13 de out de 2012

Rockstar - Capítulo XCVII

Sem dizer uma palavra, os dois entraram no apartamento e Mick guiou-a pela mão até a enorme sala de estar decorada com móveis clássicos, com muitos espelhos nas paredes e detalhes dourados que imediatamente a lembraram da suite Versalhes, onde Clara tinha se hospedado com Jack, em Nova York.

- Muito bonito, seu apartamento, Mick... - Clara disse tentando quebrar o gelo.

- Obrigado... gosto muito daqui... Vou pegar um champagne para nós lá na cozinha... já volto...

- Ok... - ela sorriu, sentada em um belo sofá de veludo macio, branco e dourado, em meio a muitas almofadas. Ela apenas levantou-se para tirar seu casaco de couro, queria ao menos fisicamente sentir-se a vontade, já que sentia-se a beira do desespero, com muito medo de não conseguir resistir.

- Vamos chegar bebados a reunião?

- Não tem importância, querida... somos rockstars, lembra? As pessoas esperam isso de nós...

- Mas não é exatamente elegante chegar a uma reunião de trabalho, na hora do café da manhã, cheirando a álcool...

- Pronto, a pequena vitoriana está de volta... não gosto dela, ela é muito chata...

- Você diz que me ama, mas não me ama de verdade, ao menos até aprender a gostar também das minhas chatices... eu adoro as chatices do Jack, por exemplo...

- Será que não dá para deixar de esfregar essa felicidade de vocês dois na minha cara?

- Desculpa... não fiz por querer... apenas é uma das coisas em que às vezes eu penso, no quanto eu tenho sorte de tê-lo comigo... não posso estragar isso... por favor, tenta entender...

- Eu te entendo... na verdade estou me sentindo um pouco bobo aqui, fazendo o possível e o impossível para tentar te seduzir, enquanto você apenas faz com que eu me sinta um canalha por estar tentando destruir um amor tão...

- Você não é um canalha... se fosse, eu não estaria aqui... eu gosto muito de você, das nossas conversas... falo coisas com você que não teria coragem de falar com o Jack...

- Eu sei... - Mick disse abraçando-a. - Não consigo acreditar, mas você está conseguindo me transformar em seu amigo... esse jeito doce, esse sorriso... Vamos para nossa reunião? Acho que já está na hora...

- Vamos, querido... que bom que você me compreendeu...

- Mas no minuto em que seu casamento estiver ruim, se ele te magoar...

- Vou correr para você, querido... não se preocupe... - ela disse beijando-o no rosto. - Acho que preciso escovar os dentes, estou com um tremendo bafo de alcool...

- Eu também vou escovar... - Mick riu. - Nós como amantes somos um fracasso absoluto...

- Somos mesmo... - Clara riu, pegando uma necessaire dentro da bolsa. - Onde fica o banheiro deste apartamento tão lindo?

- Vamos ao banheiro da minha suite, é mais confortável e você também terá chance de dar uma olhada no que perdeu... quero dizer, o decorador deixou meu quarto muito bonito e confortável...

- O quarto do abate?

- Querida... acabei de reformar esse apartamento e já percebi que ele não vai funcionar,  não conseguiu te impressionar...

- Me impressionou sim... é muito bonito, sofisticado... mas você não precisa dele, Mick... Você é um homem doce, bonito, sexy... e se eu não acreditasse que trair o meu marido só trará sofrimento para nós três, já estaríamos sim nessa cama linda...

Os dois escovaram os dentes no amplo banheiro da suíte todo feito de mármore, que seguia o estilo clássico e tinha iluminação natural, vinda de uma clarabóia onde a chuva batia agora mais pesada.

Como um casal com muita intimidade, os dois arrumaram-se no quarto, usando os espelhos de um closet imenso e saíram prontos para a reunião no restaurante Cinq, onde se encontraram com Jack Sommers.

O roteirista apresentou a eles mais algumas ideias para cenas chave do filme e entregou a ambos um novo esboço de roteiro, que deveria ser lido e aprovado por ambos para desta vez transformar-se em roteiro definitivo.

Logo os dois partiram do restaurante e foram direto ao aeroporto, onde o jato de Mick já esperava por eles. A viagem de retorno foi mais tranquila, com os dois, agora como amigos, apenas jogando conversa fora.

- Querida, acho que você tem razão, seremos mais felizes como amigos e para estreiar essa nova fase, vou até Nova York fazer uma surpresa para a Gianna... gosto dela apesar de tudo...

- Então, querido... vai atrás dela... sei que ela gosta muito de você... tenho certeza de que vocês vão ser muito felizes ainda...

- Você ainda vai me transformar em um homem sério...

- Não estou nem tentando, gosto de você como você é...

- Que bom... acho que não tenho nenhuma vocação para qualquer tipo de conservadorismo...

- Eu sei disso... e te amo também porque você é assim... Acho que a Gianna vai continuar com ciúmes de você por muito tempo...

- Eu vou para Nova York daqui uns dias... vamos jantar juntos? Nós quatro?

- Boa ideia, amor...

- A parte ruim é que não sei se vou mesmo ter essa liberdade de jantar com vocês, porque é viagem promocional da banda e você sabe...

- Sei, querida... mas vamos tentar encaixar isso na agenda de vocês... Vocês estarão com o avião da banda, certo...

- Sim...

- Eu vou com o meu jatinho... se eles tiverem que partir antes, vocês podem voltar no meu avião e pronto... podem ficar quanto quiserem...

- Vou conversar com o Jack e dar um jeito... não gosto de jatinhos, mas nesse caso, farei uma exceção... Mas você conhece meu marido, não sei se vou conseguir convencê-lo.

- Não tem importância, querida... eu sei que seu marido é ciumento, eu entendo... não precisa ficar preocupada, já que você não me quer como amante, terá que me aturar como amigo... sempre que precisar de alguma coisa, ou quiser só conversar... estou a sua disposição...

- Eu te amo, meu amigo... mesmo...

- Eu também te amo, querida... - ele disse beijando-a na testa.

O carro pegou-os no hangar e levou-os de volta para Kensington, mas Mick desta vez desceu antes, na garagem de seu apartamento. Clara foi recebida em casa de braços abertos, encontrando Jack e David ao redor do piano, ainda trabalhando na nova música feita para Clara gravar.

- Viu como vim rápido, meu amor... - Clara sorriu, caminhando na direção de Jack e sinalizando para ele não levantar-se da poltrona. - Está tudo bem com você?

- Sim, querida... - Jack disse caminhando até ela e beijando-a. - Estava sentindo sua falta...

- Oi Clara... - David disse, levantando-se do piano e beijando-a no rosto. - Como foi de viagem?

- Muito bem... a Cindy não veio?

- Ela está em Viena, vai chegar no final da tarde...

- Ótimo... então vamos jantar todos juntos aqui?

- Vamos, meu amor, já os convidei... - sorriu Jack. - Então, como estava Paris hoje?

- Fria, chuvosa... fiquei até triste de ver um lugar tão lindo sob um clima tão inclemente...

- E o senhor Jagger? - sorriu David.

- Como sempre... - ela riu. - Vocês sabem que ele me disse que também está compondo para o meu disco...

- E você quer gravar músicas dele? - Jack perguntou em  um tom que misturava preocupação e tristeza.

- Lógico que ela quer, Jack... é do Mick Jagger que estamos falando... - David respondeu por ela. - Se ele compusesse para mim, eu também gravaria...

