26 de fev de 2012

Rockstar - Capítulo LXXI


O caminho até o restaurante foi curto e rápido. Logo os quatro passavam pelas portas da pizzaria, cheia de clientes, naquele sábado gelado, agora boquiabertos ao notarem a chegada inesperada de dois grandes ícones do rock. Mick nunca deixava de tomar suas precauções e três seguranças os acompanharam até a pizzaria em um segundo carro e depois, escoltaram-nos até sua mesa reservada em uma área já isolada para eles no restaurante, garantindo que ninguém os perturbasse.

- Então, como foi o dia de vocês? - sorriu Mick. - Digam que se divertiram, por favor... porque o meu foi apenas mais uma batalha feroz contra advogados com sede de sangue em Paris, para ter as coisas do meu jeito.

- Ao menos foi uma batalha proveitosa? - perguntou Clara, sorrindo.

- Sim, querida! - sorriu Jagger, olhando-a nos olhos. - Tenho muito a comemorar nesta noite. Tudo parece ter dado certo e estou quase livre para uma lua de mel apropriada em Nice.

- Fico feliz por vocês! - sorriu Clara. - Passamos um dia muito bom aqui, não, Gianna?

- Sim, querida! - sorriu Gianna. - Foi tudo maravilhoso... desde nosso passeio de manhã até o salão de beleza do hotel... perfeito!

- Meu dia foi quase perfeito... - suspirou Jack. - Exceto por um pequeno deslize do juiz no jogo do meu time, que anulou o nosso gol da vitória contra o Manchester City... não tenho do que reclamar, não é verdade, Menininha?

- Não, querido... - sorriu Clara. - Nosso dia foi muito bom... Nossos amigos reunidos na nossa nova casa... enfim, um sábado lindo!

- Clara... estava aqui pensando... eu e o Mick estávamos discutindo no caminho, queria saber o que vocês pensam... - disse Gianna. - Vocês acreditam que um homem e uma mulher possam ser somente amigos?

- Eu sempre fui muito amiga do Jonas, meu editor, por exemplo. - sorriu Clara. - Acredito que sim, muitas vezes viajávamos juntos e até dormíamos no mesmo quarto, para economizar e nunca aconteceu nada entre nós...

- Mas será que ele não é gay? - disse Jack. - Quero dizer, um homem que gosta de mulheres, não deixaria de tentar ficar com uma mulher linda como você.

- Mas ele sempre teve namorada... não, Jack, ele não é gay... eu é que não sou tudo isso que você pensa de mim, meu amor... eu tenho um espelho em casa, e sei que agora sou só uma magricela sem graça, imagina antes...

- Não, querida. - disse Mick. - Você já era muito atraente na primeira vez que te vi, em Nova York, no dia em que vocês dois se conheceram...

- Você não é sem graça não, Clara. - riu Gianna. - Você só não se deu conta ainda da sua beleza... E já nasceu assim... não tem necessidade de grandes produções para ficar linda.

- Está vendo? - riu Jack. - Ela nunca acredita quando eu digo isso para ela...

- O que eu quero dizer é que nunca fui essa mulher irresistível... e também acho que tem a questão do trabalho, talvez nem eu, nem ele tenhamos considerado essa possibilidade porque tinhamos que trabalhar juntos, um era a melhor chance profissional do outro e, sendo assim, você só se envolve se surgir uma paixão fulminante. Como eu tive quando vi o Jack pela primeira vez, em Nova York.

- E a nossa relação ali também era para ser de trabalho, amor... - sorriu Jack.

- Sim, mas o que eu senti, quando te conheci, era muito maior do que todo o medo que eu tinha de destruir minha carreira me envolvendo... - sorriu Clara, pegando a mão de Jack sobre a mesa.

- A Gianna não acredita em uma amizade verdadeira entre homens e mulheres... eu acredito... Já tive muitas amigas mulheres... a Clara, por exemplo, é uma amiga que eu adoro... E nunca aconteceu nada entre nós... Mesmo existindo um enorme carinho, estamos envolvidos em outros relacionamentos amorosos...

Clara ficou um tanto assustada com os rumos daquela conversa e tentava pensar rápido em uma forma de mudar de assunto antes que Jack quebrasse a cara de Mick. Felizmente Gianna a salvou.

- Ah... mas a Clara não conta. - riu Gianna. - Ela não te daria a mínima chance, Mick... é uma mulher completamente apaixonada pelo marido...

- Exatamente... - sorriu Clara. - Admiro o Mick como artista, temos muito em comum e por isso, gosto de conversar com ele; mas ele é meu amigo; enquanto o Jack... o Jack é meu outro eu... a razão da minha vida...

- Meu anjo! - sorriu Jack, beijando Clara. - E você é a razão da minha...

- E você Jack? - perguntou Gianna. - Você acredita que homens e mulheres possam ser somente amigos?

- Não sei... Acho que sim... - sorriu Jack. - Eu não sou o melhor exemplo do mundo nesse quesito, mas posso dizer que, hoje em dia, sou muito amigo da Mary, minha ex-esposa. E sou amigo da Clara também... mas somos amantes e entre nós, acho que nunca houve um momento de amizade "desinteressada"... Talvez sejamos a exceção que confirma a regra...

- Viu só, amore? - sorriu Mick. - Até o Jack acha que isso é possível...

- Eu continuo achando que não... - riu Gianna. - Entre um homem e uma mulher, qualquer coisa pode acontecer...

A frase de Gianna criou um silêncio estranho naquela mesa até então cheia de sorrisos, desfeito por Jack, que parecia o heroi que repentinamente pula com sua espada, diante do perigo, salvando quem já havia perdido a esperança.

- Bem, meus queridos... - sorriu Jack. - Depois desta maravilhosa pizza e deste incrível vinho, espero que todos ainda tenham apetite para provar a mais deliciosa sobremesa do mundo, em nossa casa...

- Claro! - sorriu Clara, fazendo um sinal para o garçom. - Vou pedir a conta para pagarmos, Gianna...

Clara e Gianna dividiram a despesa da pizzaria e alguns minutos depois os quatro estavam em seus carros, a caminho de casa. Entraram rapidamente porque a noite estava ainda mais fria e Jack acendeu pela primeira vez a lareira da sala de estar, onde Clara serviu fatias generosas de brigadeirão e champagne para todos.

- Isto é dos deuses, Clara! - sorriu Mick. - Tão delicioso que acho que precisarei de mais uma fatia...

- Muito bom, mesmo, querida... - disse Gianna sorrindo. - Nossa... não entendo como você é assim magrinha comendo coisas tão boas como essa...

- Este doce é mesmo maravilhoso, querida... - sorriu Jack, puxando-a para mais perto dele no sofá.

- É, Jack, meu velho... - riu Mick. - Você é um cara que tem tanta sorte que, se eu estivesse em seu lugar, apostaria em uma daquelas loterias milionárias... ganhava na certa.

- Sou mesmo, mas acho que essa sorte não se estende para o jogo, sabe como dizem, feliz no jogo, infeliz no amor... - disse Jack, beijando Clara no rosto.

- Amore, vamos embora? - perguntou Gianna. - Precisamos acordar bem cedo amanhã para o casamento...

- Ah, sim... - sorriu Mick. - Talvez seja melhor, afinal, ninguém aqui vai querer aparecer com uma cara toda amassada nas fotos amanhã, não?

- O Pablo vem aqui te arrumar? - perguntou Gianna. - Gostei muito dele... deixou meu cabelo lindo hoje...

- Ele vem amanhã aqui, bem cedo para me maquiar... se você quiser, você pode vir aqui e ele te arruma também...

- Não será necessário querida. Já combinei com um cabelereiro e um maquiador que sempre me atendem... mas obrigada pela oferta. Amanhã será uma festa e tanto...

- Tenho certeza que sim... o velho Paul é muito bom nessas coisas... - sorriu Mick. - Bem, queridos, esta noite foi mais uma vez um enorme prazer e gostaria de agradecer-lhes a generosidade, a hospitalidade e este pequeno vislumbre do paraíso que as habilidade culinárias da cara senhora Noble nos proporcionou...

- Imagina, querido... - sorriu Clara. - Nós é que agradecemos vocês por esta noite maravilhosa...

Mick e Gianna despediram-se e partiram, enquanto Clara foi até a cozinha lavar o que utilizaram e deixar tudo arrumado, enquanto Jack a ajudava.

- Cansada, meu amor? - perguntou ele guardando as últimas taças de champagne no armário.

- Um pouco... Mas vamos um pouco para a sala de estar, aproveitar nossa lareira...

- Hum... então, posso mesmo ser seu amigo, Menininha?

- Não... - sorriu Clara, puxando-o pela mão até a sala de estar. - Amigos não fazem o que fazemos, meu amor... Se fossemos só amigos, não seria certo eu tirar assim suas roupas...

- Não seria certo... - sussurrou Jack, acariciando-a e ajudando-a a despir-se. - Ai Menininha... você me enlouquece...

Juntos, na sala de estar, em frente à lareira, os dois se amaram e mais tarde, subiram para seu quarto. Com as roupas para o casamento já separadas, dentro do closet e tudo arrumado para que Pablo e sua equipe a deixassem pronta para sair; ela apenas ativou o alarme do celular para despertá-los às 7 da manhã.

