19 de jan de 2012

Rockstar - Capítulo LXVII



- Querida! Está tudo bem? - disse Jack ao notar que ela tentava secar os olhos. - O que aquele canalha fez para você agora?

- Nada, meu amor... - sorriu. - O Mick me disse uma coisa que me emocionou muito agora... Ele não é um canalha...

- Ele é um canalha sim e eu tenho provas disso, aqui no meu celular... - disse Jack mostrando a ela fotos dela e de Mick, de mãos dadas no restaurante e dele beijando-a no rosto e nas mãos. - Só um canalha pegaria minha mulher naquela maldita Ferrari e a levaria para um hotel, onde passaria a manhã tentando seduzí-la, usando uma reunião de trabalho como pretexto.

- Não Jack! Só um canalha juraria amor por sua esposa, na porta de casa, de manhã e depois confiaria mais em fotos enviadas anonimamente pelo celular, do que naquilo que ela tem a dizer... Mas não vou mais aturar isso... - disse Clara voltando para a calçada e fazendo sinal para um taxi que passava pela rua naquele momento.

- Clara... onde você vai? - disse Jack correndo atrás dela enquanto ela entrava no taxi. - Clara...

- Por favor, para Heathrow... - Clara disse para o motorista de taxi, tentando conter as lágrimas.

- Qual terminal, senhora? - perguntou o motorista.

- Não sei... Não tenho ainda uma reserva, nem uma passagem... - respondeu chorando. - Mas preciso ir embora para o Brasil, agora... Vou dar uma olhada aqui no meu ipad para ver se descubro.

- A senhora vai para o Brasil? Assim? Sem bagagem? Ao menos está com seu passaporte? - disse o taxista buscando chamá-la de volta para a realidade.

- Estou sim... não preciso de bagagem... aliás, não quero levar nada comigo... Só quero ir embora. - disse Clara, chorando de soluçar.

- Calma, senhora... - disse o motorista. - A senhora mora naquela casa onde a peguei?

- Não... quer dizer, eu ia morar lá, mas agora vou voltar para o Brasil. Não quero mais ficar aqui. Meu marido... - disse Clara entre soluços.

- O que tem, seu marido, senhora?

- Ele é um idiota ciumento e gritou comigo... - disse Clara. - Eu deixei tudo, minha vida, minha família, minha carreira e até mudei de país para estar com ele... Aliás, quero que você volte... esqueci que estou com essa droga de anel e aliança no dedo... vou devolvê-los para ele e aí sim, vou embora...

- Então, devo fazer o retorno, senhora?

- Sim, deve... Vou ficar preocupada de ir embora com estes anéis... não quero levar nada que seja dele, nada.

O taxi parou na porta da casa, na High Gardens e Clara pagou ao motorista e desceu. Ligou seu celular, que tinha desligado quando entrou no carro e usou-o para falar com Cindy.

- Estou aqui na porta, você pode vir até aqui, sozinha, por favor? - perguntou para a amiga.

- Clara... estávamos tentando falar com você. Calma, amiga... - disse Cindy. - Estamos indo aí... calma.

- Não... vem só você, Cindy... - respondeu Clara. - Voltei só para devolver o anel e a aliança para o Jack e já vou para o aeroporto... vou embora daqui...

- Calma, querida... - disse Cindy passando pelo portão e abraçando Clara. - Vem falar com o Jack... ele está desolado. Por favor, querida... vocês se amam...

Com as mãos tremendo, Clara tirou o anel e a aliança e entregou-os para Cindy. - Por favor, devolve para ele... não quero vê-lo nunca mais...

- Não querida... Vem, por favor, ele está muito arrependido de ter dito aquelas coisas... Vocês se amam tanto, querida... Você precisa se acalmar, vem tomar um copo d'água, sua cozinha já está pronta, sabia? Sua casa está tão linda...

- Essa casa não é minha, é do Jack...

As duas aproximaram-se da casa, Jack saiu pela porta e veio na direção delas.

- Menininha, me perdoa... por favor... eu não consigo viver sem você...

- Desculpa, Jack. Não queria que isso acontecesse... mas agora eu vejo com clareza, nos casamos rápido demais e por mais que eu te ame...

Jack interrompeu-a com um beijo. Desesperada, ela tentou lutar contra a força dos braços que a envolviam, mas era incapaz de livrar-se e voltou a chorar, sentindo-se arrependida de ter voltado para aquela casa.

- Não, Jack... por favor, não... - disse empurrando-o. - É muito importante para mim que eu consiga reagir agora. Eu sei que também sou ciumenta, mas... eu preciso que você entenda de uma vez por todas que eu nunca te traí! Nunca!

- Por favor, querida... isto está me matando... me perdoa, esquece tudo o que eu disse... eu perdi a cabeça quando vi aquelas fotos... me perdoa, meu amor...

- Não é uma questão de perdão, Jack. - disse Clara pegando a mão de Jack. - Eu vou embora porque você não confia em mim. Já te disse mil vezes que amo você, que o Mick é só um amigo, nunca foi meu amante... mas você continua insistindo com isso... me magoa muito... Hoje você não quis nem me ouvir...

- Me perdoa, meu amor... vem aqui, vem - disse Jack abraçando-a e chorando. - Fui um idiota... Vem, não me deixa por favor...

- Ai Jack... eu te amo tanto... - disse Clara chorando e beijando-o com paixão. - Me escuta, por favor... foi só uma reunião... de verdade... nós chegamos ao restaurante e o Mick tinha me dito no caminho que tinha convidado a Gianna para morar com ele. Eu o convenci a comprar um anel para ela e até o ajudei a comprá-lo na Tiffany... Estava tão feliz por eles e você veio...

- Eu te amo, Menininha... me perdoa... fiquei cego quando vi aquelas fotos... Então ele vai se casar?

- Vai, querido... queria fazer uma coisa mais informal, mas o convenci que a Gianna gostaria de algo mais romântico...

- Ah, meu amor tão linda... meu anjo... - disse Jack beijando-a. - Vem, quero te mostrar a nossa casa. Onde seremos felizes e teremos nossos filhos... - Jack pegou-a no colo e levou-a através da porta, enquanto seus amigos festejavam a reconciliação dos dois.

- Velhão! Que bom que vocês se entenderam! - sorriu David. - Vamos comemorar... Nós trouxemos champagne!

- Clara, querida... estou feliz por vocês... - disse Jennifer abraçando-a.

Clara não conseguia acreditar em seus olhos, mas a casa já estava toda decorada, inclusive, o piano todo preto, que Jack havia encomendado há apenas uma semana já estava lá, ocupando um lugar de honra na imensa sala de estar, que Clara via pela primeira vez preenchida com belos móveis e decorada com vasos, quadros e tapetes.

- Isto está tão lindo! - Clara disse abraçando Cindy. - Obrigada querida! Não tenho palavras para expressar o quanto estou grata por tudo... Desculpa não estar aqui e toda essa confusão. Quase deixei tudo para trás... na verdade voltei para devolver ao Jack meu anel de noivado e minha aliança... quero eles de volta agora, Cindy...

- Espera, Cindy... - disse Jack pegando os anéis em suas mãos. - Clara, você me dá a honra de voltar a ser minha querida esposa novamente?

- Sim, meu amor... - disse Clara beijando Jack mais uma vez, enquanto ele colocava de volta o anel e a aliança em seu dedo.

- Champagne! - David encheu e distribuiu as taças para todos e o clima agora na casa era de total alegria.

Depois da comemoração, todos levaram Clara para conhecer os demais ambientes da casa e ela pode ver que tudo estava pronto e encantou-se especialmente com a suite que dividiria com Jack. A cama com dossel, o papel de parede com pequenas lavandas, a beleza em cada detalhe, aquele quarto transportava automaticamente seus ocupantes para épocas mais românticas.

- Cindy, está lindo... maravilhoso... mas onde está aquele retrato do Jack que comprei em Paris?

- Ah, querida... Coloquei-o no seu escritório, vem, de agora em diante você trabalhará olhando para ele... - sorriu - Vamos lá?

Quando Cindy acendeu as luzes do escritório, o coração de Clara disparou. Bem mobiliado e equipado, o escritório parecia o único ambiente do século XXI naquela casa e era completamente dominado pelo retrato de Jack, o glorificado "Deus do Rock" em todo seu brilho e beleza.

- Vou adorar trabalhar aqui... lindo... acho que será difícil me concentrar, porque estarei sempre um pouco perdida, olhando para este quadro, mas tudo nesta casa está tão perfeito que estou quase explodindo de tanta alegria.

- Vem amor, quero que você veja o quarto do pequeno Jack. - sorriu Jack. - Vamos estragar aquele garoto, de tanto que iremos mimá-lo.

Clara seguiu Jack pelo corredor e chegou ao quarto do bebê, que ficava próximo da suite master e se interligava por uma segunda porta a um dos quartos de hóspedes.

- O que pensamos, querida é que a Kate pode ficar aqui por quanto tempo ela quiser e depois, quando ela for para a casa dela, vocês podem usar o quarto para o filho de vocês. - disse Cindy. - É bem perto do seu quarto e você pode colocar uma babá dormindo no quarto de hóspedes, se for preciso.

- Perfeito, Cindy. - sorriu Clara, aproximando-se de Jack e encaixando-se entre seus braços.

- Quer passar a noite aqui Menininha? - Jack perguntou, acariciando os cabelos de Clara. - Podemos comprar as coisas que faltam depois do almoço e ficamos por aqui, o que você acha?

- Podemos, Cindy? - sorriu Clara. - Quer dizer, está mesmo tudo pronto?

- Claro que podem... a casa é sua... - riu Cindy. - Faltam poucas coisas agora, os aparelhos da academia, a decoração do teu espaço de meditação, que deve ser feita por você mesma, a montagem do estúdio e alguns detalhes do bar do jardim e do próprio jardim. Tudo mais, incluindo as dependências de empregados, está pronto.

- Ah, querido... acho que não podemos. Tenho que ver os esboços de roteiros que o Jack Sommers preparou. Terei outra reunião com ele e com o Mick amanhã à tarde para escolher uma versão. Ele vai voltar para a América amanhã mesmo. Vou precisar trabalhar, meu amor...

- Ah que pena! - disse Cindy. - Mas podemos fazer compras hoje à tarde e quando voltarmos para casa, você pode trabalhar...

- Claro, Cindy... - sorriu Clara. - Vamos sair para almoçar, fazemos nossas compras e voltamos para Heathcliff Hall. Amanhã, eu e o Jack voltamos para Londres, trabalhamos mais um pouco aqui na nossa casa e quando chegar a hora, o Jack me leva ao Ritz, para a reunião... Que tal?

- Para mim, parece perfeito, meu amor. - disse Jack abraçando-a e beijando sua cabeça. - Eu só gostaria de saber quem me mandou aquelas fotos e com que intenção...

- Não sei, querido. - disse Clara. - Eu e Mick chegamos ao restaurante e o Sommers demorou alguns minutos para descer. O restaurante não estava muito cheio, mas percebi muitos flashes e pessoas nos filmando com celulares. Qualquer uma daquelas pessoas pode ter te mandado essas fotos.

- Mas quem? Eu quero dizer, a pessoa que me mandou isso, sabia o número do meu celular, querida...

- Você não viu ninguém conhecido no restaurante, Clara? - perguntou Cindy.

- Não... - disse Clara. - Quando chegamos ao restaurante, o Mick pediu ao maitre para nos levar para uma mesa na área mais vazia do restaurante e alguns seguranças entraram na sala e impediam que as outras pessoas se aproximassem de nós.

- Acho que você deve contar isso para o Mick. - disse Jennifer. - quem sabe ele não viu alguém conhecido no restaurante. Algum desafeto dele.. não sabemos...

- Tem razão... - respondeu Clara. - Vou ligar para ele quando chegarmos em casa, hoje à noite, para avisá-lo. Isso foi muito maldoso. Por que alguém ia querer provocar uma briga entre nós, Jack?

- Não sei, querida. Mas me arrependi muito de tudo o que te disse...

- Não fala mais nisso, meu amor... - disse Clara. - Eu quero esquecer o que aconteceu hoje...

Continuar

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