16 de jan de 2012

Rockstar - Capítulo LXVI


Depois do caminho difícil até Londres, a Ferrari de Jagger estacionou na porta do Ritz e ele e Clara desceram dela, deixando-a aos cuidados de um manobrista boquiaberto.

Os dois entraram no hotel e Mick usou seu celular para avisar o roteirista de sua chegada.

- Vamos, querida. Ele já está descendo. Nos pediu para irmos direto ao restaurante. - sorriu Mick e aproximou-se de uma das fucionárias do hotel. - Querida, como chego ao restaurante?

- Por aquela porta à direita, atrás do balcão da gerência, senhor.

- Obrigado, querida! - disse Jagger para a funcionária que o havia reconhecido, mas o tratava com a frieza e a distância que sua gerente provavelmente esperava dela.

- Você vai gostar muito do Sommers, conversei com ele ontem, por telefone, e ele foi muito simpático e me disse que é fã dos seus livros.

- Mesmo! - sorriu Clara. - Que bom! - sorriu Clara. - Pobrezinha, você deixou a moça nervosa, Mick.

- Tenho pena destas pessoas. Nunca podem expressar o que sentem, com medo de perder o emprego. - riu Mick.

Os dois entraram no restaurante que naquele horário estava com metade de sua capacidade tomada e sua entrada não passou despercebida. Em um esforço para prevenir um possível tumulto, alguns seguranças do hotel foram deslocados para o restaurante e ficaram de sobreaviso.

Mick, por sua vez, pediu a mesa mais isolada do restaurante, para dificultar um pouco mais para os possíveis caçadores de fotos e autógrafos.

- Querida, vem comigo... - disse Mick puxando Clara pela mão escoltado por um segurança.

- Você está com fome, querida? - perguntou Mick.

- Um pouco... - sorriu Clara. - Mas vamos esperar o Sommers para fazer o pedido, não?

- Sim, querida. Você acha que conseguiremos sair daqui em paz? - perguntou Mick

- Por que você pergunta isso? - riu Clara.

- Porque o restaurante inteiro está nos olhando agora. - riu Mick. - Por que será que as pessoas são assim? Se preocupam mais com a vida de quem elas pensam conhecer do que com as vidas delas próprias?

- Não sei, querido. - riu Clara. - Mas estamos bem, a maioria dos olhares é de admiração e orgulho por estarem no mesmo ambiente que o grande Mick Jagger...

- Estão é achando que passamos a noite juntos neste hotel e acordamos agora para tomar café, isso sim. - riu Mick.

- Será? Meu Deus, vou ouvir outro sermão do meu pai... não vou?

- Sermão? - riu Mick.

- É... depois daquelas nossas fotos na porta do restaurante, meu pai me falou um montão de coisas... - sorriu Clara. - Acho que hoje não escapamos de sermos fotografados juntos novamente.

- Não se preocupe com isso, querida... - riu Mick. - Não estamos fazendo nada errado... ainda...

Clara riu muito da piada de Mick. A amizade dos dois continuava sólida, como estranhamente tinha sido desde o primeiro momento. Amor, carinho e cumplicidade. Mick era seu melhor amigo, depois do marido.

O celular de Clara tocou, avisando a chegada de uma mensagem de texto de Jack: "Meu amor, já estou sentindo sua falta. Te amo muito"

- Seu marido? - perguntou Mick.

- Sim... Não conseguimos ficar muito tempo longe um do outro... sorriu, digitando no celular "Eu te amo" como resposta.

- Ah! O senhor Noble não sabe o quanto tem sorte... O Sommers está vindo, querida. É aquele rapaz que acabou de entrar no restaurante...

- Bom dia, Mick. - disse Sommers aproximando-se da mesa.

- Bom dia, Sommers...- sorriu Jagger. - Esta é a autora, Clara Noble. Querida, este é Jack Sommers.

- Bom dia, como vai... - Clara cumprimentou o roteirista que aparentava ser muito jovem, mas usava grossos óculos de grau e se vestia com roupas casuais, bem longe da sofisticação do blaser bem cortado que Jagger estava vestindo, ou das vistosas roupas de griffe que ela usava.

- Senhora Noble, antes de tudo, quero dizer o que disse para o Mick ontem.... sou fã do seu trabalho, acho que seus livros são incríveis, viagens completas ao imaginário de músicas maravilhosas. Parabéns... Aliás, estou com seus livros aqui na minha pasta e gostaria que a senhora os autografasse para mim.

- Claro. - sorriu Clara. - Obrigada pelos elogios, mas por favor, me chame de Clara, me sinto com cem anos de idade quando me chamam de senhora Noble. Gosto muito de seus roteiros também, "Mississipi Rising" é um dos melhores filmes que assisti nos últimos anos.

- Obrigado! - sorriu Sommers. - Sou de lá, nasci em New Orleans e minha avó me contava sempre histórias que ela aprendeu com a avó dela sobre as fazendas de algodão, a guerra civil. Só coloquei no papel uma dessas histórias.

- É fascinante. - sorriu Clara. - Eram personagens tão fortes, que enfrentaram tanto sofrimento e tanta dor.

- Também gostei muito de seu filme, por isso o chamei para adaptar o livro da sen... da Clara - sorriu Mick.

- Bem, estou com dois esboços de script aqui, nestes pendrives. - sorriu Sommers tirando dois pendrives do bolso e entregando-os um para cada um. - Quero que vocês os leiam e façam seus comentários. Depois, nos reuniremos novamente amanhã, no final da tarde, para discutirmos qual sua preferência. O Mick me disse que você tem uma viagem marcada para a próxima segunda-feira, correto?

- Sim, ficarei quinze dias no Brasil, descansando, antes do início da turnê da Crossroads, no dia 10/11. - sorriu Clara. - Voltamos bem antes desta data, mas não posso garantir nada porque teremos ensaios, divulgação, festas de lançamento... acredito que estarei bastante ocupada após meu retorno.

- Entendo. Mas não se preocupe, acho que será muito mais prático trabalharmos pela internet, então. Vou voltar para Los Angeles amanhã. Quando peguei seu livro, pensei em duas versões possíveis, o que muda é quem conta a história.

- Interessante... - respondeu Clara. - Você acha que pode contar a história de outro ponto de vista, além do Mike Houston? Porque a ideia no meu livro é a de que ele vá descobrindo o que está acontecendo junto com os leitores.

- Estava falando isso para o Mick. Acho que em um bom suspense, sempre cabem dois tratamentos, um, em que o público não sabe nada e vai descobrindo tudo junto com os personagens e outro, em que ele sabe tudo e fica aflito querendo saber o que os personagens farão diante dos fatos.

- Vou analisar com carinho seu trabalho, Jack. - sorriu Clara. - Estou muito feliz de ter esta chance de ver uma das minhas histórias no cinema. Estou no céu, graças a vocês dois.

- Seu trabalho fez tudo, Clara. Suas histórias são geniais, apenas cheguei primeiro com meu projeto. - disse Mick, pegando a mão de Clara e beijando-a.

- Gosto muito dos seus livros e meu agente já tinha ordens de me avisar sempre que houvesse qualquer rumor de que eles seriam adaptados para o cinema. Se o Mick não me chamasse, eu iria procurá-lo para pedir para participar.

- Obrigada! - sorriu Clara. - Vocês dois são muito gentis comigo...

- Eu que agradeço! - disse Jack. - Você conseguiu reunir minha banda favorita desde sempre, desculpa Mick, mas eu sou louco pela Crossroads!

- Minha favorita também, Jack. Ao lado dos Stones, é claro!. - sorriu Clara.

- Vocês partem meu coração... - riu Mick. - Mas vamos aos negócios; estamos todos acertados? - A que horas você parte amanhã, Jack?

- Vou à noite, Mick...

- Então, nos reunimos amanhã, à tarde, aqui mesmo para discutirmos os detalhes.

Clara autografou os livros de Sommers e mais uma vez, quando partiram, levaram todos os olhares do restaurante.

- Então querida, você me acompanha mesmo na joalheria para me ajudar a escolher um anel para a Gianna? - perguntou Mick enquanto esperavam que o manobrista trouxesse de volta o carro.

- Claro que acompanho. - sorriu Clara. - Faça um surpresa para ela, convide-a para jantar, leve flores... Não existe mulher no mundo que não ficaria encantada com um pedido assim, Mick.

- Então vamos, querida... - sorriu Mick quando já entravam no carro. - Cartier, Tiffany, Van Cleef & Arpels... qual delas é a melhor?

- Não tenho a mínima ideia, Mick. - riu Clara. - Não entendo absolutamente nada de jóias. Não sei se isso ajuda, mas meu anel de noivado é da Tiffany...

- Então vamos lá, querida. Tem uma Tiffany perto do seu hotel, se não me engano... - sorriu Mick.

- Tem... foi lá que eu e o Jack compramos meu anel. - suspirou Clara olhando para os reflexos dourados que seu anel de noivado exibia naquele instante.

- O amor que você tem pelo Jack é inspirador até para mim, que gostaria que ele não existisse. Nunca te disse isso, mas naquele dia, em Nova York, me senti muito atraído por você; saí te procurando por aquele camarim lotado para te convidar para sair, mas quando te achei, você já estava beijando o Jack...

- Ai Mick... Foi nosso primeiro beijo. Mas já estava apaixonada por ele... - sorriu Clara. - Naquele dia, ele me convidou para almoçar na suíte dele e nós dois bebemos muito champagne. Sentamos juntos no piano e quase nos beijamos... só não aconteceu porque meu celular tocou e nos interrompeu...

- Hum... então, acho que você não teria aceitado sair comigo. Mesmo que eu tivesse te encontrado antes do Jack...

- Sinto muito querido, mas acho que não. - sorriu Clara. - Me apaixonei por ele no primeiro momento em que o vi, no saguão do hotel. É até estranho, mas parece que minha cabeça tirou uma foto desse momento, fecho os olhos e vejo cada detalhe.

- É um golpe duro esse que acabei de receber em meu coração. Mas ao menos ele matou a culpa que senti desde então por não a ter alcançado a tempo, naquela noite.

- Ah querido! Nunca vou entender o que você viu em mim... Me sinto tão comum perto de você...

- Por favor, não fala assim, ou acabo te beijando para te mostrar...

- Mick!

- Ok, querida! - Mick suspirou. - Chegamos, vamos comprar um anel para a Gianna...

Os dois desceram do carro e foram atendidos pelo gerente da loja que mostrou para eles os mais bonitos e sofisticados anéis de diamantes disponíveis. O pobre homem não disse nada, mas não estava nada confortável com a situação, após reconhecer Clara e Mick, ele agora tinha certeza de que eram verdadeiros os rumores que diziam que depois do curto casamento com Jack Noble, ela o trocaria por Mick Jagger.

- A senhora não vai experimentar os anéis? - ele perguntou, enquanto colocava alguns mostruários sobre a mesa e notava que na mão esquerda dela, ainda estavam seu anel de noivado e sua aliança de casamento.

- Não sei se adianta. - sorriu. - A noiva do senhor Jagger é mais alta e tem dedos mais longos e finos do que os meus. Imagino que o que servir em mim, pode ficar muito grande para ela.

- Querida, gostei deste aqui. - disse Mick apontando para uma bela pedra oval cercada por diamantes menores. - Experimenta esse aqui...

- Vou colocá-lo na mão direita, Mick. - sorriu Clara. - É lindo! Ela vai adorar!

- Você acha mesmo que será muito largo para o dedo dela? - disse Mick pegando a mão de Clara e examinando o anel. - O senhor acha que este anel pode ficar mesmo grande, como ela disse?

- Não é para a senhora o anel? - perguntou o gerente surpreso.

- Não. - sorriu Clara. - Estou ajudando Mick a comprar o anel de noivado para Gianna Carli, a noiva dele. O senhor a conhece?

- A top model? Conheço sim... Espera! - disse ele, sorrindo. - Ela comprou recentemente um anel aqui e era exatamente o mesmo número que este! Certamente não ficará grande, senhora.

- Que bom! - sorriu Mick. - Querida, nem sei dizer o quanto sou grato a você por me ajudar desta maneira...

- Você é meu amigo... - sorriu Clara.

Com o anel no bolso do blaser, Mick levou Clara pela mão de volta a seu carro e deixou-a na porta de sua nova casa.

- Querido, vem... quero que você conheça minha nova casa. - sorriu Clara.

- Acho melhor não, Clara. Não seria apropriado. Acho que seu marido não entenderia... - disse beijando-a no rosto. - Obrigado de novo. Te ligo mais tarde para combinarmos sobre a reunião de amanhã.

- Ok! - suspirou Clara. - Obrigada por tudo! Depois me conta também sobre você e a Gianna. Quero muito vê-los felizes... de coração...

- Ah, querida! - Mick disse abraçando-a. - Obrigado, você é maravilhosa!

Clara estava chorando quando desceu do carro e ligou para o celular de Jack, que logo foi até o portão para encontrá-la.

Continua

Nenhum comentário: