1 de jun de 2012

Rockstar - Capítulo LXXXVI


- Querida, me lembrei de uma coisa... naquele ano, depois do final da turnê europeia, voltamos para casa, passei um mês com a Mary e meu filho e ela engravidou novamente... era a Kate... o Brad queria gravar o novo disco nos Estados Unidos, mas eu e os rapazes não queriamos viajar, a esposa do Dave também estava grávida e nos mudamos todos para Londres. Foi o nosso melhor ano até então... estávamos em casa todo o tempo, foi uma temporada muito feliz... talvez seja por isso que desejo tanto ficar longe de tudo quando você estiver grávida, amor...

- A diferença agora é que mesmo na estrada, onde quer que você esteja, eu estarei também... não precisamos nos afastar de nada, amor... estaremos juntos...

- Tem razão, querida... acho que esta turnê será mesmo  diferente, você estará comigo todo o tempo...

- Exato... - sorriu Clara. - e te mimando tanto, que você vai achar que está em casa, não na estrada...

- Minha casa é aqui... - sorriu Jack. - No meio destes bracinhos e perninhas finas... amor...

- Eu te amo, Jack... - Clara sorriu e beijou-o.

Jack então levantou-se, pegou-a no colo e levou-a de volta ao quarto onde os dois passaram o resto da tarde se amando. Levantaram-se da cama depois que escureceu, tomaram um banho rápido, vestiram roupas quentes e foram até o apartamento de Kate, levando todos os presentes que tinham comprado para ela e para o bebê no Brasil e mais um bouquet de rosas e uma garrafa de vinho que compraram no caminho.

A nevasca prevista tinha chegado durante a tarde e provocado algum transtorno na cidade. Antes de sair, Jack ainda pediu para um funcionário do hotel ajudá-lo a preparar os pneus do Jeep para enfrentar as ruas ainda cheias de neve.

- Que bom... chegamos, querido... - Clara disse quando chegaram na porta do prédio de Kate. - Então, amor... mais tranquilo agora?

- Não... estou com medo...

- Medo?

- Acho que a Kate não quer mais vir para casa, por isso não quis almoçar conosco hoje...

- Não, amor... não acredito nisso... acho que hoje foi uma despedida para eles... acredito que ela esteja se preparando para ir para casa...

- Espero que sim, amor... estou nervoso mesmo...

- Vem cá... - Clara disse puxando-o para mais perto e beijando-o. - Fica tranquilo, meu amor... tenho certeza que você sairá deste apartamento muito feliz hoje... vamos lá?

- Eu te amo, Clara... - Jack sorriu.

- Eu também te amo, Jack.

Carregados de sacolas, os dois desceram do carro e entraram rapidamente no prédio, fugindo do vento gelado que agora soprava trazendo ainda mais neve.

- Jack, Clara... que alegria tê-los aqui... - Mark disse ao abrir a porta. - Entrem, por favor... a Kate está na cozinha às voltas com o jantar...

Os dois entraram  e foram até a sala de estar, onde deixaram suas sacolas e tiraram os casacos.

- Vou lá ajudá-la, Mark... - sorriu Clara.

- Acho que ela não precisa de ajuda, Clara... - respondeu Mark. - Não se preocupe...

- Eu gostaria de ajudar de qualquer forma... gosto muito de cozinhar... - Clara respondeu levantando-se do sofá e caminhando até a cozinha.

- Ela gosta mesmo de cozinhar, Mark e cozinha muito bem... - sorriu Jack. - Mas isso vocês verão com seus próprios olhos lá em casa...

- Olá, Kate... quer uma mãozinha? - Clara disse ao chegar na cozinha. - O que posso fazer por você?

- Oi Clara... - respondeu Kate atrapalhada, mexendo uma panela de risoto. - Obrigada pela ajuda... Me atrasei porque o pequeno Jack não parava de chorar hoje...

- Mas ele está bem?

- Sim, querida... levei-o até o médico... ele me disse que são só gases... dei o remédio que ele receitou e agora ele está dormindo... mas me atrasei para fazer o jantar...

- Não se preocupe, querida... o que posso fazer?

- Mexe isso para mim, que vou fazer a salada... - sorriu Kate. - É um risoto...

- Eu sei, querida... pode ir, sou boa de risotos... - Clara sorriu. - Fica tranquila...

- Obrigada Clara... o Mark brigou tanto comigo porque decidi fazer a comida, ao invés de comprar em algum lugar...

- Homens... eles nunca entendem... - sorriu Clara. - Se bem que seu pai é sempre tão doce comigo...

- Querida... vou lá na sala cumprimentá-lo e já volto... Obrigada pela ajuda...

- Não se preocupe que tudo está sob controle aqui... vai lá abraçá-lo, querida...

Kate foi até a sala de jantar e voltou com o bouquet de rosas nas mãos, alguns minutos depois.

- Obrigada pelas rosas, Clara... são lindas... adoro flores, mas o Mark é exatamente o oposto do meu pai, acho que ele é o cara menos romântico do mundo...  - Kate sorriu enquanto pegava um vaso para colocar as flores. - Já meu pai, lembro que quando ele estava em casa, nas raras vezes em que estava, muitas vezes ele mesmo cozinhava  e  tratava minha mãe como uma rainha...

- Ele me trata assim também, Kate... e não é porque estou apaixonada por ele, mas é o homem mais gentil e doce que já conheci... e quanto mais o conheço, mais o amo...

- Dá para ver em você, Clara... - sorriu Kate. - Você tem a aparência de alguém capaz de flutuar no ar e brilhar no escuro, querida...

- Me sinto assim, quando eu e Jack estamos juntos... mas tem uma coisa que está me incomodando há alguns dias e eu gostaria que você me ajudasse a entender...

- Pode dizer, Clara...

- Estávamos no Brasil descansando e repentinamente o Jack me disse que abandonará tudo, a banda, a carreira, quando eu engravidar... Você acha que ele faria isso?

- Hum... você já deve ter notado isso, mas meu pai é completamente imprevisível... Já o vi fazer coisas por impulso, que ninguém mais faria... Você não quer que ele se aposente?

- Não... na verdade acho que isso irá destruir a vida dele, porque sei que ele ainda ama muito a música e não consegue viver sem ela...

- Mas ele também te ama muito... e isso de abandonar tudo, ele fez isso quando a minha mãe estava me esperando. Lutou contra a banda e contra o Brad até conseguir ficar em Londres para gravar o disco... foi obra dele... já fez isso antes e, não será surpresa se fizer novamente... Sabe... meu pai é um homem muito romântico... ele é capaz de fazer qualquer coisa quando está apaixonado, como está agora...

- Ele me disse mais uma coisa, Kate...  que ainda dói muito para ele voltar para a Crossroads... que está fazendo por mim, mas que ainda é difícil para ele...

- Viu... ele é mesmo capaz de qualquer coisa por amor... ele te ama tanto que se dispôs a voltar com a banda...

- Mas ele tinha me dito antes que não sentia mais tanta dor e por isso voltaria para a banda...

- Acredito nisso também, querida... dá para ver que ele está melhor... meu pai, era uma pessoa muito triste antes de te conhecer... Olha, eu não deveria te contar isso, mas ele vivia deprimido, bebado... sei que me afastei dele, por causa do casamento, mas sinceramente me preocupava com as coisas que minha mãe me contava e eu cheguei a indicar uma terapeuta para ele há uns três anos. Ele não sabe disso, mas eu fiz minha mãe convencê-lo a se tratar...

- Ele me disse que fez terapia...

- Sim... ele fez... não era muito constante,  mas acredito que tenha ajudado... você sabe que ele se culpa pela morte do Don, não?

- Sei... sinto a dor dele dentro do meu próprio peito quando ele fala sobre isso...

- Então... aí está a raiz de todos os problemas dele... se você conseguir curar isso... então você terá o melhor marido do mundo, querida... - Kate sorriu.

- Acho que o risoto está pronto... - sorriu Clara. - e está com uma cara linda...

- Espero ter acertado a mão desta vez... - Kate disse despejando o risoto em uma travessa de louça para levar até a sala de jantar. - Me ajuda a levar tudo lá dentro?

Clara e Kate pegaram as travessas com comida e levaram até a mesa de jantar. Risoto  de queijo, carne assada com batatas e uma salada verde. Comida simples, mas muito boa.

- Delicioso, querida... - sorriu Jack. - Você está cozinhando muito bem...

- Obrigada papai... é muito bom recebê-los aqui... - Kate sorriu. - Então, como foram as férias no Brasil?

- Maravilhosas... vocês deveriam ir para lá também... ficamos na casa do Dave, na Bahia... - Jack disse. - Depois fomos para o apartamento da Clara em São Paulo.

- Agora vai demorar um pouco para podermos viajar de férias... - Mark respondeu. - O pequeno Jack precisa crescer um pouco para que possamos fazer isso novamente...

- Como ele está? Eu e o Jack estamos loucos para vê-lo...

- Lindo! - sorriu Mark. - ele era tão pequenininho quando nasceu que todas as roupinhas sobravam nele, agora ele está maiorzinho, ganhou peso... vocês irão vê-lo depois do jantar... E vocês? Quando farão o seu?