- Eu quero... mas só se isso não for criar um problema entre nós, Jack... vai?

- Não... - ele gaguejou. - quer dizer, não sei... acho que não é um bom momento para decidir isso... pelo menos para mim...

- Não precisa decidir nada, meu amor... não agora... você está fragilizado, nós estamos sobrecarregados de trabalho até Deus sabe quando... melhor pensar nisso quando efetivamente formos gravar... se é que vamos...

- Ah não, Princesa... você vai ter um disco solo... isso já é fato... você já é uma de nós...

- Ela não é uma de nós, Dave... ela é uma estrela, nós somos só músicos que tiveram muita sorte...

- Não, meu amor... vocês dois são ícones... eu é que sou só uma aprendiz de cantora... sinceramente, nem sei direito o que estou fazendo ainda, eu só quero sentir mais daquilo que eu senti no palco...  

- Sabe, amor... estou tentando escrever a letra da música que o Dave fez, mas ainda não saiu nada... estava sem inspiração até você chegar...

- Lindo... é tão bom estar aqui com vocês... vou trocar de roupa, meus queridos... continuem... preciso também dar uma passada na cozinha e ver como está nosso almoço...

Clara subiu as escadarias e foi até o closet, onde vestiu roupas mais confortáveis, calça jeans, sueter de lá e botas de cano alto. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e quando desceu foi direto para a cozinha, onde foi informada pelos empregados que o almoço seria servido dentro de 20 minutos. Depois perguntou a Bradley, sobre a medicação e os cuidados com Jack e foi informada de que tudo estava de acordo com as ordens que tinha dado antes de sair e aproveitando que estava na cozinha pediu o preparo de um jantar gostoso, mas casual para ela, o marido e seus dois convidados.

- Finalmente sou eu de novo... acho que não nasci para usar roupas chiques... me sinto amarrada... - Clara sorriu ao chegar na sala de estar.

- Você fica linda de qualquer jeito, meu amor... - Jack disse ao puxá-la para sentar-se com ele no sofá.  - Meu Deus, como essas duas semanas serão difíceis para mim.

- Para mim também, meu amor... - ela sussurrou no ouvido de Jack e beijou-o.

- Ah, Menininha... - ele suspirou. - Eu te amo... muito... muito...

- Eu te amo mais, Jack... - ela respondeu agarrada a ele. - Então, Dave, toca a música de novo, vamos ver se conseguimos uma letra... Jack... deita aqui no meu colo...

- Você quem manda, Princesa! Agora o Velhão se inspira... - David riu e começou a tocar a balada suave, que ainda não tinha uma letra.

Clara apenas acariciava os longos cabelos de Jack, enquanto ele de olhos fechados, mergulhava na melodia de David e tentava em vão, traduzí-la em palavras.

- Não vou conseguir, meu amor... está muito difícil... - ele disse levantando-se e enxugando uma lágrima que escorria de seus olhos. - Não estou bem hoje...

- Não tem problema, Velhão... a música está aí, você tem tempo ainda para fazer essa letra...

- Isso mesmo, amor... não se preocupe que a música ainda vai te dizer o que ela quer...

- Assim espero... hoje eu não consigo parar de pensar em você, em Paris, com aquele cara...

- Amor... meu encontro com o Mick hoje foi estritamente profissional. Por favor, Jack...

- Não consigo tirar isso da cabeça, amor... aquele cara perto de você, te tocando... - ele disse pegando-a no braço com força.

- Ai, Jack... você está me machucando!

- Velhão... solta ela, cara...

- Desculpa, amor... estou nervoso... - Jack disse abraçando-a. - Por favor, me perdoa...

- Olha, Jack... eu estou sinceramente tentando, fazendo o possível para entender esses ciúmes, mas não consigo viver assim... - ela disse lutando consigo mesma para segurar as lágrimas. - Eu não consigo te amar mais do que já amo...

- Me perdoa...

- Não sei se consigo... estou me sentindo muito mal agora... a sensação que eu tenho é que estamos sempre tendo a mesma briga...

- Me perdoa, por favor... - Jack pegou as mãos dela e beijou. - Eu estou tentando me controlar, mas não estou conseguindo... fico pensando em vocês dois juntos... lá, em Paris e eu aqui, sem poder fazer nada...

- Mas não aconteceu nada em Paris... só outra reunião sobre o roteiro do filme... nada mais...

- Tem certeza?

- Por que a pergunta?

- Por nada...  preciso achar um jeito de não me preocupar mais com esse caso de vocês...

- Ah, Velhão... deixa a Princesa... não trata ela desse jeito porque ela não merece... - David disse deixando o piano e caminhando até eles. - Qual é o seu problema, cara?

Clara só chorava e David abraçou-a. - Querida, não escuta essas bobagens, alguma coisa nessa cirurgia deu errado e afetou a cabeça dele...

- Não é isso, David... eu já percebi que não tenho mais chance, ele tem tanta certeza sobre as coisas que fala... acho que deve ter razão... eu vou embora, ele não me ama mais... não faz sentido eu ficar aqui nessa casa... Cadê minha bolsa?

- Como assim ir embora? - Jack disse pegando-a novamente pelo braço.

- Me solta... - ela disse empurrando-o. - Eu vou embora daqui e você fica bem... tem sua banda de novo, desfez uma vasectomia que tinha feito sem pensar... vai lá, a Ann Kurtiss vai te receber de braços abertos... Vocês deveriam ter um filho juntos...

- Clara... não faz isso! - Jack disse completamente fora de si. - Por favor, me perdoa...

- Acho que não consigo mais fazer isso, Jack... não consigo mais aguentar esses ciúmes, sempre essas insinuações... sabe,  eu te amo muito, mas não dá para viver ao lado de um homem que não confia em mim...

- Isso vindo de uma mulher que acabou de me mandar procurar a Ann Kurtiss é mesmo lindo...

- Ela sempre fala abertamente sobre o quanto quer voltar a ser sua mulher... vai atrás dela, porque eu estou desistindo agora. - ela disse pegando a bolsa no sofá e caminhando até a porta da frente da casa.

- Clara, onde você vai? - David caminhou atrás dela.

- Me perdoa, David... vou para o Brasil, nunca deveria ter vindo para cá...

- Clara, volta aqui, fala comigo... - Jack disse caminhando com dificuldade até ela. - se você sair por essa porta...

- O que tem? Você vai fazer o que? Me bater?

- Eu nunca mais vou querer te ver...

- Ótimo! Então estamos empatados... - ela disse abrindo a porta e indo na direção do portão da rua.

- Clara, volta aqui... - Jack disse caminhando atrás dela. - David, me ajuda, não deixa ela ir embora...

- Clara... - David foi atrás dela e segurou-a pelo braço. - Por favor, o Velhão não queria dizer essas coisas... vem... antes que ele caia nesse piso molhado... Vem, querida... vamos lá dentro, esfriar a cabeça... - ele abraçou-a, enquanto ela chorava muito.

Os dois voltaram para casa abraçados; Jack seguiu logo atrás deles.

- Calma, Princesa... - David disse indo até o bar e servindo um copo de whisky para ela. - Bebe isso aqui... relaxa e vamos conversar...

- Não quero mais conversar, David... já sei que ele não vai me ouvir, ele não quer me ouvir e eu estou cansada disso...

- Eu quero te ouvir... me perdoa, meu amor... não posso te deixar ir embora...

- Já te disse tantas vezes o quanto te amo, o quanto sou sua e você não acredita... se você não acredita em mim, o que eu estou fazendo aqui? Vou para o Brasil, lá pelo menos eu vou ter um pouco de paz...

- Clara, me escuta... por favor... - Jack disse aproximando-se dela. - Não foge de mim, por favor... eu não sei viver sem você... me desculpa... - ele disse enquanto se ajoelhou e agarrou-a pelas pernas. - por favor...

- Não faz isso...  por favor... eu te amo, vou te ajudar a levantar, me dá a mão...

- Não... eu estou te pedindo para me perdoar... me ajuda... não posso, não consigo viver sem você...

- Jack, meu amor... - ela disse  ajoelhando-se também e abraçando-o. - Eu te amo... muito... mas você me magoa tanto quando fala desse jeito...

Os dois se beijaram e ficaram ainda alguns minutos, agarrados, ajoelhados no chão, enquanto David caminhava até a sala de jantar, afastando-se para dar-lhes a oportunidade de ficarem sozinhos.

- Não quero mais brigar com você, Clara... dói muito... não posso te perder...

- Não vai me perder, nunca... entendeu... nunca... eu sou tua para sempre... - ela disse levantando-se e ajudando Jack a levantar-se. - Vem, vamos sentar ali no sofá...

- Acho que preciso de uma bebida...

- Você não pode beber, meu amor... você está tomando remédios... não quero te ver doente... - ela disse, beijando-o no rosto. - O David? Onde ele foi?

- Não faço ideia... e não me importo... - Jack sussurrou no ouvido dela, percorrendo seu corpo com as mãos. - Como eu te quero agora....

- Não podemos... - ela respondeu afastando-se dele, fazendo muita força para controlar-se. - Sua cirurgia... não quero te prejudicar....

- Acho que podemos...

- Jack, você está maluco? Você acabou de fazer uma cirurgia... não quero arriscar... você ainda está com curativos, pontos...

- Mas...

- Mas nada... Jack!? Meu Deus! Melhor irmos mais devagar... não quero que você se machuque...

- Eu vou ficar bem, meu amor... você é muito assustada, Menininha... - ele sorriu e agarrou-a novamente. - Vamos para o quarto?

- Não... Jack, você perdeu mesmo a noção... vamos almoçar, isso sim... vou atrás do Dave e passo na cozinha para ver o que está acontecendo... Por favor, fica bem quietinho aí...

- Está bem, meu amor... está começando a doer, acho que não posso mesmo...

- Quer que eu ligue para seu médico?

- Acho que não precisa... vou deitar um pouco no sofá, tem que passar...

- Calma, amor... vai passar... - ela disse sentando-se no sofá e apoiando a cabeça de Jack em seu colo. - Será que não era melhor chamar seu médico?

- Não precisa, amor... já está passando...

- Que bom! - Clara disse levantando-se. - Vou achar o David e ver o nosso almoço...

- Vai, amor... - ele sorriu para ela, enquanto ainda tentava relaxar para recuperar-se da dor que estava sentindo.

Clara saiu caminhando pela casa, foi na direção da sala de jantar, onde encontrou David e pediu que ele ficasse por lá, porque iria até a cozinha ver se o almoço já estava pronto. E depois de conversar com o mordomo e a cozinheira, ela voltou para a sala, para ajudar Jack a ir até a sala de jantar.

- Poxa, Velhão... você está bem?

- Acho que estou... está doendo ainda, mas já melhorou um pouco...

- Cara, se cuida... o médico não mandou você ficar quieto?

- Eu sei, Dave... mas...

- Mas nada, cara! Dá um tempo, deixa tua mulher, ela não está te traindo...

- Eu sei... eu sou um idiota... fiquei muito nervoso, eu preciso afastar esse cara dela, me ajuda...

- Ah, Jack, ela não vai te trair... essa mulher te ama muito, cara...

- Eu sei... mas ele é traiçoeiro, eu sinto aqui dentro que se eu não prestar atenção e cuidar muito bem disso, ela vai acabar fugindo de mim...

- Para de ser paranóico, Velhão...

- E se ela me trair? Se ela se jogar nos braços desse cara?

- Ela não vai, mas e se ela te trair? O que tem? Ah, cara... não é o fim do mundo. Como se você não fosse nunca mais pegar ninguém...

- Ah, não estou falando disso... não me preocupa que ela fique com ele, o que me preocupa é que ela pode se apaixonar por ele e me deixar...

- Mas ela só vai te deixar se você ficar tratando-a desse jeito... confia nela, a mulher te ama, cara...

- Vou tentar... - Jack disse, interrompendo a conversa, assim que Clara voltou da cozinha.

- Então, já está melhor, meu amor? - Clara disse aproximando-se dele e beijando-o no rosto. - Já mandei servir o almoço... desculpa David, mas tivemos mais uma pequena crise...

- Está tudo bem, querida... não se preocupe...

Ainda abalada com tudo o que tinha acontecido, Clara mal conseguiu tocar na comida, comeu muito pouco, enquanto ouvia Jack e David fazendo planos para assistir ao jogo de futebol que aconteceria em poucas horas.

- Jack, você não vai subir a escadaria dessa casa... você já está sentindo dor...

- Mas a sala de TV é lá em cima... o Dave me ajuda...

- Acho que vocês vão me enlouquecer hoje, não? Você não pode fazer esforço, Jack... você fez uma cirurgia delicada ontem, está sentindo dor...

- Calma, Princesa... o médico só fala essas coisas...

- Ele fala porque é perigoso... não vou participar disso... o Jack quis fazer essa cirurgia, eu apoiei, mas agora parece que ele quer se matar e eu não consigo apoiar isso...

- Ah, Clara... ele não vai se matar... calma, Princesa... ele vai ficar bem...

- E se não ficar? E se sentir dor de novo? Vale mesmo a pena arriscar-se só para ver um jogo de futebol na tela grande? Podemos tentar outra coisa, pegar uma outra TV, assistir no meu laptop, sei lá... pegar a TV da minha suite... ela tem umas 50 polegadas... se o Bradley me ajudar, posso trazê-la aqui embaixo, só não sei instalar a TV a cabo nela...

- Amor... fica tranquila... vou subir como subia na minha casa, assim que sai do hospital, quando era criança e não tinha força nas pernas... não vou me esforçar muito, nem ficar cansado... confia em mim...

- Vou tentar... se você conseguir, levo a pipoca, a cerveja e o refrigerante lá em cima... - Clara sorriu. - Eu te amo mas por favor não se mata...

- Não vou... - Jack riu. - Você não vai conseguir livrar-se de mim tão cedo, Menininha...

- Assim espero... - ela sorriu olhando longamente em seus olhos que estavam muito azuis naquele dia. Sentia-se culpada por tudo o que tinha acontecido nos últimos dias, seu envolvimento com Jagger e aquela quase traição, não saiam de sua cabeça.

- O que foi? - Jack perguntou sorrindo.

- Nada, amor... estava longe... distraída...

- A Princesa deve estar cansada... foi viajar cedo, voltou e ainda tem que ficar aturando nós dois aqui...

- Não estou cansada, David... estou feliz por já estar em casa porque achei que a reunião fosse alongar-se mais... Mas o Sommers estava com mais pressa do que nós hoje... o Mick até estranhou... - ela sorriu.

- Você está linda hoje, Clara... fiquei aqui quase morrendo de ciúmes...

- Eu te amo, Jack... não precisa ter ciúmes... ok?

- Ok, amor... não vou mais ficar te incomodando com isso... estamos juntos, isso me basta...

- Não basta para mim, Jack... quero que você confie em mim e no meu amor...

- Eu confio em você, meu amor...

- Então Princesa, não te vi comendo nem a sobremesa... está uma delícia...

- É mesmo, querida... você mal tocou a comida... o que foi? Não gostou?

- Gostei sim... mas não estou com fome... acho que fiquei muito nervosa e agora vai ser difícil de comer qualquer coisa...

- Amor... come ao menos os morangos... eu sei que você gosta de morangos... quer champagne?

- Não... não quero beber até você estar bem... eu adoro morangos... vou comer...

- Pode beber, meu amor... não quero ser o chato que te impede de fazer o que você gosta, eu quero te ver feliz... não vou beber, enquanto não puder, prometo... seguirei as ordens médicas como um bom menino...

- Era só isso que eu queria ouvir... - Clara sorriu. - Bradley, traga mais champagne, por favor...

- Sim, senhora Noble...

- Hum... vocês têm razão... esses morangos estão uma delícia... me desculpem, o dia de hoje não está sendo nada fácil para mim, acordei muito cedo para ir àquela reunião, fiquei muito nervosa depois... acho que vou ajudar o Jack subir, mandar preparar os lanchinhos para a hora do jogo e assim que todos estiverem instalados, vou precisar dormir um pouco...

- Faz bem, querida... descansa... eu e o Dave estaremos na sala de TV lá em cima, vendo o jogo... vai dormir na nossa suite, assim, se você precisar de alguma coisa, estarei perto...

- Eu vou estar bem, meu amor... quero que você se divirta... e espero que o Wolves ganhe...

- Pena, Princesa... isso não irá acontecer... - David riu.

- Vai sim... - Jack riu. - Pode se preparar para um massacre....

Tranquilos, os três deixaram a mesa de jantar para acompanhar Jack em sua subida até o segundo andar da casa e para surpresa de todos, ele sentou-se nos primeiros degraus e assim, sentando de degrau em degrau foi subindo lentamente até chegar ao topo.

- Muito boa sua ideia, amor... nunca passou pela minha cabeça algo assim...

- Quando eu era criança, nós morávamos em uma casa de dois andares. Eu saí do hospital ainda muito fraco e para evitar que eu me machucasse, caindo da escada, minha mãe me mandava subir e descer assim, sentado... claro que, quando ela não estava por perto, minhas descidas eram bem mais radicais, sentado em um tapetinho do quarto, eu só impulsionava o corpo e descia como em um escorregador... me machuquei algumas vezes, fazendo isso...

Clara acompanhou-os até a sala de TV, fez com que se instalassem, deu ordens ao mordomo sobre o que servir e recolheu-se em seu quarto. Estava cansada e com muito sono, depois de almoçar e aproveitaria para dormir um pouco.

Mas antes de adormecer, ela pensava em tudo o que já tinha vivido naquele dia, na vontade que sentiu de beijar Mick e ficar com ele e em sua luta para que isso não acontecesse. Também pensou no ciúme que Jack tinha demonstrado e na reação que ele teria se soubesse o que realmente tinha acontecido, da presença de Mick no hospital, durante sua cirurgia, nos beijos que tinham trocado.

- Mick, não! - Clara empurrou-o para longe, enquanto ele a agarrava no meio de uma festa, onde todos os seus amigos estavam, olhando  para os dois e reprovando o que faziam...

- Quando você vai fazer o que quer e não o que eles acham que você deve fazer?

- Mas eu não posso trair o Jack...

- Ele não liga... Você liga, Jack?

- Não... claro que não...

- Viu?

- Ele liga sim... acabou de brigar comigo porque achou que tinhamos um caso...

- Eu não ligo... vocês podem transar a vontade... tem um quarto no andar de cima... toma a chave, Mick. Leva ela para lá...

- Não! - Clara sentou-se na cama assustada, com as mãos tremendo e o coração disparado. Foi neste momento em que percebeu que seu celular tocava, fazendo um grande esforço para concentrar-se ela ficou surpresa ao ver o nome de Mick Jagger no meio da tela.

- Alô... - ela disse com um fiapo de voz, esperando pela resposta dele.

- Olá, querida, estava dormindo?

- Um pouco... cheguei cansada de nossa reunião...

- Desculpa te acordar, mas estava precisando ouvir tua voz...

- Ah Mick, por favor... já falamos sobre isso e você tinha concordado comigo, lembra... você me disse que ía me deixar em paz...

- Você estava em paz?

- Não estou disposta a falar sobre isso, para mim é muito difícil... eu e o Jack brigamos assim que eu cheguei porque ele ficou com ciúmes...

- Mas você não pode aceitar isso, você não é propriedade dele...

- Sou sim...

- Não, Clara,  você pode até amá-lo, mas ele não é seu dono...

- Não... mas eu gosto de me sentir dele, me faz bem estar perto, cuidar dele... eu o amo tanto...

- Eu sei, querida... mas você não pode deixá-lo pensar que é seu dono... você sabe o que eu estou dizendo, você precisa deixá-lo consciente de que não é seu dono...

- Ele sabe disso, Mick... mas nosso relacionamento é assim... também morro de ciúmes dele, quando percebo que tem alguma mulher o rondando, fico quase louca...

- Mas você precisa deixar claro para ele que estão juntos, mas ninguém é propriedade de ninguém...

- Mick, eu o amo muito mais do que acho que é certo, que é saudável... e não tenho um controle sobre isso... agora mesmo estou sentindo falta dele e acho que vou até a sala de TV, para pelo menos ficar perto dele.

- Ah, Clara... é mesmo uma pena que seja assim... bem, te liguei porque queria ouvir sua voz, já ouvi... e também para dizer que conversei com a Gianna por telefone e ela quer me ver, vou para lá amanhã cedo...

- Fico feliz por vocês...

- Eu sei que fica... eu te amo... beijos, querida...

- Beijos, Mick...

Clara deu um longo suspiro após desligar o celular e decidiu que era hora de levantar-se, já que sabia que não conseguiria dormir mais. Foi até o banheiro, lavou o rosto, ajeitou os cabelos e vestiu-se novamente antes de ir até a sala de TV saber se o jogo já tinha terminado.

Ainda concentrados nos últimos minutos de um empate de 1 a 1, Jack e David não deram muita atenção a sua chegada e apenas continuaram torcendo, como tinham torcido até aquele momento.

Em silêncio, ela sentou-se em uma poltrona ao lado de Jack e ali ficou, esperando pelo apito do juiz que marcaria o final do jogo, para conversar com o marido.

- Ah... acabou! - sorriu Jack. - Vocês se livraram de boa...

- Vai, Jack... eu vi... o juiz ajudou muito o timinho de vocês, anulou um gol legítimo...

- Legítimo nada... Então, meu amor, dormiu um pouquinho?

- Dormi, querido... - ela sorriu e beijou-o. - Estava com saudades de você...

- É, Velhão... você tem sorte demais... uma mulher linda, talentosa e apaixonada por você assim... cara...

