16 de mai de 2012

Rockstar - Capítulo LXXXIV


Clara preparou o almoço com capricho, cortou uma peça de filet mignon, ainda sobra do churrasco; preparou uma salada de folhas com frutas e um risoto com um pedaço de queijo gorgonzola que comprou no mercado.

Para acompanhar, os dois beberam uma garrafa de vinho. Após o almoço,  arrumaram a cozinha e logo estavam prontos para ouvirem juntos pela primeira vez, o novo disco da banda Crossroads.

Trinta anos após o fim, a banda que inspirou Clara por toda a sua vida, agora inspirava-se no amor de um de seus membros por ela para voltar a tocar juntos e criar novas músicas.

- Querida, antes que comecemos a ouvir o disco, quero que você saiba que você é a razão maior dele existir e de tudo de lindo que tem acontecido desde que nos encontramos pela primeira vez, em Nova York. Eu te amo muito e tudo o que as letras deste disco dizem é para você...

- Meu amor... - sorriu Clara com lágrimas nos olhos. - Eu não sei nem o que te dizer... meu coração está transbordando de tanto amor.

- Vem, vamos ouvir o disco... chorando assim, você vai ficar desidratada... - Jack agarrou Clara e sentou-se com ela no sofá, enquanto tentava secar seus olhos.

Os primeiros acordes de "Unexpectedly" começaram a soar e já surpreenderam Clara. Ela ainda não tinha ouvido a versão final que agora contava com piano e violinos na introdução dando à música a mesma atmosfera romântica da versão que foi tocada durante seu casamento com Jack.

E o disco seguiu com todo o novo repertório, que ela já tinha ouvido de uma forma ou de outra, durante a composição, ensaios e gravações, mas que agora, finalizado, estava ainda mais bonito e emocionante.

Jack também estava emocionado, já tinha ouvido e aprovado todas aquelas músicas, mas agora chorava ao vê-la em seus braços, sentindo todo o amor que ele tinha colocado naquele trabalho, naquela música que, no final das contas, era a expressão de tudo o que sentiam um pelo outro, desde antes de  nascerem, quando tinham outros nomes e viveram uma história trágica.

Depois de ouvir o disco pela primeira vez, Clara e Jack tentaram controlar o choro, pararam o CD player, enxugaram as lágrimas e pegaram mais uma taça de vinho.

- Querida, vem, vamos nos arrumar e sair um pouco... - disse Jack acariciando-a. - Não gosto de vê-la  chorando desse jeito, meu amor... tenho que cuidar de você, Menininha... Vem, vamos tomar um banho, ligar para o Moreira e descer até aquele parque... precisamos nos distrair... não quero te ver triste, meu amor.

- Não estou triste, Jack... estou emocionada... meu coração está derretido de tanto amor, por você, por essa música maravilhosa. - Clara disse abraçando-o. - Mas estou achando uma boa ideia ir até o parque... hoje o dia está lindo e eu quero que você veja o por do sol ao meu lado.

- Ótimo... vou avisar o Moreira... engraçado, mas eu achei que a imprensa toda estaria na nossa porta quando chegássemos e não tinha ninguém. Acho que seu ex finalmente desistiu...

- Não conta com isso, querido... o Roberto deve estar agora mesmo se preparando para invadir nosso apartamento por helicóptero... Ainda bem que encontramos o Marcelo na loja e ele me ajudou a relaxar um pouco...

- Hum... o Marcelo? - riu Jack. - Ele me pareceu uma pessoa interessante... apesar da distração...

- Ele me reconheceu disfarçada, querido...

- Ah, mas ele conviveu com você por anos... não vale...

- Verdade... - sorriu Clara.

Os dois tomaram um banho rápido, vestiram-se, colocaram seus disfarces e já estavam prontos quando Moreira e seus homens chegaram para levá-los ao parque do Ibirapuera.

- É um dos meus lugares favoritos nesta cidade, Jack... tenho certeza de que você vai gostar...

- Você gostou do disco, meu amor?

- Gostar? Eu amei... querido... para mim foi muito emocionante...  Acho que os fãs, a crítica, enfim... todo mundo irá adorar esse disco, mas eu... não consigo encontrar  palavras para expressar a emoção que ele me causou.

- Não me importo muito com o que as outras pessoas possam pensar, só quero agradar uma pessoa neste mundo. Se eu consegui te agradar, então, consegui o que queria!

- Você me faz muito feliz, querido... Estou me transformando em uma garota mimada, de tanto que você me cerca de amor...

- Eu quero exatamente isso... te mimar...  - riu Jack.

- Estamos quase chegando, querido...

Os dois carros entraram pelo portão do parque e estacionaram lado a lado, próximos do prédio da Bienal. Para não chamar atenção, logo Jack e Clara separaram-se do grupo de seguranças, que passaram a seguí-los de longe, respeitando sua privacidade.

