28 de mai de 2012

Rockstar - Capítulo LXXXV


Pegaram no sono por alguns minutos, mas depois de tanta paz, Clara acordou repentinamente, confusa, assustada e de um pulo levantou-se do sofá.

- Amor... o nosso jantar... precisamos nos preparar, estamos atrasados...

- Ah? O que? - Jack acordou meio zonzo. - Calma, amor... olha o relógio ali... são só quatro e meia...

- Mesmo? - Clara riu quando conseguiu ver o relógio na estante. - Achei que já era noite...

- Não é, Menininha... - riu Jack. - Volta aqui... estou com frio...

Clara deitou-se novamente com ele no pequeno sofá e os dois namoraram até serem interrompidos pela ligação de Jonas, confirmando que iria com eles ao jantar e de Michael Peters, a seguir, perguntando se ela estava mesmo disposta a dar uma entrevista a Roberto Junqueira.
Depois de dar um longo suspiro, Clara aceitou e ele disse que agendaria uma entrevista por telefone, em um dos dias em que atenderiam a imprensa.

- Acho que logo trabalharemos muito, amor... - Clara disse abraçando Jack. - Quero mais férias...

- Eu também... nunca vou me cansar de estar assim, em paz, com você... Você vai atender aquele palhaço, então, amor?

- O Peters vai agendar uma entrevista por telefone, no meio das tantas entrevistas que já estão marcadas.  Tenho a impressão de que nunca conseguiremos nos livrar dele, querido...

- Não tem importância, amor... Vem, vamos nos preparar... está começando a ficar tarde, o Jonas disse que estará aqui às sete... ainda temos que prender seu cabelo, o meu...

- Não estou com vontade de me disfarçar hoje, amor...

- Tudo bem por mim, querida... você que sabe...  ficou nervosa agora, não?

- Como você sabe que estou nervosa?

- Sua voz... ela fica um pouquinho  mais aguda quando tem alguma coisa te incomodando... Já notei que ela costuma ficar assim quando o Jagger está por perto...

- Fica é? Bem, acho que não consigo mesmo guardar nenhum segredo de você... estou nervosa sim, acho que já te disse que a parte da minha família que encontraremos hoje não é  minha favorita...

- Amor... tudo mudou na sua vida agora... Você está feliz, milionária e mais linda do que nunca... Eles não podem te magoar mais...

- Mas certamente irão me magoar... Quantas vezes eu estava muito feliz e quando os encontrava, eram tantas as críticas e tão duros os olhares de reprovação que eu voltava para casa arrasada...

- A família do meu pai fez bem pior, Menininha... eram muito ricos, mas quando ele decidiu casar-se com minha mãe, que era de uma família de operários, eles afastaram-se e o abandonaram à propria sorte. Era a época da Segunda Guerra e quando minha irmã nasceu, eles mal conseguiam sustentar-se. As coisas só ficaram um pouco melhores depois, quando eles se mudaram para Stourbridge, para meu pai poder trabalhar em um grande projeto de construção de uma vila de operários por lá...

- Eles sempre foram cruéis comigo, com meus pais e com meus irmãos... às vezes acho que a única coisa que importa para eles é o dinheiro, por isso a  minha família na cabeça deles sempre estava errada porque não éramos como eles, não seguiamos aquela mentalidade do trabalhe em qualquer coisa, não importa o que, só o quanto você ganha...

- Mas seus livros, eles fizeram sucesso...

- Não importa para eles, sempre achavam um jeito de me criticar e diminuir qualquer alegria que eu pudesse sentir pelo sucesso que eu fiz. Nada que eu fazia importava para eles, prêmios, entrevistas, elogios... eles sempre procuravam alguma coisa para me jogar para baixo... - ela disse com os olhos molhados de lágrimas.

Jack abraçou-a e ficou segurando-a nos seus braços por alguns minutos. - Hoje eles não farão isso, Menininha... eu estarei lá para te proteger... Vou pedir ao Jonas para me traduzir tudo o que falarem com você e se eles disserem qualquer coisa rude, saberei muito bem como responder...

- Jack, você é maravilhoso comigo... eu te amo...

- Vem... vou cuidar de você... vamos tomar um banho, fazer uma massagem e vou te deixar tão linda que faremos com que todos se calem...

