14 de dez de 2012

Rockstar - Capítulo C

Clara também arregalou os olhos quando viu sua foto, agarrada em Mick, no restaurante com a legenda: "Mick Jagger, solteiro novamente, almoça com Clara Noble em restaurante".

"Eles negam que tenham algum tipo de envolvimento e não quiseram falar com nossos repórteres, mas parece que existe muito mais do que simples amizade entre os dois astros, pelo menos é o que se pode concluir depois de alguns depoimentos obtidos espontâneamente por nossos repórteres, clientes do sofisticado restaurante que preferem não ser identificados afirmam terem visto Clara Noble ser seguida por Mick Jagger até o banheiro da casa, onde teriam ficado juntos por diversos minutos.

Para adicionar ainda mais pimenta, em um cenário que já parece naturalmente quente, ontem, a modelo Gianna Carli desabafou em sua conta no Twitter:

"Ninguém gosta de ser traída, ainda mais dentro de sua própria casa e  com uma pessoa que eu achava que era minha amiga..."

- Sabia! Eu tinha certeza que isso ía acontecer...

- Calma querida... conversa com o Jack, nós vamos te ajudar... - Jennifer ofereceu seu apoio, colocando a mão no ombro da amiga.

- Nós estamos do seu lado, querida...

- Melhor você ligar para o Jack agora... antes que alguém o faça... - Cindy disse preocupada.

- Verdade... aposto que a Ann Kurtiss vai correndo mostrar essa matéria para o Jack...

- Não.... isso não pode acontecer... - ela disse pegando o celular para ligar para o marido. - Ele não atende... o celular está desligado...

- Vou ligar para o Mike, calma, Clara... - Jennifer disse ao perceber que a amiga já estava chorando.

- E agora? O que eu faço? O Jack nunca vai me perdoar...

- Calma... - Cindy disse, olhando pelo retrovisor. - o Jack nunca está com o celular ligado, não é...

- Mike, onde vocês estão? - Jennifer perguntou assim que o marido atendeu o celular. - Sei... e o Jack? Ah... sei... está bem...vou dizer para a Clara...

- Pronto... minha vida acabou...

- Calma, querida... O Mike disse que o Jack está ocupado e que te liga daqui a pouco... 

- Ocupado? - Clara estranhou a informação, mas decidiu que tentaria manter-se calma, afinal naquele momento, presa em um enorme congestionamento a caminho de Heathcliff Hall não havia mesmo muito mais a se fazer.  - Desculpa queridas, mas estou muito nervosa... vocês sabem do esforço que eu faço para este casamento dar certo...

- Ah querida, vocês se amam... não se preocupe... mesmo que ele tenha visto a tal matéria, você não acha que ele é tão ingênuo de acreditar, acha? - Cindy perguntou, olhando para Clara pelo retrovisor. - Ele está há muito tempo nesse negócio para ligar para as coisas que os tablóides dizem...

- Isso é verdade... - suspirou Clara. - Ah, estou ficando com claustrofobia... só vou ficar tranquila depois de falar com ele...

- Não se preocupe, vai dar tudo certo... - Jennifer sorriu. - Vou ver se acho mais alguma coisa...

- Agora vocês entendem por que não posso ficar com o Mick? Fico arrasada só de pensar em magoar o Jack...

- Nós sabemos, querida... - Cindy sorriu. - fica tranquila, que duvido que ele sequer saiba sobre essas bobagens...

- Se não sabe agora, saberá amanhã... ou você acha que a imprensa americana não vai querer explorar esse assunto? Eu estou com muita raiva, porque este é o pior momento do mundo para publicarem algo assim...

- Eles tiram isso de letra, Clara... seu marido não terá qualquer problema para mudar de assunto, você vai ver...

- Espero que sim... já estou me sentindo culpada por atrapalhar a divulgação da turnê... 

- Não está atrapalhando nada... um bom escândalo sempre ajuda, querida... - riu Jennifer.

- Tem razão, Jen... - Clara sorriu. - Mas ele podia me ligar logo, não é?

- Podia sim... - Jennifer sorriu.

- Vou tentar ligar de novo para ele... - Clara disse pegando o celular mais uma vez. - Continua desligado... espera... meu celular está tocando, Jen... Ah, é só uma mensagem: - está tudo ok!

Continua

9 de nov de 2012

Rockstar - Capítulo XCIX


- Você está maluco? Como você vem até aqui e faz isso?

- Ah, meu amor... eu sei que você também me quer...

- Não posso querer... isso é uma loucura... por favor, me deixa em paz...

- Por que? Você está mesmo em paz?

- Mick... estou cansada... confusa... por favor...

- Eu quero você... - ele disse segurando as mãos de Clara e beijando-as. - Estou aqui, te implorando para me dar uma chance...

- Está bem... - ela respondeu já desesperada com a insistência dele. - Mas nada  vai acontecer entre nós, entendeu?

- Você acha isso justo?

- Eu sei que não é justo, Mick... - ela começou a dizer, mas foi interrompida por outro beijo. Desesperado, ele empurrou Clara com seu corpo contra o portão e ela, já sem forças para lutar contra ele, entregou-se. - Isso não pode acontecer...

- Você quer dizer que não me quer...

- É claro que eu quero... mas...

- Mas o que?

- Por favor, vamos entrar em casa, estou congelando...

- Está bem... Meu Deus, você está tremendo, querida... vamos lá dentro...

Mick abraçou Clara e os dois entraram na casa. Para evitar que os empregados os vissem juntos, Clara levou-o direto para a sua suite, no andar de cima da casa.

- Você é louco... - ela disse pegando-o pelas mãos.

- Louco por você, meu amor... - Mick disse abrindo o roupão de Clara e beijando todo o seu corpo.

Clara queria empurrá-lo, mas já estava cansada de lutar contra seu próprio desejo, que agora se tornava insuportável.

- Eu te amo, Mick, mas não é certo. Se o Jack souber disso...

- Ele não vai saber... - Mick disse envolvendo-a completamente em seus braços.  - Eu preciso ter você...

- Isso não pode acontecer... - ela disse desvencilhando-se dos braços dele e fechando novamente seu roupão. - Isso foi uma loucura... não podia acontecer...

- Mas eu preciso de você... seu marido me disse que não se importa...

- Não confio nisso... se eu me entregar a você, meu casamento chegará ao fim... o Jack nunca me perdoaria...

- E eu? E você? Ele mesmo disse...

- Ele disse porque sentiu que estou enfraquecendo... Não posso ceder ao meu desejo...

- Mas ele...

- Ele está com medo de me perder... só isso... Por favor... - ela disse acariciando o rosto de Mick. - Eu te amo, mas sou casada com o Jack...

Mais uma vez, ele respondeu o carinho de Clara com outro beijo, ardente. As mãos dele voltaram a abrir o roupão dela e a acariciar seu corpo. Cansada de lutar contra seus desejos, ela se entregou aos carinhos cada vez mais ousados dele e sentia seu corpo inteiro vibrando ao toque de suas mãos.

Eles agora se beijavam desesperados pela urgência de seu próprio desejo e nua nos braços dele,  ela ajudava Mick a despir-se.

- Meu amor... parece um sonho... - ele sussurrou no ouvido dela. - eu te amo...

Clara tinha decidido não parar para pensar mais no que estava fazendo e apenas gemia de prazer a cada movimento de seus corpos, enquanto a luz da manhã batia cada vez mais quente nas janelas do quarto.

- Isso não podia ter acontecido... - Clara disse sentando-se na cama. - Mick... me desculpa, mas...

- Calma, meu amor... eu te amo muito...

- Eu também te amo, querido... - ela sorriu, acariciando os cabelos de Mick. - Mas você sabe...

- Casa comigo, meu amor... tem que existir algum lugar no mundo em que você possa ser minha e do Jack ao mesmo tempo... não me importo com mais nada...

- Ah, querido... isso não existe... se fosse ao contrário, um de vocês casando-se com duas mulheres, talvez fosse fácil, mas uma mulher com dois homens... as pessoas jogariam pedras em nós, nas ruas...

- Mas somos milionários, meu amor... podemos viver como quisermos...

- Não podemos... o Jack não pode nem sonhar que isso aqui aconteceu...

- Mas tudo o que ele disse no telefone...

- Não acredito nisso... ele disse por dizer... tenho certeza que será o fim do nosso casamento, se ele descobrir...

- Somos de outra geração, querida... o Jack viveu isso mais ainda do que eu...

- Meu Deus! Mas ele sempre briga tanto comigo por ciúmes...

- Sim... mas ele me falou isso... ele me disse que pensou melhor e entendeu que deveria cuidar da sua felicidade e por isso queria te deixar livre para fazer o que você quisesse. Apenas me pediu  muito para que não te levasse para longe dele...

- Não sei nem o que dizer... ele é tão maravilhoso comigo... - Clara começou a sentir  lágrimas molhando seu rosto. - Estou me sentindo uma monstra por traí-lo assim...

- Não, meu amor... não estamos aqui para trair o Jack, estamos aqui porque não suportamos mais continuar como amigos simplesmente, sufocando tudo o que sentimos...

- Mas por que? Eu não entendo...

- Eu e ele te amamos e nós dois vamos te fazer feliz... é só isso que você precisa aceitar... agora, eu estou feliz... amo você... estamos aqui... juntos... e o que você decidir, está decidido... o tempo que você puder me dar... sou seu, estou nas suas mãos...

- E eu estou ainda mais confusa e louca do que estava antes... mas estou me recusando a pensar nisso agora porque não tenho condições...

- Eu sei, meu amor... - ele a abraçou sorrindo. - Você me tem e sei que nós estaremos bem... nós três... eu, você e o Jack...

- Espero que sim, querido... - ela sorriu e beijou-o. - Agora, se você não se importa... tenho que sair para almoçar com minhas amigas...

- Ah... desculpa... - ele levantou-se e começou a vestir-se. - Não quero te atrapalhar, você agora vai se levantar e ficar linda... ah, o que eu estou dizendo? Você nunca esteve mais linda do que aqui, nua, nos meus braços...

- Mick... - Clara sorriu. - Você é tão maravilhoso... mas, sinceramente, eu preferia que você reatasse com a Gianna...

- Mas acho que isso não vai acontecer... ela não me quer mais... gosto muito dela, mas ela é muito ciumenta e nunca entendeu a minha vontade de estar perto de você... Mas se você quiser, não terei dificuldade de arranjar alguém...

- Não quero...  só acho que você merece muito mais do que só metade do meu coração... eu queria te ver feliz, ter alguém que viva só para você... meu coração já tem o Jack...

- Eu não me importo, desde que você fique perto de mim, estarei feliz... mesmo que você só possa me dar migalhas...

- Você merece mais do que migalhas, querido... mas vamos resolver isso...

- Eu quero estar com você... - ele disse, terminando de vestir-se. - Mas aceito qualquer condição que você me impuser...

- A única condição é que o Jack nunca descubra nada... por mais que ele tenha dito que não liga, sei que seria o fim do nosso casamento...

- Não quero que isso aconteça... sei o quanto o Jack é importante para você... quero ver nós três felizes, está bem?

- Acho que está... vem, vou te acompanhar  até o portão... - ela disse vestindo novamente seu roupão de seda. - Só espero que os empregados da casa não estejam no caminho...

Clara e Mick desceram a escadaria e despediram-se no portão da rua. Por sorte, nenhum dos empregados viu Mick na casa e assim que ele se foi, ela voltou para o quarto, tomou um banho rápido e ligou para Jenni assim que saiu do chuveiro.

- Jenni... você já combinou tudo com a Cindy?

- Já querida... tentei te ligar, mas o celular estava desligado...

- Eu desliguei... bom... terei que te contar de qualquer jeito, mas para resumir, o Mick veio aqui na minha casa e nós transamos...

- O que? Meu Deus! Você está falando sério? Quer dizer... não está dizendo isso só para me assustar, está?

- Não querida... ele me telefonou, estávamos conversando e, de repente, ele me disse que estava no portão da minha casa, eu abri para ele e ele me beijou...

- E vocês transaram no portão de casa?

- Não, querida... está muito frio, entramos em casa e tive que levá-lo para o meu quarto porque não queria que ele fosse visto pelos empregados...

- Nossa! No seu quarto? Na sua cama?

- É...

- E como foi?

- Lindo... Achei que a culpa ia me matar, mas é muito estranho, estou me sentindo tão feliz...

- Mesmo? Que ótimo! Eu fico feliz por vocês... já estava na hora disso acontecer...

- Acho que estava mesmo... - Clara sorriu. - Acho que estou apaixonada pelos dois... pelo Jack e pelo Mick...

- E como será de agora em diante?

- Não sei... acho que oficialmente  tenho um amante e um marido... o Mick quer se casar comigo... disse que vai procurar algum país no mundo que aceite isso...

- Isso é uma loucura, querida... mas você precisa se cuidar, os dois são malucos e capazes de qualquer coisa... você não vai deixar o Jack saber disso, vai?

- Não... nunca... tenho muito medo do que pode acontecer se ele descobrir... ele disse umas coisas hoje que me deixaram intrigada... vocês precisam me ajudar... vou contar para vocês duas no restaurante...

- Está bem, querida... vou passar aí para te pegar... a Cindy tentou te ligar também, mas não conseguiu, ela queria avisar que tem uma reunião com o cliente de Viena e deve se atrasar um pouco, então ela me pediu para passar na sua casa para te pegar...

- Ok, então está combinado... vou me arrumar e acho que vou ligar para  o Jack... será que ele também tentou me ligar?

- Acho que não, querida... essa reuniões com o Peters sempre são meio complicadas... acho que não tem clima por lá para interromper telefonando... você conhece o Peters, não?

- Eu sei... ainda tenho pesadelos sobre aquela reunião em Nova York, em que assinei o contrato para ser ghost writer do Jack... também acho que ele não ligou... bem, querida... vou me arrumar agora, nos vemos daqui a pouco... beijos...

- Beijos querida...

Clara foi até o closet e separou roupas bonitas e quentes para sair. Sentia-se feliz e relaxada e continuava negando-se a pensar sobre as implicações de tudo o que tinha acabado de viver.

E enquanto se arrumava percebeu seu celular tocando.

- Olá querida... - disse Cindy do outro lado da linha... - Então... vocês transaram...

- A Jenni te contou?

- Sim... acabamos de conversar... você está bem?

- É estranho, mas estou me sentindo muito feliz... e eu que achei que me sentiria culpada... pelo contrário, estou aliviada, sentindo um carinho imenso pelo Mick, sem deixar de amar muito o Jack...

- E como vai funcionar isso? Vocês já conversaram?

- Não... nada está certo ainda... e eu não tenho a intenção de decidir nada agora...

- Também acho que é muito cedo, mas sinceramente, esperava que essa transa de vocês resolvesse tudo...

- Como assim?

- Ainda tinha alguma esperança de que você se decepcionasse depois de ir com ele para a cama...

- Não querida... foi lindo... eu me senti muito bem ao lado dele... sabe que não consigo parar de sorrir...

- Então você está ainda mais encrencada, querida... - Cindy sorriu. -  Sua bagagem já está pronta, não?

- Está... devo levá-la para o restaurante comigo?

- Não, querida... passamos na sua casa na volta... acho que a Jenni vai deixar o carro dela aí...

- Então está bem... vou pedir para o Bradley levar as malas para baixo daqui a pouco... vai ficar tudo pronto para irmos para Heathcliff Hall...

- Isso... vocês vão passar a noite conosco... Vão dormir na sala de música e os rapazes poderão trabalhar nas novas músicas...

- Ah não... na sala de música não...

- Por que? Aliás, eu até fiquei surpresa do David sugerir isso... ele se preocupa mais com aqueles discos do que comigo...

- Eu sei... desculpa, Cindy... é que eu tive um sonho, quando fui com o Jack buscar meu vestido para a festa, em Paris... sabe...

- Sei... e o que você sonhou?

- Eu sonhei que eu e o Jack estávamos dormindo exatamente na sala de música em Heathcliff Hall  e era a manhã do dia do embarque para Nova York...

- Nossa! Sério? E o que aconteceu?

- Era de manhã, fomos tomar o café, eu tinha deixado a bagagem pronta e o médico do Jack foi visitá-lo, para ver se tudo estava bem, antes da viagem... E o médico estava examinando os pontos do Jack...

- Sei... normal... acredito que o médico deva vê-lo mesmo hoje...

- Acho que sim... mas no meu sonho, o médico disse que estava tudo bem, que ele não poderia transar, mas que eu estava livre para transar com o Mick...

- Meu Deus! Que medo destes teus sonhos, amiga! E vocês transaram hoje...

- Pois é... 

- Bem querida... daqui a pouco poderemos conversar melhor... meu cliente acabou de chegar... vou tentar despachá-lo rápido, mas não  acho que conseguirei chegar no horário, no restaurante... até daqui a pouco, querida... beijos...

- Beijos...

Clara desligou o telefone, colocou suas jóias, ajeitou o cabelo, arrumou sua bolsa e desceu para a sala de estar, conferindo mentalmente o conteúdo das malas que tinha arrumado, antes da chegada de Mick.

