19 de set de 2012

Rockstar - Capítulo XCV


Clara sentou-se na cama novamente, com seu copo de capuccino e ficou esperando pela chegada do marido. Alguns minutos depois, Jack chegava, com uma equipe de enfermeiros ao seu redor.

- Meu amor! - Clara disse ao vê-lo aproximando-se ainda sobre a maca. - Como você está?

- Completamente tonto, meu amor... E você?

- Com saudades de você... - ela sorriu e beijou-o no rosto, assim que os enfermeiros se afastaram, depois de o terem arrumado na cama. - Você ficou com saudades de mim?

- Muitas, meu amor... mas temo que você vai ficar com medo daquilo que está embaixo deste lençol...

- Eu amo tudo o que está aí embaixo, meu querido e nunca terei medo...

- Mas está tudo muito feio agora, roxo, inchado... depilado... acho que pelo bem do nosso casamento, você não poderá me ver nu novamente pelos próximos 6 meses...

- Exagerado! Isso é impossível, querido... - ela riu e sussurrou no ouvido dele.  - Vou cuidar de você todos os dias da minha vida... e cuidar de você inclui te mimar muito... e ficar nua ao seu lado...

- Eu te amo, Menininha... mas falando sério... está muito feio...

- Não me importo... vamos para casa?

- Vamos sim, amor... estou só esperando a minha alta...

- Vou ligar para casa e mandar que façam um bom almoço para nós... O que você quer comer?

- Sinceramente, querida... nada... estou dolorido, cansado e meio enjoado...

- Então vou mandar fazer uma sopinha bem quentinha para nós dois... que tal?

- Perfeito... acho que uma sopinha sempre vai bem... E você ainda não comeu nada hoje... não?

- Acabei de tomar um capuccino...

- Isso não é comida, amor... não adianta só desfazer a vasectomia... preciso que você me ajude para que nosso filho possa nascer...

- Eu sei, querido... desculpa... estava muito nervosa para comer qualquer coisa... E falando nisso... o Mick me ligou...

- Ah... e o que ele queria?

- Acertar os detalhes da reunião de amanhã... - ela disse tentando demonstrar naturalidade. - Ele vai mandar um carro me buscar em casa amanhã, às 8 da manhã e assim que a reunião terminar, volto para casa...

- Está bem, querida... não se preocupe comigo, vou estar bem... de verdade... o médico me disse que tudo vai estar bem em alguns dias...

- Assim espero... fico tão aflita de te ver nessa situação...

- Não fica, Menininha...  eu estou bem e você pode ir tranquila encontrar-se com aquele salafrário...

- Por favor, querido... você sabe que ele não significa nada para mim, eu te amo, Jack... - ela disse, beijando-o. - E quero estar a altura de tudo o que você espera de mim...

- Você é o meu sonho, meu amor...

- Bom dia novamente, senhor e senhora Noble! - o médico disse da porta para ambos. - Então, prontos para ir para casa? A senhora pode aguardar por uns minutos lá fora, enquanto faço um último exame e um curativo?

- Ok... - ela disse para o médico. - Estou lá fora, amor...

Enquanto esperava, Clara ligou para casa pedindo que uma canja de galinha fosse preparada. Tinha parado de pensar sobre o dia seguinte e seu encontro com Mick e agora concentrava-se apenas em cuidar de Jack com todo o amor que sentia por ele. Assim, com a autorização do médico, ela ajudou-o a vestir-se e pentear-se, antes de sentar-se na cadeira de rodas em que foi levado até a saída do hospital.

Logo os dois entravam no carro de Khaled e partiam para casa. Jack estava tranquilo e sorria para Clara, que não parava de mimá-lo; talvez tentando compensá-lo por uma traição que ainda não tinha acontecido, mas que ela temia muito que acontecesse.

Voltaram para casa e Khaled ajudou Jack a chegar no sofá da sala de estar, enquanto Clara mandava o mordomo até a farmácia providenciar a compra dos remédios prescritos para Jack e de uma bolsa apropriada para colocar gelo. Também passou pela cozinha para verificar o andamento do almoço e foi informada de que em quinze minutos tudo estaria pronto.

- Amor... nossa sopa estará pronta em 15 minutos... - ela sorriu, abraçando Jack e cobrindo-o com uma manta de lã. - Como você está?

- Estou bem, querida... vem sentar aqui comigo...

- Fiquei tão nervosa naquele hospital...

- Eu te disse que tudo daria certo, não disse, Menininha?

- Você me estragou, Jack... sou tão mimada agora que não consigo ficar mais sozinha, tenho que estar ao seu lado...

- Ah, meu amor... sabe que eu sonhei uma porção de coisas enquanto estava lá no hospital... mas a melhor, foi nós dois juntos, no seu apartamento lá no Brasil... foi lindo... No meu sonho você estava grávida... com um barrigão enorme...

- Mesmo? Que lindo! Espero que isso aconteça logo, essa cirurgia está custando muito caro para mim...

- Para mim também... mas vamos superar tudo isso... O que você acha de convidar nossos amigos para jantar aqui em casa hoje? Se isso não for te incomodar...

- Não é incomodo nenhum, meu amor... Se você se sente bem a ponto de recebê-los aqui, eu posso pedir à cozinheira para preparar algo de especial para eles e eu mesma farei um brigadeirão para a sobremesa... quer alguma coisa para o menu, querido?

- Está frio... aquela sopa francesa de peixe...

- Uma bouillabaisse?

- Isso!

- Hum... adoro! Vou pedir também uma salada e preparar uma outra coisinha que estou com vontade de comer... vai ser uma surpresa...

- Ah... você vai me deixar sozinho para ficar cozinhando?

- É tudo muito rápido... não vou te deixar muito tempo sozinho, meu amor...

- Está bem... se for assim, pode fazer o jantar... - Jack disse puxando-a para mais perto e beijando-a. - Hum... acho que os efeitos dos remédios que me deram no hospital já estão passando... a dor está aumentando...

- O Bradley está demorando para chegar com os remédios... será que aconteceu alguma coisa?

- Fica tranquila, querida... ele já vai chegar... Vou ligar para o Dave, para convidá-los...

- Está bem, amor... vou até a cozinha para avisá-los sobre o jantar. Querido... o Michael e a Jenni não iam para Paris hoje?

- Não sei... vou ligar para ele também... - ele disse contorcendo o rosto de dor ao mover-se para pegar o celular no bolso da calça. - Não se preocupe... estou bem...

Clara avisou a cozinheira sobre os planos para o jantar e deu a ela uma lista de ingredientes para os pratos que prepararia. Foi a seguir até a sala de jantar para ver se já estava pronta para almoçarem, enquanto Bradley, o mordomo chegava em casa e lhe entregava a sacola com as compras.

Ela então pegou a receita dada pelo médico e uma folha de papel e fez um esquema de horários para todos os remédios de Jack e pediu que a bolsa de gelo fosse preparada para uso logo após o almoço; depois ajudou Bradley a apoiar Jack no caminho até a mesa da sala de jantar, onde os dois almoçaram a sopa de galinha que Clara tinha pedido que fosse feita.

- Hum... está muito boa essa sopinha, amor... - Jack sorriu. - perfeito para esse frio... pena que não posso beber um vinho junto com ela...

- É, amor... você não deve beber enquanto estiver tomando remédios... quero que você se cuide... por isso o suco... para você e para mim...

- Você é linda... mas não precisa ficar sem vinho por minha causa...

- Preciso, querido... vou cuidar de você muito bem... se você não pode beber, eu também não posso...

- Ah, meu amor... falei com o Dave e com o Mike e todos eles virão para cá hoje à noite... o Mike vai para Paris, mas só amanhã...

- Ótimo! Já pedi os ingredientes dos pratos que farei para a cozinheira e daqui a pouco, depois que eu te colocar na cama para dormir um pouco, vou até a cozinha cuidar do nosso jantar...

- Gostei da ideia... mas terei que dormir na poltrona hoje... não posso subir escadas...

- Acho que já resolvi esse problema também, meu amor... - Clara sorriu. - Você logo verá, depois do almoço...

- Amo você, Menininha... minha vida era tão sem graça antes de te conhecer...

- Eu amo você, Jack... - ela sorriu. - Por favor, sirvam a sobremesa agora...  desculpa, querido, mas não tive tempo de providenciar nada além de frutas... prometo que cuidarei melhor de nossas refeições por aqui de agora em diante...

- Mas tudo está perfeito, meu amor...

- Queria ser perfeita para você, meu amor...

- Mas você já é...

- Então, querido... acho que estávamos muito perdidos nos últimos dias, viajamos, tivemos a festa... e por isso, me esqueci de uma coisa muito importante...

- O que amor?

- Temos um quarto aqui embaixo e ele está vazio, eu até já encomendei  os aparelhos de ginástica mas eles ainda não foram entregues... assim... pedi aos empregados para montar a cama do quarto de hóspedes, que é ligeiramente menor e mais leve do que a cama da nossa suíte e podemos dormir aqui embaixo, enquanto você se recupera...

- Você é mais do que perfeita, meu amor... e eu te amo muito...

- Bradley, o quarto está pronto?

- Está sim, senhora...  o senhor quer uma ajuda para caminhar até ele, senhor Noble?

- Ele quer sim, Bradley.... ah... está na hora do remédio, por favor traga o antibiótico, tem uma letra A marcada na tampa. O outro remédio, que tem a letra P na tampa é para a dor e deve ser tomado às três da tarde... na cozinha, ao lado dos remédios, tem uma lista com os horários de cada um, quero que ela seja seguida rigorosamente.

- Sim senhora...

- Que linda! Você é maravilhosa... será que você aceitaria descansar comigo em nosso quarto provisório?

- Aceito sim, meu amor... Vou ajudar o Bradley a levá-lo até lá, depois, trocaremos suas roupas e em seguida, colocaremos a bolsa de gelo e você vai dormir no meu colo... ok?

- Ótimos planos, Menininha... sou todo seu, querida...

- E eu sou toda sua...

Clara cuidou de Jack e os dois dormiram abraçados por algumas horas,  Clara apenas acordou-o por alguns minutos para tomar a medicação e ambos voltaram a dormir.

Às seis da tarde, Clara levantou-se, tomou um banho, preparou um empadão de camarões e um brigadeirão para o jantar, pegou seu carro na garagem e foi até uma loja de flores comprar algumas flores para decorar a casa, para receber bem seus convidados.

Depois, acordou Jack, ajudou-o a tomar uma chuveirada  rápida e a vestir-se para o jantar. E ajudou-o a caminhar de volta até a sala de estar.

- Amor, senta aqui um pouquinho comigo...

- Não era bom colocar novamente a bolsa de gelo?

- Mas vai molhar a minha roupa...

- Verdade, querido... quando eles forem, colocamos a bolsa de novo... está doendo?

- Um pouco... mas vou ficar bem...

- Vou até a cozinha para ver como estão as coisas... acho que tem outro remédio para você tomar agora...

- Vai lá, amor... mas não precisa ficar assim, toda agitada... eles são de casa...

- Ah, mas eles nos tratam tão bem na casa deles, quero tratá-los bem aqui...

Mais alguns minutos, os quatro convidados chegavam à casa e eram recebidos por Clara, na sala de estar e enquanto David e Michael faziam piadas e mais piadas sobre a cirurgia de Jack, Clara tentava conversar com suas amigas, sem muito sucesso e decidia que arrumaria uma oportunidade de se falarem depois do jantar.

- Querida, de onde vieram essas flores? - Jack perguntou ao ver o arranjo de rosas que decorava a mesa do jantar.

- Fui até a floricultura hoje à tarde, com meu carrinho, amor... foi tão bom...

- Querida! Que bom! Só toma cuidado porque se te pegam dirigindo sem licença, você vai ter uma bela dor de cabeça...

- Fui muito rápido, querido... mas vou atrás da auto-escola assim que puder... sabe fiquei tanto tempo sem dirigir, que me esqueci o quanto eu gosto, principalmente esse carrinho tão lindo...

- Tem que dar corda para ele andar antes, querida? - riu David.

- Ah... você é muito maldoso, Dave... ele é lindo... adoro!

- Você é quem é linda, Clara... - Jack disse mandando um beijo para ela. - E esta torta de camarões... estou ainda mais apaixonado por você, querida...

- É uma coisa que eu gosto de fazer e me deu vontade de comer hoje... que bom que você gostou, amor...

- Delicioso, Princesa! Você tem certeza de que nunca foi chef de cozinha no Brasil?

- Tenho, querido... só gosto de comer, por isso, cozinho...

- Está muito bom, mesmo, Clara... - sorriu Jennifer. - Você podia abrir um restaurante...

- Obrigada, queridos... - Clara sorriu. - Que bom que vocês gostaram...

O jantar seguiu com a alegria que era costumeira quando aqueles amigos se encontravam, o brigadeirão da sobremesa foi recebido com festa e depois dele, David ajudou Jack a ir até a sala de estar e as conversas passaram a ser sobre música.

Com a desculpa de mostrar os novos vestidos em seu closet, Clara levou as amigas até o quarto para poderem conversar aquilo que queriam.

- Você enlouqueceu Clara? Vai até Paris para transar com o Mick? - Cindy disse mostrando sua indignação com a atitude da amiga.

- Não... quero dizer... não vou transar com ele, vou conversar e tentar acabar com essa história de uma vez...

- Mas a Jenni disse...

- Eu sei... hoje de manhã, eu estava muito nervosa, me sentindo sozinha naquele hospital e quando ele me ligou oferecendo companhia, não resisti...

- Mas não foi só isso, não é... vocês se beijaram... - Jennifer interrompeu.

- Sim, nos beijamos e eu fiquei confusa,  senti coisas que não queria ter sentido... Daí fiz o que pude para me controlar e ao invés de mandá-lo embora de lá, para diminuir a tentação, fiquei perto dele e respirei fundo... porque sinceramente, tudo o que eu queria era beijá-lo de novo...

- Meu Deus! - Cindy disse espantada. - Então você quer mesmo transar com ele...

- Calma, ainda não terminei de explicar... o que nós dois sentimos... ele também se conteve, ou teríamos transado ali mesmo, no quarto do hospital...

- Enlouqueceram mesmo, as coisas estão piores do que imaginava... 

- Depois fizemos o possível para nos acalmarmos, conversamos, ficamos amigos novamente e ele foi embora... e eu cheguei a pedir a ele para cancelar a reunião com o roteirista... meu plano era me afastar, para ver se aquilo que eu estava sentindo passava... daí eu liguei para a Jenni... e ela me disse uma coisa que me fez pensar melhor... quanto mais fugirmos um do outro, mais a importância disso vai crescer dentro da gente, o que é um perigo, porque podemos acabar tomando uma atitude precipitada e assim, correremos o risco de magoar o Jack.

- Então, amanhã... enquanto ele ainda não pode nem andar direito, vocês vão para Paris, transam e voltam como se nada tivesse acontecido... - Cindy disse ainda inconformada.

- Mas não é essa a ideia, Cindy... isso pode até acontecer, mas amanhã eu e o Mick vamos conversar e encontrar a melhor saída...

- Saída? Clara, você está ouvindo o que você está dizendo? Você é muito ingênua, parece uma criança pronta a entrar na jaula de um tigre, dizendo que vai convencê-lo a não te morder...

- Mas o Mick é meu amigo e tem sido um cavalheiro comigo, desde o dia em que nos conhecemos... não acho que ele irá se aproveitar da confiança que tenho nele...

- Jenni, você que já transou com ele... o que você diz?

- Melhor comprar camisinha, Clara... - ela sorriu. - Ele nunca tem...

- Vocês acham que isso vai... Estava me sentindo tão civilizada por tentar resolver essa questão com alguma dignidade...

- Querida, sei que não é da nossa conta, que já faz tempo que ele te persegue, que você nunca foi totalmente indiferente a ele e que você está em um momento delicado da sua relação com o Jack, mas não vá fazer a bobagem de arranjar um amante logo agora... se o Jack descobre, nem sei o que pode acontecer.

- Mas eu não quero um amante... eu quero só conversar com ele... tentar deixar isso tudo para trás... - Clara disse com os olhos cheios de lágrimas. - Você acha que estou sendo ingênua, então...

- Está, querida... mas nós te amamos e estamos do seu lado, qualquer que seja a decisão que você resolver tomar e também estamos aqui para o que você quiser ou precisar...

- Eu vou a Paris amanhã, de manhã... se quiser qualquer coisa, me liga... vou estar no meu apartamento lá pelas 10.

- Ok, obrigada Jen...

- Mas o Mick é terrível... - Cindy disse ajeitando os cabelos de Clara que estavam soltando-se do rabo de cavalo. - Eu sei que não tenho nada com isso, mas não deixa sua culpa te paralisar... nem te levar a fazer coisas que você não quer... nós te amamos...

- Obrigada, minhas amigas... vocês estão me ajudando muito... - Clara arrumou-se novamente e achou melhor descer para a sala de estar, para evitar que Jack ficasse desconfiado de alguma coisa.

David estava sentado ao piano, mostrando uma nova melodia para Jack que tinha acabado de compor.

- Amor... vem ouvir isso... Olha que música linda o David está fazendo para você...

Clara sorriu e encaixou-se nos braços de Jack para ouvir a nova música. Sentia-se ainda mais apaixonada por ele e este sentimento, dava forças a ela para enfrentar o que acontecesse no dia seguinte, com a cabeça erguida.

Continua

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