28 de jan de 2012

Rockstar - Capítulo LXIX


A manhã seguinte começou apressada. Clara terminava de arrumar a bagagem para levar para a casa nova enquanto Jack passava mais algumas horas no estúdio ajudando David com uma música que estavam compondo.

- Então, querida, tudo pronto para a mudança? - perguntou Cindy. - Será que vocês conseguirão levar tudo no carro do Jack?

- Não sei, Cindy. - sorriu Clara. - Não imaginava que já tinha acumulado tanta coisa. Ainda bem que o closet é bem grande!

- Vou ajudá-los. - disse Cindy. - Se ficar muita bagagem, posso levar uma parte das malas no meu jeep

- Obrigada, Cindy! - sorriu Clara. - Ao mesmo tempo que estou feliz por poder ir para minha casa, estou triste por deixar Heathcliff Hall, amiga...

- Ah querida! Foi muito bom conviver com vocês este tempo. Nós gostamos muito de vocês e acho que de agora em diante estaremos juntos o tempo todo. Até eu que não gosto de estrada, estou ansiosa para ir. - disse Cindy, abraçando Clara.

- Obrigada, minha amiga! Me sinto em família quando estou com vocês... Espera, acho que estou ouvindo meu celular... - sorriu Clara. - Oi Mick...

- Bom dia, querida! Já está em sua nova casa?

- Ainda não, querido. O Jack está no estúdio trabalhando com o Dave e iremos para lá só depois que eles terminarem. Mas passei a manhã toda preparando nossa mudança.

- Bem, querida, ontem, depois que nos falamos, conversei com a Gianna e posso te dizer que ela adorou aquele anel. E quando ela soube que a ideia foi sua, me pediu para convidar você e o Jack para jantar aqui em casa, hoje. Então, depois de falar com o Sommers, resolvi juntar as duas coisas. Fazemos a reunião hoje, no meu apartamento e depois dela, jantamos juntos aqui; eu, você, a Gianna e o Jack... Que tal?

- Mick, estou muito feliz por vocês dois! E será mesmo muito bom encontrá-los hoje. A que horas você combinou com o Sommers?

- Às cinco. O Sommers volta para Los Angeles em seguida, vai direto para o aeroporto após a reunião e não fica para o jantar. Você e o Jack ficam... não deveria te dizer nada, mas a Gianna já está na cozinha, quer fazer ela mesma nosso jantar...

- Ai que linda, Mick! Gosto muito dela, querido. Aliás amo muito vocês dois! São meus amigos queridos! - sorriu Clara. - Então está combinado, quando o Jack sair do estúdio, vou avisá-lo.

- Você sabe meu endereço, não? - perguntou Mick.

- É em Kensington, no antigo prédio do David, certo?

- Isso mesmo, querida. O Jack já esteve aqui antes, eu imagino...

- Com certeza, querido... - sorriu Clara. - Então estamos combinados, eu e o Jack iremos até aí para a reunião e para abraçá-los pessoalmente. Até daqui a pouco querido, beijos...

- Beijos, meu amor... - disse Mick, desligando o celular.

- É oficial! Eles agora vivem juntos! - comemorou Clara. - Estou muito feliz! O Mick vai largar um pouco do meu pé e o Jack vai ficar mais calmo...

- Não sei, querida... - sorriu Cindy. - Mas é uma mudança, não?

- Espero que sim... Então vocês têm planos para o jantar hoje... - sorriu Cindy. - Estou começando a ficar com ciúmes...

- Ah não, por favor... - riu Clara. - Vou precisar de roupas... o que vou vestir?

- Alguém me chamou? - sorriu Jennifer, entrando na sala de vidro. - Qual a ocasião, querida?

- Vou a um jantar no apartamento do Mick, comemorar o casamento dele com a Gianna... o que você sugere? - sorriu Clara.

- Uau! Ah! Então... ele se casou mesmo? Mas não posso fazer isso, querida. - riu Jennifer. - Seu closet já está vazio para a mudança, não está?

- É mesmo! Me esqueci por um momento que vou para Londres hoje... O que vou vestir? Bem, está frio e à noite, estará ainda mais frio... certo? Ah! Lembra aquele vestido preto, de mangas longas, que comprei em Paris naquela loja perto do atelier do Jakob?

- Ah! Lindo! Perfeito, querida. - sorriu Jennifer. - Viu, você nem precisa mais de mim...

- Preciso sim... e estou certa que estaremos sempre todas juntas... Não vejo a hora de receber vocês na minha casa! Estive falando com o Jack e quero todos vocês hospedados lá na semana da estreia. Estou tão ansiosa... espera... vocês estão ouvindo isso?

- É o seu celular, querida, ali na mesa... - riu Cindy.

- Ah! - Clara correu na direção do celular e percebeu que tinha recebido uma mensagem de Jack: "Querida, vem aqui no estúdio, por favor".

- É o Jack! - sorriu Clara. - Está me chamando no estúdio... vou ver o que ele quer e já volto...

Clara desceu as escadas, entrou na sala de controle e de lá acenou para abrirem a porta.

- Oi amor... - sorriu Clara, beijando-o. - Você me chamou...

- Oi querida... - disse Jack, agarrando-a. - O Dave quer que você grave a música que fizemos para você...

- Oi Clara, vamos cantar um pouquinho? Eu e o Velhão fizemos mais uma música para o seu disco solo, vamos tocar para você aprender e depois, você canta e gravamos a demo. Vem aqui, querida. A letra está aqui na estante, ao lado do banquinho, para você acompanhar...

- Vem, querida. - disse Jack ajudando-a a sentar-se no banquinho, colocando os fones no seu ouvido e entregando a folha com a letra da música anotada.

- Pronto Velhão? - perguntou David. - Mike? Vamos lá, 1, 2, 3... 1, 2, 3, 4...

Eles começaram a tocar uma canção folk suave, com uma longa introdução de violão e Jack começou a cantar, uma letra linda e delicada que aparentava ter sido escrita por uma mulher que se descobria apaixonada por seu melhor amigo. Clara preferiu fingir não notar, mas aquela letra poderia ser também um jeito que Jack encontrou de mostrar que ainda estava inseguro e ferido pela sua proximidade com Mick.

Quando eles terminaram de tocar, Clara desceu do banquinho e abraçou Jack, sem dizer uma palavra e os dois ficaram juntos, quietos, agarrados, no meio do estúdio.

- Velhão, Princesa... não quero interromper, mas precisamos gravar isso hoje...

- Desculpa David.... - sorriu Clara, voltando para seu banquinho. - Vocês não sabem o que a música de vocês faz comigo. Obrigada por mais este presente, meus queridos.

- David, ela agora vai cantar comigo... deu para pegar alguma coisa da música? Você consegue me acompanhar, amor?

- Não sei. - disse Clara chorando. - Posso tentar...

- Ok! Vamos tocar novamente... - disse David. - Todo mundo pronto?

Clara concentrou-se e tentou acompanhar Jack; ainda estava muito emocionada, mas sentia-se mais e mais segura a cada novo verso e assim, logo após o final da canção, ela já sentia-se pronta para gravar sozinha a demo, que estava pronta após três takes.

- Perfeito Princesa! Vamos levar essa demo para o Peters hoje. Ele está negociando com a gravadora...

- Peters? Vocês vão ao escritório do Peters hoje? - perguntou Clara. - Ah querido, preciso te dizer, o Mick nos convidou para jantar no apartamento dele hoje. Pediu que nós dois fossemos às 5 da tarde para a reunião com o Sommers. Vocês não vão demorar no Peters, vão?

- Não tem problema, querida. Marcamos com ele ao meio-dia. - disse Jack. - Vamos sair daqui a pouco e todos nós pegamos a estrada para Londres. A Jenni e a Cindy te ajudam com a mudança e eu deixo meu carro com vocês, caso seja necessário sair para comprar alguma coisa. Depois da reunião, vocês nos encontram na cidade e almoçamos juntos.

- Mas esta reunião, com o Peters é sobre a minha carreira? - perguntou Clara.

- Não Princesa. Vamos ver como estão os detalhes da turnê e o Peters também nos prometeu um relatório das investigações do desaparecimento da garota americana. - sorriu David. - Desculpa, querida, precisamos que o Jack vá conosco para nos ajudar a pressionar, caso alguma coisa não esteja de acordo.

- Claro, eu entendo... - disse Clara. - Me desculpa, mas estou ansiosa com a mudança e com essa reunião com o Sommers.

- Então, vamos subir? - disse David. - Acabei de pedir para a Cindy adiantar tudo e ela já está nos esperando lá em cima. Vamos lá?

Para não perder muito tempo, todos subiram, prepararam-se rapidamente e logo estavam na estrada. Naquele horário o trânsito estava um pouco mais tranquilo e isso fez com que chegassem rapidamente à cidade.

Logo, todos ajudavam a levar malas e pacotes para dentro da casa de Jack e Clara e estavam livres para ir à sua reunião com Michael Peters, na City.

- Que bom que vocês estão aqui, minhas amigas! - sorriu Clara.

- Quando o David me avisou sobre a reunião, eu tive a ideia de virmos para cá te ajudar, querida. - sorriu Cindy.

- Então, vamos lá arrumar esse closet, afinal? - sorriu Jennifer.

- Vamos sim... - sorriu Clara abrindo uma das malas. - Vamos começar pelas roupas do Jack?

As três foram aos poucos colocando o conteúdo de cada uma das malas e sacolas dentro do closet, depois, Clara cuidou das roupas de cama e toalhas que havia comprado, arrumando a sua cama e deixando tudo pronto por lá para passarem os próximos dias.

- Querida, acho que seria bom irmos a um mercado e comprarmos alguma coisa para vocês comerem nos próximos dias.

- Verdade.... - riu Clara. - Até me esqueci que precisaremos comer neste final de semana... Eu sou uma tragédia como dona de casa...

- Não é não... - riu Jennifer. - Tem algum mercado aqui perto?

- Tem sim, querida... vamos pegar o carro e vamos rápido, antes que os rapazes nos chamem. - sorriu Cindy. - Você já ligou a geladeira e o freezer, querida?

- Ainda não. Vem, vamos lá na cozinha fazer uma lista de compras e já saímos.

- Acho que não teremos muito tempo para uma lista. Vamos indo, fazemos pelo caminho... - disse Cindy pegando a chave do jeep de Jack e seguindo para o jardim.

As três compraram rapidamente uma pequena quantidade de produtos que Clara usaria na casa nos próximos dias e também algumas flores para enfeitar os muitos vasos que estavam espalhados pelos diversos ambientes, voltaram para casa e assim que tudo estava arrumado, o celular tocou e as três foram para o Chez Montagne almoçar com seus maridos.

- Demoramos? - perguntou Clara, aproximando-se da mesa.

- Não querida, acabamos de chegar... - sorriu Jack. - E então? Conseguiram arrumar o closet?

- Sim, meu amor... - sorriu Clara. - Também fizemos compras no mercado, já temos algumas coisinhas por lá, para passarmos os próximos dias, antes da viagem.

- Isso será ótimo, querida. - sorriu Jack. - Estou ansioso para ficar sozinho lá com você...

- Eu também, meu amor....

- Então, como foi a reunião? - perguntou Cindy.

- Por enquanto está tudo perfeito! - sorriu David. - Aliás temos ótimas notícias, o relatório do detetive foi o melhor possível, a senhorita Claire Hulster foi localizada por nosso detetive, o nome dela agora é Claire Jarvis e, no momento, ela é uma doce avozinha que vive em Seattle e dá aulas de pintura no Centro Comunitário de seu bairro.

- O que? - disse Clara. - Sabia! Tinha certeza de que ela estava viva. Que lindo! O que o Mike vai fazer com essa informação?

- Ele já mandou para alguns jornalistas amigos que farão algum barulho e destruirão completamente o livro do Churnins. - sorriu David.

- Agora sim estou começando a me sentir de férias! - suspirou Clara. - Estava preocupada com essa história e agora... estou tremendamente feliz...

- Querida, você ficará ainda mais feliz... a nossa gravadora quer falar com você. - disse Jack. - Eles mandaram para você uma proposta maravilhosa e estão muito ansiosos para que aceite.

- Posso deixar isso para depois que voltarmos do Brasil? - perguntou Clara.

- Claro, meu amor... não quero que você esquente essa linda cabecinha com nada. - sorriu Jack. - A proposta é muito boa e eles já sabem que só terão uma resposta quando voltarmos, pedi ao Mike para avisá-los.

- Então, querido, assim que a reunião com o Sommers terminar, estaremos oficialmente de férias e já estou me sentindo tão em paz que tenho medo de sair voando pelo restaurante, se não me segurar nesta mesa...

- Você merece Princesa! - sorriu David. - Aliás todos merecemos... Vamos descansar por uns dias e depois voltamos com as baterias recarregadas para a turnê. A estrada nos espera e será tudo maravilhoso, como está sendo até agora.

Todos comemoraram com champagne no restaurante e seguiram para continuar a comemoração na casa de Jack e Clara. David sentou-se no piano para testá-lo e depois de alguns minutos, os amigos já estavam divididos em dois grupos, Clara levou suas amigas novamente ao seu closet para escolher as roupas para o jantar daquela noite e os homens ficaram ao redor de David, na sala de estar.

- Eu sinto que um enorme peso saiu das minhas costas hoje. - sorriu Clara abrindo a gaveta de gravatas e escolhendo uma violeta, no mesmo tom da camisa; que combinaria bem com um blaser preto e um velho jeans.

- Das nossas também, querida. - disse Cindy. - Tenho arrepios sempre que penso no que eles podem ter feito naquela época. Quando conheci o David, o Brad Johnson já tinha morrido, mas as histórias que ouvi sobre ele... sinceramente, não sei como eles sobreviveram...

- Sabe que tenho medo destas histórias? - disse Clara - Quando o Jack começa a me contar algumas coisas, sempre o interrompo. Não quero saber... não preciso saber... Minha imaginação pode até ser pior do que a realidade, mesmo assim, prefiro não saber...

- Faz bem, querida. - sorriu Jennifer. - O Mike já me disse uma porção de coisas terríveis. Acho mesmo melhor nem pensar nisso...

- É o que farei... então, vamos lá embaixo ouvir um pouco de música? - sorriu Clara.

- Vamos sim, querida! - disse Cindy.

- Hum, já são quase três horas, Clara... a reunião não é às cinco? - disse Jennifer. - Você ainda vai precisar dar um jeito no Jack antes de se arrumar.

- Ah... ele não precisa de tanto trabalho assim para ficar lindo... - suspirou Clara. - Mas tem uma coisa me incomodando...

- O que, querida? - perguntou Cindy.

- A nova música, que gravei hoje com eles no estúdio... A letra, que o Jack escreveu, é sobre uma mulher que está apaixonada pelo melhor amigo... será que não foi uma indireta, tenho tanto medo de ele ainda estar magoado por causa do Mick...

- Ah querida... - suspirou Jennifer. - Você precisa conversar com o Jack e tentar resolver esse ciúme dele de uma vez por todas. O seu marido não pode te afastar de alguém importante como o Mick só porque ele acha que vocês têm um caso...

- Ah Jenni, você sabe que não é assim. Adoro e admiro o Mick e sei da importância da amizade de alguém como ele para a minha carreira, mas também sei que não posso nunca baixar a guarda ou vou acabar indo parar na cama dele...

- Tem razão... - riu Jennifer. - Talvez você ainda não percebeu, mas ele pode ser muito charmoso quando quer...

- Pior é que notei... - riu Clara. - Bem, vamos descer... quero ficar um pouco com o Jack, estou com medo do momento da reunião, ele lá no apartamento, me olhando, enquanto eu converso com o Mick e com o Sommers sobre o roteiro do filme.

As três amigas desceram as escadas e aproximaram-se do piano. Clara encaixou-se entre os braços de Jack e os dois ficaram namorando juntos pela primeira vez em seu novo sofá.

- Já são três horas, querida... Vou subir para me arrumar... - sussurrou Jack nos ouvidos de Clara.

- Não, meu amor... Fica com seus amigos, querido. Podemos nos arrumar mais tarde, o Mick mora aqui perto, não? - Clara sussurrou no ouvido do marido.

- Mora sim, vida! Dá para ir a pé... - sorriu Jack. - Vou subir, me arrumar e depois você vai, que tal?

- Pode ser, amor... - sorriu Clara. - Não demora, sua roupa já está separada sobre a cama.

Jack levantou-se, beijou Clara e subiu as escadas, para tomar seu banho.

- Princesa, vem aqui, por favor. - disse David. - Eu estava aqui pensando... por que você não vai lá em cima cuidar do Velhão?

- Ah, querido! Ele não precisa dos meus cuidados...

- Precisa sim... não se prenda por nós, Clara... - sorriu Cindy. - Estamos em casa aqui, vai cuidar do seu marido, querida...

- Vai lá, querida... - sorriu David.

- Obrigada, meus amores... - sorriu Clara. - Vou cuidar dele e já volto...

Clara subiu rapidamente as escadas, entrou no quarto, tirou todas as roupas e entrou no banheiro. Jack já estava dentro do box tomando um banho de chuveiro.

- Amor! - disse ele surpreso. - Você está aqui?

- Seus amigos insistiram que eu viesse cuidar de você e eu resolvi vir... Quero te mimar um pouquinho...

Os dois tomaram banho juntos e trocaram carinhos e cuidados.

- Você não vai linda demais na casa daquele cara hoje, vai? - perguntou Jack após alguns minutos de silêncio, em que ele parecia estar lutando com o que ia dizer.

- Ah, meu amor... queria tanto que você confiasse em si mesmo. Estou aqui, do seu lado, cuidando de você e não dele. Tira isso da sua cabeça, por favor.

- Me desculpa, amor...

- Estou inteira com você... sou sua, completamente sua...

- Vem aqui, vem... - disse Jack pegando-a pela mão, secando-a com uma toalha e levando-a no colo até a cama.

- Meu amor... - disse Clara. - Não podemos, não temos tempo para isso...

- Temos sim... - disse Jack, acariciando e beijando todo o corpo de Clara. - Eu te quero tanto...

Existia uma urgência na voz de Jack que Clara nunca tinha percebido antes. Ele a beijava e acariciava como se estivesse prestes a perdê-la.

Depois do amor, eles ficaram ainda alguns minutos na cama, descansando, passaram cremes hidratantes e perfumes e vestiram-se.

Clara pediu a Jack para ajudá-la a prender seu cabelo e logo, os dois estavam prontos para a reunião e o jantar.

- Desculpem, queridos, acho que demoramos mais do que pretendiamos...

- Princesa, você não demorou quase nada... e ainda fez o milagre de transformar o Velhão em Príncipe Encantado... Olha só... - riu David.

- Adoro esse seu casaco, Clara. - sorriu Jennifer. - Você está très chic...

- Obrigada Jenni. - sorriu Clara. - Queria tanto poder levá-los naquele jantar conosco...

- Não, querida... vamos para Heathcliff Hall, mas logo estaremos juntos novamente... Agora, nós queremos ver você e o Jack juntos e felizes aqui, nesta nova casa... Nós amamos muito vocês...

- Ai David, querido... - disse Clara abraçando-o. - Nós também amamos muito vocês todos! Não é Jack?

- Amamos... mas larga minha mulher, cara! - riu Jack puxando Clara pela mão. - Vamos indo? Vai chorar de novo, Menininha?

- Queria tanto que vocês ficassem conosco... - disse Clara, com os olhos molhados.

- Ah querida! Ainda vamos juntas ao SPA do seu hotel para nos prepararmos no sábado, não?

- Sim, já tenho uma reserva para nós três, no sábado, à tarde, com o Pablo... - sorriu Clara. - Vamos passar o dia juntas?

- Claro, querida! E quando vocês voltarem do Brasil estaremos por aqui o tempo todo. - sorriu Jennifer.

- Vamos estar com vocês sempre... - disse Cindy abraçando-a. - Nós amamos vocês dois!

Os três carros saíram juntos pelos portões e separaram-se na rua, Jack e Clara seguiram pelas ruas arborizadas de Kensington, enquanto os outros dois carros seguiram em frente, no caminho que levava a Heathcliff Hall.
 
Continua

26 de jan de 2012

Rockstar - Capítulo LXVIII


Depois de circular um pouco mais pela casa e passar pela cozinha, onde fez uma lista de tudo o que ainda seria necessário comprar, o grupo inteiro então seguiu para almoçar no Chez Montagne e de lá, para as lojas sofisticadas da King's Road em busca de roupas para a turnê e utensílios para a nova casa, como roupas de cama, toalhas, peças para a cozinha e mais algumas coisas que fariam parte da decoração da sala de meditação.

- Querido, estou frustrada! - disse Clara olhando para Jack no espelho, enquanto ele experimentava uma camisa preta de seda com discretos babados, ao longo dos botões.

- O que foi? Não gostou da camisa? - perguntou Jack procurando assentar a roupa melhor em seu corpo.

- Não... a camisa está linda, querido... - sorriu Clara aproximando-se dele. - Queria poder fazer um jantar na nossa casa, para nossos amigos e passar a noite lá com você...

- Não se preocupe com isso, meu amor... Estava aqui pensando... voltamos hoje para Heathcliff Hall, pegamos nossas coisas e quando eu te trouxer para a reunião, podemos ficar por aqui até segunda-feira, na hora de ir embora para o Brasil. Que tal?

- Ótima ideia amor! - sorriu Clara, assentando a camisa no corpo de Jack. - Hum, vamos levar três camisas iguais a esta, gostei muito dela.

- Você que manda, querida. - riu Jack.

Os dois saíram dos provadores e encontraram Michael e Jennifer na loja olhando mais algumas peças para o figurino de palco dele.

- Onde estão o David e a Cindy? - perguntou Clara.

- Foram até a loja de sapatos aqui ao lado. - respondeu Jennifer. - O David queria comprar umas botas para os shows. E vocês? Compraram mais alguma coisa?

- Ai Jenni, uma camisa linda preta de seda, com uns babados bem discretos no peito. Tem um caimento tão bonito que compramos logo três. - sorriu Clara.

- Hum? Babados, é? Suponho que seja coisa de Príncipe Encantado... - riu Michael.

- A minha "Rainha da Luz" escolheu e é ela quem manda... - riu Jack. - Se ela gosta, eu gosto...

- Lindo! - sorriu Clara. - O Jack quer passar os próximos dias na nossa casa, a partir de amanhã, até segunda, quando vamos para o Brasil. O que você acha Jenni?

- Vai ser muito bom para vocês, querida! - sorriu Jenni. - Você está mesmo louca para morar lá, não está?

- Estou... - Clara respondeu. - Vou fazer nossas malas hoje e com estas coisas que compramos, vai dar para ficarmos por lá o resto da semana. Não posso esquecer das coisas que usaremos no casamento do Paul e também das roupas que levaremos para o Brasil. Acho que amanhã será um dia de mudança, amiga...

- Eu e o Mike vamos voltar para Paris na segunda. A Cindy e o Dave são grandes anfitriões, Heathcliff Hall é um paraíso, mas estou com saudades da minha casa. - sorriu Jennifer. - E os empregados? O Peters já contratou empregados para a sua casa?

- Não... - sorriu Clara. - São poucos dias, não precisamos de empregados. Ele disse que tudo estará providenciado quando voltarmos do Brasil. Só mandou contratar uma empresa de segurança, que já está trabalhando desde que as reformas começaram.

Com as sacolas das compras já em mãos, os quatro continuaram caminhando pelas calçadas movimentadas da King's Road e depois se dividiram, Clara e Jennifer seguiram para uma loja que vendia acessórios de cozinha sofisticados e Jack e Michael foram até a loja de sapatos atrás de David.

- Vocês nos deram um susto daqueles hoje. - disse Jennifer. - Já vi o Jack perturbado, mas como hoje, na hora em que você pegou aquele taxi, acho que se você tivesse demorado um pouquinho mais para voltar, nós precisaríamos levá-lo a um pronto-socorro.

- Pobrezinho! - Clara respondeu sentindo seus olhos enchendo-se de lágrimas. - Fiquei tão nervosa que quis fugir dele, voltar para o Brasil correndo. Estou tão cansada desses ciúmes do Jack.

- Mas é bem estranho ele receber aquelas fotos no celular. - Jennifer respondeu. - Você não viu mesmo ninguém conhecido no restaurante?

- Não! - disse Clara. - Mas sabe do que lembrei agora? A biscate americana está hospedada naquele hotel, não está? Ela tem o telefone do Jack, não tem?

- Meu Deus, Clara! - respondeu Jennifer espantada. - Será que ela estava lá e você não viu?

- Pode ser... você sabe, sou tímida e quando as pessoas olham muito para mim, acabo desviando o olhar. Além disso, estava totalmente concentrada no Mick. Fiquei muito feliz quando ele me contou sobre seus planos com a Gianna e estava oferecendo meu apoio a ele. Você sabe o quanto gosto dele, não?

- Sei, mas não acho que você deva dizer isso ao Jack porque ele tem muito ciúme... Me desculpa o que vou dizer agora, mas pelo que vi nas fotos e até pessoalmente, vocês dois não conseguem tirar as mãos um do outro. Talvez você ainda não saiba, mas tem uma enorme atração por ele.

- Não tenho... tenho admiração, carinho... mas não existe atração, nem desejo... pode ter certeza, Jenni.

- Eu não estou julgando, querida, apenas acho que você tem que ser mais cuidadosa, principalmente porque esse seu relacionamento com o Mick pode ser devastador para o Jack. Você não sabe, mas depois que vocês foram embora na Ferrari, o Jack passou a caçar pelo telefone um conhecido dele que vende carros de luxo, porque queria que ele indicasse um carro mais caro e luxuoso do que aquele, só para tentar te impressionar. Não ficaria nada espantada se ele já não estiver tentando comprar um castelo também...

- Meu Deus! É sério isso? - perguntou Clara.

- O que é sério, amor? - Jack disse aproximando-se das duas, na fila do caixa, com mais algumas sacolas de compras em mãos.

- Nada, uma coisa que a Jenni estava me contando sobre as roupas para o casamento de domingo. - mentiu Clara rapidamente. - Ainda bem que já comprei tudo, inclusive meu chapéu. Então? Encontraram o David?

- Sim, ele está ali fora nos esperando para ir até a Starbucks tomar um café... Já está cansado de fazer compras... - riu Jack. - Disse que está velho demais para isso e quem sou eu para discordar...

- Ai Jack, você é terrível, meu amor... - riu Clara. - Vou só pagar pelas coisas que comprei e já vamos para lá... Quer ir com o Mike?

- Não, amor... te espero, para te ajudar com as sacolas... - Jack respondeu.

- E quem vai te ajudar com as suas, amor? - sorriu Clara. - Vai indo que eu e a Jenni, nos viramos...

Jack e Mike deixaram a loja com suas sacolas, enquanto Jennifer e Clara continuavam na fila.

- Espero que ele não tenha ouvido o que eu disse...

- Acho que não ouviu, Jenni. Pode ficar tranquila. - sorriu Clara. - Estou tão perdida com o que tem acontecido nestes últimos dias que hoje só quero voltar para Heathcliff Hall e descansar.

- Tem razão. - sorriu Jennifer. - Estou exausta e não passei por nada do que você passou hoje, amiga...

As duas entraram no café e foram direto para a mesa já ocupada por seus maridos e amigos. Estranharam, mas sentiram-se felizes por verem que eles estavam tranquilos na sempre movimentada cafeteria.

- Princesa! - disse David ao ver Clara chegando. - O Mike me disse que você andou comprando roupas de príncipe encantado para o Velhão!

- Dave... - riu Clara. - Não são roupas de príncipe encantado, são apenas coisas bonitas e vistosas para ele usar no palco.

- Ah! Velhão, não basta gritar como uma menininha no palco, precisa vestir-se também como uma...

- Tadinho do meu amor... - sorriu Clara, acariciando os cabelos de Jack. - Não liga para o Dave, ele é muito maldoso...

- Ele nunca se olhou no espelho... você já viu o jeito que ele se vestia na época da Crossroads, não viu? Quem usava aquelas roupas, não pode nem pensar em falar dos outros...

Depois de mais algum tempo descansando e rindo um do outro os seis amigos decidiram pegar a estrada de volta para Heathcliff Hall e como sempre, no final da tarde, ela estava entupida de carros.

- Você não vai largar nunca mais esse celular? - perguntou Jack depois de ver Clara trocando algumas mensagens com Cindy e Jennifer.

- O que foi, amor? - riu Clara. - Estou ocupada, decidindo o futuro da humanidade com minhas amigas....

- Eu queria só um pouquinho de atenção da minha Menininha... estou me sentindo sozinho aqui... - sorriu Jack acariciando o cabelo de Clara.

- Ai amor... - riu Clara acariciando a coxa de Jack. - O que está acontecendo com meu amor? Está carente é? Podemos aproveitar que o trânsito está lento...

- Não, Menininha... se você fizer isso comigo, não conseguiremos chegar em Heathcliff Hall hoje. - sorriu Jack, empurrando a mão de Clara. - Você não sabe o que faz em mim, sua louquinha... Deixa o trânsito parar de novo, que você vai ver o que eu faço com você...

- Hum... minha delícia... queria chegar logo... - riu Clara.

- De novo esse celular? - perguntou Jack ao ouvir o aparelho tocando novamente.

- Não são as meninas, é a Kate, amor... - disse Clara. - Alô, Kate!

- Olá Clara, tudo bem? Meu pai está aí com você? Estou tentando ligar para ele, mas acho que o celular está desligado...

- Geralmente está, querida. - sorriu Clara. - Ele está dirigindo agora, mas vou colocá-la no viva-voz para você falar com ele, ao menos que seja alguma coisa que não posso ouvir...

- Pode sim. - confirmou Kate sorrindo.

- Pode falar então, querida. - disse Clara, após ativar o viva-voz.

- Olá Kate. Como estão as coisas? - perguntou Jack.

- Oi pai... - sorriu Kate. - Estou ligando para te avisar. O hospital acabou de me ligar e eu e o Mark estamos de saída para buscar o pequeno Jack. Ele teve alta e irá para casa conosco.

- Que ótimo, querida! - sorriu Jack - Estou muito feliz por vocês...

- Eu também estou feliz, Kate! Muito feliz mesmo! Hoje, eu e seu pai estivemos na nossa nova casa e ela já está pronta. Mandamos decorar um quarto para o pequeno Jack e isso significa que eu e seu pai estamos totalmente prontos para recebê-los aqui e mimá-lo até ele cansar de nós. Vocês vêm para Londres, não?

- Estamos nos programando para isso, Clara. Mas ainda temos muito que resolver por aqui até lá...

- Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa... é só nos avisar, querida... - disse Jack.

- Estamos bem, papai. - sorriu Kate. - Não vejo a hora de pegar meu filho no colo agora. Estou saíndo, papai! Quando estivermos em casa, ligamos novamente para vocês.

- Ok! Querida. Dá um beijo enorme nele por nós... - disse Clara. - beijos, querida.

- Beijos, queridos. Eu amo vocês! - disse Kate, desligando o telefone.

- Jack, meu amor! - Clara disse com os olhos lacrimejando. - Estou muito feliz por vocês! Não vejo a hora de pegar o pequeno Jack no colo.

- Menininha, vamos encontrá-los na volta do Brasil e depois trazê-los para cá... Quer saber, não estou nem mais ligando para este trânsito...

- Eu também, meu amor... Estou só esperando que ele pare novamente para te beijar, minha vida... - sorriu Clara.

Mas o trânsito melhorou após a entrada para o aeroporto e o carro só parou novamente na porta de Heathcliff Hall.

- Bom, agora paramos! Vem aqui, Grandão! - Clara disse puxando Jack e dando-lhe um beijo apaixonado.

- Vamos descer do carro, Menininha... - riu Jack - nossos amigos nos esperam.

- Vamos querido, temos malas a fazer, depois trabalharei no roteiro e aí estarei livre para passar o resto da noite te mimando...

Os dois entraram com suas sacolas e seguiram direto para seu quarto onde passaram a arrumar as malas e preparar sua mudança para o dia seguinte.

- Querido, precisamos acertar isso tudo direito, ou sentiremos falta das coisas, quando estivermos no Brasil...

- Não precisamos de nada lá, além de nós dois... - Jack disse abraçando-a. - Vamos jantar? Já estou com fome...

- Querido, espera um pouco - suspirou Clara. - Me desculpa pelo que aconteceu hoje. Não queria te magoar, o Mick...

- Ah, por favor... não quero ouvir falar dele, amor... ele quase te tirou de mim hoje...

- Não amor, o que quase me fez ir embora foi a sensação de que você não confia em mim.

- Mas eu confio em você, meu amor.... - suspirou Jack. - Tenho muito medo de te perder e ele está sempre lá, te cercando, mandando flores, e te convidando para o castelo dele e ainda veio te buscar com aquele carro...

- Já te disse isso tantas vezes... não ligo para nada disso, nunca liguei. A única coisa que me importa de verdade é estar com você e te ver feliz. Quando você sonha com a nossa montanha e estamos lá juntos, felizes, tem algum luxo lá? Jóias, castelos, carrões?

- Não, mas...

- Mas, o que, Jack? Eu sou a mesma mulher que estava lá, infinitamente feliz mesmo congelada naquela casinha, simplesmente porque estava ao seu lado... E mais feliz agora, que acabei de sentir aqui no meu peito a sua alegria quando a Kate avisou que o pequeno Jack estava indo para casa.

- Ai, meu amor... - disse Jack com lágrimas nos olhos, enquanto a abraçava e beijava com paixão.

- É isso que eu quero te dizer, Jack. Nosso relacionamento é perfeito, não fica inseguro sobre nada. Nem por um segundo... E se algum dia, você achar que não me ama mais, não se preocupe... porque tenho aqui dentro amor suficiente para nós dois...

Jack abraçou-a e os dois ficaram agarrados por alguns minutos, chorando.

- Eu nunca vou me esquecer disso, Menininha. Pode ter certeza... Isso que você me disse agora aquecerá meu coração para sempre, como aquele cobertor de pele de urso malcheiroso que usávamos para nos aquecer na nossa caminha de palha, lá na montanha.

- Que lindo, meu amor... - suspirou Clara, acariciando o rosto de Jack e secando suas lágrimas.

O idílio dos dois foi interrompido pela campainha do celular de Clara avisando da chegada de uma mensagem de texto de Cindy: "Vocês não vão jantar? Estamos esperando."

- Querido, a Cindy está nos chamando para jantar... vem, vamos descer... estão nos esperando...

Os dois desceram agarrados as escadarias de Heathcliff Hall e foram aplaudidos quando chegaram à sala de vidro.

- Boa noite, queridos. - sorriu Clara. - Desculpem, demoramos demais para organizarmos nossa mudança...

- Ah, querida, você é um anjo! - sorriu David. - Você pode demorar o quanto quiser. Quando você atrasa, sempre esperamos com um sorriso em nossos lábios. Mas o Velhão... não esperamos por ele, não!

- Dave... - riu Clara. - Ele é meu amor... Bem, queridos, temos ótimas notícias...

- Já sei! Você está grávida! - riu David.

- Não! Meu marido ainda não fez a cirurgia, lembra? - riu Clara.

- Ah que pena! - riu Michael.

- Vocês são terríveis! Mas a boa notícia é que a Kate ligou quando estávamos na estrada, para dizer que o pequeno Jack já recebeu alta do hospital e foi para casa hoje. Eu e meu querido marido estamos muito felizes e certamente teremos em breve a oportunidade de mimar muito aquele bebezinho lindo! - sorriu Clara.

- Que bom! - sorriu Cindy. - Eles vêm para a estreia, não vêm?

- A Kate disse que tem a intenção de vir, mas precisamos saber antes se o bebê pode viajar de avião.... - respondeu Jack. - Ele é tão pequeno...

- Meus queridos... - disse Clara erguendo sua taça de vinho. - Quero agora brindar ao pequeno Jack e à nossa alegria de tê-lo em nossos braços daqui a alguns dias. Ao pequeno Jack!

Todos brindaram.

- Então, vocês irão mesmo nos deixar amanhã? - perguntou David.

- Desculpa, David. - sorriu Clara. - Mas nossa casa já está pronta e queremos aproveitá-la por uns dias, antes da nossa viagem ao Brasil.

- Ah querida... não se preocupe... - sorriu David. - Nós também gostamos muito da casa de vocês e certamente estaremos sempre por lá...

- Mas é assim que queremos, não é Jack? - riu Clara.

- Não, querida... - respondeu Jack fingindo-se irritado. - É nossa chance de nos livrarmos...

- Isso querido! É nossa chance de nos livrarmos... - riu Clara. - Nós amamos vocês e queremos todos por lá, sempre... Aliás... aquela casa não seria tão maravilhosa sem o trabalho lindo que a Cindy fez nela. Quero brindar também a ele, a mágica transformação de uma velha casa em um lar delicioso, onde vocês sempre serão bem vindos... À Cindy!

- À Cindy! - todos ergueram suas taças.

- Obrigada, querida! - Cindy respondeu.

A noite seguiu em clima de festa e após o jantar, todos foram para a sala de música ouvir e dançar ao som de velhos discos, mas Clara logo deixou Jack com seus amigos e voltou para seu quarto para trabalhar no roteiro.

Pegou o notebook no colo e sentou-se na cama, lendo as duas versões e fazendo anotações sobre os pontos que discutiria com Sommers e com Mick na reunião do dia seguinte.

Assim que terminou, Clara pegou o celular para ligar para Mick. Mais do que simplesmente combinar os detalhes para a reunião, ela queria contar a ele sobre as fotos e sobre o que elas tinham causado. E aquele assunto ainda fazia sua cabeça girar. Alguém queria separá-la de seu marido e tinha conseguido provocar uma briga séria entre eles.

- Boa noite, querida!

- Boa noite, Mick. - sorriu Clara. - Acabei de ler os roteiros e estou muito impressionada com as ideias do Sommers. Ele é mesmo fantástico, não?

- Sim, meu amor... o melhor. - sorriu Mick. - Nunca me contento com menos, você sabe...

- O problema é que as duas versões são muito boas e pensei, se não podíamos montar um roteiro aproveitando um pouco de cada uma...

- É uma ideia, querida. Vamos conversar com o Sommers amanhã e ver o que ele acha. Agora chega de trabalho... Como você está, meu amor? Como foi seu dia?

- Muito bom, pelo menos a maior parte dele, mas aconteceu uma coisa muito estranha e triste também...

- Como triste? O que houve, meu amor?

- Alguém nos fotografou no restaurante e enviou as fotos anonimamente ao celular do Jack e ele teve uma crise de ciúmes e por muito pouco não o abandonei... - disse Clara chorando.

- Que maldade, querida! E você viu alguém conhecido no restaurante? - perguntou Mick.

- Não! E você? Você conhecia alguém que estava lá? - perguntou Clara. - A Jenni me disse que pode ser alguma pessoa querendo prejudicar a mim e ao Jack, mas também, pode ser alguém querendo te prejudicar...

- Não sei, querida. Para mim seria muito difícil reconhecer alguém. Quando estou com você ao meu lado não consigo ver mais nada, nem ninguém. Todos os meus sentidos ficam ocupados por você, meu amor...

- Por favor, Mick. Não diga isso...

- Desculpa querida. Vocês estão bem agora? Você quer que eu converse com o Jack?

- Não, querido. Acho que isso só pioraria as coisas. Está tudo bem agora, mas foi horrível, nós brigamos, eu peguei um taxi para ir para o aeroporto, mas voltei porque precisava devolver meu anel e minha aliança e ele me pediu desculpas e... bem tudo acabou bem... - Clara continuou chorando.

- Pobrezinha... - disse Mick. - Você ía embora para onde?

- Para o Brasil... Foi o primeiro lugar que me ocorreu...

- Ah, querida... Sinto muito que tenha acontecido isso com você hoje, meu amor. Já te disse que me dói muito vê-la sofrer...

- Você é muito gentil comigo, Mick. - suspirou Clara. - Mas tinha ainda a esperança de que você tivesse reconhecido alguém. Afinal a pessoa que mandou essas fotos tem o número do celular do meu marido...

- Querida, se você quiser, posso apresentá-los para uma pessoa que já fez algumas investigações para mim. É um detetive particular que já foi da Scotland Yard, talvez ele possa ajudar vocês a descobrir...

- Agradeço sua ajuda Mick, vou falar com o Jack... - disse Clara. - A que horas você combinou com o Sommers amanhã?

- Ainda não combinei, vou ligar para ele de manhã. Te ligo em seguida avisando a que horas passo para te pegar...

- Ah! Quase me esqueço, Mick. Amanhã, meu marido me levará até o hotel. Como nossa casa já está pronta, ficaremos nela até o dia do embarque para o Brasil. Já estamos com tudo pronto para levar amanhã cedo para lá...

- Que bom! Estou feliz por vocês! - sorriu Mick. - Então, amanhã, te ligo logo depois de falar com o Sommers.

- Ok, querido! Amanhã conversamos mais, beijos.

- Beijos, meu amor. Boa noite... - disse Mick desligando o telefone.

Clara deu um longo suspiro, soltou o celular sobre a cama, levantou-se, guardou o notebook e o celular e começou a chorar novamente. Agora ela estava sentindo-se cansada, mas sabia que não conseguiria dormir. Estava nervosa e pensou em relaxar na banheira. Pegou novamente o celular e mandou uma mensagem de texto para Jack. "Estou indo para a banheira, vou tomar um banho antes de dormir. Boa noite, meu amor!"

Foi até o banheiro, abriu a torneira da banheira, pegou sais de banho, óleos essenciais e acendeu um incenso.

Alguns minutos depois, Jack entrava correndo pelo quarto.

- Clara, amor... Você ía mesmo tomar banho sozinha?

- Ah, meu amor, não queria te tirar da tua paixão, sei o quanto...

Jack interrompeu Clara com um beijo - Meu amor, você é minha paixão! - sorriu Jack - Quero te mimar dia e noite...

Os dois então se despiram e entraram juntos na banheira.

- Ai Jack... - disse Clara acariciando-o. - Liguei para o Mick para combinarmos os detalhes da reunião de amanhã e contei a ele sobre as fotos que você recebeu. Ele me disse que conhece um ex-policial da Scotland Yard que pode descobrir quem mandou essas fotos.

- Você quer mesmo investigar isso?

- Acho que seria bom. Foi uma coisa muito maldosa feita por alguém que te conhece... alguém que tentou nos separar...

- Está bem, amanhã diga ao Mick que conversaremos com esse detetive... Aliás, você quer que eu vá com você a reunião?

- Eu tive uma ideia melhor, amor... - sorriu Clara. - Depois da reunião, eu posso pedir ao Mick para vir até nossa casa e conversamos lá com mais privacidade. Pode ser?

- Pode, meu amor... Quero te fazer feliz. Só isso me importa agora...

- Mas se isso te incomoda...

- Não, não me incomoda. Acho que preciso de uma vez por todas aceitar que ele sempre estará por perto...

- Ai querido, não é assim... você não está aceitando, está apenas dizendo essas coisas porque acha que isso é o que eu quero ouvir...

- Tem razão! Esse cara me incomoda muito, mas preciso fazer alguma coisa para não te perder para ele...

- Mas você não vai! Você nunca vai me perder para ele. A única pessoa no mundo que pode me afastar de você é você mesmo, meu amor... e essa sua imaginação que dá tanto poder a ele. Confia em você e no meu amor que nada mais vai te incomodar...

- Ai Menininha... não me faz chorar de novo...

- Nós vamos vencer tudo isso, juntos, meu amor. Nunca mais sinta-se menor do que ele ou qualquer outra pessoa neste mundo. Ok, Grandão?

- Meu amor, vou tentar ser forte por você. É o máximo que posso prometer, ok?

- Ok! Agora vem mais perto para que eu possa te mimar...

Jack puxou Clara para seu colo e agora os dois se amavam como se fosse a última vez. Depois de quase jogar fora aquele amor, a sensação de estarem juntos e felizes dominava a ambos completamente. Aquela era uma noite de despedidas e de expectativa. Na manhã seguinte eles se mudariam para sua nova casa em Londres onde esperavam viver o resto de suas vidas, nos braços um do outro.

Continua

19 de jan de 2012

Rockstar - Capítulo LXVII



- Querida! Está tudo bem? - disse Jack ao notar que ela tentava secar os olhos. - O que aquele canalha fez para você agora?

- Nada, meu amor... - sorriu. - O Mick me disse uma coisa que me emocionou muito agora... Ele não é um canalha...

- Ele é um canalha sim e eu tenho provas disso, aqui no meu celular... - disse Jack mostrando a ela fotos dela e de Mick, de mãos dadas no restaurante e dele beijando-a no rosto e nas mãos. - Só um canalha pegaria minha mulher naquela maldita Ferrari e a levaria para um hotel, onde passaria a manhã tentando seduzí-la, usando uma reunião de trabalho como pretexto.

- Não Jack! Só um canalha juraria amor por sua esposa, na porta de casa, de manhã e depois confiaria mais em fotos enviadas anonimamente pelo celular, do que naquilo que ela tem a dizer... Mas não vou mais aturar isso... - disse Clara voltando para a calçada e fazendo sinal para um taxi que passava pela rua naquele momento.

- Clara... onde você vai? - disse Jack correndo atrás dela enquanto ela entrava no taxi. - Clara...

- Por favor, para Heathrow... - Clara disse para o motorista de taxi, tentando conter as lágrimas.

- Qual terminal, senhora? - perguntou o motorista.

- Não sei... Não tenho ainda uma reserva, nem uma passagem... - respondeu chorando. - Mas preciso ir embora para o Brasil, agora... Vou dar uma olhada aqui no meu ipad para ver se descubro.

- A senhora vai para o Brasil? Assim? Sem bagagem? Ao menos está com seu passaporte? - disse o taxista buscando chamá-la de volta para a realidade.

- Estou sim... não preciso de bagagem... aliás, não quero levar nada comigo... Só quero ir embora. - disse Clara, chorando de soluçar.

- Calma, senhora... - disse o motorista. - A senhora mora naquela casa onde a peguei?

- Não... quer dizer, eu ia morar lá, mas agora vou voltar para o Brasil. Não quero mais ficar aqui. Meu marido... - disse Clara entre soluços.

- O que tem, seu marido, senhora?

- Ele é um idiota ciumento e gritou comigo... - disse Clara. - Eu deixei tudo, minha vida, minha família, minha carreira e até mudei de país para estar com ele... Aliás, quero que você volte... esqueci que estou com essa droga de anel e aliança no dedo... vou devolvê-los para ele e aí sim, vou embora...

- Então, devo fazer o retorno, senhora?

- Sim, deve... Vou ficar preocupada de ir embora com estes anéis... não quero levar nada que seja dele, nada.

O taxi parou na porta da casa, na High Gardens e Clara pagou ao motorista e desceu. Ligou seu celular, que tinha desligado quando entrou no carro e usou-o para falar com Cindy.

- Estou aqui na porta, você pode vir até aqui, sozinha, por favor? - perguntou para a amiga.

- Clara... estávamos tentando falar com você. Calma, amiga... - disse Cindy. - Estamos indo aí... calma.

- Não... vem só você, Cindy... - respondeu Clara. - Voltei só para devolver o anel e a aliança para o Jack e já vou para o aeroporto... vou embora daqui...

- Calma, querida... - disse Cindy passando pelo portão e abraçando Clara. - Vem falar com o Jack... ele está desolado. Por favor, querida... vocês se amam...

Com as mãos tremendo, Clara tirou o anel e a aliança e entregou-os para Cindy. - Por favor, devolve para ele... não quero vê-lo nunca mais...

- Não querida... Vem, por favor, ele está muito arrependido de ter dito aquelas coisas... Vocês se amam tanto, querida... Você precisa se acalmar, vem tomar um copo d'água, sua cozinha já está pronta, sabia? Sua casa está tão linda...

- Essa casa não é minha, é do Jack...

As duas aproximaram-se da casa, Jack saiu pela porta e veio na direção delas.

- Menininha, me perdoa... por favor... eu não consigo viver sem você...

- Desculpa, Jack. Não queria que isso acontecesse... mas agora eu vejo com clareza, nos casamos rápido demais e por mais que eu te ame...

Jack interrompeu-a com um beijo. Desesperada, ela tentou lutar contra a força dos braços que a envolviam, mas era incapaz de livrar-se e voltou a chorar, sentindo-se arrependida de ter voltado para aquela casa.

- Não, Jack... por favor, não... - disse empurrando-o. - É muito importante para mim que eu consiga reagir agora. Eu sei que também sou ciumenta, mas... eu preciso que você entenda de uma vez por todas que eu nunca te traí! Nunca!

- Por favor, querida... isto está me matando... me perdoa, esquece tudo o que eu disse... eu perdi a cabeça quando vi aquelas fotos... me perdoa, meu amor...

- Não é uma questão de perdão, Jack. - disse Clara pegando a mão de Jack. - Eu vou embora porque você não confia em mim. Já te disse mil vezes que amo você, que o Mick é só um amigo, nunca foi meu amante... mas você continua insistindo com isso... me magoa muito... Hoje você não quis nem me ouvir...

- Me perdoa, meu amor... vem aqui, vem - disse Jack abraçando-a e chorando. - Fui um idiota... Vem, não me deixa por favor...

- Ai Jack... eu te amo tanto... - disse Clara chorando e beijando-o com paixão. - Me escuta, por favor... foi só uma reunião... de verdade... nós chegamos ao restaurante e o Mick tinha me dito no caminho que tinha convidado a Gianna para morar com ele. Eu o convenci a comprar um anel para ela e até o ajudei a comprá-lo na Tiffany... Estava tão feliz por eles e você veio...

- Eu te amo, Menininha... me perdoa... fiquei cego quando vi aquelas fotos... Então ele vai se casar?

- Vai, querido... queria fazer uma coisa mais informal, mas o convenci que a Gianna gostaria de algo mais romântico...

- Ah, meu amor tão linda... meu anjo... - disse Jack beijando-a. - Vem, quero te mostrar a nossa casa. Onde seremos felizes e teremos nossos filhos... - Jack pegou-a no colo e levou-a através da porta, enquanto seus amigos festejavam a reconciliação dos dois.

- Velhão! Que bom que vocês se entenderam! - sorriu David. - Vamos comemorar... Nós trouxemos champagne!

- Clara, querida... estou feliz por vocês... - disse Jennifer abraçando-a.

Clara não conseguia acreditar em seus olhos, mas a casa já estava toda decorada, inclusive, o piano todo preto, que Jack havia encomendado há apenas uma semana já estava lá, ocupando um lugar de honra na imensa sala de estar, que Clara via pela primeira vez preenchida com belos móveis e decorada com vasos, quadros e tapetes.

- Isto está tão lindo! - Clara disse abraçando Cindy. - Obrigada querida! Não tenho palavras para expressar o quanto estou grata por tudo... Desculpa não estar aqui e toda essa confusão. Quase deixei tudo para trás... na verdade voltei para devolver ao Jack meu anel de noivado e minha aliança... quero eles de volta agora, Cindy...

- Espera, Cindy... - disse Jack pegando os anéis em suas mãos. - Clara, você me dá a honra de voltar a ser minha querida esposa novamente?

- Sim, meu amor... - disse Clara beijando Jack mais uma vez, enquanto ele colocava de volta o anel e a aliança em seu dedo.

- Champagne! - David encheu e distribuiu as taças para todos e o clima agora na casa era de total alegria.

Depois da comemoração, todos levaram Clara para conhecer os demais ambientes da casa e ela pode ver que tudo estava pronto e encantou-se especialmente com a suite que dividiria com Jack. A cama com dossel, o papel de parede com pequenas lavandas, a beleza em cada detalhe, aquele quarto transportava automaticamente seus ocupantes para épocas mais românticas.

- Cindy, está lindo... maravilhoso... mas onde está aquele retrato do Jack que comprei em Paris?

- Ah, querida... Coloquei-o no seu escritório, vem, de agora em diante você trabalhará olhando para ele... - sorriu - Vamos lá?

Quando Cindy acendeu as luzes do escritório, o coração de Clara disparou. Bem mobiliado e equipado, o escritório parecia o único ambiente do século XXI naquela casa e era completamente dominado pelo retrato de Jack, o glorificado "Deus do Rock" em todo seu brilho e beleza.

- Vou adorar trabalhar aqui... lindo... acho que será difícil me concentrar, porque estarei sempre um pouco perdida, olhando para este quadro, mas tudo nesta casa está tão perfeito que estou quase explodindo de tanta alegria.

- Vem amor, quero que você veja o quarto do pequeno Jack. - sorriu Jack. - Vamos estragar aquele garoto, de tanto que iremos mimá-lo.

Clara seguiu Jack pelo corredor e chegou ao quarto do bebê, que ficava próximo da suite master e se interligava por uma segunda porta a um dos quartos de hóspedes.

- O que pensamos, querida é que a Kate pode ficar aqui por quanto tempo ela quiser e depois, quando ela for para a casa dela, vocês podem usar o quarto para o filho de vocês. - disse Cindy. - É bem perto do seu quarto e você pode colocar uma babá dormindo no quarto de hóspedes, se for preciso.

- Perfeito, Cindy. - sorriu Clara, aproximando-se de Jack e encaixando-se entre seus braços.

- Quer passar a noite aqui Menininha? - Jack perguntou, acariciando os cabelos de Clara. - Podemos comprar as coisas que faltam depois do almoço e ficamos por aqui, o que você acha?

- Podemos, Cindy? - sorriu Clara. - Quer dizer, está mesmo tudo pronto?

- Claro que podem... a casa é sua... - riu Cindy. - Faltam poucas coisas agora, os aparelhos da academia, a decoração do teu espaço de meditação, que deve ser feita por você mesma, a montagem do estúdio e alguns detalhes do bar do jardim e do próprio jardim. Tudo mais, incluindo as dependências de empregados, está pronto.

- Ah, querido... acho que não podemos. Tenho que ver os esboços de roteiros que o Jack Sommers preparou. Terei outra reunião com ele e com o Mick amanhã à tarde para escolher uma versão. Ele vai voltar para a América amanhã mesmo. Vou precisar trabalhar, meu amor...

- Ah que pena! - disse Cindy. - Mas podemos fazer compras hoje à tarde e quando voltarmos para casa, você pode trabalhar...

- Claro, Cindy... - sorriu Clara. - Vamos sair para almoçar, fazemos nossas compras e voltamos para Heathcliff Hall. Amanhã, eu e o Jack voltamos para Londres, trabalhamos mais um pouco aqui na nossa casa e quando chegar a hora, o Jack me leva ao Ritz, para a reunião... Que tal?

- Para mim, parece perfeito, meu amor. - disse Jack abraçando-a e beijando sua cabeça. - Eu só gostaria de saber quem me mandou aquelas fotos e com que intenção...

- Não sei, querido. - disse Clara. - Eu e Mick chegamos ao restaurante e o Sommers demorou alguns minutos para descer. O restaurante não estava muito cheio, mas percebi muitos flashes e pessoas nos filmando com celulares. Qualquer uma daquelas pessoas pode ter te mandado essas fotos.

- Mas quem? Eu quero dizer, a pessoa que me mandou isso, sabia o número do meu celular, querida...

- Você não viu ninguém conhecido no restaurante, Clara? - perguntou Cindy.

- Não... - disse Clara. - Quando chegamos ao restaurante, o Mick pediu ao maitre para nos levar para uma mesa na área mais vazia do restaurante e alguns seguranças entraram na sala e impediam que as outras pessoas se aproximassem de nós.

- Acho que você deve contar isso para o Mick. - disse Jennifer. - quem sabe ele não viu alguém conhecido no restaurante. Algum desafeto dele.. não sabemos...

- Tem razão... - respondeu Clara. - Vou ligar para ele quando chegarmos em casa, hoje à noite, para avisá-lo. Isso foi muito maldoso. Por que alguém ia querer provocar uma briga entre nós, Jack?

- Não sei, querida. Mas me arrependi muito de tudo o que te disse...

- Não fala mais nisso, meu amor... - disse Clara. - Eu quero esquecer o que aconteceu hoje...

Continuar

16 de jan de 2012

Rockstar - Capítulo LXVI


Depois do caminho difícil até Londres, a Ferrari de Jagger estacionou na porta do Ritz e ele e Clara desceram dela, deixando-a aos cuidados de um manobrista boquiaberto.

Os dois entraram no hotel e Mick usou seu celular para avisar o roteirista de sua chegada.

- Vamos, querida. Ele já está descendo. Nos pediu para irmos direto ao restaurante. - sorriu Mick e aproximou-se de uma das fucionárias do hotel. - Querida, como chego ao restaurante?

- Por aquela porta à direita, atrás do balcão da gerência, senhor.

- Obrigado, querida! - disse Jagger para a funcionária que o havia reconhecido, mas o tratava com a frieza e a distância que sua gerente provavelmente esperava dela.

- Você vai gostar muito do Sommers, conversei com ele ontem, por telefone, e ele foi muito simpático e me disse que é fã dos seus livros.

- Mesmo! - sorriu Clara. - Que bom! - sorriu Clara. - Pobrezinha, você deixou a moça nervosa, Mick.

- Tenho pena destas pessoas. Nunca podem expressar o que sentem, com medo de perder o emprego. - riu Mick.

Os dois entraram no restaurante que naquele horário estava com metade de sua capacidade tomada e sua entrada não passou despercebida. Em um esforço para prevenir um possível tumulto, alguns seguranças do hotel foram deslocados para o restaurante e ficaram de sobreaviso.

Mick, por sua vez, pediu a mesa mais isolada do restaurante, para dificultar um pouco mais para os possíveis caçadores de fotos e autógrafos.

- Querida, vem comigo... - disse Mick puxando Clara pela mão escoltado por um segurança.

- Você está com fome, querida? - perguntou Mick.

- Um pouco... - sorriu Clara. - Mas vamos esperar o Sommers para fazer o pedido, não?

- Sim, querida. Você acha que conseguiremos sair daqui em paz? - perguntou Mick

- Por que você pergunta isso? - riu Clara.

- Porque o restaurante inteiro está nos olhando agora. - riu Mick. - Por que será que as pessoas são assim? Se preocupam mais com a vida de quem elas pensam conhecer do que com as vidas delas próprias?

- Não sei, querido. - riu Clara. - Mas estamos bem, a maioria dos olhares é de admiração e orgulho por estarem no mesmo ambiente que o grande Mick Jagger...

- Estão é achando que passamos a noite juntos neste hotel e acordamos agora para tomar café, isso sim. - riu Mick.

- Será? Meu Deus, vou ouvir outro sermão do meu pai... não vou?

- Sermão? - riu Mick.

- É... depois daquelas nossas fotos na porta do restaurante, meu pai me falou um montão de coisas... - sorriu Clara. - Acho que hoje não escapamos de sermos fotografados juntos novamente.

- Não se preocupe com isso, querida... - riu Mick. - Não estamos fazendo nada errado... ainda...

Clara riu muito da piada de Mick. A amizade dos dois continuava sólida, como estranhamente tinha sido desde o primeiro momento. Amor, carinho e cumplicidade. Mick era seu melhor amigo, depois do marido.

O celular de Clara tocou, avisando a chegada de uma mensagem de texto de Jack: "Meu amor, já estou sentindo sua falta. Te amo muito"

- Seu marido? - perguntou Mick.

- Sim... Não conseguimos ficar muito tempo longe um do outro... sorriu, digitando no celular "Eu te amo" como resposta.

- Ah! O senhor Noble não sabe o quanto tem sorte... O Sommers está vindo, querida. É aquele rapaz que acabou de entrar no restaurante...

- Bom dia, Mick. - disse Sommers aproximando-se da mesa.

- Bom dia, Sommers...- sorriu Jagger. - Esta é a autora, Clara Noble. Querida, este é Jack Sommers.

- Bom dia, como vai... - Clara cumprimentou o roteirista que aparentava ser muito jovem, mas usava grossos óculos de grau e se vestia com roupas casuais, bem longe da sofisticação do blaser bem cortado que Jagger estava vestindo, ou das vistosas roupas de griffe que ela usava.

- Senhora Noble, antes de tudo, quero dizer o que disse para o Mick ontem.... sou fã do seu trabalho, acho que seus livros são incríveis, viagens completas ao imaginário de músicas maravilhosas. Parabéns... Aliás, estou com seus livros aqui na minha pasta e gostaria que a senhora os autografasse para mim.

- Claro. - sorriu Clara. - Obrigada pelos elogios, mas por favor, me chame de Clara, me sinto com cem anos de idade quando me chamam de senhora Noble. Gosto muito de seus roteiros também, "Mississipi Rising" é um dos melhores filmes que assisti nos últimos anos.

- Obrigado! - sorriu Sommers. - Sou de lá, nasci em New Orleans e minha avó me contava sempre histórias que ela aprendeu com a avó dela sobre as fazendas de algodão, a guerra civil. Só coloquei no papel uma dessas histórias.

- É fascinante. - sorriu Clara. - Eram personagens tão fortes, que enfrentaram tanto sofrimento e tanta dor.

- Também gostei muito de seu filme, por isso o chamei para adaptar o livro da sen... da Clara - sorriu Mick.

- Bem, estou com dois esboços de script aqui, nestes pendrives. - sorriu Sommers tirando dois pendrives do bolso e entregando-os um para cada um. - Quero que vocês os leiam e façam seus comentários. Depois, nos reuniremos novamente amanhã, no final da tarde, para discutirmos qual sua preferência. O Mick me disse que você tem uma viagem marcada para a próxima segunda-feira, correto?

- Sim, ficarei quinze dias no Brasil, descansando, antes do início da turnê da Crossroads, no dia 10/11. - sorriu Clara. - Voltamos bem antes desta data, mas não posso garantir nada porque teremos ensaios, divulgação, festas de lançamento... acredito que estarei bastante ocupada após meu retorno.

- Entendo. Mas não se preocupe, acho que será muito mais prático trabalharmos pela internet, então. Vou voltar para Los Angeles amanhã. Quando peguei seu livro, pensei em duas versões possíveis, o que muda é quem conta a história.

- Interessante... - respondeu Clara. - Você acha que pode contar a história de outro ponto de vista, além do Mike Houston? Porque a ideia no meu livro é a de que ele vá descobrindo o que está acontecendo junto com os leitores.

- Estava falando isso para o Mick. Acho que em um bom suspense, sempre cabem dois tratamentos, um, em que o público não sabe nada e vai descobrindo tudo junto com os personagens e outro, em que ele sabe tudo e fica aflito querendo saber o que os personagens farão diante dos fatos.

- Vou analisar com carinho seu trabalho, Jack. - sorriu Clara. - Estou muito feliz de ter esta chance de ver uma das minhas histórias no cinema. Estou no céu, graças a vocês dois.

- Seu trabalho fez tudo, Clara. Suas histórias são geniais, apenas cheguei primeiro com meu projeto. - disse Mick, pegando a mão de Clara e beijando-a.

- Gosto muito dos seus livros e meu agente já tinha ordens de me avisar sempre que houvesse qualquer rumor de que eles seriam adaptados para o cinema. Se o Mick não me chamasse, eu iria procurá-lo para pedir para participar.

- Obrigada! - sorriu Clara. - Vocês dois são muito gentis comigo...

- Eu que agradeço! - disse Jack. - Você conseguiu reunir minha banda favorita desde sempre, desculpa Mick, mas eu sou louco pela Crossroads!

- Minha favorita também, Jack. Ao lado dos Stones, é claro!. - sorriu Clara.

- Vocês partem meu coração... - riu Mick. - Mas vamos aos negócios; estamos todos acertados? - A que horas você parte amanhã, Jack?

- Vou à noite, Mick...

- Então, nos reunimos amanhã, à tarde, aqui mesmo para discutirmos os detalhes.

Clara autografou os livros de Sommers e mais uma vez, quando partiram, levaram todos os olhares do restaurante.

- Então querida, você me acompanha mesmo na joalheria para me ajudar a escolher um anel para a Gianna? - perguntou Mick enquanto esperavam que o manobrista trouxesse de volta o carro.

- Claro que acompanho. - sorriu Clara. - Faça um surpresa para ela, convide-a para jantar, leve flores... Não existe mulher no mundo que não ficaria encantada com um pedido assim, Mick.

- Então vamos, querida... - sorriu Mick quando já entravam no carro. - Cartier, Tiffany, Van Cleef & Arpels... qual delas é a melhor?

- Não tenho a mínima ideia, Mick. - riu Clara. - Não entendo absolutamente nada de jóias. Não sei se isso ajuda, mas meu anel de noivado é da Tiffany...

- Então vamos lá, querida. Tem uma Tiffany perto do seu hotel, se não me engano... - sorriu Mick.

- Tem... foi lá que eu e o Jack compramos meu anel. - suspirou Clara olhando para os reflexos dourados que seu anel de noivado exibia naquele instante.

- O amor que você tem pelo Jack é inspirador até para mim, que gostaria que ele não existisse. Nunca te disse isso, mas naquele dia, em Nova York, me senti muito atraído por você; saí te procurando por aquele camarim lotado para te convidar para sair, mas quando te achei, você já estava beijando o Jack...

- Ai Mick... Foi nosso primeiro beijo. Mas já estava apaixonada por ele... - sorriu Clara. - Naquele dia, ele me convidou para almoçar na suíte dele e nós dois bebemos muito champagne. Sentamos juntos no piano e quase nos beijamos... só não aconteceu porque meu celular tocou e nos interrompeu...

- Hum... então, acho que você não teria aceitado sair comigo. Mesmo que eu tivesse te encontrado antes do Jack...

- Sinto muito querido, mas acho que não. - sorriu Clara. - Me apaixonei por ele no primeiro momento em que o vi, no saguão do hotel. É até estranho, mas parece que minha cabeça tirou uma foto desse momento, fecho os olhos e vejo cada detalhe.

- É um golpe duro esse que acabei de receber em meu coração. Mas ao menos ele matou a culpa que senti desde então por não a ter alcançado a tempo, naquela noite.

- Ah querido! Nunca vou entender o que você viu em mim... Me sinto tão comum perto de você...

- Por favor, não fala assim, ou acabo te beijando para te mostrar...

- Mick!

- Ok, querida! - Mick suspirou. - Chegamos, vamos comprar um anel para a Gianna...

Os dois desceram do carro e foram atendidos pelo gerente da loja que mostrou para eles os mais bonitos e sofisticados anéis de diamantes disponíveis. O pobre homem não disse nada, mas não estava nada confortável com a situação, após reconhecer Clara e Mick, ele agora tinha certeza de que eram verdadeiros os rumores que diziam que depois do curto casamento com Jack Noble, ela o trocaria por Mick Jagger.

- A senhora não vai experimentar os anéis? - ele perguntou, enquanto colocava alguns mostruários sobre a mesa e notava que na mão esquerda dela, ainda estavam seu anel de noivado e sua aliança de casamento.

- Não sei se adianta. - sorriu. - A noiva do senhor Jagger é mais alta e tem dedos mais longos e finos do que os meus. Imagino que o que servir em mim, pode ficar muito grande para ela.

- Querida, gostei deste aqui. - disse Mick apontando para uma bela pedra oval cercada por diamantes menores. - Experimenta esse aqui...

- Vou colocá-lo na mão direita, Mick. - sorriu Clara. - É lindo! Ela vai adorar!

- Você acha mesmo que será muito largo para o dedo dela? - disse Mick pegando a mão de Clara e examinando o anel. - O senhor acha que este anel pode ficar mesmo grande, como ela disse?

- Não é para a senhora o anel? - perguntou o gerente surpreso.

- Não. - sorriu Clara. - Estou ajudando Mick a comprar o anel de noivado para Gianna Carli, a noiva dele. O senhor a conhece?

- A top model? Conheço sim... Espera! - disse ele, sorrindo. - Ela comprou recentemente um anel aqui e era exatamente o mesmo número que este! Certamente não ficará grande, senhora.

- Que bom! - sorriu Mick. - Querida, nem sei dizer o quanto sou grato a você por me ajudar desta maneira...

- Você é meu amigo... - sorriu Clara.

Com o anel no bolso do blaser, Mick levou Clara pela mão de volta a seu carro e deixou-a na porta de sua nova casa.

- Querido, vem... quero que você conheça minha nova casa. - sorriu Clara.

- Acho melhor não, Clara. Não seria apropriado. Acho que seu marido não entenderia... - disse beijando-a no rosto. - Obrigado de novo. Te ligo mais tarde para combinarmos sobre a reunião de amanhã.

- Ok! - suspirou Clara. - Obrigada por tudo! Depois me conta também sobre você e a Gianna. Quero muito vê-los felizes... de coração...

- Ah, querida! - Mick disse abraçando-a. - Obrigado, você é maravilhosa!

Clara estava chorando quando desceu do carro e ligou para o celular de Jack, que logo foi até o portão para encontrá-la.

Continua

12 de jan de 2012

Rockstar - Capítulo LXV


- Hum, boa tarde querida! Como você está hoje? - ela ouviu a voz de Mick do outro lado da linha.

- Olá Mick. Tudo bem... e você?

- Melhor agora que estou falando com você... - sorriu Mick. - Mas sua voz me diz outra coisa...

- Não é nada, só cansaço... estava agora no estúdio e, não sei bem por que mas a música da Crossroads acaba comigo emocionalmente... estou em frangalhos, querido.

- Queria estar aí para te fazer descansar nos meus braços...

- Por favor, Mick... não fale assim... você queria que eu te ligasse...

- Desculpa querida. Não quero te causar nenhuma dor... O Jack Sommers chegou hoje de manhã em Londres e nós marcamos uma reunião para tratar sobre o roteiro do filme no restaurante do Ritz, amanhã às 10, um café da manhã para combinarmos como vocês dois trabalharão juntos. Passo aí, em Heathcliff Hall, às nove para te pegar?

- Nós todos estávamos combinando de ir para Londres amanhã para comprar roupas de palco para a banda... - disse Clara.

- Após a reunião, posso deixá-la onde você quiser... Não se preocupe... você estará segura ao meu lado, já te disse que somos amigos agora, não disse?

- Querido, não é isso... Me desculpa, estou me sentindo muito cansada agora e sei que o Jack vai ficar com ciúmes e... bem... estou sem energia para essa batalha...

- Quer que eu fale com ele?

- Não... Não precisa. Nos vemos então amanhã, às nove.

- Ok, querida. Se tiver alguma coisa que posso fazer por você, me avise... Fica em paz, meu amor.

- Tchau, querido. Um beijo...

Clara deu um longo suspiro e resolveu voltar ao estúdio. Desceu as escadas, entrou na sala de controle e de lá acenou para as amigas abrirem a porta para ela.

Jack estava completamente concentrado na música "Love you Forever" e cantava de olhos fechados e Clara preferindo não atrapalhar mais uma vez o ensaio, foi sentar-se com suas amigas, no sofá.

- Querida, está melhor? - perguntou Jack depois que a música terminou.

- Estou melhor sim. - Clara respondeu levantando-se do sofá e caminhando até ele. - Querido, o Mick Jagger me ligou...

- O que aquele cara quer agora? - perguntou Jack tirando o fone do ouvido.

- O Jack Sommers, roteirista do filme, está em Londres e ele marcou uma reunião para amanhã às 10, no restaurante do Ritz, no café da manhã. Disse que passa aqui às 9 para me pegar.

- Nós já tinhamos combinado com nossos amigos que íamos até nossa casa e depois faríamos compras para o show... - disse Jack pegando-a pela mão.

- Mas ele me disse que me leva onde eu quiser ir, depois da reunião. Posso encontrá-los por lá, amor...

- Claro... por que não? - Jack puxou-a mais perto e beijou sua mão. - O mínimo que aquele canalha pode fazer é te devolver para mim, depois de ter a chance de mais uma vez tentar te roubar...

- Querido, é só trabalho... Vou encontrá-lo para falar sobre o roteiro, só isso. - disse ela acariciando o cabelo de Jack. - Por favor, não fica nervoso, meu amor... Preciso de você comigo para conseguir dar conta de tudo o que preciso fazer.

- Eu vou tentar ficar bem, meu amor. - disse Jack, abraçando Clara. - Me desculpa, mas esse cara me tira do sério.

- Eu sei, querido... me desculpa também, mas é apenas uma reunião de trabalho sobre o roteiro do filme. Sinto muito que ela atrapalha nossos planos, mas eu preciso ir...

- Clara, não se preocupa. Vamos esperar por você na sua casa, queremos deixar tudo do seu gosto, querida. - sorriu Cindy. - Não é pessoal?

- Sim, Princesa... nós vamos lá ajudar a deixar tudo como você gosta... não liga para o Velhão... eu não ligo... - riu David.

- Obrigada pelo apoio, meus queridos, mas preciso conversar um pouco com meu marido. - disse Clara puxando Jack para fora do estúdio e levando-o até o corredor que seguia para a adega e para a escadaria que unia o subsolo ao resto da casa.

- O que foi, meu amor? - perguntou Jack com um ar triste e decepcionado.

- Isso aqui... - disse Clara, empurrando-o contra a parede, beijando-o apaixonadamente e deslizando as mãos por seu corpo. - Sempre que percebo seus ciúmes, tenho vontade de te mostrar o quanto te desejo.

- Ai menininha... me desculpa... Sou completamente seu, mas é tão difícil ver aquele cara...

- Eu sei... mas eu amo você, entendeu? Você...

Jack pegou Clara e pressionou-a com seu corpo contra a parede, o clima esquentava ainda mais entre os dois...

- Desculpa interromper, Princesa, mas estamos precisando ensaiar... Velhão, já para o estúdio...

- Vai querido... não quero atrapalhar o trabalho de vocês. Vou descansar um pouco, no jardim... estou esgotada emocionalmente e preciso de um pouco de distância, acho que vou buscar minha câmera e tirar umas fotos para ver se entro no foco de novo. Vai cantar amor, vai...

- Eu vou, querida. - disse Jack beijando-a. - Fica em paz... por favor.

- Vou ficar, amor... vai cantar antes que o Dave me expulse dessa casa... - sorriu Clara e depois seguiu pelo corredor até as escadas. Estava chorando e não queria que ninguém visse.

Clara foi até o quarto e atirou-se na cama. Sentia um cansaço maior do que ela, mas desejava que Jack estivesse ali. Assim ela teria a chance de mostrar a ele onde estava seu coração. Mas ele precisava ensaiar e, ela, preparar-se para encontrar novamente Mick Jagger.

Aquele encontro poderia complicar tudo, porque desta vez, os dois estariam completamente sozinhos.

Dentro de seu cansaço, ela estava até arrependida por aceitar aquele contrato de adaptação de sua história para o cinema e naquele momento, o sonho que sempre teve de ver suas histórias transformarem-se em filme, parecia tolo e vazio.
Respirou fundo, levantou-se, pegou sua câmera e foi até o jardim, mas apenas deu alguns passos no gramado e uma chuva fina e gelada começou a cair, obrigando-a a voltar para dentro de casa.

Clara subiu de volta em seu quarto, guardou a máquina fotográfica e pegou seu notebook. Respondeu e-mails e comentários de seu blog, facebook e twitter e deu uma olhada no planejamento dos próximos capítulos do livro. Naquele momento, tudo dependia de sentar-se com Jack e fazê-lo contar mais; mas não podia fazer isso agora.
Ele fingia que não, mas estava bastante abalado de saber que Clara se reuniria com Mick Jagger no dia seguinte.

Ela também sentia-se insegura sobre aquela reunião e depois de ir até o seu closet e achar que não tinha nada adequado para vestir, começou a sentir-se sufocada naquele quarto e resolveu que deveria andar no gramado, mesmo que ainda estivesse chovendo.

Vestiu uma jaqueta de couro, prendeu o cabelo e desceu as escadas, encontrando Cindy e Jennifer na sala de visitas.

- Que bom que vocês estão aqui fora... - sorriu Clara. - Vocês podem me ajudar? Estava pensando no meu figurino para a reunião de amanhã...

As duas amigas levantaram-se animadas e seguiram Clara até seu closet.

- Pensei nesse terninho cinza, com este casaco de couro por cima... - disse Clara. - O que vocês acham?

- Muito sério, Clara. - sorriu Jennifer. - Você não vai se encontrar com o Michael Peters, querida...

- Mas meu marido... não quero deixá-lo com ciúmes... - Clara respondeu com lágrimas nos olhos. - Sabe, estou sentindo uma dor horrível no peito hoje e sei que ela vem dele. Ele está muito triste por causa dessa reunião e preciso deixá-lo seguro... Nem que seja porque escolhi a roupa mais feia do meu armário para vestir amanhã...

- Ah querida... - disse Cindy, abraçando-a. - Não fica assim... Vem, vamos sentar. Quer um copo d'água? Vamos lá para baixo um pouco, depois terminamos de escolher alguma coisa para você...

As três desceram as escadas e foram caminhar um pouco no gramado, a chuva tinha parado e elas então foram até a estufa. Queriam que Clara se acalmasse e se distraísse um pouco.

- Olha querida, a minha orquídea favorita vai florir novamente. - sorriu Cindy. - O mundo está mesmo descontrolado, ela nunca floriu em outubro... é a primeira vez...

- Tão linda! - sorriu Clara com os olhos ainda cheios de lágrimas. - Desculpa, querida, mas preciso descer no estúdio. O Jack precisa de mim, agora...

Clara atravessou o gramado correndo e voltou para a casa, desceu as escadas e quando chegou na sala de controle do estúdio surpreendeu-se ao ver Jack sentado em um banquinho, pegando um copo de água que David estendia para ele, enquanto chorava com o rosto apoiado nas mãos. Sinalizou então para Mike, que abriu a porta para que ela entrasse.

Ela então caminhou em silêncio até Jack e fez sinal para David e Mike deixá-los sozinhos.

- Querido... - disse aproximando-se dele. - preciso falar com você, meu amor...

- Me perdoa, Clara. - disse Jack levantando-se e abraçando-a. - Está doendo muito...

- Eu sei... sinto a mesma dor, querido. - disse acariciando seus cabelos. - somos um só, lembra? Me diz tudo o que quer dizer, meu amor... estou aqui para ouví-lo...

- Não tenho o direito de ter tanto ciúme, ainda assim, tenho... - disse Jack puxando-a pela mão até os sofás do estúdio. - Sou mesmo um idiota...

- Não, meu amor, também tenho ciúme de você... Se pudesse, teria quebrado aquela vaca americana em mil pedaços... você sabe disso...

- Linda... - sorriu Jack. - Você é muito pequenininha e frágil para bater na Ann, meu amor... Você apanharia muito dela, isso sim... Mas eu amo você, meu amor... não ligo a mínima para ela e isso é o que importa.

- Mas é a mesma coisa que sinto sobre o Mick, meu querido... - sorriu Clara.

- Não é, eu sei... mas estou disposto a te ganhar dele... - disse Jack soltando os cabelos de Clara e deitando-a no sofá sob seu corpo. - Não importa o que ele te diga, eu te amo muito mais do que ele, Clara....

- Ai, Jack, meu amor... Você já me ganhou há muito tempo... desde que te vi pela primeira vez naquele saguão de hotel em Nova York, sou sua... irremediavelmente sua... - disse beijando-o com paixão.

- Vem, minha querida, vem... - disse Jack, levantando-se do sofá e puxando-a pela mão. E os dois subiram até o quarto, deixando seus amigos boquiabertos pelo caminho.

Em silêncio os dois se despiram e compartilharam o amor que sentiam. Com a dor e a urgência da última vez, aqueles momentos sublimes os acalmaram novamente e trouxeram a certeza e a paz dos sentimentos plenos.

- Meu amor... - Jack quebrou o silêncio. - Quero muito te mimar hoje o dia todo e amanhã e depois de amanhã e depois e todos os dias da minha vida...

- Meu querido... - Clara beijou-o. - Nada me fará mais feliz do que te fazer feliz... Estou aqui para você... Se você não quiser, nem vou na tal da reunião amanhã... dane-se o filme e minha carreira...

- Não, querida... - disse Jack sentando-se na cama. - Não pode ser assim... você vai e depois nos veremos na nossa casa... E vamos arrumá-la como você quiser e logo estaremos em paz, sozinhos, no Brasil... são só mais uns dias, meu amor...

- Eu já estou em paz, querido... para mim, me basta estar nos seus braços...

Jack e Clara passaram mais algumas horas no quarto e só desceram quando a noite chegou. Sorrindo, agarrados e felizes novamente.

- Desculpem, queridos, mas precisei conversar com minha pequena esposa... - sorriu Jack.

- Não tem problema, Jack. - disse David. - Eu e o Mike trabalhamos em outras coisas no estúdio... E a patroa disse que o jantar estará pronto daqui alguns minutos. Querem um drink?

- Vou ajudar a Cindy... Ela está na cozinha? - perguntou Clara.

- Sim, mas não acho que ela precisa de ajuda, querida. - disse David.

- Não preciso, querida. - disse Cindy trazendo uma garrafa de vinho nas mãos. - Quer vinho?

- Quero sim! - sorriu Clara. - Onde estão a Jenni e o Mike?

- Foram se preparar para o jantar. - sorriu David. - Venham aqui, queridas. Vocês podem pensar aquele monte de bobagens sobre preferirmos a música e tudo o mais, mas não tem nada que possa substituir a sensação de ter nossas amadas, nos nossos braços... vocês são lindas e ainda por cima, cheiram bem... Vem aqui, Cindy...

- Então? Tudo certo para amanhã, Clara? - perguntou Cindy. - Meu sócio me disse que a maior parte dos móveis já chegou e a casa está praticamente pronta.

- Tudo, querida. - sorriu Clara. - Sabe do que me esqueci... das coisas que usaremos no dia-a-dia. Pratos, copos, roupas de cama...

- Relaxa... podemos ver isso tudo amanhã... Acho que quando voltarem do Brasil, a casa estará totalmente pronta... o estúdio estará pronto na semana que vem... o David vai lá testar tudo para vocês...

- Queridos! Isso é maravilhoso! - sorriu Clara. - Estou muito feliz, estamos, não meu amor?

- Muito! - sorriu Jack ao ver o rosto de Clara iluminar-se. - Parece um sonho... eu e minha ninfa na nossa casa... Vou ligar para o Peters e pedir a ele para contratar os empregados enquanto estivermos no Brasil e quando voltarmos, daremos uma festa de inauguração!

- E uma festa de lançamento do disco, Jack! - disse David. - O Peters me ligou, enquanto você estava lá em cima. A festa de gala do lançamento do disco será na Roundhouse, no dia 28 de Outubro.

- No meu aniversário? - disse Clara. - Que lindo!

- É mesmo! É aniversário da minha princesa... Você se importa de comemorarmos nessa festa? - perguntou Jack.

- Não, querido... fico feliz... muito feliz! - sorriu Clara. - Depois comemoraremos na nossa casa... juntos...

- Hum... essa comemoração íntima me alegra ainda mais, querida! - sorriu Jack, beijando-a no rosto.

- Então, todo mundo feliz novamente nessa casa? - perguntou Jennifer, enquanto descia a escada de mãos dadas com Michael. - Que tal a festa de lançamento, Clara?

- Adorei a ideia! É no dia do meu aniversário! - sorriu Clara.

- Que lindo, querida! - sorriu Jennifer. - Então, vamos escolher as roupas para a reunião de amanhã? É capaz de ter imprensa no hotel e como sua personal stylist preciso te avisar que é importante aparecer sempre impecável em público.

- Depois do jantar, Jenni... - sorriu Clara. - Não preciso mais procurar a roupa mais feia do meu closet. Só alguma coisa adequada para um encontro de negócios.

- Isso mesmo, querida! - comemorou Jennifer. - Estou feliz por você... Aliás, todos nós estamos!

- Estamos sim, Princesa! - sorriu David.

- Então? Vamos jantar? - convidou Cindy.

Todos seguiram para a sala de vidro e o jantar transcorreu em clima de alegria e paz. Mais tarde, enquanto os homens se reuniam ao redor da coleção de discos de David, as mulheres iam ao closet de Clara escolher as roupas para a reunião. Botas, uma saia longa preta de veludo, blusa de tricot preta e uma paximina cinza. Tudo usado sob um charmoso sobretudo de couro preto.

- Lindo! - sorriu Clara. - Muito lindo! Vamos descer, agora? Quero beber um pouco mais de vinho, preciso relaxar ou não conseguirei dormir.

- Ainda nervosa? - perguntou Jennifer. - Acha que seu marido pode aprontar alguma?

- Não... - disse Clara. - O Jack está sendo um querido, me disse até que quer me ganhar do Mick, agora, imagina... mas eu sou ansiosa por natureza... Sempre que tenho um compromisso importante no dia seguinte, não consigo dormir...

- Acho que todas somos assim, em uma dose maior ou menor. - sorriu Cindy. - Mas me conta isso, o Jack disse para você que quer te ganhar do Mick?

- Disse... - suspirou Clara. - Ele acha que gosto mais do Mick do que dele...

- Que bobagem... - sorriu Jennifer.

- É, mas pelo que eu pude perceber ele se sente menos que o Mick, como se o Mick fosse alguém muito maior e mais digno do que ele. E eu posso dizer para vocês que, para mim, seria impossível amá-lo mais do já o amo.

- Mas você gosta do Mick também, não gosta? - perguntou Cindy.

- Pelo Mick, tenho carinho e admiração. Acho que sou mais fã do trabalho dele, do que qualquer outra coisa. Eu sempre gostei muito dos Rolling Stones e talvez, por isso, goste tanto da ideia de ser amiga dele...

- Mas ele não acha que é seu amigo, Clara. - disse Jennifer. - O Mick te vê como uma mulher atraente que ele quer ter nos braços. Você precisa tomar cuidado com isso, se não quer mesmo trair o Jack.

- E não tenho qualquer intenção de traí-lo. Não quero que ele sinta a dor que estava sentindo hoje à tarde, quando desci no estúdio. - disse Clara. - Não posso deixar que isso aconteça.

- Então, amiga, cuidado com o Mick. - sorriu Jennifer. - Porque ele vai sempre tentar alguma coisa.

- Vou tomar cuidado... - sorriu Clara. - Então? Vamos lá embaixo beber vinho?

- Vamos! - sorriu Cindy.

As três desceram e encontraram seus maridos na sala de música, ouvindo com atenção um velho disco de blues, enquanto David, com a guitarra na mão, tentava reproduzir os acordes que saiam das caixas de som.

- Amor, vem ouvir isso... - disse Jack puxando Clara para seu colo e sussurrando em seu ouvido, para não incomodar David. - Esse disco é de um dos maiores bluesman da década de 20 e há anos o David estava atrás dele porque quer tentar tirar esse solo.

- Que lindo! - disse Clara pousando a cabeça no ombro de Jack e apenas observando a cena. David Mersey, um dos melhores guitarristas do mundo, tentava tocar um velho blues de um músico que ele considerava um dos seus mestres.

- Está muito difícil isso, Jack... - disse David depois de tentar reproduzir o que ouvia. - Não tem como ser só o bottleneck...

- Deixa eu tentar... - disse Michael, pegando sua própria guitarra. - Acho que você pulou um acorde e isso está fazendo toda a diferença....

Cindy serviu vinho para ela e as amigas e em silêncio, sentou-se para também ficar observando.

- Assim, cara... - disse Jack puxando a gaita e tocando a sequência de notas que tinha ouvido.

- Não é Jack... - respondeu David. - Esta última nota não é assim... Cara, isso é impossível... o que eu não daria por uma máquina do tempo...

Quando ouviu essa frase, Clara lembrou-se de quantas e quantas vezes já a havia dito. Sempre que encontrava um bom vídeo dos velhos shows da Crossroads, na internet, ela a repetia, inconformada com seu destino de ter nascido tarde demais para ver a banda ao vivo. Mas eles estavam de volta e logo ela não só os veria, como os acompanharia em uma música, no palco.

- Ah cansei! - sorriu David. - Uma coisa que eu quero entender há 40 anos, não acho que será só em uma noite que vou conseguir...

- Você já conseguiu o disco, querido - sorriu Cindy aproximando-se dele para beijá-lo. - Mais dia, menos dia, você consegue...

- Tenho certeza que consegue, Dave. Você é um músico excepcional... - disse Clara sorrindo. - Mas agora, queria ouvir alguma coisa que desse para dançar...

- Seu desejo é uma ordem, Princesa. - respondeu David, levantando-se e pegando um disco de vinil nas prateleiras. - Vou colocar um daqueles que você gosta... Quer dançar, Cindy?

- Quero sim, amor... - sorriu Cindy.

- Vamos dançar, meu amor? - perguntou Clara puxando Jack pela mão assim que os primeiros acordes de um velho disco de Tony Bennet começaram a soar.

Os três casais passaram então a dançar agarrados aquelas músicas românticas que agora tocavam.

- Estou flutuando de tão feliz hoje, meu amor... - sussurrou Clara no ouvido de Jack. - Você foi tão doce comigo....

Jack beijou-a, acenou para David e puxou Clara pela mão de volta ao quarto.

- Querido, preciso antes programar o celular para despertar amanhã cedo. Vou sair daqui às 9... - disse Clara com medo de estragar o clima romântico entre eles.

- Eu te adoro tanto, Menininha. - disse Jack sentando-se na cama ao seu lado. - Vem aqui, mais perto de mim, vem...

- Lindo... - sorriu Clara. - Pronto! Vou acordar às 8, tomar um banho, me vestir e sair...

- Vou acordar com você, meu amor... Te mimar e te cuidar antes de você sair, porque eu gosto de cuidar de você...

Clara sorriu e beijou Jack. Os dois então se despiram e tiveram horas maravilhosas desfrutando do amor que sentiam e depois, simplesmente descansaram nos braços um do outro até o dia amanhecer. E quando o celular tocou, às 8, Clara e Jack acordaram sorrindo, tomaram banho juntos e ele massageou o corpo de Clara com óleos essenciais, arrumou seus cabelos em uma trança e ajudou-a a vestir-se.

- Você está linda, meu amor. - sorriu Jack. - Quer que eu te leve até o Ritz?

- Ai amor, podíamos ter combinado assim... - suspirou Clara. - Ficaríamos mais tempo juntos... Mas não se preocupe, vida. Compensarei cada minuto de distância te mimando em dobro mais tarde. Vem... Veste alguma coisa que quero que o Mick me veja te beijando lá na porta...

- Você é maravilhosa, querida. - sorriu Jack. - Vamos, está quase na hora...

- Vou levar meu caderninho e minha caneta... - sorriu Clara. - Não consigo me adaptar com aquele Ipad...

- Estou bem com esse robe? - sorriu Jack.

- Lindo! - sorriu Clara. - O homem que eu amo!

Os dois desceram as escadarias de Heathcliff Hall até a sala de estar. Ninguém, além dos empregados estava acordado na casa ainda. Eles sentaram-se na sala de estar e ficaram esperando, até que uma das empregadas veio até a sala avisar da chegada de um carro no portão e o celular de Clara avisava que estava recebendo uma nova mensagem: "Querida, estou na porta."

Ela saiu pela porta da frente da casa, agarrada em Jack e enquanto Mick caminhava na direção dos dois, Clara dava um longo beijo apaixonado no marido.

- Bom dia, meus queridos. - disse ele aproximando-se do casal e beijando a ambos no rosto. - Você não está com frio, Jack?

- Não... Sou um homem das montanhas, Mick. É preciso muito mais do que isso para me impressionar. Além disso, tenho meu amor para me aquecer... - sorriu Jack.

- Pronta, Senhora Noble? - sorriu Mick

- Vamos sim, Mick. - disse Clara. - Tchau, meu amor. Assim que a reunião terminar, te ligo... - e beijou-o novamente.

Mick abriu a porta da bela Ferrari que estava dirigindo para ela entrar e logo eles seguiam pela estradinha estreita que cortava o bosque, rumo à Londres.

- Fiquei com medo de dizer na frente de seu marido, mas você está linda hoje, querida.

- Obrigada Mick. - sorriu Clara.

- Mas o trânsito está horrível, querida... - disse Mick quando parou na entrada da estrada principal. - Espero chegar na reunião, no horário...

- O trânsito é sempre horrível nesta estrada, Mick. - sorriu Clara. - Não tem jeito...

- Vamos compensar essa chatice com um pouco de música. - disse Mick ligando o som do carro. - Você sabe o que é isso?

- A demo que gravamos em Nice? - sorriu Clara.

- Exatamente! E mais algumas coisas que gravamos dos nossos bailes por lá... - sorriu Mick. - Sua voz é linda, não me canso de ouvir... Aliás... aqui, neste pendrive, tem estas gravações todas e mais duas músicas que eu e o Keith fizemos para você. Ele está mais empolgado do que eu com sua voz, disse que se o David não produzir seu disco, ele produzirá...

- Que lindo! - sorriu Clara. - Não acho que mereça tudo isso de vocês... para mim, sou só uma escritora do terceiro mundo sem qualquer atrativo especial...

- Querida, não faça isso... Não renegue seus talentos... Agora você não está falando com seu amigo Mick, mas com o velho profissional da música e ele sabe quando está diante de uma estrela. Alguém que nasceu para as luzes e para a glória, minha querida. Essa sua modéstia é algo lindo, mas não deveria mais existir... eu poderia passar o resto dos meus dias e noites te ouvindo cantar...

Clara sorriu, mas seus olhos já estavam novamente enchendo-se de água. O belo carro em que estavam andava lentamente e chegava a parar, o que deu a ela a chance que queria para mudar de assunto.

- Este trânsito... - sorriu Clara. - E meu marido ainda quer que eu dirija aqui... Estou com saudades da minha bicicleta...

- É, querida. - riu Mick. - Acho que um par de bicicletas nos seriam muito mais úteis hoje do que esse carro... Você sabe dirigir?

- Sei... só tenho medo de dirigir aqui, porque é tudo ao contrário... - sorriu Clara. - Quando estiver mais tranquila, quero fazer umas aulas de direção para me adaptar...

- Não conta para ninguém, mas como fico muito na América, também fico confuso, às vezes, e prefiro usar um motorista por aqui... - riu Jagger. - É mais seguro... Olha só... conseguimos rodar mais duas milhas e paramos de novo...

- São Paulo também é assim... - sorriu Clara.

- Eu sei... Tenho ido constantemente para sua cidade nos últimos dois ou três anos.

- Mesmo?

- Estou até aprendendo português. - disse em português para Clara. - Fiz alguns investimentos por lá e tem meu filho...

- Fico feliz de saber, Mick. - sorriu Clara. - Meu país ainda será o melhor lugar do mundo...

- Já é, querida... Gosto muito de lá e não digo isso só porque estou apaixonado por uma brasileira...

- Mick, por favor... eu te peço para não falar mais isso...

- É a verdade, querida... mas como te disse, não farei nada sobre isso... Na verdade, ontem à noite, conversei com a Gianna e a convidei para morar comigo. Gosto dela, é uma boa amiga e talvez consiga me ajudar a te esquecer... já que você não me dá esperanças...

- Ah, Mick... não posso te dar esperanças... amo o Jack, sei que o nosso casamento foi repentino, nosso relacionamento surgiu do nada, mas estamos dispostos a fazê-lo dar certo. Todos os meus planos passam por ele, todos os dele passam por mim...

- Querida, você não precisa se justificar. Eu sei que vocês se amam... por isso, hoje, me considero seu amigo e decidi viver com a Gianna. Não será exatamente um casamento, mas espero que funcione...

- Eu fico feliz que vocês tenham decidido isso, Mick. - sorriu Clara. - Gosto muito de vocês dois... Vocês não farão uma festa para marcar a ocasião? Você não vai comprar um anel para ela?

- Não querida... E ela também não acha isso importante... A Gianna é uma mulher moderna...

- Mick querido... ela pode ter até dito a você que não acha isso importante, que é moderna... mas somos todas iguais... disse a mesma coisa para o Jack quando ele me pediu em casamento, mas toda vez que olho para este anel, não consigo deixar de ficar mais feliz...

- Você tem razão, querida... Acho que se fosse para me casar com você compraria o maior diamante do mundo... mas...

- Querido... por favor...

- Ok! Você me ajuda a escolher um diamante para ela, depois da reunião? - sorriu Mick.

- Ajudo! - riu Clara. - Olha só, o trânsito está melhorando... estamos quase em Londres...

- Finalmente vou poder mostrar a você o que este pequeno carro pode fazer! - riu Mick, acelerando sua Ferrari.

- Querido, não faça isso... não vejo como ser parado pela policia nos ajudará a chegar no horário em nossa reunião... - riu Clara.

- Você tem razão... - disse, diminuindo a velocidade. - Imagina o que a mídia não faria com essa informação... Aliás, gostei muito do que você disse para aqueles repórteres no aeroporto, no outro dia...

- É mesmo... estava tão irritada de encontrá-los por lá... acho que acabei falando demais...

- Gosto da sua sinceridade... aliás, gosto de tudo em você... Olha, querida, queria te fazer uma proposta, não é uma coisa para agora, não tem pressa e quero deixar claro que não tem qualquer pressão, ou obrigação... e você pode pedir o quanto quiser por isso... mas gostaria de saber se você não pode ser a ghost writer das minhas memórias também, como está sendo para o Jack...

- Seria uma honra, Mick! - sorriu Clara. - Não sei o que o Jack pensará disso, mas podemos conversar com ele e achar um jeito disso acontecer, nós três juntos...

- Ótimo! Vamos nos falar muito sobre isso... e convide o senhor Noble para as conversas... eu não estou aqui para roubar a esposa dele, só quero sua ghost writer trabalhando para mim também...

Continua