- Vou me operar na próxima semana... - disse Jack. - Desfazer a vasectomia e a partir daí, tentaremos ter o nosso filho...

- Eu sou um cara muito prático, Jack, mas ter um filho muda tudo mesmo... sou apaixonado por aquele menino desde que o vi pela primeira vez e ele quase cabia na minha mão...

- Sei do que você está falando, Mark... amo muito meus filhos... todos eles, até os que quase nunca vejo... Então, vocês vão para casa?

- Vamos sim, papai... estamos ainda resolvendo os problemas de nossa ONG, mas hoje fizemos um almoço de despedida para apresentar nossos substitutos para as pessoas que atendemos... foi triste, mas sabemos que podemos começar tudo de novo, em Londres... mais perto de você e da mamãe...

- Que bom, querida... - Jack sorriu e piscou para Clara. - Obrigado por aceitar... será lindo ter vocês por perto... Sabe, nossa casa está pronta e mandamos fazer um quarto lindo nela para o pequeno Jack... você vai ver...

- O quarto tem duas ligações, uma porta para a nossa suite e outra para um quarto de hóspedes anexo, onde vocês podem ficar, ou colocar uma babá... a escolha é de vocês...

- Obrigada Clara... vocês são mesmo muito queridos conosco... Vamos para Londres na semana do show e pretendemos ficaremos hospedados na casa de vocês, se não for incomodar...

- De maneira alguma... - sorriu Clara. - Será um prazer tê-los por lá... Então, Jack... pronto para mimar seu neto?

- Muito, querida... você sabe que vamos estragá-lo completamente, não, Kate?

- Sei... mas eu também o mimo todo o tempo... ele é muito lindo, papai... vocês verão...

- Estamos muito felizes querida... aliás... trouxemos um presente para você... - Jack tirou do bolso do paletó a caixinha com o colar de pedras preciosas que comprou no Brasil para ela. - Espero que você goste...

- Papai... não precisava... - Kate disse abraçando-o. - Que lindo! Obrigada!

- Comprei no Brasil é de pedras preciosas de lá...

- Lindo! Obrigada mesmo... Coloca no meu pescoço... Olha só, como ficou lindo...

- Lindo mesmo, Kate... - disse Clara. - Vou te ajudar com a louça, querida...

- Não... a louça é meu trabalho... meu e do Jack... - disse Mark. - vocês descansam agora... o pequeno Jack já vai acordar para mamar...

- Sim... e quando ele acordar, vamos todos vê-lo... - disse Kate.

- Ah... temos mais presentes... estas sacolas... são coisas bonitinhas que compramos no Brasil para ele...

- Meu Deus... meu filho vai precisar de um closet do tamanho deste apartamento... - riu Kate. - Obrigada... vocês são maravilhosos...

A babá eletronica começou a trazer o choro do pequeno Jack até eles e Kate levou todos ao quarto para vê-lo, enquanto cuidava dele.

- Ele é lindo, amor... - disse Clara pegando-o no colo. - Tira uma foto nossa, Jack? Já desliguei o flash e regulei a câmera, é só bater...

- Também quero uma foto, querida... - sorriu Jack. - Meu Deus como esse menino é lindo...

- Ele é mesmo... igualzinho você, Grandão...  Olha como a foto ficou linda!

- Me dá a câmera, Clara... - disse Kate. - Fica junto com o papai...

Os dois sairam do apartamento de Kate encantados e com uma grande coleção de fotos do pequeno Jack e combinaram com Kate e Mark, voltarem no dia seguinte para passarem o dia juntos e ajudarem nos preparativos para a mudança.

- Então, querido... não disse que daria tudo certo? Que sua filha estava se preparando para ir para casa?

- Clara, meu amor... eu estou tão feliz que quero pedir champagne assim que chegarmos no hotel... Se não fosse congelar, iria ao lago Michigan nadar um pouco...para comemorar... vamos dançar nus na neve?

- Ah meu amor... eu também estou muito feliz... acho que podemos dançar nus sim... mas na nossa suite, querido... Que tal?

- Perfeito! Os americanos são um povo muito chato... logo alguém chamaria a polícia e não estou com vontade de passar o resto da vida explicando aos jornalistas que não sou maluco, apenas gosto de ficar nu quando estou feliz...

- Vamos para o hotel, Grandão e você vai me explicar muito bem tudo isso... como é esta história de gostar de ficar nu quando está feliz...

- Ah Menininha... é tão bom estar aqui, com você... Você deixa tudo ainda melhor... meu coração parece que vai explodir de tanta alegria, querido... Amanhã estaremos com eles novamente... o pequeno Jack é lindo, não?

- Lindo mesmo, querido... Sabe... quando olhei para ele hoje... parece que já consigo vê-lo com uns 4 ou 5 anos brincando nos jardins da nossa casa, junto com o nosso filho... perguntando para a mãe dele como aquele menino tão pequeno pode ser tio dele? Falando nisso... agora teremos crianças pequenas frequentando nossa casa, precisamos mandar colocar uma rede na piscina...

- Faremos isso, querida... mas ainda é muito cedo, o pequeno Jack ainda vai demorar um bom tempo para começar a andar... E nosso filho, ainda nem foi feito...

- Vamos fazê-lo logo, meu amor... assim que pudermos... não vejo a hora de estar grávida...

- Já estamos chegando, querida... preciso tanto te beijar agora...

Jack e Clara desceram do carro e o entregaram ao manobrista do hotel, onde entraram abraçados e seguiram até seu elevador de vidro, onde finalmente se beijaram apaixonadamente e continuaram agarrados um no outro até chegarem ao 46º andar.

- Vou ligar para o serviço de quarto agora, amor... - Jack disse assim que entraram na suite. - Peço mais alguma coisa além do champagne, amor?

- Morangos...

- Hum... acho que nossa lua de mel está recomeçando...

- Ela nunca terminou, querido... - sorriu Clara.

Enquanto Jack falava com o serviço de quarto na sala, Clara trocava de roupas no quarto e vestia um conjunto de lingerie de seda preta que tinha comprado em Paris.

- Amor... Você não vem deitar-se? - Clara disse indo até a sala onde encontrou Jack desligando o celular e colocando-o rapidamente no bolso. - Quem estava te ligando a essa hora?

- Ninguém, querida... era só o Dave querendo saber se tudo estava bem?

- O Dave? Mas espera, se aqui é uma da manhã, em casa...

- São  sete da manhã... o Dave estava tomando café em Heathcliff Hall, querida...

- E por que você deu um pulo quando me viu entrando aqui e escondeu o celular rápido, no bolso, Grandão?

- Porque não queria que ele me atrapalhasse agora... você está linda, Menininha...

Clara pareceu aceitar a resposta do marido, momentaneamente, não disse nada, mas todo tipo de desconfiança rondava sua cabeça, que se acalmou um pouco apenas depois que o champagne e os morangos chegaram.

- Então... onde paramos mesmo? - Jack disse voltando para o quarto com o carrinho de serviço e tirando o roupão que tinha vestido para buscá-lo no corredor. - Ah! Estava falando o quanto você está linda... agora... assim... nua...

- Vem aqui, Grandão... você está falando demais hoje...

O celular de Jack, que estava ao lado da cama, tocou novamente.

- O celular, Jack... - Clara disse interrompendo os carinhos. - Você não vai atender?

- Deixa tocar....

Mas Clara pegou o telefone em suas mãos e viu o nome de David na tela. - É o David... - ela disse entregando o aparelho nas mãos de Jack e levantando-se da cama. - Melhor atender, ele deve ter esquecido de te dizer alguma coisa...

- Clara... - Jack chamou-a de volta, mas em vão. Ela já tinha vestido seu roupão de seda e ido até a sala de estar da suite, com seu tablet nas mãos. A cabeça rodando, sua desconfiança de que Jack tinha mentido transformada em certeza. Mas mentido por que?

Ela parecia buscar na internet uma resposta para o que fazer, depois de tudo o que tinham vivido juntos, tinha que voltar a enfrentar uma mentira dele.

- O que foi meu amor? - disse Jack saindo do quarto e caminhando até ela, na sala de estar.

- Nada... - ela respondeu sem tirar os olhos do tablet. - Então, o que o David queria?

- Saber quando voltaremos para casa...

- Ah... então ele não tinha perguntado quando ligou antes?

- Desculpa, querida... não era ele antes...

- E você mentiu para mim, porque...

- Era a Ann, ela queria me perguntar sobre uma música que eu encontrei, em uma pesquisa que fiz em New Orleans.

- Sei... isso tudo eu entendo... o que eu não entendo é por que você mentiu para mim?

- Me perdoa, querida... fiz sem pensar... fiquei com medo de você brigar comigo porque aquela louca me ligou...

- Eu não ia brigar com você, mas não mente mais para mim... por favor... - Clara disse levantando-se do sofá, indo até ele e abraçando-o. - Por favor, Grandão...

- Ah, meu amor... - Jack disse pegando-a no colo e levando de volta até a cama, onde os dois voltaram a se amar.

Continua

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