- Então Menininha... você vinha muito aqui?

- Sempre que podia... Aliás, eu pegava minha bicicleta, passava no escritório do Jonas, na avenida e sempre o convidava, mas ele nunca queria vir... - riu Clara. - O segurança do prédio dele implicava com a minha bicicleta e depois, o Jonas reclamava comigo... mas quanto mais ele reclamava, mais eu ía lá de bicicleta...

- Rebelde! - riu Jack. - Ah  Jonas... se eu estivesse no lugar dele... Nós já estariamos casados há anos, Menininha... Já teríamos uma porção de filhos...

- Como eu te disse, querido... o Jonas sempre foi meu amigo e um grande parceiro de trabalho e nem eu, nem ele, nunca quisemos misturar as coisas. Se namorássemos, provavelmente, não conseguiríamos chegar aonde chegamos...

- Tive muita sorte de vocês dois pensarem assim, querida... - sorriu Jack. - Este lugar é mesmo lindo, Menininha... Tem como alugar bicicleta aqui?

- Tem... vamos até lá... mas será que não vai complicar as coisas para o Moreira?

- Não vamos correr deles, querida... vamos passear bem devagar por aí... quero ver tudo...

- Está bem... - sorriu Clara. - Vamos descer por aqui, o aluguel de bicicletas fica ali adiante...

Clara entregou seu cartão de crédito para alugar a bicicleta e para sorte deles, o atendente não fez nada que indicasse tê-la reconhecido e em duas bicicletas, os dois percorreram uma boa parte do parque, quase vazio no meio da tarde.

- Vamos parar um pouco, Menininha? Quero tirar umas fotos suas ali, no meio daquelas flores...

- Ok, querido...

Os dois desceram de suas bicicletas e tiraram algumas fotos de ambos sentados no gramado, junto de flores com cores fortes, que tinham visto de longe.

- Você está linda, meu amor... - Jack disse olhando-a através da lente da câmera. - Estou gostando tanto daqui que acabei de me decidir, vou comprar mais um apartamento para nós aqui... quero um bem perto do parque, você vai passar sua gravidez inteira aqui, do meu lado... Peça para o Jonas escolher alguma coisa apropriada, confio no gosto dele.

- Querido... um apartamento aqui perto custa uma fortuna...

- Não tem importância... aqui, neste lugar, consigo te sentir feliz, relaxada... Você está quase levitando, amor... este aqui é o teu habitat, como o meu é a nossa montanha...

- Acho que sim, Jack... - sorriu Clara. - Somos perfeitos juntos, mas vivemos um bom tempo longe um do outro antes de nos conhecermos... é natural que já tenhamos nossos próprios lugares especiais...

- Você não quer passar a gravidez aqui?

- Não é isso, querido... eu quero sim... mas estou preocupada porque sei que não conseguiremos fazer isso, teremos muitos shows a fazer...

- Não... assim que você engravidar, acabou... quero estar do seu lado durante os nove meses e estaremos aqui, no Brasil, longe de tudo...

- Mas Jack...

- Mas nada, Menininha... não abro mão disso... faremos os shows que já estão marcados, faremos tudo o que combinamos e depois, serei seu marido e pai do nosso filho em tempo integral...

- Eu não vou permitir isso...

- Como, não vai, Menininha? Já decidi...

- Não, querido... você me entristece quando diz isso...

- Mas...

- Por favor, deixa eu falar?  Eu sei que ainda não te conheço tão bem, mas pelo que sei até agora, você não vive sem a música. Não quero ser uma razão para você afastar-se dela. Sei o quanto significa para você...

- Já te disse que você significa mais... Não quero te deixar sozinha um só minuto...

- Mas não vai... estaremos juntos todo o tempo, não precisamos nos afastar do mundo... Estaremos felizes em qualquer lugar em que estivermos, ok?

- Está bem, querida... Mas comprarei um apartamento de qualquer jeito... Você e o Brasil estarão para sempre na minha vida...

- Meu amor... você está decepcionado comigo, não...

- Claro que não, querida... por que eu estaria? Você é a mulher da minha vida.

- Então por que você quer me colocar nesta posição, de alguém que vai te roubar de algo que você ama, sua música, sua banda?

- Talvez eu esteja cansado... a música me fez sofrer muito... levou embora meu melhor amigo, meu filho, minha esposa...

- Eu entendo o que você me diz, mas tudo o que eu quero na minha vida é te ver feliz e você está me dizendo que voltou com a Crossroads só para me agradar e que isso te faz sofrer... como você acha que isso me faz sentir?

- Me perdoa, querida... Não quero te deixar triste, mas achei que você precisava saber como me sinto...

- Me perdoa você, Jack... eu não posso te levar a fazer uma coisa que você não quer...

- Mas eu quero...

- Então não estou entendendo... por que você fica me dizendo essas coisas? Você quer que eu me sinta culpada, é isso? Quer me torturar?

- Vem aqui, Menininha... não quero te torturar... eu só desabafei e agora sei que não deveria ter feito... A última coisa no mundo que eu quero é te fazer sofrer, meu amor... - Jack disse puxando-a para mais perto dele e abraçando-a. - Vamos conseguir, seremos felizes na estrada e fora dela...

- Eu já sou feliz, querido... Você me faz muito feliz, mas quero te ver feliz também e se isso não acontecer, não permitirei que você sofra sem tomar uma atitude, está bem?

Jack respondeu com um beijo apaixonado, estavam juntos e aquele amor ultrapassava mais uma fronteira, indo para onde segredos não conseguem mais existir.

- Amor... vamos ver o por do sol? - disse Clara ajeitando a bicicleta novamente para pedalar até o lago. - Vem, me segue...

Os dois pedalaram até a beirada do lago, sentaram-se no gramado apenas esperando o espetáculo das cores do céu, mudando no horizonte. Para não ficar desesperada, Clara tinha decidido silenciosamente que apenas pensaria nas implicações do desabafo de Jack, quando chegasse em casa.

- Ah querida... tem mesmo certeza que não quer ficar por aqui? Este lugar é tão bonito...

- Tenho, amor! Teremos muito a fazer nos próximos meses e por mais que tudo que tenhamos vivido até agora seja lindo... precisamos voltar ao nosso trabalho, você aos palcos, eu, terminando o livro e o roteiro... e juntos, fazendo nosso filho e cuidando um do outro, como cuidamos até agora...

- Seu plano é perfeito, querida... mas compraremos um apartamento aqui...

- Já temos um apartamento aqui, meu amor...

- Mas quero um lugar maior, para nós e nosso filho...

- Está bem, querido... sempre tive um desejo secreto de viver neste bairro, mas estava muito acima de qualquer coisa que eu pudesse pagar...

- Agora você pode... - sorriu Jack. - Quero te cercar de beleza por todos os lados, Menininha... vou ligar para o Jonas e ele vai procurar um bom negócio para nós...

- Então, vamos devolver as bicicletas e voltar para casa, amor?

- Espera um pouco... - disse Jack, abraçando-a. - Quero ter você um pouco aqui... Nossas férias estão quase no final e logo vamos voltar para casa...

- Antes vamos pegar o pequeno Jack no colo e brincar um pouquinho com ele...

- Isso vai ser lindo também, querida! Você sabe onde podemos comprar uns presentinhos para levar para ele?

- Sei... Vamos lá amanhã de manhã, que tal?

- Ótimo! E hoje?

- O que tem hoje?

- A noite vai estar linda, queria sair para beber em algum lugar, com você...

- Vamos sim, querido... Será uma noite linda sempre que estivermos juntos... aqui, em Londres, na nossa montanha... tanto faz o lugar... se a gente estiver assim...

- Você tem toda razão, Menininha. - Jack sorriu e beijou-a. - Então, vamos devolver as bicicletas?

- Vamos, amor...

Lentamente, eles pedalaram de volta até a barraca de aluguel de bicicletas, pagaram pelo serviço e então seguiram para onde os carros estavam estacionados para voltarem para casa.

- Demos muito trabalho para vocês hoje, Moreira... - sorriu Jack ao entrar no carro.

- Estamos aqui para isso, senhor Noble... Além disso, meus homens precisam de um pouco de exercício... - sorriu Moreira. - Os senhores vão para casa, agora?

- Sim, Moreira! Só espero que nossa casa não esteja cercada por jornalistas...

- Não acredito, senhor Noble... estamos fazendo tudo certo...

- Mas encontramos com um jornalista hoje de manhã, no parque perto da nossa casa... ele ameaçou chamar os colegas, mas até a hora em que saímos de casa, não tinha ninguém por lá...

- Saberemos logo se ele falou alguma coisa para alguém... estamos quase chegando... - sorriu Moreira. - Até aqui, tudo normal...

Em poucos minutos eles entravam na garagem do prédio e para alívio de todos, nada de anormal ao redor. O desembarque dos dois então foi rápido e Clara pediu a Moreira para levá-los a um shopping, no dia seguinte, às 10 da manhã.

- Então... acho que seu namorado desistiu de nós...

- Ah... com o Roberto tudo é possível... eu ainda tenho medo dele aprontar alguma coisa horrível...

- Vamos jantar fora, Menininha?

- Não, querido... ainda tem muita carne na geladeira, vou preparar mais um daqueles filés e uma salada... que tal?

- Hum... perfeito... ainda temos vinho, não?

- Sim, amor...

- Vou te ajudar a preparar nosso jantar... Gosto como a cozinha deste apartamento é pequena, querida...

- Jack, meu amor... - sorriu Clara. - Então... está gostando deste meu apartamentinho...

- Gostando? Eu viveria aqui o resto dos meus dias... Mesmo esbarrando com seus ex-namorados todas as vezes que saíssemos de casa...

- Você é adorável, sabia?

- Mesmo te decepcionando tanto quanto te decepcionei hoje à tarde?

- Você não me decepcionou, querido... fiquei feliz por você ter confiado em mim e dito a verdade, apesar dessa verdade não ser exatamente uma coisa que me agrade... tinha certeza de que você estava feliz de voltar para a Crossroads...

- Não exatamente, querida... mas vou fazer porque você estará lá, ao meu lado...

- E o David? O Mike?

- Gosto deles, o Dave é um irmão para mim... mas a Crossroads, querida... Toda vez que eu penso na banda, lembro do que aconteceu com o Don e me sinto mal. Ao mesmo tempo, lembro o quanto você adora essa música e sinto o prazer que você sente quando nos vê no palco...

- Mas é muito pouco para justificar a dor que você sente, meu amor...

- Não, querida... agora, eu vivo para te fazer feliz e isso me faz feliz, apesar de toda a dor... Descansa, Menininha... e me dá essa chance de te fazer feliz...

- Está bem... querido... Por enquanto, decidi que tentarei acalmar meu coração... Se você precisar de mim para desabafar, o que quer que seja, estou aqui... ainda sonho com o momento em que você vai me dizer que não sente mais estas dores... quero te curar, meu amor...

- E já me curou! Não se preocupa comigo, Menininha... só me deixa te fazer feliz... - Jack sorriu, pegando uma colher para misturar a salada. - Isto aqui, já está bom?

- Está ótimo, amor...  Acho que o filé também já está pronto... vamos jantar?

Jantaram, beberam vinho, tomaram um banho e vestiram-se novamente para sair. A ideia era aproveitar a noite quente e estrelada em um dos muitos bares com mesas na calçada, muito comuns em toda a avenida.

Escolheram um que ficava junto ao Masp; o bar tinha mesas espalhadas ao redor de árvores, um lugar tranquilo e agradável onde pediram cerveja e uma porção de bolinhos de bacalhau, um prato que transformou-se imediatamente na mais nova paixão de Jack.

- Querida, você sabe fazer esse prato? - perguntou Jack sorrindo. - De agora em diante, precisarei comer sempre... isso é muito bom!

- Sei sim, Grandão... Farei sempre que você quiser... - riu Clara. - Quero te enlouquecer de prazer na mesa e na cama...

- Você já me enlouquece, Menininha... Vai ser muito difícil ficar uma semana inteira sem ter você...

- Isso também me preocupa, querido... o médico não disse que poderíamos fazer uma inseminação artificial...

- Ah querida... quero fazer tudo certo... nosso filho precisa ser feito em uma noite como esta, linda, com o céu cheio de estrelas, não em um consultório médico...

- Eu sei, amor... mas uma semana sem você será horrível para mim também...

- Você pode ir para Paris, na tal da reunião com o Mick...

- Ah amor... não tenho a menor intenção de ir a esta reunião. Quero ficar em casa, cuidando de você...

- Mas mesmo para mim, é melhor que você vá... passa a semana toda lá... você me conhece, será uma tortura estar perto de você e não poder fazer nada...

- Mas vou gostar de cuidar de você, nem que tenha que dormir em um dos outros quartos...

- Essa é a minha Menininha... - Jack sorriu e pegou as mãos de Clara para beijá-las. - Você sabe que para mim, a ideia de você ir ao encontro do Mick é uma coisa que não me agrada, mas eu sei que você tem que trabalhar e, já que ele não vai mesmo largar do seu pé, você vai para a reunião e depois volta para mim...

- Vou pensar no que farei... ele não ligou mais, espero que tenha desistido dessa reunião...

- Não sei... ele só quer uma coisa... você...

- Mas eu não quero ele, aliás, achei que era impossível, mas a cada dia que passa me sinto mais e mais sua...

- Eu sou completamente seu, querida... Você costumava vir a este lugar?

- Sim querido... fiz muitas reuniões com o Jonas aqui e não só isso, também vinha me divertir com meus amigos... O telão hoje está desligado, mas já vi algumas vezes  shows da Crossroads e aquele seu DVD com o David.

- Vinha aqui namorar, também?

- Engraçado... mas agora que você está falando eu percebo que estive algumas vezes aqui com o Marcelo e com o Roberto, mas nunca trouxe mais ninguém... Preferia preservar os lugares que eu mais gostava para desfrutar com as pessoas que eu queria que ficassem na minha vida para sempre...

- Hum... eu também sou assim, Menininha... eu já te disse que você foi a primeira namorada que levei na nossa montanha, não disse?

- Eu sei, amor... E isso me deixou muito feliz...

- Vamos pedir mais uma porção?

- De bolinhos de bacalhau? - Clara riu ao vê-lo tentando repetir o nome do prato.

- Sim... isso... - riu Jack. - Vou aprender português, querida...

Os dois passaram mais algumas horas no bar e quando começava a madrugada, voltaram para casa a pé, com outra porção de bolinhos que pediram para viagem. Um pouco tontos com a cerveja, eles foram direto para o quarto e se amaram até o amanhecer, quando pegaram no sono abraçados.

Às nove da manhã, acordaram, tomaram banho juntos e prepararam-se para ir ao shopping. Logo desciam até a garagem onde Moreira e seus três auxiliares esperavam por eles.

- Bom dia, senhores... - disse Moreira ao vê-los aproximando-se. - Então, para qual shopping devemos ir?

- Morumbi, Moreira... - sorriu Clara. - Acho que é o mais tranquilo nesta hora da manhã...

- Está bem... mas não esperem por muita tranquilidade... - sorriu Moreira. - Não existem mais lugares tranquilos em São Paulo e nem mesmo o horário ajuda.

- Mas acho que não nos incomodarão... - sorriu Clara. - Ontem fomos ao Ibirapuera e depois, a um bar aqui na Paulista, onde ficamos muitas horas e ninguém nos reconheceu...

- Os senhores têm sorte, mas não vale a pena abusar dela... - sorriu Moreira. - O senhor Jagger sempre prefere que tomemos todos os cuidados e graças a isso, ele nunca foi incomodado aqui na cidade, apesar de vir aqui diversas vezes por ano...

- Nossos disfarces estão funcionando Moreira... - sorriu Clara. - Ninguém nos olha mais do que uma vez... acho que desta vez, estamos seguros...

- Espero que esteja certa, senhora Noble... Por serem lugares fechados, os shopping centers são os locais mais propícios a problemas que começam com o assédio simples dos fãs e terminam com perseguição da imprensa... precisamos de muita cautela...

- Mas se andarmos sozinhos, teremos mais chances de não sermos notados... - disse Jack.

- Sim, mas precisaremos estar próximos, para qualquer emergência... Como fizemos no parque...

- Aliás quero agradecer o que vocês fizeram para nós ontem... - sorriu Clara. - Vocês foram sensacionais...

- É o nosso trabalho, senhora Noble... - sorriu Moreira. - E novamente, o trânsito de São Paulo...

- Estamos tranquilos, Moreira... - sorriu Jack. - Só temos compromisso à noite e já sei que passaremos uma parte da tarde arrumando nossa bagagem; não é Menininha?

- Vamos arrumar, sim... amanhã vamos para Chicago, querido... você sabe a que horas é o voo?

- É às 9 da noite, querida... vamos para Nova York, infelizmente é um voo de carreira e, de lá, vamos de jato privado até Chicago.

- Vamos estar bem, querido... Você sabe que prefiro aviões grandes...

- Eu sei, amor... mas é tão mais confortável um avião só para nós...

- Ah, amor... mas eles balançam tanto... eu chego cansada e nervosa...

- Eu sei, amor... também fico assustado...

- Senhores, estamos chegando ao shopping, enquanto estacionamos os carros, os senhores descem para a praça de alimentação com meus dois homens. E lá nos aguardam... é importante que os senhores nos aguardem...

- Vamos tomar café da manhã, Moreira. - disse Jack. - Acordamos tarde e estamos com fome...

- Querido, neste shopping tem uma Starbucks... Vamos tomar café nela?

- Claro, amor... Moreira, vamos direto para a Starbucks...

- Perfeito... vocês pegam uma mesa, meus dois homens pegam outra e quando descermos, pegamos uma terceira, para não chamar atenção.

- E nós vamos comer nossos muffins de chocolate favoritos... não vamos, Menininha? - riu Jack.

- Vamos sim, amor....

Os dois desceram  do carro, em uma área do estacionamento que ainda estava vazia e logo chegavam à cafeteria. Como tinham calculado, naquela hora da manhã, o movimento do shopping ainda estava pequeno, o que deu a eles ainda mais segurança para relaxar.

Clara entrou na fila, fez o pedido e os dois já tinham começado a apreciar sua refeição quando Moreira e o terceiro segurança chegaram ao restaurante.

- Todo mundo já está aqui, o shopping está vazio e ninguém vai nos incomodar hoje... Tem alguma coisa melhor? - sorriu Clara.

- Somos perfeitos juntos, meu amor. - sorriu Jack. - E sendo assim, merecemos todos os muffins do mundo!

- Isso mesmo, querido... e os bolinhos de bacalhau também...

- Hum! Aqui tem algum lugar onde eles sirvam aquela delícia?

- Está viciado mesmo, amor... - riu Clara. - Acho que tem... mais tarde podemos procurar por aí, Grandão...

- Então vamos logo fazer as nossas compras, o Moreira pediu para não demorarmos muito...

Mais uma vez, os dois compraram roupas e brinquedos para o neto de Jack e já circulavam cheios de sacolas quando Jack viu a vitrine de uma das joalherias do shopping.

- Vamos comprar um presente para a Kate, amor? Olha esse colar da vitrine, que bonito...

- É lindo, amor... mas será que não vamos nos arriscar sermos reconhecidos... você não vai comprá-lo com dinheiro, vai?

- Vem, amor... eles não vão nos reconhecer...

- Está bem...

O colar da vitrine que tinha encantado Jack era uma gargantilha de pedras brasileiras coloridas, montada em ouro amarelo. Os dois entraram na loja e perceberam imediatamente que a segurança começou a movimentar-se.

- Jack, acho que estão com medo de nós, novamente... como naquela loja em Birmingham... - ela sussurrou no ouvido do marido.

- Acho que sim... - riu Jack. - Fica tranquila, amor...

- Bom dia. - Clara disse para a vendedora. - Gostariamos de ver aquele colar de pedras brasileiras da vitrine.

- Pois não, senhora...

- Noble, meu nome é Clara Noble.... - Clara disse sorrindo.

- Mesmo? - sorriu a vendedora. - A Clara Noble, a escritora, casada com o rockstar.

- Estamos disfarçados, mas somos nós...

- Desculpa senhora... não os reconhecemos... por favor, sentem-se... vou buscar o colar.

O tratamento mudou completamente assim que Clara se identificou. E mesmo disfarçados, os dois posaram para algumas fotos ao lado dos vendedores da loja e deram alguns autógrafos.

Antes de sair, eles pediram que os vendedores esperassem um pouco para postar as fotos na internet, para que tivessem a chance de ir embora do shopping sem serem descobertos e foram atendidos e o único que não gostou nada da ideia deles terem revelado sua identidade foi Moreira, preocupado com o que poderia acontecer, assim que a notícia da presença dos dois em São Paulo, se espalhasse.

- É uma pena, senhora Noble... - disse Moreira ao entrar no carro depois de acomodar todas as sacolas no porta malas. - Estávamos indo tão bem...

- Fiquei com medo... os seguranças da joalheria estavam prestes a chamar a polícia, me desculpe, mas tive que dizer a eles que não estava lá para assaltar a joalheria.

- Não tem importância, senhora Noble. - sorriu Moreira. - Nós estamos preparados para qualquer eventualidade.

- Ótimo, Moreira! - sorriu Jack. - Sabemos que podemos contar com vocês!

No caminho para casa, os dois estavam tranquilos, almoçariam, arrumariam a cozinha, as malas para a viagem no dia seguinte e depois estariam livres para descansar um pouco e prepararem-se para jantar com os parentes e amigos de Clara em uma pizzaria. 

- Você não quis que eu te comprasse um presente hoje, lá na joalheria... você não gosta de joias, amor?

- Gosto... claro que gosto, amor... mas você já me mima tanto. Já estou  ficando com medo de que você me estrague...

- Mas eu quero te estragar, Menininha... quero vê-la sempre linda e feliz, querida.

- Não preciso de presentes ou jóias para ser feliz... já tenho você!

- Isso você tem mesmo, meu amor... - Jack sussurrou em seu ouvido.

Mais uma vez os dois tinham exagerado nos presentes para o pequeno Jack e tiveram alguma dificuldade para encaixar tudo em suas malas. Jack  mostrou novamente  uma incrível capacidade de organização e solucionou todo o problema de espaço. Fora das malas, só ficaram poucas peças, que ainda usariam, ou que tinham sido lavadas e estavam secando na área de serviço.

- Pronto, amor... o que devo fazer agora? - sorriu Jack. - Como posso melhor serví-la?

- Vem aqui, Grandão... - sorriu Clara puxando o marido até a sala. - Passamos tantos dias aqui e não fiz ainda uma coisa...

- O que? - Jack sorriu maliciosamente, estendendo as mãos para começar a despí-la.

- Não é isso... - riu Clara. - Lembra que te disse que sei tirar o Tarot?

- É mesmo! - Jack sorriu. - Minha bruxinha favorita... Aliás... quando você estava em dúvida se queria ou não ir para Nova York me encontrar, o que as cartas disseram?

- Primeiro tudo estava muito nebuloso, apareciam cartas muito estranhas e eu fiquei ainda mais perdida do que já estava; mas lembro que assim que decidi que viajaria, saiu "A Estrela", que é uma carta que significa esperança e coisas novas...

- Hum... lindo!

Clara pegou um pequeno pacote na gaveta, embrulhado em um lenço azul marinho com planetas e estrelas desenhadas em dourado e levou-o até a mesa da sala de jantar. Depois, foi até um pequeno altar que mantinha em um canto da sala de estar e pegou uma vela, um porta incenso, uma pequena drusa de cristal transparente e um  cálice de prata, com flores delicadas em relevo, que tinha comprado em uma feira de antiguidades.

- Que bonito, achei que as cartas bastavam... - sorriu Jack ao vê-la arrumando todos os objetos sobre a mesa.

- Cada um destes objetos simboliza um dos elementos. - ela disse apontando para eles. - Água, terra, fogo e ar...

- Gosto muito destas coisas, querida... sabe que sempre tive muito respeito pelos antigos rituais, desde a época em que ouvia meu avô falando sobre eles...

- Eu sei, amor... quando você me contou sobre sua relação com o seu avô, lembro que senti em meu coração uma onda enorme de ternura... É lindo o que você sente pelas suas raízes celtas...

- Acho que sempre me senti ligado àquela montanha, você não sabe, Menininha o que eu sentia antes de te conhecer, sempre que subia lá... era como chegar em casa, mas encontrá-la vazia... faltava você...

- Ah, meu amor... - Clara beijou-o emocionada. Mesmo agora que sabia algumas das razões para aquele sentimento, as emoções a tomavam completamente. - Sinto tantas coisas quando penso em nós, na nossa montanha...

- Eu sei, querida... sinto isso também... - Jack disse, com os olhos cheios de lágrimas.

Os dois se abraçaram e ficaram alguns minutos assim, parados, em silêncio, no meio da sala de jantar. Pareciam dançar, sem música, carregados por uma avassaladora onda de amor, que os atingia em cheio.

Ainda emocionada, Clara pegou Jack pela mão e levou-o até a cozinha, onde serviu vinho para ambos, esforçando-se para voltar à concentrar-se naquilo que pretendia fazer que era tirar as cartas do Tarot para Jack.

- Amor... é melhor eu te explicar como o Tarot funciona... embora exista toda essa aura mística e ele tenha a fama de ser uma forma de advinhar o futuro, ele é uma ferramenta que vai buscar as informações no nosso inconsciente; uma parte da nossa mente que é muito sábia, vê tudo, guarda tudo, entende tudo... mas tem um pequeno problema, ela só conhece uma linguagem, a simbólica, coisa que nosso consciente tem uma certa dificuldade em entender, daí sonhamos, temos intuições, impressões e pensamentos estranhos, que podem ser importantes, mas nem sempre entendemos o que querem dizer.

- Daqui a pouco você vai me dizer que não é uma bruxinha... por favor, não me tire essa alegria de saber que você tem muitos poderes... - Jack sussurrou no ouvido de Clara.

- Todos temos poderes, meu amor... somos deuses brincando de humanos... Vem, vamos nos preparar para ler o Tarot para você...

- Espera... - disse Jack, puxando-a pela mão e beijando-a apaixonadamente. - Eu te amo tanto, Menininha...

- Você é meu paraíso, meu amor... - sorriu Clara. - Vamos ver o que o Tarot pode fazer por você?

- O que eu devo perguntar querida? - disse Jack quando os dois sentaram-se ao redor da mesa da sala de jantar.

- Aquilo que você mais quer saber... você pode perguntar o que esperar agora ou até pedir um conselho sobre como resolver algum problema. Agora não estou aqui como a sua mulher, mas como alguém que vai ajudá-lo a entender o recado que o teu inconsciente quer te dar.

- Querida, então já sei o que vou perguntar... - Jack agora esforçava-se para sorrir. - O que devo fazer para que a Crossroads deixe de doer tanto?

- Ótimo! Você fez uma pergunta muito boa, amor... Agora vou me concentrar em limpar minha mente, enquanto você se concentra na sua pergunta...

Clara pegou o baralho de tarot, separou somente os arcanos maiores e agora fechava os olhos, lutando para limpar sua mente e manter-se distante, o ideal era que suas opiniões sobre o assunto não interferissem na escolha das cartas, isso seria mais fácil se a pessoa que estava em sua frente fosse completamente desconhecida, mas seu envolvimento com Jack fatalmente atrapalharia aquele processo. Ela usou então uma respiração que costumava usar antes da meditação e pediu à Deusa que iluminasse seu entendimento para que pudesse ajudá-lo da melhor forma naquele momento.

Depois, quando sentiu que era o momento certo, ela apoiou o baralho na mesa, sobre o pano, estendendo as cartas em uma fileira e pediu que ele escolhesse aleatoriamente cinco delas, para a leitura.

Clara posicionou as cinco cartas na ordem em que foram tiradas, no formato de uma cruz. Depois abriu a primeira delas e apareceu uma figura feminina, segurando sem demonstrar que fazia qualquer esforço a boca de um enorme leão, chamada "A Força"; o arcano número XI, que fez Clara abrir um largo sorriso.

- Querido... esta carta diz o que está a favor da sua questão, o que você já tem em você para resolvê-la e "A Força" significa que você não só está muito disposto a buscar essa solução, como está comprometido em buscá-la; muito bem Jack, você tem muita vontade de melhorar...

- Tem razão, amor... - Jack disse sorrindo. - É uma mulher, segurando um leão?

- Sim querido... ela fala de uma vontade superior controlando nossos instintos... Reparou que tem um símbolo do infinito no chapéu dela?

- É mesmo! Olha só... estas cartas são lindas, amor...

- Este baralho é francês, ganhei do Marcelo, ele tinha uma coleção de tarots e até um mini baralho que carregava sempre no bolso... Amor, preciso me concentrar de novo para virar a próxima carta...

- Esta próxima carta é o obstáculo, o que está no seu caminho, que impede ou atrapalha  que você solucione este problema. - Clara virou a carta e apareceu uma figura de ponta cabeça, pendurada pelos pés. - Querido, este é  "O Enforcado" e significa que embora você tenha todos estes sentimentos de tristeza e amargura, eles começarão aos poucos dar lugar a novas ideias, que suas dores estão com o tempo contado... Amor... isso é muito bom!

- Engraçado, mas me sinto assim... preso por uma coisa que já não me serve mais... racionalmente faz todo sentido do mundo, mas não passa um dia em que não pense nisso, em que não me culpe de algum jeito por tudo o que aconteceu.

- Mas o primeiro passo você já deu... falta só reforçar essa ideia de libertar-se e logo, você se sentirá muito melhor, meu amor...

- Esta terceira carta aponta o caminho, a direção que deve ser tomada para que você alcance a paz que tanto quer. - Clara virou a carta que apresentava uma mulher nua, abaixada despejando dois jarros de água em uma fonte sob a luz de uma estrela brilhante. - Amor...  esta carta é "A Estrela"! E é a melhor possível também... ela fala de esperança, de otimismo, de despir-se de tudo, despojar-se do passado e colocar-se nu perante essa nova situação. Esquecer o que te incomoda, medos, preconceitos... acreditar que tudo irá melhorar, porque tudo irá melhorar... lindo demais, querido... - Clara pegou a mão dele sobre a mesa, já com os olhos cheios de água.  - Amor... não poderia ser melhor... que cartas lindas que você tirou...

- Seu amor por mim é que é lindo, Menininha... Sabe o que  vejo nesta carta? Você é a estrela que me ilumina...

- Ah Jack, não fala assim... você me emociona muito quando diz essas coisas...

- Estou dizendo a verdade, querida... preciso ser muito sincero agora, eu sinto que esta carta me fala do quanto teu amor já fez por mim e o quanto ele ainda fará...

Clara respirou fundo, queria beijá-lo, mas não podia, tinha que voltar a concentrar-se nas cartas.

- Meu amor... esta próxima carta é uma espécie de resposta final, aquilo que você pode obter como resultado de suas próximas ações... - Clara disse virando a quarta carta, onde se via uma mulher seminua, dançando com dois bastões em suas mãos, cabelos ao vento, no centro do que parece ser uma guirlanda feita de folhas verdes. Quatro seres fantásticos  ao redor dessa guirlanda, um anjo, uma águia, um touro e um leão; ocupam os quatro cantos da carta. 

- Outra mulher nua... significa que uma linda criatura será a responsável pela minha cura... principalmente quando está nua...

- Jack... meu amor... "O Mundo" é a melhor carta do Tarot... estou feliz por você... como você pediu um conselho, sobre como agir, esta carta pede que você mude seus horizontes, procure olhar para o mundo como quem está recomeçando... E pode ter certeza que no que depender desta mulher nua aqui... você terá todo o apoio que precisa para que isso aconteça...

- Obrigado, meu amor... - Jack pegou a mão de Clara e a beijou. - Você é meu anjo... minha própria vida.

- Falta só mais uma carta, querido... vou virá-la agora... ela fala sobre a tua atitude sobre a sua própria pergunta, como se sente agora com esta sua dor... - Clara virou a carta que tinha uma figura assustadora, uma caveira passeia por um campo, onde se vê pedaços de corpos mutilados.

- Verdade, amor... esse sou eu... quase morto... "A Morte"... vou morrer logo, então?

- Não, amor... não... esta carta não fala de morte física, fica tranquilo... aqui ela só está servindo para mostrar que é um momento de transformação e de libertação, você se liberta do passado e começa uma nova vida, onde tudo começa a mudar a partir do instante em que você decidiu mudar... Querido, não poderia estar mais feliz por você, meu amor! - Clara levantou-se da cadeira e sentou-se no colo de Jack, beijando-o como se estivesse prestes a perdê-lo.

Jack começou a despí-la e os dois se amaram no pequeno sofá do apartamento,  onde sentiram que uma imensa onda de ternura os envolvia e acariciava. Eram mais uma vez Berthold e Ceridwen banhando-se na luz da Deusa, agarrados a uma felicidade momentanea, mas infinita.

Continua

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