Os dois entraram no chuveiro juntos e Jack cuidou de Clara como tinha prometido e depois de uma massagem relaxante com óleos essenciais, ele a vestiu, secou  e arrumou seus cabelos e até a maquiou.

Por último, ele pendurou o colar com o coração de diamantes que tinha dado a ela há poucos dias e estavam prontos para sair.

- O Jonas já chegou, amor, está subindo...  - Clara disse depois de atender seu celular. - Vamos embora?

- Pegou tudo, querida?

- Sim... falta só minha bolsa e o álbum de fotos para devolver para minha mãe...

- Você está linda! - Jack disse pegando sua mão e beijando-a. - Uma rainha...

- Ah, querido... eu te amo muito e te agradeço muito por tudo o que fez por mim...

- Eu te amo, querida...

Jack abriu a porta do apartamento para Jonas.

- Boa noite... - sorriu Jonas. - Nossa! Vocês vão assim? Sem disfarce?

- Boa noite, Jonas... - respondeu Jack. - Amanhã, nós já vamos embora, acho que é importante que a Clara vá hoje como ela se sente melhor...

- Tem razão... - sorriu Jonas. - Qualquer coisa temos o Moreira e os três homens dele, não?

- Exatamente! - riu Jack. - Nós os contratamos para isso...

Os três foram até a garagem, subiram na bela Mercedes preta de Moreira e seguiram para a Vila Olimpia, bairro onde ficava a badalada pizzaria que sua família tinha escolhido para aquele jantar.

A viagem foi lenta, com o habitual trânsito pesado das sextas-feiras incomodando o caminho, mas eles chegaram no horário combinado, entraram no restaurante e tiveram uma noite muito agradável.

Clara distribuiu o novo disco da Crossroads para algumas pessoas e convidou todos para irem a Londres ver o show de estreia, recebendo como resposta todo o tipo de desculpas; como já tinham feito  anteriormente com o convite para o casamento e mais uma vez, ela fez questão de deixar claro que bancaria a viagem dos pais, irmãos e amigos mais próximos, mas que as outras pessoas deveriam custear sua viagem.

- Você está brilhando hoje, querida... - Jack sussurrou no ouvido de Clara. - Tenho muito orgulho de você!

- Eu te amo, Jack. - ela disse em seu ouvido. - Meu amor... eu tenho muito orgulho de você também!

Com o carinho e atenção que recebeu de Jack por toda a noite, Clara sentia-se agora relaxada em um ambiente que sempre a deixava tensa e depois de conversar com todos, Jack, Clara e Jonas partiram do restaurante no final da noite, acompanhados pelos seguranças que tinham contratado.

- Clara, querida... você parou diversos corações naquela pizzaria hoje... - sorriu Jonas. - E nem precisou de mim para proteger-se... Mas acho que já está na hora de plantar um canteiro de arruda no seu jardim, em Londres, querida...

- Você acha, Jonas?

- O que é arruda? - Jack perguntou intrigado.

- É uma planta que dizem ser boa para espantar a inveja... - sorriu Clara.

- Hum... Será que conseguiremos encontrar esta planta em casa? - disse Jack. - Quero fazer uma plantação disso no nosso jardim, amor...

- Sempre tive alguns vasos dela em casa, vou pesquisar se ela pode ser encontrada em Londres, amor...

- Mas você acha isso, Jonas? Que eles estavam com inveja?

- Sempre te disse isso, Clarinha... elas te criticam tanto porque queriam ser você... hoje isso estava mais claro do que nunca... A sua prima tentando diminuir seu anel de noivado foi a pior parte...

- O que? Quem é sua prima? Aquela loira que estava sentada perto do Jonas? O que ela fez?

- Exato, amor... Ela pegou minha mão e perguntou que pedra era aquela no meu anel e eu disse que era um diamante... ela respondeu... tem certeza? Diamantes não são dessa cor... eu perdi a calma e respondi... não são porque este é raro, tem 25  quilates, é da Tiffany's de Londres, mas nada disso importa de verdade, o melhor deste anel é que ele muda de cor conforme a luz... como os olhos do meu marido...

- Cheque mate! - riu Jonas. - Eu sei que ela é sua prima, mas eita mulherzinha mais chata... Engraçado, seu pai é um cara tão bacana, como ele pode ter nascido no meio dessa família?

- Não sei, querido... - riu Clara. - Bom, mas o que importa é que vi todos, conversei com todos, e agora não podem mais alegar que os abandonei...

- Gostei da ideia de você ter convidado algumas pessoas para irem em casa agora... - sorriu Jack. - Gosto dos seus amigos, Menininha!

- Queria conversar com eles com mais calma... aliás, vou ligar para o bar e pedir que eles entreguem alguma coisa para todos comerem...

- Bolinho? - sorriu Jack.

- Sim, amor... vou pedir umas 5 porções... Todos amam esse bolinho... Tem mais algumas coisas em casa, queijos, azeitonas... vou passar na padaria também, para pegar um pouco de pão e ums patês...

- Se eu soubesse disso, teria comido um pouco menos, querida...

- Decidimos na hora, amor... quando minhas tias começaram a monopolizar a conversa com aquela história de que era muito perigoso casar, sem conhecer bem a pessoa...

- Deus! Elas disseram isso?

- E não é tudo, Jack. - riu Jonas. - Uma delas disse que conhecia alguém que ganhou uma bolada na loteria e que, do mesmo jeito que ele ficou rico, da noite para o dia, ele perdeu tudo e foi parar na rua, virou mendigo...

- Acho que precisaremos fazer um reflorestamento inteiro daquela tal erva! - riu Jack. - Imagina quando o Jonas comprar o nosso apartamento aqui... 

- Eu? - riu Jonas. - Que apartamento?

- Ainda não te disse, mas o Jack quer comprar um apartamento perto do parque do Ibirapuera, para usarmos quando viermos para cá...

- Posso ver isso para vocês... mas você sabe que é caro, não? - perguntou Jonas.

- Sim, a Clara me disse... queria que ela passasse toda a gravidez aqui, mas ela não quer... Está preocupada que eu largue de vez minha carreira...

- Estou sim, amor... - sorriu Clara. - Mas vamos fazer tudo certo, não Jonas? Você procura um apartamento bom para nós, uns 3 ou 4 quartos, perto do parque, em uma rua tranquila, depois eu e o Jack cuidamos do resto, não é querido?

- Isso mesmo... quero um andar bem alto e,  se possível, uma cobertura ou com uma  varanda grande, onde minha mulher possa ter um jardim...

- Vou trabalhar nisso a partir da próxima semana... - sorriu Jonas. - Estamos chegando...

- Será que nossos convidados já chegaram? - disse Clara tentando olhar os arredores, enquanto o carro aproximava-se da entrada da garagem.

- Clara, deixa que eu vou à padaria buscar o que falta... faz uma lista do que precisa, que eu trago. - disse Jonas. - O bar vai trazer as outras coisas? Vocês têm bastante vinho, não?

- Tem umas duas ou três  garrafas... é pouco, não?

- Passo no mercado também, vou trazer mais umas 3... o pessoal que vem aqui bebe bem...

- Traz umas 6, então, Jonas... - sorriu Jack. - Eu e a Menininha queremos que esta noite seja especial...

- Ah, Jonas... traz alguma coisa doce, um sorvete, uma torta ou um bolo... e uma garrafa de refrigerante... para salvar quem exagerar na bebida... - disse Clara.

Tudo tranquilo ao redor do prédio e Jonas saiu rápido para as compras, enquando Jack e Clara prepararam-se para receber seus convidados.

- Que bom que você ainda está aqui, Jack... - sorriu Clara. - Achei que você fugiria de mim depois que conhecesse o resto da minha família...

- Não fugiria de você, amor... agora, deles...  não consigo mentir, pelo que vocês comentaram... Ufa! Será que seus pais não querem mudar-se para Londres?

- Não, querido... - riu Clara. - Meus pais amam isso aqui e não se acostumariam por lá... meu pai odeia frio... 

- Uma pena... mas estaremos sempre por aqui, o Jonas vai procurar um apartamento para nós...

- Vai, não é... você odiou o meu apartamento...

- Não, amor... eu gostei muito daqui... só acho que podemos ter mais espaço e mais conforto, especialmente quando você estiver com um barrigão enorme, esperando pelo nosso filho... - riu Jack. - Não vamos caber juntos nesta cozinha, quando isso acontecer...

- Isso é muito doce, querido... - Clara riu. - Corta este queijo em cubos pequenos para mim, vou pegar mais taças de vinho no armário...

Os amigos de Clara foram chegando, Jonas também voltou das compras e logo todos estavam reunidos na pequena sala de estar, conversando, sentados em almofadas e no tapete, já que os sofás nunca conseguiam mesmo comportar muita gente.

Mais do que relaxada, Clara agora mostrava-se radiante, fazendo planos para passear em Londres com as amigas e mostrando fotos e vídeos que tinha feito durante as férias na Bahia.

Jack também estava muito feliz, conversando com os amigos de Clara como se fossem velhos amigos seus e a noite foi longa, com todos partindo para casa quando o dia já estava amanhecendo.

Antes de ir, Jonas ainda ajudou Jack e Clara a arrumarem a cozinha, mas acabou indo embora também, um pouco mais tarde, deixando-os sozinhos para finalmente descansarem.

- Você está brilhando no escuro hoje, Menininha... - sorriu Jack. - Sinto a tua alegria aqui... no meu peito, meu amor...

- Estou feliz, meu amor... Você me fez muito feliz hoje... vem, quero te fazer feliz agora... - Clara disse puxando-o para o quarto, onde os dois despiram-se e deitaram-se para dormir agarrados.

A manhã de sábado já ía alta, quando Jack acordou-a beijando suavemente seu corpo, tirando-a de um sonho em que os dois, em uma era distante, se amavam no campo de alfazemas, próximo de sua casa na montanha.

- Bom dia, amor... - sorriu Jack. - Tive um sonho tão doce com nós dois que não consegui te esperar acordar...

- Eu também estava tendo este mesmo sonho, querido... e adorei acordar com seu carinho... - ela disse acariciando os cabelos longos de Jack. - Estou triste hoje, vamos embora, daqui a pouco...

- Mas estaremos juntos, meu amor...

- Eu sei, querido... - Clara respondeu sentindo as lágrimas molharem seu rosto. - Não sei se consigo explicar... sinto saudades de cada minuto maravilhoso que passo ao seu lado...

- Não precisa sentir saudades... - Jack disse secando as lágrimas de Clara com a ponta dos dedos. - Estamos juntos... todos os nossos minutos serão sempre assim, Menininha... quero ver um sorriso agora...

Clara beijou-o e os dois logo se levantaram, tomaram banho juntos e saíram disfarçados para tomar café da manhã na padaria.

- Não vou sentir saudades dessa peruca, amor... - sorriu Clara. - Sinto falta de deixar meu cabelo voando ao vento...

- Vamos trocar a peruca e o boné por toucas... Chicago é um gelo nesta época do ano...

- É mesmo... - Clara suspirou. - Mas será tão bom pegar o pequeno Jack no colo, que nem estou me preocupando com o frio...

- Eu também, meu amor... Vou ligar para a Kate daqui a pouco para ver como estão as coisas...

- E o David?

- O que tem ele?

- Você não vai ligar para ele?

- Não... ainda estamos de férias, não tenho pressa de voltar ao trabalho... pensa assim, querida, se ele não está me ligando é porque está tudo bem...

- Tem razão, querido... acho que sou ansiosa demais com algumas coisas, mas acho que precisarei ligar para o Mick, saber sobre a tal reunião.

- Pode ligar, querida... - sorriu Jack. - Já te disse que será melhor para nós dois você ir para Paris e ficarmos longe um do outro durante a semana toda. Você não gosta de Paris?

- Gosto... mas ainda prefiro cuidar de você. - sorriu Clara. - Quer saber? Vou ligar para o Mick, saber o que está acontecendo e depois me decido. Será que ele ainda está em Barbados?

- Deve estar, querida... uma vez que os Stones começam é difícil que eles parem antes de terminar...

- Ah, amor... vou ligar de uma vez para ele... que horas são em Barbados agora?

- É cedo lá, querida... o fuso horário é parecido com o dos Estados Unidos. Deve ser muito cedo...

- Verdade, querido...

- E seus pais? Já ligou para eles?