- Senhora Noble... - Bradley chamou-a assim que chegou na sala de estar. - Os remédios do senhor Noble, a senhora não vai levá-los para Nova York?

- Sim... obrigada Bradley... já tinha me esquecido deles... - ela disse pegando os frascos e voltando para a suite.

- Obrigada Bradley, se não fosse você eu acabaria deixando os remédios aqui... não sei o que está acontecendo comigo hoje... Vou sair para almoçar com minhas amigas, daqui a pouco, você desce as nossas malas aqui para a sala de estar, porque quando voltarmos, iremos para Heathcliff Hall, onde passaremos a noite de hoje... ok?

- Sim, senhora Noble....

A conversa dela com o mordomo logo foi interrompida por seu celular tocando novamente.

- Oi amor... - Jack disse assim que ela atendeu o telefone. - A reunião já terminou...

- Mesmo, querido? E você está fazendo o que, agora?

- Estamos a caminho de Heathrow, o Peters quer que inspecionemos o avião para ver se está tudo de acordo... E você? Já vai sair para almoçar?

- Não, amor... a Cindy tinha uma reunião importante com um cliente e parece que as coisas estão um pouco atrasadas...

- Queria ir almoçar com vocês, Menininha... Estou te ligando para te avisar que depois do aeroporto, vamos direto para Heathcliff Hall... Vocês precisam trazer nossa bagagem para cá, depois do almoço e vou mandar os roadies para pegar os instrumentos que vou levar para Nova York... avisa o Bradley...

- Vou avisar, amor... ah, sabe do que eu tinha me esquecido? De pegar seus remédios... agora já os coloquei na sua necessaire... imagina, que louca...

- Ah, amor... não se preocupa... está tudo bem...

- Que bom, meu amor...

- Ai querida, eu estou muito bem... mas ficar sem ter você para mim ainda é uma tortura...

- Para mim também, meu amor...  querido... o celular está avisando que tem outra ligação, acho que é a Jenni, ela vem me buscar... vou ver o que ela quer, me espera...

- Não, amor... vou desligar... te ligo quando chegar em Heathcliff Hall... tchau amor...  beijos...

- Beijos querido...

- Alô...

- Oi Clara, é a Jenni... já estou chegando no seu portão, abre para mim...

- Claro... desculpa, estava falando com o Jack no telefone...

- Já estou entrando... - Jennifer sorriu. - Depois do almoço passamos aqui para pegar as malas e eu deixarei meu carro aqui... A Cindy te falou?

- Sim, ela me disse... e ela?

- Ainda não terminou a reunião, mas precisamos ir ao restaurante por causa do horário da reserva...

- Pronto... vamos embora? Bradley, por favor, traga as quatro malas que estão na minha suite porque depois do almoço vamos levá-las conosco...

- Sim, senhora Noble... Mais alguma coisa?

- Ah... os roadies da banda irão passar aqui para pegar instrumentos, leve-os até a sala de música e eles pegarão o que precisam... ok?

- Sim, senhora Noble... qual o nome deles?

- Não sei... vou ligar para o Jack, você tem razão, esqueci de perguntar... - Clara sorriu, pegando seu celular. - Amor... qual o nome dos roadies que vêm aqui? O Bradley quer saber...

- Tem razão, amor... um é o Charlie Buttons e o outro é o Mark Sonnen...

- Ok, amor... já estou de saída... beijos...

- Beijos, meu amor...

- Bradley, anota aí no seu caderninho Charlie Buttons e Mark Sonnen... são eles que virão aqui buscar os instrumentos...

- Anotados, senhora Noble...

- Agora tenho que ir... vamos, Jenni?

- Vamos, querida... Está um frio horrível lá fora... veste o casaco...

- É mesmo... hoje estou um desastre...

- Não está não, querida... vamos almoçar e você já melhora... - Jennifer sorriu seguindo Clara até o carro que tinha ficado estacionado no páteo, na frente da casa.

- Então... me conta tudo...

- O que? - Clara perguntou fingindo não entender a pergunta da amiga.

- Você e o Mick...

- Ah... - Clara suspirou. - Foi lindo... estou sentindo falta dele agora...

- Além do que ele é muito bom de cama, não...

- Foi bem mais do que isso, querida... eu não sei como, nem porque, mas neste momento estou amando muito a dois homens ao mesmo tempo... Ele foi maravilhoso comigo...

- Eu te disse que ele é um amante espetacular, querida...

- Sim... ele é muito melhor do que eu imaginava... mas fiquei chateada com uma coisa que ele me disse...

- O que?

- A Gianna brigou com ele por minha causa...  eu sempre o  tratei como um amigo e quando ele ficou em dúvida, eu o incentivei a casar-se com ela, até ajudei-o a comprar o anel... agora ele me disse que ela está muito brava comigo, que vai agarrar o Jack para vingar-se...

- Ah querida... sinceramente, no lugar dela faria a mesma coisa... o Mick nunca fez nenhuma questão de esconder que te ama, ela deve achar que vocês têm um caso... Bom... agora é verdade, não?

- Mas nós não tinhamos... tudo o que ela sabe é que eu estou casada e sou muito feliz com meu marido...

- Eu sei disso... quem te conhece melhor sabe disso, mas até o Mike já me perguntou se vocês tinham um caso...

- E o que você respondeu?

- Que vocês não estão... que o Mick já tentou ficar com você, mas que você não tem olhos para ninguém além do Jack...

- Desculpa, Jenni, mas eu fico muito nervosa com esse assunto...

- Eu sei, querida... não precisa ficar sofrendo sozinha... você pode desabafar comigo e com a Cindy aquilo que quiser... estaremos sempre por perto para te ajudar...

- Obrigada querida... acho que sem a amizade de vocês, minha vida seria bem difícil... Não entendo o que o Mick viu em mim, sou uma mulher comum, sem graça nenhuma...

- Como assim? Você tem dois dos homens mais desejados do mundo apaixonados por você e se acha sem graça? Não, Clara... esses caras passaram a vida namorando  modelos, atrizes, mulheres lindíssimas... Você não tem nada de sem graça, amiga... aliás queria ter pelo menos um pouquinho desse  mel que você tem...  é que você é uma mulher séria, porque se fosse uma biscate, tipo Ann Kurtiss, já teria passado pela cama da banda toda... tenho certeza que o David e o Mike não te deixariam escapar...

- Você acha mesmo isso?

- Claro que acho... amiga, você é linda... eu era modelo e acho que entendo um pouco disso... é sério que você não se acha bonita?

- Não... até me achava melhor quando era adolescente, mas depois, quando estava na faculdade, passei a me achar estranha, sem graça, magra demais... daí vieram os problemas de saúde e eu passei a me sentir feia mesmo... agora sei que melhorei bastante com todos os cuidados que posso bancar, mas não me acho nada de especial...

- Você é linda, amiga... não pensa mais assim... então, acho que chegamos... vou deixar o carro com o manobrista, está muito frio para ficarmos procurando vaga por aí...

- Ainda bem que hoje não tem paparazzi na porta... não estou disposta a enfrentá-los...

- Tem paparazzi sim, querida... olha ali atrás da árvore, do outro lado da rua... tem uns três fotógrafos...

- Ah que droga...

- Vamos lá, amiga... tem sempre gente famosa nesse restaurante... é o melhor da cidade, isso é natural... Vamos lá, respira fundo e vai...

As duas desceram do carro na porta do restaurante e deixaram o carro com o manobrista. Mal pisaram na calçada e diversos fotógrafos e alguns cinegrafistas, que deviam estar escondidos por lá as cercaram.

- Clara Noble, por favor, só uma entrevista rápida... sobre a turnê da Crossroads...

- Desculpa, não posso falar nada... não sou da Crossroads...

- Eles estão vindo para cá?

- Não... a banda hoje está se preparando para viajar para Nova York amanhã e não vem para cá... vamos almoçar sozinhas...

- É  verdade que o show de abertura das Olimpíadas, no ano que vem, será com Crossroads e Rolling Stones?

- Ainda não sabemos de nada sobre isso... mas acredito que se convidarem, vocês ficarão sabendo... - Clara sorriu e afastou-se do repórter.

- Ah, por favor, Clara, só umas fotos... quem você está vestindo hoje?

- Jean Paul... Vamos, pessoal... está muito frio... vocês querem que eu congele? - Clara disse caminhando para a porta do restaurante, sob alguns protestos de repórteres e fotógrafos.

E após a intervenção dos seguranças do restaurante, elas conseguiram chegar na frente do maitre. - Boa tarde, senhoras, sua mesa favorita as aguarda...

- Estamos esperando mais uma pessoa...

- Pois não,  por favor me acompanhem...

- Obrigada... vamos beber champagne, enquanto esperamos... - Clara pediu ao garçom. Estava cansada e comaçando a ficar tensa.

- Será que a Cindy vai demorar muito? - Jennifer perguntou dando uma olhada ao redor do salão do restaurante, ainda agitada depois da dificuldade para ultrapassar a barreira de jornalistas.

- Espero que não... ela me disse que ia despachar rapidamente o tal cliente de Viena... Pobrezinha... ela estava super nervosa de manhã, quando me ligou...

- Ela tem estado assim ultimamente... me pediu para não contar, mas acho que você deve saber, ela e o David andam tendo problemas no casamento...

- Sério, Jen? Que tipo de problemas?

- A Cindy acha que o David a está traindo novamente...

- Mas ele está sempre em casa... dentro daquele estúdio...

- É, mas ela encontrou umas mensagens para ele no celular e o ouviu conversando com uma mulher que ja teve caso com ele antes, lembra  aquela história do vidro da Lamborghini? Então... foi por causa dela...

- Ah, pobrezinha da Cindy... ela gosta tanto dele... não é a toa que anda trabalhando tanto...

- É... ela fica irritada com ele e foge para Viena... Falando em fugir... o Mick acabou de entrar no restaurante...

- O que? Sério? - Clara respondeu com os olhos arregalados. - Meu Deus, o que ele veio fazer aqui?

- Ah, Clara... você não está surpresa de verdade, está?

- Claro que estou... ele me disse que vai para Nova York hoje, com o Keith...

- Acho que ele decidiu te ver de novo antes de ir... - riu Jennifer. - É de se esperar que ele viria aqui, sabendo que você também viria... Ele te ama, lembra? Aliás, está vindo direto para cá, nem disfarçou... acho que vamos almoçar juntos...

- Você combinou alguma coisa com ele?

- Não querida... ele deve ter decidido isso sozinho... depois do que aconteceu hoje de manhã...

- Boa tarde, minhas queridas... que bom encontrá-las aqui...

- Olá Mick... Como vai? - Clara disse beijando-o no rosto.

- Estou bem, minha querida e vocês? Esperando pelos seus maridos para almoçar?

- Não, querido... estamos esperando a Cindy Mersey, que está em uma reunião e você, veio encontrar alguém aqui?

- Não... estou sozinho agora que a senhora Jagger resolveu me abandonar...

- Então nos acompanhe, querido... - Clara sorriu pegando a mão de Mick, que respondeu ao carinho olhando-a profundamente nos olhos e beijando sua mão.

- Obrigado pelo convite, minha querida... gosto muito da companhia de vocês... Garçom, traga champagne... vou acompanhá-las enquanto aguardamos juntos pela querida senhora Mersey... Clara, querida, como está seu marido?

- Recuperando-se... ainda muito dolorido... vamos viajar amanhã cedo e ele ainda não está muito bem...

- Mas vai ficar... estas cirurgias são assim, meu amor... agora basta tomar as medicações e seguir as ordens médicas para tudo ficar bem... eu te prometo que logo vocês nem lembrarão mais que tiveram qualquer problema...

- Espero que sim... não suporto ver o Jack sofrendo...

- Você também vai para Nova York, Mick?

- Vou, hoje à noite, com meu avião e darei carona nele para o Keith... nós dois temos uns compromissos por lá antes de podermos terminar as gravações do novo disco... Ah queridas, gostaria de estar indo para fazer shows e não essas reuniões intermináveis de negócios...

- Nossa viagem não será menos chata... pelo que sabemos o Peters não deixou muito espaço na agenda... serão entrevistas coletivas, exclusivas, apresentações na TV... enfim... muito trabalho e nenhuma diversão... - sorriu Clara.

- Isso eu posso melhorar, minhas queridas... que tal um jantar, no meu apartamento de Nova York? No horário em que vocês estiverem livres?

- Seria ótimo, Mick... - sorriu Jennifer. - Acho que estaremos em situações bem parecidas por lá, não?

- Estaremos sim... - sorriu Mick. - E se eu posso fazer alguma coisa para melhorar para todos nós, então por que não fazer? Vou me sentir muito feliz em receber todos em minha casa...

- Alguém mais sentindo a cabeça leve? - sorriu Clara servindo-se de mais uma taça de champagne.

- É preciso bem mais do que isso para me afetar, querida...

- Olha, a Cindy chegou... - sorriu Jennifer. - Já vamos pedir nosso almoço e você vai ficar bem, Clara...

- Boa tarde... então... você por aqui, querido?

- Cara senhora Mersey, bem vinda... - Mick sorriu, levantou-se de sua cadeira e beijou a mão de Cindy. - Estávamos já ansiosos por sua chegada...

- Desculpem, mas a reunião se prolongou muito mais do que eu esperava... pelo menos a questão Viena está resolvida para eu poder ter algum tempo livre para viajar...

- Eu sou um grande admirador de seu trabalho, querida... aliás estive em uma das construções que você restaurou nesta semana e você fez um trabalho primoroso...

- Esteve? - sorriu Cindy.

- Sim, aquele hotel próximo a Victoria Station é de um velho amigo meu... gosto muito do jeito que você consegue trazer estas velhas construções de volta à vida...

- Obrigada Mick... gosto de fazer o que faço e esse projeto do hotel foi um dos que mais me orgulhei nos últimos tempos... não sabia que o senhor Rogers era seu amigo, conexões na realeza, não?

- Um velho amigo, querida... herdeiro de uma boa parte daquela região e muito bem relacionado com a realeza, aliás, ele é neto de um duque...

- Mesmo? Nem parece, geralmente estes aristocratas são insuportáveis, inacessíveis, mas o senhor Rogers é bem diferente, inteligente e interessado... sabe que ele nunca questionou as despesas da obra... adoro trabalhar com gente assim... deu para deixar o hotel exatamente como eu queria... tão boa essa sensação...

- Acho que nós passamos lá uma vez, Cindy, mas não pude ver muito...

- Ah querida, o hotel já está pronto, já estive lá e se vocês quiserem posso levá-las para conhecer... o seu trabalho foi tão perfeito, senhora Mersey, que é possível sentir-se em outra época, apenas cruzando a porta... Eu ligo para ele e vamos hoje mesmo...

- Hoje não podemos, querido... - Clara sorriu. - Os rapazes estão nos esperando em Heathcliff Hall, o Jack e o David estão trabalhando em uma música nova e querem ver se conseguem terminá-la ainda hoje... Eles estão pensando em escrever outro dueto para eu e o Jack... querem aumentar minha participação no show...

- Sempre acreditei no seu talento, querida... - Mick sorriu. - Tenho certeza de que será o melhor momento do espetáculo... o Jack tem muita sorte... - Mick olhou fundo nos olhos dela e deu um longo suspiro. - E pensar que podia ser eu... não me conformo...

- Ah Mick querido... - Clara suspirou. - Será que algum dia seremos somente amigos?

- Nós já somos... não suportaria me afastar de você... eu te amo muito... tanto que já fiz várias músicas para seu disco... vou tocá-las quando vocês forem ao meu apartamento em Nova York... assim o seu produtor já pode dizer se as músicas se encaixam no repertório, ou não...

- Meu amor... não importa o que o David acha... você e o Keith escreveram para mim... vou gravar as músicas... eu amo vocês... será uma honra gravar, querido...

- Ah Clara... quer casar comigo? - Mick riu e beijou-a no rosto. - Vou procurar meu advogado e perguntar se existe algum lugar no mundo em que uma mulher pode ter dois maridos, voamos para lá e nos casamos... o Jack vai ter que entender...

- Meu querido... - Clara sorriu e beijou Mick no rosto. - Eu te amo também... mas acho  que o Jack não entenderia...

- Eu sei, querida... fico aqui brincando, mas me dói tanto saber que não poderei viver com você... eu te amo e você ama o Jack... é tão difícil me conformar com isso...

- Quero muito te ver bem, Mick... já te disse que tenho um carinho imenso por você e para mim é muito difícil te ver triste...

- Não estou triste, meu amor, aliás, não me lembro de ter sido tão feliz em minha vida, como fui hoje de manhã; mas gostaria de poder dividir essa minha felicidade com o resto do mundo... queria poder te beijar  agora, aqui, na frente de todos... - ele respondeu sorrindo.

- Mick, por favor... - Clara sorriu abalada com o que estava ouvindo. - Eu gostaria que você desistisse dessa ideia de uma vez... minhas amigas sabem de tudo, mas não posso permitir que o que aconteceu entre a gente se torne público... não importa o que o Jack te disse hoje, isso o magoaria muito...

- Sou paciente, sei esperar... você ainda será minha esposa... - ele sorriu e olhou-a fundo nos olhos, um olhar carregado de desejo, que fez o rosto de Clara ficar enrubescido no mesmo instante.

- Me desculpem, vou ao toalete, já volto... - Clara disse no ouvido de Jennifer, estava um pouco alterada pelo champagne e sentiu vontade de fugir das coisas que Mick estava fazendo-a sentir. - Com licença...

- O que aconteceu, Jen? Eu disse alguma coisa errada? - Mick perguntou confuso pela atitude repentina de Clara.

- Nada querido... acho que ela está um pouco alta com o champagne e você acabou de desconcertá-la com o que disse...

- Vou até lá falar com ela... - Mick levantou-se repentinamente. - Clara...

- Não Mick, por favor... deixa que eu vou... - Cindy disse em vão, enquanto ele se afastava.

- Meu Deus, vamos ter um outro escândalo nas mãos, não vamos? - Jennifer perguntava para Cindy, ao perceber que todos os clientes do restaurante assistiam à cena.

- Não sei o que fazer, será que eu não devia ir atrás dele?

- Espera um pouco, acho que eles precisam conversar...

- Mas assim, em público?

- Tem razão... vou atrás deles... - Jennifer disse seguindo-os até o banheiro feminino, onde os encontrou numa ante-sala que abrigava espelhos e bancadas usadas pelas clientes do restaurante para retocarem a maquiagem.

- Vocês enlouqueceram? Querem ser expulsos do restaurante com toda aquela mídia lá fora assistindo? - ela disse ao abrir a porta.

- Desculpem... não me sinto bem... - Clara disse levantando-se da poltrona onde estava sentada. - Vou lavar o rosto...

- Querida... me desculpe, não queria deixá-la nervosa... - Mick disse abraçando-a. - me perdoa...

- Desculpa, Mick... eu estou muito confusa agora...

- Me perdoa, não quis te pressionar... acho que estou enlouquecendo, o que aconteceu hoje...

- O que aconteceu hoje não deve mais se repetir... a ideia de trair o Jack me machuca demais, me desculpa...

- Vamos secar essas lágrimas, Clara... vem, vamos voltar para a mesa... vamos para a sua casa, pegar a bagagem para irmos embora... Mick, por favor...

- Ok, vou voltar para a mesa... Clara, meu amor... me perdoa... sei que você está confusa, nervosa... se você precisa de um tempo, eu entendo...

Inesperadamente, Clara aproximou-se de Mick e beijou-o apaixonadamente. - Espera! Eu te amo, sim... mas não posso... me entenda, por favor...

Mick retribuiu o beijo, acariciou o rosto de Clara e voltou para a mesa.

- Clara querida... você está bem? - Jennifer disse assim que Mick saiu do banheiro. - O que aconteceu entre vocês?

- Nada, ele veio aqui me ajudar, me pediu desculpas, você viu...

- E aquele beijo?

- Eu não sei... apenas quis beijá-lo... sempre quero... mas sei que é errado... não posso amar dois homens ao mesmo tempo...

- Querida, não precisa decidir nada agora...

- Acho que não, Jennifer... eu tenho muito medo de complicar ainda mais as coisas....

- Querida... olha, você quer que nós conversemos com o Mick? Eu e a Cindy podemos pedir para ele ir embora...

- Não... vamos voltar para a mesa... estou um pouco tonta ainda, mas vou ajeitar minha maquiagem e logo saímos daqui...

- Vai ficar tudo bem... - Jennifer disse ajeitando a roupa de Clara. 

- Não vai... eu quero muito beijar o Mick agora... e isso vai acabar destruindo meu casamento... nada vai ficar bem, Jenni... nada...

Clara e Jennifer voltaram para a mesa sentindo-se observadas por todo o restaurante.

- Desculpa novamente, querida... eu não tinha a intenção...

- Me perdoa você Mick... eu não queria que nada disso acontecesse, me dói muito esta situação... eu amo você e o Jack e não sei o que fazer...

- Eu sei...  não quero te pressionar, já te disse que você é livre para decidir o que quiser... vou te dar um tempo, me afastar... é isso o que você quer?

- Não... mas acho que nós dois precisamos de um tempo para pensar... - ela suspirou.

- Está bem... vou hoje à noite para Nova York com o Keith e depois nós vamos direto para Nice. Os maridos de vocês querem acompanhar as nossas gravações e acho que nos encontraremos lá, daqui uns dias... está bem para você, Clara?

- Está bem...

- Ótimo... lá teremos mais tempo e liberdade para conversarmos melhor... agora, vamos sair separadamente, não quero que os paparazzi lá fora nos fotografem juntos... - Mick disse após pagar a conta do restaurante.

- Você está bem para dirigir Mick? - Jennifer perguntou preocupada.

- Estou com meu motorista, querida... - Mick sorriu. - Ele vai me levar... Clara, meu amor... me perdoa, por favor...

- Já perdoei, querido... - ela sorriu e abraçou-o com carinho. - Vamos resolver tudo isso...

- Vamos sim, meu amor... não fica nervosa e não se afasta de mim. O que aconteceu hoje foi lindo, inesquecível... eu estou ainda mais apaixonado e disposto a qualquer coisa para ter você de novo nos meus braços...

- Mick, por favor... - Clara disse pegando a mão dele. - Não posso...

- Eu sei, meu amor... - Ele puxou-a novamente para perto e abraçou-a. - Fica em paz, meu amor... nos vemos daqui uns dias... - ele beijou-a e em seguida, caminhou  para a porta do restaurante, sob os olhares de todos os clientes. 

- Será que estamos fazendo a coisa certa? - Clara perguntou para suas amigas. - Espero não estar fazendo uma bobagem...

- Claro que está, querida... - Jennifer sorriu. - Vai ser bom ter uns dias para pensar...

- Acho bom vocês conversarem... as coisas estão muito confusas agora, mas acho que vocês ainda podem se entender...  - Cindy disse apoiando a amiga. - Para mim, já está bem claro que não foi só sexo e acho que vocês precisam conversar muito ainda...  Será que ele já foi?

- Acho que sim... o segurança dele é muito bom... - sorriu Jennifer. - Se não me engano ele trabalhava para a família real...

- Vocês acham que nosso encontro aqui vai parar nos tablóides?

- Não sei, querida... vamos esperar que não...

- Vamos embora? Acho que já deu para ele sair...

Assim que as três amigas saíram do restaurante, os paparazzi correram em sua direção e bloquearam completamente sua passagem até os carros.

- Clara Noble, por favor... Vocês almoçaram com o Mick Jagger?

- Por favor, pessoal... não vou dar entrevistas... estou atrasada... nos deixe passar...

- Você e o Jagger estão tendo um caso, agora que a Gianna Carli o deixou?

- Vocês não desistem mesmo... nós somos amigos, nos encontramos em um restaurante que todos frequentamos quando estamos na cidade... e isso é tudo...

- Mas ele está separado?

- Não comento nem sobre a minha vida pessoal, você acha que eu comentaria sobra a vida dos meus amigos? Pronto, já falei com vocês... agora vou embora...

- Feliz dia das Bruxas!

- Para vocês também... - Clara sorriu e foi até o carro de Jennifer, que partiu rapidamente, logo atrás do carro de Cindy.

- Querida... você lida tão bem com eles... queria ser assim...

- Eu era um deles... talvez seja por isso... a maioria ali odeia o que faz e por isso desconta a raiva que sente no entrevistado... fora a inveja... todos eles acham que têm a missão de provar para o mundo que aquelas pessoas que eles são obrigados a seguir são farsas...

- Engraçado... pensando bem é assim mesmo que eles agem... - Jennifer sorriu. - Você era assim também?

- Não... eu tinha uma postura bem diferente dos meus colegas... eu adorava o que fazia e sabe que tinha alguns colegas que se ressentiam com isso? Esses sempre me tratavam mal...

- E como você fazia?

- Quase sempre, eu me isolava... por isso, quando comecei a lançar meus livros, uma porção de ex-colegas me atacava... fora meu ex-namorado que não perdia uma oportunidade de acabar comigo...

- Estamos quase chegando, querida... Desculpa dizer isso, mas o  Mick está desesperadamente apaixonado por você...

- Ah, não fala isso... a coisa mais difícil do mundo para mim foi não beijá-lo no momento em que ele chegou naquele banheiro... eu quero ele e não posso querer... é isso... acho que estou apaixonada por dois homens ao mesmo tempo...

- E o que você vai fazer sobre isso?

- Vou me afastar dele e rezar para que tudo isso passe...

- Não sei se é o melhor caminho... eu acho que vocês deveriam ficar juntos, conversar e só aí tomar qualquer decisão...

- Não posso... eu não consigo pensar em outra coisa, foi tudo tão lindo entre nós... queria estar nos braços dele agora...

- Vocês se amam... e isso está claro...

- Isso não pode acontecer... eu amo o Jack...

- Eu sei, amiga... mas estou preocupada... Mas vocês se querem muito... isso é tão perigoso...

- Eu sei... vamos entrar, quero saber se a Cindy também acha isso...

As três desceram dos carros que ficaram estacionados no páteo na frente da casa e entraram rápido, para fugir do frio.

- Vou pedir capuccinos e pegar uma daquelas minhas caixas de chocolate para conversarmos melhor... fiquem a vontade, queridas... Já volto...

- Fica tranquila, Clara... vou ligar para o Dave, ver onde eles estão...

Clara caminhou até a cozinha e pediu que a cozinheira preparasse os três capuccinos, depois passou na dispensa e pegou uma das suas caixas de chocolate favoritas, que comprava sempre em um mercado perto de sua casa.

- Pronto... - ela disse voltando para a sala de estar. - O chocolate já está aqui, os capuccinos a caminho... então, Cindy, você também acha que eu e o Mick vamos virar amantes?

- Querida... eu só posso te dizer que não estava pronta para ver o que vi naquele restaurante... Ele é um homem sedutor e me parece desesperado e você está ficando cada vez mais confusa, depois da cirurgia do Jack.... acho que se ele estivesse lá, vocês já estariam tendo mais uma daquelas brigas...

- Mesmo? Vocês não estão falando isso só para me deixar mais preocupada?

- Não querida... nós é que estamos preocupadas... - Jennifer sorriu e pegou um bombom da caixa que Clara tinha deixado sobre a mesa de centro. - Olha, se eu não soubesse tudo o que aconteceu entre vocês hoje,  depois do que eu vi, eu diria que vocês são um casal...

- Ah por favor... não fala isso... eu não quero que ninguém saiba...

- Então querida, vocês precisam controlar-se mais... estão mesmo parecendo amantes... - Cindy desabafou. - Nós duas sabemos tudo o que aconteceu, mas acho que para quem não sabe...

- Você não quer que o Jack descubra tudo, quer?

- Não... mas preciso dizer uma coisa... o Jack hoje me disse que queria me deixar livre para transar com quem eu quisesse... e disse a mesma coisa para o Mick também...

- O que?

- Ainda não disse isso para vocês porque eu mesma não consegui entender direito... estávamos tomando café e meu celular tocou, era o Mick... eu comecei a falar com ele e o Jack se irritou e me pediu o celular para falar com ele... achei que os dois iam brigar novamente e fui para o meu quarto... depois o Jack veio conversar comigo, pediu desculpas, disse que tinha conversado com o Mick e que sabia que ele queria também me fazer feliz... e que a partir daquele momento estava lutando contra aqueles ciúmes e que queria me deixar livre para transar com quem eu bem entendesse... desde que não o abandonasse...

- Meu Deus! Clara! Parece que ele estava advinhando... quer dizer... será que ele sabe que você se apaixonou pelo Mick? - Cindy perguntou chocada com a nova informação.

- Não sei... ele me disse que ia xingar o Mick, mas que pensou melhor porque entendeu que os dois querem a mesma coisa, me fazer feliz e cuidar da minha carreira... Estou intrigada com essa mudança de atitude dele, mas graças a ela não estou sentindo tanta culpa por tê-lo traido...- Clara suspirou. -  O Mick... ele é muito....

- Aquele homem é irresistível. - Jennifer sorriu. - mas se o Jack disse isso... você não o traiu... Quer saber, você tem muito com que se preocupar agora,  a situação do Jack... os shows chegando... você tem muito nas suas mãos... precisa acalmar-se e deixar a poeira baixar...

- Eu acho que vocês estarão bem, querida... - Cindy sorriu. - se o Jack realmente pensa assim...

- Não sei... mas espero conseguir que tudo se acerte nestes próximos dias em que eu e o Mick estaremos longe um do outro... - Ela disse pegando mais um chocolate na caixa. - Quer saber, acho que vou levar todas as caixas que estão na dispensa conosco... algo me diz que precisarei muito delas nos próximos dias... - Clara riu. - Ao menos elas podiam me ajudar a engordar um pouquinho...

- Quer dizer que você acabou de transar com o Mick, aquele homem maravilhoso e já está suspirando por chocolate... - Jennifer riu. - É amiga... você está muito mal acostumada...

- Vocês já estão achando que eu sou alguma espécie de ninfomaniaca... não sou... estou só muito nervosa com tudo isso...

- Nós sabemos querida... - Cindy sorriu. - Não se cobre demais... então... prontas para pegar a estrada? Vou ligar para o Dave agora e a gente já vai...

- Vou pegar mais chocolate na dispensa... já volto... - Clara disse caminhando até a cozinha rapidamente.

- Então vamos indo? Os rapazes já estão em Heathcliff Hall...  Onde estão as suas malas, Clara? - Cindy perguntou.

- Ali no canto... Vou pedir ao Bradley que as leve até  o carro... dá a chave para ele, Cindy... Bradley, estamos de partida, devemos estar de volta entre sexta e sábado, deixarei a seu critério se deve dispensar os outros empregados em nossa ausência...

- Senhora Noble, os jardineiros virão trabalhar no jardim na quarta-feira.

- Ok, então acerte com a equipe, quem fica aqui e quem descansa. Qualquer dúvida, me ligue no celular... O carro da senhora Silver ficará em nossa garagem, por favor, muito cuidado com ele...

- Claro, senhora Noble... não se preocupe... cuidaremos bem de sua casa...

- Obrigada Bradley... - Clara sorriu e entrou no carro de Cindy, junto com suas amigas.

Enquanto o carro partia, Clara repassava mentalmente tudo o que tinha embalado, preocupada se não tinha esquecido nenhuma das coisas que usaria durante a viagem, de documentos a remédios dela e de Jack, passando por roupas, sapatos, perfumes e cremes.

- Vou pegar meu tablet e dar uma olhada, a esta altura, os tabloides já tiveram tempo de publicar alguma coisa sobre o nosso encontro com o Mick hoje... - Jennifer disse no banco detrás do carro, enquanto elas ainda rodavam por Kensington.

- Estou torcendo para que você não ache nada... - Clara sorriu. - Ainda bem que o Jack nem lembra que existe internet. De vez em quando, ele lê os e-mails que vêm dos filhos dele e os do Peters com aqueles relatórios da assessoria de imprensa e só...

- Ainda bem, querida... - Jennifer sorriu. - Por enquanto não tem nada... acho que vocês deram sorte...

- Espero que sim, Jenni! Estou muito confusa nestes últimos dias e ansiosa porque o show da O2 está chegando e estou começando a ficar apavorada com a ideia de subir no palco... não quero ter mais isso para me preocupar...

- Calma Clara... vocês ainda vão ensaiar muito até lá... o David quer que vocês fiquem lá em casa até o dia do show...

- Isso não sei se vou poder fazer... a filha do Jack deve chegar a qualquer momento na cidade e vamos hospedá-la em casa, enquanto ela não arruma um lugar para ficar em Londres...

- Hum... mas ela pode vir para Heathcliff Hall também querida... temos muitos quartos de hóspedes...

- Mas até decoramos o quarto para ela em casa, Cindy... lembra?

- Claro que lembro, foi uma das maiores modificações que fizemos na casa, ligando os três quartos... Mas ela pode ir para a casa de vocês depois do show, que tal?

- Pode ser... na verdade, neste momento, não me sinto capaz de decidir nada... estou a um passo do pânico...

- Acho que eu estaria bem pior do que você, se tivesse que subir naquele palco... você é muito corajosa, amiga... - Cindy sorriu.

- Eu também, Cindy... e olha que já tive minha dose de passarelas pelo mundo... mas acho que nada se compara àquele palco enorme que você vai enfrentar.... você é minha heroína, Clara!

- Heroína? Eu? Não sei... A sensação de estar no palco, ao lado do Jack é tão boa... adorei cantar na festa, foi incrível...

- É, querida... acho que você nasceu para isso... Você tem muito carisma...

- Ah não, Cindy... não exagera, por favor...

- Ok... você já me assustou... achou alguma coisa na mídia Jen? - Clara perguntou ansiosa ao ver a amiga arregalar os olhos depois de olhar para seu tablet.

- Ai querida... olha isso... - Ela entregou o tablet na mão de Clara.

Continua

16 de out de 2012

Rockstar - Capítulo XCVIII


- Também acho... vamos trabalhar ela amanhã? No estúdio? Vamos fazer o seguinte, depois da reunião, nós vamos para Heathcliff Hall e nos concentramos nas duas músicas que ainda estão sem letra... que tal?

- Isso, Velhão... amanhã vamos à reunião e depois para minha casa trabalhar nela... sabe o que está me ocorrendo? É uma balada tão doce que dá até para fazer um dueto seu com a Princesa... acho que tem lugar no show para ela...

- Meu Deus! É sério isso?

- Sim, Princesa... essa música é uma daquelas... hoje à noite o Velhão descansa e amanhã ele acha as palavras para a letra... sempre foi assim...

- Assim? - Clara olhou para David e para Jack, os dois parecendo sinceramente eufóricos com a música que tinham acabado de criar e começou a chorar. - Eu não sei nem o que dizer...

Jack abraçou-a; - Não chora, querida... amanhã é outro dia e tenho certeza que a letra vai aparecer...

- Bem, de qualquer forma vou ligar agora para o Peters para acertar nossa agenda de amanhã... - David disse tirando o celular do bolso.

- Mas não é muito tarde?

- Não... ele precisa estar a nossa disposição 24 horas por dia.... esse homem ganha uma fortuna para isso, amor...

- Está bem... - Clara disse secando os olhos, pegando Jack pela mão e puxando-o para o fundo da sala. - Amor... isto está mesmo acontecendo?

- Está sim... - ele sorriu e beijou-a na testa. - Eu te amo...

- Também te amo, querido... Alguém quer uma bebida?

- Traz champagne, amor... quero comemorar esse momento... - Jack sorriu. - Vou te ajudar a servir...

Clara e Jack abriram uma garrafa de champagne e a colocaram junto com quatro taças,  em uma bandeja de prata, que Clara encontrou em um dos armários da cozinha.

Serviu champagne para seus convidados e suco de uva para ela e Jack, para um brinde. Todos felizes já comemoravam a nova música do repertório que sequer estava completa.

- Então, já estão todos prontos para Nova York? - David sorriu ao ver Clara agarrando-se mais uma vez a Jack.

- Meu marido acha que eu não tenho mais nada a fazer além de acompanhá-lo... - Cindy sorriu, beijando David no rosto.

- Ah, mas você vai viajar conosco, não vai? - Jack perguntou sorrindo.

- Vou para Nova York, mas não sei como será o restante da tournê... tenho um trabalho e não posso deixar tudo nas costas do meu sócio...

- Eu sei que você não gosta nem um pouquinho de estrada, querida...

- Pois é, Dave... minha mulher estará ao meu lado todo o tempo...

- Isso vai... e quer saber, a Princesa será a melhor coisa dessa turnê...

- Clara, cuidado ou esses dois vão te colocar para cantar o show inteiro... - Cindy riu.

- Eles sabem que eu não sei cantar, Cindy... além disso, nunca cantei para uma multidão...

- Ah, mas é mais fácil do que cantar para pouca gente, Menininha... - Jack sorriu. - Você não vai vê-los direito por causa das luzes, mas sentirá que estão lá. Ouvir o barulho que eles fazem, sentir o calor que vem deles.... é como se fossem uma outra coisa, uma massa gigante de energia que te atinge bem aqui, no meio do peito...

- Que lindo, amor... - Clara disse olhando em seus olhos profundamente azuis. - Sabe, eu gosto muito da ideia, mas ao mesmo tempo, me dá um medo de não conseguir...

- Princesa, fica tranquila... não precisa ter medo, estaremos lá para te ajudar no que for preciso...

- Obrigada, David... sei que estarei cercada pelos melhores... e mais do que isso, tenho muita sorte de estar com vocês. Eu amo muito todos vocês... - ela disse abraçando David.

- Poxa cara! Minha mulher... solta! - Jack disse puxando Clara pelo braço.

- Ah, amor... lembra o que combinamos? Sem ciúmes?

- Eu sei... mas acho que isso não pode incluir o Dave...

- Poxa Velhão... sua mulher para mim é como se fosse uma irmã mais nova, ou uma filha...

- Obrigada querido... - Clara sorriu. - Você é adorável... não liga para o meu marido...

- Você não me deve nada, querida... e se esse seu marido aí pisar na bola, pode contar comigo...

- Você nunca pode comigo, brother... não vai ser agora depois de velho que isso vai acontecer...

- Pode ser... mas que eu chutarei muito sua bunda se você causar qualquer sofrimento para a Princesa, isso eu farei...

- Eu chutarei a minha própria bunda se isso acontecer... - Jack disse olhando-a fundo nos olhos mais uma vez. - Eu amo essa mulher como se nada mais existisse no mundo além dela...  e pode ter certeza que se eu cometer uma bobagem dessas, estarei perdendo o que existe de mais precioso em toda a minha vida...

- Desculpa Dave, mas preciso beijar seu amigo... - Clara disse agarrando-se em Jack. - Eu te amo muito....

- Eu te amo mais, Menininha!

- Bem meus caros, acho que eu e minha doce Cindy precisamos ir para casa... teremos um longo dia amanhã... Vamos embora, Cindy?

- Então, amanhã eu passo aqui para irmos ao francês... se os rapazes quiserem nos acompanhar, estão convidados...

- Sinto muito queridas, mas acho que não poderemos ir... o Peters quer nos mostrar o avião e vocês sabem o quanto é chato ir até o aeroporto... aliás, vamos aproveitar que estamos perto de Heathcliff Hall e ficamos por lá para trabalhar na nova música...

- É isso aí... pelo menos vocês terão liberdade para falar mal de nós... não é, Princesa... - David sorriu. - Não é isso o que vocês fazem sempre que se encontram?

- Nunca...  aliás... nem lembramos que vocês existem, não é Clara? - Cindy sorriu.

- Verdade... - Clara também sorriu. - Quando estamos juntas, só nós três, falamos apenas sobre homens bonitos, jovens e fortes...

- Eu tinha certeza disso... - Jack disse agarrando Clara e beijando-a.

- Jack... comporte-se... - Clara sorriu. - Temos convidados...

- É, Velhão... se cuida... o médico pediu para você ficar quietinho...

- Viu? - Clara provocou Jack. - Quietinho...

- Vamos embora Dave? Deixar nossos amigos descansar?

- Deixa eu terminar meu uísque... - David disse levantando seu copo.

- Então, Dave, amanhã não esquece de me dar uma força lá com o Peters... quero melhorar os contratos da Clara... Ela está ganhando muito pouco...

- Amor... não se preocupa com isso... estou feliz com o que já recebi e sinceramente faria tudo de graça, de tanto que me sinto feliz quando estou com vocês... não precisa nada disso, Dave...

- É igualzinha... - riu Dave. - Você e o Velhão têm mais isso em comum... quando a Crossroads começou a render muito dinheiro, o Jack começou a ter umas crises de consciência... dizia que estava ganhando demais e mais de uma vez, tive que ir buscá-lo na rua para evitar que ele distribuísse todo o dinheiro que tinha para os mendigos...

- Sério? Que lindo, amor.... - Clara sorriu. - Quanto mais eu te conheço, mais eu te adoro...

- Ah querida... eu tive diversas fases... essa foi quando eu achei que estava ganhando dinheiro demais... sentia que aquilo não era bom para mim, nem para a minha família e decidi distribuir o excesso pelas ruas... meu erro foi dizer tudo o que eu estava pensando para o David antes... ele não deixou... - Jack sorriu.

- É, Princesa... não sei se você já percebeu, mas o Jack precisa ser protegido dele mesmo, às vezes...Você precisa estar atenta...

- Mas eu sempre estou... adoro cuidar dele...

- Você é meu anjo, querida...

- Está muito frio lá fora... vocês preferem café ou capuccino para esquentar?

- Vou te ajudar na cozinha, querida... - Jack disse. - Sei fazer um chocolate ótimo com conhaque... vocês querem?

- Para mim, só o chocolate... - Cindy disse. - Vou dirigir...

- Por que amor? - David riu.

- Porque o conhaque vem depois do champanhe, vinho e pelo menos três copos de uísque,  dos que eu pude contar após o jantar...

- Hum... David, isso é carinho... - sorriu Clara. - Ela está cuidando de você...

- Eu sei Princesa... - David sorriu. - e ela tem razão...

Jack e Clara caminharam até a cozinha e usaram a máquina de fazer café para preparar xícaras fumegantes de chocolate quente, que foram aquecidos ainda mais por uma porção generosa de conhaque providenciada por Jack. Clara completou a bandeja com uma caixa de chocolates.

- Hum... está uma delícia... - Cindy disse sorrindo. - Querida, esse chocolate é maravilhoso...

- É sim... comprei uma porção de caixas e vou levá-los conosco na viagem... aliás, vou dar uma caixa para vocês levarem para casa agora... Clara sorriu voltando a sua dispensa para pegar mais uma caixa de chocolate. - Sou viciada neles, sabia?

- Bom, queridos... a nossa noite foi maravilhosa, mas moramos longe e precisamos ir... - David sorriu. - Amanhã quero todo mundo em Heathcliff Hall, já mandei os empregados ajeitarem a sala de música para vocês passarem a noite, assim, o Velhão não precisa ficar subindo e descendo escadas...

- A sala de música? - Jack riu. - Tem certeza? Duas pessoas respirando lá a noite toda...

- Não me faça mudar de ideia... - David sorriu.

- Não entendi.... - Clara sorriu ainda um pouco abalada pela precisão de seu sonho.

- Ah, querida... o David muitas vezes expulsa as pessoas da sala de música porque acha que a nossa respiração estraga os discos preciosos que ele tem lá... - Jack riu.

- Mas se formos incomodar de alguma forma...

- Não, Princesa... não é nenhum incômodo... as pessoas gostam de pegar no meu pé simplesmente porque cuido muito bem da minha coleção de discos...

- Querida, será que não dá para você respirar um pouco menos agora? - Cindy imitou a voz e o jeito de falar de David. - Esta é uma das minhas peças mais especiais, não quero vê-la destruída pelos excessos de sua respiração...

- Ele disse isso? - Clara riu.

- Ele diz isso todo o tempo, Clara... - Jack disse sorrindo. - Não, Brother, podemos dormir no sofá...

- Não precisa... eles estão exagerando Princesa... não sou assim... - David sorriu. - Podem ficar lá tranquilos...

- Obrigada David... - Clara sorriu. - Você é sempre muito bom para nós...

- Obrigado mesmo, Brother! Eu e meu anjo somos muito gratos por sua hospitalidade, meu amigo... - Jack disse, beijando David no rosto.

- Não precisa agradecer, Velhão... é só se cuidar e cuidar muito bem dessa fada que a Deusa nos mandou!

- Vocês não existem... - Clara sorriu. - Amo muito vocês todos!

- Então... vamos indo? Está ficando muito tarde...

Assim que o carro de David e Cindy desapareceu na névoa noturna, Jack e Clara entraram rapidamente em casa, sentindo o frio que já naquele início de outono parecia capaz de penetrar nos ossos e congelá-los.

- Então, o que vocês combinaram? - Clara perguntou a Jack, enquanto servia para si mesma uma pequena dose de conhaque, em uma tentativa quase desesperada de deixar de sentir frio.

- O que? Sobre amanhã? A reunião, querida?

- Não, amor... sobre a tal festinha...

- Ah! Olha, amor... acho que ela não vai acontecer... o David quer ir para Heathcliff Hall trabalhar nas duas baladas...

- Que ótimo! Fico mais tranquila...

- Mesmo que acontecesse, você não precisa ficar preocupada... sei me cuidar, meu amor... você precisa confiar mais em mim...

- Eu confio... mas queria muito que você se cuidasse... leva-se as ordens do médico a sério...

- Mas eu levo... então, vamos deitar?

- Vou só ajeitar um pouco a cozinha...

- Não precisa, amor... deixa que os empregados cuidam de tudo... vem... preciso de você para relaxar hoje...

- Está bem, amor...- Clara sorriu. - Nossa... o dia de hoje foi longo, não?

- Foi querida...

- Ah... - ela disse, no meio do caminho. - A bolsa de gelo...

- Não precisa... estou bem agora... só quero ficar quentinho, nos seus braços, meu amor...

- Preciso relaxar, amor... vou buscar nosso óleo essencial lá em cima... vamos tomar um banho juntos?

- Vamos sim... estou te esperando... - ele disse seguindo para o quarto improvisado no final do corredor, enquanto Clara corria até a suite deles no andar de cima.

- Amor, cheguei na hora certa, não faça força para tirar essa bota... - Clara disse, ao entrar no quarto. - Espera, que eu te ajudo...

Clara agaixou-se na frente dele, puxou suas botas e os dois despiram um ao outro e foram juntos para o chuveiro, tomando um longo banho, em total intimidade, eles trocavam carinhos sob a água quente.

- Vem amor, vou fazer uma massagem para você relaxar... - Clara disse pegando o frasco de óleo essencial para cuidar do corpo do marido e não conseguiu evitar de fazer uma careta ao preceber as manchas escurecidas ao redor dos cortes de sua cirurgia.

- Amor, não olha, está muito feio... - Jack disse cobrindo-se com as mãos.

- Não está amor... - ela sorriu. - Estou só preocupada... não está doendo? Me parece tão inflamado...

- Não, querida... só está feio... e pesado...

- Você precisa conversar com o médico... estou preocupada... meu amor...

- Não se preocupe, acho que amanhã vou passar no consultório dele... ele tinha me pedido para ir até lá trocar esses curativos antes de viajar...

- Ótimo... - Clara sorriu. - Quero te ver bem... meu coração sofre quando você não está bem...

- Meu amor... eu estou bem... isso aqui vai desaparecer logo... e nós vamos poder fazer o nosso filho... aliás, sabe o que eu estava pensando agora?

- O que?

- Em passar uns dias na nossa montanha, assim que o médico me liberar... já está nevando por lá, sabia?

- Que delícia, amor... eu adoraria ficar com você lá... tenho saudades de passar a noite na frente da nossa lareira... te amando...

- Meu amor... eu te amo tanto... - Jack beijou-a, acariciando todo o seu corpo. Os dois agora pareciam encontrar novamente aquele amor que os movia. Jack estava decidido a dar prazer a Clara e a levava ao céu, com seus carinhos.

Ela gemia e pela primeira vez sentia-se completamente distante de todos os problemas que a cercavam. Agora só existia ela e aquele homem maravilhoso com quem dividia a cama e a vida.

- Ai, amor... vou ter que parar...

- O que foi, Jack? Está doendo, não? Quer que vá buscar a bolsa de gelo?

- Não, amor... não precisa, já vai passar... - ele disse deitando-se de lado e segurando os joelhos, enquanto ela acariciava seus cabelos.

- Vai passar, meu amor... será que não seria melhor chamar o médico?

- Não precisa, meu amor... eu já melhoro...

- Ah, querido... agora estou me sentindo culpada...

- Não, meu amor... - Jack levantou-se e puxou-a para seu colo. - Eu te amo, muito... não quero te ver triste... você é a minha própria vida... preciso te ver feliz para continuar existindo...

- Eu te amo tanto... - ela sorriu e beijou-o. - Desculpa, amor... vai doer de novo...

- Não me importa... - Jack disse, agarrando-se a ela. - Vem... descansa em mim...

Agarrados, os dois dormiram em poucos minutos e logo sonhavam com sua montanha, em uma tarde perfeita de verão, os dois namoravam sob  árvores floridas, que produziam uma chuva de flores sobre eles cada vez que recebiam a brisa suave que vinha do topo da montanha.

Emocionada com a beleza do que tinha vivido, Clara acordou chorando, levantou-se e caminhou até o banheiro. Ainda podia sentir o perfume das pequenas  flores brancas  que caiam como flocos de neve gigantes sobre ela e seu amado Berthold, derrubadas pela brisa suave que anunciava a chegada da chuva.

Jack também acordou emocionado e simplesmente abraçou-a quando ela deitou-se novamente ao seu lado. Os sonhos de ambos mais uma vez os levavam de volta a um passado distante de dias gloriosamente felizes, vividos em sua montanha, longe do resto do mundo.

E a manhã seguinte, chegou rápida lá fora, primeiro com uma névoa gelada, encobrindo tudo e depois com o dia de sol mais perfeito, com um lindo céu azul, onde apenas a falta do calor era sentida.

Jack acordou muito cedo, com um sorriso nos lábios, levantou-se, desligou o alarme do celular de Clara e começou a preparar-se para ir à reunião, enquanto observava o sono tranquilo de sua mulher, desejando segurá-la em seus braços, mas sem coragem para acordá-la.

- Jack, amor... - Clara sorriu ao acordar. - O celular não tocou?

- Eu desliguei para não te acordar... você estava dormindo tão em paz...

- Mas eu quero acordar... te mimar um pouco, já que vamos passar quase o dia todo longe um do outro... - ela espreguiçou-se gostosamente e levantou-se da cama, brincando com os cabelos de Jack e beijando-o, no caminho até o banheiro. - Quer uma ajuda para vestir-se, meu lindo?

- Hum... não preciso... mas aceito... - Jack sorriu. - Seria louco se não aproveitasse a chance de ser cuidado pela mulher mais linda do mundo... - ele disse, agarrando-se em Clara assim que ela aproximou-se dele.

- Amor... - Clara suspirou. - queria passar o dia com você...

- Eu queria estar de novo na nossa montanha, querida... o sonho que eu tive nessa noite...

- Eu sei...  - Clara disse enxugando as lágrimas que teimavam em molhar seu rosto. - foi tão lindo...

- Vem aqui... - Jack abraçou-a e beijou-a apaixonadamente. - Eu nunca senti tanto amor, como estou sentindo agora, Menininha... se eu morresse agora...

- Não fala em morte, meu amor... por favor...

- Ah, querida... - ele sorriu. - Mas é o que eu sinto... se este fosse meu último dia de vida, eu morreria muito feliz... envolvido por um amor que é tão imenso, que às vezes, me sinto muito pequeno,  do tamanho de um grão de areia...

- Ah querido... - Clara suspirou. - Meu coração hoje está derretido de amor... sou sua... completamente sua...

- Meu amor... - Jack beijou-a novamente, agarrando-se ao corpo  nu de Clara e deixando-a com os joelhos amolecidos, quase fora de rumo. - Vamos tomar café? Estou com muita fome...

- Eu também estou com fome, querido... mas é melhor eu vestir alguma coisa... - ela disse pegando seu roupão de seda e vestindo-o.

Agarrados um no outro, os dois foram até a sala de jantar, onde comeram em clima de namoro, ainda completamente envolvidos pelo que tinham visto em seu sonho.

- Você vai almoçar no francês com suas amigas hoje, não?

- Vou... queria que vocês fossem nos encontrar lá...

- Ah, não vai dar... o Peters vai nos levar até o aeroporto para nos mostrar como ficou o avião, ele falou alguma coisa sobre almoçar por lá mesmo e depois seguimos para Heathcliff Hall. O David quer trabalhar nas duas baladas...

- Está bem... - Clara suspirou acariciando a mão de Jack. - Queria poder passar o dia todo com você...

- Ah, amor... eu também queria... mas assim que as coisas se acalmarem, vamos para nossa montanha.... Ficamos por lá pelo menos uma semana... vou bater o pé com o Peters...

- Vai ser maravilhoso, querido... - Clara sorria  quando foi interrompida pelo som de seu celular. - Mick?!

- O que esse cara quer? - Jack disse alto, perto de Clara, com a intenção de ser ouvido por Mick.

- Oi, querida... diga ao seu marido que liguei apenas para avisar que mandei uma proposta oficial para o Peters hoje para convidar todos para passar uma semana no meu castelo... a partir do dia  13 de novembro. Vamos no meu jatinho... quero todo mundo lá, especialmente você, meu amor...

- Mick... eu não sei... temos muitos compromissos...

- Eu sei, querida... por isso estou mandando um convite oficial ao Peters... Já falei com o David e ele me garantiu que vocês estarão livres durante essa semana... e ele e o Mike estão muito interessados em vir...

- Querida, deixa eu falar com ele... - Jack disse estendendo a mão para pegar o celular de Clara.

- Calma, amor... - ela disse. - Mick, o Jack quer falar com você...

Clara entregou o telefone nas mãos de Jack, levantou-se  da mesa e foi para o quarto. Estava chorando, cansada de continuar tendo sempre a mesma briga com o marido e bastante abalada pelo jeito que ele reagiu àquele telefonema.

Quando Jack entrou no quarto, ela estava deitada por cima dos cobertores; - Clara... seu telefone... o que foi? - ele disse desconcertado por encontrá-la chorando. -  Está tudo errado... você ficou magoada... ah... não fica... - Jack disse sentando-se na cama e acariciando os cabelos de Clara. - Me perdoa... está tudo bem... eu ia mandar seu amigo para o inferno, mas ele me disse que tem feito algumas músicas para você gravar... vai ser bom, para a sua carreira...

- Eu não quero ter uma carreira... quero ter um casamento que funcione... quero viver bem com você, só isso... - ela disse caindo em um choro descontrolado.

- Amor... não precisa ficar assim... não briguei com ele, sei o quanto ele significa para você... e não estou falando só do lado profissional. Embora eu sinta ciúmes, estou sinceramente tentando me controlar, aliás, daqui por diante, eu juro que não me importo se você transar com quem você quiser. Não é justo te negar essa liberdade, agora vem aqui para o meu colo, meu amor... não fica chateada comigo...

- O que você está dizendo?

- Isso o que você ouviu... eu tenho pensado muito nestes últimos dias e não acho justo te negar a liberdade de ficar com quem você quiser... só não me abandone...

- Jack, eu te amo... não vou ficar com ninguém... isso que você está me dizendo é uma loucura... por favor, eu só fiquei nervosa porque achei que você estava gritando com ele...

- Não, meu amor... eu quero te ver feliz... e se esse cara te faz feliz eu não tenho o direito de interferir...

- Você me faz feliz, meu amor... - Clara beijou-o. - Eu não consigo viver sem você...

- Quer saber? Não vou à reunião... quero passar o dia aqui com você...

- Não, amor... é importante que você vá. Seus amigos podem ficar chateados com você... não quero prejudicar sua carreira... - ela disse levantando-se da cama e ajeitando seu roupão e seus cabelos.  - Vem... vamos ver se o Khaled já chegou....

- Me perdoa, querida... odeio te fazer chorar...

- Está tudo bem, Jack... me perdoa você... eu não devia ter reagido assim e não se preocupe porque não vou te trair...

- Não é traição... eu nunca deveria interferir nesse teu relacionamento com ele... você é livre para fazer o que quiser... não se preocupe mais comigo...  quero te compensar por toda essa tristeza. Vou te fazer muito feliz, ainda...

- Eu já sou feliz, querido... tudo o que eu quero está aqui comigo... - ela sorriu e pegou-o pela mão. - Vamos?

Clara e Jack foram para a sala de estar onde Bradley avisou-os que o motorista já tinha chegado e aguardava por ele lá fora. Os dois saíram de mãos dadas e despediram-se com mais um beijo apaixonado.

- Vai com Deus, meu amor...

- Fica com ele...

Jack entrou no carro e assim que ele desapareceu na curva que levava ao portão da casa, Clara entrou de volta em casa e sem querer parar para pensar muito, subiu direto para a suite que dividia com Jack e passou a arrumar a bagagem que eles levariam para Nova York.

Buscou concentrar-se inteiramente nisso, pegou roupas quentes e confortáveis primeiro e depois as que usaria para os compromissos com a imprensa. Sabia que seria filmada e fotografada inúmeras vezes e precisava sentir-se bem. Separou vestidos e saias que tinha acabado de comprar em Paris e também dois dos seus pares de botas favoritos.

Para as malas de Jack, tudo era bem mais simples. Pegou as roupas que tinham comprado tendo aqueles eventos em mente, mas também algumas peças mais casuais e confortáveis. Também embalou alguns pares de botas novos e diversas paximinas e cachecóis.

Depois pegou as jóias que tinha a intenção de levar e preparou as duas necessaires com produtos de higiene e beleza para os dois, além de um frasco com óleos essenciais e incensos, que os dois usavam para relaxar.

E embora ela fizesse tudo para concentrar-se unicamente no que estava fazendo,  a conversa que tinha acabado de ter com Jack não saia de sua cabeça. E a preocupação sobre o que Jack e Mick conversaram aumentava cada vez mais. O que Mick poderia ter dito a ele para transformar seus  rompantes de homem ciumento naquele discurso de homem totalmente  conformado com uma traiçãocada vez mais iminente? Aquela nova postura apenas aumentava a culpa que ela já sentia por tudo o que tinha acontecido.

Ainda preocupada com o que poderia ter acontecido, ela pegou o celular, pensou em ligar para Jennifer, mas quando percebeu, já tinha discado para Mick.

- Oi amor... - ela ouviu a voz dele do outro lado da linha. - Você está bem?

- Oi Mick... sobre o Jack... desculpa, querido...

- Não se preocupa com isso, meu amor... conversei com o Jack e ele me entendeu... ele também quer te fazer feliz...

- Ah Mick... eu não posso continuar amando dois homens ao mesmo tempo...

- Calma, querida... não seja tão dura com você mesma. Nós três estamos muito bem, não estamos?

- Não... estou me sentindo muito mal agora...

- Quer que eu vá até aí para conversarmos?

- Não...

- Mas eu preciso cuidar de você... quero te ver feliz, meu amor...

- Por favor, Mick... estou sinceramente preocupada com meu casamento... só queria saber mesmo o que vocês conversaram...

- Não se preocupe, meu amor... ele te ama muito, eu também e nós dois queremos o melhor para você...

- E o que é esse melhor que vocês querem?

- Queremos que você seja uma estrela... por isso, vamos trabalhar juntos... está bem? Eu e seu marido vamos cuidar da sua carreira e vamos passar uma semana juntos, no meu castelo...

- Mas eu nem sei direito se é isso que eu quero...

- Mas eu e o Jack sabemos que esse é o seu destino e vamos trabalhar juntos para que você consiga...

- Ah Mick... não sei se é isso o que eu quero, mas agradeço... aliás... eu não sei de mais nada...

- Ah, minha doce Clara... tudo o que eu queria agora era ter você em meus braços...

- Mick...

- Eu sei que você está casada com ele, mas ele acabou de me dizer que quer te ver feliz...

- Por favor, me diga exatamente o que ele te disse...

- Me disse que  quer te deixar livre para transar com quem você quiser...

- O que? Isso é muito estranho, ele acabou de me dizer isso também...

- Então... ele quer que você seja livre... e se ele quer...

- Ah não, me perdoa... só não quero complicar ainda mais a vida de nós três...

- Mas você também me ama...

- Amo, mas isso não está certo...

- Por que não? Eu não entendo por que você e eu precisamos sofrer assim... está sendo uma tortura para mim...

- Para mim também... mas não quero ferir o meu marido... ele já sofreu muito, não é justo fazê-lo sofrer mais...

- E eu? E você? É justo passar o resto dos meus dias sentindo essa dor de amar, saber que é amado, mas não poder estar com você... Já te disse, aceito tudo o que você estiver disposta a me dar... mesmo que sejam as migalhas e o Jack acabou de dizer para nós dois que não se importa...

- Eu estou muito confusa com tudo o que ele disse... ah, Mick não é justo com você... você não merece migalhas... você merece alguém que possa ser completamente sua... uma mulher que só pense em você...

- Mas não é isso o que eu quero... eu quero você...

- Me perdoa, Mick... mas isso não pode ser... por favor... me esquece...

- Não posso... a propósito... estou aqui, no portão da sua casa... será que ao menos você poderia abrí-lo para mim?

- Meu Deus! - ela disse erguendo-se da cama em um pulo e correndo pelas escadarias de sua casa, vestindo apenas seu roupão de seda, ela abriu o portão da frente para Mick e correu para encontrá-lo. - Você está louco?

Ele não respondeu. Apenas caminhou na direção dela e beijou-a e desta vez, ela não teve forças para pará-lo.

Continua

13 de out de 2012

Rockstar - Capítulo XCVII

Sem dizer uma palavra, os dois entraram no apartamento e Mick guiou-a pela mão até a enorme sala de estar decorada com móveis clássicos, com muitos espelhos nas paredes e detalhes dourados que imediatamente a lembraram da suite Versalhes, onde Clara tinha se hospedado com Jack, em Nova York.

- Muito bonito, seu apartamento, Mick... - Clara disse tentando quebrar o gelo.

- Obrigado... gosto muito daqui... Vou pegar um champagne para nós lá na cozinha... já volto...

- Ok... - ela sorriu, sentada em um belo sofá de veludo macio, branco e dourado, em meio a muitas almofadas. Ela apenas levantou-se para tirar seu casaco de couro, queria ao menos fisicamente sentir-se a vontade, já que sentia-se a beira do desespero, com muito medo de não conseguir resistir.

- Vamos chegar bebados a reunião?

- Não tem importância, querida... somos rockstars, lembra? As pessoas esperam isso de nós...

- Mas não é exatamente elegante chegar a uma reunião de trabalho, na hora do café da manhã, cheirando a álcool...

- Pronto, a pequena vitoriana está de volta... não gosto dela, ela é muito chata...

- Você diz que me ama, mas não me ama de verdade, ao menos até aprender a gostar também das minhas chatices... eu adoro as chatices do Jack, por exemplo...

- Será que não dá para deixar de esfregar essa felicidade de vocês dois na minha cara?

- Desculpa... não fiz por querer... apenas é uma das coisas em que às vezes eu penso, no quanto eu tenho sorte de tê-lo comigo... não posso estragar isso... por favor, tenta entender...

- Eu te entendo... na verdade estou me sentindo um pouco bobo aqui, fazendo o possível e o impossível para tentar te seduzir, enquanto você apenas faz com que eu me sinta um canalha por estar tentando destruir um amor tão...

- Você não é um canalha... se fosse, eu não estaria aqui... eu gosto muito de você, das nossas conversas... falo coisas com você que não teria coragem de falar com o Jack...

- Eu sei... - Mick disse abraçando-a. - Não consigo acreditar, mas você está conseguindo me transformar em seu amigo... esse jeito doce, esse sorriso... Vamos para nossa reunião? Acho que já está na hora...

- Vamos, querido... que bom que você me compreendeu...

- Mas no minuto em que seu casamento estiver ruim, se ele te magoar...

- Vou correr para você, querido... não se preocupe... - ela disse beijando-o no rosto. - Acho que preciso escovar os dentes, estou com um tremendo bafo de alcool...

- Eu também vou escovar... - Mick riu. - Nós como amantes somos um fracasso absoluto...

- Somos mesmo... - Clara riu, pegando uma necessaire dentro da bolsa. - Onde fica o banheiro deste apartamento tão lindo?

- Vamos ao banheiro da minha suite, é mais confortável e você também terá chance de dar uma olhada no que perdeu... quero dizer, o decorador deixou meu quarto muito bonito e confortável...

- O quarto do abate?

- Querida... acabei de reformar esse apartamento e já percebi que ele não vai funcionar,  não conseguiu te impressionar...

- Me impressionou sim... é muito bonito, sofisticado... mas você não precisa dele, Mick... Você é um homem doce, bonito, sexy... e se eu não acreditasse que trair o meu marido só trará sofrimento para nós três, já estaríamos sim nessa cama linda...

Os dois escovaram os dentes no amplo banheiro da suíte todo feito de mármore, que seguia o estilo clássico e tinha iluminação natural, vinda de uma clarabóia onde a chuva batia agora mais pesada.

Como um casal com muita intimidade, os dois arrumaram-se no quarto, usando os espelhos de um closet imenso e saíram prontos para a reunião no restaurante Cinq, onde se encontraram com Jack Sommers.

O roteirista apresentou a eles mais algumas ideias para cenas chave do filme e entregou a ambos um novo esboço de roteiro, que deveria ser lido e aprovado por ambos para desta vez transformar-se em roteiro definitivo.

Logo os dois partiram do restaurante e foram direto ao aeroporto, onde o jato de Mick já esperava por eles. A viagem de retorno foi mais tranquila, com os dois, agora como amigos, apenas jogando conversa fora.

- Querida, acho que você tem razão, seremos mais felizes como amigos e para estreiar essa nova fase, vou até Nova York fazer uma surpresa para a Gianna... gosto dela apesar de tudo...

- Então, querido... vai atrás dela... sei que ela gosta muito de você... tenho certeza de que vocês vão ser muito felizes ainda...

- Você ainda vai me transformar em um homem sério...

- Não estou nem tentando, gosto de você como você é...

- Que bom... acho que não tenho nenhuma vocação para qualquer tipo de conservadorismo...

- Eu sei disso... e te amo também porque você é assim... Acho que a Gianna vai continuar com ciúmes de você por muito tempo...

- Eu vou para Nova York daqui uns dias... vamos jantar juntos? Nós quatro?

- Boa ideia, amor...

- A parte ruim é que não sei se vou mesmo ter essa liberdade de jantar com vocês, porque é viagem promocional da banda e você sabe...

- Sei, querida... mas vamos tentar encaixar isso na agenda de vocês... Vocês estarão com o avião da banda, certo...

- Sim...

- Eu vou com o meu jatinho... se eles tiverem que partir antes, vocês podem voltar no meu avião e pronto... podem ficar quanto quiserem...

- Vou conversar com o Jack e dar um jeito... não gosto de jatinhos, mas nesse caso, farei uma exceção... Mas você conhece meu marido, não sei se vou conseguir convencê-lo.

- Não tem importância, querida... eu sei que seu marido é ciumento, eu entendo... não precisa ficar preocupada, já que você não me quer como amante, terá que me aturar como amigo... sempre que precisar de alguma coisa, ou quiser só conversar... estou a sua disposição...

- Eu te amo, meu amigo... mesmo...

- Eu também te amo, querida... - ele disse beijando-a na testa.

O carro pegou-os no hangar e levou-os de volta para Kensington, mas Mick desta vez desceu antes, na garagem de seu apartamento. Clara foi recebida em casa de braços abertos, encontrando Jack e David ao redor do piano, ainda trabalhando na nova música feita para Clara gravar.

- Viu como vim rápido, meu amor... - Clara sorriu, caminhando na direção de Jack e sinalizando para ele não levantar-se da poltrona. - Está tudo bem com você?

- Sim, querida... - Jack disse caminhando até ela e beijando-a. - Estava sentindo sua falta...

- Oi Clara... - David disse, levantando-se do piano e beijando-a no rosto. - Como foi de viagem?

- Muito bem... a Cindy não veio?

- Ela está em Viena, vai chegar no final da tarde...

- Ótimo... então vamos jantar todos juntos aqui?

- Vamos, meu amor, já os convidei... - sorriu Jack. - Então, como estava Paris hoje?

- Fria, chuvosa... fiquei até triste de ver um lugar tão lindo sob um clima tão inclemente...

- E o senhor Jagger? - sorriu David.

- Como sempre... - ela riu. - Vocês sabem que ele me disse que também está compondo para o meu disco...

- E você quer gravar músicas dele? - Jack perguntou em  um tom que misturava preocupação e tristeza.

- Lógico que ela quer, Jack... é do Mick Jagger que estamos falando... - David respondeu por ela. - Se ele compusesse para mim, eu também gravaria...

- Eu quero... mas só se isso não for criar um problema entre nós, Jack... vai?

- Não... - ele gaguejou. - quer dizer, não sei... acho que não é um bom momento para decidir isso... pelo menos para mim...

- Não precisa decidir nada, meu amor... não agora... você está fragilizado, nós estamos sobrecarregados de trabalho até Deus sabe quando... melhor pensar nisso quando efetivamente formos gravar... se é que vamos...

- Ah não, Princesa... você vai ter um disco solo... isso já é fato... você já é uma de nós...

- Ela não é uma de nós, Dave... ela é uma estrela, nós somos só músicos que tiveram muita sorte...

- Não, meu amor... vocês dois são ícones... eu é que sou só uma aprendiz de cantora... sinceramente, nem sei direito o que estou fazendo ainda, eu só quero sentir mais daquilo que eu senti no palco...  

- Sabe, amor... estou tentando escrever a letra da música que o Dave fez, mas ainda não saiu nada... estava sem inspiração até você chegar...

- Lindo... é tão bom estar aqui com vocês... vou trocar de roupa, meus queridos... continuem... preciso também dar uma passada na cozinha e ver como está nosso almoço...

Clara subiu as escadarias e foi até o closet, onde vestiu roupas mais confortáveis, calça jeans, sueter de lá e botas de cano alto. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e quando desceu foi direto para a cozinha, onde foi informada pelos empregados que o almoço seria servido dentro de 20 minutos. Depois perguntou a Bradley, sobre a medicação e os cuidados com Jack e foi informada de que tudo estava de acordo com as ordens que tinha dado antes de sair e aproveitando que estava na cozinha pediu o preparo de um jantar gostoso, mas casual para ela, o marido e seus dois convidados.

- Finalmente sou eu de novo... acho que não nasci para usar roupas chiques... me sinto amarrada... - Clara sorriu ao chegar na sala de estar.

- Você fica linda de qualquer jeito, meu amor... - Jack disse ao puxá-la para sentar-se com ele no sofá.  - Meu Deus, como essas duas semanas serão difíceis para mim.

- Para mim também, meu amor... - ela sussurrou no ouvido de Jack e beijou-o.

- Ah, Menininha... - ele suspirou. - Eu te amo... muito... muito...

- Eu te amo mais, Jack... - ela respondeu agarrada a ele. - Então, Dave, toca a música de novo, vamos ver se conseguimos uma letra... Jack... deita aqui no meu colo...

- Você quem manda, Princesa! Agora o Velhão se inspira... - David riu e começou a tocar a balada suave, que ainda não tinha uma letra.

Clara apenas acariciava os longos cabelos de Jack, enquanto ele de olhos fechados, mergulhava na melodia de David e tentava em vão, traduzí-la em palavras.

- Não vou conseguir, meu amor... está muito difícil... - ele disse levantando-se e enxugando uma lágrima que escorria de seus olhos. - Não estou bem hoje...

- Não tem problema, Velhão... a música está aí, você tem tempo ainda para fazer essa letra...

- Isso mesmo, amor... não se preocupe que a música ainda vai te dizer o que ela quer...

- Assim espero... hoje eu não consigo parar de pensar em você, em Paris, com aquele cara...

- Amor... meu encontro com o Mick hoje foi estritamente profissional. Por favor, Jack...

- Não consigo tirar isso da cabeça, amor... aquele cara perto de você, te tocando... - ele disse pegando-a no braço com força.

- Ai, Jack... você está me machucando!

- Velhão... solta ela, cara...

- Desculpa, amor... estou nervoso... - Jack disse abraçando-a. - Por favor, me perdoa...

- Olha, Jack... eu estou sinceramente tentando, fazendo o possível para entender esses ciúmes, mas não consigo viver assim... - ela disse lutando consigo mesma para segurar as lágrimas. - Eu não consigo te amar mais do que já amo...

- Me perdoa...

- Não sei se consigo... estou me sentindo muito mal agora... a sensação que eu tenho é que estamos sempre tendo a mesma briga...

- Me perdoa, por favor... - Jack pegou as mãos dela e beijou. - Eu estou tentando me controlar, mas não estou conseguindo... fico pensando em vocês dois juntos... lá, em Paris e eu aqui, sem poder fazer nada...

- Mas não aconteceu nada em Paris... só outra reunião sobre o roteiro do filme... nada mais...

- Tem certeza?

- Por que a pergunta?

- Por nada...  preciso achar um jeito de não me preocupar mais com esse caso de vocês...

- Ah, Velhão... deixa a Princesa... não trata ela desse jeito porque ela não merece... - David disse deixando o piano e caminhando até eles. - Qual é o seu problema, cara?

Clara só chorava e David abraçou-a. - Querida, não escuta essas bobagens, alguma coisa nessa cirurgia deu errado e afetou a cabeça dele...

- Não é isso, David... eu já percebi que não tenho mais chance, ele tem tanta certeza sobre as coisas que fala... acho que deve ter razão... eu vou embora, ele não me ama mais... não faz sentido eu ficar aqui nessa casa... Cadê minha bolsa?

- Como assim ir embora? - Jack disse pegando-a novamente pelo braço.

- Me solta... - ela disse empurrando-o. - Eu vou embora daqui e você fica bem... tem sua banda de novo, desfez uma vasectomia que tinha feito sem pensar... vai lá, a Ann Kurtiss vai te receber de braços abertos... Vocês deveriam ter um filho juntos...

- Clara... não faz isso! - Jack disse completamente fora de si. - Por favor, me perdoa...

- Acho que não consigo mais fazer isso, Jack... não consigo mais aguentar esses ciúmes, sempre essas insinuações... sabe,  eu te amo muito, mas não dá para viver ao lado de um homem que não confia em mim...

- Isso vindo de uma mulher que acabou de me mandar procurar a Ann Kurtiss é mesmo lindo...

- Ela sempre fala abertamente sobre o quanto quer voltar a ser sua mulher... vai atrás dela, porque eu estou desistindo agora. - ela disse pegando a bolsa no sofá e caminhando até a porta da frente da casa.

- Clara, onde você vai? - David caminhou atrás dela.

- Me perdoa, David... vou para o Brasil, nunca deveria ter vindo para cá...

- Clara, volta aqui, fala comigo... - Jack disse caminhando com dificuldade até ela. - se você sair por essa porta...

- O que tem? Você vai fazer o que? Me bater?

- Eu nunca mais vou querer te ver...

- Ótimo! Então estamos empatados... - ela disse abrindo a porta e indo na direção do portão da rua.

- Clara, volta aqui... - Jack disse caminhando atrás dela. - David, me ajuda, não deixa ela ir embora...

- Clara... - David foi atrás dela e segurou-a pelo braço. - Por favor, o Velhão não queria dizer essas coisas... vem... antes que ele caia nesse piso molhado... Vem, querida... vamos lá dentro, esfriar a cabeça... - ele abraçou-a, enquanto ela chorava muito.

Os dois voltaram para casa abraçados; Jack seguiu logo atrás deles.

- Calma, Princesa... - David disse indo até o bar e servindo um copo de whisky para ela. - Bebe isso aqui... relaxa e vamos conversar...

- Não quero mais conversar, David... já sei que ele não vai me ouvir, ele não quer me ouvir e eu estou cansada disso...

- Eu quero te ouvir... me perdoa, meu amor... não posso te deixar ir embora...

- Já te disse tantas vezes o quanto te amo, o quanto sou sua e você não acredita... se você não acredita em mim, o que eu estou fazendo aqui? Vou para o Brasil, lá pelo menos eu vou ter um pouco de paz...

- Clara, me escuta... por favor... - Jack disse aproximando-se dela. - Não foge de mim, por favor... eu não sei viver sem você... me desculpa... - ele disse enquanto se ajoelhou e agarrou-a pelas pernas. - por favor...

- Não faz isso...  por favor... eu te amo, vou te ajudar a levantar, me dá a mão...

- Não... eu estou te pedindo para me perdoar... me ajuda... não posso, não consigo viver sem você...

- Jack, meu amor... - ela disse  ajoelhando-se também e abraçando-o. - Eu te amo... muito... mas você me magoa tanto quando fala desse jeito...

Os dois se beijaram e ficaram ainda alguns minutos, agarrados, ajoelhados no chão, enquanto David caminhava até a sala de jantar, afastando-se para dar-lhes a oportunidade de ficarem sozinhos.

- Não quero mais brigar com você, Clara... dói muito... não posso te perder...

- Não vai me perder, nunca... entendeu... nunca... eu sou tua para sempre... - ela disse levantando-se e ajudando Jack a levantar-se. - Vem, vamos sentar ali no sofá...

- Acho que preciso de uma bebida...

- Você não pode beber, meu amor... você está tomando remédios... não quero te ver doente... - ela disse, beijando-o no rosto. - O David? Onde ele foi?

- Não faço ideia... e não me importo... - Jack sussurrou no ouvido dela, percorrendo seu corpo com as mãos. - Como eu te quero agora....

- Não podemos... - ela respondeu afastando-se dele, fazendo muita força para controlar-se. - Sua cirurgia... não quero te prejudicar....

- Acho que podemos...

- Jack, você está maluco? Você acabou de fazer uma cirurgia... não quero arriscar... você ainda está com curativos, pontos...

- Mas...

- Mas nada... Jack!? Meu Deus! Melhor irmos mais devagar... não quero que você se machuque...

- Eu vou ficar bem, meu amor... você é muito assustada, Menininha... - ele sorriu e agarrou-a novamente. - Vamos para o quarto?

- Não... Jack, você perdeu mesmo a noção... vamos almoçar, isso sim... vou atrás do Dave e passo na cozinha para ver o que está acontecendo... Por favor, fica bem quietinho aí...

- Está bem, meu amor... está começando a doer, acho que não posso mesmo...

- Quer que eu ligue para seu médico?

- Acho que não precisa... vou deitar um pouco no sofá, tem que passar...

- Calma, amor... vai passar... - ela disse sentando-se no sofá e apoiando a cabeça de Jack em seu colo. - Será que não era melhor chamar seu médico?

- Não precisa, amor... já está passando...

- Que bom! - Clara disse levantando-se. - Vou achar o David e ver o nosso almoço...

- Vai, amor... - ele sorriu para ela, enquanto ainda tentava relaxar para recuperar-se da dor que estava sentindo.

Clara saiu caminhando pela casa, foi na direção da sala de jantar, onde encontrou David e pediu que ele ficasse por lá, porque iria até a cozinha ver se o almoço já estava pronto. E depois de conversar com o mordomo e a cozinheira, ela voltou para a sala, para ajudar Jack a ir até a sala de jantar.

- Poxa, Velhão... você está bem?

- Acho que estou... está doendo ainda, mas já melhorou um pouco...

- Cara, se cuida... o médico não mandou você ficar quieto?

- Eu sei, Dave... mas...

- Mas nada, cara! Dá um tempo, deixa tua mulher, ela não está te traindo...

- Eu sei... eu sou um idiota... fiquei muito nervoso, eu preciso afastar esse cara dela, me ajuda...

- Ah, Jack, ela não vai te trair... essa mulher te ama muito, cara...

- Eu sei... mas ele é traiçoeiro, eu sinto aqui dentro que se eu não prestar atenção e cuidar muito bem disso, ela vai acabar fugindo de mim...

- Para de ser paranóico, Velhão...

- E se ela me trair? Se ela se jogar nos braços desse cara?

- Ela não vai, mas e se ela te trair? O que tem? Ah, cara... não é o fim do mundo. Como se você não fosse nunca mais pegar ninguém...

- Ah, não estou falando disso... não me preocupa que ela fique com ele, o que me preocupa é que ela pode se apaixonar por ele e me deixar...

- Mas ela só vai te deixar se você ficar tratando-a desse jeito... confia nela, a mulher te ama, cara...

- Vou tentar... - Jack disse, interrompendo a conversa, assim que Clara voltou da cozinha.

- Então, já está melhor, meu amor? - Clara disse aproximando-se dele e beijando-o no rosto. - Já mandei servir o almoço... desculpa David, mas tivemos mais uma pequena crise...

- Está tudo bem, querida... não se preocupe...

Ainda abalada com tudo o que tinha acontecido, Clara mal conseguiu tocar na comida, comeu muito pouco, enquanto ouvia Jack e David fazendo planos para assistir ao jogo de futebol que aconteceria em poucas horas.

- Jack, você não vai subir a escadaria dessa casa... você já está sentindo dor...

- Mas a sala de TV é lá em cima... o Dave me ajuda...

- Acho que vocês vão me enlouquecer hoje, não? Você não pode fazer esforço, Jack... você fez uma cirurgia delicada ontem, está sentindo dor...

- Calma, Princesa... o médico só fala essas coisas...

- Ele fala porque é perigoso... não vou participar disso... o Jack quis fazer essa cirurgia, eu apoiei, mas agora parece que ele quer se matar e eu não consigo apoiar isso...

- Ah, Clara... ele não vai se matar... calma, Princesa... ele vai ficar bem...

- E se não ficar? E se sentir dor de novo? Vale mesmo a pena arriscar-se só para ver um jogo de futebol na tela grande? Podemos tentar outra coisa, pegar uma outra TV, assistir no meu laptop, sei lá... pegar a TV da minha suite... ela tem umas 50 polegadas... se o Bradley me ajudar, posso trazê-la aqui embaixo, só não sei instalar a TV a cabo nela...

- Amor... fica tranquila... vou subir como subia na minha casa, assim que sai do hospital, quando era criança e não tinha força nas pernas... não vou me esforçar muito, nem ficar cansado... confia em mim...

- Vou tentar... se você conseguir, levo a pipoca, a cerveja e o refrigerante lá em cima... - Clara sorriu. - Eu te amo mas por favor não se mata...

- Não vou... - Jack riu. - Você não vai conseguir livrar-se de mim tão cedo, Menininha...

- Assim espero... - ela sorriu olhando longamente em seus olhos que estavam muito azuis naquele dia. Sentia-se culpada por tudo o que tinha acontecido nos últimos dias, seu envolvimento com Jagger e aquela quase traição, não saiam de sua cabeça.

- O que foi? - Jack perguntou sorrindo.

- Nada, amor... estava longe... distraída...

- A Princesa deve estar cansada... foi viajar cedo, voltou e ainda tem que ficar aturando nós dois aqui...

- Não estou cansada, David... estou feliz por já estar em casa porque achei que a reunião fosse alongar-se mais... Mas o Sommers estava com mais pressa do que nós hoje... o Mick até estranhou... - ela sorriu.

- Você está linda hoje, Clara... fiquei aqui quase morrendo de ciúmes...

- Eu te amo, Jack... não precisa ter ciúmes... ok?

- Ok, amor... não vou mais ficar te incomodando com isso... estamos juntos, isso me basta...

- Não basta para mim, Jack... quero que você confie em mim e no meu amor...

- Eu confio em você, meu amor...

- Então Princesa, não te vi comendo nem a sobremesa... está uma delícia...

- É mesmo, querida... você mal tocou a comida... o que foi? Não gostou?

- Gostei sim... mas não estou com fome... acho que fiquei muito nervosa e agora vai ser difícil de comer qualquer coisa...

- Amor... come ao menos os morangos... eu sei que você gosta de morangos... quer champagne?

- Não... não quero beber até você estar bem... eu adoro morangos... vou comer...

- Pode beber, meu amor... não quero ser o chato que te impede de fazer o que você gosta, eu quero te ver feliz... não vou beber, enquanto não puder, prometo... seguirei as ordens médicas como um bom menino...

- Era só isso que eu queria ouvir... - Clara sorriu. - Bradley, traga mais champagne, por favor...

- Sim, senhora Noble...

- Hum... vocês têm razão... esses morangos estão uma delícia... me desculpem, o dia de hoje não está sendo nada fácil para mim, acordei muito cedo para ir àquela reunião, fiquei muito nervosa depois... acho que vou ajudar o Jack subir, mandar preparar os lanchinhos para a hora do jogo e assim que todos estiverem instalados, vou precisar dormir um pouco...

- Faz bem, querida... descansa... eu e o Dave estaremos na sala de TV lá em cima, vendo o jogo... vai dormir na nossa suite, assim, se você precisar de alguma coisa, estarei perto...

- Eu vou estar bem, meu amor... quero que você se divirta... e espero que o Wolves ganhe...

- Pena, Princesa... isso não irá acontecer... - David riu.

- Vai sim... - Jack riu. - Pode se preparar para um massacre....

Tranquilos, os três deixaram a mesa de jantar para acompanhar Jack em sua subida até o segundo andar da casa e para surpresa de todos, ele sentou-se nos primeiros degraus e assim, sentando de degrau em degrau foi subindo lentamente até chegar ao topo.

- Muito boa sua ideia, amor... nunca passou pela minha cabeça algo assim...

- Quando eu era criança, nós morávamos em uma casa de dois andares. Eu saí do hospital ainda muito fraco e para evitar que eu me machucasse, caindo da escada, minha mãe me mandava subir e descer assim, sentado... claro que, quando ela não estava por perto, minhas descidas eram bem mais radicais, sentado em um tapetinho do quarto, eu só impulsionava o corpo e descia como em um escorregador... me machuquei algumas vezes, fazendo isso...

Clara acompanhou-os até a sala de TV, fez com que se instalassem, deu ordens ao mordomo sobre o que servir e recolheu-se em seu quarto. Estava cansada e com muito sono, depois de almoçar e aproveitaria para dormir um pouco.

Mas antes de adormecer, ela pensava em tudo o que já tinha vivido naquele dia, na vontade que sentiu de beijar Mick e ficar com ele e em sua luta para que isso não acontecesse. Também pensou no ciúme que Jack tinha demonstrado e na reação que ele teria se soubesse o que realmente tinha acontecido, da presença de Mick no hospital, durante sua cirurgia, nos beijos que tinham trocado.

- Mick, não! - Clara empurrou-o para longe, enquanto ele a agarrava no meio de uma festa, onde todos os seus amigos estavam, olhando  para os dois e reprovando o que faziam...

- Quando você vai fazer o que quer e não o que eles acham que você deve fazer?

- Mas eu não posso trair o Jack...

- Ele não liga... Você liga, Jack?

- Não... claro que não...

- Viu?

- Ele liga sim... acabou de brigar comigo porque achou que tinhamos um caso...

- Eu não ligo... vocês podem transar a vontade... tem um quarto no andar de cima... toma a chave, Mick. Leva ela para lá...

- Não! - Clara sentou-se na cama assustada, com as mãos tremendo e o coração disparado. Foi neste momento em que percebeu que seu celular tocava, fazendo um grande esforço para concentrar-se ela ficou surpresa ao ver o nome de Mick Jagger no meio da tela.

- Alô... - ela disse com um fiapo de voz, esperando pela resposta dele.

- Olá, querida, estava dormindo?

- Um pouco... cheguei cansada de nossa reunião...

- Desculpa te acordar, mas estava precisando ouvir tua voz...

- Ah Mick, por favor... já falamos sobre isso e você tinha concordado comigo, lembra... você me disse que ía me deixar em paz...

- Você estava em paz?

- Não estou disposta a falar sobre isso, para mim é muito difícil... eu e o Jack brigamos assim que eu cheguei porque ele ficou com ciúmes...

- Mas você não pode aceitar isso, você não é propriedade dele...

- Sou sim...

- Não, Clara,  você pode até amá-lo, mas ele não é seu dono...

- Não... mas eu gosto de me sentir dele, me faz bem estar perto, cuidar dele... eu o amo tanto...

- Eu sei, querida... mas você não pode deixá-lo pensar que é seu dono... você sabe o que eu estou dizendo, você precisa deixá-lo consciente de que não é seu dono...

- Ele sabe disso, Mick... mas nosso relacionamento é assim... também morro de ciúmes dele, quando percebo que tem alguma mulher o rondando, fico quase louca...

- Mas você precisa deixar claro para ele que estão juntos, mas ninguém é propriedade de ninguém...

- Mick, eu o amo muito mais do que acho que é certo, que é saudável... e não tenho um controle sobre isso... agora mesmo estou sentindo falta dele e acho que vou até a sala de TV, para pelo menos ficar perto dele.

- Ah, Clara... é mesmo uma pena que seja assim... bem, te liguei porque queria ouvir sua voz, já ouvi... e também para dizer que conversei com a Gianna por telefone e ela quer me ver, vou para lá amanhã cedo...

- Fico feliz por vocês...

- Eu sei que fica... eu te amo... beijos, querida...

- Beijos, Mick...

Clara deu um longo suspiro após desligar o celular e decidiu que era hora de levantar-se, já que sabia que não conseguiria dormir mais. Foi até o banheiro, lavou o rosto, ajeitou os cabelos e vestiu-se novamente antes de ir até a sala de TV saber se o jogo já tinha terminado.

Ainda concentrados nos últimos minutos de um empate de 1 a 1, Jack e David não deram muita atenção a sua chegada e apenas continuaram torcendo, como tinham torcido até aquele momento.

Em silêncio, ela sentou-se em uma poltrona ao lado de Jack e ali ficou, esperando pelo apito do juiz que marcaria o final do jogo, para conversar com o marido.

- Ah... acabou! - sorriu Jack. - Vocês se livraram de boa...

- Vai, Jack... eu vi... o juiz ajudou muito o timinho de vocês, anulou um gol legítimo...

- Legítimo nada... Então, meu amor, dormiu um pouquinho?

- Dormi, querido... - ela sorriu e beijou-o. - Estava com saudades de você...

- É, Velhão... você tem sorte demais... uma mulher linda, talentosa e apaixonada por você assim... cara...

- Eu tenho muita sorte mesmo, Dave... - ele sorriu, pegou a mão de Clara e beijou-a. - Não pense que não sou agradecido por tudo o que eu tenho...

- Falando em coisas que temos, vou buscar minha querida esposa em Heathrow agora e já volto. - David disse levantando-se da poltrona da sala de TV. - Então, Velhão, você vai descer do mesmo jeito que subiu as escadas?

- Vou, Dave... não se preocupe...

- Ok, então vou lá buscar a Cindy... sabe que ela anda um pouco nervosa comigo e eu nem sei por que...  você sabe de alguma coisa, Princesa?

- Não, querido... você quer que eu pergunte a ela?

- Não... já estou até acostumado, a Cindy é assim... de vez em quando ela se irrita com alguma coisa... não entendo, de verdade...

- Sabe qual é o problema? Os homens, às vezes, não dão a atenção que queremos, o Jack é uma exceção, mas também acho que ainda estamos na fase do namoro...

- Que nunca vai acabar... - Jack interrompeu-a.

- Vai sim, amor... com o tempo, a convivência...

- Mas eu te amo para sempre, querida...

- Eu também... mas vamos ser realistas... o convivio diário, por anos, acaba diminuindo essa disposição de estar juntos, é normal que acabe...

- Não acho... eu te amo tanto que não consigo pensar assim, Menininha...

- Acho que vou levar umas flores para ela... será que isso ajuda? - sorriu David.

- Ajuda sim... eu adoro ganhar flores...

David deu um beijo em Clara e foi embora, enquanto ela acompanhava Jack preocupada com sua curiosa forma de descer a escada. Como uma criança, ele escorregava sentado nos degraus, e quando ela pedia que ele fosse mais devagar, ele ria.

- Meu amor... você fica linda assim, toda preocupada...

- Ah querido... você está bem? Eu tenho medo que você se machuque...

- Estou bem, amor... - ele disse abraçando-a e beijando-a. - Eu te amo!

- Eu te amo também... é tão bom que você esteja aqui comigo...

- É bom demais estar com você... Sabe, eu estava pensando... você é muito melhor do que eu sonhava que você era...

- Você também é, meu amor...

- Quando eu te conheci, tinha medo que você me decepcionasse, não fosse aquele homem maravilhoso que eu tinha construído na minha imaginação e mesmo depois de nos casarmos eu ainda ficava aflita com a possibilidade de me machucar descobrindo que estava iludida com um homem que não existia.

- Eu tive medo que você me rejeitasse, como eu te disse, quando nos conhecemos, eu já estava apaixonado por você... já pensou se você chegasse em Nova York e me dissesse: - Esse é o Jonas, meu marido?

- Nossa! Eu lembro daquele dia, você perguntando se eu e ele estávamos juntos... - Clara riu.

- Ah, querida... quando vi vocês juntos, me apavorei... já tinha virado meu próprio mundo de ponta cabeça e não tinha sequer considerado a possibilidade, de você já ter alguém...

- Que bom que eu não tinha... aliás, estava feliz sozinha, saindo com meus amigos e tranquila com isso pela primeira vez, porque antes eu ficava muito deprimida quando não estava namorando com ninguém....

- Você não precisa nunca mais preocupar-se com isso... você é minha... eu sou teu...

- Parece um sonho, querido... estou sempre com medo de acordar e tudo desaparecer...

-  Não precisa ter medo, nunca mais... sempre vou estar aqui...

Clara beijou-o, os dois agora envolvidos por um sentimento que os incendiava, queriam muito mais, mas logo pararam para acalmarem-se. Jack não podia fazer o que os dois queriam e assim, afastaram-se para evitar que ele sentisse novamente dores depois da cirurgia que tinha acontecido apenas um dia antes.

Jack sentou-se no piano e seguindo a partitura que David tinha deixado ali, tocou novamente a música que estavam compondo juntos e que ainda não tinha uma letra, com Clara sentada ao seu lado, apenas ouvindo e percebendo os sentimentos intensos que aquela melodia lenta carregava.

- Acho que não vou conseguir escrever essa letra... pelo menos por enquanto...

- Não se preocupe com isso, meu amor... essa letra vai sair... eu sei que tem uma porção de coisas te perturbando agora. Mas logo estaremos bem de novo...

- Assim espero... estou me sentindo bloqueado... acho que só seu corpo vai poder me curar dessa vez...

- Você me tem, meu amor... inteira...

- Não fala assim, ou acabaremos indo para a cama...

- Não podemos, querido... Vamos nos distrair um pouco, vem, vamos andar um pouco no jardim...

- Está muito frio lá fora, não quero que você fique congelada, Menininha...

- Então vou até a cozinha, ver como está nosso jantar... já volto...

- Está bem...

Clara caminhou até a cozinha, onde checou o andamento do jantar, ainda só conseguia pensar em entregar-se a Jack, mas tentava distrair-se conversando com os empregados e ajudando a organizar o jantar.

- Eu gostei muito daquela sobremesa de morangos que foi servida no almoço.

- Obrigada, senhora Noble, é uma receita de família... - sorriu a velha cozinheira que parecia muito feliz de estar recebendo a atenção da patroa.

- Fiz este molho  a base de mango chutney para acompanhar o salmão.

- Está muito cheiroso isso... Posso provar? Hum, maravilhoso... - Clara sorriu. - Esse jantar será um sucesso.

- O senhor Noble está melhor?

- Vai demorar uns dias, mas ele logo estará bem... podem dizer o que quiserem, mas para mim, uma cirurgia é sempre uma cirurgia... é preciso tempo para recuperar-se.

- Mas os senhores irão mesmo viajar na terça-feira?

- Vamos... eu não queria, mas temos uma porção de compromissos em Nova York... amanhã vou cuidar da bagagem porque vamos sair daqui bem cedo...

- Estou muito orgulhosa de trabalhar aqui, para os senhores... são artistas tão queridos....

- Obrigada senhora Hammer... - Clara sorriu. - Eu fico muito feliz de saber disso... eu e meu marido estamos prestes a começar uma temporada de muitas viagens, mas esperamos voltar para casa sempre que possível...

- O senhor Peters nos disse isso, nós estaremos aqui, esperando pelos senhores, sempre que  retornarem para casa.

- Obrigada senhora Hammer... estou ansiosa para que tudo termine logo... sou basicamente uma pessoa caseira... Até gosto de viajar, mas sinto-me melhor em casa...

- Ah, se a senhora me permite...

- Claro, senhora Hammer....

- Aproveita... viajar, ver o mundo é muito bom... passei alguns anos da minha vida fazendo isso e sei que nada substitui as experiências da estrada, de conhecer pessoas novas, lugares lindos... vale a pena... ficar em casa é para velhinhos... como eu... - ela sorriu.

- Acho que a senhora tem razão... mas é meu momento... desde que eu conheci o Jack não tenho conseguido passar muito tempo no mesmo lugar. Parece que estou sempre fazendo e desfazendo malas... por isso fico ansiosa para passar algum tempo na minha casa...

- Tem razão, senhora Noble... li em uma revista que a senhora casou-se com ele em menos de um mês...

- Na verdade foi um pouco mais que um mês, mas começamos a namorar no mesmo dia em que nos conhecemos...

- Isso... eu particularmente, achei a história de vocês muito bonita. Apaixonaram-se a primeira vista...

- Foi isso mesmo, senhora Hammer... assim que o vi, me apaixonei e ele também... Nos encontramos pela primeira vez em um saguão de hotel em Nova York e nunca mais nos largamos...

- Eu acredito em destino, a senhora acredita?

- Acredito sim... principalmente porque quando nos conhecemos, já parecíamos velhos amigos... aliás, acabo de ter uma ótima ideia para ajudá-lo... vou até a sala de estar contar para ele...

- Sim, senhora Noble... o jantar estará pronto para ser servido assim que a senhora ordenar...

- Obrigada, senhora Hammer... estou muito feliz com o trabalho de todos vocês....

- Obrigada...

Clara caminhou até a sala de estar, onde Jack falava no celular com Michael Silver, que ligava de Paris avisando que chegaria na cidade no dia seguinte, para participar da reunião marcada por Michael Peters.

- Ok, Silver... está tudo certo... estaremos esperando por você... beijos...

- Amor, então... acabei de ter uma ótima ideia que nos ajudará muito a sobreviver às nossas duas semanas de seca...

- Você vai se mudar para a casa do Jagger? - Jack riu.

- Não, amor... sério... nós teremos muito tempo livre e muita energia acumulada nestes próximos dias, certo? Então, vamos terminar o livro... lembra? Ainda sou sua ghost writer...

- É mesmo...  isso vai deixar o Peters muito feliz... mais um produto para lançar junto com a turnê...

- Não só o Peters como meu sócio, o Jonas... são mais 500 mil dólares para a conta da nossa empresa...

- Ótimo, querida... vamos trabalhar, então... tenho muita coisa ainda para te contar, embora minha memória tenha sido bastante prejudicada por muitos abusos químicos... acho que se você me ajudar, faremos nosso primeiro filho nascer...

- Filho?

- Minha autobiografia... amanhã, na reunião com o Peters, vou pedir que ele acerte com a editora para que seu nome também esteja na capa...

- Não precisa e acho que vai vender muito mais se não estiver...

- Precisa sim... você é a razão desse livro existir e não vou aceitar nada diferente disso. Quero dividir com você os 10 milhões de dólares que estão me pagando pelo livro...

- Dez milhões?

- Isso mesmo, amor...  não  quero mais que você seja a ghost writer, quero você como co-autora... o Peters que se vire para ajeitar tudo com o pessoal de Nova York, mas vou transferir cinco milhões para sua conta.

- Não precisa fazer isso, amor... não quero dinheiro...

- Mas eu o darei a você assim mesmo... - Jack sorriu. - Além disso, acho que será bom para sua carreira de escritora... seu nome em um best seller. Você chegou a ver as projeções de vendas?

- Eu vi sim, meu amor e fiquei feliz por nós dois... mesmo recebendo só um milhão de dólares... vai ser um sucesso... e você tem razão, é o nosso primeiro filho... - ela sorriu, acariciando os cabelos de Jack. - Vou buscar meu gravador...

- Agora não, Menininha... depois do jantar, quando o Dave e a Cindy forem embora... vamos para o nosso quarto e conversamos, já que não podemos fazer muito mais do que isso...

- Perfeito! - Clara sorriu e beijou-o. Um beijo longo, apaixonado, que deixou Jack excitado e o fez gemer de dor.

- Desculpa, querida... mas temos que parar... está doendo de novo.

- Vou buscar sua bolsa de gelo....

- Vou me deitar, logo passa...

- Desculpa, meu amor... eu não devia...

- Ah, querida... não é sua culpa... vamos conseguir... tenho certeza...

- Assim espero, meu amor...

Clara pegou a bolsa de gelo, encheu-a na cozinha e levou-a até ele... sentando-se no sofá e apoiando a cabeça dele em seu colo, ela o ajudou e a dor passou mais uma vez. 

- Você é um anjo, Menininha... Eu te amo tanto...

- Me perdoa por ter te causado dor novamente... eu preciso me controlar... eu vou me controlar...

- Não precisa... eu te amo e não vou abrir mão de tê-la nos meus braços e te beijar, simplesmente porque às vezes, isso dói... fica tranquila que vou melhorar com o passar dos dias... Falando em passar dos dias, amanhã vou para a City, tem uma reunião com o Peters, no escritório dele...

- Quer que eu vá junto?

- Não, amor... depois da reunião, ele vai dar uma festinha para a banda e... bem... você sabe...

- Festinha? Você não vai,vai?

- Isso é complicado... é uma coisa que a banda sempre fez antes das turnês e você sabe que eu preciso estar lá com os caras...

- Mas eles vão beber e transar com prostitutas e você não pode fazer nem uma coisa, nem outra... por que você tem que ir?

- É que se eu não for... os caras vão ficar sentidos... é mais do que uma simples festinha, é uma espécie de ritual que cumprimos sempre que vamos para a estrada...

- Entendo tudo isso, meu amor... eu não teria nada contra se não fosse a sua condição... você foi operado ontem, não pode beber alcool pois está tomando remédios e sentiu dor apenas porque te beijei... não faz sentido... entendeu...

- Eu sei de tudo isso... mas vou assim mesmo...

- Não coloca sua saúde em risco, por favor...

- Não colocarei... mas você tem certeza de que não está com ciúmes?

- Não sei... acho que estou é muito preocupada com você... eu entendo a necessidade masculina  de fazer esse tipo de coisa, mas eu tenho ciúmes de outro tipo de situação, de vê-lo demostrando carinho, amor por outra mulher... isso é só sexo...

- Você é uma mulher diferente, Clara... a Mary tinha muitos ciúmes dessas festinhas... eu tomava o maior cuidado para ela nem saber, porque quando ela descobria, tinha escândalo...

- Não consigo sentir ciúmes... na minha cabeça, sexo é uma coisa, amor é outra... se você me dissesse que ía na casa da Linda Monsoon ou da Ann Kurtiss, eu ficaria enlouquecida... porque sei o que você sentia por elas... mas prostitutas... desculpa amor... acho que vou te decepcionar...

- E a minha filha, que você achou que era uma groupie, aquela vez em Manchester? Você ficou com ciúmes...

- Mas ainda estávamos nos conhecendo... eu achei que você estava dando atenção demais para alguém que era só uma groupie... daí, os ciúmes...

- Está bem, Menininha... eu entendi...  - Jack sorriu.  - E se é assim, eu te amo ainda mais... só não sei se conseguiria deixar de ter ciúmes de você, em qualquer situação...

- Eu sei, meu amor...

- Você me perdoa por eu ter tantos ciúmes de você? Eu juro que quero te deixar livre, mas é tão difícil para mim...

- Ah, meu amor... eu perdoo sim... só quero que você entenda que eu sou sua...

- Desculpe, senhor e senhora Noble, o senhor Mersey está ligando do portão...

- Abra o portão para ele, Bradley... Nossos convidados chegaram, querido... - ela estendeu a mão para ajudar Jack a levantar-se do sofá e caminhou ao lado dele e do mordomo, até a porta.  - Bradley, como está o jantar?

- Está tudo pronto senhora,  serviremos antes um coquetel aqui, na sala de estar...

- Obrigada, Bradley... - Clara sorriu.

David e Cindy desceram do carro, ela carregando um lindo buquet de rosas vermelhas nas mãos.

- Cindy querida... - Clara abraçou a amiga, feliz por sua chegada.

- Oi querida! Olha as flores que o David me deu, lá no aeroporto.

- Lindas, querida! Você merece! Boa noite, David... - Clara disse beijando-o no rosto.

- Boa noite, Princesa...

- Então vamos entrar porque estou congelando... - Jack disse abraçando o amigo.

Bradley levou os casacos e providenciou um vaso para acomodar as rosas de Cindy.

- Então, como foi o dia de vocês por aqui? - Cindy perguntou assim que sentou-se na sala de estar.

- Foi ótimo... estamos trabalhando em mais uma música para a Princesa... - David sorriu.

- Ah que bom....

- A música é linda.... - sorriu Clara. - mas ainda precisa de uma letra...

- Estou sem muita inspiração, mas eu sei que essa letra vai sair...

- Ah Velhão... na sua situação eu também me sentiria assim... mas não tem pressa... logo as coisas melhoram e você vai fazer mais uma das suas letras de homem apaixonado...

- Bradley, sirva os drinks para os nossos convidados....

- Sim, senhora Noble...

- Então, amanhã tem reunião, não é Velhão?

- O Peters vai entregar o roteiro completo da viagem para Nova York e vamos também ver como estão todos os preparativos da turnê... vamos até o aeroporto para inspecionar o avião...

- É Velhão... amanhã é o dia de ver se o velho Peters fez tudo direitinho...

- Pode se preparar porque temos muito a discutir com ele amanhã... também vou ver se ele melhora o contrato da Clara... quero ver o nome dela na capa da minha autobiografia...

- Não precisa, querido... acho que vai vender mais se todos pensarem que você escreveu sozinho...

- Precisa sim... aliás, amanhã vou transferir os 5 milhões do contrato para a sua conta.... o Peters que se ajeite com o pessoal de Nova York...

- Amor... já te disse que não precisa... eu não quero seu dinheiro... guarda ele para o nosso filho...

- A Clara quer aproveitar nosso período de seca para trabalhar no livro...

- Isso é bom... - sorriu Cindy. - assim será um compromisso a menos para depois...

- A turnê não vai ser fácil, Velhão... o Peters já confirmou uma porção de shows e pelo que ele me disse ontem, vamos passar 2012 inteiro na estrada.

- Ele falou alguma coisa das Olimpíadas? - Clara perguntou.

- Ainda não tem nada certo, mas parece que os Stones devem fazer o show...

- Melhor! - Jack sorriu. - Não gosto desses shows enormes...

- Hum... mas estes petit fours são maravilhosos, Clara... - Cindy disse sorrindo. - Que delícia!

- Nossa cozinheira é ótima, Cindy... Acho que o Peters acertou  muito na contratação de toda a equipe! Todos os empregados são os melhores...

- O Peters é um cara muito competente, Menininha... não dá para esperar menos quando ele está envolvido...

- Já percebi... - Clara sorriu. - E estou muito feliz de fazer parte disso tudo... foi tão lindo subir no palco, me senti tão bem!

- Eu sabia que você se sentiria bem, Menininha... você é uma estrela...

- Falando em estrelas, como foi sua reunião com o Mick hoje? - Cindy perguntou.

- Foi ótimo...  o Sommers incluiu umas cenas apavorantes no roteiro, o Mick está eufórico...

- Porque será que toda a vez que você diz que o Mick está feliz com alguma coisa, eu sinto um nó aqui no meu estômago? - Jack disse com um sorriso provocante nos lábios, levando Clara a dar uma risada nervosa.

- Gracinha... você é bem engraçado, sabia? - Clara riu tentando disfarçar sua preocupação.

- Eu sou... sempre fui... - Jack sorriu. - Ah, amor, vai ficar bravinha comigo agora? Desculpa...

- O Mick não me preocupa, amor... gostaria que você também não se preocupasse com ele... Você é meu marido, não ele...

- Então Clara você viu o que escreveram sobre o show da Roundhouse na Rolling Stone? - Cindy veio rápida no auxílio da amiga para tentar mudar de assunto.

- Não... não tenho visto muita coisa na internet nesses últimos dias. - ela respondeu ainda de olho em Jack, preocupada com a chegada de outra possível crise de ciúmes. - A crítica é boa?

- Boa não, amiga, ótima... - ela sorriu e puxou o ipad de sua bolsa para mostrar à Clara. - Eu vi no avião, olha só as fotos que eles publicaram...

Clara sentou-se ao lado da amiga e passou a ver a galeria de fotos e depois leu a matéria sobre a festa de lançamento do novo disco, onde elogiavam muito o novo disco, o pocket show que aconteceu na festa e a beleza e o talento de Clara.

- Nossa! Não esperava isso.... - ela sorriu. - Olha, amor...

- Eu esperava... - Jack sorriu. - Você é uma estrela...

- É, Velhão... a Princesa é mesmo um arraso... cantou muito na festa e vai ser sempre o melhor momento desse novo show...

- Ah... obrigada, David... vocês são muito bons comigo...

O mordomo interrompeu a conversa, avisando que o jantar estava sendo servido. Na mesa, o clima entre os quatro amigos era de euforia, piadas e muitos  planos sobre os próximos passos da banda e o que fariam nos intervalos da agenda que começaria a ser cumprida, dali a dois dias, com uma viagem promocional para Nova York.

- Estamos muito felizes hoje... - sorriu Jack. - É uma pena não podermos comemorar do nosso jeito, não amor?

- É mesmo... uma pena mas não quero vê-lo sentindo dor...

- Você está sentindo dor, Velhão?

- Agora não... mas sempre que as coisas começam a esquentar, eu sinto uma dor horrível e minha mulher precisa me trazer uma bolsa de gelo para melhorar...

- Ih cara! Que chato isso... Deve ser por isso que o médico te pediu para não transar por 15 dias... é Velhão, não força não... Já pensou se arrebenta algum ponto lá dentro?

- Não quero nem pensar... enquanto não estiver completamente recuperado, vou ficar bem quietinho, no meu canto... ando com medo de beijar minha mulher...

- Até pensei em passar uns dias longe do Jack...

- Mas isso não vai acontecer... - Jack disse pegando a mão de Clara e beijando-a novamente. - Preciso de você sempre por perto...

Logo depois de uma ótima refeição, Clara e Cindy subiram para o escritório para ver mais matérias sobre a festa de lançamento, enquanto Jack e David sentavam-se ao piano para trabalhar mais um pouco na nova música.

- Então?  - Cindy disse assim que passaram pela porta do escritório.

- Não aconteceu nada... nos beijamos de novo, mas não passou disso...

- De novo? - Cindy suspirou. - Ufa... estou um pouco aliviada... Tinha certeza que de hoje não passava...

- Foi difícil, mas consegui controlar a situação...  acho até que o convenci de que somos amigos e tudo o mais, mesmo assim estou voltando a ter medo de ficar sozinha com ele. E não por causa dele...

- Você está apaixonada pelo Mick?

- Acho que não... não sei... sinto algo diferente do que senti quando conheci o Jack. Ali, eu sabia que as coisas estavam indo rápido demais, mas não tive forças para me controlar e acabei me jogando de cabeça. Sinto muita atração pelo Mick, adoro estar junto e estive muito perto de perder o controle, mas não perdi. Senti que estava tudo errado... e mesmo completamente bebada, tive medo de me entregar, não me pareceu certo...

- Você que sabe, amiga... eu só acho que quanto mais vocês adiarem, mais isso vai crescer dentro de vocês e mais difícil vai ser evitar um desastre depois...

- Eu sei... o Mick me disse que o que eu estou fazendo não tem nada de heroico ou nobre, mas no fundo, eu sinto que estou protegendo nós três desse desastre.

- Vocês foram até o apartamento dele?

- Fomos, mas antes disso, quase transamos dentro do carro, no caminho para o aeroporto...

- Eu não sei se teria tanto sangue frio assim, querida...  então vocês desistiram?

- Decidimos que seremos amigos. Ele me disse que vai para Nova York encontrar a Gianna e eu o apoiei completamente nessa ideia, acho que será bom para nós dois... aliás... nós quatro...

- Espero que sim, querida... acho que todos vocês precisam de um pouco de paz. Principalmente o Jack, ele está me parecendo tão frágil depois da cirurgia...

- Você também percebeu? Estou morrendo de pena dele ter que passar por tudo isso. É claro que quero ter filhos, mas detesto vê-lo fazendo tantos sacrifícios para que isso aconteça...

- Ah, querida... sinceramente, acho que vocês se casaram rápido demais. Ainda estão se conhecendo e ele já corre para fazer essa cirurgia... eu esperaria ainda uns três ou quatro anos para começar a pensar em filhos...

- Tem razão, Cindy... eu sei que tudo que envolve esse meu relacionamento com o Jack parece precipitado, mas desde que nos conhecemos, nos sentimos assim, com pressa de viver tudo o que pudermos viver. Além disso, ele está envelhecendo... acho que não podemos esperar...

- Tem razão, querida... acho que o destino foi cruel demais com vocês dois... encontrar o grande amor de sua vida, mas ter tanta diferença de idade, como vocês têm... 

- Nem me fale... não tem um dia em que eu não acordo desejando ter uma máquina do tempo para estar ao lado dele principalmente quando a banda terminou... ainda hoje ele se sente tão culpado... queria poder evitar tanto sofrimento...

- É... amiga... você o ama muito mesmo... não tem mais jeito... - Cindy sorriu. - Apesar de tudo, acho lindo ver vocês juntos... não deixa essa coisa do Mick estragar tudo...

- Não vou deixar... nunca... se eu não amasse tanto o Jack como amo, acho que já teria um caso com o Mick há algum tempo...

- Eu sei...

- O Jack vai amanhã na "festinha" dos rapazes?

- Vai... ele me disse que mesmo sem poder fazer absolutamente nada por lá, ele vai pelo ritual e para não ouvir um monte mais tarde dos rapazes... Não sei se eu cheguei a te contar na época, mas na véspera do nosso casamento, lembra? Os rapazes levaram o Jack para uma dessas festinhas...

- Sei... me lembro disso...

- Então... ele levou duas garotas para o quarto e pagou-as para fingir que as tinha pegado... foi isso que ele me disse pelo menos, quando voltei da minha despedida de solteiro...

- Mesmo? Puxa, ele é mesmo um homem apaixonado... será que é isso que ele pretende fazer amanhã?

-  Foi o que ele me disse e eu confio nele... só espero que ele não beba... estou preocupada com a saúde dele...

- Acho que esta vai ser sua maior dificuldade... impedir que ele beba... você sabe que ele, aliás, eles todos, bebem muito...

- Sei sim... hoje está sendo uma exceção, porque temos convidados, mas quando estou sozinha com ele, estamos bebendo somente suco... quero ver se aproveito essa fase em que ele está tomando remédios, para diminuir o consumo de álcool por aqui.

- Isso é bem difícil de fazer, querida... mas eu torço para que você consiga...

- Vamos descer? Estou curiosa para saber o que os rapazes estão fazendo lá em baixo...

- Vamos, querida... Aliás, você vai fazer alguma coisa amanhã?

- Além de arrumar as malas para ir para Nova York... nada...

- Então vamos almoçar no francês... Vou ligar para a Jen quando chegar em casa... acho que ela já voltou de Paris, mas não tenho muita certeza, não consegui ligar para ela o dia todo...

- Ah, vamos sim, querida... não quero ficar em casa, porque vou ficar nervosa, imaginando o que meu marido pode estar fazendo... acho que será mesmo melhor sairmos para almoçar...

As duas mulheres desceram para a sala de estar e encontraram Jack sentado no piano, mostrando a David uma nova música, que tinha acabado de criar, era uma balada lenta e romântica em que ambos trabalhariam juntos e David a gravava em um pequeno gravador digital que tinha tirado do bolso, enquanto anotava as notas em uma folha que Jack tinha lhe fornecido.

- Acho que tem alguma coisa aqui, mas acho que preciso de uma guitarra para entender isso direito... Princesa... vem aqui ajudar a gente...

Clara sorriu e caminhou até o banquinho do piano, sentando-se ao lado de Jack e beijando-o no rosto. - Que lindo, amor... o que vocês querem que eu faça?

- Você pode pegar minha guitarra acústica, no estúdio, lá em cima?

- Deixa que eu pego, Jack... - David interrompeu.

- Eu vou buscar, David... o estúdio ainda não está completo, está tudo bagunçado lá em cima, você não encontraria... Já volto...

Clara subiu as escadas e entrou no estúdio que ainda estava bem longe de receber o acabamento necessário para ser utilizado. Alguns cases com instrumentos estavam empilhados ao lado de inúmeras caixas de papelão que continham a enorme coleção de discos de vinil de Jack, que ficariam acomodados no que seria  uma ante-sala, na verdade, dois quartos, transformados em uma confortável sala de gravação, que agora ficaria colada a uma bela sala de música, onde ele poderia ouvir seus discos e tudo muito bem planejado e isolado acusticamente. Ela apenas entrou na sala, pegou a case onde estava a guitarra acústica e desceu rapidamente. Sabia que a inspiração não passava muitas vezes de um lampejo fugidio, que precisava ser agarrada rapidamente antes de perder-se para sempre.

Com a guitarra nas mãos, David pode dar sua contribuição naquela pequena melodia que tinha repentinamente ocorrido a Jack e pode desenvolvê-la. Enquanto os dois trabalhavam, Clara foi até a cozinha com Cindy, mandou os seus empregados irem dormir  e preparou café e capuccino em sua máquina de expresso, servindo a bebida em xícaras charmosas, junto com bombons de chocolate.

- Hum, isso é bom, Menininha... é daquela loja do lado da floricultura não?

- É... comprei ontem, junto com as flores...

- Delícia, Princesa... - David sorriu. - Obrigado... Velhão, vamos começar de novo?

Os dois ficaram trabalhando na música, enquanto Clara e Cindy apenas assistiam. Para Clara ainda era fascinante perceber como os dois ou três acordes da ideia original iam lentamente tornando-se em uma melodia e esta, numa música completa, que receberia uma letra, naquela noite mesmo, se eles tivessem sorte de encontrar as palavras que se escondiam em algum lugar daquela canção.

No caso daquela música, seriam as palavras doces e românticas de mais uma linda declaração de amor. - Ah, meu amor... eu não consigo escrever... acho que estou com um bloqueio daqueles...

- Calma, Jack... a letra virá... fica tranquilo que tenho certeza disso...

- Estou preocupado... parece que estou novamente com aquele bloqueio que tive antes de reformar a banda...

- Calma, Velhão... logo tudo volta ao normal, você vai ver...

Continua