16 de out de 2012

Rockstar - Capítulo XCVIII


- Também acho... vamos trabalhar ela amanhã? No estúdio? Vamos fazer o seguinte, depois da reunião, nós vamos para Heathcliff Hall e nos concentramos nas duas músicas que ainda estão sem letra... que tal?

- Isso, Velhão... amanhã vamos à reunião e depois para minha casa trabalhar nela... sabe o que está me ocorrendo? É uma balada tão doce que dá até para fazer um dueto seu com a Princesa... acho que tem lugar no show para ela...

- Meu Deus! É sério isso?

- Sim, Princesa... essa música é uma daquelas... hoje à noite o Velhão descansa e amanhã ele acha as palavras para a letra... sempre foi assim...

- Assim? - Clara olhou para David e para Jack, os dois parecendo sinceramente eufóricos com a música que tinham acabado de criar e começou a chorar. - Eu não sei nem o que dizer...

Jack abraçou-a; - Não chora, querida... amanhã é outro dia e tenho certeza que a letra vai aparecer...

- Bem, de qualquer forma vou ligar agora para o Peters para acertar nossa agenda de amanhã... - David disse tirando o celular do bolso.

- Mas não é muito tarde?

- Não... ele precisa estar a nossa disposição 24 horas por dia.... esse homem ganha uma fortuna para isso, amor...

- Está bem... - Clara disse secando os olhos, pegando Jack pela mão e puxando-o para o fundo da sala. - Amor... isto está mesmo acontecendo?

- Está sim... - ele sorriu e beijou-a na testa. - Eu te amo...

- Também te amo, querido... Alguém quer uma bebida?

- Traz champagne, amor... quero comemorar esse momento... - Jack sorriu. - Vou te ajudar a servir...

Clara e Jack abriram uma garrafa de champagne e a colocaram junto com quatro taças,  em uma bandeja de prata, que Clara encontrou em um dos armários da cozinha.

Serviu champagne para seus convidados e suco de uva para ela e Jack, para um brinde. Todos felizes já comemoravam a nova música do repertório que sequer estava completa.

- Então, já estão todos prontos para Nova York? - David sorriu ao ver Clara agarrando-se mais uma vez a Jack.

- Meu marido acha que eu não tenho mais nada a fazer além de acompanhá-lo... - Cindy sorriu, beijando David no rosto.

- Ah, mas você vai viajar conosco, não vai? - Jack perguntou sorrindo.

- Vou para Nova York, mas não sei como será o restante da tournê... tenho um trabalho e não posso deixar tudo nas costas do meu sócio...

- Eu sei que você não gosta nem um pouquinho de estrada, querida...

- Pois é, Dave... minha mulher estará ao meu lado todo o tempo...

- Isso vai... e quer saber, a Princesa será a melhor coisa dessa turnê...

- Clara, cuidado ou esses dois vão te colocar para cantar o show inteiro... - Cindy riu.

- Eles sabem que eu não sei cantar, Cindy... além disso, nunca cantei para uma multidão...

- Ah, mas é mais fácil do que cantar para pouca gente, Menininha... - Jack sorriu. - Você não vai vê-los direito por causa das luzes, mas sentirá que estão lá. Ouvir o barulho que eles fazem, sentir o calor que vem deles.... é como se fossem uma outra coisa, uma massa gigante de energia que te atinge bem aqui, no meio do peito...

- Que lindo, amor... - Clara disse olhando em seus olhos profundamente azuis. - Sabe, eu gosto muito da ideia, mas ao mesmo tempo, me dá um medo de não conseguir...

- Princesa, fica tranquila... não precisa ter medo, estaremos lá para te ajudar no que for preciso...

- Obrigada, David... sei que estarei cercada pelos melhores... e mais do que isso, tenho muita sorte de estar com vocês. Eu amo muito todos vocês... - ela disse abraçando David.

- Poxa cara! Minha mulher... solta! - Jack disse puxando Clara pelo braço.

- Ah, amor... lembra o que combinamos? Sem ciúmes?

- Eu sei... mas acho que isso não pode incluir o Dave...

- Poxa Velhão... sua mulher para mim é como se fosse uma irmã mais nova, ou uma filha...

- Obrigada querido... - Clara sorriu. - Você é adorável... não liga para o meu marido...

- Você não me deve nada, querida... e se esse seu marido aí pisar na bola, pode contar comigo...

- Você nunca pode comigo, brother... não vai ser agora depois de velho que isso vai acontecer...

- Pode ser... mas que eu chutarei muito sua bunda se você causar qualquer sofrimento para a Princesa, isso eu farei...

- Eu chutarei a minha própria bunda se isso acontecer... - Jack disse olhando-a fundo nos olhos mais uma vez. - Eu amo essa mulher como se nada mais existisse no mundo além dela...  e pode ter certeza que se eu cometer uma bobagem dessas, estarei perdendo o que existe de mais precioso em toda a minha vida...

- Desculpa Dave, mas preciso beijar seu amigo... - Clara disse agarrando-se em Jack. - Eu te amo muito....

- Eu te amo mais, Menininha!

- Bem meus caros, acho que eu e minha doce Cindy precisamos ir para casa... teremos um longo dia amanhã... Vamos embora, Cindy?

- Então, amanhã eu passo aqui para irmos ao francês... se os rapazes quiserem nos acompanhar, estão convidados...

- Sinto muito queridas, mas acho que não poderemos ir... o Peters quer nos mostrar o avião e vocês sabem o quanto é chato ir até o aeroporto... aliás, vamos aproveitar que estamos perto de Heathcliff Hall e ficamos por lá para trabalhar na nova música...

- É isso aí... pelo menos vocês terão liberdade para falar mal de nós... não é, Princesa... - David sorriu. - Não é isso o que vocês fazem sempre que se encontram?

- Nunca...  aliás... nem lembramos que vocês existem, não é Clara? - Cindy sorriu.

- Verdade... - Clara também sorriu. - Quando estamos juntas, só nós três, falamos apenas sobre homens bonitos, jovens e fortes...

- Eu tinha certeza disso... - Jack disse agarrando Clara e beijando-a.

- Jack... comporte-se... - Clara sorriu. - Temos convidados...

- É, Velhão... se cuida... o médico pediu para você ficar quietinho...

- Viu? - Clara provocou Jack. - Quietinho...

- Vamos embora Dave? Deixar nossos amigos descansar?

- Deixa eu terminar meu uísque... - David disse levantando seu copo.

- Então, Dave, amanhã não esquece de me dar uma força lá com o Peters... quero melhorar os contratos da Clara... Ela está ganhando muito pouco...

- Amor... não se preocupa com isso... estou feliz com o que já recebi e sinceramente faria tudo de graça, de tanto que me sinto feliz quando estou com vocês... não precisa nada disso, Dave...

- É igualzinha... - riu Dave. - Você e o Velhão têm mais isso em comum... quando a Crossroads começou a render muito dinheiro, o Jack começou a ter umas crises de consciência... dizia que estava ganhando demais e mais de uma vez, tive que ir buscá-lo na rua para evitar que ele distribuísse todo o dinheiro que tinha para os mendigos...

- Sério? Que lindo, amor.... - Clara sorriu. - Quanto mais eu te conheço, mais eu te adoro...

- Ah querida... eu tive diversas fases... essa foi quando eu achei que estava ganhando dinheiro demais... sentia que aquilo não era bom para mim, nem para a minha família e decidi distribuir o excesso pelas ruas... meu erro foi dizer tudo o que eu estava pensando para o David antes... ele não deixou... - Jack sorriu.

- É, Princesa... não sei se você já percebeu, mas o Jack precisa ser protegido dele mesmo, às vezes...Você precisa estar atenta...

- Mas eu sempre estou... adoro cuidar dele...

- Você é meu anjo, querida...

- Está muito frio lá fora... vocês preferem café ou capuccino para esquentar?

- Vou te ajudar na cozinha, querida... - Jack disse. - Sei fazer um chocolate ótimo com conhaque... vocês querem?

- Para mim, só o chocolate... - Cindy disse. - Vou dirigir...

- Por que amor? - David riu.

- Porque o conhaque vem depois do champanhe, vinho e pelo menos três copos de uísque,  dos que eu pude contar após o jantar...

- Hum... David, isso é carinho... - sorriu Clara. - Ela está cuidando de você...

- Eu sei Princesa... - David sorriu. - e ela tem razão...

Jack e Clara caminharam até a cozinha e usaram a máquina de fazer café para preparar xícaras fumegantes de chocolate quente, que foram aquecidos ainda mais por uma porção generosa de conhaque providenciada por Jack. Clara completou a bandeja com uma caixa de chocolates.

- Hum... está uma delícia... - Cindy disse sorrindo. - Querida, esse chocolate é maravilhoso...

- É sim... comprei uma porção de caixas e vou levá-los conosco na viagem... aliás, vou dar uma caixa para vocês levarem para casa agora... Clara sorriu voltando a sua dispensa para pegar mais uma caixa de chocolate. - Sou viciada neles, sabia?

- Bom, queridos... a nossa noite foi maravilhosa, mas moramos longe e precisamos ir... - David sorriu. - Amanhã quero todo mundo em Heathcliff Hall, já mandei os empregados ajeitarem a sala de música para vocês passarem a noite, assim, o Velhão não precisa ficar subindo e descendo escadas...

- A sala de música? - Jack riu. - Tem certeza? Duas pessoas respirando lá a noite toda...

- Não me faça mudar de ideia... - David sorriu.

- Não entendi.... - Clara sorriu ainda um pouco abalada pela precisão de seu sonho.

- Ah, querida... o David muitas vezes expulsa as pessoas da sala de música porque acha que a nossa respiração estraga os discos preciosos que ele tem lá... - Jack riu.

- Mas se formos incomodar de alguma forma...

- Não, Princesa... não é nenhum incômodo... as pessoas gostam de pegar no meu pé simplesmente porque cuido muito bem da minha coleção de discos...

- Querida, será que não dá para você respirar um pouco menos agora? - Cindy imitou a voz e o jeito de falar de David. - Esta é uma das minhas peças mais especiais, não quero vê-la destruída pelos excessos de sua respiração...

- Ele disse isso? - Clara riu.

- Ele diz isso todo o tempo, Clara... - Jack disse sorrindo. - Não, Brother, podemos dormir no sofá...

- Não precisa... eles estão exagerando Princesa... não sou assim... - David sorriu. - Podem ficar lá tranquilos...

- Obrigada David... - Clara sorriu. - Você é sempre muito bom para nós...

- Obrigado mesmo, Brother! Eu e meu anjo somos muito gratos por sua hospitalidade, meu amigo... - Jack disse, beijando David no rosto.

- Não precisa agradecer, Velhão... é só se cuidar e cuidar muito bem dessa fada que a Deusa nos mandou!

- Vocês não existem... - Clara sorriu. - Amo muito vocês todos!

- Então... vamos indo? Está ficando muito tarde...

Assim que o carro de David e Cindy desapareceu na névoa noturna, Jack e Clara entraram rapidamente em casa, sentindo o frio que já naquele início de outono parecia capaz de penetrar nos ossos e congelá-los.

- Então, o que vocês combinaram? - Clara perguntou a Jack, enquanto servia para si mesma uma pequena dose de conhaque, em uma tentativa quase desesperada de deixar de sentir frio.

- O que? Sobre amanhã? A reunião, querida?

- Não, amor... sobre a tal festinha...

- Ah! Olha, amor... acho que ela não vai acontecer... o David quer ir para Heathcliff Hall trabalhar nas duas baladas...

- Que ótimo! Fico mais tranquila...

- Mesmo que acontecesse, você não precisa ficar preocupada... sei me cuidar, meu amor... você precisa confiar mais em mim...

- Eu confio... mas queria muito que você se cuidasse... leva-se as ordens do médico a sério...

- Mas eu levo... então, vamos deitar?

- Vou só ajeitar um pouco a cozinha...

- Não precisa, amor... deixa que os empregados cuidam de tudo... vem... preciso de você para relaxar hoje...

- Está bem, amor...- Clara sorriu. - Nossa... o dia de hoje foi longo, não?

- Foi querida...

- Ah... - ela disse, no meio do caminho. - A bolsa de gelo...

- Não precisa... estou bem agora... só quero ficar quentinho, nos seus braços, meu amor...

- Preciso relaxar, amor... vou buscar nosso óleo essencial lá em cima... vamos tomar um banho juntos?

- Vamos sim... estou te esperando... - ele disse seguindo para o quarto improvisado no final do corredor, enquanto Clara corria até a suite deles no andar de cima.

- Amor, cheguei na hora certa, não faça força para tirar essa bota... - Clara disse, ao entrar no quarto. - Espera, que eu te ajudo...

Clara agaixou-se na frente dele, puxou suas botas e os dois despiram um ao outro e foram juntos para o chuveiro, tomando um longo banho, em total intimidade, eles trocavam carinhos sob a água quente.

- Vem amor, vou fazer uma massagem para você relaxar... - Clara disse pegando o frasco de óleo essencial para cuidar do corpo do marido e não conseguiu evitar de fazer uma careta ao preceber as manchas escurecidas ao redor dos cortes de sua cirurgia.

- Amor, não olha, está muito feio... - Jack disse cobrindo-se com as mãos.

- Não está amor... - ela sorriu. - Estou só preocupada... não está doendo? Me parece tão inflamado...

- Não, querida... só está feio... e pesado...

- Você precisa conversar com o médico... estou preocupada... meu amor...

- Não se preocupe, acho que amanhã vou passar no consultório dele... ele tinha me pedido para ir até lá trocar esses curativos antes de viajar...

- Ótimo... - Clara sorriu. - Quero te ver bem... meu coração sofre quando você não está bem...

- Meu amor... eu estou bem... isso aqui vai desaparecer logo... e nós vamos poder fazer o nosso filho... aliás, sabe o que eu estava pensando agora?

- O que?

- Em passar uns dias na nossa montanha, assim que o médico me liberar... já está nevando por lá, sabia?

- Que delícia, amor... eu adoraria ficar com você lá... tenho saudades de passar a noite na frente da nossa lareira... te amando...

- Meu amor... eu te amo tanto... - Jack beijou-a, acariciando todo o seu corpo. Os dois agora pareciam encontrar novamente aquele amor que os movia. Jack estava decidido a dar prazer a Clara e a levava ao céu, com seus carinhos.

Ela gemia e pela primeira vez sentia-se completamente distante de todos os problemas que a cercavam. Agora só existia ela e aquele homem maravilhoso com quem dividia a cama e a vida.

- Ai, amor... vou ter que parar...

- O que foi, Jack? Está doendo, não? Quer que vá buscar a bolsa de gelo?

- Não, amor... não precisa, já vai passar... - ele disse deitando-se de lado e segurando os joelhos, enquanto ela acariciava seus cabelos.

- Vai passar, meu amor... será que não seria melhor chamar o médico?

- Não precisa, meu amor... eu já melhoro...

- Ah, querido... agora estou me sentindo culpada...

- Não, meu amor... - Jack levantou-se e puxou-a para seu colo. - Eu te amo, muito... não quero te ver triste... você é a minha própria vida... preciso te ver feliz para continuar existindo...

- Eu te amo tanto... - ela sorriu e beijou-o. - Desculpa, amor... vai doer de novo...

- Não me importa... - Jack disse, agarrando-se a ela. - Vem... descansa em mim...

Agarrados, os dois dormiram em poucos minutos e logo sonhavam com sua montanha, em uma tarde perfeita de verão, os dois namoravam sob  árvores floridas, que produziam uma chuva de flores sobre eles cada vez que recebiam a brisa suave que vinha do topo da montanha.

Emocionada com a beleza do que tinha vivido, Clara acordou chorando, levantou-se e caminhou até o banheiro. Ainda podia sentir o perfume das pequenas  flores brancas  que caiam como flocos de neve gigantes sobre ela e seu amado Berthold, derrubadas pela brisa suave que anunciava a chegada da chuva.

Jack também acordou emocionado e simplesmente abraçou-a quando ela deitou-se novamente ao seu lado. Os sonhos de ambos mais uma vez os levavam de volta a um passado distante de dias gloriosamente felizes, vividos em sua montanha, longe do resto do mundo.

E a manhã seguinte, chegou rápida lá fora, primeiro com uma névoa gelada, encobrindo tudo e depois com o dia de sol mais perfeito, com um lindo céu azul, onde apenas a falta do calor era sentida.

Jack acordou muito cedo, com um sorriso nos lábios, levantou-se, desligou o alarme do celular de Clara e começou a preparar-se para ir à reunião, enquanto observava o sono tranquilo de sua mulher, desejando segurá-la em seus braços, mas sem coragem para acordá-la.

- Jack, amor... - Clara sorriu ao acordar. - O celular não tocou?

- Eu desliguei para não te acordar... você estava dormindo tão em paz...

- Mas eu quero acordar... te mimar um pouco, já que vamos passar quase o dia todo longe um do outro... - ela espreguiçou-se gostosamente e levantou-se da cama, brincando com os cabelos de Jack e beijando-o, no caminho até o banheiro. - Quer uma ajuda para vestir-se, meu lindo?

- Hum... não preciso... mas aceito... - Jack sorriu. - Seria louco se não aproveitasse a chance de ser cuidado pela mulher mais linda do mundo... - ele disse, agarrando-se em Clara assim que ela aproximou-se dele.

- Amor... - Clara suspirou. - queria passar o dia com você...

- Eu queria estar de novo na nossa montanha, querida... o sonho que eu tive nessa noite...

- Eu sei...  - Clara disse enxugando as lágrimas que teimavam em molhar seu rosto. - foi tão lindo...

- Vem aqui... - Jack abraçou-a e beijou-a apaixonadamente. - Eu nunca senti tanto amor, como estou sentindo agora, Menininha... se eu morresse agora...

- Não fala em morte, meu amor... por favor...

- Ah, querida... - ele sorriu. - Mas é o que eu sinto... se este fosse meu último dia de vida, eu morreria muito feliz... envolvido por um amor que é tão imenso, que às vezes, me sinto muito pequeno,  do tamanho de um grão de areia...

- Ah querido... - Clara suspirou. - Meu coração hoje está derretido de amor... sou sua... completamente sua...

- Meu amor... - Jack beijou-a novamente, agarrando-se ao corpo  nu de Clara e deixando-a com os joelhos amolecidos, quase fora de rumo. - Vamos tomar café? Estou com muita fome...

- Eu também estou com fome, querido... mas é melhor eu vestir alguma coisa... - ela disse pegando seu roupão de seda e vestindo-o.

Agarrados um no outro, os dois foram até a sala de jantar, onde comeram em clima de namoro, ainda completamente envolvidos pelo que tinham visto em seu sonho.

- Você vai almoçar no francês com suas amigas hoje, não?

- Vou... queria que vocês fossem nos encontrar lá...

- Ah, não vai dar... o Peters vai nos levar até o aeroporto para nos mostrar como ficou o avião, ele falou alguma coisa sobre almoçar por lá mesmo e depois seguimos para Heathcliff Hall. O David quer trabalhar nas duas baladas...

- Está bem... - Clara suspirou acariciando a mão de Jack. - Queria poder passar o dia todo com você...

- Ah, amor... eu também queria... mas assim que as coisas se acalmarem, vamos para nossa montanha.... Ficamos por lá pelo menos uma semana... vou bater o pé com o Peters...

- Vai ser maravilhoso, querido... - Clara sorria  quando foi interrompida pelo som de seu celular. - Mick?!

- O que esse cara quer? - Jack disse alto, perto de Clara, com a intenção de ser ouvido por Mick.

- Oi, querida... diga ao seu marido que liguei apenas para avisar que mandei uma proposta oficial para o Peters hoje para convidar todos para passar uma semana no meu castelo... a partir do dia  13 de novembro. Vamos no meu jatinho... quero todo mundo lá, especialmente você, meu amor...

- Mick... eu não sei... temos muitos compromissos...

- Eu sei, querida... por isso estou mandando um convite oficial ao Peters... Já falei com o David e ele me garantiu que vocês estarão livres durante essa semana... e ele e o Mike estão muito interessados em vir...

- Querida, deixa eu falar com ele... - Jack disse estendendo a mão para pegar o celular de Clara.

- Calma, amor... - ela disse. - Mick, o Jack quer falar com você...

Clara entregou o telefone nas mãos de Jack, levantou-se  da mesa e foi para o quarto. Estava chorando, cansada de continuar tendo sempre a mesma briga com o marido e bastante abalada pelo jeito que ele reagiu àquele telefonema.

Quando Jack entrou no quarto, ela estava deitada por cima dos cobertores; - Clara... seu telefone... o que foi? - ele disse desconcertado por encontrá-la chorando. -  Está tudo errado... você ficou magoada... ah... não fica... - Jack disse sentando-se na cama e acariciando os cabelos de Clara. - Me perdoa... está tudo bem... eu ia mandar seu amigo para o inferno, mas ele me disse que tem feito algumas músicas para você gravar... vai ser bom, para a sua carreira...

- Eu não quero ter uma carreira... quero ter um casamento que funcione... quero viver bem com você, só isso... - ela disse caindo em um choro descontrolado.

- Amor... não precisa ficar assim... não briguei com ele, sei o quanto ele significa para você... e não estou falando só do lado profissional. Embora eu sinta ciúmes, estou sinceramente tentando me controlar, aliás, daqui por diante, eu juro que não me importo se você transar com quem você quiser. Não é justo te negar essa liberdade, agora vem aqui para o meu colo, meu amor... não fica chateada comigo...

- O que você está dizendo?

- Isso o que você ouviu... eu tenho pensado muito nestes últimos dias e não acho justo te negar a liberdade de ficar com quem você quiser... só não me abandone...

- Jack, eu te amo... não vou ficar com ninguém... isso que você está me dizendo é uma loucura... por favor, eu só fiquei nervosa porque achei que você estava gritando com ele...

- Não, meu amor... eu quero te ver feliz... e se esse cara te faz feliz eu não tenho o direito de interferir...

- Você me faz feliz, meu amor... - Clara beijou-o. - Eu não consigo viver sem você...

- Quer saber? Não vou à reunião... quero passar o dia aqui com você...

- Não, amor... é importante que você vá. Seus amigos podem ficar chateados com você... não quero prejudicar sua carreira... - ela disse levantando-se da cama e ajeitando seu roupão e seus cabelos.  - Vem... vamos ver se o Khaled já chegou....

- Me perdoa, querida... odeio te fazer chorar...

- Está tudo bem, Jack... me perdoa você... eu não devia ter reagido assim e não se preocupe porque não vou te trair...

- Não é traição... eu nunca deveria interferir nesse teu relacionamento com ele... você é livre para fazer o que quiser... não se preocupe mais comigo...  quero te compensar por toda essa tristeza. Vou te fazer muito feliz, ainda...

- Eu já sou feliz, querido... tudo o que eu quero está aqui comigo... - ela sorriu e pegou-o pela mão. - Vamos?

Clara e Jack foram para a sala de estar onde Bradley avisou-os que o motorista já tinha chegado e aguardava por ele lá fora. Os dois saíram de mãos dadas e despediram-se com mais um beijo apaixonado.

- Vai com Deus, meu amor...

- Fica com ele...

Jack entrou no carro e assim que ele desapareceu na curva que levava ao portão da casa, Clara entrou de volta em casa e sem querer parar para pensar muito, subiu direto para a suite que dividia com Jack e passou a arrumar a bagagem que eles levariam para Nova York.

Buscou concentrar-se inteiramente nisso, pegou roupas quentes e confortáveis primeiro e depois as que usaria para os compromissos com a imprensa. Sabia que seria filmada e fotografada inúmeras vezes e precisava sentir-se bem. Separou vestidos e saias que tinha acabado de comprar em Paris e também dois dos seus pares de botas favoritos.

Para as malas de Jack, tudo era bem mais simples. Pegou as roupas que tinham comprado tendo aqueles eventos em mente, mas também algumas peças mais casuais e confortáveis. Também embalou alguns pares de botas novos e diversas paximinas e cachecóis.

Depois pegou as jóias que tinha a intenção de levar e preparou as duas necessaires com produtos de higiene e beleza para os dois, além de um frasco com óleos essenciais e incensos, que os dois usavam para relaxar.

E embora ela fizesse tudo para concentrar-se unicamente no que estava fazendo,  a conversa que tinha acabado de ter com Jack não saia de sua cabeça. E a preocupação sobre o que Jack e Mick conversaram aumentava cada vez mais. O que Mick poderia ter dito a ele para transformar seus  rompantes de homem ciumento naquele discurso de homem totalmente  conformado com uma traiçãocada vez mais iminente? Aquela nova postura apenas aumentava a culpa que ela já sentia por tudo o que tinha acontecido.

Ainda preocupada com o que poderia ter acontecido, ela pegou o celular, pensou em ligar para Jennifer, mas quando percebeu, já tinha discado para Mick.

- Oi amor... - ela ouviu a voz dele do outro lado da linha. - Você está bem?

- Oi Mick... sobre o Jack... desculpa, querido...

- Não se preocupa com isso, meu amor... conversei com o Jack e ele me entendeu... ele também quer te fazer feliz...

- Ah Mick... eu não posso continuar amando dois homens ao mesmo tempo...

- Calma, querida... não seja tão dura com você mesma. Nós três estamos muito bem, não estamos?

- Não... estou me sentindo muito mal agora...

- Quer que eu vá até aí para conversarmos?

- Não...

- Mas eu preciso cuidar de você... quero te ver feliz, meu amor...

- Por favor, Mick... estou sinceramente preocupada com meu casamento... só queria saber mesmo o que vocês conversaram...

- Não se preocupe, meu amor... ele te ama muito, eu também e nós dois queremos o melhor para você...

- E o que é esse melhor que vocês querem?

- Queremos que você seja uma estrela... por isso, vamos trabalhar juntos... está bem? Eu e seu marido vamos cuidar da sua carreira e vamos passar uma semana juntos, no meu castelo...

- Mas eu nem sei direito se é isso que eu quero...

- Mas eu e o Jack sabemos que esse é o seu destino e vamos trabalhar juntos para que você consiga...

- Ah Mick... não sei se é isso o que eu quero, mas agradeço... aliás... eu não sei de mais nada...

- Ah, minha doce Clara... tudo o que eu queria agora era ter você em meus braços...

- Mick...

- Eu sei que você está casada com ele, mas ele acabou de me dizer que quer te ver feliz...

- Por favor, me diga exatamente o que ele te disse...

- Me disse que  quer te deixar livre para transar com quem você quiser...

- O que? Isso é muito estranho, ele acabou de me dizer isso também...

- Então... ele quer que você seja livre... e se ele quer...

- Ah não, me perdoa... só não quero complicar ainda mais a vida de nós três...

- Mas você também me ama...

- Amo, mas isso não está certo...

- Por que não? Eu não entendo por que você e eu precisamos sofrer assim... está sendo uma tortura para mim...

- Para mim também... mas não quero ferir o meu marido... ele já sofreu muito, não é justo fazê-lo sofrer mais...

- E eu? E você? É justo passar o resto dos meus dias sentindo essa dor de amar, saber que é amado, mas não poder estar com você... Já te disse, aceito tudo o que você estiver disposta a me dar... mesmo que sejam as migalhas e o Jack acabou de dizer para nós dois que não se importa...

- Eu estou muito confusa com tudo o que ele disse... ah, Mick não é justo com você... você não merece migalhas... você merece alguém que possa ser completamente sua... uma mulher que só pense em você...

- Mas não é isso o que eu quero... eu quero você...

- Me perdoa, Mick... mas isso não pode ser... por favor... me esquece...

- Não posso... a propósito... estou aqui, no portão da sua casa... será que ao menos você poderia abrí-lo para mim?

- Meu Deus! - ela disse erguendo-se da cama em um pulo e correndo pelas escadarias de sua casa, vestindo apenas seu roupão de seda, ela abriu o portão da frente para Mick e correu para encontrá-lo. - Você está louco?

Ele não respondeu. Apenas caminhou na direção dela e beijou-a e desta vez, ela não teve forças para pará-lo.

Continua

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