6 de mai de 2012

Rockstar - Capítulo LXXXII


- Deus do céu! Isso é muito bom! - sorriu Jack. - Como você consegue ser assim tão magrinha comendo algo tão bom?

- Aqui no Brasil, quando a pessoa é assim como a Clara, que come e não engorda, dizemos que ela é magra de ruim...

- Você é ruim, Menininha? - riu Jack.

- Não... parem com isso, vocês dois.... não sou ruim... sou magra porque sou... só isso...

- Não a provoque, Jack... - riu Jonas. - Você ainda não a viu brava...

- Já vi sim... e tenho medo...

- Ah Jack... não fala assim... Esqueci dos croutons da salada... ficaram lá na embalagem, vou pegar... - disse Clara indo rapidamente até a cozinha.

- Se eu soubesse que o Mick ía ligar teria pedido mais vinho...  - disse Jack colocando o resto da bebida em seu copo.

- Você falou em cirurgia... você está doente, Jack? - perguntou Jonas.

- Não... eu fiz uma vasectomia há uns cinco anos e agora vou fazer uma cirurgia para revertê-la... eu e a Clara queremos ter filhos...

- Ah que bom! Nossa... não sabia que dava para reverter essas coisas... pensei que uma vez feita a vasectomia...

- Dá para reverter sim, Jonas... vou fazer a cirurgia um dia depois do aniversário da Clara. Vou ficar um dia internado no hospital e depois volto para casa.

- Eu vou pular fora dessa reunião com o Mick. Na última hora eu dou uma desculpa qualquer...

- Não, querida... Você vai... vou ficar bem...

- Desculpa, meu amor...  eu sei que ele é importante para minha carreira e tudo mais, mas não irei nessa reunião... Meu marido vai precisar de mim...

- Não vou não, querida... eu sei que é importante para você, meu amor... não quero te prejudicar...

- Então Jonas, vamos arrumar a cozinha? - Jack perguntou ao amigo de Clara assim que todos terminaram de comer.

- Sim cara! - riu Jonas. - A Clara pode ir descansar...

- Isso, meu amor... vai descansar um pouquinho... Pobrezinha, teve uma turbulência horrível no voo, ela ficou muito nervosa...

- Ah, querida... Vai descansar, assim que terminar de arrumar a cozinha com seu marido, vou atrás da sua peruca...

- Quer algum dinheiro?

- Não precisa, Jack...

- Então você já sabe, cabelos longos, escuros e bem lisos...

- Você não gosta do meu cabelo, amor?

- Não, querida... gosto muito... só quero ver como você fica... coisas da minha cabeça... - sorriu Jack. - com franjas...

- Mas não pode ser muito escura... tem certeza que consegue comprar, Jonas?

- Claro que sim, querida... Sei fazer essas coisas... conheço o seu gosto... não se preocupe... Vai descansar, vai... eu e o Jack cuidamos de tudo...

- Está bem, queridos... vocês dois são maravilhosos comigo... vou tomar um banho e me deitar um pouco.

- Vai descansar, querida... assim que eu terminar aqui, vou comprar as coisas que você me pediu... volto com elas lá pelas seis...

Clara caminhou até o quarto, tomou um banho rápido de chuveiro, vestiu seu robe de seda e deitou-se. Mas antes, desligou o celular, queria evitar que Mick conseguisse ligar novamente para ela.

Depois de terminar de arrumar a cozinha, Jonas foi embora e Jack foi para o quarto, esforçando-se para não acordar Clara, que agora dormia tranquila. Tomou um banho e deitou-se nu ao lado dela, também estava cansado, mas no quarto suavemente iluminado pelo sol filtrado pelas frestas da janela, ele olhava para a esposa. Desejava beijá-la, mas se contentou em apenas olhar para seu rosto tão tranquilo agora.

- Meu amor... - disse Clara acordando por um momento. - Vem aqui, vem...

- Estou com medo de falhar querida...

- Falhar? - sorriu Clara, acariciando os cabelos de Jack. - Mas você nunca falhou comigo...

- Mas nunca fizemos isso com ele nos olhando... - Jack disse apontando para o poster dos Rolling Stones pendurado na parede.

- Por isso não... deixa eu ver... Já sei... - Clara disse levantando-se da cama e caminhando até o guarda-roupa, onde pegou duas echarpes de seda coloridas...

