23 de jul de 2012

Rockstar - Capítulo LXXXIX



Quando o dia já tinha escurecido, Jack e Clara rumavam para Heathrow, cortando lentamente o trânsito pesado, nos braços um do outro, os dois sentiam-se ansiosos por voltar a Paris, um dos lugares do mundo que mais gostavam. 

Clara não dizia nada, mas a informação de que Ann Kurtiss estava namorando Michael Peters não saía de sua cabeça, deixando-a muito preocupada e tão quieta, que Jack não tardou a perceber.

- Então... você quer saber alguma coisa, Menininha? - Ele disse, enquanto brincava com os cachos de seus cabelos. - Se alguma coisa te preocupa, terei prazer em  esclarecer tudo...

Clara deu um suspiro profundo, tentou dizer que estava tudo bem, mas não resistiu e decidiu aproveitar a oferta que parecia tão generosa: - Você sabia do envolvimento dela com o Peters?

- Sabia... Já faz algum tempo que eles estão juntos, querida... só não sabia que ela viajaria conosco... pelo menos, até o Dave me contar naquele telefonema do outro dia...

- E ela não te disse nada?

- Não... ela me ligou perguntando mesmo sobre uma música...

- Foi o que você me disse...

- Então... conversamos sobre essa música que ela queria gravar e também falamos sobre você...

- Como assim, sobre mim?

- Ela me disse que tinha ouvido o disco e gostado muito da sua voz... me perguntou quando você gravaria seu disco?

- Mesmo?

- Eu não minto para você... lembra?

- Amor... - Clara suspirou. - Me desculpa, sei que estou errada em ficar falando tanto sobre essa mulher...

- Não está... vem aqui mais perto... - Jack puxou-a para seus braços. - Sei que vai ser difícil para você conviver com ela durante a turnê, mas eu quero te dizer que minha intenção é a de ficar o mais longe dela que eu puder. Sou teu, Menininha... quero que você esqueça de tudo o mais e nunca aceite as provocações dela, nem acredite nas bobagens que ela possa te dizer...

- Vou tentar... ah querido... - Clara suspirou, pegando a mão de Jack e olhando profundamente em seus olhos. - Eu te juro que não sou essa mulher louca, ciumenta que pareço ser quando ela está por perto... mas...

- Eu sei, meu amor... eu sei... não precisa...

- Mas eu faço questão de te explicar...

Jack interrompeu-a com um beijo apaixonado, que tornou inútil qualquer justificativa que Clara pudesse dar para seus ciúmes.

- Não tem importância, o que ela fizer, ou disser... eu sou teu... não se preocupe com ela, nem com ninguém nesse mundo... está bem?

- Está bem, querido... só me abraça... vou tentar ser forte.

- É assim que se fala, Menininha!

Heathrow fervilhava de gente quando os dois desceram do carro e seguiram para o balcão da British Airways para fazerem o check in. Na tentativa de controlar um possível tumulto, um funcionário da companhia aérea veio ao encontro dos dois e eles foram atendidos e prontamente encaminhados para a sala vip.

- Pensei que teríamos problemas hoje, amor. - Clara disse depois de passar pela porta da sala de embarque. - O aeroporto está tão lotado...

- Também pensei... mas demos sorte... agora estaremos tranquilos...

- Sabe, querida... a proximidade dessa cirurgia e de tudo o mais me fez perceber algo muito importante...

- O que?

- Que a coisa que eu mais quero neste mundo é estar com você. Banda, turnê, disco... não posso permitir que nada disso nos afaste, nunca...

- E não nos afastará, querido... tenho certeza que não... Quero estar sempre com você...

- Ah Menininha... você é linda...

O voo até Paris demorou um pouco mais do que o de costume, culpa do tempo ruim que quase fechou Heathrow. Jack alugou um carro no aeroporto Charles de Gaulle e com ele os dois seguiram pelas largas avenidas da cidade até o hotel George V onde tinham novamente à sua disposição, a suite do piano, o mesmo quarto em que passaram a lua de mel.

- Então, amor... o que vamos fazer esta noite? Quer sair para jantar?

- Vamos sim... estamos em Paris, meu amor...

- Vamos ao Cinq? Ou podemos ir novamente naquele italiano aqui perto...

- Depois nós decidimos, meu amor... antes quero fazer uma coisa... - Clara disse beijando-o e puxando-o pelas mãos até o quarto. - Preciso ter você...

Os dois se amaram, tomaram banho juntos, vestiram roupas quentes e elegantes e saíram.

- Você está linda, querida... - Jack disse ajeitando a paximina rosa que Clara usava no pescoço. - Então, já decidiu onde vamos?

- Vamos ao italiano... andamos um pouco aqui ao redor do hotel e depois voltamos para o nosso quarto... que tal?

- Hum... seus planos soam perfeitos para mim... Vamos, Menininha?

- Vamos, querido... - ela disse agarrando-se ao marido no corredor do hotel, a caminho do elevador.

Caminharam tranquilos pelas ruas próximas do hotel, a noite estava fria, mas diferente de Londres, o tempo estava firme em Paris e o céu sem nuvens deixava ver estrelas, mas não a lua, que estava na fase em que desaparecia do céu, escurecida pela sombra da Terra.

- Meu amor... que noite linda... gelada, mas linda... - Clara disse agarrando-se ainda mais a seu marido para tentar espantar o frio. - Eu já te disse que amo estar aqui com você?

- Eu também amo, querida...

Os dois jantaram juntos no restaurante italiano que conheceram durante a lua de mel. Comeram massa, beberam um bom vinho e depois voltaram para o hotel, onde passaram o resto da noite se amando.

- Jack, amor... está na hora de levantar... vamos... - ela disse brincando com os cabelos cacheados do marido e beijando sua nuca, ainda deitada na cama. - Vamos, amor... o médico vem aqui trocar seu curativo hoje...

- Está bem, amor... vamos... você me ajuda a me vestir...

- Vou te ajudar, sim...

Clara vestiu-se e ajudou Jack. Ainda era estranho abrir os olhos e ver-se em uma sala cercada de estantes com discos por todos os lados. O mais surpreendente era saber que  o grande David Mersey permitiu que seu santuário fosse usado como quarto pelos dois, e que ele tinha pessoalmente cuidado dos detalhes, carregando os móveis e providenciado até a roupa de cama que estavam usando.

Vestiram roupas quentes e confortáveis, e Clara ainda teve o cuidado de recolher todos os objetos de ambos que estavam espalhados pela sala de música para levá-los ao segundo andar, onde a bagagem de ambos já estava pronta para a partida.

- Bom dia, Velhão! Cadê a Princesa? - sorriu David assim que Jack apareceu na porta da sala de vidro, onde todos se reuniam agora ao redor da mesa do café da manhã.

- Bom dia, pessoal!  A Clara foi terminar as malas lá em cima, já está vindo...

- Como você está, Jack? - Mike perguntou preocupado em ver que Jack ainda caminhava muito lentamente, mesmo três dias depois da cirurgia.

- Minhas bolas estão pesando uma tonelada ainda, mas acho que vou ficar bem... Desculpem-me senhoras, mas ainda não existe uma forma mais educada de dizer isso...

- Não tem problema, Jack... - sorriu Cindy. - Sente-se, tome seu café, daqui a pouco o seu médico deve estar por aqui... Olha, a Clara está vindo...

- Bom dia, Princesa... - sorriu David. - Então teve uma boa noite?

- Muito boa, Dave. Obrigada! Bom dia, pessoal...

- Bom dia... - todos responderam.

- Então, a bagagem já está pronta? - David perguntou para Clara.

- Já, David... aliás, já pode mandar buscar tudo, já trouxe as nossas bolsas de mão para a sala de música.

- Ótimo! - sorriu David. - Quero todo mundo pronto para sair daqui às 11 da manhã... O Peters vai nos mandar limousines. Ele combinou com uns fotógrafos e cinegrafistas que irão nos filmar embarcando.

- O show está começando, Menininha... sinto muito...

- Não se preocupe, querido... estou pronta... - Clara sorriu. - Deixa que eles venham... não vamos falar com ninguém hoje, vamos?

- Não Princesa... eles só terão autorização para fazer imagens, de longe...

- Melhor assim... - Clara sorriu aliviada retribuindo a piscadela de Jack,  do outro lado da mesa.

- Clara, querida... o médico já está no portão, para ver o Jack.

Jack e Clara levaram o médico até a sala de música onde ele examinou Jack e trocou os curativos de sua cirurgia.

- Senhor Noble, tudo me parece muito bem, a inflamação já diminuiu bem e agora basta que o senhor continue tomando os medicamentos prescritos e usando a bolsa de gelo sempre que puder, porque é ela que vai ajudá-lo a livrar-se dessa sensação de peso que o senhor me descreveu.

- Pobrezinho, doutor... está muito frio...

- Eu entendo... mas é preciso que ele se cuide agora... descanse, evite fazer força, carregar peso e principalmente, fique sem fazer sexo pelas próximas duas semanas...

- Esta é a parte mais cruel de todas, doutor Janttes... - Jack disse sorrindo. - O senhor está deixando este casal aqui muito triste nos últimos dias...

- O senhor precisa desta pausa, agora sua esposa pode transar com o senhor Jagger quando ela quiser...

Clara acordou assustada assim que ouviu aquela frase estranha proferida pelo médico em seu sonho. Levantou-se e caminhou até o banheiro, sentia-se um pouco tonta e agora estava nervosa consigo mesma. Lavou o rosto, mas suas mãos tremiam e ela não conseguia controlar-se.

- Clara? Querida? - Jack disse acordando também. - Cadê você?

- Estou aqui, Jack... - ela disse limpando as lágrimas e caminhando na direção dele. - Eu te acordei?

- Não, amor... o que foi? - Jack perguntou ao percebê-la perturbada. - Você está bem?

- Foi só um pesadelo, querido... - ela disse tentando sorrir. - Tenho raiva de mim mesma quando tenho esses sonhos...

- Amor, vem aqui... - Jack disse abraçando-a. - está tudo bem...

Os dois voltaram para a cama e pegaram no sono abraçados. Jack tranquilo e pronto para aproveitar ao máximo aqueles dias que teriam juntos na cidade mais romântica do mundo, Clara ainda sentindo-se culpada por aquele sonho estranho.

Continua