- Eu tenho muita sorte mesmo, Dave... - ele sorriu, pegou a mão de Clara e beijou-a. - Não pense que não sou agradecido por tudo o que eu tenho...

- Falando em coisas que temos, vou buscar minha querida esposa em Heathrow agora e já volto. - David disse levantando-se da poltrona da sala de TV. - Então, Velhão, você vai descer do mesmo jeito que subiu as escadas?

- Vou, Dave... não se preocupe...

- Ok, então vou lá buscar a Cindy... sabe que ela anda um pouco nervosa comigo e eu nem sei por que...  você sabe de alguma coisa, Princesa?

- Não, querido... você quer que eu pergunte a ela?

- Não... já estou até acostumado, a Cindy é assim... de vez em quando ela se irrita com alguma coisa... não entendo, de verdade...

- Sabe qual é o problema? Os homens, às vezes, não dão a atenção que queremos, o Jack é uma exceção, mas também acho que ainda estamos na fase do namoro...

- Que nunca vai acabar... - Jack interrompeu-a.

- Vai sim, amor... com o tempo, a convivência...

- Mas eu te amo para sempre, querida...

- Eu também... mas vamos ser realistas... o convivio diário, por anos, acaba diminuindo essa disposição de estar juntos, é normal que acabe...

- Não acho... eu te amo tanto que não consigo pensar assim, Menininha...

- Acho que vou levar umas flores para ela... será que isso ajuda? - sorriu David.

- Ajuda sim... eu adoro ganhar flores...

David deu um beijo em Clara e foi embora, enquanto ela acompanhava Jack preocupada com sua curiosa forma de descer a escada. Como uma criança, ele escorregava sentado nos degraus, e quando ela pedia que ele fosse mais devagar, ele ria.

- Meu amor... você fica linda assim, toda preocupada...

- Ah querido... você está bem? Eu tenho medo que você se machuque...

- Estou bem, amor... - ele disse abraçando-a e beijando-a. - Eu te amo!

- Eu te amo também... é tão bom que você esteja aqui comigo...

- É bom demais estar com você... Sabe, eu estava pensando... você é muito melhor do que eu sonhava que você era...

- Você também é, meu amor...

- Quando eu te conheci, tinha medo que você me decepcionasse, não fosse aquele homem maravilhoso que eu tinha construído na minha imaginação e mesmo depois de nos casarmos eu ainda ficava aflita com a possibilidade de me machucar descobrindo que estava iludida com um homem que não existia.

- Eu tive medo que você me rejeitasse, como eu te disse, quando nos conhecemos, eu já estava apaixonado por você... já pensou se você chegasse em Nova York e me dissesse: - Esse é o Jonas, meu marido?

- Nossa! Eu lembro daquele dia, você perguntando se eu e ele estávamos juntos... - Clara riu.

- Ah, querida... quando vi vocês juntos, me apavorei... já tinha virado meu próprio mundo de ponta cabeça e não tinha sequer considerado a possibilidade, de você já ter alguém...

- Que bom que eu não tinha... aliás, estava feliz sozinha, saindo com meus amigos e tranquila com isso pela primeira vez, porque antes eu ficava muito deprimida quando não estava namorando com ninguém....

- Você não precisa nunca mais preocupar-se com isso... você é minha... eu sou teu...

- Parece um sonho, querido... estou sempre com medo de acordar e tudo desaparecer...

-  Não precisa ter medo, nunca mais... sempre vou estar aqui...

Clara beijou-o, os dois agora envolvidos por um sentimento que os incendiava, queriam muito mais, mas logo pararam para acalmarem-se. Jack não podia fazer o que os dois queriam e assim, afastaram-se para evitar que ele sentisse novamente dores depois da cirurgia que tinha acontecido apenas um dia antes.

Jack sentou-se no piano e seguindo a partitura que David tinha deixado ali, tocou novamente a música que estavam compondo juntos e que ainda não tinha uma letra, com Clara sentada ao seu lado, apenas ouvindo e percebendo os sentimentos intensos que aquela melodia lenta carregava.

- Acho que não vou conseguir escrever essa letra... pelo menos por enquanto...

- Não se preocupe com isso, meu amor... essa letra vai sair... eu sei que tem uma porção de coisas te perturbando agora. Mas logo estaremos bem de novo...

- Assim espero... estou me sentindo bloqueado... acho que só seu corpo vai poder me curar dessa vez...

- Você me tem, meu amor... inteira...

- Não fala assim, ou acabaremos indo para a cama...

- Não podemos, querido... Vamos nos distrair um pouco, vem, vamos andar um pouco no jardim...

- Está muito frio lá fora, não quero que você fique congelada, Menininha...

- Então vou até a cozinha, ver como está nosso jantar... já volto...

- Está bem...

Clara caminhou até a cozinha, onde checou o andamento do jantar, ainda só conseguia pensar em entregar-se a Jack, mas tentava distrair-se conversando com os empregados e ajudando a organizar o jantar.

- Eu gostei muito daquela sobremesa de morangos que foi servida no almoço.

- Obrigada, senhora Noble, é uma receita de família... - sorriu a velha cozinheira que parecia muito feliz de estar recebendo a atenção da patroa.

- Fiz este molho  a base de mango chutney para acompanhar o salmão.

- Está muito cheiroso isso... Posso provar? Hum, maravilhoso... - Clara sorriu. - Esse jantar será um sucesso.

- O senhor Noble está melhor?

- Vai demorar uns dias, mas ele logo estará bem... podem dizer o que quiserem, mas para mim, uma cirurgia é sempre uma cirurgia... é preciso tempo para recuperar-se.

- Mas os senhores irão mesmo viajar na terça-feira?

- Vamos... eu não queria, mas temos uma porção de compromissos em Nova York... amanhã vou cuidar da bagagem porque vamos sair daqui bem cedo...

- Estou muito orgulhosa de trabalhar aqui, para os senhores... são artistas tão queridos....

- Obrigada senhora Hammer... - Clara sorriu. - Eu fico muito feliz de saber disso... eu e meu marido estamos prestes a começar uma temporada de muitas viagens, mas esperamos voltar para casa sempre que possível...

- O senhor Peters nos disse isso, nós estaremos aqui, esperando pelos senhores, sempre que  retornarem para casa.

- Obrigada senhora Hammer... estou ansiosa para que tudo termine logo... sou basicamente uma pessoa caseira... Até gosto de viajar, mas sinto-me melhor em casa...

- Ah, se a senhora me permite...

- Claro, senhora Hammer....

- Aproveita... viajar, ver o mundo é muito bom... passei alguns anos da minha vida fazendo isso e sei que nada substitui as experiências da estrada, de conhecer pessoas novas, lugares lindos... vale a pena... ficar em casa é para velhinhos... como eu... - ela sorriu.

- Acho que a senhora tem razão... mas é meu momento... desde que eu conheci o Jack não tenho conseguido passar muito tempo no mesmo lugar. Parece que estou sempre fazendo e desfazendo malas... por isso fico ansiosa para passar algum tempo na minha casa...

- Tem razão, senhora Noble... li em uma revista que a senhora casou-se com ele em menos de um mês...

- Na verdade foi um pouco mais que um mês, mas começamos a namorar no mesmo dia em que nos conhecemos...

- Isso... eu particularmente, achei a história de vocês muito bonita. Apaixonaram-se a primeira vista...

- Foi isso mesmo, senhora Hammer... assim que o vi, me apaixonei e ele também... Nos encontramos pela primeira vez em um saguão de hotel em Nova York e nunca mais nos largamos...

- Eu acredito em destino, a senhora acredita?

- Acredito sim... principalmente porque quando nos conhecemos, já parecíamos velhos amigos... aliás, acabo de ter uma ótima ideia para ajudá-lo... vou até a sala de estar contar para ele...

- Sim, senhora Noble... o jantar estará pronto para ser servido assim que a senhora ordenar...

- Obrigada, senhora Hammer... estou muito feliz com o trabalho de todos vocês....

- Obrigada...

Clara caminhou até a sala de estar, onde Jack falava no celular com Michael Silver, que ligava de Paris avisando que chegaria na cidade no dia seguinte, para participar da reunião marcada por Michael Peters.

- Ok, Silver... está tudo certo... estaremos esperando por você... beijos...

- Amor, então... acabei de ter uma ótima ideia que nos ajudará muito a sobreviver às nossas duas semanas de seca...

- Você vai se mudar para a casa do Jagger? - Jack riu.

- Não, amor... sério... nós teremos muito tempo livre e muita energia acumulada nestes próximos dias, certo? Então, vamos terminar o livro... lembra? Ainda sou sua ghost writer...

- É mesmo...  isso vai deixar o Peters muito feliz... mais um produto para lançar junto com a turnê...

- Não só o Peters como meu sócio, o Jonas... são mais 500 mil dólares para a conta da nossa empresa...

- Ótimo, querida... vamos trabalhar, então... tenho muita coisa ainda para te contar, embora minha memória tenha sido bastante prejudicada por muitos abusos químicos... acho que se você me ajudar, faremos nosso primeiro filho nascer...

- Filho?

- Minha autobiografia... amanhã, na reunião com o Peters, vou pedir que ele acerte com a editora para que seu nome também esteja na capa...

- Não precisa e acho que vai vender muito mais se não estiver...

- Precisa sim... você é a razão desse livro existir e não vou aceitar nada diferente disso. Quero dividir com você os 10 milhões de dólares que estão me pagando pelo livro...

- Dez milhões?

- Isso mesmo, amor...  não  quero mais que você seja a ghost writer, quero você como co-autora... o Peters que se vire para ajeitar tudo com o pessoal de Nova York, mas vou transferir cinco milhões para sua conta.

- Não precisa fazer isso, amor... não quero dinheiro...

- Mas eu o darei a você assim mesmo... - Jack sorriu. - Além disso, acho que será bom para sua carreira de escritora... seu nome em um best seller. Você chegou a ver as projeções de vendas?

- Eu vi sim, meu amor e fiquei feliz por nós dois... mesmo recebendo só um milhão de dólares... vai ser um sucesso... e você tem razão, é o nosso primeiro filho... - ela sorriu, acariciando os cabelos de Jack. - Vou buscar meu gravador...

- Agora não, Menininha... depois do jantar, quando o Dave e a Cindy forem embora... vamos para o nosso quarto e conversamos, já que não podemos fazer muito mais do que isso...

- Perfeito! - Clara sorriu e beijou-o. Um beijo longo, apaixonado, que deixou Jack excitado e o fez gemer de dor.

- Desculpa, querida... mas temos que parar... está doendo de novo.

- Vou buscar sua bolsa de gelo....

- Vou me deitar, logo passa...

- Desculpa, meu amor... eu não devia...

- Ah, querida... não é sua culpa... vamos conseguir... tenho certeza...

- Assim espero, meu amor...

Clara pegou a bolsa de gelo, encheu-a na cozinha e levou-a até ele... sentando-se no sofá e apoiando a cabeça dele em seu colo, ela o ajudou e a dor passou mais uma vez. 

- Você é um anjo, Menininha... Eu te amo tanto...

- Me perdoa por ter te causado dor novamente... eu preciso me controlar... eu vou me controlar...

- Não precisa... eu te amo e não vou abrir mão de tê-la nos meus braços e te beijar, simplesmente porque às vezes, isso dói... fica tranquila que vou melhorar com o passar dos dias... Falando em passar dos dias, amanhã vou para a City, tem uma reunião com o Peters, no escritório dele...

- Quer que eu vá junto?

- Não, amor... depois da reunião, ele vai dar uma festinha para a banda e... bem... você sabe...

- Festinha? Você não vai,vai?

- Isso é complicado... é uma coisa que a banda sempre fez antes das turnês e você sabe que eu preciso estar lá com os caras...

- Mas eles vão beber e transar com prostitutas e você não pode fazer nem uma coisa, nem outra... por que você tem que ir?

- É que se eu não for... os caras vão ficar sentidos... é mais do que uma simples festinha, é uma espécie de ritual que cumprimos sempre que vamos para a estrada...

- Entendo tudo isso, meu amor... eu não teria nada contra se não fosse a sua condição... você foi operado ontem, não pode beber alcool pois está tomando remédios e sentiu dor apenas porque te beijei... não faz sentido... entendeu...

- Eu sei de tudo isso... mas vou assim mesmo...

- Não coloca sua saúde em risco, por favor...

- Não colocarei... mas você tem certeza de que não está com ciúmes?

- Não sei... acho que estou é muito preocupada com você... eu entendo a necessidade masculina  de fazer esse tipo de coisa, mas eu tenho ciúmes de outro tipo de situação, de vê-lo demostrando carinho, amor por outra mulher... isso é só sexo...

- Você é uma mulher diferente, Clara... a Mary tinha muitos ciúmes dessas festinhas... eu tomava o maior cuidado para ela nem saber, porque quando ela descobria, tinha escândalo...

- Não consigo sentir ciúmes... na minha cabeça, sexo é uma coisa, amor é outra... se você me dissesse que ía na casa da Linda Monsoon ou da Ann Kurtiss, eu ficaria enlouquecida... porque sei o que você sentia por elas... mas prostitutas... desculpa amor... acho que vou te decepcionar...

- E a minha filha, que você achou que era uma groupie, aquela vez em Manchester? Você ficou com ciúmes...

- Mas ainda estávamos nos conhecendo... eu achei que você estava dando atenção demais para alguém que era só uma groupie... daí, os ciúmes...

- Está bem, Menininha... eu entendi...  - Jack sorriu.  - E se é assim, eu te amo ainda mais... só não sei se conseguiria deixar de ter ciúmes de você, em qualquer situação...

- Eu sei, meu amor...

- Você me perdoa por eu ter tantos ciúmes de você? Eu juro que quero te deixar livre, mas é tão difícil para mim...

- Ah, meu amor... eu perdoo sim... só quero que você entenda que eu sou sua...

- Desculpe, senhor e senhora Noble, o senhor Mersey está ligando do portão...

- Abra o portão para ele, Bradley... Nossos convidados chegaram, querido... - ela estendeu a mão para ajudar Jack a levantar-se do sofá e caminhou ao lado dele e do mordomo, até a porta.  - Bradley, como está o jantar?

- Está tudo pronto senhora,  serviremos antes um coquetel aqui, na sala de estar...

- Obrigada, Bradley... - Clara sorriu.

David e Cindy desceram do carro, ela carregando um lindo buquet de rosas vermelhas nas mãos.

- Cindy querida... - Clara abraçou a amiga, feliz por sua chegada.

- Oi querida! Olha as flores que o David me deu, lá no aeroporto.

- Lindas, querida! Você merece! Boa noite, David... - Clara disse beijando-o no rosto.

- Boa noite, Princesa...

- Então vamos entrar porque estou congelando... - Jack disse abraçando o amigo.

Bradley levou os casacos e providenciou um vaso para acomodar as rosas de Cindy.

- Então, como foi o dia de vocês por aqui? - Cindy perguntou assim que sentou-se na sala de estar.

- Foi ótimo... estamos trabalhando em mais uma música para a Princesa... - David sorriu.

- Ah que bom....

- A música é linda.... - sorriu Clara. - mas ainda precisa de uma letra...

- Estou sem muita inspiração, mas eu sei que essa letra vai sair...

- Ah Velhão... na sua situação eu também me sentiria assim... mas não tem pressa... logo as coisas melhoram e você vai fazer mais uma das suas letras de homem apaixonado...

- Bradley, sirva os drinks para os nossos convidados....

- Sim, senhora Noble...

- Então, amanhã tem reunião, não é Velhão?

- O Peters vai entregar o roteiro completo da viagem para Nova York e vamos também ver como estão todos os preparativos da turnê... vamos até o aeroporto para inspecionar o avião...

- É Velhão... amanhã é o dia de ver se o velho Peters fez tudo direitinho...

- Pode se preparar porque temos muito a discutir com ele amanhã... também vou ver se ele melhora o contrato da Clara... quero ver o nome dela na capa da minha autobiografia...

- Não precisa, querido... acho que vai vender mais se todos pensarem que você escreveu sozinho...

- Precisa sim... aliás, amanhã vou transferir os 5 milhões do contrato para a sua conta.... o Peters que se ajeite com o pessoal de Nova York...

- Amor... já te disse que não precisa... eu não quero seu dinheiro... guarda ele para o nosso filho...

- A Clara quer aproveitar nosso período de seca para trabalhar no livro...

- Isso é bom... - sorriu Cindy. - assim será um compromisso a menos para depois...

- A turnê não vai ser fácil, Velhão... o Peters já confirmou uma porção de shows e pelo que ele me disse ontem, vamos passar 2012 inteiro na estrada.

- Ele falou alguma coisa das Olimpíadas? - Clara perguntou.

- Ainda não tem nada certo, mas parece que os Stones devem fazer o show...

- Melhor! - Jack sorriu. - Não gosto desses shows enormes...

- Hum... mas estes petit fours são maravilhosos, Clara... - Cindy disse sorrindo. - Que delícia!

- Nossa cozinheira é ótima, Cindy... Acho que o Peters acertou  muito na contratação de toda a equipe! Todos os empregados são os melhores...

- O Peters é um cara muito competente, Menininha... não dá para esperar menos quando ele está envolvido...

- Já percebi... - Clara sorriu. - E estou muito feliz de fazer parte disso tudo... foi tão lindo subir no palco, me senti tão bem!

- Eu sabia que você se sentiria bem, Menininha... você é uma estrela...

- Falando em estrelas, como foi sua reunião com o Mick hoje? - Cindy perguntou.

- Foi ótimo...  o Sommers incluiu umas cenas apavorantes no roteiro, o Mick está eufórico...

- Porque será que toda a vez que você diz que o Mick está feliz com alguma coisa, eu sinto um nó aqui no meu estômago? - Jack disse com um sorriso provocante nos lábios, levando Clara a dar uma risada nervosa.

- Gracinha... você é bem engraçado, sabia? - Clara riu tentando disfarçar sua preocupação.

- Eu sou... sempre fui... - Jack sorriu. - Ah, amor, vai ficar bravinha comigo agora? Desculpa...

- O Mick não me preocupa, amor... gostaria que você também não se preocupasse com ele... Você é meu marido, não ele...

- Então Clara você viu o que escreveram sobre o show da Roundhouse na Rolling Stone? - Cindy veio rápida no auxílio da amiga para tentar mudar de assunto.

- Não... não tenho visto muita coisa na internet nesses últimos dias. - ela respondeu ainda de olho em Jack, preocupada com a chegada de outra possível crise de ciúmes. - A crítica é boa?

- Boa não, amiga, ótima... - ela sorriu e puxou o ipad de sua bolsa para mostrar à Clara. - Eu vi no avião, olha só as fotos que eles publicaram...

Clara sentou-se ao lado da amiga e passou a ver a galeria de fotos e depois leu a matéria sobre a festa de lançamento do novo disco, onde elogiavam muito o novo disco, o pocket show que aconteceu na festa e a beleza e o talento de Clara.

- Nossa! Não esperava isso.... - ela sorriu. - Olha, amor...

- Eu esperava... - Jack sorriu. - Você é uma estrela...

- É, Velhão... a Princesa é mesmo um arraso... cantou muito na festa e vai ser sempre o melhor momento desse novo show...

- Ah... obrigada, David... vocês são muito bons comigo...

O mordomo interrompeu a conversa, avisando que o jantar estava sendo servido. Na mesa, o clima entre os quatro amigos era de euforia, piadas e muitos  planos sobre os próximos passos da banda e o que fariam nos intervalos da agenda que começaria a ser cumprida, dali a dois dias, com uma viagem promocional para Nova York.

- Estamos muito felizes hoje... - sorriu Jack. - É uma pena não podermos comemorar do nosso jeito, não amor?

- É mesmo... uma pena mas não quero vê-lo sentindo dor...

- Você está sentindo dor, Velhão?

- Agora não... mas sempre que as coisas começam a esquentar, eu sinto uma dor horrível e minha mulher precisa me trazer uma bolsa de gelo para melhorar...

- Ih cara! Que chato isso... Deve ser por isso que o médico te pediu para não transar por 15 dias... é Velhão, não força não... Já pensou se arrebenta algum ponto lá dentro?

- Não quero nem pensar... enquanto não estiver completamente recuperado, vou ficar bem quietinho, no meu canto... ando com medo de beijar minha mulher...

- Até pensei em passar uns dias longe do Jack...

- Mas isso não vai acontecer... - Jack disse pegando a mão de Clara e beijando-a novamente. - Preciso de você sempre por perto...

Logo depois de uma ótima refeição, Clara e Cindy subiram para o escritório para ver mais matérias sobre a festa de lançamento, enquanto Jack e David sentavam-se ao piano para trabalhar mais um pouco na nova música.

- Então?  - Cindy disse assim que passaram pela porta do escritório.

- Não aconteceu nada... nos beijamos de novo, mas não passou disso...

- De novo? - Cindy suspirou. - Ufa... estou um pouco aliviada... Tinha certeza que de hoje não passava...

- Foi difícil, mas consegui controlar a situação...  acho até que o convenci de que somos amigos e tudo o mais, mesmo assim estou voltando a ter medo de ficar sozinha com ele. E não por causa dele...

- Você está apaixonada pelo Mick?

- Acho que não... não sei... sinto algo diferente do que senti quando conheci o Jack. Ali, eu sabia que as coisas estavam indo rápido demais, mas não tive forças para me controlar e acabei me jogando de cabeça. Sinto muita atração pelo Mick, adoro estar junto e estive muito perto de perder o controle, mas não perdi. Senti que estava tudo errado... e mesmo completamente bebada, tive medo de me entregar, não me pareceu certo...

- Você que sabe, amiga... eu só acho que quanto mais vocês adiarem, mais isso vai crescer dentro de vocês e mais difícil vai ser evitar um desastre depois...

- Eu sei... o Mick me disse que o que eu estou fazendo não tem nada de heroico ou nobre, mas no fundo, eu sinto que estou protegendo nós três desse desastre.

- Vocês foram até o apartamento dele?

- Fomos, mas antes disso, quase transamos dentro do carro, no caminho para o aeroporto...

- Eu não sei se teria tanto sangue frio assim, querida...  então vocês desistiram?

- Decidimos que seremos amigos. Ele me disse que vai para Nova York encontrar a Gianna e eu o apoiei completamente nessa ideia, acho que será bom para nós dois... aliás... nós quatro...

- Espero que sim, querida... acho que todos vocês precisam de um pouco de paz. Principalmente o Jack, ele está me parecendo tão frágil depois da cirurgia...

- Você também percebeu? Estou morrendo de pena dele ter que passar por tudo isso. É claro que quero ter filhos, mas detesto vê-lo fazendo tantos sacrifícios para que isso aconteça...

- Ah, querida... sinceramente, acho que vocês se casaram rápido demais. Ainda estão se conhecendo e ele já corre para fazer essa cirurgia... eu esperaria ainda uns três ou quatro anos para começar a pensar em filhos...

- Tem razão, Cindy... eu sei que tudo que envolve esse meu relacionamento com o Jack parece precipitado, mas desde que nos conhecemos, nos sentimos assim, com pressa de viver tudo o que pudermos viver. Além disso, ele está envelhecendo... acho que não podemos esperar...

- Tem razão, querida... acho que o destino foi cruel demais com vocês dois... encontrar o grande amor de sua vida, mas ter tanta diferença de idade, como vocês têm... 

- Nem me fale... não tem um dia em que eu não acordo desejando ter uma máquina do tempo para estar ao lado dele principalmente quando a banda terminou... ainda hoje ele se sente tão culpado... queria poder evitar tanto sofrimento...

- É... amiga... você o ama muito mesmo... não tem mais jeito... - Cindy sorriu. - Apesar de tudo, acho lindo ver vocês juntos... não deixa essa coisa do Mick estragar tudo...

- Não vou deixar... nunca... se eu não amasse tanto o Jack como amo, acho que já teria um caso com o Mick há algum tempo...

- Eu sei...

- O Jack vai amanhã na "festinha" dos rapazes?

- Vai... ele me disse que mesmo sem poder fazer absolutamente nada por lá, ele vai pelo ritual e para não ouvir um monte mais tarde dos rapazes... Não sei se eu cheguei a te contar na época, mas na véspera do nosso casamento, lembra? Os rapazes levaram o Jack para uma dessas festinhas...

- Sei... me lembro disso...

- Então... ele levou duas garotas para o quarto e pagou-as para fingir que as tinha pegado... foi isso que ele me disse pelo menos, quando voltei da minha despedida de solteiro...

- Mesmo? Puxa, ele é mesmo um homem apaixonado... será que é isso que ele pretende fazer amanhã?

-  Foi o que ele me disse e eu confio nele... só espero que ele não beba... estou preocupada com a saúde dele...

- Acho que esta vai ser sua maior dificuldade... impedir que ele beba... você sabe que ele, aliás, eles todos, bebem muito...

- Sei sim... hoje está sendo uma exceção, porque temos convidados, mas quando estou sozinha com ele, estamos bebendo somente suco... quero ver se aproveito essa fase em que ele está tomando remédios, para diminuir o consumo de álcool por aqui.

- Isso é bem difícil de fazer, querida... mas eu torço para que você consiga...

- Vamos descer? Estou curiosa para saber o que os rapazes estão fazendo lá em baixo...

- Vamos, querida... Aliás, você vai fazer alguma coisa amanhã?

- Além de arrumar as malas para ir para Nova York... nada...

- Então vamos almoçar no francês... Vou ligar para a Jen quando chegar em casa... acho que ela já voltou de Paris, mas não tenho muita certeza, não consegui ligar para ela o dia todo...

- Ah, vamos sim, querida... não quero ficar em casa, porque vou ficar nervosa, imaginando o que meu marido pode estar fazendo... acho que será mesmo melhor sairmos para almoçar...

As duas mulheres desceram para a sala de estar e encontraram Jack sentado no piano, mostrando a David uma nova música, que tinha acabado de criar, era uma balada lenta e romântica em que ambos trabalhariam juntos e David a gravava em um pequeno gravador digital que tinha tirado do bolso, enquanto anotava as notas em uma folha que Jack tinha lhe fornecido.

- Acho que tem alguma coisa aqui, mas acho que preciso de uma guitarra para entender isso direito... Princesa... vem aqui ajudar a gente...

Clara sorriu e caminhou até o banquinho do piano, sentando-se ao lado de Jack e beijando-o no rosto. - Que lindo, amor... o que vocês querem que eu faça?

- Você pode pegar minha guitarra acústica, no estúdio, lá em cima?

- Deixa que eu pego, Jack... - David interrompeu.

- Eu vou buscar, David... o estúdio ainda não está completo, está tudo bagunçado lá em cima, você não encontraria... Já volto...

Clara subiu as escadas e entrou no estúdio que ainda estava bem longe de receber o acabamento necessário para ser utilizado. Alguns cases com instrumentos estavam empilhados ao lado de inúmeras caixas de papelão que continham a enorme coleção de discos de vinil de Jack, que ficariam acomodados no que seria  uma ante-sala, na verdade, dois quartos, transformados em uma confortável sala de gravação, que agora ficaria colada a uma bela sala de música, onde ele poderia ouvir seus discos e tudo muito bem planejado e isolado acusticamente. Ela apenas entrou na sala, pegou a case onde estava a guitarra acústica e desceu rapidamente. Sabia que a inspiração não passava muitas vezes de um lampejo fugidio, que precisava ser agarrada rapidamente antes de perder-se para sempre.

Com a guitarra nas mãos, David pode dar sua contribuição naquela pequena melodia que tinha repentinamente ocorrido a Jack e pode desenvolvê-la. Enquanto os dois trabalhavam, Clara foi até a cozinha com Cindy, mandou os seus empregados irem dormir  e preparou café e capuccino em sua máquina de expresso, servindo a bebida em xícaras charmosas, junto com bombons de chocolate.

- Hum, isso é bom, Menininha... é daquela loja do lado da floricultura não?

- É... comprei ontem, junto com as flores...

- Delícia, Princesa... - David sorriu. - Obrigado... Velhão, vamos começar de novo?

Os dois ficaram trabalhando na música, enquanto Clara e Cindy apenas assistiam. Para Clara ainda era fascinante perceber como os dois ou três acordes da ideia original iam lentamente tornando-se em uma melodia e esta, numa música completa, que receberia uma letra, naquela noite mesmo, se eles tivessem sorte de encontrar as palavras que se escondiam em algum lugar daquela canção.

No caso daquela música, seriam as palavras doces e românticas de mais uma linda declaração de amor. - Ah, meu amor... eu não consigo escrever... acho que estou com um bloqueio daqueles...

- Calma, Jack... a letra virá... fica tranquilo que tenho certeza disso...

- Estou preocupado... parece que estou novamente com aquele bloqueio que tive antes de reformar a banda...

- Calma, Velhão... logo tudo volta ao normal, você vai ver...

Continua

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