26 de fev de 2012

Rockstar - Capítulo LXXI


O caminho até o restaurante foi curto e rápido. Logo os quatro passavam pelas portas da pizzaria, cheia de clientes, naquele sábado gelado, agora boquiabertos ao notarem a chegada inesperada de dois grandes ícones do rock. Mick nunca deixava de tomar suas precauções e três seguranças os acompanharam até a pizzaria em um segundo carro e depois, escoltaram-nos até sua mesa reservada em uma área já isolada para eles no restaurante, garantindo que ninguém os perturbasse.

- Então, como foi o dia de vocês? - sorriu Mick. - Digam que se divertiram, por favor... porque o meu foi apenas mais uma batalha feroz contra advogados com sede de sangue em Paris, para ter as coisas do meu jeito.

- Ao menos foi uma batalha proveitosa? - perguntou Clara, sorrindo.

- Sim, querida! - sorriu Jagger, olhando-a nos olhos. - Tenho muito a comemorar nesta noite. Tudo parece ter dado certo e estou quase livre para uma lua de mel apropriada em Nice.

- Fico feliz por vocês! - sorriu Clara. - Passamos um dia muito bom aqui, não, Gianna?

- Sim, querida! - sorriu Gianna. - Foi tudo maravilhoso... desde nosso passeio de manhã até o salão de beleza do hotel... perfeito!

- Meu dia foi quase perfeito... - suspirou Jack. - Exceto por um pequeno deslize do juiz no jogo do meu time, que anulou o nosso gol da vitória contra o Manchester City... não tenho do que reclamar, não é verdade, Menininha?

- Não, querido... - sorriu Clara. - Nosso dia foi muito bom... Nossos amigos reunidos na nossa nova casa... enfim, um sábado lindo!

- Clara... estava aqui pensando... eu e o Mick estávamos discutindo no caminho, queria saber o que vocês pensam... - disse Gianna. - Vocês acreditam que um homem e uma mulher possam ser somente amigos?

- Eu sempre fui muito amiga do Jonas, meu editor, por exemplo. - sorriu Clara. - Acredito que sim, muitas vezes viajávamos juntos e até dormíamos no mesmo quarto, para economizar e nunca aconteceu nada entre nós...

- Mas será que ele não é gay? - disse Jack. - Quero dizer, um homem que gosta de mulheres, não deixaria de tentar ficar com uma mulher linda como você.

- Mas ele sempre teve namorada... não, Jack, ele não é gay... eu é que não sou tudo isso que você pensa de mim, meu amor... eu tenho um espelho em casa, e sei que agora sou só uma magricela sem graça, imagina antes...

- Não, querida. - disse Mick. - Você já era muito atraente na primeira vez que te vi, em Nova York, no dia em que vocês dois se conheceram...

- Você não é sem graça não, Clara. - riu Gianna. - Você só não se deu conta ainda da sua beleza... E já nasceu assim... não tem necessidade de grandes produções para ficar linda.

- Está vendo? - riu Jack. - Ela nunca acredita quando eu digo isso para ela...

- O que eu quero dizer é que nunca fui essa mulher irresistível... e também acho que tem a questão do trabalho, talvez nem eu, nem ele tenhamos considerado essa possibilidade porque tinhamos que trabalhar juntos, um era a melhor chance profissional do outro e, sendo assim, você só se envolve se surgir uma paixão fulminante. Como eu tive quando vi o Jack pela primeira vez, em Nova York.

- E a nossa relação ali também era para ser de trabalho, amor... - sorriu Jack.

- Sim, mas o que eu senti, quando te conheci, era muito maior do que todo o medo que eu tinha de destruir minha carreira me envolvendo... - sorriu Clara, pegando a mão de Jack sobre a mesa.

- A Gianna não acredita em uma amizade verdadeira entre homens e mulheres... eu acredito... Já tive muitas amigas mulheres... a Clara, por exemplo, é uma amiga que eu adoro... E nunca aconteceu nada entre nós... Mesmo existindo um enorme carinho, estamos envolvidos em outros relacionamentos amorosos...

Clara ficou um tanto assustada com os rumos daquela conversa e tentava pensar rápido em uma forma de mudar de assunto antes que Jack quebrasse a cara de Mick. Felizmente Gianna a salvou.

- Ah... mas a Clara não conta. - riu Gianna. - Ela não te daria a mínima chance, Mick... é uma mulher completamente apaixonada pelo marido...

- Exatamente... - sorriu Clara. - Admiro o Mick como artista, temos muito em comum e por isso, gosto de conversar com ele; mas ele é meu amigo; enquanto o Jack... o Jack é meu outro eu... a razão da minha vida...

- Meu anjo! - sorriu Jack, beijando Clara. - E você é a razão da minha...

- E você Jack? - perguntou Gianna. - Você acredita que homens e mulheres possam ser somente amigos?

- Não sei... Acho que sim... - sorriu Jack. - Eu não sou o melhor exemplo do mundo nesse quesito, mas posso dizer que, hoje em dia, sou muito amigo da Mary, minha ex-esposa. E sou amigo da Clara também... mas somos amantes e entre nós, acho que nunca houve um momento de amizade "desinteressada"... Talvez sejamos a exceção que confirma a regra...

- Viu só, amore? - sorriu Mick. - Até o Jack acha que isso é possível...

- Eu continuo achando que não... - riu Gianna. - Entre um homem e uma mulher, qualquer coisa pode acontecer...

A frase de Gianna criou um silêncio estranho naquela mesa até então cheia de sorrisos, desfeito por Jack, que parecia o heroi que repentinamente pula com sua espada, diante do perigo, salvando quem já havia perdido a esperança.

- Bem, meus queridos... - sorriu Jack. - Depois desta maravilhosa pizza e deste incrível vinho, espero que todos ainda tenham apetite para provar a mais deliciosa sobremesa do mundo, em nossa casa...

- Claro! - sorriu Clara, fazendo um sinal para o garçom. - Vou pedir a conta para pagarmos, Gianna...

Clara e Gianna dividiram a despesa da pizzaria e alguns minutos depois os quatro estavam em seus carros, a caminho de casa. Entraram rapidamente porque a noite estava ainda mais fria e Jack acendeu pela primeira vez a lareira da sala de estar, onde Clara serviu fatias generosas de brigadeirão e champagne para todos.

- Isto é dos deuses, Clara! - sorriu Mick. - Tão delicioso que acho que precisarei de mais uma fatia...

- Muito bom, mesmo, querida... - disse Gianna sorrindo. - Nossa... não entendo como você é assim magrinha comendo coisas tão boas como essa...

- Este doce é mesmo maravilhoso, querida... - sorriu Jack, puxando-a para mais perto dele no sofá.

- É, Jack, meu velho... - riu Mick. - Você é um cara que tem tanta sorte que, se eu estivesse em seu lugar, apostaria em uma daquelas loterias milionárias... ganhava na certa.

- Sou mesmo, mas acho que essa sorte não se estende para o jogo, sabe como dizem, feliz no jogo, infeliz no amor... - disse Jack, beijando Clara no rosto.

- Amore, vamos embora? - perguntou Gianna. - Precisamos acordar bem cedo amanhã para o casamento...

- Ah, sim... - sorriu Mick. - Talvez seja melhor, afinal, ninguém aqui vai querer aparecer com uma cara toda amassada nas fotos amanhã, não?

- O Pablo vem aqui te arrumar? - perguntou Gianna. - Gostei muito dele... deixou meu cabelo lindo hoje...

- Ele vem amanhã aqui, bem cedo para me maquiar... se você quiser, você pode vir aqui e ele te arruma também...

- Não será necessário querida. Já combinei com um cabelereiro e um maquiador que sempre me atendem... mas obrigada pela oferta. Amanhã será uma festa e tanto...

- Tenho certeza que sim... o velho Paul é muito bom nessas coisas... - sorriu Mick. - Bem, queridos, esta noite foi mais uma vez um enorme prazer e gostaria de agradecer-lhes a generosidade, a hospitalidade e este pequeno vislumbre do paraíso que as habilidade culinárias da cara senhora Noble nos proporcionou...

- Imagina, querido... - sorriu Clara. - Nós é que agradecemos vocês por esta noite maravilhosa...

Mick e Gianna despediram-se e partiram, enquanto Clara foi até a cozinha lavar o que utilizaram e deixar tudo arrumado, enquanto Jack a ajudava.

- Cansada, meu amor? - perguntou ele guardando as últimas taças de champagne no armário.

- Um pouco... Mas vamos um pouco para a sala de estar, aproveitar nossa lareira...

- Hum... então, posso mesmo ser seu amigo, Menininha?

- Não... - sorriu Clara, puxando-o pela mão até a sala de estar. - Amigos não fazem o que fazemos, meu amor... Se fossemos só amigos, não seria certo eu tirar assim suas roupas...

- Não seria certo... - sussurrou Jack, acariciando-a e ajudando-a a despir-se. - Ai Menininha... você me enlouquece...

Juntos, na sala de estar, em frente à lareira, os dois se amaram e mais tarde, subiram para seu quarto. Com as roupas para o casamento já separadas, dentro do closet e tudo arrumado para que Pablo e sua equipe a deixassem pronta para sair; ela apenas ativou o alarme do celular para despertá-los às 7 da manhã.

O casamento estava marcado para as 10, na mansão de Paul, que não ficava muito distante da casa deles. E acordando naquele horário, ela poderia receber Pablo tranquilamente às 8 e eles partiriam, tão logo estivessem prontos.

Logo, os dois estavam adormecidos nos braços um do outro, sob um edredom que os protegia do frio que fazia em Londres naquela madrugada.

- Bom dia, meu amor... - disse Jack ao ouvir o alarme do celular tocando. - Vou fazer um café da manhã para você... Quer panquecas?

- Bom dia, querido... - sorriu Clara. - Quero sim... Você sabe como está o tempo lá fora?

- Já vejo para você, querida... - disse Jack levantando-se nu e caminhando até o terraço. - Hum... ainda está um pouco frio, mas acho que não estará tão frio quanto ontem...

- Ai, amor maluquinho... está frio demais para sair nu assim lá fora... - levantou-se Clara, vestindo seu robe de seda e levando para Jack o seu robe felpudo. - Vai congelar, amor...

- Não vou, não... - sorriu Jack. - Não está nem tão frio e acho que fará até sol hoje... olha ali...

- Que bom! Minhas roupas para o casamento não são muito quentes... não pode fazer muito frio hoje...

- Mas se estiver frio, eu te esquento, Menininha... Vem aqui, vem... Vou te mimar hoje o dia inteiro... a mulher mais linda da festa...

- Espero que não, amor... hoje quero ser só mais uma convidada. A Nancy deve ser a mulher mais linda da festa hoje...

- Mas você é muito mais bonita do que ela...

- Não sou, não e hoje é o dia dela... gosto muito dela e do Paul e não tenho a mínima intenção de roubar a cena deles hoje... aliás, quero ficar todo o tempo na sua sombra... uma gueixa, pronta para serví-lo...

- Menininha... não fala essas coisas... assim não vamos conseguir sair deste quarto hoje... - disse Jack agarrando-a e beijando-a.

- Minha delícia... - sorriu Clara. - Vamos descer... ou daqui a pouco o Pablo chega e não estamos prontos para recebê-lo...

- Você não precisa dele, Menininha... você está linda assim, de cara lavada...

- Você é lindo meu amor... - disse Clara beijando-o novamente.

Os dois desceram, tomaram o café da manhã e arrumaram juntos a cozinha. Depois subiram, tomaram banho juntos e Clara ajudou-o a vestir-se. Depois, ela vestiu suas roupas íntimas, o robe de seda e estava pronta para seu cabelereiro.

- Querida! Que linda sua casa! - disse Pablo, ao entrar com sua assistente, na sala de estar, onde Clara aguardava. - Muito bom gosto, querida...

- Olá Pablo, como vai? - sorriu Clara. - A Cindy Mersey decorou tudo... Vamos lá para cima?

- Vamos sim, querida...

- Você vai ficar aqui embaixo, amor? - perguntou Clara, ao ver Jack sentar-se no sofá da sala de estar.

- Vou sim, amor... quero ligar para o David... Você sabe onde está meu celular?

- Acho que está lá em cima... já trago para você... - sorriu Clara.

Os três subiram as escadas e Clara encontrou o celular de Jack no bolso da calça jeans que ele estava usando na noite anterior. Desceu rapidamente, entregou-o a Jack e subiu para receber os cuidados de Pablo e sua assistente, que ajeitaram seus cabelos, a maquiaram e ajudaram-na a colocar e prender seu chapéu, enquanto discorriam incansávelmente mais uma lista de novidades sobre os convidados e a própria festa que, mesmo antes de acontecer, já era o assunto favorito de toda a cidade.

A seguir, ela colocou seu vestido, sapatos, jóias e finalmente estava pronta para ir ao casamento. Depois que Pablo e sua assistente partiram, ela ainda ajudou Jack a vestir o paletó e a gravata e os dois estavam prontos para sair.

Os convidados foram recebidos com toda a pompa na mansão de Paul, mas antes tiveram que enfrentar uma grande fila de carros de luxo, para entregar seu carro nas mãos de um manobrista.

Com o quarteirão da mansão fechado apenas para os convidados, um grupo de fotógrafos e cinegrafistas disputava espaço com curiosos, nas barreiras cuidadas por seguranças e policiais.

As barreiras policiais apenas confirmavam o maior de todos os boatos sobre aquela festa a de que ela contaria com a presença dos príncipes Harry, William e de sua esposa Kate, a Duquesa de Cambridge.

Aos poucos, os convidados foram sendo recebidos na casa e inicialmente, assistiram ao casamento civil, realizado em um cartório de registros, através de um telão e depois, quando os noivos chegaram, assistiram a uma cerimônia mais íntima, que aconteceu em uma tenda erguida no meio dos belos e bem cuidados jardins.

Clara estava radiante por estar em uma festa tão bonita, mas teve uma parte importante de sua alegria trocada por preocupação, quando Michael Peters chegou ao lado de Ann Kurtiss.

Ao perceber a presença da cantora, Clara deu a mão a Jack e decidiu que passaria toda a festa colada nele.

- Querida, você está bem? - perguntou Jack ao perceber que as mão de Clara tremiam.

- Desculpa, amor... acho que não estava preparada para encontrar com a Ann Kurtiss aqui...

- Se você não quiser, nem falo com ela... você é quem manda, Menininha... - sorriu Jack, enquanto a puxava para mais perto de seu corpo e a beijava. - Sou todo seu hoje e sempre...

- Ai que lindinho, Jack... - sorriu Clara. - Ah, se não estivessemos agora em um lugar público...

- Eu já estaria te mimando tanto... - riu Jack. - Ai, Menininha... eu te amo, meu amor... Queria estar casando novamente com você...

- Eu também, amor...

- Bom dia, meus caros... - disse Mick beijando Clara e Jack no rosto. - É uma bela festa, não?

- Linda! - sorriu Clara. - E a Gianna?

- Está ajudando uma amiga que teve alguma emergência com o figurino, no banheiro... - sorriu Mick. - Ela fica tão radiante em festas como esta que é mesmo uma pena não fazermos uma pela nossa união...

- Mas faça, Mick. - sorriu Clara. - Eu também adoro festas de casamento. Vocês não deveriam perder essa chance de comemorar o fato de que são felizes juntos... ninguém alias deveria perder...

- Está quase me convencendo, querida... - Mick disse enquanto usava seu olhar mais sedutor, deixando-a embaraçada e torcendo que Jack não percebesse.

- Se vocês decidirem, terão nosso total apoio, amigo... - sorriu Jack.

- Sim, nos oferecemos para padrinhos, Mick. Queremos muito vê-los felizes...

- Obrigada, queridos... Vocês são mesmo maravilhosos...

A conversa com Mick ainda seguiu por alguns minutos, interrompida pela aproximação de David e Cindy. Um respiro para Clara, que já estava ficando nervosa com o olhar sempre indiscreto de Mick.

Com o passar do tempo, Clara relaxou um pouco e depois de ser oficialmente apresentada aos príncipes, por Paul e Nancy; ela juntou-se ao seu grupo de amigas, que hoje estava reforçado por Gianna e por Patti e finalmente começou a entrar no espírito da festa.

Enquanto isso, Jack discutia o repertório e o revezamento que aconteceria no palco, naquele momento, ainda ocupado por uma banda contratada para animar a festa, mas que logo seria substituída pelo estrelado elenco de amigos do noivo, que começariam a tocar, logo após todas as etapas envolvidas no cerimonial do casamento, terem sido cumpridas.

- Clara querida, estou lembrando muito do seu casamento hoje... - sorriu Cindy.

- Eu também... é tudo tão lindo e tão romântico... - Clara sorriu, ao aproximar-se um pouco mais de um dos belos arranjos de flores para ver melhor.

- É, mas também porque são os mesmos fornecedores. - Cindy riu apontando para o cartão que identificava a origem dos arranjos. - Assim fica fácil...

- Ah querida... eu estava explodindo de felicidade naquele dia e hoje também estou... embora, preferisse que certas pessoas não estivessem por aqui...

- Trazer a Ann Kurtiss foi mesmo um golpe baixo do Peters... O que será que ele pretende com isso? - disse Jennifer.

- O que ele pretende, eu não sei, mas ao menos ela está quietinha, no canto dela, não a vi afastar-se do Peters nem por um minuto... - riu Cindy.

- Espero que continue assim... - disse Clara.

- Amor... - disse Jack ao aproximar-se do grupo e provocar a interrupção repentina dos comentários. - Você quer cantar comigo no palco?

- Ai querido... melhor não... Tem muita gente e vou morrer de vergonha se fizer alguma bobagem...

- Você que sabe, querida... Poderia até garantir que você não fará bobagem, que sua voz é linda e tudo o que sempre repito para você. Mas você precisa perceber isso, não adianta eu falar... Vem e não olha para o público, olha só para mim... o David vai estar lá conosco... Vamos fazer "The Light", vamos...

- Vou sim, amor... - suspirou Clara, segurando Jack pela mão. - Acho que não posso nem pensar na estreia, se nem esta plateia aqui eu consigo enfrentar...

- Que mão gelada, amor... calma... todo mundo te ama aqui... Você está entre amigos...

- Oi Princesa... vamos cantar? - perguntou David aproximando-se dos dois.

- Estou nervosa, David. Quase em pânico...

- Ah querida, não fica... Quando subir no palco, olha só para o Velhão e você vai ficar bem... tenho muita fé em você... - disse David abraçando-a.

- Oh bro... minha mulher, ok? - sorriu Jack puxando-a dos braços de David. - Ela vai ficar bem, sim... Vamos lá, amor?

Os três subiram juntos ao palco, David e Jack pegaram guitarras acústicas e Clara os acompanhou. Estava nervosa, mas aos poucos conseguiu concentrar-se e os três foram muito aplaudidos pelos convidados.

- Meus caros amigos... - disse Jack, depois de cantar com Clara. - Vocês acabaram de ouvir a razão da minha vida, cantando... E vou aproveitar que ela está aqui neste palco, ao meu lado, para cantar a primeira música que ela inspirou e que iniciou, de fato, a volta da Crossroads aos palcos... "Unexpectedly"...

Clara tentava disfarçar suas lágrimas, mas estava muito emocionada em ouvir novamente a "sua música", dali, de cima do palco, ao lado de seu grande amor. No final da música, ela beijou Jack e desceu do palco, enquanto ele continuou por lá, por mais algum tempo cantando velhos blues.

Quando já tinha anoitecido, Jack convocou discretamente seus amigos mais próximos e convidou-os para irem até sua casa nova, onde serviu champagne e um bolo de chocolate que compraram no caminho.

- Então, querida... - sorriu Jennifer. - Que festa hein?

- Eu também gostei muito... - sorriu Clara. - Dancei, cantei e chorei... muito...

- Acho que casamentos são para isso, não? - riu Jennifer. - Eu também gostei...

- A Nancy estava muito bonita... adorei o vestido dela... - disse Cindy. - Simples e romântico como todo casamento deveria ser...

- Foi lindo... fiquei tão emocionada quando o Paul cantou para ela... - sorriu Clara. - Foi tão doce...

- Você é que é um doce, meu amor... - sorriu Jack. - Vem aqui, sentar comigo... quero te mimar um pouco... Amanhã, a essa hora, já estaremos no avião, a caminho do Brasil...

- É mesmo, amor... Estou tão ansiosa...

- Ah Princesa... não fique... o Velhão é meio chato, mas naquele paraíso que é o Brasil... você não vai nem perceber... - riu David.

- Ah David... não fala assim do meu amor... ele é lindo... O mais doce dos homens...

- Você é linda, meu amor... - Jack sussurrou em seu ouvido. - Eu te amo!

- E já que está ficando bem tarde para quem saiu de casa de manhã, que tal se deixarmos nossos queridos amigos aproveitarem sua nova casa para um bom descanso antes de sua longa viagem? - disse David rindo.

- Ah, mas gostaria que vocês passassem a noite aqui, conosco... - sorriu Clara. - Temos quartos de hóspedes lindos lá em cima...

- Princesa, você é um anjo, mas precisamos ir para casa. - disse David pegando sua mão e beijando-a. - Aproveitaremos muito de sua hospitalidade, depois que vocês voltarem de viagem, terão que nos expulsar daqui...

- Nunca, meus queridos... eu e o Jack amamos muito todos vocês e estamos muito ansiosos para tê-los aqui conosco. - sorriu Clara.

- Bem, Princesa e Velhão... quero em nome de todos nós desejar a vocês dois as melhores férias do mundo. Aproveitem por nós aquele sol maravilhoso e voltem bronzeados e renovados para a turnê... E se tiverem qualquer problema por lá, me liguem...

- Obrigado, Dave... - sorriu Jack, abraçando o amigo. - É muito bom saber que logo estaremos novamente na estrada. Os últimos três meses têm sido os mais felizes de toda a minha vida, graças à minha Clara e a vocês...

Os amigos se despediram e partiram. Clara agarrou-se a Jack, com frio e os dois entraram novamente em casa, arrumaram a cozinha juntos e subiram para o quarto. Estavam cansados, tomaram um banho rápido, deitaram-se e passaram a noite agarrados um ao outro e embora não tenham conversado sobre isso, estavam tão ansiosos pela chegada da segunda-feira que não conseguiam dormir.

Continua

Nenhum comentário: