7 de mai de 2012

Rockstar - Capítulo LXXXIII



- Alô! - Clara respondeu completamente tonta ao seu celular que gritava antes das 7 da manhã. - David?

- Bom dia, princesa! - sorriu David do outro lado da linha. - Posso falar com o velhão? Tentei o telefone dele, mas está desligado...

- Claro... amor... é o David... - Clara entregou a ele o telefone e foi até o banheiro, para dar-lhe um pouco de privacidade. Lavou o rosto, prendeu os cabelos e vestiu seu robe, antes de ir para a cozinha preparar o café da manhã. Panquecas, chá, queijo, manteiga, pães e geléias.

- Bom dia, amor... - disse Jack enquanto ela terminava de preparar a mesa. - Desculpa, o David não parece ter a mínima noção do que é fuso horário...

- Não tem problema, querido... boas notícias?

- As melhores... parabéns, senhora Noble, seu disco já alcançou platina no dia do lançamento e recorde mundial de vendas. Até agora, apenas 10 da manhã lá em casa, já vendeu mais de três milhões de cópias só hoje e ainda não computaram a pré-venda.

- Meu Deus! Parabéns, meu amor! Vocês merecem muito mais do que isso. Vamos sair para comemorar depois do café?

- Sim, meu amor! Quero te mimar hoje o dia todo... Vamos levar aquelas fotos para copiar?

- Vamos... tem um laboratório bem perto daqui e depois podemos ir andar um pouco no parque...

- Aquele parque lá embaixo?

- Não, amor... esse é mais perto, a entrada dele é aqui na avenida mesmo...

- Ótimo! Não vamos precisar do Moreira, vamos? - sorriu Jack.

- Não, querido... fomos no mercado ontem e não fomos reconhecidos, duvido que hoje, aqui por perto,  alguém vá nos perturbar... Será que o disco sai hoje aqui também?

- Acho que sim... é lançamento mundial, não?

- É que o Brasil é meio estranho nestas coisas... nunca se sabe...

- Tem alguma loja boa para isso por aqui, Menininha?

- Tem duas ótimas... não se preocupe, querido... vamos dar uma olhada nelas mais tarde. Quero comprar alguns discos para distribuir para minha família e meus amigos...

- Acho que passaremos dos cinco milhões de discos ainda hoje, querida... - riu Jack. - Quantos discos você vai comprar?

- Uns 20... não quero esquecer de ninguém...

- Será que isso não chamará atenção na loja?

- Verdade... não tinha pensado nisso... acho que vou comprar aos poucos... uns 5 de cada vez...

- Melhor... - sorriu Jack. - Hum, amor... estas panquecas estão deliciosas...

- Obrigada, querido! Foram feitas com muito amor... Aliás, não disse nada, mas muito obrigada por tudo o que você fez ontem à noite. Por tratar tão bem minha família, meus amigos... fiquei muito feliz...

- Meu amor... eu amo você e os amo também. Gostei muito de conhecê-los melhor ontem... e também te conhecer melhor... Vou copiar seu album de fotos de infância inteirinho. Quero levar estas fotos conosco para casa... Você era uma criança linda, parecia um anjo... Amor, só uma coisa eu não entendi...

- O que, querido?

- Sua mãe me perguntou super preocupada se você estava comendo direito...

- Ah... - suspirou Clara. - Melhor eu te contar... quando tive aquela depressão, porque briguei com o Roberto, lembra?

- Sei, amor... o que tem?

- Eu parei de comer... fiquei uma semana sem comer e fui parar em um hospital, quase morri... Minha família tem medo que aconteça de novo...

- Meu amor... - disse Jack segurando as mãos de Clara. - Vou cuidar ainda mais de você... sempre...

- Não precisa, querido... - sorriu Clara, os olhos molhados. - Aprendi minha lição... Eu nunca mais deixarei ninguém acabar comigo como o Roberto acabou.

Jack abraçou-a e os dois ficaram quietos abraçados por alguns minutos.

- Meu amor... me perdoa... demorei muito tempo para te achar... - Jack chorava agarrado a ela agora.

- Querido, não foi culpa sua... foi minha... eu deixei acontecer, era uma criança boba e me desesperei demais, depois dele ter acabado com o resto de auto-estima que eu tinha. O ruim é que foi para sempre, depois da internação, nunca mais meu metabolismo foi o mesmo. O médico me disse que tenho um problema genético, que ficaria quietinho se eu nunca tivesse passado fome. Como eu parei de comer... acabei ficando com essa anemia para sempre...

- Amor... não tinha ideia... Por isso você faz aquele tratamento para não ovular?

- Sim, querido... Como meu corpo tem muita dificuldade de processar o ferro que eu como, fico anemica e assim, quanto menos eu sangrar, é melhor...

- Mas você pode ter filhos, não pode?

- Posso sim... segundo meu médico, é só deixar de tomar a injeção de hormônios, quando o prazo dela vencer, que volto a ovular normalmente e posso engravidar.

- E quando isso vai acontecer?

- Deixa eu ver... o médico agendou uma consulta para o dia 20/12. Mas assim que chegar em casa, vou marcar uma consulta para que ele me prepare para engravidar, fazer exames, tomar vitaminas e assim que passar o efeito da  injeção de hormônios, estarei pronta.

- E até lá continuamos tentando sempre, não?

- É, Grandão... - riu Clara. - Mesmo porque acho que não consigo mais viver sem... Você me acostumou muito mal...

- Vem aqui, vem...  - Jack disse sentando-a em seu colo e beijando-a. - Vamos trabalhar muito nisso... no nosso filho... Não vejo a hora de ter ele nos meus braços e antes disso, de ver essa barriguinha magrinha bem grandona... acho que assim que você engravidar, tirarei férias e só volto a trabalhar depois que ele tiver uns 3 anos...

- Você é maravilhoso demais comigo... estou me transformando em uma garota terrivelmente mimada... - sorriu Clara, beijando-o.

- É isso que eu quero... vou estragar você... te dar tudo o que você quiser ou sonhar...

- Então... meu lindo... vem me ajudar a arrumar a cozinha, vamos sair, quero passear com você o dia todo hoje...

- Seu desejo é uma ordem... - sorriu Jack. - Vamos cuidar da cozinha e, depois, eu cuido de você... Vamos almoçar na rua?

- Minha mãe me deu tanta comida ontem, que tenho dó... Voltamos para casa e eu preparo um almoço para nós... Vamos passar no mercado para comprar umas frutas e verduras frescas para complementar nossa refeição... que tal?

- Não poderia pensar em nada melhor... Como é bom estar aqui com você...

E em clima de muito amor, os dois arrumaram toda a cozinha e depois cuidaram um do outro e prepararam-se para sair. Com roupas simples, mas usando seus disfarces, os dois pegaram o elevador e desceram até o térreo.

- Bom dia,  seo Raimundo! - Clara disse ao porteiro do prédio, que parou alguns segundos antes de responder.

- Bom dia... a senhora é nova no prédio?

- Não, seo Raimundo... sou eu, a Clara do 712... - sorriu ela. - Você não me reconheceu?

- Dona Clara! Mas a  senhora está tão diferente...

- Estou disfarçada! Este aqui é meu marido, Jack Noble.

- Oi, muito prazer... - disse Raimundo estendendo a mão para Jack que sorriu.

- Ele não fala nossa língua Raimundo... - sorriu Clara.

- O seu Jonas falou que a senhora vinha, deixou ordens de não dizer para ninguém que a senhora está aqui. Sabe o seo Roberto?

- Sei... o que tem ele?

- Ele veio aqui ontem "de tarde" para perguntar da senhora e eu disse que a senhora estava viajando...

- Isso mesmo, seo Raimundo... ele não pode saber de jeito nenhum que estamos aqui... Sempre que ele vier aqui, ou ligar perguntando, o senhor diz que não me vê desde que eu viajei, está bem?

- Sim, dona Clara. - sorriu Raimundo. - Parabéns pelo casamento! A senhora vai morar aqui?

- Obrigada, seo Raimundo. - sorriu Clara. - Não... estamos de férias e vamos embora no sábado. Viemos só para descansar um pouco e depois voltamos para Londres. Meus irmãos irão cuidar do meu apartamento, até eu decidir o que fazer com ele, mas é provável que volte aqui, de tempos em tempos, só para passar uns dias... Bom... agora eu e meu marido vamos passear um pouco por aí... bom dia seo Raimundo!

- Bom dia, dona Clara, seo Jack...

- Bom dia, seo Raimundo... - Jack respondeu em português.

Os dois saíram para caminhar de mãos dadas pela avenida, primeiro foram até o laboratório fotográfico onde pediram cópias de todas as fotos do álbum de infância de Clara e combinaram de ir buscá-las no final da tarde.

- Então, amor... vamos aonde agora?

- Vamos até o parque... aproveitamos agora que não temos nada nas mãos para dar um passeio lá e depois subimos para comprar algumas coisas... que tal?

- Perfeito! Vamos aproveitar nosso dia, então, querida... Como o sol daqui é bom... lá em casa as pessoas sonham com uma coisa assim, mas quase nunca temos... vocês têm muita sorte...

- O parque é ali, amor... do outro lado da rua...

- Muito perto, querida... sabe que estou começando a adorar este lugar em que você morava.

- Sempre gostei muito daqui, Jack. - sorriu Clara, levando Jack através de um corredor coberto pelas árvores, até seu banco preferido dentro do parque. - Este parque era meio estranho até algum tempo atrás, mas agora voltou a ser ocupado pelas pessoas da região.

- Sabe amor... estava aqui pensando... quando estiver grávida... podemos passar alguns meses aqui... no seu apartamento mesmo, ou compramos um outro lugar aqui por perto... o que você acha?

- Eu acho maravilhoso, amor... mas será que conseguiremos? Temos uma turnê para fazermos, lembra?

- Sim, querida... mas vamos conseguir fazer tudo... você vai ver...

- Confio em você tão completamente que sei que daremos conta de tudo, meu amor... Você está ouvindo?

- O que?

- O canto desse pássaro... está ouvindo?

- Lindo, querida... Você sabe que tipo de pássaro é esse?

- Não sou especialista, mas acho que é um sabiá... ele está sempre por aqui, de manhã... Sempre que podia vinha aqui para ouví-lo... é lindo, não?

- Muito lindo, querida... Estou adorando conhecer os lugares da sua vida, querida...

- Estou muito feliz de mostrá-los a você, meu querido...

- Clara? - disse repentinamente uma voz que ela conhecia muito bem. - Então é verdade... você está mesmo em São Paulo.

Jack levantou-se imediatamente do banco, disposto e pronto a protegê-la. Clara também levantou-se, pegou a mão de Jack com sua mão trêmula e gelada.

- Não conhece mais os amigos? - disse Roberto com sua expressão mais cínica, fazendo o impossível para tentar disfarçar sua vontade de rir, diante do medo que havia causado.

- O que você quer? - perguntou Clara sem paciência para os jogos do ex-namorado.

- Uma entrevista... lembra? - sorriu Roberto. - Te pedi uma em Paris...

- Você deveria ter procurado o Michael... agora não estou dando entrevistas para ninguém... estou de férias com meu marido...

- Ah... mas eu sou seu amigo... esta regra não deveria valer para velhos amigos...

- Roberto, ela já respondeu... ela não dará entrevistas. Você está invadindo um momento particular nosso... por favor vá embora...

- Este lugar é público, senhor Noble... Como será o paradeiro de vocês, caso a Clara continue me dizendo que não dará entrevista...

- Chantagem, agora? - ela respondeu revoltada caminhando na direção dele. - Quer saber? Pode fazer o que quiser, publicar meu endereço na primeira página de todos os jornais do Brasil... Não vou te dar nenhuma entrevista, nem agora, nem nunca mais... Chega! Tenho seguranças contratados para nos proteger, caso a imprensa nos persiga... e por favor, nos deixe em paz, ou chamarei a polícia...

Jack também deu alguns passos para a frente, protegeu Clara em um de seus braços e lançou um olhar decidido na direção de Roberto.

- Chega, Roberto! Não queremos vê-lo mais por perto e se você insistir, buscaremos nossos direitos. Deixe minha esposa em paz!

- Está bem... Depois não reclamem... - disse Roberto afastando-se deles.

- Você está bem, querida? - disse Jack abraçando Clara. - Nossa, você está gelada...

- Desculpa amor... mas fiquei muito nervosa... E agora? O que faremos? Será que ele vai mesmo colocar toda a imprensa no nosso pé?

- Não importa, querida... temos nossos seguranças e vamos embora no sábado... fica tranquila, meu amor... Quer ir para casa?

- Não, amor... Vamos em algum lugar, preciso beber alguma coisa...Minha garganta está seca...

- Vamos, meu amor...

Os dois caminharam até a saída do parque e foram a um café, dentro de uma livraria, próxima do parque. Mesmo naquela manhã de sol quente, Clara tremia e tinha as mãos geladas, o que deixava Jack bastante preocupado.

- Calma, meu amor... Vamos tomar alguma coisa bem quentinha... quer um capuccino? - disse Jack sentado ao lado dela na cafeteria da livraria, vou entrar na fila...

- Não amor, eu vou... se te reconhecem...

- Não vão me reconhecer, Clara. Descansa um pouco, vou pegar alguma coisa para nós... quer um daqueles muffins de chocolate que você gosta tanto?

- Quero, amor... você é lindo e eu te amo!

- Eu te amo, querida... - Jack disse dando-lhe um beijo e caminhando até a fila de clientes para fazer o pedido dos dois.

Enquanto Jack esperava por sua vez na fila, Clara ouviu outra voz conhecida próxima dela.

- Clara? É você? Lembra de mim?

- Oi Marcelo... - sorriu Clara desconcertada ao ver outro de seus ex-namorados reconhecê-la mesmo disfarçada. - Claro que me lembro.

Jack percebendo de longe a aproximação de um homem desconhecido da mesa de sua esposa, saiu rapidamente da fila e caminhou de volta até ela.

- Tudo bem, querida? - Jack perguntou ao aproximar-se.

- Tudo amor... este é Jack, meu marido, Jack, esse é o Marcelo Leibowitz, meu ex-namorado.

- Como vai... - Marcelo estendeu a mão para Jack e sorriu. - Então você também se casou... só que seu marido não fala português e eu me casei com a Silvia, lembra dela? A nossa professora de Yoga?

- Claro, Marcelo...

- Sente-se conosco, Marcelo, aceita um café? Vou buscar para nós...

- Obrigado! Aceito sim, seu marido é muito gentil, Clara... - disse Marcelo puxando uma cadeira da mesa ao lado para sentar-se com eles.

- Então, o que você tem feito. além daqueles livros maravilhosos... comprei todos e achei-os geniais...

- Muita coisa, Marcelo... - sorriu Clara pensando no quanto era estranho seu ex desconhecer tudo o que estava acontecendo ultimamente em sua vida. - Então, você e a Silvia...

- Pois é... faz uns seis meses, eu vivi em Paris nos últimos quatro anos e quando estava quase terminando meu curso de extensão, encontrei com ela na rua, por acaso. Saimos juntos por lá e acabamos nos apaixonando. Você conhece Paris, não?

- Minha lua de mel foi lá...

- Então você sabe o que eu quero dizer... E você? Onde conheceu o Jack?

- Em Nova York... - sorriu Clara. - É uma longa história, mas um mês depois estávamos nos casando...

- Sério? Assim rápido?

- Nos apaixonamos um pelo outro no momento em que nos vimos pela primeira vez... Não tinha porque esperar mais tempo...

- Que lindo! Eu fico feliz que isso tenha acontecido com você! O que ele faz?

- É músico... - Clara disse ainda surpresa por Marcelo não saber absolutamente nada sobre aquilo que a mídia não cansava de publicar sobre os dois.

- Você sempre gostou de música, não Clarinha?

- Sim, sempre gostei... - Clara disse fazendo o possível para segurar seu riso.

- Eu me lembro... - riu Marcelo. - Você era fanática por Stones, Crossroads... estava sempre ouvindo aqueles seus discos... Seu marido é de alguma banda?

Clara respirou fundo e aproveitou a chegada de Jack na mesa para fugir da pergunta.

- Café para mim e para você, capuccino para a Clara e muffins de chocolate para todos... - sorriu Jack. - Então você é o ex-namorado da Clara que é terapeuta, certo?

- Isso... namoramos uns cinco anos, não foi?

- Isso mesmo... quando eu terminei com o Roberto, eu fiquei doente e precisei de um terapeuta, minha mãe me apresentou para o Marcelo, mas a gente se encontrou em um lançamento de livro logo após a primeira sessão de terapia e acabamos namorando...

- E sendo assim, eu não podia continuar como terapeuta dela...

- Cinco anos? É um casamento... - disse Roberto, olhando para Marcelo com uma certa admiração.

- É, mas não foi... quando começamos a morar juntos, acabamos terminando... o Marcelo não tinha muito tempo para mim, não é?

- Mas você também já tinha começado a escrever seus livros e estava fazendo sucesso com eles, viajando, dando entrevistas...

- E você, trabalhando na sua pesquisa... - sorriu Clara. - Então,  finalmente você terminou sua extensão?

- Terminei! Finalmente mesmo! Agora estou organizando o material para escrever outro livro e devo voltar a lecionar aqui em São Paulo... e sua mãe? Ela ainda está lecionando?

- Não, acabou de aposentar-se... ainda está se sentindo um pouco perdida em casa...

- Sua mãe é uma grande professora... e uma grande amiga...

- Ela gosta muito de você... sorriu Clara. - Você tem o telefone dela? Liga para ela e vai visitá-la com a Silvia, ela vai gostar de revê-los. É uma pena, nós vamos embora no sábado, ou poderíamos marcar um jantar com vocês e meus pais.

- Você ainda não me disse de que banda o Jack é... - riu Marcelo. - É algum segredo?

- Da Crossroads, Marcelo... lembra da Crossroads?

- Sério? - riu Marcelo. - Meu Deus, como eu sou distraído... Esse é o famoso Jack Noble...

- Sim... - riu Jack. - Em carne, osso e boné...

- Desculpa não tê-lo reconhecido... mas nem imaginava isso... faz um bom tempo que perdi o contato com o resto do mundo, por assim dizer, mergulhado no meu trabalho.

- Não tem qualquer importância... - sorriu Jack. - Então você não deve nem estar sabendo que graças à Clara,  a Crossroads está voltando aos palcos...

- Mesmo? Você conseguiu isso, Clara? Puxa!

- E ela cantará no palco conosco... gravou uma das faixas do nosso novo disco que está saindo hoje...

- Nossa! Isso é grande, Clarinha! Grande mesmo! Estou muito feliz por vocês dois... A Silvia vai ficar maluca quando souber... ela também adora a Crossroads... Bem, foi muito bom encontrá-los, mas preciso voltar para casa... disse para a Silvia que vinha só pegar um livro que encomendei e já estou há um tempão aqui, conversando com vocês... Vou ligar para sua mãe, querida.... tchau, tudo de bom para vocês... - disse Marcelo, abraçando-os e partindo.

- Obrigada Marcelo! Tchau... - sorriu Clara.

- Você tem mesmo uma grande atração por malucos, não Menininha? - Jack disse assim que Marcelo saiu da livraria.

- Ah querido... - disse Clara, pegando a mão de Jack. - Sabe que o Marcelo tem QI acima da média? Ele foi até estudado quando era criança. por cientistas... Não parece, mas ele é um gênio.

- Não precisa ser gênio para se apaixonar pela mulher mais linda do mundo... - riu Jack, beijando as mãos de Clara. - Então, vamos pegar os CDs e voltar para casa?

- É mesmo... quero comprar pelo menos uns 5 agora... depois compramos mais... você não me mostrou nem a capa...

- É uma surpresa, querida... Vamos?

Os dois subiram as rampas até o setor onde eram vendidos CDs e DVDs e Clara ficou feliz ao ver de longe um grande poster onde o símbolo do infinito dourado, aparecia sobre desenhos de cada um dos membros da banda, vestidos com as fantasias medievais que usaram no videoclipe.

- Amor... - Clara disse apertando a mão de Jack, tentando conter a vontade que sentiu de chorar ao aproximar-se da mesa que tinha os CDs empilhados. - Meu coração está na boca, querido... - ela sussurrou no ouvido de Jack após pegar um dos CDs na mão.

- Estou feliz por você... - Jack sussurrou no ouvido de Clara. - Este disco se chama Forever... é o tempo que eu passarei te amando, querida...

- Ah amor... quero tanto te beijar, mas estou com medo...

Jack interrompeu o que ela dizia, beijando-a com paixão. - Não se preocupe, meu amor... ninguém está nos vendo, de verdade... você não viu seu ex...

- Não baseia nada no Marcelo... - riu Clara. - Ele é uma pessoa que vive dentro do mundinho dele a maior parte do tempo, nem percebe que está no meio de outras pessoas... nem sei como ele me reconheceu, no meio da loja...

- Mas estamos em paz, querida... ninguém nos vê de verdade enquanto estivermos assim, só nós dois, sem aquele monte de seguranças ao redor...

- Acho que você tem razão... - disse Clara pegando 5 CDs da pilha e colocando em sua sacola de compras. - Vamos até o caixa...

- Espera... - Jack disse pegando-a pelo braço. - Eles têm seus livros aqui?

- Têm sim...

- Quero comprar os que encontrar... não tenho ainda seus livros em português e preciso aprender esta lingua...

- Vem amor...

Clara levou-o através das rampas até o andar onde ficavam os livros e puxou-o até a estante onde costumava encontrar seus livros, mas foi surpreendida por vê-los em outra prateleira, junto com os best-sellers e últimos lançamentos.

- Hum... acho que eles querem lucrar com o meu novo status de esposa de rockstar...

- Rock Goddess, amor... sempre me chamaram de Rock God... - riu Jack. - Eles têm todos, vou levar todos...

- Vamos para o caixa, amor... ainda quero passar no mercado e comprar alguma coisa para fazer o almoço...

- Hum... você vai cozinhar para mim? - sorriu Jack, agarrado a Clara, na fila do caixa. - Você sabe que passarei o resto do dia te mimando, não?

- Ah, querido... ainda quero ouvir esse disco inteiro... - sorriu Clara e beijou-o. - Te amo tanto!

- Próximo... - disse a funcionária da loja, chamando-os para aproximarem-se do caixa. - Nossa! A senhora é fã da Crossroads, não?

- Sim... e tenho muitos amigos para presentear... - sorriu Clara.

- Ah... sabe que na noite passada, a loja ficou aberta até a uma da manhã e as pessoas fizeram fila para comprar esse CD, que começou a ser vendido à meia-noite...

- Que pena, eu perdi...

- Dá uma olhada na internet, tinha vários reporteres aqui gravando. É a primeira vez que esta loja faz isso por causa de um disco e, pelo resultado, acho que fará mais vezes... E dizem que foi essa moça brasileira, escritora destes livros que fez a banda voltar...

- É mesmo... - Clara sorriu. - Acho que vou procurar a reportagem no Youtube, obrigada... - Clara disse pagando a conta, enquanto Jack apenas olhava-a conversar.

De mãos dadas, os dois seguiram pela galeria, onde ficava a loja e saíram pela porta detrás, para irem ao supermercado, do outro lado da rua.

Clara pegou algumas verduras e frutas, algumas garrafas de vinho e mais duas de champagne. Tinham muito para comemorar e passariam aquela tarde comemorando a felicidade que estavam sentindo.

Continua

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