O casamento estava marcado para as 10, na mansão de Paul, que não ficava muito distante da casa deles. E acordando naquele horário, ela poderia receber Pablo tranquilamente às 8 e eles partiriam, tão logo estivessem prontos.

Logo, os dois estavam adormecidos nos braços um do outro, sob um edredom que os protegia do frio que fazia em Londres naquela madrugada.

- Bom dia, meu amor... - disse Jack ao ouvir o alarme do celular tocando. - Vou fazer um café da manhã para você... Quer panquecas?

- Bom dia, querido... - sorriu Clara. - Quero sim... Você sabe como está o tempo lá fora?

- Já vejo para você, querida... - disse Jack levantando-se nu e caminhando até o terraço. - Hum... ainda está um pouco frio, mas acho que não estará tão frio quanto ontem...

- Ai, amor maluquinho... está frio demais para sair nu assim lá fora... - levantou-se Clara, vestindo seu robe de seda e levando para Jack o seu robe felpudo. - Vai congelar, amor...

- Não vou, não... - sorriu Jack. - Não está nem tão frio e acho que fará até sol hoje... olha ali...

- Que bom! Minhas roupas para o casamento não são muito quentes... não pode fazer muito frio hoje...

- Mas se estiver frio, eu te esquento, Menininha... Vem aqui, vem... Vou te mimar hoje o dia inteiro... a mulher mais linda da festa...

- Espero que não, amor... hoje quero ser só mais uma convidada. A Nancy deve ser a mulher mais linda da festa hoje...

- Mas você é muito mais bonita do que ela...

- Não sou, não e hoje é o dia dela... gosto muito dela e do Paul e não tenho a mínima intenção de roubar a cena deles hoje... aliás, quero ficar todo o tempo na sua sombra... uma gueixa, pronta para serví-lo...

- Menininha... não fala essas coisas... assim não vamos conseguir sair deste quarto hoje... - disse Jack agarrando-a e beijando-a.

- Minha delícia... - sorriu Clara. - Vamos descer... ou daqui a pouco o Pablo chega e não estamos prontos para recebê-lo...

- Você não precisa dele, Menininha... você está linda assim, de cara lavada...

- Você é lindo meu amor... - disse Clara beijando-o novamente.

Os dois desceram, tomaram o café da manhã e arrumaram juntos a cozinha. Depois subiram, tomaram banho juntos e Clara ajudou-o a vestir-se. Depois, ela vestiu suas roupas íntimas, o robe de seda e estava pronta para seu cabelereiro.

- Querida! Que linda sua casa! - disse Pablo, ao entrar com sua assistente, na sala de estar, onde Clara aguardava. - Muito bom gosto, querida...

- Olá Pablo, como vai? - sorriu Clara. - A Cindy Mersey decorou tudo... Vamos lá para cima?

- Vamos sim, querida...

- Você vai ficar aqui embaixo, amor? - perguntou Clara, ao ver Jack sentar-se no sofá da sala de estar.

- Vou sim, amor... quero ligar para o David... Você sabe onde está meu celular?

- Acho que está lá em cima... já trago para você... - sorriu Clara.

Os três subiram as escadas e Clara encontrou o celular de Jack no bolso da calça jeans que ele estava usando na noite anterior. Desceu rapidamente, entregou-o a Jack e subiu para receber os cuidados de Pablo e sua assistente, que ajeitaram seus cabelos, a maquiaram e ajudaram-na a colocar e prender seu chapéu, enquanto discorriam incansávelmente mais uma lista de novidades sobre os convidados e a própria festa que, mesmo antes de acontecer, já era o assunto favorito de toda a cidade.

A seguir, ela colocou seu vestido, sapatos, jóias e finalmente estava pronta para ir ao casamento. Depois que Pablo e sua assistente partiram, ela ainda ajudou Jack a vestir o paletó e a gravata e os dois estavam prontos para sair.

Os convidados foram recebidos com toda a pompa na mansão de Paul, mas antes tiveram que enfrentar uma grande fila de carros de luxo, para entregar seu carro nas mãos de um manobrista.

Com o quarteirão da mansão fechado apenas para os convidados, um grupo de fotógrafos e cinegrafistas disputava espaço com curiosos, nas barreiras cuidadas por seguranças e policiais.

As barreiras policiais apenas confirmavam o maior de todos os boatos sobre aquela festa a de que ela contaria com a presença dos príncipes Harry, William e de sua esposa Kate, a Duquesa de Cambridge.

Aos poucos, os convidados foram sendo recebidos na casa e inicialmente, assistiram ao casamento civil, realizado em um cartório de registros, através de um telão e depois, quando os noivos chegaram, assistiram a uma cerimônia mais íntima, que aconteceu em uma tenda erguida no meio dos belos e bem cuidados jardins.

Clara estava radiante por estar em uma festa tão bonita, mas teve uma parte importante de sua alegria trocada por preocupação, quando Michael Peters chegou ao lado de Ann Kurtiss.

Ao perceber a presença da cantora, Clara deu a mão a Jack e decidiu que passaria toda a festa colada nele.

- Querida, você está bem? - perguntou Jack ao perceber que as mão de Clara tremiam.

- Desculpa, amor... acho que não estava preparada para encontrar com a Ann Kurtiss aqui...

- Se você não quiser, nem falo com ela... você é quem manda, Menininha... - sorriu Jack, enquanto a puxava para mais perto de seu corpo e a beijava. - Sou todo seu hoje e sempre...

- Ai que lindinho, Jack... - sorriu Clara. - Ah, se não estivessemos agora em um lugar público...

- Eu já estaria te mimando tanto... - riu Jack. - Ai, Menininha... eu te amo, meu amor... Queria estar casando novamente com você...

- Eu também, amor...

- Bom dia, meus caros... - disse Mick beijando Clara e Jack no rosto. - É uma bela festa, não?

- Linda! - sorriu Clara. - E a Gianna?

- Está ajudando uma amiga que teve alguma emergência com o figurino, no banheiro... - sorriu Mick. - Ela fica tão radiante em festas como esta que é mesmo uma pena não fazermos uma pela nossa união...

- Mas faça, Mick. - sorriu Clara. - Eu também adoro festas de casamento. Vocês não deveriam perder essa chance de comemorar o fato de que são felizes juntos... ninguém alias deveria perder...

- Está quase me convencendo, querida... - Mick disse enquanto usava seu olhar mais sedutor, deixando-a embaraçada e torcendo que Jack não percebesse.

- Se vocês decidirem, terão nosso total apoio, amigo... - sorriu Jack.

- Sim, nos oferecemos para padrinhos, Mick. Queremos muito vê-los felizes...

- Obrigada, queridos... Vocês são mesmo maravilhosos...

A conversa com Mick ainda seguiu por alguns minutos, interrompida pela aproximação de David e Cindy. Um respiro para Clara, que já estava ficando nervosa com o olhar sempre indiscreto de Mick.

Com o passar do tempo, Clara relaxou um pouco e depois de ser oficialmente apresentada aos príncipes, por Paul e Nancy; ela juntou-se ao seu grupo de amigas, que hoje estava reforçado por Gianna e por Patti e finalmente começou a entrar no espírito da festa.

Enquanto isso, Jack discutia o repertório e o revezamento que aconteceria no palco, naquele momento, ainda ocupado por uma banda contratada para animar a festa, mas que logo seria substituída pelo estrelado elenco de amigos do noivo, que começariam a tocar, logo após todas as etapas envolvidas no cerimonial do casamento, terem sido cumpridas.

- Clara querida, estou lembrando muito do seu casamento hoje... - sorriu Cindy.

- Eu também... é tudo tão lindo e tão romântico... - Clara sorriu, ao aproximar-se um pouco mais de um dos belos arranjos de flores para ver melhor.

- É, mas também porque são os mesmos fornecedores. - Cindy riu apontando para o cartão que identificava a origem dos arranjos. - Assim fica fácil...

- Ah querida... eu estava explodindo de felicidade naquele dia e hoje também estou... embora, preferisse que certas pessoas não estivessem por aqui...

- Trazer a Ann Kurtiss foi mesmo um golpe baixo do Peters... O que será que ele pretende com isso? - disse Jennifer.

- O que ele pretende, eu não sei, mas ao menos ela está quietinha, no canto dela, não a vi afastar-se do Peters nem por um minuto... - riu Cindy.

- Espero que continue assim... - disse Clara.

- Amor... - disse Jack ao aproximar-se do grupo e provocar a interrupção repentina dos comentários. - Você quer cantar comigo no palco?

- Ai querido... melhor não... Tem muita gente e vou morrer de vergonha se fizer alguma bobagem...

- Você que sabe, querida... Poderia até garantir que você não fará bobagem, que sua voz é linda e tudo o que sempre repito para você. Mas você precisa perceber isso, não adianta eu falar... Vem e não olha para o público, olha só para mim... o David vai estar lá conosco... Vamos fazer "The Light", vamos...

- Vou sim, amor... - suspirou Clara, segurando Jack pela mão. - Acho que não posso nem pensar na estreia, se nem esta plateia aqui eu consigo enfrentar...

- Que mão gelada, amor... calma... todo mundo te ama aqui... Você está entre amigos...

- Oi Princesa... vamos cantar? - perguntou David aproximando-se dos dois.