- O que você está fazendo, amor?

-  Vou fazê-lo sumir... assim,  estaremos só nós dois na escuridão.

Vendados, os dois se amaram lentamente, enquanto a tarde quente lá fora seguia seu rumo, eles expressavam aquele amor que os movia.

- Menininha... mais uma vez você me surpreende... - sorriu Jack tirando a echarpe dos olhos. - Você é incrível, meu amor...

- Eu te amo muito, querido... Não posso deixar que ele nos atrapalhe...

- Eu sabia que você preferia ele...

- Não prefiro nada, querido... nunca escondi de você que além da Crossroads, gosto dos Stones...

- Mas não precisava gostar tanto... não é? - riu Jack.

- Que lindinho! Está com ciúmes é?

- E se estiver? - Jack empurrou-a contra o colchão com o peso de seu corpo e começou novamente a beijá-la e acariciá-la. - O que você pode fazer contra isso?

- Nada... - sorriu Clara entregando-se ao seu amor.

No final da tarde, depois de dormir um pouco, os dois levantaram-se, tomaram um banho rápido juntos e vestiram-se para ir ao jantar na casa dos pais de Clara. Jack vestiu uma camisa preta, de seda, de mangas curtas, uma bermuda caqui e tênis; enquanto Clara colocou um vestido de malha longo, também preto, de alças, simples, mas bonito e uma sandália de salto alto.

Os cabelos de ambos já estavam presos, os de Clara prontos para receber a peruca comprada por Jonas e os de Jack, para receber um belo chapéu panamá que Clara comprou para ele em Paris.

- Você está linda, meu amor... - sorriu Jack. - Você não vai colocar seu colar novo?

- Não, amor... é muito lindo, mas não acho que combine com este tipo de roupa, irei usá-lo na sexta, no restaurante... Hoje vou colocar aquelas bijouterias ali, mas só depois que o Jonas trouxer minha peruca... Que horas são, amor?

- São 5:40, querida... Ele deve chegar a qualquer momento...

- Assim espero... o trânsito está um horror... vem ver... - Clara disse abrindo a janela de sua sala de estar de onde dava para ver a avenida Paulista completamente engarrafada nas duas pistas.

- É... acho que ele vai demorar, amor... está com fome?

- Não querido... você está? Minha irmã ficou de colocar algumas coisas na geladeira para nós usarmos nestes dias... - disse Clara fechando a janela. - Vamos ver o que tem lá para comermos...

Clara preparou um omelete com os ovos e um pedaço de queijo branco que encontrou na geladeira e serviu para ela e para Jack com algumas fatias de pão de forma, que também encontrou na casa.

- Hum, querida... você tem mesmo mãos de fada... - sorriu Jack. - Estes ovos estão uma delícia...

- Desculpa por não fazer nada mais substancioso...

- Amor... está ótimo... uma delícia... e vamos sair para jantar quando o Jonas chegar, não vamos? Então...

- Ela não comprou cerveja, nem vinho, nem refrigerante... temos só leite, chá e café para beber...

- Não tem importância, amor... depois providenciamos isso... ah, querida, fica tranquila, estamos de férias... está tudo perfeito...

A campainha do interfone interrompeu a conversa dos dois. Era Jonas, chegando finalmente com a encomenda.

- Desculpa, querida, mas o trânsito está um horror... - Sorriu Jonas ao chegar no apartamento. - Sua peruca e seus óculos...

- Obrigada querido! - disse Clara pegando a sacola das mãos de Jonas. - Venham aqui no quarto, me ajudar a vestir essa peruca... Ah, Jonas, que linda!

- Amigão! Obrigado! Você trouxe exatamente o que eu queria... - sorriu Jack segurando a peruca em suas mãos. - Você vai ficar ainda mais linda, meu amor...

Clara encaixou a peruca sobre seu cabelo preso e penteou-a levemente para assentá-la melhor.

- Então, meninos, como eu estou?

- Linda! - sorriu Jonas.

- Ah, meu amor... Você está perfeita... ninguém vai te reconhecer assim...

- E tem os óculos também... são melhores do que aqueles de farmácia, comprei em uma ótica e as lentes não tem nenhum grau, você nem precisa se preocupar...

- Lindo! Adorei Jonas! Você merece um beijo!

- Deixa que eu dou, amor... - riu Jack fingindo ter ciúmes do amigo. - Quanto nós te devemos?

- Nada! É um presente de boas vindas para meus amigos queridos...

- Obrigada, Jonas! - Clara disse abraçando e beijando o amigo.

- Epa! - riu Jack, puxando Clara dos braços de Jonas. - Minha mulher, cara!

- Jack! - riu Clara. - Estou quase pronta agora, vou só colocar aquele colar e os brincos e já podemos ir... Onde está seu chapéu, amor?

- Ali... quando estivermos saindo, eu coloco... Você vai chamar o Moreira?

- Vou... - disse Jonas pegando seu celular e ligando para o segurança. - Oi Moreira, pode vir nos buscar, estamos prontos...

- Vou só conferir se não falta nada aqui nessa sacola... todos os presentes estão aqui... minha bolsa... estamos prontos, amor...

Logo todos estavam na garagem, embarcando na mercedes preta de Moreira que seria seguida de perto pelo carro de apoio com mais três seguranças.

- Jonas, gostaria de parar no caminho para comprar flores para minha mãe e uma garrafa de vinho para meu pai.... seria um bom teste para meu disfarce também...

- Clara, tem aquele mercado grande perto da casa do seu pai, podemos comprar as duas coisas lá... - disse Jonas. - Que tal?

- Ótimo... eu e o Jack descemos do carro com o Moreira e compramos... assim, sabemos se estamos tão diferentes assim...

- Não acho essa uma boa ideia, senhora... seria melhor a senhora ir com o senhor Jonas... - disse Moreira. - Posso acompanhá-los dentro da loja sozinho se for assim...

- Ok Moreira! O Jack fica no carro, eu desço com o Jonas.

- Não se preocupe amor... tudo vai dar certo... - disse Jack abraçando-a. - Querida, não me lembro mais os nomes dos seus pais... me perdoa...

- Não tem problema amor, nos casamos rápido demais... meu pai se chama Paulo e minha mãe se chama Ana...

- Onde eles moram?

- Em uma casa próxima daquele aeroporto em que desembarcamos... Vai demorar um pouco para chegarmos lá, com esse trânsito...

- Não tem problema querida... você pode continuar a me ensinar português?

- Claro, amor...

A lição de português foi longa e cuidadosa, já que o trajeto até o mercado onde pararam para comprar as flores e o vinho demorou mais de uma hora. No último momento, Jack convenceu Moreira que seria uma boa ideia acompanhar a esposa nas compras e os dois desceram acompanhados dele e de mais um segurança, enquanto todos os outros esperavam nos carros.

- Vamos, querido... - Clara sorria de mãos dadas com o marido. - Me lembra que só posso pagar em dinheiro...

- Está bem, meu amor... - sorriu Jack. - Vamos subir...

Os dois entraram no mercado, pegaram uma boa garrafa de vinho italiano para Paulo e um lindo bouquet de rosas brancas para a mãe de Clara. Passaram pelo caixa e saíram, sem serem reconhecidos por ninguém.

Jonas ligou para o pai de Clara avisando que estavam chegando e a Mercedes de Moreira foi colocada na garagem, onde o pai de Clara também tinha tomado a precaução de bloquear a visão de quem passasse na rua com uma lona sobre o portão.

- Querida! - disse Paulo, abraçando Clara assim que ela desceu do carro. - Que saudades!

- Oi, papai! Como vocês estão?

- Muito bem e você?

- Ótima! - sorriu Clara. - E a mamãe?

- Todo mundo está lá dentro... como vocês estavam preocupados em ser reconhecidos, pedi que todos ficassem por lá  para não atrair a atenção dos vizinhos. Vamos entrar?

- Boa noite, senhor Paulo! - disse Jack em português, abraçando o sogro.

- Ele fala português agora, filha?

- Não... estou ensinando, mas ainda falta muita coisa...

- Boa noite, Jack! Como vai? - sorriu Paulo.

- Tudo bem! - respondeu Jack em um português ainda enrolado.

- Falei certo, Menininha?

- Sim, querido! Estou muito orgulhosa de você! - sorriu Clara.

Os dois entraram na casa e lá encontraram com o resto da família e dos amigos. Na casa, apenas as pessoas que tinham comparecido ao casamento deles, em Londres.

- Mãe! Trouxe essas flores para a senhora! Que saudades!

- Filhinha querida! - sorriu dona Ana agarrada em Clara. - Obrigada! São lindas!

- Boa Noite, senhora Ana!

- Boa Noite Jack! - sorriu a velha senhora, abraçando o genro. - Então fala português?

- Um pouco... - sorriu Jack. - Estou aprendendo...

- Que bom!

Clara e Jack cumprimentaram todos que estavam ali e distribuiram seus presentes, as redes e conjuntos de toalhas de rendas que tinham comprado na Bahia, na vila de pescadores.

- Clara! O que aconteceu com seu cabelo? - perguntou Ciça, sua irmã. - Quer dizer, está bonito, mas...

- Não é meu cabelo... - riu Clara. - O nosso segurança achou melhor que nos disfarçassemos enquanto estivermos em São Paulo, para não sermos perseguidos pela imprensa...

- Ainda bem, filha... - sorriu dona Ana. - Seu cabelo é tão lindo... Já estava preocupada...

- Não mamãe... Aliás... como estamos seguros aqui dentro, não seria melhor tirar tudo isso? O papai ainda tem todas aquelas camisas de futebol, não tem?

- Ah... ele tem sim... mas espera, Paulo, onde estão aquelas camisas?

- Ah... vem comigo, vocês dois... - sorriu Paulo. - Vamos lá em cima...

Os três subiram as escadas até o quarto de Paulo, onde ele entregou a Clara uma sacola.

- Presente para vocês, são do  novo uniforme do Palmeiras, mandei gravar os nomes de vocês nas costas... Lindas não?

- Obrigada, papai! Adorei! Vem, Jack, vamos trocar de roupa?

- Vamos querida! Seu time, não?

- Isso, amor... de todo mundo nesta casa, na verdade... Vem, vamos no meu quarto... Você acredita que eles não mudaram nada nele, desde que sai daqui para morar com o Roberto?

- Que lindo, amor! - sorriu Jack ao chegar no quarto de Clara e ver um poster da Crossroads na parede. - Você ao menos gostava um pouco de mim, então...

- Um pouco? Não amor, eu já te amava muito... - Clara disse beijando-o.

Clara vestiu a camiseta que seu pai lhe deu e shorts e chinelos emprestados por sua irmã. E finalmente pode soltar os cabelos. Jack também soltou os seus e os dois desceram para o páteo atrás da casa, onde o pai de Clara tinha mandado construir uma bela churrasqueira.

- Ah! Agora sim é minha filha!  - disse Paulo quando eles saíram no páteo.

- Papai, que linda! - Clara sorriu ao ver a churrasqueira.

- E tem um forno de pizza também... - sorriu Paulo. - Fiz com aquele dinheiro que você nos mandou. Deu para isso tudo, pintei a casa, paguei todas as minhas dívidas e ainda sobrou dinheiro para por na poupança!

- Que bom, papai! Fico feliz que tenha dado para tudo isso!

- Agora falta mandar colocar uns ganchos na parede para aproveitar essa rede que você trouxe para nós... E você vir aqui fazer aquela massa de pizza deliciosa que você sempre fazia, lembra?

- Claro que lembro, papai... - Clara disse abraçando-o. - Espero conseguir tempo para tudo isso... A nossa vida estará tão corrida quando as férias terminarem... A nossa casa de Londres já está pronta, vocês vão para a estreia do show, não?

- Vamos sim, filha... Mas não vamos te incomodar em casa, ficamos em um hotel... é mais prático...

- Não! Tenho três quartos de hóspedes naquela casa e você e a mamãe ficam lá conosco. Tudo foi feito com muito carinho... Vocês vão gostar.

- Está bem, filha... Vamos combinar tudo por aqui, não quero que você tenha mais esse trabalho. Ah... lembrei de outra coisa... você acredita que aquele "piolho de cobra"  do Roberto me ligou nesta semana perguntando de você?

- E o que o senhor disse?

- Que minha filha estava em lua-de-mel no Brasil e que ninguém em lua-de-mel fica ligando para os pais para dar satisfação. Também falei que pelo que eu sabia, você ia voltar direto para Londres porque tinha muita coisa para fazer lá...

- Ótimo! Obrigada papai... o Roberto é mesmo uma peste... Não quero que ele chegue perto de mim, nem do meu marido desta vez... Quanto à Londres, quero que vocês me falem do que precisam, me liguem, mandem e-mail ou avisem o Jonas... quero ver todo mundo no show, aliás, sem vocês, nem sei se conseguirei subir naquele palco...

- Ah filhinha... vai dar tudo certo... Nós temos muito orgulho de você!

- Obrigada papai! - disse Clara abraçando-o.

- Olha lá seu marido ajudando o Fernando na churrasqueira... Onde ele pensa que vai com aquele lencinho na cabeça?

- É para não cair cabelo na comida, papai... Ele sempre usa quando cozinha para mim... - sorriu Clara. - Ele é maravilhoso papai... olha como ele está lá, tentando entender o que falam com ele em português...

- Eu sei que não gostei dele naquele primeiro momento... o cabelo comprido, essa pose de estrela, todas aquelas coisas que a banda dele aprontou... mas eu preciso admitir que ele parece ser um cara bacana... Olha lá como está se esforçando para conversar com seu irmão...

- Vou lá ajudá-lo papai... pobrezinho... - sorriu Clara.

- Oi amor... - disse Clara aproximando-se de Jack.

- Oi querida! Quer picanha? - disse Jack em português, para o espanto de Clara.

- Que lindo! - ela respondeu beijando-o. - Você está ensinando português para meu marido, Fernando?

- Ele me pediu para ensinar umas coisas... - riu Fernando. - Me disse que o Jonas também ensinou...

- Ai meu Deus! Olha lá o que vai ensinar para o meu marido, hein...

- Pode deixar, Clarinha... - riu Fernando. - Você não vai se sentar para comer? Tem lugar ali na minha mesa para você e para seu marido... leva ele para lá, senão ele não come nada...

- Vou levá-lo sim... - sorriu Clara. - Amor, vem comer um pouco, o Fernando cuida da churrasqueira... vem...

Jack e Clara sentaram-se ao redor de uma das mesas para comerem um pouco.

- Menininha... só tem essa cerveja, assim, gelada?

- Você não gosta de cerveja gelada, não? Espera, vou ver com meu pai se tem alguma sem gelo lá dentro...

- Não levanta amor... deixa que eu vou buscar...

- Não... para mim é mais fácil... espera um pouquinho que eu pego para você...

O pai de Clara estranhou o pedido, mas entregou a ela algumas latas de cerveja que ainda não tinham ido para o freezer. Achou que era mais uma das excentricidades de "estrela do rock"  de seu genro, quando era apenas por hábito. Na Inglaterra, ninguém bebia cerveja gelada.

O irmão de Clara trouxe dois violões e ao lado de Jack, que já estava muito a vontade naquele ambiente, começou a tocar  algumas músicas da Crossroads.

- Fernando, você sabe tocar a "Song of the Woods"?

- Sei sim... é a favorita da Clara...

- Vou tocar para ela... Amor... essa é para você...

Clara que estava até então usando sua câmera para filmar os dois, sentiu seus olhos enchendo-se de lágrimas, deixou a câmera nas mãos de Sara e aproximou-se deles, completamente mergulhada naquela música, beijando Jack assim que ela terminou.

- Meu amor... - sorriu Jack. - Quer cantar comigo a "The Light"? Fernando, você sabe tocar?

- Sei sim, Jack. Vai cantar, Clarinha?

- Vou sim! - sorriu Clara.

- Obrigada pelos aplausos... - sorriu Clara no final da música. - Amo vocês todos e significa muito para mim recebê-los em minha nova casa, para a estreia da turnê da Crossroads. Se precisarem de alguma ajuda para ir até Londres, hospedagem ou qualquer outra coisa, vocês só precisam me ligar.

A noite seguiu seu rumo, até o início da madrugada quando Jack e Clara voltaram para casa, com as mãos cheias de sacolas com sobras do churrasco, que a mãe de Clara os fez levar.

Cansados, eles guardaram toda a comida na geladeira e foram deitar-se. Estavam muito felizes, Jack por finalmente conhecer melhor as pessoas que Clara tanto amava e Clara por sentir que seu marido estava muito feliz naquele ambiente que ela tinha frequentado toda a sua vida e muito mais do que em seu casamento, ela percebia seus dois mundos, o antigo e o novo, fundindo-se agora em uma coisa só.

Continua

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