4 de jan de 2012

Rockstar - Capítulo LXIII


Como de hábito, David esperava por seus amigos na porta de casa.

- Princesa! Que bom te ver querida! Fez boa viagem?

- A melhor! Obrigada David!

- O Jack me contou que te falou sobre o Mike e nossa amiga americana...

- Sim, ele me disse. Só não tinha dito que beijou aquela biscate na porta do Chez Montagne...

- Vi tudo, Princesa, o Velhão não teve culpa. Assim que viu os fotógrafos, a Ann o agarrou e beijou. Depois disso o Velhão falou umas verdades para ela e daí ela se atirou para cima do Mike.

- Eu amo tanto seu amigo, Dave que desta vez não o farei lavar a boca com desinfetante antes de me beijar... mas só desta vez...

- Ai querida, me perdoa... - riu Jack abraçando-a. - Vamos levar a bagagem para cima?

Clara e Jack subiram com as malas para o quarto. Chegando lá, ela pegou um vaso para colocar as rosas que tinha ganho de Jack e mandou uma mensagem de texto para Cindy, avisando que já estava em casa. Desligou o telefone, trancou a porta e começou a caminhar na direção de Jack.

- Bem, quando você me ligou ontem, você estava me falando alguma coisa sobre querer estar perto de mim...

- Perto? Eu acho que disse que queria estar dentro de você, não disse?

- Acho que foi... - disse Clara tirando a camisa de Jack, enquanto ele também começava a acariciá-la e despí-la.

Os dois se amavam novamente e explodiam de felicidade por estarem juntos.

- Querida, preciso te contar uma coisa. - disse Jack sentando-se na cama e acariciando o cabelo de Clara. - O Dave me acompanhou ontem e fui falar com o cirurgião que fez minha vasectomia.

- E o que ele disse? - perguntou Clara, sentando-se na cama também e pegando a mão de Jack.

- Que pode fazer a cirurgia de reversão, quando eu quiser, mas que depois dela, eu preciso de repouso por pelo menos uma semana. Então conversei com ele e já deixei tudo marcado para quando voltarmos do Brasil.

- É uma cirurgia, querido? - perguntou Clara.

- É... mas ele me disse que fico um dia só no hospital e depois, não posso fazer muito esforço e nem fazer sexo por uma semana, mas estará tudo novinho... - sorriu Jack. - Vamos ter nosso filho?

- Vamos sim, querido... - sorriu Clara. - Vai demorar um pouco, porque acabei de tomar outra daquelas injeções de hormônio, mas acho que daqui uns três ou quatro meses, estarei pronta para engravidar. É isso mesmo que você quer?

- Quero muito, meu amor! Até lá tudo vai estar um pouco mais louco, na estrada, mas vai ser lindo ver essa barriguinha crescendo... - disse Jack acariciando o ventre de Clara. - Não vejo a hora...

- Espero dar conta de tudo... Eu te disse que comecei a escrever o quarto capítulo do livro, em Paris, não disse?

- Eu sei, querida... - sorriu Jack. - Estava aqui pensando, podemos aproveitar as férias no Brasil para nos concentrarmos no livro. Posso te contar tudo...

- Tenho tanto medo disso...

- Não tenha, meu amor... você sabe que nunca te direi toda a verdade... não sabe?

- Sei e prefiro assim... e por favor, não se sinta culpado por não dizer... eu não preciso, nem quero saber... O que aconteceu, aconteceu... Já te perdoei por tudo, seja lá o que for que você tenha feito nesse passado.

- Não posso te dizer, ainda não estou preparado para isso e é muito bom saber que você me entende.

- Claro que entendo, meu amor... - sorriu Clara. - Todos têm segredos, um passado, momentos de que se arrependem, se envergonham... não quero que você fique remoendo esse passado por minha causa. Estou aqui para te fazer feliz, não para te torturar.

- Você é maravilhosa, meu amor. Estou muito grato pela sua compreensão e prometo nunca te ferir com as bobagens que fiz no meu passado... - Jack disse chorando.

- Ah, meu amor... - disse Clara limpando as lágrimas dele e beijando-o. - Estou aqui por você e sempre estarei...

Os dois ficaram alguns minutos abraçados em silêncio. Clara não tinha mesmo qualquer intenção de conhecer detalhes mais sórdidos do passado de Jack. Tinha medo de perder o encanto.

- Estou com muita fome, querida. Vamos comer alguma coisa? - perguntou Jack, quebrando o silêncio.

- Vamos amor... vamos nos vestir e descer no estúdio para chamar o Dave para jantar conosco, não é?

- Claro, querida. Essa é a casa dele ainda... - riu Jack.

Os dois se vestiram e desceram na sala de controle do estúdio, de onde usaram o microfone para chamar David.

- Então, vamos jantar? - perguntou Jack.

- Entra aí, Velhão, Princesa! Vamos jantar sim... Deixa eu desligar essas tralhas aqui. Finalmente vou poder trabalhar um pouco sem ouvir o Velhão chorando no meu ouvido como uma menininha...

- Você estava chorando, meu amor? - riu Clara.

- O David é maluco. Você não sabe?

- Sei! - riu Clara. - Mas eu também estava chorando e não é nenhuma vergonha...

- Vergonha? Não meu amor, tenho orgulho das minhas lágrimas. Estava com saudades da mulher mais linda do mundo...

- Ai Jack! Te amo muito... - disse Clara beijando-o. - Acho que sou a mulher mais feliz do mundo!

- Tudo desligado... - sorriu David, entrando na sala de controle. - Vem, vamos pegar umas garrafas de vinho e já jantamos. Pedi para a cozinheira preparar uma comidinha especial para meus dois melhores amigos. Quer saber, adoro que estejamos só nós três nesta casa hoje... Amo a Cindy, mas é muito bom estar aqui sozinho com vocês dois...

- Nós também te amamos, Dave. - disse Jack.

- Isso mesmo, querido. - sorriu Clara. - É muito bom estar aqui com vocês dois, mas também amo todos os nossos amigos. Vocês me tornaram uma pessoa muito feliz. Estava aqui pensando, já que estamos só nós três aqui, será que você não poderia me contar como foi o momento em que conheceu o Jack. Acho que vou retomar o livro, andei escrevendo um pouco lá em Paris.

- Ih Velhão... ela vai descobrir... - riu David. - Claro, Princesa... aliás faço questão porque foi um momento muito especial na minha vida quando tirei esse maluco da sarjeta...

- Ótimo! - sorriu Clara. - Então, depois do jantar vou buscar minha câmera lá em cima e você vai me contar tudo...

- Cuidado, amor... O David não é muito confiável...

- Sou sim, Princesa... O Jack é que é muito ciumento... sempre foi...

- Eu já sei disso, David. E também sou ciumenta... O Jack é meu e só meu...

- E aquela história de dizer que ia me dividir com o mundo... - riu Jack.

- Eu tento, mas isso para mim é tão difícil... - riu Clara. - Ainda mais com aquela biscate te agarrando daquele jeito...

- Viu só, Velhão?

- Eu não quero nada com ela, meu amor... Nem pensa mais nisso, sou seu... - disse Jack pegando as mãos de Clara e beijando-as.

- Ela te fisgou mesmo, cara. - riu David. - Princesa, você conheceu o Jack agora, mas há algum tempo atrás, depois de passar por uns problemas complicados, ele chegou a me pedir para não deixar que se envolvesse com ninguém. Eu deveria afastá-lo de todas as mulheres que aparecessem na vida dele, dali em diante, porque ele não queria mais se apaixonar.

- Sério? - perguntou Clara. - Você pediu isso ao David?

- Pedi, querida. - sorriu Jack. - Eu estava sofrendo muito e não conseguia me isolar das mulheres. Não queria me envolver a sério com mais ninguém e pedi que ele me ajudasse a não me apaixonar mais.

- Ah, meu amor! Então, estou muito feliz que isso tenha mudado porque meu coração estaria arrasado se o David nos separasse...

- Nunca faria isso, Princesa... - sorriu David. - Quando o Jack viu sua foto no livro, ele correu para mim e eu senti que não deveria interferir dessa vez. Daí, quando tudo começou a mudar, eu tive certeza que, se eu fosse fazer alguma coisa, seria só para ajudá-lo a te encontrar, nunca para separar...

- Obrigada, David. - sorriu Clara. - Por tomar conta dele para mim...

- Ah, querida... - disse Jack puxando-a para seu colo e beijando-a apaixonadamente.

Após o jantar, com taças de vinho nas mãos, os três foram para a sala de estar. Clara trouxe sua câmera e seu notebook e passou a gravar uma entrevista com David.

- Então David, quero que você me conte sobre a primeira vez que viu o Jack.

- Você sabe querida que eu comecei muito cedo na música e , em 1967, minha banda, a Blue Eyed Blues estourou nas paradas de sucesso, cheguei ao topo do mundo, mas não conseguia levar aquilo a sério, ganhava muito mais dinheiro como produtor e músico de estúdio do que com a banda. O sucesso subiu à cabeça dos meus companheiros e primeiro fiquei sem um vocalista e dois meses depois, quando o baixista tinha assumido os vocais, uma guerra gigantesca de egos acabou tornando impossível continuar trabalhando com aqueles caras. O ano já estava no final, e eu não queria mais saber de palco, mas os caras montaram outras bandas e passaram a usar a mídia para me provocar. Então decidi que assim que o novo ano começasse, eu faria uma nova banda e sai procurando músicos pela noite. Em uma noite de inverno, em um pub de Birmingham, eu vi essa banda de garotos tocando blues. A parte mais estranha era que nos intervalos do show, o vocalista vestia um avental e saia pelo pub recolhendo pratos e copos...

- Que lindo! - sorriu Clara. - E o que você achou da voz dele?

- Me impressionou! - sorriu David. - Ele já era esse maluco que você conhece, cheio de paixão e se atirava em cada música. Fiquei boquiaberto, mas sabe quando você vê uma coisa que parece boa demais para ser de verdade? Me deu muito medo, porque além de tudo, ele tinha uma aparência incrível e eu fiquei pensando, esse cara deve ter alguma coisa de muito errado para ainda estar cantando em um pulgueiro como este...

- E tinha? - riu Clara.

- Bom, só descobriria isso muito tempo depois... - riu David.

- Eu estava na pior das situações ali, querida. - disse Jack. - Desde 1964, eu estava fora de casa, vivi nas ruas, depois, a família do Don me abrigou e passei dois anos na casa deles, mas o pai dele não gostava nada daquilo. Uma noite, em 1966, no pub em que nós frequentávamos em Stourbridge estourou uma briga feia e eu e o Don voltamos para casa no carro da polícia, com o olho roxo e a boca sangrando. Foi a desculpa que o pai dele procurava para me expulsar de casa e colocar o Don para trabalhar na loja de ferragens da família.

- E o que você fez, amor?

- Eu era amigo dos irmãos da Mary e já estava namorando com ela há dois anos. Consegui que eles me abrigassem na casa deles. Era uma vila ocupada por ela e pelos parentes, tios e primos deles. Passei quase um ano por lá, namorando a Mary escondido porque os pais dela queriam que ela se casasse com um primo que estava para chegar da Índia e que tinha muito dinheiro. Acho que essa era a única tradição indiana que eles faziam questão de manter, a de casar os filhos com quem eles escolhessem.

- Quando foi isso, amor?

- Era 1967. Conseguimos enganar os pais e os irmãos da Mary por quase um ano, mas ela engravidou e foi uma tragédia. O tal primo chegou da Índia e queria me matar, então os irmãos dela, que eram todos comerciantes, nos obrigaram a casar no verão de 67 e deram um dos negócios da família, um mercadinho de frutas e verduras, em Birmingham, para ela administrar. Nós dois passamos a morar sozinhos, em cima do tal mercadinho. De dia, eu ajudava a Mary no mercadinho e, à noite, eu trabalhava no pub e consegui convencer o dono a deixar minha banda tocar lá. Não tinha quase nenhum dinheiro, mas me sentia feliz cada vez que subia no palco... sentia que a qualquer momento tudo mudaria...

- Você conversou com o Jack na mesma noite, David? - perguntou Clara.

- Não... - sorriu David. - Como te disse, fiquei um pouco assustado. Já conhecia o Mike e tinha decidido que ele tocaria na minha nova banda e queria que ele e o Brad, que era meu empresário, vissem o Jack antes de decidir qualquer coisa. Não sei se você já percebeu, querida, mas seu marido é um pouco assustador.

- Tadinho, David. - sorriu Clara. - Mas sei o que você quer dizer. Desculpa amor, mas tem muita paixão nos teus olhos e isso pode ser assustador. É algo poderoso, que nunca tinha visto em mais ninguém... e não estou falando isso porque te amo, ou porque sempre fui e sempre serei fã do seu trabalho...

Jack suspirou e limpou as lágrimas que agora apareciam em seus olhos... Clara desligou a câmera e o abraçou.

- Menininha, você não sabe o quanto me emociona com tudo o que diz... Desde que te conheci, sinto mais e mais que você é a minha maior razão para ter feito tudo o que fiz. De algum jeito, esperava pela sua chegada na minha vida...

- Ai meu amor, mais lindo... - disse Clara beijando-o.

David levantou-se e foi buscar mais uma garrafa de vinho para dividirem. Sentia-se mais do que um pouco constrangido quando os dois mergulhavam um no outro daquela forma, esquecendo do mundo ao redor, apenas sentindo-se parte de um amor que não tinha tamanho.

- Vinho? - David ofereceu aos dois que pareciam naquele instante acordar de um transe. - Que bom, acho que não estou mais invisível para vocês...

- Ah, desculpa David... - sorriu Clara sem graça. - Desde que encontrei seu amigo, vivo em uma montanha russa de emoções muito intensas e às vezes me perco nesses olhos azuis lindos dele.

- É, Velhão... você é o cara mais sortudo do mundo... - riu David.

- Sou sim! - sorriu Jack. - Tem horas que eu preciso me beliscar, porque parece um sonho...

- Vocês dois são terríveis, sabia? - riu Clara. - Não levam nada a sério, nem o que é mais lindo e sublime para mim...

- Pelo contrário, querida... - sorriu David. - Vocês me emocionam e me inspiram... Não deveria contar ainda, mas já estou trabalhando em duas novas músicas, além daquelas que você já conhece para seu disco solo. Sei que vocês têm muitos compromissos e não quero acrescentar mais um, mas assim que quiserem trabalhar nisso, me avisem...

- Obrigada David... - disse Clara levantando-se e beijando-o no rosto. - Por mais que a ideia me assuste, é muito doce saber que você acredita que posso subir em um palco sem me envergonhar...

- Disso você pode ter certeza, Princesa. - disse David abraçando-a. - Tenho uma fé imensa em seu talento e não estou falando só da voz, você também tem a mesma paixão que percebeu no Jack e isso faz toda a diferença do mundo.

- Poxa cara! Minha mulher... dá para largar da minha mulher? - riu Jack. - Vem aqui, amor... Já te disse para ter cuidado com esse cara...

- Ai Velhão, está com ciúmes? Vem aqui que eu te abraço também... - riu David. - Poxa vida Princesa, esse seu marido é apaixonado por mim...

- Eu sei! - riu Clara. - E eu amo vocês dois, mas assim que terminar meu vinho, nós vamos nos sentar novamente e eu quero continuar a entrevista...

Com os três novamente sentados, Clara pegou sua câmera e ligou mais uma vez.

- David, gostaria que você falasse agora sobre o Don, como ele foi parar na banda...

- Bom, isso foi obra do seu marido... - riu David. - Eles tocavam juntos naquele pub em Birmingham e eu já tinha decidido que colocaria um baterista na banda, que trabalhava comigo e com o Mike no estúdio e não tinha nenhuma intenção de chamá-lo...

- Mas ele precisava... tinha abandonado a casa dos pais e estava vivendo com a namorada, em uma casinha de um cômodo. Ela também estava grávida, como a Mary e ele fazia entregas de uma loja de móveis e mudanças com um caminhãozinho que tinha comprado para sobreviver. Eu disse para o David e para o Brad, que vieram conversar comigo, que só aceitaria fazer um teste para a banda, se o Don, meu irmão, também fizesse.

- Os dois foram para Londres me encontrar no estúdio, com aquele caminhãozinho caindo aos pedaços que o Don tinha... Sabe, Princesa, eu não queria o Don, meu plano era mostrar para seu marido que o som da banda ficaria muito melhor com o Josh Carter, um velho amigo meu e do Mike, mas isso não aconteceu porque quando o Don montou o set dele e começamos a tocar, nós quatro juntos, eu percebi que aquele era o som que deveríamos fazer.

- Foi, amor... - suspirou Jack. - Não sei se conseguirei te descrever o que senti, mas foi muito forte. Tocamos "Crossroads Blues" e era aquele o som que eu tinha procurado pela minha vida inteira. Meu sonho estava ali, acontecendo na frente dos meus olhos... Foi tão intenso e excitante para mim que enlouqueci e passei as próximas três noites sem dormir... hospedado na casa do David, cantando, tocando e falando com ele sobre música... e olha que não usei nenhuma droga durante esse período...

- E a Mary? - perguntou Clara assustada. - Ela sabia onde você estava?

- Liguei para ela avisando e não sei se foi minha empolgação, ou o fato de ter dito que estava na nova banda do David Mersey, um cara já famoso e rico, mas ela ficou feliz por mim e quando cheguei em casa, depois de tudo, nós festejamos muito.

- E o nome da banda? Quem teve a ideia?

- O David... bem, foi engraçado isso... Ele perguntou se sabíamos tocar Crossroads Blues e foi a primeira música que nós tocamos. Depois tocamos mais umas duas ou três, inclusive uma que era da banda antiga dele e depois ele quis repetir a Crossroads Blues. Mas enquanto estávamos lá montando os equipamentos para tocar, o Brad estava apagado em um sofá, num canto, com uma garrafa de uísque na mão...

- Nós estávamos tocando Crossroads novamente e ele acordou dizendo: - Porra, vocês só sabem tocar essa porra de Crossroads... quero ouvir alguma coisa mais rápida... Todos riram e o "Porra de Crossroads" ficou na nossa cabeça, queríamos que fosse esse o nome da banda, mas depois, quando estava sóbrio, o Brad achou que era melhor que se chamasse só Crossroads... - sorriu David. - Segundo ele nós não conseguiriamos que nenhuma "porra de rádio" nos tocasse com aquele nome...

- Que lindos... Nossa, acho que adoraria estar ali, em um cantinho, assistindo tudo isso... - sorriu Clara.

- Ah amor... você é muito doce mas acho que correria daquela sala sem olhar para trás... nós quatro, junto com o Brad, eramos selvagens para dizer o mínimo... nenhuma mulher que se arriscasse a chegar perto da gente saía como chegou...

- Então todas aquelas histórias do livro do Clive Stewart, inclusive de que quase estupraram uma jornalista, são reais?

- Nem todas, querida. - sorriu Jack. - Essa da jornalista, infelizmente é... o Brad e o Don estavam muito bebados e ela, bem, ela não tinha exatamente a postura de uma jornalista muito séria. Já tinha transado com o David e alguns caras que circulavam ao redor da banda quando aconteceu aquele incidente no avião... Tive que conversar muito com ela, mandar flores e transar com ela algumas vezes para que não nos processasse.

- Eu fico triste de saber... - disse Clara. - Mas era o momento de vocês, não?

- Princesa, sei que não tem o que justifique nosso comportamento naquela época, mas você já deve ter percebido que, quando se está no topo do mundo, ninguém diz não para você. Todos querem ser vistos ao seu lado, ajudá-lo a gastar aquele dinheiro todo que literalmente jorrava dos nossos bolsos. Você sabe, que eu, o Jack e o Mike, hoje, temos muito dinheiro, mas se tivessemos a mentalidade que temos agora, teríamos pelo menos umas cem vezes mais. Isso aqui, querida, é o que sobrou de um longo mergulho em todos os tipos de excessos.

- Não quero falar mais sobre isso, porque não quero que você perca o encanto... - disse Jack. - Não me orgulho nem um pouco das coisas que fazíamos, na verdade, elas me doem...

- Por favor, não falem, queridos. - disse Clara, desligando novamente a câmera e abraçando Jack. - Sinceramente, não quero saber. Me deixa com minhas ideias românticas e bonitas sobre os quatro melhores músicos de rock que o mundo já teve, tocando a música dos meus sonhos... não preciso saber sobre os excessos e as loucuras. Não quero saber sobre eles...

- Ah, meu amor... não te mereço, de verdade... fiz muitas coisas ruins... - disse Jack.

- Jack, querido. - Clara disse prendendo as duas mãos de Jack entre as suas. - Eu não preciso saber tudo o que você fez para compreender e perdoar de todo o meu coração. Você também David, querido. Era o que vocês podiam fazer, com o que sabiam naquele momento... são dois homens maravilhosos hoje, apaixonados, músicos geniais... não fiquem olhando nem por um segundo para estas coisas que os machucam. Olhem para aquilo que criaram e deixem para trás o que destruiram nesse caminho...

Os dois abraçaram Clara e os três ficaram no meio da sala de estar abraçados por alguns minutos, os três choraram e sentaram-se juntos no sofá conversando ainda, mas desta vez, nada mais sério e nem para a câmera, apenas falaram casualmente sobre a música que os movia até o dia amanhecer, quando subiram para seus quartos.

Sozinhos, no quarto, Jack e Clara tiraram as roupas e deitaram-se. Jack pegou no sono rapidamente, mas Clara, estava muito agitada para conseguir dormir.
Levantou-se com cuidado para não acordar Jack, vestiu-se, pegou seu notebook e foi até a sala de vidro, onde começou a escrever compulsivamente até terminar o quarto capítulo, na véspera do dia em que a banda Crossroads faria sua primeira turnê pelos Estados Unidos, para divulgar seu primeiro disco, mudando para sempre sua história.

Continua

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