- Combinei tudo ontem, vamos almoçar lá e passamos o dia com eles. Quando sairmos, já colocaremos toda a bagagem no carro e de lá vamos direto para o aeroporto.

- Vamos deixar tudo pronto então, quando voltarmos para o apartamento. Falta pouca coisa para embalar e você está tristinha de novo...

- Sou assim, querido... sinto demais quando estou muito feliz em um lugar e tenho que ir para outro. Eu sei que ficaremos bem, que estaremos felizes, mas meu coração fica triste assim mesmo...

- Nada de tristeza, Menininha... vou te mimar tanto, que toda essa tristeza vai embora de você...

- Você é lindo, meu amor... e consegue sempre iluminar meu dia...

Os dois voltaram para casa, terminaram de organizar a bagagem, trocaram de roupa e decidiram que não usariam disfarces. Foram para a casa dos pais de Clara, almoçaram uma deliciosa lasanha de camarão, conversaram, divertiram-se e fizeram planos para o próximo encontro da família, em Londres e quando já eram quase cinco e meia da tarde, partiram para o aeroporto.

O voo estava marcado para as 10 da noite, mas o trânsito de São Paulo os obrigava a sair com bastante antecedência, pois mesmo em um sábado era completamente imprevisível o que eles encontrariam pelo caminho.

- Vamos chegar rápido hoje, amor... - sorriu Clara. - O trânsito está tranquilo...

- Pena que não é o outro aeroporto... a casa dos seus pais é tão perto...

- Pois é, amor... Meu celular está tocando... - disse Clara. - É o Mick... Alô...

- Como você está, querida?

- Tudo bem, Mick... achei que você fosse me ligar...

- Desculpe, estava esperando uma resposta do Summers. Ele é um pouco complicado, às vezes...

- Percebi...

- A nossa próxima reunião será mesmo em Paris, querida... ele vai a um evento lá e quer nos encontrar, a única coisa que consegui é que não será mais no dia 29, mas no dia 30 de outubro, no Hotel Georges V, às 4 da tarde.

- Melhorou... - sorriu Clara. - Assim, posso sair de Londres, no dia 30, de manhã, ir à reunião e voltar para casa assim que ela terminar para cuidar do meu marido.


- Onde você está agora, querida?

- Ainda no Brasil, mas embarco para Chicago daqui a pouco. E você?

- Em Barbados, querida... pensei que não conseguiríamos desta vez, mas já temos algumas coisas muito boas prontas... estou louco para te mostrar...

- Fico feliz, por vocês, Mick...

- Seu marido está ao seu lado, não...

- Sim...

- Ok! Nos vemos em Paris, então, querida... boa viagem, meu amor...

- Obrigada Mick... nos vemos em Paris...

- Então, Menininha... finalmente ele te ligou...

- É... estava esperando acertar tudo com o Summers antes. A reunião será no dia 30, às 4 da tarde, logo depois da reunião vou para o aeroporto e volto para casa para cuidar de você.

- Que bom, amor... - sorriu Jack. - Ele ainda está em Barbados?

- Sim, querido... - sorriu Clara. - Disse que já tem uma porção de músicas prontas...

- Ótimo... Espero que eles se disponham a tocar nas Olimpíadas, no ano que vem, querida...

- Disso eu não sei, Jack... Como fã ficaria feliz com shows dos dois... Gosto muito de ambos e sinto muito orgulho de estar perto de vocês neste momento. Ao mesmo tempo, depois que você me disse que está triste com esse retorno, me sinto culpada por desejar te ver no palco...

- Não se sinta, querida... Ainda teremos algum tempo para decidirmos tudo isso... enquanto isso, quero cuidar de você, te mimar muito... 

- Hum... gostei... adoro quando você cuida de mim... - sorriu Clara encaixando-se nos braços de Jack, enquanto o carro em que estavam cortava rapidamente a cidade.

Clara estava com um pouco de medo do momento de chegar ao aeroporto, mas foi mais uma vez surpreendida pela competência de Moreira. Os dois desceram em uma área do aeroporto usada apenas por autoridades e lá, foram recebidos por funcionários do aeroporto e da companhia aérea que logo encaminharam a sua bagagem para o check in, entregaram suas fichas de embarque e os guiaram através de corredores de uso de funcionários até a sala vip.

- Estamos a salvo, querida. - sorriu Jack. - Fico feliz de termos contratado o serviço do Moreira. Foi caro, mas foi perfeito...

- Também gostei muito, Jack. - sorriu Clara, enquanto tentava acompanhar o passo rápido do funcionário do aeroporto através de um longo corredor, até um elevador. - Oi, você sabe me dizer se tem alguém da imprensa aqui no aeroporto hoje?

- Tem sim, senhora Noble... - sorriu o funcionário. - A segurança me disse que tem uma porção de jornalistas lá embaixo, então, colocamos alguns seguranças na porta do terminal da companhia aérea e eles estão todos concentrados por lá... terão uma surpresa quando perceberem que o voo já partiu...

- Espero que a sala vip esteja tranquila... - sorriu Jack. - Não adianta muito fugir dos jornalista e cair no colo de uma multidão com câmeras nos celulares...

- Está senhor... - sorriu o funcionário. - Mas se houver algum problema, já temos autorização para levá-los à sala dos pilotos.

- Perfeito! - sorriu Clara. - Estaremos tranquilos então, querido... Podemos usar nossos iPads lá, não?

- Sim, sem problemas. - respondeu o funcionário. - Só teremos um pequeno problema... A polícia federal.

- O que tem? - perguntou Clara.

- Os senhores terão que passar pelo guichê da policia federal. Nós os levaremos por uma área de serviço, mas é provável que terá uma fila em que terão que aguardar.

- Isso não é problema... - riu Jack. - Eventualmente encontramos pessoas por aí... não precisamos de tanto isolamento ou um tratamento tão especial assim...

- É porque tem artistas que, quando eu aviso isso, costumam não gostar; alguns até perguntam quanto custa para serem atendidos em particular.

- Não somos assim... - Clara respondeu. - Jamais faríamos este tipo de exigência, não gostamos de tumulto, ou do assédio da imprensa, mas não nos importamos de sermos perturbados por fãs ou curiosos, de vez em quando.

- Bem, chegamos! - sorriu o funcionário ao abrir a porta de vidro da sala vip para que eles entrassem. - Os senhores aguardam aqui. Daqui alguns minutos, um segurança irá levá-los ao guichê da polícia federal.

- Obrigado! - disse Jack, sentando-se em um sofá que encontrou livre na sala. - Menininha, vem aqui, esta sala está muito gelada.

- Está mesmo, querido... - sorriu Clara encaixando-se entre os braços do marido. - Então, vou ligar para o Jonas, ele me pareceu um pouco decepcionado quando você disse que ele não precisava vir ao aeroporto conosco.

- Também achei, querida... mas isso aqui é só chatice... queria poupá-lo.

- Eu sei, amor... mas ele fica chateado, o Jonas é um bom amigo, quer sempre ajudar...

- Daqui uns dias nos encontramos com todo mundo de novo e vai ser muito bom...

- Então, gostou da minha casa?

- Muito, meu amor... Eu consegui te ver aqui por inteiro e senti ainda mais carinho por você...

- Lindo! - Clara beijou-o e os dois só interromperam seu namoro para irem até a fila de verificação de passaporte e depois, voltaram à sala vip onde continuaram agarrados esperando pela chamada de seu voo.

E depois de um voo muito tranquilo, na primeira classe, os dois chegavam em Nova York prontos para fazer sua conexão até Chicago, em um jato particular. Era ainda de manhã cedo quando chegaram ao JFK, passaram pela verificação de passaportes e tiveram uma conversa rápida com o piloto que os levaria até Chicago que deixou ambos apreensivos, pois existia a previsão de uma nevasca nas próximas horas.

- Já estou sentindo falta do sol da Bahia... - sorriu Clara. - Vamos voltar, amor?

- Eu também queria, amor... queria estar na praia, com você, nas nossas pedras...

- Ah Grandão... vamos estar bem... tenho certeza...

- Eu também, querida...

Logo o piloto foi buscá-los na sala de trânsito do aeroporto e eles seguiram com ele em um carro até o pequeno jato que os esperava pronto em um hangar afastado. Desceram rápido e entraram no avião, a temperatura estava muito baixa e um vento úmido soprava aumentando ainda mais a sensação de frio.

- Querida... fica aqui pertinho de mim, que eu te aqueço... Não achei que fossemos encontrar tanto frio por aqui. Vou ligar para a Kate, amor... Kate, querida, já chegamos em Nova York, tudo bem com vocês? Vamos almoçar juntos hoje, não?   Ah, sei... entendo... está bem, querida, nos vemos no jantar então... Um beijo querida...

- O que foi amor?

- A Kate tem um compromisso para o almoço, uma festa lá na ONG dela...

- Ah, que pena amor...

- Ela está nos trocando pelos garotos que ela e o Mark atendem... poxa, viemos de longe para almoçarmos sozinhos...

- Ai querido... você ficou decepcionado, não?

- Um pouco... a Kate é terrível, quer apostar que ela vai nos dizer que não vai mudar mais para casa?

- Ah amor... esse almoço também pode ser uma despedida dos pacientes, dos colegas da ONG...

- Espero que sim...

- Senhor e senhora Noble... - disse o comandante. - Estamos prontos para a decolagem... vamos embora?

- Vamos sim, comandante Hawthorne... - sorriu Jack. - Antes que comece a nevar...

- Está muito frio mesmo, senhor Noble... - respondeu o piloto. - Chicago também está congelando, lá também tem nevado bastante nos últimos dias.

- Então é melhor partirmos o quanto antes... - disse Clara preocupada, ajeitando-se na cadeira e prendendo o cinto de segurança.

Logo o jatinho decolava levando-os em uma viagem bastante turbulenta de um pouco mais de uma hora. Tempo em que Jack passou em silêncio, enquanto Clara, tentava distrair-se dos solavancos dando uma olhada em seu iPad e descobrindo que toda a imprensa tinha ficado muito frustrada por não conseguir fotografá-los em São Paulo.

- Querido... estão dizendo aqui que nos escondemos da imprensa em São Paulo e que passamos alguns dias na cidade, no final das nossas férias, depois de irmos para um local secreto na Bahia.

- Que bom que eles não descobriram, querida... - disse Jack suspirando.

- Você está triste porque a Kate não vai almoçar conosco? - disse Clara, pegando a mão de Jack e beijando-a.

- Não consigo esconder... acho que estava muito ansioso para ver minha filha e meu neto e essa mudança de última hora me decepcionou um pouco.

- Não fica assim, querido... esse almoço só pode ser de despedida...

- Assim espero, amor... - Jack sorriu, levantando-se da poltrona. - Quer um uísque?

- Não, querido... é muito cedo para beber...

- Este avião está chacoalhando bastante e você não está com medo hoje?

- Você precisa do meu apoio hoje, querido... estou usando todas as minhas forças para me controlar...

Ouvindo aquilo, Jack caminhou na direção da poltrona de Clara e beijou-a. - Eu te amo, Menininha... Você é maravilhosa comigo... obrigado por me apoiar...

- Estarei sempre do seu lado, meu amor... - Clara disse, levantando-se de sua poltrona e sentando-se no colo de Jack. - Eu te amo...

Um aviso do piloto de que estavam aproximando-se do aeroporto de Chicago interrompeu o namoro dos dois. Eram 7:45 da manhã e a temperatura no aeroporto O'Hare era de apenas 5 graus centígrados.

- Amor, está frio... você está bem agasalhada? - perguntou Jack preocupado.

- Estou... este casaco de couro é bem quentinho...

- Cade minha bolsa de mão? Acho que tenho um cachecol lá para você... e uma touca para esquentar suas orelhinhas... - Jack sorriu. - Quero você quentinha para mim...

- Você me esquenta, amor... - sorriu Clara.

O desembarque foi rápido, os dois desceram do avião, entraram em um carro do aeroporto que os levou até o terminal de passageiros, retiraram a bagagem e seguiram até a locadora de carros onde Jack tinha feito a reserva de um jeep igual aquele que usava em casa, para usar durante os dias em que estivessem na cidade.

Com tudo acertado no escritório da locadora, eles pegaram o carro, embarcaram a bagagem e seguiram para o hotel Four Seasons, onde tinham uma reserva da mesma suite Royal que tinham utilizado há pouco mais de um mês atrás, quando o bebê de Kate nasceu.

- Até que podemos usar bem este cancelamento do almoço com a Kate... - disse Clara ao chegar na suite. - Não sei quanto a você, mas estou me sentindo muito cansada... acho que preciso de um banho e de algumas horas de sono para melhorar...

- Eu também, amor...

Os dois nem desfizeram as malas, tiraram as roupas, entraram juntos rapidamente no chuveiro e foram deitar-se na enorme cama do hotel, onde dormiram agarrados até o meio dia.

- Bom dia, querida... - Jack disse quando viu Clara abrir os olhos. - Então... está mais descansada?

- Estou amor... Vamos comer alguma coisa? Quer ir a algum lugar almoçar?

- Não sei, amor... - Jack ativou o controle remoto que abria a cortina que cobria a parede toda de vidro do arranha-céu. - Tenho a impressão de que está nevando lá fora...

- Tinha esquecido como a vista daqui é linda... - disse Clara levantando-se da cama e ficando ao lado de Jack na janela. - Amor... mas parece que está muito frio agora, olha essas nuvens... acho melhor pedirmos alguma coisa para o serviço de quarto e ficarmos por aqui mesmo...

- Não estou com fome, querida...

- Não fica assim... vem, me ajuda a escolher alguma coisa gostosa para nós... - Clara disse puxando-o pela mão de volta para a cama. - Vem querido...

Jack interrompeu-a, beijando-a. - Desculpa, amor... não queria te deixar triste...

- Eu não gosto de te ver triste, meu amor... - Clara disse abraçando-o. - Vem... vamos nos vestir... quer ir almoçar fora?

- Não... almoçamos aqui mesmo... não quero te levar nesse frio a toa... vamos escolher alguma coisa, comemos e depois, acho que podemos ficar por aqui mesmo, conversar, ver um filme...

- Já sei... vamos trabalhar no livro?

- Ótimo! Onde nós paramos, mesmo?

- Vocês estavam fazendo a primeira turnê pela Europa, depois que a banda estourou e o David estava doente...

- Ah! Isso mesmo... fizemos três shows na Inglaterra, era começo do outono e o David pegou pneumonia... o Brad não queria cancelar os shows e viajamos para o continente para alguns shows na França... Ele estava com muita febre e acabou desmaiando na metade do primeiro show, em Paris... Eu fiquei desesperado... tinha a impressão de que ele não conseguiria sobreviver, uma ambulância levou-o para o hospital; ele tinha se casado há pouco tempo com uma modelo e eu liguei para ela avisando sobre a situação... o Brad quase me matou quando soube...

- Ai amor...

- Então, vamos comer? Vem aqui escolher alguma coisa no menu, querida... Hum... queria bolinho...

- Eu também amor... - sorriu Clara. - Você se apaixonou mesmo pelos bolinhos de bacalhau...

- Sim... e não foi só por eles... o Brasil é um lugar maravilhoso... adorei estas férias, te conhecer melhor, conhecer melhor seus amigos, seus parentes, estar com você naquele paraíso... foi tudo delicioso...

- Também gostei muito, meu amor... Foi tudo perfeito e me senti muito feliz lá com você... foram férias de que nunca me esquecerei...

- Vamos pedir isso aqui... - disse Jack apontando para a foto de um rosbife com batatas que encontrou no menu. Parece bom...

- Parece sim, querido... - sorriu Clara. - deixa que eu ligo... vinho?

- Sim, amor... pede duas garrafas...

- E cheesecake de frutas vermelhas de sobremesa?

- Ótimo, querida... sabe... estou voltando a ter fome... - Jack sorriu. - Pena que teremos que nos vestir para almoçar...

- Não exatamente... podemos pedir que apenas tragam a comida... não precisamos de mordomo, garçons...

- Ótimo amor!

Clara fez o pedido e a comida foi trazida até a porta da suite, em um carrinho, ainda nus, Clara e Jack arrumaram a mesa da sala de jantar e almoçaram. Depois serviram-se de mais vinho e Jack continuou contando a ela sobre a turnê europeia de 1971, enquanto ela gravava tudo em um pequeno gravador. Estavam retomando o trabalho no livro e sentiam-se unidos e tranquilos.

Continua

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