20 de abr de 2012

Rockstar - Capítulo LXXVIII


- Bom dia, meu amor... - disse Jack assim que acordou, ao perceber que Clara já estava de pé. - Você está bem?

- Melhor do que nunca, querido... - Clara sorriu aproximando-se dele e beijando-o na testa. - Está com fome?

- Bastante! Então vamos levantar e mergulhar naquela mesa cheia das delícias da Dona Santa. - Jack disse levantando-se de um pulo. - Vamos aproveitar tudo o que esse lindo dia tiver para nos dar, Menininha...

- Vamos, querido! - disse Clara pegando-o pela mão. - Onde estão as nossas roupas de banho?

- Querida, você está se revelando uma boa bagunceira nestes últimos dias... - riu Jack. - Este aqui é seu biquini, não é?

- Onde estava?

- Ali, naquela cadeira, junto com meu calção... - riu Jack. - Pego para você, Menininha...

- Obrigada, amor... desculpa, mas este lugar é tão especial que não consigo parar aqui só arrumando nossas roupas...

- Mas não quero que faça isso... Também posso organizar as coisas, aliás, sou bom nisso... Não quero que esquente essa sua linda cabecinha com esse tipo de bobagens...

- Não consigo esquentar minha linda cabecinha com nada ultimamente. Até já me esqueci que devo um livro à Golden Books, um disco ao David Mersey, um roteiro adaptado ao Mick Jagger,  uma turnê de muitos shows à Crossroads  e um neto aos meus pais... Nestes últimos dias apenas consigo pensar em ter você, neste lugar lindo...

- Querida, com calma, faremos tudo isso... livro, disco, filme, turnê, filho... estou louco para mostrar ao mundo o quanto você é linda e talentosa...

- Ah, meu querido... - sorriu Clara. - Você é tão carinhoso comigo... Acho que não te mereço...

- Vem aqui, seu biquini está solto... - disse Jack tirando a parte de cima do biquini de Clara.

- Jack... assim não sairemos deste quarto hoje...

- Isso para mim não seria um problema... - Jack riu beijando-a.- Deixa eu te ajudar... estou com fome...

Os dois vestiram as roupas de banho e foram tomar o café da manhã no terraço, que naquela manhã tão clara estava sendo fartamente banhado pelo sol.

- Hoje para mim é um dia de festa, querida... - disse Jack assim que começaram a comer.

- Festa? Mas nosso aniversário é só daqui a três dias... faremos dois meses de casados...

- Sim, mas hoje faz três meses que nos conhecemos, querida. Lembra?

- Claro que me lembro... Nem sei dizer o que senti quando te vi naquele saguão de hotel, olhando para mim...

- Ah Menininha... eu queria tanto de beijar naquele momento.

- Eu te amo tanto. Estes últimos três meses têm sido os mais lindos e felizes de minha vida.

- Da minha também, meu amor... Também quero muito comemorar este dia!

- Vamos comemorar sim, querida... assim que eu conseguir voltar a respirar depois de comer tanto... - sorriu Jack. - A Dona Santa se superou hoje... esses doces estão maravilhosos...

- Estão mesmo, querido... - sorriu Clara pegando a mão de Jack. - Vamos andar um pouco na praia para fazer digestão?

- Vamos sim, meu amor... O sol já está alto, precisamos de proteção... acho que vou pegar um chapéu no quarto. Quer um?

- Quero sim, querido. Os nossos chapéus estão na mala menor.

- Eu sei, querida... fica aí que já volto...

Com seus chapéus panamá na cabeça e uma generosa camada de protetor solar no resto do corpo, os dois desceram até a praia e caminharam até o final da faixa de areia.

Lá, nadaram um pouco, sentaram-se nas pedras, mas logo decidiram voltar para a casa.

- O sol hoje está forte demais, vamos acabar torrados vivos assim... - disse Jack.

- Vem, vamos descansar na rede um pouco. Depois, quando o sol estiver mais manso, voltamos à praia...

Conversaram, riram e logo foram almoçar. Dona Santa preparou uma feijoada completa e Jack adorou o prato que nunca tinha experimentado antes. Comeu tanto que precisou deitar-se para recuperar-se. Enquanto ele dormia um pouco no quarto, Clara pegou seu iPad para ver o que estava acontecendo no mundo e surpreendeu-se ao encontrar um e-mail de Mick Jagger pedindo a opinião dela sobre algumas cenas já escritas para o filme por Jack Sommers.

Nada disposta a trabalhar naquele momento, Clara deu um longo suspiro e respondeu o e-mail de Jagger apenas avisando que tentaria ler as cenas no avião, a caminho de São Paulo, mas que não podia prometer nada porque tinha muitos compromissos até lá.

Depois ela postou uma foto dela e de Jack na praia em seu blog: "O Brasil é um paraíso, mas logo encontraremos todos vocês na estrada."

- Bom dia, querida... a feijoada me derrubou... que delícioso morrer de tanto comer... Alguma novidade?

- Nada de interessante, querido... estou postando uma de nossas fotos no meu blog, veja... - disse Clara mostrando o iPad para Jack.

- O que está escrito aqui?

- Desculpa, sempre me esqueço que você não entende português. - Clara disse e traduziu para Jack o que tinha acabado de escrever.

- Esta foto está mesmo linda, querida... mas temo que ela irá aguçar ainda mais a fúria da imprensa brasileira para nos encontrar...

- Não tinha pensado nisso. De qualquer jeito não dá para identificar o lugar onde estamos. Existem muitas praias deste tipo neste país.

- Não tem problema, querida. O David sempre protegeu muito bem este lugar e ninguém nem imagina que ele existe. Não se preocupe, as pessoas irão tentar nos achar, mas não conseguirão. - Jack sorriu, estendendo a mão para Clara. - Vamos para a piscina? Tem uma sombra boa lá...

- Vamos querido... - sorriu Clara, levantando-se e seguindo-o até a piscina, onde ficaram até o final da tarde.

- Querido, hoje o dia está tão lindo... vou pegar a câmera, vem, vamos até o deck  filmar o por do sol...

Enquanto Clara concentrava-se na beleza das cores que via no céu, Jack pegou um violão emprestado e forneceu a trilha sonora tocando com suavidade os acordes de "Song of the Woods".

Clara ficou com os olhos cheios d'água diante de tanta beleza e passou a filmá-lo, sentado no deck, ao seu lado, tocando sua música favorita, enquanto esperavam pela chegada da noite de um dia perfeito.

Assim que escureceu, os dois foram para o quarto, tomaram banho juntos e depois cuidaram um do outro com cremes hidratantes. Ainda em clima de comemoração, os dois arrumaram-se muito bem para jantar. Clara colocou um vestido longo branco, bem vaporoso e Jack vestiu uma calça de linho clara e uma camisa de seda de mangas longas, azul, da cor de seus olhos.

Depois da feijoada pesada do almoço, o jantar foi um salmão assado com molho de maracujá e  um delicioso risoto de camarão.

- Meu amor... ergo minha taça para comemorar a sexta-feira mais perfeita da minha vida. Aquele dia, há 3 meses, em Nova York, quando eu encontrei um anjo que me acolheu em seus braços e transformou minha vida triste e sem graça  em um paraíso! Eu te amo, Clara!

- Eu te amo Jack... - Clara disse com os olhos molhados de lágrimas. - Você é minha vida!

Os dois terminaram o jantar e Jack fez um pequeno sinal para Charles, que veio prontamente com um pequeno aparelho de som nas mãos.

- Tenho uma pequena surpresa para você. Pedi ao Charles para providenciar música e assim, poderemos dançar nesta noite... você me dá a honra de dançar comigo aqui na varanda?

- Meu amor! Que lindo! Você é maravilhoso...

Os dois passaram algumas horas dançando agarrados, trocando carinhos e palavras doces ao ritmo da música romântica que saia dos pequenos alto-falantes do aparelho.

- Querido, que tal se levarmos a música para nosso quarto? - Clara sussurrou no ouvido de Jack.

- Vamos para lá, mas a música fica... sabe, ainda não te disse, mas não gosto de música na hora em que estou fazendo certas coisas, meu amor...

- Mesmo? Por que?

- Porque me tira a concentração... gosto de estar inteiro com você... vem... vamos meu amor...

Clara estava sentada à frente de seu computador, na redação do jornal. Sua mesa de trabalho sempre tão organizada agora complicava sua vida. Seu bloco de anotações onde estavam todos os dados da matéria que precisava escrever tinha sumido.
Olhou cada uma de suas gavetas e não conseguiu encontrá-lo, enquanto isso, sua editora já mostrava impaciência, cada vez que cruzava o corredor na frente de sua mesa. Cada vez mais nervosa, ela repentinamente viu a redação desmanchar-se diante dos seus olhos ao sentir os carinhos de Jack tirando-a do sono.

Mais uma vez eles se amaram... doce, lentamente. Enquanto os raios de sol começavam a iluminar o quarto e a aquecê-lo, eles sentiam-se felizes nos braços um do outro.

- Meu amor... me perdoa por acordá-la, mas a desejava tanto que não podia mais esperar...

- Querido... não tenho o que perdoar... foi a melhor forma de acordar nessa manhã de domingo tão linda, pelo seu carinho...

- Estou com fome, meu amor... vamos levantar?

- Vamos querido, também estou com muita fome... está sentindo esse cheiro delicioso do pão que a Dona Santa faz todos os dias?

- Sim, estou... e isso é maravilhoso... Vamos nos vestir logo, então... Vamos para a praia hoje, não?

- Claro, querido, o dia está lindo... olha só pela janela...

- Você é ainda mais linda... - disse ele abraçando-a. - A noite passada foi uma das melhores de minha vida e neste momento sinto que te amo ainda mais do que já amava...

- Eu nunca me esquecerei da noite passada, querido... - Clara disse beijando-o. - É até injusto que não tenhamos feito nosso filho nesta noite.

- Ah Menininha... - sorriu Jack, abraçando-a.

Vestiram-se com suas roupas de banho,  foram até a varanda e aproveitaram a refeição caprichada preparada por Dona Santa. Depois desceram na praia e caminharam até o final dela, sentando-se nas pedras para descansar.

- Hoje o sol também está forte, Menininha... vem aqui, vou passar um pouco mais de protetor solar no seu corpo...

- Hum... você também está começando a ficar vermelhinho, amor... vou passar mais em você também. - Clara disse pegando o creme e espalhando com suas mãos pelo corpo de Jack.

O envolvimento entre os dois só aumentava e sem que percebessem, ou se importassem com o fato de estarem no meio de uma praia, em pleno dia, os dois se amaram, entre as pedras onde estavam sentados, sob o sol inclemente daquele domingo.

- Jack, que loucura! Será que alguém nos viu? - perguntou Clara vestindo rapidamente seu biquini. - Não podemos ser assim, tão descuidados...

- Não se preocupa, querida... estamos longe da casa, não estamos? Não tem ninguém por aqui, nunca...

- Mas fomos longe demais...

- Não fizemos nada errado, meu anjo... só nos amamos... - disse Jack indo na direção do mar ainda nu. - Vem querida... a água está deliciosa...

- Amor, vem se vestir primeiro...

- Não é preciso... vem querida, vamos aproveitar enquanto podemos... vem amor...

- Está bem... - disse ela mergulhando atrás dele sem a parte de cima do biquini. - Você é louquinho mesmo...

- Sou louco por você... - riu Jack. - Você está linda de sereia... Sempre deveria vir à praia assim...

- Ainda estou com muito medo de ser vista... - riu Clara. - Pode não parecer, mas sou tímida...

- Ah, linda... estou me sentindo um pouco ardido, querida... vamos passar mais protetor solar?

- Vamos sim, vida... também estou... acho melhor passar o protetor e irmos até perto de casa, onde tem os guarda-sóis para ficarmos embaixo... E suas costas, como estão? Essa mancha preta está tão feia...

- Está doendo um pouquinho, mas menos do que ontem... Não se preocupa, meu amor...

- Veste o calção querido... - disse Clara vestindo a parte de cima de seu biquini e colocando o chapéu de volta... - A nossa pele é mais sensível em alguns lugares e pode ficar ardida...

- Está bem, querida... isto seria desagradável...

Os dois passaram mais algum tempo sob os guarda-sóis e logo entraram para almoçar. Dona Santa tinha mais uma surpresa para eles naquele domingo, um delicioso churrasco.

- Querida, vamos precisar ajustar o figurino para os shows... do jeito que vai, vou engordar alguns quilos nestas férias...

- Eu também, amor... - riu Clara.

- Acabei de pegar uma mensagem do Sillas no meu celular confirmando nosso passeio pela mata amanhã cedo...

- Ai que bom, amor! Não vejo a hora de entrar nessa mata... deve estar cheia de pássaros e pequenos animais lindos, querido...

- Está mesmo... quando estive aqui com o Dave, fomos até uma cachoeira linda... Você vai adorar. Aliás, que tal nos mudarmos para cá em definitivo?

- Não podemos, querido...

- Talvez se o Mick te convidasse...

- Por favor, não termina essa frase... você sabe muito bem que o Mick é só um amigo seu e meu também... - disse Clara com um tom irritado que quase nunca ela usava.

- Me perdoa, querida... não quis te deixar nervosa. Mas cada vez que penso nele, sempre tentando aproximar-se de você, me descontrolo.

- Você nunca vai me perder para ele, Jack. Já te disse isso,  você precisa me empurrar para longe para que isso aconteça e mesmo assim, vou continuar te amando... muito...  Eu só não acredito que você não consegue viver aqui em definitivo, como sei que não consigo. É muito bom estar aqui com você, mas se ficarmos mais tempo, começaremos a sentir falta do mundo lá fora.

- Eu sei o que você quer dizer... me perdoa...

- Esse paraíso sempre será nosso... quando as coisas ficarem muito complicadas lá, no mundo, sempre podemos fugir para cá... e quando não pudermos, ainda temos nós dois para nos abrigar de qualquer tempestade... quero ser a tua casa, como você é a minha...

- Eu te amo... - Jack disse, beijando-a. - Você é meu paraíso...

- Ah Jack, meu amor... e então, vamos voltar para a praia, andar um pouquinho?

- Não sei se consigo... estou quase explodindo de novo, de tanto comer...

- Então está bem... vamos descansar na rede... vem, amor...

Os dois caminharam até a varanda, instalaram-se na rede e encaixados nos braços um do outro pegaram no sono. O dia quente os deixou ainda mais sonolentos do que o habitual. Mas não foi um sono muito tranquilo, as costas de ambos estavam ardidas pelo sol que tomaram de manhã e mal acordaram, foram até a cozinha pedir que Dona Santa fizesse seu preparado especial para queimaduras.

E depos de pegar o preparado de Dona Santa, os dois foram para o quarto, tomaram um banho e o espalharam pelo corpo. Vestiram roupas leves e foram jogar uma partida de sinuca.

- Amanhã nosso dia começa cedo, Menininha... acho que precisaremos acordar umas cinco da manhã.

- Já vou deixar o celular programado para não esquecer. Estou morrendo de sede, vamos tomar uma água de coco?

- Boa ideia... está muito quente hoje... Então, Menininha, você vai me ensinar português?

- Vou sim... o que você quer aprender?

- Tudo... quero poder falar coisas indecentes no seu ouvido em português...

- Ai Grandão... você já é sexy demais quando fala em inglês...

Os dois passaram mais algumas horas descansando e rindo. Clara ensinou algumas frases em português para Jack e ele passou a repetí-las para tentar decorar.

- Então, aceita jogar mais uma partida de sinuca, Menininha?

- Vamos, querido... mas sinto que hoje vou ganhar de você...

- Sente, é? - sorriu Jack agarrando-a. - Quer apostar alguma coisa?

- Você está confiante demais, Grandão... mas você sabe que não aposto, sou muito ruim nesse jogo...

- Mas quero um prêmio pela minha vitória... - sorriu Jack.

- Você sempre tem tudo de mim, Grandão... e nem precisa ganhar nada para conseguir... é só me olhar do jeito que você me olha e pronto...

- Meu amor... - Jack disse puxando-a para mais perto e beijando-a.

Os dois jogaram uma partida de sinuca e foram jantar assim que escureceu. Precisavam dormir cedo para acordar bem no dia seguinte para seu passeio.

Continua

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