5 de mai de 2012

Rockstar - Capítulo LXXX


A manhã seguinte começou para eles, como a noite tinha terminado. Nos braços um do outro, os dois acordaram quando o sol começou a esquentar a enorme janela que separava o quarto da mais bela vista da praia e da mata que rodeava a casa.

- Bom dia, meu amor... - sorriu Jack. - É o nosso último dia aqui, precisamos aproveitá-lo ao máximo... o que você quer fazer?

- Passar o dia todo com você... - disse Clara sentando-se na cama. - Está um dia lindo, lá fora...

- Vamos à praia?

- Vamos querido... Mas desta vez não podemos esquecer de passar muito protetor solar...

- Você está linda...

- Estou me sentindo linda, querido... - Clara disse examinando seu reflexo no vidro, ainda com o colar de diamantes no pescoço. - Você me faz muito feliz, Jack...

Os dois colocaram suas roupas de praia e Clara guardou seu colar no cofre, dentro do closet, junto com seu precioso anel de noivado,  os passaportes de ambos e uma boa quantidade de dinheiro e cartões, que haviam trazido para a viagem.

Para Clara aquele seria um dia de despedidas, e assim sendo, de tristeza. Sua temporada no paraíso terminava, embora suas férias continuassem. Além de triste, ela estava um pouco ansiosa para mostrar para Jack sua cidade e a vida que tinha antes de conhecê-lo, mas ao mesmo tempo preocupada com a perseguição da imprensa de celebridades que certamente aconteceria, caso fossem descobertos na cidade.

E depois de passar toda a manhã na praia, os dois voltaram para o quarto e começaram a arrumar suas malas.

- Jack, amor... estou preocupada... - disse Clara depois de lutar muito com suas ideias.

- O que foi, amor? - disse Jack colocando de lado a pilha de camisetas que haviam voltado da lavanderia e puxando Clara para sentar-se em seu colo. - O que te preocupa, querida?

- Ah amor... estou com medo da imprensa nos achar em São Paulo. Até sonhei com isso, amor... estávamos isolados dentro do meu apartamento e eles estavam cercando tudo e ameaçando invadir...

- Ah querida... não fica preocupada... vai dar tudo certo...

- Não seria melhor ficarmos em um hotel?

- Não, amor... fica tranquila... ninguém vai nos achar...

- Eu sei que você não gosta da ideia, mas estou com vontade de contratar o segurança que o Mick nos indicou na festa. Estou com muito medo de perdermos o controle e acabarmos reféns da situação.

- Ah, amor... vamos perder nossa privacidade... tinha planos de passar o dia te mimando em São Paulo...

- Mas não precisamos perder a privacidade, querido. Eu pensei em contratar o segurança para que ele fique de sobreaviso. Só trabalhe realmente se a imprensa nos descobrir...

- Está bem, querida... Você vai ligar para ele ou quer que eu ligue?

- Eu vou mandar o número por e-mail para o Jonas e pedir que ele contrate o segurança. Assim, ele já o leva no aeroporto amanhã e corremos menos riscos.

- Se você acha melhor assim, meu amor... - Jack disse, beijando-a. - Quero ver você feliz... só isso...

- Ah meu amor... eu estou a ponto de explodir de tanta felicidade. Você é maravilhoso comigo e a sensação que tenho é a de que estou vivendo um sonho.

- Então, vamos continuar arrumando esta bagunça, querida?

- Vamos sim... - sorriu Clara.

- Jack, seu celular está tocando... onde você o deixou?

- Não sei... Ah... está ali, na cama... - disse Jack pegando o aparelho. - Ah! É o Sillas... Oi Sillas, tudo bem?

Enquanto Jack conversava com Sillas, Clara continuou arrumando suas coisas na bolsa e decidiu abrir o cofre só no dia seguinte, na hora de partir.

- Amor... boas notícias... lembra que perguntei ao Sillas se ele nos levaria até Porto Seguro de barco? Ele disse que precisava remanejar uns compromissos e agora está decidido... ele vai nos levar amanhã cedo... às 7 da manhã.

- Mas nosso voo só sai do aeroporto às 11...

- Vou ligar para o Marcos agora, e perguntar se podemos sair às 9. Daqui até Porto Seguro, de barco, demora só uma hora. Vamos chegar bem mais cedo em São Paulo.

- Liga, amor! Que bom... estou triste de ir embora, mas será ótimo chegar em casa mais cedo...

Jack acertou o novo horário com o piloto que gostou muito da mudança e combinou o encontro na pista do aeroporto às 8:30 da manhã do dia seguinte, para partir às 9 horas.

Com tudo combinado, eles voltaram à organização da bagagem e algumas poucas peças de roupa ainda ficaram fora das malas, separadas para a viagem até São Paulo,  para serem lavadas naquela noite e seriam transportadas nas bolsas de mão.

Sem que Clara percebesse, Jack pediu ao mordomo para dizer à Dona Santa que aquela noite fazia dois meses que tinham se casado e pediu a ela um menu especial para comemorarem.

Também encomendou um bouquet de rosas para presenteá-la e pediu aos empregados novamente o aparelho de som para usarem após o jantar. Queria dançar  com ela no terraço e providenciou tudo para que tivessem a noite mais romântica de sua estadia por lá.

Mas antes que a noite chegasse, eles fizeram questão de assistir ao último por-do-sol daquela temporada tão doce e ambos choravam nos braços um do outro quando a noite finalmente caiu, clara e perfumada pelo vento que misturava os cheiros da mata e do mar em suas narinas.

- Meu amor, nunca me esquecerei deste momento. Meu coração está transbordando de felicidade. Sabe Jack, quando nos casamos e até virmos para cá, sempre teve um lado meu, mais crítico e racional, que ficava me dizendo que eu tinha feito uma loucura, me jogado nos teus braços rápido demais. Agora eu sinto que esta voz se calou para sempre. porque não tem mais nada a dizer...

- Ah, querida... - Jack puxou-a para mais perto e beijou-a. - Eu te amo muito e fico feliz que você agora esteja sentindo a mesma certeza que eu senti desde o primeiro momento em que eu te vi, naquele hotel em Nova York.

- Você sempre teve essa certeza, meu amor?

- Foi só te ver e eu já te amava, querida. Podíamos ter nos casado lá em Nova York...

- Você é maluquinho, sabia? Você nem me conhecia...

- Mas já estava apaixonado por você... Já era completamente seu...

- Lindo! - Clara sorriu e beijou-o. - Eu te amo, Jack!

Os dois voltaram para o quarto, tomaram um banho e vestiram-se muito bem para um jantar especial, que comemorava os dois meses de seu casamento.  Assim que sairam do quarto foram surpreendidos pela bela decoração da mesa de jantar pronta na varanda.

Jack saiu por alguns momentos e trouxe um lindo bouquet de rosas vermelhas para Clara e os dois jantaram lagostas,  beberam champagne e comeram um pedaço de um lindo bolo de mousse de chocolate e morangos.

E depois dos prazeres gastronômicos, passaram algumas horas dançando agarrados. A noite de despedida de seu paraíso foi perfeita, mas teve que terminar cedo.

Na manhã seguinte, os dois pularam cedo da cama, às 6 da manhã já tomavam o café reforçado que Dona Santa preparou para eles e depois de juntar a bagagem e pegar todos os objetos que tinham ficado no cofre, Jack e Clara despediram-se de todos os empregados da casa, distribuindo boas gorjetas para cada um, como agradecimento ao bom serviço.

A viagem até Porto Seguro, de lancha foi muito mais rápida e confortável para ambos do que a ida de carro, através de uma estrada estreita e esburacada. Despediram-se de Sillas e já na pista do aeroporto, encontraram o comandante Marcos e seu copiloto DeMarchi.

- Bom dia, senhor e senhora Noble. - sorriu Marcos ao vê-los aproximarem-se. - Então, como foram de férias?

- Muito bem, Marcos! - sorriu Jack. - Estamos muito tristes de deixar esse paraíso.

- Mas logo estaremos em São Paulo. - sorriu Marcos. - Partindo às 9, chegaremos às 13 horas. Ou até antes se pegarmos o vento de cauda que me contaram que tem aparecido nessa rota.

- Que ótimo! - sorriu Clara.

- Por favor, se acomodem à bordo. Estaremos partindo logo...

- Então, Menininha, pronta para ir?

- Ah querido... estou tão triste de ir embora...

- Já falou com o Jonas?

- Já... ele estará no aeroporto junto com a equipe de seguranças. Você conhece o Mick, não podia ser um segurança só... - Clara sorriu. - Eles nos levarão para meu apartamento e vamos fazer uma reunião com eles. Depois, almoçamos  com o Jonas.

- Perfeito... não vejo a hora de estar lá sozinho com você. Quero te conhecer melhor, Menininha e sei que este será o momento... ver como era sua vida antes de nos conhecermos.

- Já mandei minha irmã trancar todos os esqueletos nos armários, querido... - riu Clara. - Você só verá o que eu quero que veja...

- Não estou atrás de esqueletos, querida. Quero apenas me sentir envolvido por seu mundo, saber mais sobre você...

- E eu vou poder saber mais sobre você... Lembra que eu te disse que tenho um tarot lá em casa? Quero tirar as cartas para você...

- Hum... você vai descobrir todos os meus segredos... - Jack sorriu pegando as mãos de Clara e beijando-as. - Não sei se vou te deixar...

- Você que sabe... - Clara riu. - Eu estou completamente a sua disposição e quero te ajudar em tudo, absolutamente tudo.

- Eu estava brincando... quero que você saiba de tudo... - Jack sorriu.

- Estão prontos para a decolagem? - disse Marcos entrando no avião e fechando a porta dele. - Vamos partir agora...

- Sim, comandante... - sorriu Jack. - Eu e minha mulher estamos deixando esta terra com muita tristeza, mas precisamos seguir adiante, não?

- É mesmo uma pena sair deste lugar tão lindo... - sorriu Marcos. - Mas os senhores continuam de férias, não?

- Sim... ainda passamos uns dias em São Paulo e depois iremos para a America. - disse Jack. - Só então voltamos para casa e tudo começa. Vocês irão à nossa estreia, em Londres, no dia 10 de novembro?

- Gostaria muito de ir, sim, senhor Noble.

- Me dê seu nome completo... - sorriu Clara pegando seu iPad. - E o do copiloto. Vou mandar uma mensagem para nosso agente, para deixar dois pares de convites na porta da O2 para vocês.

- Obrigado senhora Noble. Os senhores são muito gentis conosco. - disse o copiloto. - Então Marcos, vamos embora?

- Vamos sim... - sorriu Marcos. - Minha esposa vai adorar a novidade!

- Eu vou gostar muito mais, Marcos... - riu DeMarchi. - Adoro o Crossroads! Sou muito fã...

- Então, depois deste presente tão generoso, vamos preparar a decolagem? Por favor, senhores fiquem à vontade. - disse Marcos caminhando até a cabine, acompanhado de seu copiloto.

Clara e Jack apertaram o cinto de segurança e prepararam-se para a decolagem. O pequeno avião começou a rodar na pista e logo decolou e assim que as luzes que pediam para apertar o cinto se apagaram, Clara levantou-se de seu assento e sentou-se no colo de Jack com a lista de vídeos nas mãos para que pudessem escolher a programação que os distrairia à bordo.

- O que você quer ver, amor? - perguntou Clara folheando a lista. - Vamos por um filme?

- Eu quero ver outro tipo de programa amor... - disse Jack puxando-a e acariciando-a. - O banheiro desse avião é bem maior do que aquele de Chicago...

- Jack, não! - disse ela empurrando-o, tentando evitar que ele abrisse os botões de seu vestido. - Meu amor, vai ficar muito chato se um dos pilotos vir aqui para trás de repente...

- O que tem, amor? Vem... vamos para o banheiro... é tão bom...

- Não, querido! Olha a luz de apertar o cinto acendeu de novo, vou voltar para minha poltrona. - Clara disse levantando-se do colo dele, sentando-se rapidamente em sua poltrona e afivelando o cinto.

- Senhores, estamos entrando em uma zona de turbulência de grande intensidade e para sua segurança, pedimos que voltem a seus assentos e afivelem o cinto. Estaremos tentando contornar este problema e esperamos conseguir fazer isso o mais rápido possível.

Apavorada, Clara atravessou os próximos cinco minutos que pareceram os mais longos de sua vida, o avião sacudia e em alguns momentos dava grandes mergulhos no ar. O medo provocou em Clara uma crise de asma e quando Jack a viu abrir a bolsa para pegar seu remédio, ficou ainda mais preocupado do que já estava.

- Está tudo bem, querida?

- Estou só nervosa, Jack... Me deu falta de ar...

- Ah amor...

E depois de mais um pouco de turbulência, o avião estabilizou-se e Jack imediatamente levantou-se do seu assento, soltou Clara do cinto e levou-a no colo até o assento dele.

- Querida... fica aqui comigo... já passou... - disse, enquanto ela chorava com a cabeça apoiada em seu ombro.

- Me perdoa, amor... por ter me descontrolado tanto...

- Não tem o que perdoar, eu também me apavorei, querida...

Enquanto tentavam acalmar-se, a voz do comandante Marcos mais uma vez surgiu nos alto falantes da aeronave. - Senhor e senhora Noble, conseguimos contornar a grande massa de instabilidade que surgiu repentinamente em nossa rota e deste momento em diante devemos experimentar um voo mais tranquilo até a cidade de São Paulo, de acordo com as previsões da metereologia. Pedimos desculpa pela inconveniência e a partir deste momento, comunicamos que os senhores estão livres novamente para caminhar pela cabine.

- Quer uma bebida, amor?

- Quero sim, querido... - disse Clara ainda tremendo.

- Marcos, aonde fica mesmo a bebida?

- Tem champagne e whisky neste armário atrás de vocês, à esquerda. Os copos e taças estão do lado direito.

- Obrigado, Marcos, já achei... O que você prefere, Menininha?

- Whisky...

Jack serviu a bebida para ambos e sentou-se novamente colocando Clara em seu colo.

- Calma, meu amor... vai passar...

- Já estou melhor, querido... - ela disse enxugando as lágrimas do rosto. - Queria tanto não ter medo destas coisas, mas...

- Não se torture, amor... eu também tive medo... Vamos chegar logo e tudo vai ficar bem... Marcos, falta muito para chegarmos?

- Mais uns quarenta minutos, senhor... Encontrou a bebida?

- Sim, obrigado Marcos. Está tudo bem agora...

- Desculpe novamente pela turbulência. São sistemas que surgem repentinamente nesta rota, nesta época do ano...

- Está tudo bem, Marcos. Vamos relaxar agora... obrigado...

- Melhorzinha, Menininha?

Clara virou o restante do whisky em um só gole.

- Ei... calma, amor... vai ficar bebada assim...

- Preciso me acalmar, querido... só me abraça...

Jack puxou-a para mais perto e beijou-a, lenta e apaixonadamente e o carinho que eles trocaram serviu para acalmá-los pelo restante da viagem.

- Jack... estou tontinha... - sorriu Clara. - Acho que whisky é uma coisa um pouco forte demais para mim...

- Não se preocupe, meu amor... logo estaremos em casa e você irá me levar para conhecer todos os lugares que fazem parte da sua vida...

- Estou louca para fazer isso, querido... é mesmo uma pena ter que nos esconder da imprensa...

- É... mas vamos fazer tudo com cuidado e eles não nos acharão... Já estou com saudades das nossas pedras, na praia... de ter você nos meus braços naquela rede da varanda...

- Eu também, querido... Fomos muito felizes lá... mas espero continuar feliz do seu lado... em São Paulo, Chicago ou onde quer que formos...

- E será, meu amor... isso eu te prometo...

- Ah por favor, querido... eu não gosto de promessas... estou aqui, com você e te amo mais do que eu jamais imaginei que seria capaz de amar alguém e isso para mim já é suficiente... te amar com todas as forças do meu coração. Não te prometo nada, mas enquanto estiver te amando, sou sua, completamente sua...

- Ah amor... eu sou seu para sempre... lembra?

- Eu sou sua para sempre também querido... - sorriu Clara. - Já te amo há tanto tempo... acho que sempre te amei... mesmo antes de nascer... e para sempre quer dizer isso também, não? Antes e depois, todo o tempo...

Jack beijou-a novamente. Ambos estavam bebados, mas depois de todo o medo, tinham voltado a sentir a mesma alegria que sempre sentiam quando estavam juntos.

- Senhores passageiros estamos entrando na fase final de aproximação do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O horário local é de 13:57 e a temperatura local é de 25 graus. Pedimos que os senhores se preparem para o pouso, colocando seus assentos na posição normal e afivelando seus cintos de segurança.

Alguns minutos depois, Clara e Jack desciam da aeronave e caminhavam pela pista do aeroporto, encontrando-se com Jonas e com Moreira, o segurança contratado por eles para protegê-los em São Paulo do assédio da imprensa.

- Jonas, querido! Que saudades! - sorriu Clara abraçando o velho amigo.

- Clara! Também estava com muitas saudades! Este aqui é o Moreira, o segurança que acompanhará você e o Jack enquanto estiverem aqui em São Paulo.

- Como vai!

- Ele nos levará agora para sua casa, onde combinamos fazer uma reunião para definirmos como ele os acompanhará durante os próximos dias. Este carro é dele, se quiserem vocês podem entrar e acomodarem-se nele, enquanto esperamos a bagagem...

- Estamos bem aqui fora, Jonas. - sorriu Clara. - Então, como estão as coisas? 

- Um pouco mais loucas depois que você publicou aquela foto das férias de vocês no Brasil. A imprensa toda está no meu pé desde então e isso inclui aquele seu ex maluco...

-  E o que você disse para ele?

- Que vocês estão a caminho de Londres, em um avião particular...

- Ótimo! Espero que ele tenha acreditado... o Roberto não costuma desistir assim, na primeira informação que recebe; ainda mais quando é de uma fonte oficial...

- Você acha que ele vai nos dar problemas, Menininha?

- Não sei, querido... só sei que ele não desiste fácil, de nada. Se eu conheço o Roberto ele irá ficar rodeando meu apartamento até nos achar por lá...

- Então vamos tentar ficar longe dele, querida... - sorriu Jack.

- Vamos indo? A bagagem já está toda embarcada... - disse Moreira.

- Mas não vimos nenhuma mala vir para o carro...

- Ela irá no carro de apoio... - disse Moreira apontando para um outro carro, um SUV preto, com os vidros também escuros que estava estacionado um pouco mais próximo do avião. Tenho mais três homens naquele carro, caso aconteça alguma coisa e eles precisem agir para protegê-los.

- Querido, você conhece o Mick... ele não se contentaria com um só segurança... - sorriu Clara.

Os três entraram na mercedes preta e logo os dois carros deixaram o aeroporto atravessando um dos portões. Mas seria um caminho demorado até em casa, pois       naquele dia, uma greve de ônibus tornava ainda mais caótico o trânsito de São Paulo.

- Querida, isto aqui parece que está pior do que o caminho até Heathcliff Hall em véspera de feriado. - sorriu Jack.

- Tem uma greve de ônibus, hoje, Jack... - disse Jonas. - O trânsito hoje está pior do que o de costume...

- Então vou aproveitar para ir vendo a cidade de vocês, já estive aqui duas vezes, mas não consegui ver muita coisa... Vem aqui, Menininha... você vai me dizendo onde estamos, OK? Nossa... você está gelada, querida... Moreira, não dá para diminuir o ar condicionado aqui atrás, minha mulher está congelando...

- Melhorou? - perguntou Moreira depois de regular a temperatura do ar condicionado na parte detrás do carro.

- Melhorou sim... sorriu Clara. - Moreira, não dá para ir pela Indianópolis?

- É isso que farei, senhora Noble... O trânsito hoje está um horror por aqui...

- Não tem problema, Moreira... - sorriu Jack. - Estamos acostumados com trânsito... em casa não é muito diferente...

Clara ia pela janela revendo a cidade em que tinha vivido até  três meses atrás e sentia-se muito feliz de agora poder dividí-la com seu marido. E assim, como andavam mesmo muito lentamente, ela ia mostrando prédios e contando histórias por todo o caminho para ele que se mostrava atento e interessado em conhecer cada detalhe que ela oferecia.

- Hum, amor... e este é o parque que você costumava vir para se inspirar? - disse Jack apontando para o parque do Ibirapuera que surgia em todas as suas cores nas janelas do carro. - Temos que vir passear aqui, Menininha... É muito longe do seu apartamento?

- Uns 3 quilometros... vinha de bicicleta... o pior é que sempre passava antes no escritório do Jonas para convidá-lo e ele nunca veio comigo... - riu Clara.

- Você a deixava vir sozinha? - riu Jack. - Jonas... qual é o seu problema?

- Ela sempre queria que eu interrompesse meu trabalho para andar de bicicleta com ela... não podia... - riu Jonas.

- Bem... o que posso dizer... azar seu, sorte minha... - riu Jack. - Assim tive a sorte deste anjo ser meu...

- Mas você virá conosco passear no parque desta vez, não Jonas? - disse Clara. - Ah, vamos andar um pouco, conversar sob as árvores...

- Está bem... vamos encaixar isso na agenda... - sorriu Jonas.

- Agenda? Ah, cara... você deve ter algum problema... mesmo... - riu Jack. - Então veja na sua agenda...

- Viu querido? - riu Clara. - Ele sempre me rejeitou...

- Estou vendo...

- Olha amor, já estamos entrando na rua em que eu moro... - sorriu Clara assim que o carro entrou na Avenida Paulista. - Olha, amor... ali, naquelas escadas era a minha escola e depois, a faculdade onde fiz jornalismo...

- Tenho a impressão de que me lembro daqui... fiquei em um hotel aqui perto nos dois shows que fiz aqui em São Paulo, não fiquei, Menininha?

- Ficou... seu hotel era na rua detrás... quando eu soube que você estava lá, quis ir com minhas amigas, elas foram, mas eu não consegui porque meu irmão quebrou o braço e tive que voltar correndo para casa, meu pai veio me buscar de carro na escola. Fiquei chorando horas no dia seguinte quando elas me contaram que falaram com você no hotel.

- Ah amor... imagina se tivessemos nos encontrado... quantos anos você tinha?

- Uns 15... eu era magricela e muito sem graça...

- Não acredito... você devia parecer um anjo... acho que me apaixonaria a primeira vista...

- Ah amor... eu passei dias completamente arrasada, querendo quebrar o outro braço do meu irmão por não poder ter ido te ver no hotel... Pelo menos eu consegui ir ao show...

- Pobrezinha do meu amor... - sorriu Jack. - Mas foi melhor assim... pelo menos você não se decepcionou comigo...

- Não me decepcionaria nunca com você, Jack... eu tinha gostado tanto do show que estava em estado de graça com a possibilidade de ir te conhecer...

- Ah, amor... mas agora, em compensação sou inteiro seu... - Jack sussurrou no ouvido de Clara. - Você pode fazer de mim o que quiser.

Clara beijou-o desejando agora estar sozinha com ele. Mas ela teria ainda que esperar por muito tempo para isso. Jonas tinha programado uma reunião com o segurança e depois, ainda almoçaria com eles.

- Eu conversei com o síndico do seu prédio e ele conseguiu uma segunda vaga para estacionarmos os dois carros na garagem durante estes dias em que vocês estarão em São Paulo. Assim, vocês podem entrar em sair do prédio tranquilos, mesmo que a imprensa descubra que vocês estão aqui e cerque o prédio.

- Que bom... então usaremos a minha vaga e mais uma... - sorriu Clara. - Você falou com o seu Raimundo... precisa falar várias vezes porque ele é meio desligado...

- Falei, Clara... - sorriu Jonas. - Ele tem ordens de dizer que você está viajando e que não te vê há meses...

- Ótimo... Olha amor... já estamos chegando... - Clara disse para Jack quando o carro entrou em uma das travessas próximas para poder entrar na garagem do prédio, do outro lado da avenida.

Continua

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