15 de fev de 2012

Rockstar - Capítulo LXX


- Então vocês vão passar o sábado inteiro naquele salão de beleza, de novo? - Jack disse, tentando interromper o choro silencioso de Clara. - Mas vamos almoçar juntos, ao menos?

- Vamos sim... - disse limpando as lágrimas e checando no espelho se a maquiagem estava borrada. - Desculpa amor, vamos no sábado, porque o casamento no domingo é cedo e como todas usaremos chapéus, vamos apenas prender nossos cabelos e protegê-los. Daí, no domingo, o Pablo virá até nossa casa, às 8 da manhã, para fazer minha maquiagem. E me disse, que se você quiser, pode arrumar seu cabelo...

- Melhor não... - riu Jack. - prefiro que você arrume, você sempre deixa meu cabelo bonito, amor... Estava pensando, no sábado à tarde, tem um jogo do Wolves... vou convidar os caras para assistir lá em casa, então... Testar a nova sala de TV...

- Ótimo! Você não quer que eu faça um almoço para todo mundo? - perguntou Clara.

- Não, amor... almoçamos no japonês, todo mundo junto e depois vocês vão para o salão e nós, para o nosso jogo... Não quero que você tenha trabalho, estamos sem empregados ainda...

- Não seria trabalho, meu amor... - sorriu Clara. - Mas tudo bem, se você prefere assim... Ah, querido, acho que precisamos passar em uma floricultura. - disse Clara. - Quero levar flores para a Gianna...

- Ah, sim! Tem um mercado aqui perto, vamos parar lá, você leva flores e eu levo uma garrafa de vinho... Me ajuda a escolher?

- Claro, amor... mas acho que você entende muito mais dessas coisas do que eu... - sorriu Clara.

O mercado era pequeno, mas bastante sofisticado e os dois foram seduzidos por um bolo de chocolate coberto de cerejas, na vitrine de sua confeitaria. Decidiram levá-lo, como presente aos seus anfitriões, juntamente com o vinho e as flores.

Diferente do que Clara esperava dele, Jack estava tranquilo, de bom humor e muito carinhoso. Ela estranhou, mas adorou aquele comportamento tão doce. Para ela aquela era a melhor parte da personalidade multifacetada de Jack, o homem apaixonado, que a tratava como uma rainha. Naquele instante ela sentia-se muito feliz ao lado dele e apenas torcia que aquela doçura durasse até o final da noite.

- Você não me disse nada sobre o que achou do roteiro que o Sommers escreveu. - sorriu Jack, enquanto ligava o carro para seguir até o apartamento de Jagger.

- Ah! Gostei muito das duas versões, amor... - sorriu Clara. - Por enquanto é só um esboço e a única diferença entre as duas é o ponto de vista. Você leu o livro, certo?

- Sim, amor...

- Então, em uma das versões, o filme vai mostrando a história do ponto de vista do Mike, o guitarrista da banda e o público vai desvendando os mistérios junto com ele, até a revelação final e na outra, o público vê tudo o que vai acontecendo com ele e a revelação final é só para o personagem. Eu, sinceramente, estou muito em dúvida. Algumas coisas devem ser reveladas, mas não sei se revelar tudo, na primeira cena, fará o filme ter o mesmo impacto.

- Hum... É Menininha... sua história é arrepiante, fascinante como as lendas lá do sul da América. O ambiente do blues é uma das coisas mais instigantes do mundo da música. E você foi muito feliz ao retratar aquilo tudo. Você já esteve lá, não?

- Não, amor... - sorriu Clara. - Já estive na América algumas vezes, mas nunca fui para New Orleans...

- Engraçado, mas quem lê o livro não diz. O jeito que você descreve o sonho dele, a estrada que ele segue... Menininha, tenho certeza de que já estive naquela estrada e ela fica perto de New Orleans. - sorriu Jack. - Você é mesmo uma bruxinha... a mais linda de todas...

- Ai Jack... - riu Clara. - Eu já vi muitos filmes e as músicas de vocês, dos Stones e do pessoal do blues fizeram o resto...

- Querida, não é a imagem... É o ambiente, a sensação exata de percorrer aquele caminho... Quando as coisas se acalmarem um pouco, vou te levar até lá para que você veja... É mais do que assistir ao sol se pondo no Rio Mississipi, é o cheiro do mato, a certeza de que as lendas só podem ser reais porque você sente isso na flor da pele, na energia que existe por lá... chega a ser assustador Menininha!

- Sabe, que tenho minhas teorias sobre o fascínio de vocês todos sobre o blues... acho que em algum momento, vocês todos, viveram por lá na época da escravidão...

- Você acha? - riu Jack. - Eu tenho certeza! Bem, Menininha, chegamos... é aquele prédio bonito, ali na esquina. Vou estacionar por aqui mesmo.

Clara olhou para a bela fachada de uma construção erguida no século XVIII, totalmente restaurada durante a década de 50, depois de ter sido derrubada pelos bombardeios da Segunda Guerra. Transformado agora em moradia de luxo, o prédio de sete andares teve seus apartamentos reconstruidos. Mas com o tempo e a ocupação da região pelos muito ricos, os pequenos quatro apartamentos de cada andar, transformaram-se em apenas uma unidade de moradia por andar e no caso do apartamento comprado por Mick, um triplex, incluindo uma boa área do telhado, onde o músico mandou construir um pequeno jardim, nos mesmos moldes do apartamento de Michael e Jennifer em Paris.

O sexto andar, o primeiro do apartamento de Mick, tinha sido ocupado por muitos anos por David, mas ele se mudou e vendeu-o a Mick, depois que Heathcliff Hall ficou pronto e Mick o adicionou à sua cobertura, reformando tudo, em seguida.

Jack e Clara conversaram com um recepcionista e foram encaminhados ao elevador.

- Amor, esse elevador... acabei de lembrar da nossa suíte Versalhes. É muito dourado junto, querido... - riu Clara.

- Verdade... - riu Jack. - Eles deveriam colocar um desses lá... Hum... tenho saudades de Nova York, amor... se não estivessemos com as mãos ocupadas.

Clara riu da ideia e beijou-o. - Vamos lá trabalhar, amor... Mais tarde, a gente conversa.

Quando a porta do elevador se abriu, Mick e Gianna já os esperavam no hall.

- Que bom que vocês chegaram! - sorriu Mick. - Senhor e senhora Noble, bem vindos à nossa humilde casa!

- Queridos! - sorriu Clara. - Parabéns por decidirem viver juntos!

- Obrigada pelo seu apoio à ideia, Clara! - disse Gianna. - Que flores mais lindas!

- Trouxemos também um vinho e uma sobremesa. - sorriu Jack, entregando os pacotes à Mick. - Parabéns pelo casamento...

- Obrigado, Jack. - sorriu Mick. - Sua esposa nos incentivou muito e percebemos que esta era a melhor decisão que poderiamos tomar. A Clara foi maravilhosa conosco, até me ajudou a comprar o anel para a Gianna.

- Ela me contou. Fiquei feliz por vocês... Ela é mesmo maravilhosa, Mick! - disse Jack abraçando Clara e beijando-a.

- Vem, vamos entrar, beber um champagne. O Sommers ainda não chegou, deve estar preso no trânsito, podemos conversar e relaxar um pouco. - sorriu Mick. - Venham, podem tirar os casacos, lá dentro está quentinho...

Um mordomo recolheu os agasalhos de Jack e Clara e guardou-os. Um outro empregado veio e levou os outros presentes; assim estavam livres para conversar, bebendo champagne e comendo delicados acompanhamentos.

- Então, estamos todos casando, não? - riu Jagger. - Até mesmo o Paul, que teria todas as razões do mundo para nunca mais querer isso na vida dele, vai se casar neste final de semana. Vocês vão ao casamento, não?

- Vamos sim! - sorriu Clara. - Vocês também, não?

- Sim, querida. - sorriu Mick. - Depois, vamos passar uns dias em Nice, preciso descansar antes de começar o trabalho com os Stones...

- E nós vamos para o Brasil. - sorriu Jack. - E voltamos depois de quinze dias. Queria muito poder ficar mais tempo, mas ainda temos muito trabalho até a turnê começar.

- Eu só posso ficar uma semana em Nice. - disse Mick. - O Keith quer ir logo para Barbados para trabalharmos nas músicas para o disco novo, e depois, tudo começa. Desta vez não estou com muita energia ou paciência, mas vou fazer... Tenho que admitir que ainda preciso do palco. Você vai ver, Clara, quando você experimentar, tenho certeza que também não conseguirá ficar muito tempo longe dele, como eu e o Jack, não?

- Eu tenho uma relação mais tranquila com o palco. - sorriu Jack.

- Mas não com a música, não é, amor? - riu Clara. - Aliás, acho que isso é comum a todos vocês... O mundo pode estar desmoronando lá fora, se alguém estiver tocando alguma coisa aqui dentro... os dois mergulham na música e pronto, estão fora de alcance...

- Verdade! - riu Gianna. - Mas acho que não se refere só à música, mas a qualquer coisa do interesse deles... o Mick, às vezes, assistindo futebol também sai do planeta...

- Mas isso é uma coisa masculina, Gianna... - riu Clara. - Nunca conseguem prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo...

- Conseguimos sim, querida... - riu Mick. - Isso também é lenda...

- OK! Vocês acham mesmo que conseguem prestar atenção em mais de uma coisa ao mesmo tempo? - sorriu Clara. - Depois da reunião, vamos fazer um teste... que tal?

- Oba! Adoro desafios, querida! - riu Mick. - Depois da reunião, podemos tentar... Que tal, Jack?

- Estou dentro... ainda não sei direito o que a Clara tem em mente, mas estou disposto a apostar com estas doces senhoras que conseguimos prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo... - sorriu Jack.

A conversa divertida acabou interrompida pelo aviso de que Jack Sommers havia finalmente chegado. Clara levantou-se do sofá, pegou seu notebook na bolsa e acompanhou Mick e Sommers até a sala de reuniões, no andar de cima do apartamento. O local de trabalho de Mick naquele apartamento impressionou Clara. Um bem equipado escritório e uma confortável e imponente sala de reuniões esperavam por eles.

- Clara, gostei muito de conhecer seu marido. - disse Sommers. - Eu juro que tentei não me emocionar, mas é mesmo incrível conhecer o "Deus do Rock"!

- Eu sei o que você quer dizer, Jack. - sorriu Clara. - Ele é um ícone, como o Mick... algumas cenas, mesmo para mim que tenho convivido com ele há alguns meses, ainda são surreais. Para mim também é incrível estar aqui, trabalhando com o Mick Jagger, no apartamento dele...

- No entanto, estamos trabalhando, querida. - sorriu Jagger. - Mas eu entendo o que vocês dizem... Nós nos sentiamos assim sobre os mestres do blues, o Jack já deve ter dito isso para você, não disse?

- Disse... - sorriu Clara. - Aliás os olhos do Jack brilham tanto quando ele fala desses caras, que eu, oficialmente, deveria ficar com ciúmes...

- Você tem razão, querida. Você encontrará isso em todos nós... acho que quem demonstra mais isso, entre nós é o Keith. Eu digo que ele está "possuído" pela música quando o vejo assim...

- Já vi... aliás, um dos momentos mais surreais da minha vida. Em Paris, às vésperas do show da UNICEF, ele e o Ron estavam na minha suíte mostrando ao Crossroads uma coisa no piano que tinham aprendido com um bluesman. Eu tive que me beliscar para ter certeza de que não estava sonhando...

- Não diga isso para ele, mas o Keith é um músico incrível... - sorriu Jagger. - Nem ele sabe o tamanho do talento que tem...

- Vocês todos são! - riu Jack Sommers. - E a Clara também tem uma voz linda. Ouvi hoje a versão nova de "The Light" que vocês fizeram e fiquei impressionado.

- A Clara nasceu para ser uma estrela. - suspirou Mick. - Logo vocês me verão dando entrevistas por aí, dizendo o quanto me emociona já ter tido a honra de trabalhar com ela!

- Você sempre é muito gentil comigo, Mick. Obrigada! - sorriu Clara acariciando a mão de Mick sobre a mesa de reunião.

- Então... - sorriu Sommers. - O que acharam das minhas ideias?

- Adorei! - disse Clara. - As duas versões são excelentes! Não me leve a mal, gostei muito da ideia de revelar todo o mistério na primeira cena, mas isso não seria um pouco frustrante para os leitores do livro? Porque sempre que vejo no cinema uma adaptação de um livro de que gostei muito, acabo frustrada porque nada fica parecido com o que imaginei durante a leitura...

- Sei o que você quer dizer, Clara... - respondeu Sommers. - Resolvi mudar a ordem da revelação do grande mistério, apenas como uma experiência, para ver se assim não conseguíamos aumentar o suspense.

- Entendi assim também, querida. - disse Jagger. - A ideia é ver de que forma a aflição de quem está assistindo é maior...

- Justamente, Mick! - sorriu Sommers. - Quero que as pessoas saiam do cinema dizendo..." - Nossa! Que terrível!" e não, " - Ah, eu já sabia!"

- Realmente, essa segunda versão me parece bem mais terrível. Será que não dava para combinar os sustos da segunda com a estrutura da primeira? - disse Mick.

- Para mim, acho que esse é o ideal. - Clara disse. - Vamos acompanhando o sofrimento e as dúvidas do Mike, até a certeza final de que os medos dele eram justificáveis....

- Acho que isso é possível sim... - sorriu Sommers. - Vamos salvar as anotações que cada um fez nos dois scripts em cada um dos nossos computadores e trabalhamos em cima delas. Estava aqui pensando, seu marido falou sério quando disse que colocará meu nome na lista de convidados da estreia em Londres?

- Claro que sim, Jack. - sorriu Clara. - Fazemos questão de ter você e sua namorada no show. Aliás quero o nome completo dos dois para dar ao Peters, empresário da Crossroads, para colocar na lista de convidados.

- Vou ser convidado também, não, querida? - riu Mick.

- Claro que sim... você e a Gianna! Quero todo mundo que eu amo na O2! E eu amo vocês dois! - sorriu Clara.

- E nós dois amamos você, querida! - Mick disse para Clara, enquanto pegava sua mão e a beijava.

- E eu amo a Crossroads! - sorriu Sommers, um pouco sem graça ao notar que quando estavam juntos, Clara e Mick pareciam mesmo ter o caso que todos os tablóides insinuavam.

- Então, ficamos combinados? - disse Sommers. - Na semana do show nos reunimos novamente para conversarmos mais sobre o roteiro e, enquanto isso, trocamos e-mails com as ideias que forem surgindo. OK?

- Perfeito, Sommers... Já está livre para enfrentar o delicioso trânsito até o aeroporto. A que horas parte seu voo?

- Às 9, de Gatwick para Nova York e de lá, pego minha conexão até Los Angeles.

- Meu motorista o levará a tempo. - disse Mick. - Não se preocupe, estará lá antes das 7 horas.

- Espero que sim. - sorriu Sommers. - Agradeço sua generosidade, Mick e estou muito orgulhoso de trabalhar com vocês dois. De verdade! Acho que até pagaria por este trabalho!

- E eu estou muito feliz de ver meu trabalho tratado com tanto respeito por vocês dois. - sorriu Clara.

- Você merece bem mais do que isso, minha cara. - sorriu Jagger. - Então, vamos nos divertir agora? Tem certeza, que você precisa mesmo voltar hoje para casa, Sommers?

- Tenho! Infelizmente, Mick. - sorriu Sommers. - Minha namorada vai acabar arrumando outro cara se eu não voltar... Foi breve, mas foi doce! E será maravilhoso ver a Crossroads no palco, dentro de alguns dias.

Os três desceram as escadas e chegaram na sala de estar, onde Sommers despediu-se de Jack e Gianna e depois, desceu acompanhado de Mick, que o levou até a garagem para encontrar seu motorista e partir em um elegante jaguar preto rumo a Gatwick.

- Jack, querido. - disse Clara. - Precisamos colocar os nomes do Jack Sommers e da namorada dele na lista de convidados da estreia, não podemos esquecer.

- Claro, meu amor. - sorriu Jack. - Dos Jagger também...

- Dos Jagger? - riu GIanna. - É engraçado ouvir isso.

- É, mas vocês se casaram, não? - sorriu Clara. - É justo chamar você de senhora Jagger, agora...

- Mas não deixa de ser engraçado... - riu Gianna. - Vocês conhecem o Mick, ele é tudo, menos comprometido com uma mulher...

- Ah, mas isso muda, Gianna. - sorriu Jack. - Eu também era assim, agora, não consigo nem pensar em outra pessoa, a não ser, minha esposa...

- Que fofo! - sorriu Clara encaixando-se nos braços de Jack. - Esse é meu marido, lindo!

- Vocês dois são tão bonitinhos juntos! - disse Gianna. - Acho que ouvem isso o tempo todo.

- Ouvimos sim, Gianna. - sorriu Jack. - Mas não conseguimos ser diferentes, estamos muito felizes e acho que todo mundo vê isso.

- Desculpa, queridos... - disse Mick charmosamente ao voltar da garagem. - Terminados os negócios, partimos agora para a alegria. Então, senhora Noble, como seria a aposta que gostaria de nos propor?

- Depois direi, querido, não posso contar antes, ou perco a vantagem da surpresa, mas vou propor a você e ao meu querido marido, um exercício simples de atenção. Quero ver se são mesmo capazes de prestar atenção em mais de uma coisa ao mesmo tempo.

- E o que estaremos apostando? - sorriu Mick. - Ou melhor, quanto?

- O jantar de amanhã. - sorriu Clara. - Quem perder, paga o jantar de amanhã. Eu e a Gianna contra vocês dois. Que tal?

- Perfeito... Aliás, melhor do que isso... outra chance de passarmos algumas horas juntos. - sorriu Mick. - Então, senhor Noble, vamos vencer, não?

- Certamente... então teremos um jantar gratuito amanhã, pago pelas nossas esposas! Quem ganhar escolhe também o restaurante? - perguntou Jack com um sorriso provocativo nos lábios.

- Sim, querido... - sorriu Clara. - Mas, se eu fosse vocês, não esquentaria minha cabeça com isso... porque vocês não irão ganhar mesmo.

- A Clara tem razão, Mick! - Gianna riu. - Então, aonde vamos amanhã, amiga?

- Tenho algumas ideias e acho que podemos até mostrar alguma condescendência com nossos adversários e permitir que eles nos ajudem a escolher o restaurante em que jantaremos. - disse Clara.

- Hum... Começo a perceber o preço de conviver com estas belas criaturas. - sorriu Jagger. - Você vê, Jack, no final das contas, faremos exatamente o que elas querem...

- Não, Mick... no meu caso, não é no final das contas, é sempre: A Clara manda, eu obedeço... - disse Jack terminando a frase curvando-se como um criado, diante da esposa.

- Muito bem, Clara! - riu Gianna. - Depois você me ensina como fazer isso? Meu marido ainda é um pouco rebelde...

Todos caíram na gargalhada quando Mick agarrou Gianna e beijou-a.

O mordomo anunciou que o jantar estava servido e todos seguiram para a sala de jantar, já preparada para recebê-los. Como todos os ambientes naquele apartamento, aquele também era de muito luxo e bom gosto. Uma bela tapeçaria com uma cena campestre, parecida com aquela pintada no teto da sala de jantar do castelo capturava todos os olhares naquela sala, cuja iluminação era indireta e dourada, como se estivesse constantemente banhada pelo sol.

O menu, feito por Gianna, foi italiano, mas bem leve, risoto e peixe assado; acompanhados por uma boa salada, tudo regado a muito champagne, a bebida favorita de todos por lá.

- Querida, este jantar está delicioso! - sorriu Clara. - Vou querer a receita.

- Quero fazer um brinde... - disse Mick. - Aos meus queridos amigos, que espero, me darão o privilégio de um constante convívio, agora que são meus vizinhos e às alegrias que teremos com este convívio! À amizade!

- À amizade! - todos ergueram suas taças.

- Também gostaria de brindar. - disse Clara. - Ao amor que uniu meus queridos amigos Mick e Gianna, que ele seja a fonte de muitas alegrias. Ao amor!

- Ao amor! - todos ergueram novamente as taças.

Depois dos brindes, foi a hora da sobremesa e o bolo de chocolate que Jack e Clara trouxeram, recheado com uma cremosa mousse de chocolate, fez muito sucesso entre todos.

- Isto é maravilhoso, querida. - disse Jagger. - Onde vocês compraram esse bolo? Acho que corro o risco de me viciar nele....

- É de um mercado aqui perto. - disse Clara. - Peguei um cartãozinho de lá, está na minha bolsa. Gostei tanto das coisas deles, que tive que pegar um cartão. Darei para vocês depois do jantar.

- Este bolo é muito bom, mas ainda conheço um doce de chocolate mais gostoso... - sorriu Jack. - Aquele que minha esposa faz. Como é o nome daquele doce maravilhoso, querida?

- Brigadeirão. - sorriu Clara. - É um doce brasileiro que o Jack adora...

- Já comi brigadeiro, no Brasil, querida. É muito bom... - sorriu Mick.

- Já comeu pudim, Mick? - perguntou Clara.

- Sim, também é muito bom... - respondeu Mick. - O Brasil é um grande risco para minha forma física, querida.

- Então, o brigadeirão é uma espécie de pudim de brigadeiro. Muito gostoso... Aliás, sabe o que farei amanhã? - sorriu Clara. - Não importa quem ganha a aposta, depois do jantar, vamos para minha casa para comermos brigadeirão de sobremesa. Que tal?

- Maravilhoso! - sorriu Mick. - Mas devo avisar... sou chocólatra e se este doce for só metade do que estou imaginando agora, precisarei de fornecimento constante dele.

- Claro, querido! Será um prazer recebê-los em nossa casa. Vou deixar tudo prontinho, só preciso encontrar uma boa loja que venda produtos brasileiros aqui em Londres. - sorriu Clara.

- Ah, isso não deve ser difícil, querida. - disse Mick. - Existem muitos brasileiros por aqui, acredito que basta uma busca na internet para encontrá-los.

- Tenho certeza que sim. - Clara respondeu. - Consegui os ingredientes até lá na montanha, imagina por aqui.

- Então? Vamos à nossa aposta? - sorriu Mick. - Sinto muito, queridas, mas amanhã teremos um jantar patrocinado por vocês. Estou certo de que será uma noite muito agradável, coroada pela sobremesa que comeremos na nova residência de nossos amigos.

- Será mesmo! - disse Jack. - E tudo por conta das senhoras... preciso dizer que não tenho qualquer objeção a ser sustentado por uma mulher. Ao contrário, a ideia me agrada muito.

- Que lindo ouvir isso do meu marido... - sorriu Clara. - Acho que é por isso que os padres falam "Na alegria e na tristeza"; quando casam as pessoas... Mas sinceramente, Grandão, não me incomoda... vamos lá para nosso apartamentinho, em São Paulo? Andar só de bicicleta e viver com meu salário de repórter?

- Para mim, está ótimo! - riu Jack. - Se você estiver lá, vivo de você...

- Desculpe, o Jack fica engraçado depois que bebe um pouco de champagne. - sorriu Clara, acertando o notebook sobre seu colo, na sala de estar. - Bem, como não pude elaborar muito, vou buscar na internet um teste de atenção, para aplicar em nossos queridos...

Clara aplicou um dos testes que encontrou na rede e Mick marcou excepcionais 85%, vencendo a aposta. Jack marcou apenas 23%, mas todos acharam que ele estava um pouco bebado demais para que seus resultados fossem levados em conta.

- Bem, conforme eu havia dito, consigo sim prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo, querida. - sorriu Jagger. - Então, Jack, onde vamos jantar amanhã?

- Vamos deixar que elas escolham? - riu Jack. - O que você acha?

- Somos cavalheiros, amigo! - sorriu Mick. - Então, vocês escolhem...

- Japonesa? - perguntou Gianna. - Francesa? Italiana?

- Bem, o que vocês preferirem... sei que minha aparência não entrega, mas gosto muito de comida, de um modo geral. E para mim, só o fato de estar ao lado de vocês, já me agrada muito, independente do lugar em que formos. Pode ser até uma pizzaria...

- Pizzaria? - sorriu Jagger. - Faz muito tempo que não vou a uma pizzaria... E por acaso, conheço uma ótima, que vocês irão adorar. Bem italiana. Vocês já estiveram na Giorgio's em Chelsea?

- Não. - Jack respondeu. - Pizza, então, Menininha?

- Claro! Se o Mick gosta de lá, acredito que gostaremos também... Que tal, Gianna?

- Acho que já estive na Giorgio's. Você me levou lá, não foi, amore? - Gianna perguntou para Mick.

- Sim, lembra? A gente tinha acabado de se conhecer... - Mick sorriu. - Você disse que estava com saudades de casa e fomos lá comer pizza.

- Sim... Ah! A pizza lá é muito boa, vocês irão gostar e é bem perto daqui... dá até para ir a pé... - sorriu Gianna.

- Perfeito! Então está combinado, amanhã, às 7 nos encontramos lá. Vocês me dão o endereço... - disse Clara.

- Não, querida. - disse Mick. - Vocês vêm para cá e caminhamos daqui. Não teremos problemas, nunca tem paparazzi na porta da Giorgio's. Amanhã, ligo para fazer uma reserva para nós.

- Vamos embora, querida? - disse Jack, puxando-a pela mão - Nossa cama nova nos espera... vamos lá?

- Jack, amor... estou com vontade de andar até em casa. Estamos tão perto, podemos deixar o carro aqui e amanhã voltamos para pegar. - disse Clara, pegando a chave do carro da mão dele.

- Ah não! Está frio, não quero que a minha Menininha fique gelada. - respondeu Jack. - Vem, já dirigi muito mais bebado do que isso...

- Jack, me dá a chave. Levo vocês e a Gianna vai no carro dela, atrás da gente e assim, posso voltar para casa tranquilo. - interrompeu Mick preocupado.

- Ah, mas eu consigo dirigir... - insistiu Jack.

- Não, Jack. Você não pode arriscar a sua vida e a da Clara... Não custa, assim terei uma chance de conhecer a casa de vocês... - sorriu Mick.

- Vamos, amor... eu os convidei para tomar um café na nossa casa... - disse Clara pegando novamente a chave do carro das mãos dele e entregando para Mick.

- OK, então... Vamos embora, meu amor... - disse Jack. - Já não chega levar minha mulher, ele vai dirigir até o meu carro agora?

- Por favor, mão liguem, ele não está mais falando coisa com coisa... - sorriu Clara, um pouco sem graça. - Vem amor, vou pegar minha bolsa.

Os quatro seguiram os planos de Mick e em poucos minutos estavam na casa de Jack e Clara. Ela acomodou Mick e Gianna na sala de estar e ajudou Jack a despir-se e deitar-se.

- Você vai lá embaixo, beijar ele, agora, não vai? - perguntou Jack agarrando-a.

- Não! A Gianna está lá com ele... - disse Clara acariciando o rosto de Jack. - Eles estão casados e eu só quero beijar você... Vai dormir, vou fazer um café para eles e já venho me deitar com você... descansa um pouco, meu amor...

- Vou te esperar, então... - disse Jack, beijando-a e deitando-se, em seguida. - Vem, deitar logo...

Em poucos minutos, Jack já estava dormindo. Clara virou-o de lado, para evitar qualquer acidente e desceu as escadas até a sala de estar.

- Desculpem... vamos tomar um expresso? Vocês são de casa, venham conhecer minha cozinha, queridos...

- Sua casa está linda, querida.- sorriu Gianna. - Foi a Cindy quem reformou e decorou tudo?

- Foi ela... - sorriu Clara. - Eu a acompanhei na compra de uma coisa ou outra, mas sei que não nasci com esse bom gosto todo para conseguir fazer algo tão bonito. Ainda sou só uma garota sul americana que fica ultrajada com os preços de algumas coisas...

- Ah, querida... mas tudo está muito bonito. - sorriu Mick. - Quanto aos preços, você está certa... São apenas coisas para colocar na casa, não deveriam custar tão caro...

- A Cindy me disse que eu me sentia assim porque ainda não tinha me acostumado com a ideia de que agora sou milionária, mas ainda não consigo achar natural gastar mais em uns poucos móveis, do que gastei para comprar meu apartamento, no Brasil.

Mick sorriu e olhou fundo nos olhos de Clara no momento em que ela trazia as xícaras de expresso em uma bonita bandeja.

- Vocês preferem açúcar ou adoçante? - perguntou desviando o olhar, incomodada com a insistência de Mick.

- Açúcar... - sorriu Jagger.

- Você também, querida? - perguntou para Gianna.

- Prefiro sem os dois, amiga! - sorriu Gianna. - Amanhã, se você estiver livre, vou te levar a uma loja ótima de produtos naturais, aqui na vizinhança. Vamos a pé, agora que sei onde fica sua casa, podemos aproveitar a caminhada da manhã, para fazer umas compras, que tal?

- Maravilhoso, querida! - sorriu Clara. - Gosto muito de coisas saudáveis! Comprei poucas coisas, só para os próximos dias, além disso, tive muito pouco tempo para me organizar por aqui...

- Quando não temos compromisso, eu e o Mick sempre fazemos uma caminhada, de preferência, de manhã bem cedo... - disse Gianna.

- Ótimo. - disse Clara. - Meu esporte é a Yoga, mas não tenho tido tempo de praticar nos últimos tempos, quando morava no Brasil, andava bastante de bicicleta e a pé... Tenho me sentido muito parada por aqui, estou ficando até nervosa com isso... Pedi que a Cindy fizesse uma academia aqui na casa, para eu me exercitar, mas os aparelhos que encomendamos ainda não chegaram e eu estou sentindo falta de exercício.

- Amanhã, vou para Paris, de manhã, querida. - sorriu Mick. - É uma pena, porque gostaria muito de caminhar com vocês.

- Desta vez não vai dar, querido... - disse Gianna. - Vou levar nossa amiga e depois, à noite, nos encontramos para jantar...

- Você estará sozinha amanhã o dia todo, amiga? Ah, passa o dia comigo, vamos almoçar todos juntos no japonês, e depois, eu combinei com minhas amigas de nos prepararmos para o casamento do Paul no SPA do hotel em que eu morava com o Jack. O cabelereiro de lá é maravilhoso, você vai gostar...

- E o Jack? - perguntou Mick. - O que ele vai fazer amanhã?

- Depois do almoço, ele fez planos de chamar o David e o Mike para assistir a um jogo de futebol, vão inaugurar a nossa nova sala de TV...

- Tem jogo amanhã, é? - Mick riu.

- Meu marido é fanático pelo Wolves e dificilmente perde a chance de ver os jogos ao vivo... nem sei contra quem é o jogo... - riu Clara.

- Não é contra o meu Arsenal... - riu Mick. - Isso, eu sei... E sei também que já está ficando tarde... Vamos indo Gianna, querida?

- Vamos sim, amore... - sorriu Gianna. - Então, fica combinado. Amanhã, passo aqui na sua porta às 9 da manhã para o nosso passeio pelo bairro.

- Perfeito. - sorriu Clara. - Estarei pronta, esperando. Obrigada por tudo...

Mick e Gianna despediram-se de Clara no jardim e ela voltou para a cozinha, lavou e arrumou tudo que usou, depois subiu para seu quarto, tomou um banho rápido de chuveiro, programou o alarme do celular para despertar às 8 e deitou-se ao lado de Jack.

Estava sentindo frio e queria abraçá-lo, mas ficou com pena de acordá-lo e simplesmente foi até o closet, pegou um velho moletom dele da gaveta e vestiu para aquecer-se.

Deitou-se novamente e demorou a pegar no sono. Estava agitada e ansiosa, mas sonhou com um cenário conhecido, estava no bosque ao lado do castelo de Mick, descansando sob uma árvore, ao lado de Jack e os dois conversavam em uma doce tarde de verão.

Enquanto Clara dormia, Jack acordou, foi até o banheiro, sentou-se na cama e ficou olhando para ela dormindo. Sentia vontade de acariciar seus cabelos, mas se conteve para não acordá-la.

Como se ouvisse seus desejos, Clara virou-se na cama e acordou.

- Amor.. está acordado? - disse com a voz sonolenta. - Está tudo bem?

- Está tudo bem, querida. - sorriu. - Me perdoa pelo que fiz ontem à noite. Não podia ter bebido tanto...

- Ai amor, não tenho o que perdoar. - disse sentando-se na cama. - No fim, deu tudo certo...

- Tudo certo? Como? O Mick teve que nos trazer para casa.

- Mas foi bom! Amanhã... quer dizer, hoje... eu vou sair para passear com a Gianna aqui pelo bairro, e ela, que ia passar o dia todo sozinha, agora tem companhia...

- Você é mesmo um anjo, Menininha... Se preocupa com todo mundo e isso é lindo... - disse puxando Clara para mais perto.

Clara sorriu e encaixou-se nos braços de Jack. - Estava sonhando com nós dois, querido. Acho que estávamos dentro daquela pintura do castelo do Mick... descansando sob uma árvore e conversando. Foi um sonho tão bom...

Jack começou a acariciá-la e logo estava tirando seu moletom e beijando todo seu corpo. Atento a cada um dos seus desejos, Jack amava-a lentamente, feliz em dar prazer à mulher que desejava tanto e temia tanto perder.

Depois do amor, os dois adormeceram abraçados e só acordaram quando o celular de Clara tocou.

- Bom dia, meu amor. - ela disse sorrindo ao ver Jack acordado.

- Bom dia, querida. É tão bom acordar do seu lado! - sorriu Jack.

Os dois se levantaram, tomaram um banho de chuveiro. Clara vestiu roupas esportivas, prendeu o cabelo e eles desceram até a cozinha, onde prepararam seu café da manhã.

- Querida, posso ir com vocês? - sorriu Jack.

- Claro que pode, amor... Mas não seria melhor agasalhar-se mais? Você está de bermuda e camiseta e deve estar uns 10 graus lá fora...

- Não precisa, amor... sou um homem das montanhas, tem que estar muito frio para eu precisar me agasalhar...

- Vou buscar minha bolsa lá em cima e trago um moletom para você... Eu também vou usar um... está muito frio para mim...

- Ah, Menininha... vem aqui, mais perto, vem... te quero tanto... - disse Jack puxando Clara pela mão, prendendo-a em seus braços e começando a tirar suas roupas.

- Não, querido... não temos tempo para isso, a Gianna vai chegar a qualquer momento... - Clara disse tentando desvencilhar-se. - Não podemos deixar nossos amigos esperando.

- Não se preocupa querida. Vem aqui... - disse puxando-a para perto de uma pequena tela de LCD, que ligou. - Olha... este é o monitor das câmeras de segurança lá de fora, quando ela chegar no nosso portão, veremos aqui...

- Mas amor...

- Tudo bem, você não me quer... - disse Jack afastando-se dela.

- Quero sim, meu amor... quero você comigo, dentro de mim, o tempo todo... - Clara disse, beijando-o. - Mas agora não podemos... Mais tarde, compensaremos isso tudo, incendiando nossa nova cama...

- Ai, meu amor... - disse Jack beijando-a. - Eu te amo tanto...

- Eu também te amo muito, Grandão e me dói demais te dizer não...

- Não se preocupa, meu amor... eu te entendo e sei que você me ama... Mas não abrirei mão de ter você inteira para mim, mais tarde... - sorriu Jack. - Agora você me deve...

- E pagarei alegremente... - Clara sussurrou no ouvido de Jack. - Com juros...

- Ai Menininha... não provoca...

- Amor... olha... a Gianna já está no portão... vou pegar minha bolsa... você abre o portão e desliga tudo?

- Ok! Não preciso de agasalho... você já me esquentou, querida...

- Vou trazer só o meu, então... se você sentir frio, sempre posso te agarrar e te esquentar...

- Conto com isso... - riu Jack.

Os dois sairam pelo portão a pé e encontraram Gianna esperando por eles.

- Bom dia! - sorriu Jack. - Então posso ir caminhar um pouco com vocês?

- Bom dia, Jack, bom dia, Clara! - sorriu Gianna. - Claro que pode, Jack! Será um prazer passear um pouco pelo bairro com vocês dois. Preferem fazer compras ou querem só andar?

- Andar... - sorriu Jack. - Tinha pensado em ir até o parque, se você não se importa...

- Claro que não... - sorriu Gianna. - É só uma questão de saber para qual dos lados vamos...

Os três então caminharam até o parque e apesar da manhã gelada e escura, o verde do parque os acolheu e ajudou Clara a relaxar um pouco, depois de dias tão agitados. E embora os três tenham saído com a intenção de caminhar e exercitarem-se, acabaram encontrando uma área tranquila do parque onde sentaram-se sob as árvores e ficaram apenas conversando.

Depois, caminharam de volta para casa e Clara ficou espantada ao encontrar os ingredientes para preparar o brigadeirão em um mercado muito próximo de sua casa e foi direto com eles para a cozinha, precisava deixar o doce pronto, porque passaria quase todo o resto do dia fora de casa.

- Amor, você precisa de ajuda na cozinha? - perguntou Jack.

- Não para isso, querido.. - sorriu Clara, aproximando-se dele. - Mas acho que vou gostar de ter você perto de mim...

- Hum... Menininha... queria tanto passar o dia todo agarrado em você...

- Eu também... mas temos uma porção de compromissos para hoje... Será um longo dia, mas também, estamos cada vez mais próximos de nossa viagem...

- Assim eu espero, Menininha... só nós dois em um lugar lindo... vou descansar nesses bracinhos fininhos, sob o sol... isso vai ser lindo...

- Vai sim, meu amor... - disse Clara acariciando e beijando Jack. - Só mais dois dias e estaremos a caminho...

Clara preparou o doce rapidamente e colocou-o no forno.

- Vem Grandão. Temos 30 minutos para o banho e depois, preciso descer para colocar mais água na forma...

- Só 30 minutos? Ah, amor... - suspirou Jack. - Assim não vou poder te mimar...

- Mas eu vou querer te mimar... - sorriu Clara. - Vamos lá para cima...

Os dois subiram, tomaram banho juntos e só interromperam os cuidados de um com o outro, quando Clara disse que era a hora de descer e cuidar do doce no forno. Jack a cobriu de carinhos quando ela voltou ao quarto e os dois namoravam enquanto preparavam-se para sair.

- É tão bom estar aqui com você, meu amor... - sorriu Jack.

- É mesmo, meu querido... - suspirou Clara. - É bom demais estar aqui descansando com você... Mas sabe do que ainda sinto falta?

- Do que, meu amor?

- De uma rotina. - sorriu Clara. - De saber o que farei amanhã e depois... e poder ficar aqui em casa, cozinhando para nós dois, sem me preocupar com mais nada, além de estar com você...

- Você sabe que ao meu lado, isso será bem difícil, não? - sorriu Jack acariciando os cabelos de Clara. - Também gostaria de ficar aqui com você, mas logo, além da Crossroads, você também terá uma carreira na música e tudo ficará ainda mais louco...

- Eu sei, amor... É tudo muito novo para mim, preciso me acostumar com a ideia, dessa vida na estrada... dói demais ficar longe de você...

- Mas estamos juntos agora... fica aqui comigo, tenho tanto medo de que o mundo nos separe...

- Nunca, Jack! Estaremos sempre juntos. Se pararmos para pensar, só precisamos de nós dois. Esta não é nossa casa... nossa casa somos nós dois. Você é minha casa, meu abrigo e eu sou o seu. Esquece o mundo, finge que ele não existe... eu não me importo de fingir...

Jack abraçou-a novamente e os dois ficaram agarrados um ao outro por vários minutos, até o celular de Clara lembrar a ela de que o mundo lá fora ainda existia.

- É a Cindy... - disse Clara. - Oi amiga, tudo bem?

- Tudo, querida! Estou ligando porque já estamos a caminho de Londres. Mais uns 20 minutos e estamos chegando aí, na casa de vocês. Então, como foi o jantar ontem?

- Foi maravilhoso... e vamos jantar juntos novamente hoje...

- Puxa! Esqueceu rápido dos amigos! - sorriu Cindy.

- Ah! Claro que não... - sorriu Clara. - Vamos passar o dia todo juntos e só vamos jantar com eles. Aliás, a Gianna vai conosco ao salão de beleza.

- E o Mick? - perguntou Cindy.

- Vai passar o dia todo trabalhando em Paris e só volta no fim da tarde, para o jantar. Fizemos uma aposta ontem e eu e a Gianna perdemos, vamos pagar o jantar para os homens.

- Muito bom! - sorriu Cindy. - O Jack está aí, ao seu lado?

- Está sim, por que?

- Só vou poder contar quando estivermos no salão, então. Você nem imagina o que a Jenni descobriu... Vou desligar agora, já conversamos pessoalmente... beijos...

- Beijos, Cindy!

- Então? Eles já estão a caminho? - disse Jack puxando Clara mais uma vez para seu colo.

- Estão amor... a Cindy disse que estarão aqui em 20 minutos. Você já está pronto para sair?

- Já, querida... Já deixei também tudo acertado para a hora do jogo. A geladeira está cheia de cerveja e a pipoca para estourar está no armário.

- Você vai conseguir se virar, na cozinha? - sorriu Clara. - Tem certeza de que não precisa de mim?

- Claro que consigo, meu amor... Vai lá ficar linda para mim, que eu cuido de tudo aqui. - sorriu Jack. - Não se preocupe...

- Está bem, amor... - suspirou Clara. - Seria tão bom passar o dia do seu lado...

- Você vai cansar de mim daqui uns dias, Menininha... não vou desgrudar de você no Brasil... - sorriu Jack, acariciando os cabelos e o rosto de Clara. - Estou tão ansioso por isso...

- Amor, vou pegar minha bolsa lá em cima e já fico pronta para irmos embora. Estou bem assim?

- Querida, você está linda! Como sempre... agora vem para cá, que quero ter você comigo só mais um pouquinho... - disse Jack abraçando Clara. - Gosto muito de sair com você... mas gosto mais ainda de passar meu dia entre esses bracinhos e perninhas fininhas...

Clara foi até o quarto dos dois, pegou sua bolsa e desceu em seguida, seu celular tocaria ainda mais duas vezes, primeiro o cabeleireiro Pablo confirmando que atenderia a ela e suas amigas e depois, Gianna perguntando se já estavam todos a caminho do restaurante. Clara então pediu que ela viesse até sua casa, para esperarem pelos outros.

O almoço no Hikonori foi em clima de expectativas. Mulheres ansiosas para irem ao salão de beleza, prepararem-se para o casamento de Paul e saberem sobre o que já se comentava sobre o evento que aconteceria na manhã seguinte; enquanto os homens mostravam-se muito interessados pelo jogo de futebol que assistiriam na nova sala de TV da casa de Jack.

Além de ter as mesmas razões para sentir-se agitada do que suas amigas, Clara também estava muito curiosa para saber o que Jennifer teria descoberto. Ela torcia para que não fosse sobre as escapadas de Mike com Ann Kurtiss, enquanto viajavam para Paris, porque se fosse, ela precisaria caprichar na expressão de surpresa, para não revelar às amigas o que Jack e David haviam contado a ela.

Não demorou muito e cada um dos grupos foi para um lado, Jack e os rapazes foram assistir ao jogo do Wolves contra o Manchester City e as mulheres seguiram na direção do Hotel Four Seasons Over the Park.

- Clara, vou aproveitar que a Gianna está no outro carro e te contar uma coisa que eu descobri. - disse Jennifer, assim que entraram no carro.

- O que? - perguntou Clara.

- O Mike está tendo um caso com a Ann Kurtiss... - disse Jennifer. - achei uma mensagem dela no celular dele.

- Querida... eu sinto muito... - respondeu Clara. - Você tem certeza?

- Tenho! Eu conversei com ele e ele me confessou... - disse Jennifer. - Me disse que namorou com ela no passado e que agora ela veio para cima dele.

- E agora? - perguntou Clara. - Você vai se divorciar?

- Por causa daquela biscate? - sorriu Jennifer. - Não... Ela é uma mulherzinha a toa e só estou te contando isso porque, segundo o Mike, ela só continua aqui no país porque quer o Jack.

- Meu Deus! E o que eu faço? - disse Clara. - O que você acha que eu devo fazer para afastar meu marido dessa vagabunda?

- Você precisa ficar de olho porque ela vai ficar rondando vocês até conseguir o que quer...

- Obrigada por me avisar, Jenni... Vamos viajar depois de amanhã e acho que esses 15 dias fora acabarão por afastá-la... espero...

- Espero que sim... mas fica de olho...

- Vou ficar... ah, minha amiga... você não imagina o quanto estou ansiosa para viajar... eu amo vocês, adoro estar aqui, na minha casa nova, mas acho que eu e o Jack estamos precisando muito destes 15 dias longe de tudo e de todo mundo...

- Eu sei disso... Vocês dois estão precisando de um descanso, antes da loucura que será essa turnê. O Mike me disse que já tem mais de 50 shows agendados.

- O Jack não me falou nada, mas sinto que de alguns dias para cá, tem alguma coisa o perturbando. Eu estou procupada e acho que é por causa da aproximação do dia da estreia.

- Não seria porque vocês têm passado tanto tempo perto do Mick?

- Não... parece que depois da nossa última briga, ele está se acostumando com a ideia de tê-lo por perto, mesmo porque agora ele é quase nosso vizinho... mas é alguma outra coisa... não sei explicar, ele anda muito quieto e tem dormido pouco à noite...

- É, querida... talvez só você consiga descobrir o que está acontecendo. Mas talvez ele ainda esteja inseguro, ainda esteja preocupado por voltar para a Crossroads.

- Espero que ele me diga... Sabe Jenni, eu adoro o Jack, mas me sinto culpada por ter bagunçado completamente a vida dele...

- Ah, querida... não faça isso... a vida dele mudou sim, mas para melhor... eu tinha muito pouco contato com ele, mas pelo que a Cindy me disse, ele era uma pessoa muito difícil, vivia bebado e estava sempre arrumando encrenca por aí... E se eu pensar bem, nas poucas vezes que o vi antes de vocês ficarem juntos, ele nunca estava sóbrio.

- Eu sei... só espero que ele não volte a ficar assim por minha causa...

- Não, querida... acho que você o curou...

Jennifer deixou o carro com o manobrista do hotel e as duas juntaram-se a Gianna e Cindy que também tinham acabado de chegar. Mais uma vez, o tratamento de Clara foi diferenciado, na chamada sala VIP do salão e por isso, ela teve a oportunidade de relaxar um pouco mais, tentando ainda digerir a informação de que Ann Kurtiss continuava atrás de seu marido.

Clara fez massagem, depilação, mãos, pés e pediu ao cabeleireiro que cortasse as pontas do seu cabelo e fizesse uma hidratação mais caprichada em uma tentativa de protegê-los contra o sol que enfrentaria nos próximos dias. Pablo, seu cabeleireiro, contou-lhe todas as novidades da cidade e acrescentou que muitos dos convidados do casamento estavam hospedados no hotel, mas ele, iria atendê-la em casa conforme tinham combinado anteriormente e que somente sentia-se frustrado por não ter sido convidado para aquela festa que certamente seria um dos maiores eventos do ano.

Depois de todos os cuidados e novidades, as quatro amigas foram para a casa de Clara, reencontraram-se com seus maridos e ao redor de xícaras cremosas de capuccino, trocaram histórias sobre o que ouviram no salão de beleza; enquanto seus maridos ainda discutiam os lances do jogo que tinha terminado empatado em 1 a 1.

O dia já estava escurecendo, quando Gianna recebeu um telefonema de Mick avisando que já estava em casa. Ela partiu em seguida, assim como todos os amigos de Jack e Clara, deixando-os sozinhos novamente para prepararem-se para o jantar que tinham combinado um dia antes.

- Então, querida... enfim sós, novamente... - sorriu Jack enquanto lavava copos e louças. - Você está tão linda, que eu deveria estar com ciúmes...

- Hum... - Clara disse aproximando-se dele por trás e acariciando-o. - Mas você está muito sexy, meu amor...

Jack deixou a louça e agarrou-se em Clara e beijou-a. Os desejos agora ardendo em seus corações. Clara puxou-o até a sala de estar, onde os dois se entregaram um ao outro, no sofá da sala de estar.

Depois subiram, tomaram banho juntos e vestiram-se para o jantar na pizzaria. Roupas casuais e quentes porque a temperatura estava muito baixa desde cedo e cairia mais alguns graus à noite.

- Agasalhou-se bem, Menininha?

- Acho que sim, meu amor... - sorriu Clara. - Você já me aqueceu tanto hoje, nem preciso de muita roupa, quando você está perto...

- Ah, meu amor... coloca este casaco de couro e você vai estar bem... Não quero ver minha Menininha com frio... - sorriu Jack entregando a ela o casaco que pegou no closet. - Usa essas coisas aqui no pescoço também... você fica tão linda com elas...

- Vou usar um cachecol, meu anjo. Quer uma destas para você? Que tal esta paximina cinza? Vai ficar linda em você... - disse Clara, colocando a paximina de lã, ao redor do pescoço de Jack.

- Ficou bom, amor... - riu Jack. - Você também proteja bem sua garganta, porque agora você é uma cantora também...

O comentário de Jack fez Clara estremecer. Para não ficar excessivamente ansiosa, ela procurava sempre concentrar-se no momento e esquecer tudo relativo ao futuro, mesmo o mais próximo. Nunca tinha pensado em si mesma como uma cantora, mas essa era uma verdade. Ela era uma agora e o momento de subir ao palco, durante a turnê mais aguardada das últimas 3 décadas, estava cada vez mais próximo.

Os dois desceram e Jack ligou para Mick e o avisou que o frio daquela noite pedia por uma mudança de planos. Assim, ele e Clara seguiriam de carro, atrás do carro de Mick, até a pizzaria.

- Sinceramente, preferia estar no nosso quarto, a noite toda... - sorriu Jack, dando partida no carro.

- Ah... teremos todo o tempo do mundo para isso, meu amor... só mais dois dias e estaremos no paraíso...

- Gostaria muito que o tempo voasse e em um piscar de olhos estivessemos já na nossa praia, longe do resto do mundo... apenas descansando em seus braços, meu amor... - disse Jack olhando Clara profundamente nos olhos, enquanto esperava que o portão da casa se abrisse para sairem.

- Logo, Grandão... logo... - sorriu Clara colocando sua mão sobre a dele.

Continua

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