6 de jan de 2012

Rockstar - Capítulo LXIV


- Princesa? Já acordada? Fomos dormir tão tarde... - disse David, surpreso ao encontrá-la na sala de vidro.

- Estava sem sono e depois da conversa de ontem, muito inspirada. Precisava escrever e o quarto capítulo já está pronto, falta só revisar agora.

- Posso ler? - perguntou David.

- Claro que pode! Estava lá! Pode me dizer se tem muita bobagem aqui...

- Uau! Você conseguiu de novo! Quando leio tenho a impressão que é o Velhão falando... Incrível! Ainda não sei como você faz isso...

- Espero que o Jack goste...

- Só se ele for maluco para não gostar, Princesa. É um trabalho maravilhoso esse que você está fazendo...

- Tenho tanto medo de o estar ferindo. Ontem à noite, eu consegui sentir sua dor, por estar lembrando aquele passado e tem ainda a volta da banda, que não tenho certeza se ele quer de verdade...

- Ah Princesa, o Jack está feliz. Nunca o vi tão feliz na vida, para ser sincero... Um dia você vai entender o que estou dizendo, o amor que aquele maluco sente por você é uma coisa que sozinha já muda tudo, querida.

- Queria tanto ter certeza disso...

- Pode ter, querida. Lembra aquelas crises dele? - perguntou David.

- Lembro... o que tem elas?

- Eram constantes, antes de você aparecer... Nunca te contei isso, mas nos últimos tempos ele tinha se tornado uma pessoa bem difícil de se conviver e você, com toda essa doçura, mudou tudo. Ele não exagerou quando disse que você o trouxe de volta à vida.

- Espero que sim... Vou me deitar, não quero que ele saiba que não dormi... Fica tão preocupado comigo... - Clara suspirou, fechou o notebook, deu um beijo no rosto de David e subiu de volta ao seu quarto.

Entrou, fechou a porta, despiu-se e deitou-se ao lado de Jack.

- Onde você estava, Menininha? - Jack perguntou, virando-se para ela.

- Na sala de vidro. Terminei o quarto capítulo, falta só revisar.

- Que linda! Quero ler depois. Antes quero te mimar um pouquinho porque você nem dormiu essa noite, minha vida. Vem aqui, me conta o que está havendo...

- Nada amor. Acho que estou ansiosa...

- Eu tenho um remedinho ótimo para ansiedade, meu anjo... - Jack disse agarrando-a e beijando-a. - Te amo tanto...

- Hum, meu amor... estava aqui pensando, Você teria coragem de fazer o que o Michael fez? Sair com outra mulher quando eu viajasse?

- Oh meu amor... Não! Você mudou tudo para mim. Acho que não consigo mais te trair... seria como trair a mim mesmo. Quando eu te descobri, naquele seu livro, eu estava muito triste, cansado. Achava que nada mais poderia acontecer de bom na minha vida e, de repente, eu estava vivo de novo. Primeiro apaixonado pela ideia de te encontrar e depois, quando você apareceu na minha frente... Nunca te disse isso, mas naquele dia, no saguão do hotel, em Nova York, quando seu editor veio falar comigo, meu coração quase parou quando ele disse que você estava descendo...

- O meu também. - sorriu Clara. - Me lembro de cada detalhe daquele dia, e quando as portas do elevador se abriram e eu te vi, levantando-se do sofá, me olhando... meu Deus, pensei que fosse morrer, meu coração pulava dentro do meu peito.

- Eu queria te agarrar, te beijar naquele instante, mas achei que se fizesse isso, você acharia que eu era maluco e fugiria de mim assustada...

- É... acho que fugiria sim. Lembra que depois, na sua suite, estávamos sentados no piano do Liberace, muito bebados...

- Eu ia te beijar, mas aquele seu celular estúpido tocou...

- Eu também queria te beijar, mas tive muito medo de você achar que eu era só mais uma groupie, você estava me contratando para um trabalho e tinha medo que não me respeitasse mais...

- Mas eu já estava apaixonado por você. Sonhava em te conhecer mesmo antes de você nascer, Menininha. Quando te vi na floresta, dançando nua, com flores no cabelo, eu me apaixonei por você e sonhava em um dia poder te beijar.

- Você acha mesmo que era eu?

- Não acho, tenho certeza. E você dançava nua, tão feliz sobre as águas da fonte... linda...

- Será que eu estava feliz porque você finalmente conseguia me ver ou porque você tinha voltado para a nossa montanha?

- Acho que pelos dois. Aquela foi a "viagem" mais erótica da minha vida, com toda a certeza. - sorriu Jack.

- Ai amor... - Clara disse acariciando os cabelos de Jack. - Vamos levantar? Se o David ainda estiver dormindo, podemos caminhar um pouco no jardim, quem sabe sentarmos sob as árvores?

- Você é louquinha por mato, não amor? - sorriu Jack acariciando o corpo de Clara.

- Acho que sou. - Clara riu e beijou-o.

Jack puxou-a para mais perto de seu corpo e mais uma vez mostrou-lhe tudo o que sentia e depois de sentirem muito prazer juntos, Clara finalmente relaxou e pegou no sono; enquanto Jack tomava um banho rápido de chuveiro, vestia-se e descia na sala de vidro, onde encontrou David e Michael tomando café da manhã.

- Bom dia, Velhão! A Princesa está dormindo? - David perguntou

- Está! Pobrezinha não dormiu nada a noite toda. Bom dia Mike.

- Bom dia Jack. Então a Princesa voltou mesmo antes que todo mundo? - sorriu Michael.

- Ela chegou ontem à noite e eu e o Jack passamos a noite contando histórias sobre o início da Crossroads para ela. Ficou tão inspirada que escreveu o quarto capítulo do livro. - sorriu David.

- Como você sabe sobre o quarto capítulo? - perguntou Jack intrigado.

- Encontrei a Princesa aqui na sala de vidro, de manhã, bem cedo e ela tinha terminado de escrever e me deixou ler. É impressionante o quanto parece você escrevendo aquilo tudo, Velhão. Não sei como ela faz isso, mas chega a ser assustador.

- Conversamos muito na hora em que ela voltou para o quarto. Ela está cansada, nervosa e muito preocupada. Queria poder protegê-la de tudo, cuidar dela como se fosse uma flor rara. Não suporto vê-la sofrer.

- Cara, desculpa eu dizer isso, mas essa sua mulher é mesmo incrível! - sorriu Michael. - Tem alguns momentos em que ela parece mesmo uma fada da floresta, uma visão linda, capaz de flutuar no ar...

- E a Ann? Como ela está? - perguntou Jack, enciumado com a última observação de Michael.

- A Ann é uma louca. Se você quer saber, ela queria era ficar com você.

- Como assim? - perguntou Jack. - Eu sei que fui muito grosso com ela no restaurante.

- Mas ela me disse isso com todas as letras. Que está apaixonada por você e vai tirar a princesa do caminho, quer ela queira, quer não. - disse Michael.

- Então vou ficar ainda mais longe dela. A Clara é a mulher da minha vida, quero ter um filho com ela, vou reverter a vasectomia assim que voltar do Brasil. Não quero nada com a Ann...

- Tudo isso é muito bonito, Velhão, mas toma cuidado porque a Ann não me parece estar brincando e a Princesa não está acostumada com esse tipo de coisa. Ela é exatamente como uma flor, linda mas pequena e frágil...

- Tem razão David. Vamos viajar para o Brasil daqui uns dias e lá ficaremos longe disso tudo... quando voltarmos, a turnê começa e bem, acho que a Ann não vai me perseguir na estrada com a Clara grudada em mim, o tempo todo.

- Espero que não. - disse David. - E aproveita a Clara por perto, porque assim que o público ouvir a voz dela, cara, ela tem potencial para ser maior que a Crossroads.

- Ele tem razão, a Princesa tem um carisma imenso. - disse Michael. - Você viu quantas capas de revista já deram para ela desde o casamento? A Jennifer tenta há anos entrar na tal da lista da Vogue, e sua mulher, em três ou quatro eventos públicos, já chegou no primeiro lugar...

- E se você quer saber, ela nem liga para essas coisas... - Jack sorriu.

- Pior ainda, cara... Daqui algum tempo vai ser difícil manter a mídia de fora... - disse Michael.

- Epa! A Cindy acabou de me mandar uma mensagem... ela está dizendo que já está no Charles de Gaulle e daqui uma hora deve estar chegando aqui... - disse David.

- Vocês vão lá buscá-las? - perguntou Jack.

- Não sei, cara... - respondeu Michael. - O que você acha, David?

- Acho que vou sim... - David suspirou. - Estou com saudades da Cindy.

- Eu vou deixar minha princesa dormir mais um pouco, acho que só vou acordá-la quando vocês voltarem - disse Jack. - Vou andar um pouco lá no jardim.

- Isso Velhão... deixa ela dormir. Percebi ontem que ela está muito cansada e tenho a impressão que a única coisa que mantem a Clara em pé, ainda, é o amor que ela tem por você. - sorriu David. - Porque essa mulher te adora... Não faz ela sofrer, cara...

- Nunca... inclusive vou pedir para vocês dois uma coisa... Mesmo que ela pergunte e peça, nunca contem nada para ela sobre... bem vocês sabem... - Jack disse.

- Não, cara... não contaríamos mesmo. - respondeu Michael. - Só você sabe se quer que ela saiba a verdade ou não, amigo. Não temos o direito de interferir nisso.

- Acho melhor deixar isso no passado, Jack. Como ela mesma já disse, olha só para a frente... - disse David.

- Obrigado, caras! Conto com vocês... - disse Jack abraçando os dois amigos. - Já estou sentindo falta de estar com ela... vou andar lá no jardim, ver se eu consigo me reorganizar para estar bem quando minha princesa acordar...

- Vai lá, cara... - sorriu David. - Vou lá na cozinha pedir um almoço caprichado para a cozinheira... Estava pensando em fazer um churrasco na piscina, mas está meio frio para isso, vou pedir um almoço bacana de boas vindas para nossas mulheres...

- Não vamos trabalhar hoje, David? - perguntou Michael.

- Quero descer no estúdio mais tarde... estava pensando em ensaiar a Clara um pouquinho. Além disso, ela deixa aquele estúdio bem mais bonito, não é, Velhão? - sorriu David.

- Ela é linda... acho que não tem nada que eu não faria por ela...

- Velhão, que mudança! Essa menina tem você na mão e a melhor parte é que ela também faria qualquer coisa por você. Quando a encontrei, hoje cedo, aqui na sala de vidro ela estava muito preocupada se não estava te machucando...

- Machucando? Ela está é me curando... Eu jamais estaria aqui, sem ela... vocês sabem disso. - disse Jack secando as lágrimas dos olhos. - Bom, vou lá fora descansar, quando vocês chegarem, subo para acordar minha princesa e almoçamos...

- Vamos lá para o aeroporto Mike? No meu jipe? - perguntou David.

- Espero que a bagagem delas caiba em um carro só, cara... - riu Michael. - Quando a Jenni diz que vai fazer compras, às vezes precisa de um caminhão para buscar os pacotes...

- Vou lá na cozinha, ver como será o almoço e a gente já sai... - disse David.

- Vão lá caras, vou andar no jardim, vamos almoçar a que horas? - sorriu Jack, na porta da sala de vidro.

- Lá pelas duas, eu acho... até chegar aqui e elas estarem prontas. - riu David. - Você sabe como mulher é complicada...

- A minha não... ela é um paraíso... Beijos, vão pela sombra... - disse Jack acenando e seguindo para o gramado.

Jack aravessou o gramado e foi até o bosque, que ficava próximo ao jardim de rosas, sentou-se sob uma das árvores e mesmo com o ar gelado daquela manhã, tentou relaxar, recostando-se no tronco e olhando para o céu coberto de nuvens.
Desejava que Clara estivesse ali, ao seu lado, mas ela continuava dormindo e ele não tinha intenção de acordá-la ainda. Mas queria muito beijá-la e tê-la em seus braços, como não podia, revisitava em sua memória momentos maravilhosos que já tinham vivido juntos naqueles poucos, mas preciosos, dias juntos. Conseguia vê-la caminhando em sua direção, sob o sol do verão, naquele mesmo jardim, vestida de noiva, linda como um anjo, brilhando entre as flores, as mãos tremendo como as suas agora, no frio de outono.

Alguns minutos depois, Jack começou a ouvir o barulho dos carros estacionando na porta da casa. Aproveitou que estava próximo às roseiras, colheu uma rosa vermelha e subiu para o quarto, onde Clara ainda dormia.

- Amor, Clara... - disse Jack tocando seu rosto com a ponta dos dedos...

- O que foi, querido? - perguntou Clara. - Que horas são?

- É hora de acordar, querida... Trouxe esta rosa para você, do jardim, meu amor... - Jack disse estendendo a rosa para ela.

- Ai amor, que lindo! Obrigada, meu anjo... - sorriu Clara, sentando-se na cama. - As meninas já chegaram?

- Já, amor... eu, o Dave e o Mike estávamos conversando e achamos que você deve ensaiar conosco hoje, lá no estúdio. Passar a música mais algumas vezes.

Clara sorriu, abriu os braços e suspirou... - Vem aqui, meu amor... Eu também quero te mimar muito, minha vida.

Jack sentou-se na cama e beijou-a. E os dois ficaram alguns minutos agarrados um no outro. - Estava com tantas saudades de você...

- Querida, por que você não me disse que encontrou o Dave lá embaixo, na hora que desceu para escrever... - perguntou Jack.

- Acho que porque eu e ele ficamos falando sobre você. Do meu medo de estar te ferindo com esse livro e com a volta da banda... - Clara respondeu acariciando os cabelos de Jack.

- Sabe, a única coisa que me machuca neste instante é ver minha linda mulher aqui, nua nos meus braços e não poder fazer o que meu coração manda... - sorriu Jack. - Ai minha vida... - Jack disse acariciando o corpo nu de Clara, enquanto a puxava para mais perto dele. - Preciso tanto de você, meu amor... Vem, vamos tomar um banho juntos, estão nos esperando para almoçar.

Jack pegou-a no colo e levou-a até o banheiro, onde os dois tomaram um banho rápido de chuveiro e vestiram-se. Clara vestiu um sueter preto liso, de gola alta, uma saia de couro justa e botas de cano alto. Jack prendeu seus cabelos em uma trança e ela completou seu visual com uma maquiagem leve e colocando uma paximina roxa ao redor do pescoço.

Jack, vestiu o sueter branco com tranças, calças jeans e botas de couro. Deixou os cabelos cacheados soltos e molhados. Não havia muito tempo, já estavam atrasados quando desceram as escadarias de Heathcliff Hall até a sala de estar onde seus quatro amigos os esperavam.

- Desculpem, acho que demoramos demais... - sorriu Clara.

- Querida, você pode demorar o quanto quiser... - sorriu David. - Velhão... da próxima vez, não esperamos... Então, vamos todos para a sala de vidro?

Na sala de vidro, um almoço de festa esperava pelos três casais. David deu as ordens e os empregados da casa providenciaram uma festa; lagostas, champagne, tudo delicioso e sofisticado para comemorar o retorno das esposas de sua viagem de compras.

- Bem, agora que nossas queridas esposas estão todas em casa, quero erguer um brinde a elas; pela sua paciência e carinho conosco. Nós amamos vocês! - sorriu David. - Às nossas queridas esposas!

- Obrigada querido! - disse Cindy erguendo sua taça. - Tivemos dias maravilhosos em Paris, mas estávamos sentindo a falta de nossos queridos maridos. A Clara então, saiu correndo para voltar para seu Jack... Mas estamos todas muito felizes de voltarmos para casa e encontrá-los mais uma vez aqui reunidos, trabalhando em algo que certamente irá maravilhar o mundo, dentro de poucos dias.

- David, Jack... estava aqui pensando... - disse Clara. - Vocês já estão montando a setlist do show, não?

- Sim Princesa. Por que?

- Vocês irão cantar "Song of the Woods"?

- Ainda não sabemos, querida. - sorriu David. - Estamos vendo ainda o que combina com o novo repertório e ensaiando as novas músicas, mas a sua sugestão está anotada...

- Como sugestão? - riu Jack. - Se a minha Clara quer que toquemos "Song of the Woods", nós vamos tocar...

- Espera Jack. Que eu saiba, quem manda nesta banda ainda sou eu... - riu David. - Estou brincando... seu desejo é uma ordem, Princesa... tocaremos o que você quiser...

- Não deve ser assim, David. É só uma sugestão... Já disse para vocês que amo essa música, mas não quero essa responsabilidade...

- Não amor, é justo... estamos aqui graças a você... e também gostamos muito dessa música, não é verdade Mike, Dave?

- Claro que gostamos... - sorriu Michael. - E não acredita no que esses caras dizem, Princesa. Já estamos ensaiando essa música há três dias...

- Que bom! - sorriu Clara. - Ela é tão linda!

- Quem a inspirou é muito mais, Clara. - sorriu Jack pegando sua mão e beijando-a. - Minha fada do bosque...

- Vocês já sabem o que vestirão no palco? - perguntou Jennifer.

- Ainda não, querida. - respondeu Jack. - Estávamos esperando que vocês voltassem para começarmos a pensar nisso. Vocês irão nos ajudar a escolher, não?

- Sim vamos, não meninas? - disse Clara. - Jenni, Cindy... Todas nós queremos vê-los lindos, brilhando sobre o palco... Comprei algumas coisas em Paris para o Jack... vocês também compraram algumas coisas para seus maridos, não meninas?

- Compramos sim... - sorriu Jennifer. - Mas não são coisas para o palco. São roupas para a próxima estação. Seria melhor irmos todos até Londres para comprar roupas de palco para eles.

- Podemos fazer isso amanhã. - disse Cindy. - Tenho que ir até a casa da Clara porque alguns móveis que compramos serão entregues de manhã. Que tal almoçarmos no francês e depois fazermos umas comprinhas lá pela King's Road.

- Hum! Para mim parece muito bom, vamos? - disse Clara - Jack? Jenni?

- Vamos sim, querida! - sorriu Jennifer. - Estes rapazes precisam ir para a estrada bem vestidos... você também estará lá e já está com seu figurino pronto...

- Estou e quero ver todos vocês lindos. - sorriu Clara. - Meu Deus! Só de pensar que daqui a pouco mais de um mês vou subir no palco com vocês...

- Querida, será lindo! - sorriu Jack, pegando a mão de Clara. - Nossa, sua mão está gelada, amor!

- É assim que eu fico sempre que lembro desse show amor... gelada! - sorriu Clara, sem graça.

- Ah Princesa... - riu David. - Não fica preocupada. Vamos ensaiar mais um pouquinho depois do almoço. Acho que você só precisa acreditar um pouco mais nessa voz linda que você tem e vamos passar a "Song of the Woods" também, certo rapazes?

- Vamos descer todos hoje, David. - sorriu Jack. - o estúdio fica bem mais bonito quando elas estão lá, não fica?

- Obrigada, amor... - sorriu Clara. - Cindy, Jenni, vocês vão descer conosco no estúdio, não vão?

- Sim querida... - sorriu Cindy. - Vamos lá para te dar apoio.

- Vocês ainda não ouviram todas as novas músicas, o Jack grita como uma menininha em quase todas elas... - riu David.

- Esses dois... - sorriu Cindy. - Eles sempre parecem um casal gay de meia-idade, se amam em um minuto, brigam e se destroem no minuto seguinte, mas não se largam...

- Até já me ofereci para tomar conta da porta do armário deles. - riu Clara. - Se o Jack fosse gay, eu seria aquela melhor amiga que nunca está muito longe...

- Viu só? Mesmo que eu fosse gay, minha princesa não me abandonaria... - riu Jack.

- Abandonar? Nunca... eu abusaria de você e depois, sairíamos pela cidade, fazendo compras e sendo chiquérrimos juntos. Sempre tive muitos amigos gays e adorava todos eles.

- Falando em amigos gays, como o Mick Jagger reagiu à ausência da minha princesa, hoje de manhã, no voo? - perguntou Jack.

- O Mick é um querido, Jack. - sorriu Jennifer. - Hoje de manhã, ele foi o anfitrião perfeito de sempre. Já sabia que a Clara tinha voltado para casa, jantamos juntos ontem à noite. Pobrezinho, ficou decepcionado quando chegou com aquele bouquet enorme de rosas cor de lavanda que levou para ela...

Clara sorriu, enquanto Jack fazia caretas.

- Pior para ele. - disse Jack. - A Clara é minha e só minha!

- Isso você sabe que sou, querido... - sorriu Clara.

Logo após o almoço, todo o grupo desceu para o estúdio e Clara sentou-se com suas amigas no sofá que ficava em um dos cantos.

- Princesa, querida... Vamos começar com "The Light". - disse David colocando um banquinho ao lado do de Jack. - Você nos acompanha?

- Claro, queridos. - disse erguendo-se do sofá e caminhando na direção do banquinho.

Jack, que procurava pela caixa com suas gaitas, também veio a seu encontro. - Você está pronta, querida? - perguntou entregando-lhe os fones de ouvido.

- Estou, amor... - disse Clara segurando as mãos dele quando David e Michael começaram a tocar.

Concentrada na canção, Clara fechou os olhos e cantou. Sentia-se envolvida por uma imensa onda de amor e dela extraía a energia para cantar.

- Princesa! Maravilhoso! - disse David. - Foi perfeito! Lindo!

- Obrigada David. - sorriu Clara. - Espero conseguir me concentrar assim no palco, com todo mundo me olhando...

- Não olhe para eles, amor. - disse Jack. - Quando subir no palco, olhe apenas para mim, estarei lá por você e apenas por você...

- Obrigada, Jack, meu amor. Vamos passar a música mais uma vez?

- Não querida. Não queremos cansá-la. Se você quiser ir lá com as suas amigas...

- Se não estiver atrapalhando, posso ficar aqui sentada ao lado do Jack?

- Claro, Princesa.... você manda... - sorriu David.

- Obrigado, amor... - disse Jack beijando as mãos de Clara. - Vamos passar "Song of the Woods" agora?

- Vamos, Jack. - disse David. - Vou só acertar aqui essa guitarra e já começamos. Clara, você me tirou a concentração, querida. Estou muito emocionado...

- Ai David. Eu fiz o que senti que deveria fazer... me joguei de cabeça e de coração na música linda que vocês estavam tocando...

- Você é incrível, Princesa! Nós te amamos! - disse Michael.

- Obrigada Michael! - sorriu Clara.

- Então vamos lá? - disse David, agora pronto para começar a tocar. - 1, 2, 3, 1, 2, 3, 4...

"Song of the Woods" chegava nos fones de Clara e mais uma vez a emocionava. De olhos fechados, mergulhada naquela música, sentia-se mais uma vez caminhando em sua montanha, naquele delicioso bosque perfumado pelas árvores e flores que ficava ao redor daquela que era agora sua casa com Jack e chorava em silêncio.

- Foi lindo, queridos... - disse Clara, limpando as lágrimas. - Vou agora para o sofá. Não quero incomodar vocês...

- Meu amor, fica comigo. - disse Jack, secando as lágrimas que também corriam de seus olhos. - Você não está nos incomodando...

- Ah querido! Vou sentar um pouco com minhas amigas. - disse Clara, levantando-se e tirando os fones de ouvido. - Por favor, Jack...

- Vai meu amor. - disse Jack puxando-a pela mão, beijando-a e sussurrando em seu ouvido. - Eu te amo....

- Também te amo, querido. - sussurrou Clara no ouvido de Jack. - Apenas não estou dando conta de tanta emoção... melhor me distanciar um pouco...

- Entendo meu amor. - disse Jack beijando-a e enxugando suas lágrimas. - senta ali com suas amigas que vamos tocar para vocês.

- Clara, você está bem? - perguntou Cindy quando ela aproximou-se do sofá. - Parece muito pálida...

- Estou... apenas me emocionei demais com a música...

- Sente-se aqui... - sorriu Cindy. - Vamos buscar vinho para todos? Vem, Clara, Jenni, vamos pegar umas garrafas na adega...

Clara seguiu Cindy e Jennifer até a adega para pegar algumas garrafas e taças.

- Querida, precisamos te contar uma coisa. - disse Cindy. - É sobre o Mick...

- O que tem ele? - Clara perguntou.

- Ele quer falar com você. - disse Jennifer. - Pediu que você ligasse para ele hoje.

- Vocês sabem o que ele quer?

- O Mick ficou muito chateado ontem à noite, quando não te encontrou. - disse Jenni. - Talvez seja sobre isso, querida...

- Não deve ser nada sério, querida. - sorriu Cindy. - Mas acho que você deve aproveitar que o Jack está no estúdio, para falar com ele. Sobe agora, vou dizer ao Jack que você foi respirar um pouco no jardim.

Sentido-se esgotada pelas fortes emoções que teve no estúdio há poucos minutos, Clara não quis pensar muito, fez exatamente o que as amigas sugeriram e preferiu ligar de uma vez, como quem arranca um esparadrapo de uma ferida, rápido e em um só movimento.

Continua

2 comentários:

Lariissa disse...

Você escreve tão bem!
adoro esse conto : )
uma ótima semana

beijos

Drika disse...

Obrigada pelos elogios, Lariissa.
Uma ótima semana para você também!
Beijos,