- Estou nervosa, David. Quase em pânico...

- Ah querida, não fica... Quando subir no palco, olha só para o Velhão e você vai ficar bem... tenho muita fé em você... - disse David abraçando-a.

- Oh bro... minha mulher, ok? - sorriu Jack puxando-a dos braços de David. - Ela vai ficar bem, sim... Vamos lá, amor?

Os três subiram juntos ao palco, David e Jack pegaram guitarras acústicas e Clara os acompanhou. Estava nervosa, mas aos poucos conseguiu concentrar-se e os três foram muito aplaudidos pelos convidados.

- Meus caros amigos... - disse Jack, depois de cantar com Clara. - Vocês acabaram de ouvir a razão da minha vida, cantando... E vou aproveitar que ela está aqui neste palco, ao meu lado, para cantar a primeira música que ela inspirou e que iniciou, de fato, a volta da Crossroads aos palcos... "Unexpectedly"...

Clara tentava disfarçar suas lágrimas, mas estava muito emocionada em ouvir novamente a "sua música", dali, de cima do palco, ao lado de seu grande amor. No final da música, ela beijou Jack e desceu do palco, enquanto ele continuou por lá, por mais algum tempo cantando velhos blues.

Quando já tinha anoitecido, Jack convocou discretamente seus amigos mais próximos e convidou-os para irem até sua casa nova, onde serviu champagne e um bolo de chocolate que compraram no caminho.

- Então, querida... - sorriu Jennifer. - Que festa hein?

- Eu também gostei muito... - sorriu Clara. - Dancei, cantei e chorei... muito...

- Acho que casamentos são para isso, não? - riu Jennifer. - Eu também gostei...

- A Nancy estava muito bonita... adorei o vestido dela... - disse Cindy. - Simples e romântico como todo casamento deveria ser...

- Foi lindo... fiquei tão emocionada quando o Paul cantou para ela... - sorriu Clara. - Foi tão doce...

- Você é que é um doce, meu amor... - sorriu Jack. - Vem aqui, sentar comigo... quero te mimar um pouco... Amanhã, a essa hora, já estaremos no avião, a caminho do Brasil...

- É mesmo, amor... Estou tão ansiosa...

- Ah Princesa... não fique... o Velhão é meio chato, mas naquele paraíso que é o Brasil... você não vai nem perceber... - riu David.

- Ah David... não fala assim do meu amor... ele é lindo... O mais doce dos homens...

- Você é linda, meu amor... - Jack sussurrou em seu ouvido. - Eu te amo!

- E já que está ficando bem tarde para quem saiu de casa de manhã, que tal se deixarmos nossos queridos amigos aproveitarem sua nova casa para um bom descanso antes de sua longa viagem? - disse David rindo.

- Ah, mas gostaria que vocês passassem a noite aqui, conosco... - sorriu Clara. - Temos quartos de hóspedes lindos lá em cima...

- Princesa, você é um anjo, mas precisamos ir para casa. - disse David pegando sua mão e beijando-a. - Aproveitaremos muito de sua hospitalidade, depois que vocês voltarem de viagem, terão que nos expulsar daqui...

- Nunca, meus queridos... eu e o Jack amamos muito todos vocês e estamos muito ansiosos para tê-los aqui conosco. - sorriu Clara.

- Bem, Princesa e Velhão... quero em nome de todos nós desejar a vocês dois as melhores férias do mundo. Aproveitem por nós aquele sol maravilhoso e voltem bronzeados e renovados para a turnê... E se tiverem qualquer problema por lá, me liguem...

- Obrigado, Dave... - sorriu Jack, abraçando o amigo. - É muito bom saber que logo estaremos novamente na estrada. Os últimos três meses têm sido os mais felizes de toda a minha vida, graças à minha Clara e a vocês...

Os amigos se despediram e partiram. Clara agarrou-se a Jack, com frio e os dois entraram novamente em casa, arrumaram a cozinha juntos e subiram para o quarto. Estavam cansados, tomaram um banho rápido, deitaram-se e passaram a noite agarrados um ao outro e embora não tenham conversado sobre isso, estavam tão ansiosos pela chegada da segunda-feira que não conseguiam dormir.

Continua

15 de fev de 2012

Rockstar - Capítulo LXX


- Então vocês vão passar o sábado inteiro naquele salão de beleza, de novo? - Jack disse, tentando interromper o choro silencioso de Clara. - Mas vamos almoçar juntos, ao menos?

- Vamos sim... - disse limpando as lágrimas e checando no espelho se a maquiagem estava borrada. - Desculpa amor, vamos no sábado, porque o casamento no domingo é cedo e como todas usaremos chapéus, vamos apenas prender nossos cabelos e protegê-los. Daí, no domingo, o Pablo virá até nossa casa, às 8 da manhã, para fazer minha maquiagem. E me disse, que se você quiser, pode arrumar seu cabelo...

- Melhor não... - riu Jack. - prefiro que você arrume, você sempre deixa meu cabelo bonito, amor... Estava pensando, no sábado à tarde, tem um jogo do Wolves... vou convidar os caras para assistir lá em casa, então... Testar a nova sala de TV...

- Ótimo! Você não quer que eu faça um almoço para todo mundo? - perguntou Clara.

- Não, amor... almoçamos no japonês, todo mundo junto e depois vocês vão para o salão e nós, para o nosso jogo... Não quero que você tenha trabalho, estamos sem empregados ainda...

- Não seria trabalho, meu amor... - sorriu Clara. - Mas tudo bem, se você prefere assim... Ah, querido, acho que precisamos passar em uma floricultura. - disse Clara. - Quero levar flores para a Gianna...

- Ah, sim! Tem um mercado aqui perto, vamos parar lá, você leva flores e eu levo uma garrafa de vinho... Me ajuda a escolher?

- Claro, amor... mas acho que você entende muito mais dessas coisas do que eu... - sorriu Clara.

O mercado era pequeno, mas bastante sofisticado e os dois foram seduzidos por um bolo de chocolate coberto de cerejas, na vitrine de sua confeitaria. Decidiram levá-lo, como presente aos seus anfitriões, juntamente com o vinho e as flores.

Diferente do que Clara esperava dele, Jack estava tranquilo, de bom humor e muito carinhoso. Ela estranhou, mas adorou aquele comportamento tão doce. Para ela aquela era a melhor parte da personalidade multifacetada de Jack, o homem apaixonado, que a tratava como uma rainha. Naquele instante ela sentia-se muito feliz ao lado dele e apenas torcia que aquela doçura durasse até o final da noite.

- Você não me disse nada sobre o que achou do roteiro que o Sommers escreveu. - sorriu Jack, enquanto ligava o carro para seguir até o apartamento de Jagger.

- Ah! Gostei muito das duas versões, amor... - sorriu Clara. - Por enquanto é só um esboço e a única diferença entre as duas é o ponto de vista. Você leu o livro, certo?

- Sim, amor...

- Então, em uma das versões, o filme vai mostrando a história do ponto de vista do Mike, o guitarrista da banda e o público vai desvendando os mistérios junto com ele, até a revelação final e na outra, o público vê tudo o que vai acontecendo com ele e a revelação final é só para o personagem. Eu, sinceramente, estou muito em dúvida. Algumas coisas devem ser reveladas, mas não sei se revelar tudo, na primeira cena, fará o filme ter o mesmo impacto.

- Hum... É Menininha... sua história é arrepiante, fascinante como as lendas lá do sul da América. O ambiente do blues é uma das coisas mais instigantes do mundo da música. E você foi muito feliz ao retratar aquilo tudo. Você já esteve lá, não?

- Não, amor... - sorriu Clara. - Já estive na América algumas vezes, mas nunca fui para New Orleans...

- Engraçado, mas quem lê o livro não diz. O jeito que você descreve o sonho dele, a estrada que ele segue... Menininha, tenho certeza de que já estive naquela estrada e ela fica perto de New Orleans. - sorriu Jack. - Você é mesmo uma bruxinha... a mais linda de todas...

- Ai Jack... - riu Clara. - Eu já vi muitos filmes e as músicas de vocês, dos Stones e do pessoal do blues fizeram o resto...

- Querida, não é a imagem... É o ambiente, a sensação exata de percorrer aquele caminho... Quando as coisas se acalmarem um pouco, vou te levar até lá para que você veja... É mais do que assistir ao sol se pondo no Rio Mississipi, é o cheiro do mato, a certeza de que as lendas só podem ser reais porque você sente isso na flor da pele, na energia que existe por lá... chega a ser assustador Menininha!

- Sabe, que tenho minhas teorias sobre o fascínio de vocês todos sobre o blues... acho que em algum momento, vocês todos, viveram por lá na época da escravidão...

- Você acha? - riu Jack. - Eu tenho certeza! Bem, Menininha, chegamos... é aquele prédio bonito, ali na esquina. Vou estacionar por aqui mesmo.

Clara olhou para a bela fachada de uma construção erguida no século XVIII, totalmente restaurada durante a década de 50, depois de ter sido derrubada pelos bombardeios da Segunda Guerra. Transformado agora em moradia de luxo, o prédio de sete andares teve seus apartamentos reconstruidos. Mas com o tempo e a ocupação da região pelos muito ricos, os pequenos quatro apartamentos de cada andar, transformaram-se em apenas uma unidade de moradia por andar e no caso do apartamento comprado por Mick, um triplex, incluindo uma boa área do telhado, onde o músico mandou construir um pequeno jardim, nos mesmos moldes do apartamento de Michael e Jennifer em Paris.

O sexto andar, o primeiro do apartamento de Mick, tinha sido ocupado por muitos anos por David, mas ele se mudou e vendeu-o a Mick, depois que Heathcliff Hall ficou pronto e Mick o adicionou à sua cobertura, reformando tudo, em seguida.

Jack e Clara conversaram com um recepcionista e foram encaminhados ao elevador.

- Amor, esse elevador... acabei de lembrar da nossa suíte Versalhes. É muito dourado junto, querido... - riu Clara.

- Verdade... - riu Jack. - Eles deveriam colocar um desses lá... Hum... tenho saudades de Nova York, amor... se não estivessemos com as mãos ocupadas.

Clara riu da ideia e beijou-o. - Vamos lá trabalhar, amor... Mais tarde, a gente conversa.

Quando a porta do elevador se abriu, Mick e Gianna já os esperavam no hall.

- Que bom que vocês chegaram! - sorriu Mick. - Senhor e senhora Noble, bem vindos à nossa humilde casa!

- Queridos! - sorriu Clara. - Parabéns por decidirem viver juntos!

- Obrigada pelo seu apoio à ideia, Clara! - disse Gianna. - Que flores mais lindas!

- Trouxemos também um vinho e uma sobremesa. - sorriu Jack, entregando os pacotes à Mick. - Parabéns pelo casamento...

- Obrigado, Jack. - sorriu Mick. - Sua esposa nos incentivou muito e percebemos que esta era a melhor decisão que poderiamos tomar. A Clara foi maravilhosa conosco, até me ajudou a comprar o anel para a Gianna.

- Ela me contou. Fiquei feliz por vocês... Ela é mesmo maravilhosa, Mick! - disse Jack abraçando Clara e beijando-a.

- Vem, vamos entrar, beber um champagne. O Sommers ainda não chegou, deve estar preso no trânsito, podemos conversar e relaxar um pouco. - sorriu Mick. - Venham, podem tirar os casacos, lá dentro está quentinho...

Um mordomo recolheu os agasalhos de Jack e Clara e guardou-os. Um outro empregado veio e levou os outros presentes; assim estavam livres para conversar, bebendo champagne e comendo delicados acompanhamentos.

- Então, estamos todos casando, não? - riu Jagger. - Até mesmo o Paul, que teria todas as razões do mundo para nunca mais querer isso na vida dele, vai se casar neste final de semana. Vocês vão ao casamento, não?

- Vamos sim! - sorriu Clara. - Vocês também, não?

- Sim, querida. - sorriu Mick. - Depois, vamos passar uns dias em Nice, preciso descansar antes de começar o trabalho com os Stones...

- E nós vamos para o Brasil. - sorriu Jack. - E voltamos depois de quinze dias. Queria muito poder ficar mais tempo, mas ainda temos muito trabalho até a turnê começar.

- Eu só posso ficar uma semana em Nice. - disse Mick. - O Keith quer ir logo para Barbados para trabalharmos nas músicas para o disco novo, e depois, tudo começa. Desta vez não estou com muita energia ou paciência, mas vou fazer... Tenho que admitir que ainda preciso do palco. Você vai ver, Clara, quando você experimentar, tenho certeza que também não conseguirá ficar muito tempo longe dele, como eu e o Jack, não?

- Eu tenho uma relação mais tranquila com o palco. - sorriu Jack.

- Mas não com a música, não é, amor? - riu Clara. - Aliás, acho que isso é comum a todos vocês... O mundo pode estar desmoronando lá fora, se alguém estiver tocando alguma coisa aqui dentro... os dois mergulham na música e pronto, estão fora de alcance...

- Verdade! - riu Gianna. - Mas acho que não se refere só à música, mas a qualquer coisa do interesse deles... o Mick, às vezes, assistindo futebol também sai do planeta...

- Mas isso é uma coisa masculina, Gianna... - riu Clara. - Nunca conseguem prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo...

- Conseguimos sim, querida... - riu Mick. - Isso também é lenda...

- OK! Vocês acham mesmo que conseguem prestar atenção em mais de uma coisa ao mesmo tempo? - sorriu Clara. - Depois da reunião, vamos fazer um teste... que tal?

- Oba! Adoro desafios, querida! - riu Mick. - Depois da reunião, podemos tentar... Que tal, Jack?

- Estou dentro... ainda não sei direito o que a Clara tem em mente, mas estou disposto a apostar com estas doces senhoras que conseguimos prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo... - sorriu Jack.

A conversa divertida acabou interrompida pelo aviso de que Jack Sommers havia finalmente chegado. Clara levantou-se do sofá, pegou seu notebook na bolsa e acompanhou Mick e Sommers até a sala de reuniões, no andar de cima do apartamento. O local de trabalho de Mick naquele apartamento impressionou Clara. Um bem equipado escritório e uma confortável e imponente sala de reuniões esperavam por eles.

- Clara, gostei muito de conhecer seu marido. - disse Sommers. - Eu juro que tentei não me emocionar, mas é mesmo incrível conhecer o "Deus do Rock"!

- Eu sei o que você quer dizer, Jack. - sorriu Clara. - Ele é um ícone, como o Mick... algumas cenas, mesmo para mim que tenho convivido com ele há alguns meses, ainda são surreais. Para mim também é incrível estar aqui, trabalhando com o Mick Jagger, no apartamento dele...

- No entanto, estamos trabalhando, querida. - sorriu Jagger. - Mas eu entendo o que vocês dizem... Nós nos sentiamos assim sobre os mestres do blues, o Jack já deve ter dito isso para você, não disse?

- Disse... - sorriu Clara. - Aliás os olhos do Jack brilham tanto quando ele fala desses caras, que eu, oficialmente, deveria ficar com ciúmes...

- Você tem razão, querida. Você encontrará isso em todos nós... acho que quem demonstra mais isso, entre nós é o Keith. Eu digo que ele está "possuído" pela música quando o vejo assim...

- Já vi... aliás, um dos momentos mais surreais da minha vida. Em Paris, às vésperas do show da UNICEF, ele e o Ron estavam na minha suíte mostrando ao Crossroads uma coisa no piano que tinham aprendido com um bluesman. Eu tive que me beliscar para ter certeza de que não estava sonhando...

- Não diga isso para ele, mas o Keith é um músico incrível... - sorriu Jagger. - Nem ele sabe o tamanho do talento que tem...

- Vocês todos são! - riu Jack Sommers. - E a Clara também tem uma voz linda. Ouvi hoje a versão nova de "The Light" que vocês fizeram e fiquei impressionado.

- A Clara nasceu para ser uma estrela. - suspirou Mick. - Logo vocês me verão dando entrevistas por aí, dizendo o quanto me emociona já ter tido a honra de trabalhar com ela!

- Você sempre é muito gentil comigo, Mick. Obrigada! - sorriu Clara acariciando a mão de Mick sobre a mesa de reunião.

- Então... - sorriu Sommers. - O que acharam das minhas ideias?

- Adorei! - disse Clara. - As duas versões são excelentes! Não me leve a mal, gostei muito da ideia de revelar todo o mistério na primeira cena, mas isso não seria um pouco frustrante para os leitores do livro? Porque sempre que vejo no cinema uma adaptação de um livro de que gostei muito, acabo frustrada porque nada fica parecido com o que imaginei durante a leitura...

- Sei o que você quer dizer, Clara... - respondeu Sommers. - Resolvi mudar a ordem da revelação do grande mistério, apenas como uma experiência, para ver se assim não conseguíamos aumentar o suspense.

- Entendi assim também, querida. - disse Jagger. - A ideia é ver de que forma a aflição de quem está assistindo é maior...

- Justamente, Mick! - sorriu Sommers. - Quero que as pessoas saiam do cinema dizendo..." - Nossa! Que terrível!" e não, " - Ah, eu já sabia!"

- Realmente, essa segunda versão me parece bem mais terrível. Será que não dava para combinar os sustos da segunda com a estrutura da primeira? - disse Mick.

- Para mim, acho que esse é o ideal. - Clara disse. - Vamos acompanhando o sofrimento e as dúvidas do Mike, até a certeza final de que os medos dele eram justificáveis....

- Acho que isso é possível sim... - sorriu Sommers. - Vamos salvar as anotações que cada um fez nos dois scripts em cada um dos nossos computadores e trabalhamos em cima delas. Estava aqui pensando, seu marido falou sério quando disse que colocará meu nome na lista de convidados da estreia em Londres?

- Claro que sim, Jack. - sorriu Clara. - Fazemos questão de ter você e sua namorada no show. Aliás quero o nome completo dos dois para dar ao Peters, empresário da Crossroads, para colocar na lista de convidados.

- Vou ser convidado também, não, querida? - riu Mick.

- Claro que sim... você e a Gianna! Quero todo mundo que eu amo na O2! E eu amo vocês dois! - sorriu Clara.

- E nós dois amamos você, querida! - Mick disse para Clara, enquanto pegava sua mão e a beijava.

- E eu amo a Crossroads! - sorriu Sommers, um pouco sem graça ao notar que quando estavam juntos, Clara e Mick pareciam mesmo ter o caso que todos os tablóides insinuavam.

- Então, ficamos combinados? - disse Sommers. - Na semana do show nos reunimos novamente para conversarmos mais sobre o roteiro e, enquanto isso, trocamos e-mails com as ideias que forem surgindo. OK?

- Perfeito, Sommers... Já está livre para enfrentar o delicioso trânsito até o aeroporto. A que horas parte seu voo?

- Às 9, de Gatwick para Nova York e de lá, pego minha conexão até Los Angeles.

- Meu motorista o levará a tempo. - disse Mick. - Não se preocupe, estará lá antes das 7 horas.

- Espero que sim. - sorriu Sommers. - Agradeço sua generosidade, Mick e estou muito orgulhoso de trabalhar com vocês dois. De verdade! Acho que até pagaria por este trabalho!

- E eu estou muito feliz de ver meu trabalho tratado com tanto respeito por vocês dois. - sorriu Clara.

- Você merece bem mais do que isso, minha cara. - sorriu Jagger. - Então, vamos nos divertir agora? Tem certeza, que você precisa mesmo voltar hoje para casa, Sommers?

- Tenho! Infelizmente, Mick. - sorriu Sommers. - Minha namorada vai acabar arrumando outro cara se eu não voltar... Foi breve, mas foi doce! E será maravilhoso ver a Crossroads no palco, dentro de alguns dias.

Os três desceram as escadas e chegaram na sala de estar, onde Sommers despediu-se de Jack e Gianna e depois, desceu acompanhado de Mick, que o levou até a garagem para encontrar seu motorista e partir em um elegante jaguar preto rumo a Gatwick.

- Jack, querido. - disse Clara. - Precisamos colocar os nomes do Jack Sommers e da namorada dele na lista de convidados da estreia, não podemos esquecer.

- Claro, meu amor. - sorriu Jack. - Dos Jagger também...

- Dos Jagger? - riu GIanna. - É engraçado ouvir isso.

- É, mas vocês se casaram, não? - sorriu Clara. - É justo chamar você de senhora Jagger, agora...

- Mas não deixa de ser engraçado... - riu Gianna. - Vocês conhecem o Mick, ele é tudo, menos comprometido com uma mulher...

- Ah, mas isso muda, Gianna. - sorriu Jack. - Eu também era assim, agora, não consigo nem pensar em outra pessoa, a não ser, minha esposa...

- Que fofo! - sorriu Clara encaixando-se nos braços de Jack. - Esse é meu marido, lindo!

- Vocês dois são tão bonitinhos juntos! - disse Gianna. - Acho que ouvem isso o tempo todo.

- Ouvimos sim, Gianna. - sorriu Jack. - Mas não conseguimos ser diferentes, estamos muito felizes e acho que todo mundo vê isso.

- Desculpa, queridos... - disse Mick charmosamente ao voltar da garagem. - Terminados os negócios, partimos agora para a alegria. Então, senhora Noble, como seria a aposta que gostaria de nos propor?

- Depois direi, querido, não posso contar antes, ou perco a vantagem da surpresa, mas vou propor a você e ao meu querido marido, um exercício simples de atenção. Quero ver se são mesmo capazes de prestar atenção em mais de uma coisa ao mesmo tempo.

- E o que estaremos apostando? - sorriu Mick. - Ou melhor, quanto?

- O jantar de amanhã. - sorriu Clara. - Quem perder, paga o jantar de amanhã. Eu e a Gianna contra vocês dois. Que tal?

- Perfeito... Aliás, melhor do que isso... outra chance de passarmos algumas horas juntos. - sorriu Mick. - Então, senhor Noble, vamos vencer, não?

- Certamente... então teremos um jantar gratuito amanhã, pago pelas nossas esposas! Quem ganhar escolhe também o restaurante? - perguntou Jack com um sorriso provocativo nos lábios.

- Sim, querido... - sorriu Clara. - Mas, se eu fosse vocês, não esquentaria minha cabeça com isso... porque vocês não irão ganhar mesmo.

- A Clara tem razão, Mick! - Gianna riu. - Então, aonde vamos amanhã, amiga?

- Tenho algumas ideias e acho que podemos até mostrar alguma condescendência com nossos adversários e permitir que eles nos ajudem a escolher o restaurante em que jantaremos. - disse Clara.

- Hum... Começo a perceber o preço de conviver com estas belas criaturas. - sorriu Jagger. - Você vê, Jack, no final das contas, faremos exatamente o que elas querem...

- Não, Mick... no meu caso, não é no final das contas, é sempre: A Clara manda, eu obedeço... - disse Jack terminando a frase curvando-se como um criado, diante da esposa.

- Muito bem, Clara! - riu Gianna. - Depois você me ensina como fazer isso? Meu marido ainda é um pouco rebelde...

Todos caíram na gargalhada quando Mick agarrou Gianna e beijou-a.

O mordomo anunciou que o jantar estava servido e todos seguiram para a sala de jantar, já preparada para recebê-los. Como todos os ambientes naquele apartamento, aquele também era de muito luxo e bom gosto. Uma bela tapeçaria com uma cena campestre, parecida com aquela pintada no teto da sala de jantar do castelo capturava todos os olhares naquela sala, cuja iluminação era indireta e dourada, como se estivesse constantemente banhada pelo sol.

O menu, feito por Gianna, foi italiano, mas bem leve, risoto e peixe assado; acompanhados por uma boa salada, tudo regado a muito champagne, a bebida favorita de todos por lá.

- Querida, este jantar está delicioso! - sorriu Clara. - Vou querer a receita.

- Quero fazer um brinde... - disse Mick. - Aos meus queridos amigos, que espero, me darão o privilégio de um constante convívio, agora que são meus vizinhos e às alegrias que teremos com este convívio! À amizade!

- À amizade! - todos ergueram suas taças.

- Também gostaria de brindar. - disse Clara. - Ao amor que uniu meus queridos amigos Mick e Gianna, que ele seja a fonte de muitas alegrias. Ao amor!

- Ao amor! - todos ergueram novamente as taças.

Depois dos brindes, foi a hora da sobremesa e o bolo de chocolate que Jack e Clara trouxeram, recheado com uma cremosa mousse de chocolate, fez muito sucesso entre todos.

- Isto é maravilhoso, querida. - disse Jagger. - Onde vocês compraram esse bolo? Acho que corro o risco de me viciar nele....

- É de um mercado aqui perto. - disse Clara. - Peguei um cartãozinho de lá, está na minha bolsa. Gostei tanto das coisas deles, que tive que pegar um cartão. Darei para vocês depois do jantar.

- Este bolo é muito bom, mas ainda conheço um doce de chocolate mais gostoso... - sorriu Jack. - Aquele que minha esposa faz. Como é o nome daquele doce maravilhoso, querida?

- Brigadeirão. - sorriu Clara. - É um doce brasileiro que o Jack adora...

- Já comi brigadeiro, no Brasil, querida. É muito bom... - sorriu Mick.

- Já comeu pudim, Mick? - perguntou Clara.

- Sim, também é muito bom... - respondeu Mick. - O Brasil é um grande risco para minha forma física, querida.

- Então, o brigadeirão é uma espécie de pudim de brigadeiro. Muito gostoso... Aliás, sabe o que farei amanhã? - sorriu Clara. - Não importa quem ganha a aposta, depois do jantar, vamos para minha casa para comermos brigadeirão de sobremesa. Que tal?

- Maravilhoso! - sorriu Mick. - Mas devo avisar... sou chocólatra e se este doce for só metade do que estou imaginando agora, precisarei de fornecimento constante dele.

- Claro, querido! Será um prazer recebê-los em nossa casa. Vou deixar tudo prontinho, só preciso encontrar uma boa loja que venda produtos brasileiros aqui em Londres. - sorriu Clara.

- Ah, isso não deve ser difícil, querida. - disse Mick. - Existem muitos brasileiros por aqui, acredito que basta uma busca na internet para encontrá-los.

- Tenho certeza que sim. - Clara respondeu. - Consegui os ingredientes até lá na montanha, imagina por aqui.

- Então? Vamos à nossa aposta? - sorriu Mick. - Sinto muito, queridas, mas amanhã teremos um jantar patrocinado por vocês. Estou certo de que será uma noite muito agradável, coroada pela sobremesa que comeremos na nova residência de nossos amigos.

- Será mesmo! - disse Jack. - E tudo por conta das senhoras... preciso dizer que não tenho qualquer objeção a ser sustentado por uma mulher. Ao contrário, a ideia me agrada muito.

- Que lindo ouvir isso do meu marido... - sorriu Clara. - Acho que é por isso que os padres falam "Na alegria e na tristeza"; quando casam as pessoas... Mas sinceramente, Grandão, não me incomoda... vamos lá para nosso apartamentinho, em São Paulo? Andar só de bicicleta e viver com meu salário de repórter?

- Para mim, está ótimo! - riu Jack. - Se você estiver lá, vivo de você...

- Desculpe, o Jack fica engraçado depois que bebe um pouco de champagne. - sorriu Clara, acertando o notebook sobre seu colo, na sala de estar. - Bem, como não pude elaborar muito, vou buscar na internet um teste de atenção, para aplicar em nossos queridos...

Clara aplicou um dos testes que encontrou na rede e Mick marcou excepcionais 85%, vencendo a aposta. Jack marcou apenas 23%, mas todos acharam que ele estava um pouco bebado demais para que seus resultados fossem levados em conta.

- Bem, conforme eu havia dito, consigo sim prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo, querida. - sorriu Jagger. - Então, Jack, onde vamos jantar amanhã?

- Vamos deixar que elas escolham? - riu Jack. - O que você acha?

- Somos cavalheiros, amigo! - sorriu Mick. - Então, vocês escolhem...

- Japonesa? - perguntou Gianna. - Francesa? Italiana?

- Bem, o que vocês preferirem... sei que minha aparência não entrega, mas gosto muito de comida, de um modo geral. E para mim, só o fato de estar ao lado de vocês, já me agrada muito, independente do lugar em que formos. Pode ser até uma pizzaria...

- Pizzaria? - sorriu Jagger. - Faz muito tempo que não vou a uma pizzaria... E por acaso, conheço uma ótima, que vocês irão adorar. Bem italiana. Vocês já estiveram na Giorgio's em Chelsea?

- Não. - Jack respondeu. - Pizza, então, Menininha?

- Claro! Se o Mick gosta de lá, acredito que gostaremos também... Que tal, Gianna?

- Acho que já estive na Giorgio's. Você me levou lá, não foi, amore? - Gianna perguntou para Mick.

- Sim, lembra? A gente tinha acabado de se conhecer... - Mick sorriu. - Você disse que estava com saudades de casa e fomos lá comer pizza.

- Sim... Ah! A pizza lá é muito boa, vocês irão gostar e é bem perto daqui... dá até para ir a pé... - sorriu Gianna.

- Perfeito! Então está combinado, amanhã, às 7 nos encontramos lá. Vocês me dão o endereço... - disse Clara.

- Não, querida. - disse Mick. - Vocês vêm para cá e caminhamos daqui. Não teremos problemas, nunca tem paparazzi na porta da Giorgio's. Amanhã, ligo para fazer uma reserva para nós.

- Vamos embora, querida? - disse Jack, puxando-a pela mão - Nossa cama nova nos espera... vamos lá?

- Jack, amor... estou com vontade de andar até em casa. Estamos tão perto, podemos deixar o carro aqui e amanhã voltamos para pegar. - disse Clara, pegando a chave do carro da mão dele.

- Ah não! Está frio, não quero que a minha Menininha fique gelada. - respondeu Jack. - Vem, já dirigi muito mais bebado do que isso...

- Jack, me dá a chave. Levo vocês e a Gianna vai no carro dela, atrás da gente e assim, posso voltar para casa tranquilo. - interrompeu Mick preocupado.

- Ah, mas eu consigo dirigir... - insistiu Jack.

- Não, Jack. Você não pode arriscar a sua vida e a da Clara... Não custa, assim terei uma chance de conhecer a casa de vocês... - sorriu Mick.

- Vamos, amor... eu os convidei para tomar um café na nossa casa... - disse Clara pegando novamente a chave do carro das mãos dele e entregando para Mick.

- OK, então... Vamos embora, meu amor... - disse Jack. - Já não chega levar minha mulher, ele vai dirigir até o meu carro agora?

- Por favor, mão liguem, ele não está mais falando coisa com coisa... - sorriu Clara, um pouco sem graça. - Vem amor, vou pegar minha bolsa.

Os quatro seguiram os planos de Mick e em poucos minutos estavam na casa de Jack e Clara. Ela acomodou Mick e Gianna na sala de estar e ajudou Jack a despir-se e deitar-se.

- Você vai lá embaixo, beijar ele, agora, não vai? - perguntou Jack agarrando-a.

- Não! A Gianna está lá com ele... - disse Clara acariciando o rosto de Jack. - Eles estão casados e eu só quero beijar você... Vai dormir, vou fazer um café para eles e já venho me deitar com você... descansa um pouco, meu amor...

- Vou te esperar, então... - disse Jack, beijando-a e deitando-se, em seguida. - Vem, deitar logo...

Em poucos minutos, Jack já estava dormindo. Clara virou-o de lado, para evitar qualquer acidente e desceu as escadas até a sala de estar.

- Desculpem... vamos tomar um expresso? Vocês são de casa, venham conhecer minha cozinha, queridos...

- Sua casa está linda, querida.- sorriu Gianna. - Foi a Cindy quem reformou e decorou tudo?

- Foi ela... - sorriu Clara. - Eu a acompanhei na compra de uma coisa ou outra, mas sei que não nasci com esse bom gosto todo para conseguir fazer algo tão bonito. Ainda sou só uma garota sul americana que fica ultrajada com os preços de algumas coisas...

- Ah, querida... mas tudo está muito bonito. - sorriu Mick. - Quanto aos preços, você está certa... São apenas coisas para colocar na casa, não deveriam custar tão caro...

- A Cindy me disse que eu me sentia assim porque ainda não tinha me acostumado com a ideia de que agora sou milionária, mas ainda não consigo achar natural gastar mais em uns poucos móveis, do que gastei para comprar meu apartamento, no Brasil.

Mick sorriu e olhou fundo nos olhos de Clara no momento em que ela trazia as xícaras de expresso em uma bonita bandeja.

- Vocês preferem açúcar ou adoçante? - perguntou desviando o olhar, incomodada com a insistência de Mick.

- Açúcar... - sorriu Jagger.

- Você também, querida? - perguntou para Gianna.

- Prefiro sem os dois, amiga! - sorriu Gianna. - Amanhã, se você estiver livre, vou te levar a uma loja ótima de produtos naturais, aqui na vizinhança. Vamos a pé, agora que sei onde fica sua casa, podemos aproveitar a caminhada da manhã, para fazer umas compras, que tal?

- Maravilhoso, querida! - sorriu Clara. - Gosto muito de coisas saudáveis! Comprei poucas coisas, só para os próximos dias, além disso, tive muito pouco tempo para me organizar por aqui...

- Quando não temos compromisso, eu e o Mick sempre fazemos uma caminhada, de preferência, de manhã bem cedo... - disse Gianna.

- Ótimo. - disse Clara. - Meu esporte é a Yoga, mas não tenho tido tempo de praticar nos últimos tempos, quando morava no Brasil, andava bastante de bicicleta e a pé... Tenho me sentido muito parada por aqui, estou ficando até nervosa com isso... Pedi que a Cindy fizesse uma academia aqui na casa, para eu me exercitar, mas os aparelhos que encomendamos ainda não chegaram e eu estou sentindo falta de exercício.

- Amanhã, vou para Paris, de manhã, querida. - sorriu Mick. - É uma pena, porque gostaria muito de caminhar com vocês.

- Desta vez não vai dar, querido... - disse Gianna. - Vou levar nossa amiga e depois, à noite, nos encontramos para jantar...

- Você estará sozinha amanhã o dia todo, amiga? Ah, passa o dia comigo, vamos almoçar todos juntos no japonês, e depois, eu combinei com minhas amigas de nos prepararmos para o casamento do Paul no SPA do hotel em que eu morava com o Jack. O cabelereiro de lá é maravilhoso, você vai gostar...

- E o Jack? - perguntou Mick. - O que ele vai fazer amanhã?

- Depois do almoço, ele fez planos de chamar o David e o Mike para assistir a um jogo de futebol, vão inaugurar a nossa nova sala de TV...

- Tem jogo amanhã, é? - Mick riu.

- Meu marido é fanático pelo Wolves e dificilmente perde a chance de ver os jogos ao vivo... nem sei contra quem é o jogo... - riu Clara.

- Não é contra o meu Arsenal... - riu Mick. - Isso, eu sei... E sei também que já está ficando tarde... Vamos indo Gianna, querida?

- Vamos sim, amore... - sorriu Gianna. - Então, fica combinado. Amanhã, passo aqui na sua porta às 9 da manhã para o nosso passeio pelo bairro.

- Perfeito. - sorriu Clara. - Estarei pronta, esperando. Obrigada por tudo...

Mick e Gianna despediram-se de Clara no jardim e ela voltou para a cozinha, lavou e arrumou tudo que usou, depois subiu para seu quarto, tomou um banho rápido de chuveiro, programou o alarme do celular para despertar às 8 e deitou-se ao lado de Jack.

Estava sentindo frio e queria abraçá-lo, mas ficou com pena de acordá-lo e simplesmente foi até o closet, pegou um velho moletom dele da gaveta e vestiu para aquecer-se.

Deitou-se novamente e demorou a pegar no sono. Estava agitada e ansiosa, mas sonhou com um cenário conhecido, estava no bosque ao lado do castelo de Mick, descansando sob uma árvore, ao lado de Jack e os dois conversavam em uma doce tarde de verão.

Enquanto Clara dormia, Jack acordou, foi até o banheiro, sentou-se na cama e ficou olhando para ela dormindo. Sentia vontade de acariciar seus cabelos, mas se conteve para não acordá-la.

Como se ouvisse seus desejos, Clara virou-se na cama e acordou.

- Amor.. está acordado? - disse com a voz sonolenta. - Está tudo bem?

- Está tudo bem, querida. - sorriu. - Me perdoa pelo que fiz ontem à noite. Não podia ter bebido tanto...

- Ai amor, não tenho o que perdoar. - disse sentando-se na cama. - No fim, deu tudo certo...

- Tudo certo? Como? O Mick teve que nos trazer para casa.

- Mas foi bom! Amanhã... quer dizer, hoje... eu vou sair para passear com a Gianna aqui pelo bairro, e ela, que ia passar o dia todo sozinha, agora tem companhia...

- Você é mesmo um anjo, Menininha... Se preocupa com todo mundo e isso é lindo... - disse puxando Clara para mais perto.

Clara sorriu e encaixou-se nos braços de Jack. - Estava sonhando com nós dois, querido. Acho que estávamos dentro daquela pintura do castelo do Mick... descansando sob uma árvore e conversando. Foi um sonho tão bom...

Jack começou a acariciá-la e logo estava tirando seu moletom e beijando todo seu corpo. Atento a cada um dos seus desejos, Jack amava-a lentamente, feliz em dar prazer à mulher que desejava tanto e temia tanto perder.

Depois do amor, os dois adormeceram abraçados e só acordaram quando o celular de Clara tocou.

- Bom dia, meu amor. - ela disse sorrindo ao ver Jack acordado.

- Bom dia, querida. É tão bom acordar do seu lado! - sorriu Jack.

Os dois se levantaram, tomaram um banho de chuveiro. Clara vestiu roupas esportivas, prendeu o cabelo e eles desceram até a cozinha, onde prepararam seu café da manhã.

- Querida, posso ir com vocês? - sorriu Jack.

- Claro que pode, amor... Mas não seria melhor agasalhar-se mais? Você está de bermuda e camiseta e deve estar uns 10 graus lá fora...

- Não precisa, amor... sou um homem das montanhas, tem que estar muito frio para eu precisar me agasalhar...

- Vou buscar minha bolsa lá em cima e trago um moletom para você... Eu também vou usar um... está muito frio para mim...

- Ah, Menininha... vem aqui, mais perto, vem... te quero tanto... - disse Jack puxando Clara pela mão, prendendo-a em seus braços e começando a tirar suas roupas.

- Não, querido... não temos tempo para isso, a Gianna vai chegar a qualquer momento... - Clara disse tentando desvencilhar-se. - Não podemos deixar nossos amigos esperando.

- Não se preocupa querida. Vem aqui... - disse puxando-a para perto de uma pequena tela de LCD, que ligou. - Olha... este é o monitor das câmeras de segurança lá de fora, quando ela chegar no nosso portão, veremos aqui...

- Mas amor...

- Tudo bem, você não me quer... - disse Jack afastando-se dela.

- Quero sim, meu amor... quero você comigo, dentro de mim, o tempo todo... - Clara disse, beijando-o. - Mas agora não podemos... Mais tarde, compensaremos isso tudo, incendiando nossa nova cama...

- Ai, meu amor... - disse Jack beijando-a. - Eu te amo tanto...

- Eu também te amo muito, Grandão e me dói demais te dizer não...

- Não se preocupa, meu amor... eu te entendo e sei que você me ama... Mas não abrirei mão de ter você inteira para mim, mais tarde... - sorriu Jack. - Agora você me deve...

- E pagarei alegremente... - Clara sussurrou no ouvido de Jack. - Com juros...

- Ai Menininha... não provoca...

- Amor... olha... a Gianna já está no portão... vou pegar minha bolsa... você abre o portão e desliga tudo?

- Ok! Não preciso de agasalho... você já me esquentou, querida...

- Vou trazer só o meu, então... se você sentir frio, sempre posso te agarrar e te esquentar...

- Conto com isso... - riu Jack.

Os dois sairam pelo portão a pé e encontraram Gianna esperando por eles.

- Bom dia! - sorriu Jack. - Então posso ir caminhar um pouco com vocês?

- Bom dia, Jack, bom dia, Clara! - sorriu Gianna. - Claro que pode, Jack! Será um prazer passear um pouco pelo bairro com vocês dois. Preferem fazer compras ou querem só andar?

- Andar... - sorriu Jack. - Tinha pensado em ir até o parque, se você não se importa...

- Claro que não... - sorriu Gianna. - É só uma questão de saber para qual dos lados vamos...

Os três então caminharam até o parque e apesar da manhã gelada e escura, o verde do parque os acolheu e ajudou Clara a relaxar um pouco, depois de dias tão agitados. E embora os três tenham saído com a intenção de caminhar e exercitarem-se, acabaram encontrando uma área tranquila do parque onde sentaram-se sob as árvores e ficaram apenas conversando.

Depois, caminharam de volta para casa e Clara ficou espantada ao encontrar os ingredientes para preparar o brigadeirão em um mercado muito próximo de sua casa e foi direto com eles para a cozinha, precisava deixar o doce pronto, porque passaria quase todo o resto do dia fora de casa.

- Amor, você precisa de ajuda na cozinha? - perguntou Jack.

- Não para isso, querido.. - sorriu Clara, aproximando-se dele. - Mas acho que vou gostar de ter você perto de mim...

- Hum... Menininha... queria tanto passar o dia todo agarrado em você...

- Eu também... mas temos uma porção de compromissos para hoje... Será um longo dia, mas também, estamos cada vez mais próximos de nossa viagem...

- Assim eu espero, Menininha... só nós dois em um lugar lindo... vou descansar nesses bracinhos fininhos, sob o sol... isso vai ser lindo...

- Vai sim, meu amor... - disse Clara acariciando e beijando Jack. - Só mais dois dias e estaremos a caminho...

Clara preparou o doce rapidamente e colocou-o no forno.

- Vem Grandão. Temos 30 minutos para o banho e depois, preciso descer para colocar mais água na forma...

- Só 30 minutos? Ah, amor... - suspirou Jack. - Assim não vou poder te mimar...

- Mas eu vou querer te mimar... - sorriu Clara. - Vamos lá para cima...

Os dois subiram, tomaram banho juntos e só interromperam os cuidados de um com o outro, quando Clara disse que era a hora de descer e cuidar do doce no forno. Jack a cobriu de carinhos quando ela voltou ao quarto e os dois namoravam enquanto preparavam-se para sair.

- É tão bom estar aqui com você, meu amor... - sorriu Jack.

- É mesmo, meu querido... - suspirou Clara. - É bom demais estar aqui descansando com você... Mas sabe do que ainda sinto falta?

- Do que, meu amor?

- De uma rotina. - sorriu Clara. - De saber o que farei amanhã e depois... e poder ficar aqui em casa, cozinhando para nós dois, sem me preocupar com mais nada, além de estar com você...

- Você sabe que ao meu lado, isso será bem difícil, não? - sorriu Jack acariciando os cabelos de Clara. - Também gostaria de ficar aqui com você, mas logo, além da Crossroads, você também terá uma carreira na música e tudo ficará ainda mais louco...

- Eu sei, amor... É tudo muito novo para mim, preciso me acostumar com a ideia, dessa vida na estrada... dói demais ficar longe de você...

- Mas estamos juntos agora... fica aqui comigo, tenho tanto medo de que o mundo nos separe...

- Nunca, Jack! Estaremos sempre juntos. Se pararmos para pensar, só precisamos de nós dois. Esta não é nossa casa... nossa casa somos nós dois. Você é minha casa, meu abrigo e eu sou o seu. Esquece o mundo, finge que ele não existe... eu não me importo de fingir...

Jack abraçou-a novamente e os dois ficaram agarrados um ao outro por vários minutos, até o celular de Clara lembrar a ela de que o mundo lá fora ainda existia.

- É a Cindy... - disse Clara. - Oi amiga, tudo bem?

- Tudo, querida! Estou ligando porque já estamos a caminho de Londres. Mais uns 20 minutos e estamos chegando aí, na casa de vocês. Então, como foi o jantar ontem?

- Foi maravilhoso... e vamos jantar juntos novamente hoje...

- Puxa! Esqueceu rápido dos amigos! - sorriu Cindy.

- Ah! Claro que não... - sorriu Clara. - Vamos passar o dia todo juntos e só vamos jantar com eles. Aliás, a Gianna vai conosco ao salão de beleza.

- E o Mick? - perguntou Cindy.

- Vai passar o dia todo trabalhando em Paris e só volta no fim da tarde, para o jantar. Fizemos uma aposta ontem e eu e a Gianna perdemos, vamos pagar o jantar para os homens.

- Muito bom! - sorriu Cindy. - O Jack está aí, ao seu lado?

- Está sim, por que?

- Só vou poder contar quando estivermos no salão, então. Você nem imagina o que a Jenni descobriu... Vou desligar agora, já conversamos pessoalmente... beijos...

- Beijos, Cindy!

- Então? Eles já estão a caminho? - disse Jack puxando Clara mais uma vez para seu colo.

- Estão amor... a Cindy disse que estarão aqui em 20 minutos. Você já está pronto para sair?

- Já, querida... Já deixei também tudo acertado para a hora do jogo. A geladeira está cheia de cerveja e a pipoca para estourar está no armário.

- Você vai conseguir se virar, na cozinha? - sorriu Clara. - Tem certeza de que não precisa de mim?

- Claro que consigo, meu amor... Vai lá ficar linda para mim, que eu cuido de tudo aqui. - sorriu Jack. - Não se preocupe...

- Está bem, amor... - suspirou Clara. - Seria tão bom passar o dia do seu lado...

- Você vai cansar de mim daqui uns dias, Menininha... não vou desgrudar de você no Brasil... - sorriu Jack, acariciando os cabelos e o rosto de Clara. - Estou tão ansioso por isso...

- Amor, vou pegar minha bolsa lá em cima e já fico pronta para irmos embora. Estou bem assim?

- Querida, você está linda! Como sempre... agora vem para cá, que quero ter você comigo só mais um pouquinho... - disse Jack abraçando Clara. - Gosto muito de sair com você... mas gosto mais ainda de passar meu dia entre esses bracinhos e perninhas fininhas...

Clara foi até o quarto dos dois, pegou sua bolsa e desceu em seguida, seu celular tocaria ainda mais duas vezes, primeiro o cabeleireiro Pablo confirmando que atenderia a ela e suas amigas e depois, Gianna perguntando se já estavam todos a caminho do restaurante. Clara então pediu que ela viesse até sua casa, para esperarem pelos outros.

O almoço no Hikonori foi em clima de expectativas. Mulheres ansiosas para irem ao salão de beleza, prepararem-se para o casamento de Paul e saberem sobre o que já se comentava sobre o evento que aconteceria na manhã seguinte; enquanto os homens mostravam-se muito interessados pelo jogo de futebol que assistiriam na nova sala de TV da casa de Jack.

Além de ter as mesmas razões para sentir-se agitada do que suas amigas, Clara também estava muito curiosa para saber o que Jennifer teria descoberto. Ela torcia para que não fosse sobre as escapadas de Mike com Ann Kurtiss, enquanto viajavam para Paris, porque se fosse, ela precisaria caprichar na expressão de surpresa, para não revelar às amigas o que Jack e David haviam contado a ela.

Não demorou muito e cada um dos grupos foi para um lado, Jack e os rapazes foram assistir ao jogo do Wolves contra o Manchester City e as mulheres seguiram na direção do Hotel Four Seasons Over the Park.

- Clara, vou aproveitar que a Gianna está no outro carro e te contar uma coisa que eu descobri. - disse Jennifer, assim que entraram no carro.

- O que? - perguntou Clara.

- O Mike está tendo um caso com a Ann Kurtiss... - disse Jennifer. - achei uma mensagem dela no celular dele.

- Querida... eu sinto muito... - respondeu Clara. - Você tem certeza?

- Tenho! Eu conversei com ele e ele me confessou... - disse Jennifer. - Me disse que namorou com ela no passado e que agora ela veio para cima dele.

- E agora? - perguntou Clara. - Você vai se divorciar?

- Por causa daquela biscate? - sorriu Jennifer. - Não... Ela é uma mulherzinha a toa e só estou te contando isso porque, segundo o Mike, ela só continua aqui no país porque quer o Jack.

- Meu Deus! E o que eu faço? - disse Clara. - O que você acha que eu devo fazer para afastar meu marido dessa vagabunda?

- Você precisa ficar de olho porque ela vai ficar rondando vocês até conseguir o que quer...

- Obrigada por me avisar, Jenni... Vamos viajar depois de amanhã e acho que esses 15 dias fora acabarão por afastá-la... espero...

- Espero que sim... mas fica de olho...

- Vou ficar... ah, minha amiga... você não imagina o quanto estou ansiosa para viajar... eu amo vocês, adoro estar aqui, na minha casa nova, mas acho que eu e o Jack estamos precisando muito destes 15 dias longe de tudo e de todo mundo...

- Eu sei disso... Vocês dois estão precisando de um descanso, antes da loucura que será essa turnê. O Mike me disse que já tem mais de 50 shows agendados.

- O Jack não me falou nada, mas sinto que de alguns dias para cá, tem alguma coisa o perturbando. Eu estou procupada e acho que é por causa da aproximação do dia da estreia.

- Não seria porque vocês têm passado tanto tempo perto do Mick?

- Não... parece que depois da nossa última briga, ele está se acostumando com a ideia de tê-lo por perto, mesmo porque agora ele é quase nosso vizinho... mas é alguma outra coisa... não sei explicar, ele anda muito quieto e tem dormido pouco à noite...

- É, querida... talvez só você consiga descobrir o que está acontecendo. Mas talvez ele ainda esteja inseguro, ainda esteja preocupado por voltar para a Crossroads.

- Espero que ele me diga... Sabe Jenni, eu adoro o Jack, mas me sinto culpada por ter bagunçado completamente a vida dele...

- Ah, querida... não faça isso... a vida dele mudou sim, mas para melhor... eu tinha muito pouco contato com ele, mas pelo que a Cindy me disse, ele era uma pessoa muito difícil, vivia bebado e estava sempre arrumando encrenca por aí... E se eu pensar bem, nas poucas vezes que o vi antes de vocês ficarem juntos, ele nunca estava sóbrio.

- Eu sei... só espero que ele não volte a ficar assim por minha causa...

- Não, querida... acho que você o curou...

Jennifer deixou o carro com o manobrista do hotel e as duas juntaram-se a Gianna e Cindy que também tinham acabado de chegar. Mais uma vez, o tratamento de Clara foi diferenciado, na chamada sala VIP do salão e por isso, ela teve a oportunidade de relaxar um pouco mais, tentando ainda digerir a informação de que Ann Kurtiss continuava atrás de seu marido.

Clara fez massagem, depilação, mãos, pés e pediu ao cabeleireiro que cortasse as pontas do seu cabelo e fizesse uma hidratação mais caprichada em uma tentativa de protegê-los contra o sol que enfrentaria nos próximos dias. Pablo, seu cabeleireiro, contou-lhe todas as novidades da cidade e acrescentou que muitos dos convidados do casamento estavam hospedados no hotel, mas ele, iria atendê-la em casa conforme tinham combinado anteriormente e que somente sentia-se frustrado por não ter sido convidado para aquela festa que certamente seria um dos maiores eventos do ano.

Depois de todos os cuidados e novidades, as quatro amigas foram para a casa de Clara, reencontraram-se com seus maridos e ao redor de xícaras cremosas de capuccino, trocaram histórias sobre o que ouviram no salão de beleza; enquanto seus maridos ainda discutiam os lances do jogo que tinha terminado empatado em 1 a 1.

O dia já estava escurecendo, quando Gianna recebeu um telefonema de Mick avisando que já estava em casa. Ela partiu em seguida, assim como todos os amigos de Jack e Clara, deixando-os sozinhos novamente para prepararem-se para o jantar que tinham combinado um dia antes.

- Então, querida... enfim sós, novamente... - sorriu Jack enquanto lavava copos e louças. - Você está tão linda, que eu deveria estar com ciúmes...

- Hum... - Clara disse aproximando-se dele por trás e acariciando-o. - Mas você está muito sexy, meu amor...

Jack deixou a louça e agarrou-se em Clara e beijou-a. Os desejos agora ardendo em seus corações. Clara puxou-o até a sala de estar, onde os dois se entregaram um ao outro, no sofá da sala de estar.

Depois subiram, tomaram banho juntos e vestiram-se para o jantar na pizzaria. Roupas casuais e quentes porque a temperatura estava muito baixa desde cedo e cairia mais alguns graus à noite.

- Agasalhou-se bem, Menininha?

- Acho que sim, meu amor... - sorriu Clara. - Você já me aqueceu tanto hoje, nem preciso de muita roupa, quando você está perto...

- Ah, meu amor... coloca este casaco de couro e você vai estar bem... Não quero ver minha Menininha com frio... - sorriu Jack entregando a ela o casaco que pegou no closet. - Usa essas coisas aqui no pescoço também... você fica tão linda com elas...

- Vou usar um cachecol, meu anjo. Quer uma destas para você? Que tal esta paximina cinza? Vai ficar linda em você... - disse Clara, colocando a paximina de lã, ao redor do pescoço de Jack.

- Ficou bom, amor... - riu Jack. - Você também proteja bem sua garganta, porque agora você é uma cantora também...

O comentário de Jack fez Clara estremecer. Para não ficar excessivamente ansiosa, ela procurava sempre concentrar-se no momento e esquecer tudo relativo ao futuro, mesmo o mais próximo. Nunca tinha pensado em si mesma como uma cantora, mas essa era uma verdade. Ela era uma agora e o momento de subir ao palco, durante a turnê mais aguardada das últimas 3 décadas, estava cada vez mais próximo.

Os dois desceram e Jack ligou para Mick e o avisou que o frio daquela noite pedia por uma mudança de planos. Assim, ele e Clara seguiriam de carro, atrás do carro de Mick, até a pizzaria.

- Sinceramente, preferia estar no nosso quarto, a noite toda... - sorriu Jack, dando partida no carro.

- Ah... teremos todo o tempo do mundo para isso, meu amor... só mais dois dias e estaremos no paraíso...

- Gostaria muito que o tempo voasse e em um piscar de olhos estivessemos já na nossa praia, longe do resto do mundo... apenas descansando em seus braços, meu amor... - disse Jack olhando Clara profundamente nos olhos, enquanto esperava que o portão da casa se abrisse para sairem.

- Logo, Grandão... logo... - sorriu Clara colocando sua mão sobre a dele.

Continua