoei e esqueci... Não se preocupa mais com isso... esquece... a não ser que você não queira esquecer...

- Claro que eu quero... estou triste porque sinto que fiz uma bobagem imensa de ter transado com ele... queria apagar completamente...

- Não amor... não precisa... já te disse que se você sente alguma coisa por ele, eu aceito... se você quiser casar ou ficar um tempo com ele... eu aceito... eu te amo... quero te ver feliz...

- Eu estou feliz do seu lado... eu te amo muito. Você é um sonho... alguém que passei a minha vida inteira procurando... eu não posso fazer o que fiz ontem... e pronto!

- Meu Deus... você pode... ok? Eu não me importo... será que vou precisar brigar com você para acabar com essa sua culpa... Fica em paz com isso... de verdade... sei que você está tendo dificuldade...

- Desculpa, querido... eu estou lutando comigo mesma para não sentir culpa... te juro... mas isso nunca tinha acontecido comigo...

- Eu sei, querida... eu te amo muito e agora quero que você descanse em mim... está bem?

- Eu te amo... você é maravilhoso comigo... nunca imaginei que algum dia eu pudesse ser tão feliz...

- É essa a ideia, querida... estou aqui para isso... te fazer feliz... vem aqui que eu quero te mimar muito hoje...

Depois de uma intensa troca de carinhos, os dois pegaram no sono abraçados. Estavam felizes e tranquilos e dormiram por um par de horas e acordaram ao mesmo tempo assustados com uma pequena turbulência que chacoalhou o avião.

- Amor, o que foi isso?

- Foi só turbulência, querida... não se preocupe... pode voltar a dormir...

- Mas não é perigoso ficarmos aqui, soltos?

- Se fosse, o comandante nos chamaria pelo sistema de som... - Jack disse apontando para pequenas caixas de som, ao lado da cama. - se ele não chamou, está tudo bem...

- Então tudo certo... mas querido... eu estou com um outro problema...

- O que foi?

- Meu estômago está roncando... será que tem alguma coisa para nós comermos?

- Com fome? - Jack riu. - Que bom, Menininha! Vamos comer... sabe que durante a turnê teremos um chef de cozinha a bordo?

- Que bom, amor... então... vamos nos vestir? Quer que eu te ajude?

- Não precisa, amor... eu me viro... sempre fui grande assim, querida... - Jack sorriu.

Depois de vestidos, os dois desceram até a área do avião que parecia uma sala de estar, onde seus amigos descansavam e conversavam.

- Nossa! Já, Velhão? Tem que tomar cuidado, lembra o que o médico disse?

- Ele está bem, Dave... estávamos descansando... não fazendo essas coisas que você está pensando...

- Vocês acordaram com a turbulência, não é? - Jennifer perguntou.

- Sim... tomamos um susto... - Clara sorriu.

- Nós também... meu iPad caiu da mão... ainda bem que  caiu no sofá... porque se fosse no chão teria quebrado...

- Estamos com fome... eles já serviram alguma coisa? - Jack perguntou.

- Disseram que daqui a pouco servirão lanches quentes... - Cindy sorriu ao ver Jack e Clara sentando-se no sofá agarrados um ao outro. - Já estão com fome?

- Meu amor não jantou ontem e não tomou o café hoje de manhã... preciso cuidar dela... - Jack sorriu e beijou-a no rosto. - Será que vai demorar muito para nos servirem?
Você pode ir perguntar para nós, Peters?

- Vou sim... - ele disse levantando-se e seguindo até a galley, na frente do avião, após a escada para o segundo andar.

- Então... vocês estão bem? - Jennifer perguntou percebendo que Clara aparentava estar mais tranquila.

- Estamos sim... - Jack sorriu. - Mais felizes do que nunca...

- Que bom! - Jennifer sorriu. - A Clara me pareceu tão triste hoje de manhã...

- Meu marido é o homem mais lindo, generoso e doce do mundo... - Clara disse sorrindo. - Não tenho direito de ficar triste...

- O lanche será servido dentro de alguns minutos, o comissário deve passar aqui para avisar... - Peters disse voltando da galley.

- Obrigado, Peters... - Jack sorriu.

- Não dá... cara... como vamos fazer tudo isso em três dias, Peters? Posso saber? - Michael Silver disse inconformado, depois de jogar para cima o caderno que estava em suas mãos.

- Tecnicamente são quase quatro dias... vamos voltar para Londres só no dia 4 de novembro, à noite... Teremos tempo para tudo... - Charles Hutton sorriu. - Os senhores têm mais alguma reclamação? Senhora Noble?

- Eu estou tranquila, Charles... acho que sou naturalmente mais compreensiva com essas coisas, passei a minha vida inteira do lado de lá e sei o quanto é precioso ter a chance de entrevistar pessoas como vocês...

- Mas para nós, Princesa, isso é muito chato... coletivas, programas de TV... ah... só cansaço e mais nada!

- Eu sei, Dave... mas é preciso... sabe...

- Não exatamente, querida... - Jack sorriu. - Nossos ingressos se esgotariam mesmo se não déssemos nenhuma entrevista, apenas anunciando pelos canais normais o agendamento das datas...

- Isso é verdade... - Michael Peters concordou. - Não há ingresso que chegue, cada nova data esgota em uma questão de minutos.

- Mas é importante falar com a mídia, porque é uma forma de comunicar-se com seu público, explicar porque fez isso ou aquilo... não sei... deixar as coisas mais claras. Os fãs querem saber como vocês pensam...

- Desculpem, senhores, o lanche está servido na sala de jantar... - O comissário interrompeu a conversa com a pompa de quem  parecia estar prestes a anunciar um jantar de gala com a realeza  e não um simples lanche quente.

- Vamos mudar nossa conversa para a sala de jantar... - David disse levantando-se, assim como todos que estavam naquela parte de avião e seguindo o comissário.

Na sala de jantar, uma mesa bem posta os aguardava, com sanduiches quentes de rosbife, frutas, sucos, vinho e champagne. E a conversa continuou de onde tinha parado. 

- O que eu não entendo é a finalidade disso tudo? - Michael Silver perguntou. - Se eles gostam de nossa música, nos ouvir ou ver tocando deveria ser suficiente...

- Mas não é, Mike... - Clara riu. - As pessoas que gostam da música querem saber mais sobre a banda e sobre vocês, querem saber como vocês pensam, de onde veio a ideia para essa ou aquela música, vocês têm muito a dizer a elas...

- Ah, Princesa... eu também odeio isso... me perdoa, mas ficar respondendo aquele montão de perguntas sem propósito que fazem para nós... é muito chato...

- É, querida... eu te juro que até tento e você sabe que não gosto de maltratar as pessoas, mas estas entrevistas... especialmente as coletivas... eu nunca consegui ver o sentido daquilo... - Silver sorriu. - Sinto muito, Princesa...

- E os paparazzi? Aqueles idiotas que ficam nos cercando... o que eles querem, afinal? Você sabe, Princesa? - David perguntou para Clara, capturando a atenção de todos naquela cabine.

- Bem... acho que o que eles têm em mente é desmascarar quem tem algum tipo de sucesso... ridicularizar essas pessoas  para mostrar ao mundo que não são dignas de atenção... no fundo acredito que quase todos tenham uma enorme inveja daquelas pessoas que perseguem...

- Também acho... você nunca fez esse tipo de trabalho, amor... fez?

- Não... eu fiz alguma crítica musical e de cinema também, mas sempre busquei ser justa... não consigo ser diferente, mas infelizmente,  convivia com muitos colegas maldosos... que adoravam destruir o trabalho de músicos, atores e cineastas... sabe que eles me achavam uma boba por  não gostar de falar mal dos outros...

- Meu amor... você não precisa beber suco... - Jack disse ao vê-la dar preferência para o suco de laranja que era servido pelo comissário.

- Preciso sim... estou te acompanhando, querido... - Clara sorriu e beijou-o no rosto. - Estou completamente ao seu lado...

- Minha linda... - Jack sussurrou em seu ouvido e beijou-a. - Eu te amo... muito...

- Perdi a noção do tempo... você sabe quantas horas de voo ainda temos? - Jennifer perguntou para Michael Peters.

- Ah... faltam umas três horas, senhora Silver... assim que terminarmos o lanche, tenho uma surpresa para todos... o novo DVD do senhor Noble já foi editado e ele nos autorizou a exibí-lo para todos...

- Jack... eu não sabia! Que bom! - Clara sorriu. - Aquela foi uma noite inesquecível!

- Foi mesmo! - David sorriu. - Então, Velhão? Quando sai o DVD?

- O Peters quer lançá-lo junto com o livro e eu achei uma boa ideia... - Jack sorriu. - Essa é a primeira edição que o diretor me manda... vocês me ajudam a ver como ficou?

- Claro, Velhão! Vamos lá ver como ficou o DVD... antes de começar, vou precisar te avisar, cara... você é feio mesmo... o DVD não tem poder para consertar isso...

- Ah Dave... pára... o Jack é lindo... - Clara respondeu fingindo-se indignada.

- Obrigado, querida... esse seu amigo aí é cego... - Jack riu.

Com todos acomodados e Clara sentada no colo de Jack, ela começou a reviver aquela noite que tinha acontecido há poucos meses, mas que estava tão viva em sua memória. O show, os problemas com Michael Peters e a primeira vez que sentiu-se em um relacionamento sério com  Jack. Naquele momento nem sonhava com as coisas que aconteceriam entre os dois, o casamento, o retorno da Crossroads e tudo o mais.

E mesmo sem querer, as lágrimas agora molhavam seu rosto. Estava emocionada de rever aquele show ainda tão presente em sua memória, a primeira vez em que Jack apresentou em público a música que fez para ela. O amor que sentiu por ele naquele instante, seu choro compulsivo que borrou toda sua maquiagem, enfim, uma noite que era inesquecível para os dois.

- Eu te amo, Menininha... - Jack sussurrou no ouvido dela, enquanto secava suas lágrimas com os dedos. - Muito...

- Eu também te amo... - ela respondeu, enquanto tentava parar de chorar. - Me perdoa...

- Não há o que perdoar... fica comigo... que vou te fazer feliz... é  isso  o que quero da vida...

- Eu estou mais feliz do que nunca, meu amor... - Clara disse beijando-o com ternura e paixão.

Quando o vídeo do show terminou, todos aplaudiram. Mas Jack queria uma análise mais crítica do material e cada um deu sua opinião sobre o que assistiu. Peters anotou todas as sugestões feitas e disse que as mandaria ao diretor e todos estavam livres para apreciar o café com  bolo de chocolate que estava sendo servido pela tripulação naquele instante.

- Hum... bom serviço de bordo, Peters... - Jennifer sorriu. - Mas precisamos cuidar da nossa aparência... você sabe, não?

- Ah... não se preocupe, senhora Silver... - Peters sorriu. - Temos acertos com o chef de cozinha para adaptar o menu de bordo a nosso gosto e isso inclui alimentação light para quem preferir...

- Ótimo! - Cindy sorriu. - Assim  não precisaremos nos preocupar com nossas medidas, não Clara?

- Minha mulher tem problemas para engordar... - Jack sorriu. - ela não precisa preocupar-se com isso...

- Verdade... - sorriu David. - A Princesa é tão magrinha que parece que vai quebrar...

- Isto me incomoda, mais do que me agrada, Dave... - Clara sorriu. - Mas tudo bem... eu sei que minha aparência não é das melhores...

- Como assim? Você é linda... - Jack interrompeu.

- Mas o médico disse que minha magreza pode me impedir de ter filhos... e isso me deixa muito preocupada...

- Ah, amor... vai dar tudo certo... você vai ver... - Jack pegou a mão de Clara e beijou-a.

- Eu sei, querido... - ela sorriu e beijou-o no rosto.

Assim que eles terminaram o café, os comissários convidaram-nos a acompanhá-los até a parte da cabine que deveria ser usada nos pousos e decolagens do avião porque era a que possuia todos os recursos necessários para a segurança dos passageiros; aproximava-se o momento do pouso e todos deveriam estar sentados e com os cintos de segurança afivelados. Logo a voz do comandante chegava anunciando que estavam chegando ao aeroporto Kennedy e que eles deveriam esperar a bordo pela liberação de seus passaportes pelos funcionários que subiriam para facilitar o processo.

Continua

Nenhum comentário: