26 de jan de 2012

Rockstar - Capítulo LXVIII


Depois de circular um pouco mais pela casa e passar pela cozinha, onde fez uma lista de tudo o que ainda seria necessário comprar, o grupo inteiro então seguiu para almoçar no Chez Montagne e de lá, para as lojas sofisticadas da King's Road em busca de roupas para a turnê e utensílios para a nova casa, como roupas de cama, toalhas, peças para a cozinha e mais algumas coisas que fariam parte da decoração da sala de meditação.

- Querido, estou frustrada! - disse Clara olhando para Jack no espelho, enquanto ele experimentava uma camisa preta de seda com discretos babados, ao longo dos botões.

- O que foi? Não gostou da camisa? - perguntou Jack procurando assentar a roupa melhor em seu corpo.

- Não... a camisa está linda, querido... - sorriu Clara aproximando-se dele. - Queria poder fazer um jantar na nossa casa, para nossos amigos e passar a noite lá com você...

- Não se preocupe com isso, meu amor... Estava aqui pensando... voltamos hoje para Heathcliff Hall, pegamos nossas coisas e quando eu te trouxer para a reunião, podemos ficar por aqui até segunda-feira, na hora de ir embora para o Brasil. Que tal?

- Ótima ideia amor! - sorriu Clara, assentando a camisa no corpo de Jack. - Hum, vamos levar três camisas iguais a esta, gostei muito dela.

- Você que manda, querida. - riu Jack.

Os dois saíram dos provadores e encontraram Michael e Jennifer na loja olhando mais algumas peças para o figurino de palco dele.

- Onde estão o David e a Cindy? - perguntou Clara.

- Foram até a loja de sapatos aqui ao lado. - respondeu Jennifer. - O David queria comprar umas botas para os shows. E vocês? Compraram mais alguma coisa?

- Ai Jenni, uma camisa linda preta de seda, com uns babados bem discretos no peito. Tem um caimento tão bonito que compramos logo três. - sorriu Clara.

- Hum? Babados, é? Suponho que seja coisa de Príncipe Encantado... - riu Michael.

- A minha "Rainha da Luz" escolheu e é ela quem manda... - riu Jack. - Se ela gosta, eu gosto...

- Lindo! - sorriu Clara. - O Jack quer passar os próximos dias na nossa casa, a partir de amanhã, até segunda, quando vamos para o Brasil. O que você acha Jenni?

- Vai ser muito bom para vocês, querida! - sorriu Jenni. - Você está mesmo louca para morar lá, não está?

- Estou... - Clara respondeu. - Vou fazer nossas malas hoje e com estas coisas que compramos, vai dar para ficarmos por lá o resto da semana. Não posso esquecer das coisas que usaremos no casamento do Paul e também das roupas que levaremos para o Brasil. Acho que amanhã será um dia de mudança, amiga...

- Eu e o Mike vamos voltar para Paris na segunda. A Cindy e o Dave são grandes anfitriões, Heathcliff Hall é um paraíso, mas estou com saudades da minha casa. - sorriu Jennifer. - E os empregados? O Peters já contratou empregados para a sua casa?

- Não... - sorriu Clara. - São poucos dias, não precisamos de empregados. Ele disse que tudo estará providenciado quando voltarmos do Brasil. Só mandou contratar uma empresa de segurança, que já está trabalhando desde que as reformas começaram.

Com as sacolas das compras já em mãos, os quatro continuaram caminhando pelas calçadas movimentadas da King's Road e depois se dividiram, Clara e Jennifer seguiram para uma loja que vendia acessórios de cozinha sofisticados e Jack e Michael foram até a loja de sapatos atrás de David.

- Vocês nos deram um susto daqueles hoje. - disse Jennifer. - Já vi o Jack perturbado, mas como hoje, na hora em que você pegou aquele taxi, acho que se você tivesse demorado um pouquinho mais para voltar, nós precisaríamos levá-lo a um pronto-socorro.

- Pobrezinho! - Clara respondeu sentindo seus olhos enchendo-se de lágrimas. - Fiquei tão nervosa que quis fugir dele, voltar para o Brasil correndo. Estou tão cansada desses ciúmes do Jack.

- Mas é bem estranho ele receber aquelas fotos no celular. - Jennifer respondeu. - Você não viu mesmo ninguém conhecido no restaurante?

- Não! - disse Clara. - Mas sabe do que lembrei agora? A biscate americana está hospedada naquele hotel, não está? Ela tem o telefone do Jack, não tem?

- Meu Deus, Clara! - respondeu Jennifer espantada. - Será que ela estava lá e você não viu?

- Pode ser... você sabe, sou tímida e quando as pessoas olham muito para mim, acabo desviando o olhar. Além disso, estava totalmente concentrada no Mick. Fiquei muito feliz quando ele me contou sobre seus planos com a Gianna e estava oferecendo meu apoio a ele. Você sabe o quanto gosto dele, não?

- Sei, mas não acho que você deva dizer isso ao Jack porque ele tem muito ciúme... Me desculpa o que vou dizer agora, mas pelo que vi nas fotos e até pessoalmente, vocês dois não conseguem tirar as mãos um do outro. Talvez você ainda não saiba, mas tem uma enorme atração por ele.

- Não tenho... tenho admiração, carinho... mas não existe atração, nem desejo... pode ter certeza, Jenni.

- Eu não estou julgando, querida, apenas acho que você tem que ser mais cuidadosa, principalmente porque esse seu relacionamento com o Mick pode ser devastador para o Jack. Você não sabe, mas depois que vocês foram embora na Ferrari, o Jack passou a caçar pelo telefone um conhecido dele que vende carros de luxo, porque queria que ele indicasse um carro mais caro e luxuoso do que aquele, só para tentar te impressionar. Não ficaria nada espantada se ele já não estiver tentando comprar um castelo também...

- Meu Deus! É sério isso? - perguntou Clara.

- O que é sério, amor? - Jack disse aproximando-se das duas, na fila do caixa, com mais algumas sacolas de compras em mãos.

- Nada, uma coisa que a Jenni estava me contando sobre as roupas para o casamento de domingo. - mentiu Clara rapidamente. - Ainda bem que já comprei tudo, inclusive meu chapéu. Então? Encontraram o David?

- Sim, ele está ali fora nos esperando para ir até a Starbucks tomar um café... Já está cansado de fazer compras... - riu Jack. - Disse que está velho demais para isso e quem sou eu para discordar...

- Ai Jack, você é terrível, meu amor... - riu Clara. - Vou só pagar pelas coisas que comprei e já vamos para lá... Quer ir com o Mike?

- Não, amor... te espero, para te ajudar com as sacolas... - Jack respondeu.

- E quem vai te ajudar com as suas, amor? - sorriu Clara. - Vai indo que eu e a Jenni, nos viramos...

Jack e Mike deixaram a loja com suas sacolas, enquanto Jennifer e Clara continuavam na fila.

- Espero que ele não tenha ouvido o que eu disse...

- Acho que não ouviu, Jenni. Pode ficar tranquila. - sorriu Clara. - Estou tão perdida com o que tem acontecido nestes últimos dias que hoje só quero voltar para Heathcliff Hall e descansar.

- Tem razão. - sorriu Jennifer. - Estou exausta e não passei por nada do que você passou hoje, amiga...

As duas entraram no café e foram direto para a mesa já ocupada por seus maridos e amigos. Estranharam, mas sentiram-se felizes por verem que eles estavam tranquilos na sempre movimentada cafeteria.

- Princesa! - disse David ao ver Clara chegando. - O Mike me disse que você andou comprando roupas de príncipe encantado para o Velhão!

- Dave... - riu Clara. - Não são roupas de príncipe encantado, são apenas coisas bonitas e vistosas para ele usar no palco.

- Ah! Velhão, não basta gritar como uma menininha no palco, precisa vestir-se também como uma...

- Tadinho do meu amor... - sorriu Clara, acariciando os cabelos de Jack. - Não liga para o Dave, ele é muito maldoso...

- Ele nunca se olhou no espelho... você já viu o jeito que ele se vestia na época da Crossroads, não viu? Quem usava aquelas roupas, não pode nem pensar em falar dos outros...

Depois de mais algum tempo descansando e rindo um do outro os seis amigos decidiram pegar a estrada de volta para Heathcliff Hall e como sempre, no final da tarde, ela estava entupida de carros.

- Você não vai largar nunca mais esse celular? - perguntou Jack depois de ver Clara trocando algumas mensagens com Cindy e Jennifer.

- O que foi, amor? - riu Clara. - Estou ocupada, decidindo o futuro da humanidade com minhas amigas....

- Eu queria só um pouquinho de atenção da minha Menininha... estou me sentindo sozinho aqui... - sorriu Jack acariciando o cabelo de Clara.

- Ai amor... - riu Clara acariciando a coxa de Jack. - O que está acontecendo com meu amor? Está carente é? Podemos aproveitar que o trânsito está lento...

- Não, Menininha... se você fizer isso comigo, não conseguiremos chegar em Heathcliff Hall hoje. - sorriu Jack, empurrando a mão de Clara. - Você não sabe o que faz em mim, sua louquinha... Deixa o trânsito parar de novo, que você vai ver o que eu faço com você...

- Hum... minha delícia... queria chegar logo... - riu Clara.

- De novo esse celular? - perguntou Jack ao ouvir o aparelho tocando novamente.

- Não são as meninas, é a Kate, amor... - disse Clara. - Alô, Kate!

- Olá Clara, tudo bem? Meu pai está aí com você? Estou tentando ligar para ele, mas acho que o celular está desligado...

- Geralmente está, querida. - sorriu Clara. - Ele está dirigindo agora, mas vou colocá-la no viva-voz para você falar com ele, ao menos que seja alguma coisa que não posso ouvir...

- Pode sim. - confirmou Kate sorrindo.

- Pode falar então, querida. - disse Clara, após ativar o viva-voz.

- Olá Kate. Como estão as coisas? - perguntou Jack.

- Oi pai... - sorriu Kate. - Estou ligando para te avisar. O hospital acabou de me ligar e eu e o Mark estamos de saída para buscar o pequeno Jack. Ele teve alta e irá para casa conosco.

- Que ótimo, querida! - sorriu Jack - Estou muito feliz por vocês...

- Eu também estou feliz, Kate! Muito feliz mesmo! Hoje, eu e seu pai estivemos na nossa nova casa e ela já está pronta. Mandamos decorar um quarto para o pequeno Jack e isso significa que eu e seu pai estamos totalmente prontos para recebê-los aqui e mimá-lo até ele cansar de nós. Vocês vêm para Londres, não?

- Estamos nos programando para isso, Clara. Mas ainda temos muito que resolver por aqui até lá...

- Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa... é só nos avisar, querida... - disse Jack.

- Estamos bem, papai. - sorriu Kate. - Não vejo a hora de pegar meu filho no colo agora. Estou saíndo, papai! Quando estivermos em casa, ligamos novamente para vocês.

- Ok! Querida. Dá um beijo enorme nele por nós... - disse Clara. - beijos, querida.

- Beijos, queridos. Eu amo vocês! - disse Kate, desligando o telefone.

- Jack, meu amor! - Clara disse com os olhos lacrimejando. - Estou muito feliz por vocês! Não vejo a hora de pegar o pequeno Jack no colo.

- Menininha, vamos encontrá-los na volta do Brasil e depois trazê-los para cá... Quer saber, não estou nem mais ligando para este trânsito...

- Eu também, meu amor... Estou só esperando que ele pare novamente para te beijar, minha vida... - sorriu Clara.

Mas o trânsito melhorou após a entrada para o aeroporto e o carro só parou novamente na porta de Heathcliff Hall.

- Bom, agora paramos! Vem aqui, Grandão! - Clara disse puxando Jack e dando-lhe um beijo apaixonado.

- Vamos descer do carro, Menininha... - riu Jack - nossos amigos nos esperam.

- Vamos querido, temos malas a fazer, depois trabalharei no roteiro e aí estarei livre para passar o resto da noite te mimando...

Os dois entraram com suas sacolas e seguiram direto para seu quarto onde passaram a arrumar as malas e preparar sua mudança para o dia seguinte.

- Querido, precisamos acertar isso tudo direito, ou sentiremos falta das coisas, quando estivermos no Brasil...

- Não precisamos de nada lá, além de nós dois... - Jack disse abraçando-a. - Vamos jantar? Já estou com fome...

- Querido, espera um pouco - suspirou Clara. - Me desculpa pelo que aconteceu hoje. Não queria te magoar, o Mick...

- Ah, por favor... não quero ouvir falar dele, amor... ele quase te tirou de mim hoje...

- Não amor, o que quase me fez ir embora foi a sensação de que você não confia em mim.

- Mas eu confio em você, meu amor.... - suspirou Jack. - Tenho muito medo de te perder e ele está sempre lá, te cercando, mandando flores, e te convidando para o castelo dele e ainda veio te buscar com aquele carro...

- Já te disse isso tantas vezes... não ligo para nada disso, nunca liguei. A única coisa que me importa de verdade é estar com você e te ver feliz. Quando você sonha com a nossa montanha e estamos lá juntos, felizes, tem algum luxo lá? Jóias, castelos, carrões?

- Não, mas...

- Mas, o que, Jack? Eu sou a mesma mulher que estava lá, infinitamente feliz mesmo congelada naquela casinha, simplesmente porque estava ao seu lado... E mais feliz agora, que acabei de sentir aqui no meu peito a sua alegria quando a Kate avisou que o pequeno Jack estava indo para casa.

- Ai, meu amor... - disse Jack com lágrimas nos olhos, enquanto a abraçava e beijava com paixão.

- É isso que eu quero te dizer, Jack. Nosso relacionamento é perfeito, não fica inseguro sobre nada. Nem por um segundo... E se algum dia, você achar que não me ama mais, não se preocupe... porque tenho aqui dentro amor suficiente para nós dois...

Jack abraçou-a e os dois ficaram agarrados por alguns minutos, chorando.

- Eu nunca vou me esquecer disso, Menininha. Pode ter certeza... Isso que você me disse agora aquecerá meu coração para sempre, como aquele cobertor de pele de urso malcheiroso que usávamos para nos aquecer na nossa caminha de palha, lá na montanha.

- Que lindo, meu amor... - suspirou Clara, acariciando o rosto de Jack e secando suas lágrimas.

O idílio dos dois foi interrompido pela campainha do celular de Clara avisando da chegada de uma mensagem de texto de Cindy: "Vocês não vão jantar? Estamos esperando."

- Querido, a Cindy está nos chamando para jantar... vem, vamos descer... estão nos esperando...

Os dois desceram agarrados as escadarias de Heathcliff Hall e foram aplaudidos quando chegaram à sala de vidro.

- Boa noite, queridos. - sorriu Clara. - Desculpem, demoramos demais para organizarmos nossa mudança...

- Ah, querida, você é um anjo! - sorriu David. - Você pode demorar o quanto quiser. Quando você atrasa, sempre esperamos com um sorriso em nossos lábios. Mas o Velhão... não esperamos por ele, não!

- Dave... - riu Clara. - Ele é meu amor... Bem, queridos, temos ótimas notícias...

- Já sei! Você está grávida! - riu David.

- Não! Meu marido ainda não fez a cirurgia, lembra? - riu Clara.

- Ah que pena! - riu Michael.

- Vocês são terríveis! Mas a boa notícia é que a Kate ligou quando estávamos na estrada, para dizer que o pequeno Jack já recebeu alta do hospital e foi para casa hoje. Eu e meu querido marido estamos muito felizes e certamente teremos em breve a oportunidade de mimar muito aquele bebezinho lindo! - sorriu Clara.

- Que bom! - sorriu Cindy. - Eles vêm para a estreia, não vêm?

- A Kate disse que tem a intenção de vir, mas precisamos saber antes se o bebê pode viajar de avião.... - respondeu Jack. - Ele é tão pequeno...

- Meus queridos... - disse Clara erguendo sua taça de vinho. - Quero agora brindar ao pequeno Jack e à nossa alegria de tê-lo em nossos braços daqui a alguns dias. Ao pequeno Jack!

Todos brindaram.

- Então, vocês irão mesmo nos deixar amanhã? - perguntou David.

- Desculpa, David. - sorriu Clara. - Mas nossa casa já está pronta e queremos aproveitá-la por uns dias, antes da nossa viagem ao Brasil.

- Ah querida... não se preocupe... - sorriu David. - Nós também gostamos muito da casa de vocês e certamente estaremos sempre por lá...

- Mas é assim que queremos, não é Jack? - riu Clara.

- Não, querida... - respondeu Jack fingindo-se irritado. - É nossa chance de nos livrarmos...

- Isso querido! É nossa chance de nos livrarmos... - riu Clara. - Nós amamos vocês e queremos todos por lá, sempre... Aliás... aquela casa não seria tão maravilhosa sem o trabalho lindo que a Cindy fez nela. Quero brindar também a ele, a mágica transformação de uma velha casa em um lar delicioso, onde vocês sempre serão bem vindos... À Cindy!

- À Cindy! - todos ergueram suas taças.

- Obrigada, querida! - Cindy respondeu.

A noite seguiu em clima de festa e após o jantar, todos foram para a sala de música ouvir e dançar ao som de velhos discos, mas Clara logo deixou Jack com seus amigos e voltou para seu quarto para trabalhar no roteiro.

Pegou o notebook no colo e sentou-se na cama, lendo as duas versões e fazendo anotações sobre os pontos que discutiria com Sommers e com Mick na reunião do dia seguinte.

Assim que terminou, Clara pegou o celular para ligar para Mick. Mais do que simplesmente combinar os detalhes para a reunião, ela queria contar a ele sobre as fotos e sobre o que elas tinham causado. E aquele assunto ainda fazia sua cabeça girar. Alguém queria separá-la de seu marido e tinha conseguido provocar uma briga séria entre eles.

- Boa noite, querida!

- Boa noite, Mick. - sorriu Clara. - Acabei de ler os roteiros e estou muito impressionada com as ideias do Sommers. Ele é mesmo fantástico, não?

- Sim, meu amor... o melhor. - sorriu Mick. - Nunca me contento com menos, você sabe...

- O problema é que as duas versões são muito boas e pensei, se não podíamos montar um roteiro aproveitando um pouco de cada uma...

- É uma ideia, querida. Vamos conversar com o Sommers amanhã e ver o que ele acha. Agora chega de trabalho... Como você está, meu amor? Como foi seu dia?

- Muito bom, pelo menos a maior parte dele, mas aconteceu uma coisa muito estranha e triste também...

- Como triste? O que houve, meu amor?

- Alguém nos fotografou no restaurante e enviou as fotos anonimamente ao celular do Jack e ele teve uma crise de ciúmes e por muito pouco não o abandonei... - disse Clara chorando.

- Que maldade, querida! E você viu alguém conhecido no restaurante? - perguntou Mick.

- Não! E você? Você conhecia alguém que estava lá? - perguntou Clara. - A Jenni me disse que pode ser alguma pessoa querendo prejudicar a mim e ao Jack, mas também, pode ser alguém querendo te prejudicar...

- Não sei, querida. Para mim seria muito difícil reconhecer alguém. Quando estou com você ao meu lado não consigo ver mais nada, nem ninguém. Todos os meus sentidos ficam ocupados por você, meu amor...

- Por favor, Mick. Não diga isso...

- Desculpa querida. Vocês estão bem agora? Você quer que eu converse com o Jack?

- Não, querido. Acho que isso só pioraria as coisas. Está tudo bem agora, mas foi horrível, nós brigamos, eu peguei um taxi para ir para o aeroporto, mas voltei porque precisava devolver meu anel e minha aliança e ele me pediu desculpas e... bem tudo acabou bem... - Clara continuou chorando.

- Pobrezinha... - disse Mick. - Você ía embora para onde?

- Para o Brasil... Foi o primeiro lugar que me ocorreu...

- Ah, querida... Sinto muito que tenha acontecido isso com você hoje, meu amor. Já te disse que me dói muito vê-la sofrer...

- Você é muito gentil comigo, Mick. - suspirou Clara. - Mas tinha ainda a esperança de que você tivesse reconhecido alguém. Afinal a pessoa que mandou essas fotos tem o número do celular do meu marido...

- Querida, se você quiser, posso apresentá-los para uma pessoa que já fez algumas investigações para mim. É um detetive particular que já foi da Scotland Yard, talvez ele possa ajudar vocês a descobrir...

- Agradeço sua ajuda Mick, vou falar com o Jack... - disse Clara. - A que horas você combinou com o Sommers amanhã?

- Ainda não combinei, vou ligar para ele de manhã. Te ligo em seguida avisando a que horas passo para te pegar...

- Ah! Quase me esqueço, Mick. Amanhã, meu marido me levará até o hotel. Como nossa casa já está pronta, ficaremos nela até o dia do embarque para o Brasil. Já estamos com tudo pronto para levar amanhã cedo para lá...

- Que bom! Estou feliz por vocês! - sorriu Mick. - Então, amanhã, te ligo logo depois de falar com o Sommers.

- Ok, querido! Amanhã conversamos mais, beijos.

- Beijos, meu amor. Boa noite... - disse Mick desligando o telefone.

Clara deu um longo suspiro, soltou o celular sobre a cama, levantou-se, guardou o notebook e o celular e começou a chorar novamente. Agora ela estava sentindo-se cansada, mas sabia que não conseguiria dormir. Estava nervosa e pensou em relaxar na banheira. Pegou novamente o celular e mandou uma mensagem de texto para Jack. "Estou indo para a banheira, vou tomar um banho antes de dormir. Boa noite, meu amor!"

Foi até o banheiro, abriu a torneira da banheira, pegou sais de banho, óleos essenciais e acendeu um incenso.

Alguns minutos depois, Jack entrava correndo pelo quarto.

- Clara, amor... Você ía mesmo tomar banho sozinha?

- Ah, meu amor, não queria te tirar da tua paixão, sei o quanto...

Jack interrompeu Clara com um beijo - Meu amor, você é minha paixão! - sorriu Jack - Quero te mimar dia e noite...

Os dois então se despiram e entraram juntos na banheira.

- Ai Jack... - disse Clara acariciando-o. - Liguei para o Mick para combinarmos os detalhes da reunião de amanhã e contei a ele sobre as fotos que você recebeu. Ele me disse que conhece um ex-policial da Scotland Yard que pode descobrir quem mandou essas fotos.

- Você quer mesmo investigar isso?

- Acho que seria bom. Foi uma coisa muito maldosa feita por alguém que te conhece... alguém que tentou nos separar...

- Está bem, amanhã diga ao Mick que conversaremos com esse detetive... Aliás, você quer que eu vá com você a reunião?

- Eu tive uma ideia melhor, amor... - sorriu Clara. - Depois da reunião, eu posso pedir ao Mick para vir até nossa casa e conversamos lá com mais privacidade. Pode ser?

- Pode, meu amor... Quero te fazer feliz. Só isso me importa agora...

- Mas se isso te incomoda...

- Não, não me incomoda. Acho que preciso de uma vez por todas aceitar que ele sempre estará por perto...

- Ai querido, não é assim... você não está aceitando, está apenas dizendo essas coisas porque acha que isso é o que eu quero ouvir...

- Tem razão! Esse cara me incomoda muito, mas preciso fazer alguma coisa para não te perder para ele...

- Mas você não vai! Você nunca vai me perder para ele. A única pessoa no mundo que pode me afastar de você é você mesmo, meu amor... e essa sua imaginação que dá tanto poder a ele. Confia em você e no meu amor que nada mais vai te incomodar...

- Ai Menininha... não me faz chorar de novo...

- Nós vamos vencer tudo isso, juntos, meu amor. Nunca mais sinta-se menor do que ele ou qualquer outra pessoa neste mundo. Ok, Grandão?

- Meu amor, vou tentar ser forte por você. É o máximo que posso prometer, ok?

- Ok! Agora vem mais perto para que eu possa te mimar...

Jack puxou Clara para seu colo e agora os dois se amavam como se fosse a última vez. Depois de quase jogar fora aquele amor, a sensação de estarem juntos e felizes dominava a ambos completamente. Aquela era uma noite de despedidas e de expectativa. Na manhã seguinte eles se mudariam para sua nova casa em Londres onde esperavam viver o resto de suas vidas, nos braços um do outro.

Continua

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