30 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LXII


"A vida do lado de fora da casa de meu pai seria muito mais dura do que eu imaginava. Mas enfrentava tudo com a cabeça erguida.

Don me ajudou, sem que seus pais soubessem, me deu uma cópia da chave da garagem de sua casa, que era usada como um depósito e depois de dormir ao relento por alguns dias, passei a ter um teto, que dividia com pilhas de jornais, garrafas e muitas outras coisas velhas e empoeiradas.

Além do teto, Don também me alimentava. Enquanto de dia, corria atrás de um emprego que me desse alguma forma de sustento, à noite, contava com a ajuda de meu amigo que me trazia biscoitos, leite e comida de sua mesa.

Quando os pais dele finalmente me descobriram, depois de algumas semanas, disseram que imaginavam que o filho tinha adotado algum cãozinho secretamente e o repreenderam por me manter naquela garagem gelada.
Passei a dividir o quarto com Donovan e finalmente voltava a ter uma cama quentinha para voltar todas as noites e um bom jantar depois de passar meus dias trabalhando como ajudante de cozinha em um pub, entregador de jornais, balconista de diversos tipos de comércio, pedreiro, pintor. Muitas atividades, mas para mim, tinha apenas uma profissão e sempre que me perguntavam qual ela era, respondia com todo orgulho: sou um bluesman!"

Clara releu o que tinha acabado de escrever, deu um longo suspiro e foi até a cozinha beber um copo de água.

Estava sem sono, com saudades de Jack e aproveitando um lampejo de inspiração, resolveu retomar a história dos anos que antecederam o início da Crossroads.

Já era madrugada e não tinha ninguém, além dela, acordado no apartamento. E mais uma vez ela conseguia ver as cenas que descrevia como se tivessem acontecido com ela.

Clara pegou o copo d'água e caminhou de volta ao quarto decidida a ligar para Jack, sentia muitas saudades e precisava ouvir a voz dele, mesmo que interrompesse seu trabalho.

Mas apenas pegou seu celular nas mãos e ele começou a tocar. Sorriu, suspirou e deitou-se na cama, sobre as cobertas.

- Amor... acabei de pegar o telefone para te ligar e ele começou a tocar...

- Menininha, não consigo dormir... o dia já está amanhecendo e sinto tanto sua falta que chega a doer...

- Eu também não... queria falar com você, mas não queria interromper seu trabalho... senti tanto sua falta que retomei o livro, comecei a escrever o quarto capítulo, precisava estar com você de algum jeito, meu amor.

- Que bom, querida. Ao menos esta maldita distância entre nós está servindo para alguma coisa construtiva além de doer tanto aqui dentro do meu peito...

- Estava escrevendo algumas páginas falando sobre a época em que o Don te abrigou na casa dele. É incrível como eu consigo te ver lá, dormindo naquela garagem cheia de coisas velhas...

- Somos a mesma pessoa, meu amor...

- Acho que somos mesmo, querido. Queria tanto que você estivesse aqui, comigo...

- Mas eu estou! E você está aqui, comigo, nos meus braços. Estou sentindo seu perfume neste momento. Me desculpa, mas roubei algumas peças de roupa da sua mala porque preciso ao menos sentir seu cheiro perto de mim...

- Eu fiz a mesma coisa, amor... - riu Clara. - Estou agora vestindo aquela camiseta cinza que você usa para dormir.

- Te desejo tanto, querida. Queria muito estar dentro de você agora.

- Eu também te desejo, meu amor...

A conversa dos dois passou das palavras doces para os gemidos e depois deles, ambos estavam finalmente relaxados e dormiram quando o dia já tinha amanhecido. Um mar os separava, mas sentiam-se muito próximos um do outro.

Clara sentia-se leve, atravessando veloz o ar gelado da noite, a caminho de sua montanha. A paisagem lá embaixo ficando mais e mais familiar a medida em que se aproximava.

O seu Berthold a esperava na cabana onde viviam e a neve já tingia tudo de branco no topo da montanha. Os dois, aquecidos por seu pequeno forno, celebravam mais uma vez a vida, em sua pequena cama de palha, em uma noite mágica, Ceridwen via novamente o rosto sorridente da Deusa, enchendo o mundo de luz.

A manhã seguinte, demorou a começar para Clara. Ela acordou emocionada com as coisas que tinha visto em seu sonho e preferiu ficar mais um pouco na cama. Queria falar com Jack, estar com ele, mas não ligaria, não queria correr o risco de acordá-lo.

Cansada de brigar com seu desejo de ouvir a voz de Jack, Clara levantou-se, vestiu suas roupas de Yoga, pegou seu Ipod e subiu para o jardim de Jennifer para meditar.

Tentava encontrar razões para não deixar tudo para trás e pegar o próximo voo de volta para Londres. Depois da meditação, ela desceu, tomou um banho e foi tomar café-da-manhã com as amigas, que também já tinham levantado.

- Bom dia, queridas! - disse Clara. - Então, vamos ao joalheiro hoje?

- Sim, vamos! - sorriu Jennifer. - O Jakob é um grande artista, você verá as jóias lindas que ele fará para você.

- Ainda quero dar um presente para o Jack, além do anel....

- Vocês conversaram ontem à noite? - perguntou Cindy.

- Conversamos... Eu não estava conseguindo dormir e ele me ligou. Conversamos por algumas horas e só depois disso, peguei no sono...

- Nada como um bom sexo por telefone para relaxar, não amiga? - riu Jennifer.

Clara apenas sorriu sem graça. - Sonhei depois a noite toda com ele e a nossa montanha, era inverno e nos esquentávamos na nossa caminha forrada de palha...

- Caminha forrada de palha? - perguntou Patty intrigada.

- Patty, não sei se você acredita em reencarnação, mas a minha amiga aqui fez uma regressão e se viu em uma outra vida, junto com o Jack. - disse Cindy. - Eles moravam no topo da mesma montanha em que fica a casa de campo deles agora.

- Sério? Então é por isso que tudo foi tão repentino entre vocês... Por isso que foi amor a primeira vista. Então vocês já se conheciam?

- Já! - sorriu Clara. - Mas naquela vida não conseguimos ficar juntos por muito tempo e acho que por isso estamos juntos novamente.

- Nossa! E vocês sonham com essa vida anterior?

- Sonhamos! Eu e o Jack sempre nos vemos juntos, numa casinha construída por nós mesmos, no topo da montanha.

- Que lindo! - sorriu Patty. - A história de vocês daria um filme...

- Por que você não escreve um livro, Clara? - perguntou Jennifer.

- Talvez eu escreva. - sorriu Clara. - Mas ainda é muito cedo para isso. Ainda dói muito ver tudo o que aconteceu conosco...

Aquela seria mais uma manhã dedicada às compras. Clara entregou os desenhos e o cristal a Jakob e ele comprometeu-se a entregar as jóias na próxima semana. Clara então disse que passaria em seu atelier pessoalmente, depois que voltasse do Brasil.

De lá, foram até a sofisticada loja de Nicoló e compraram sapatos e botas para o casamento e para o inverno que se aproximava. Lá, Clara encontrou também o presente para dar a Jack, uma jaqueta de couro.

O almoço das quatro amigas foi em Montmartre, no restaurante favorito de Clara e no meio da tarde, elas voltavam para casa.

Para ao menos sentir que logo estaria com Jack, Clara foi direto para seu quarto com as sacolas e arrumou suas malas. Tarefa que interrompeu apenas para atender a seu celular.

- Amor, que bom ouvir sua voz. - suspirou. - Como você acordou hoje?

- Sentindo muito sua falta! E você?

- Sonhei com nós dois juntos, na nossa caminha de palha, na montanha...

- Hum... - suspirou Jack. - Estou te ligando para te avisar sobre uma coisa que aconteceu hoje.

- O que aconteceu amor?

- A Ann Kurtiss ligou para o Dave e fomos almoçar juntos no Chez Montagne. Tinha um montão de fotógrafos lá e nos fotografaram juntos. Estou te contando porque não quero que você fique nervosa a toa...

- Não vou ficar, querido... mas é só eu sair da cidade e essa mulherzinha vai para cima do meu marido de novo...

- Bem que ela tentou, mas como não conseguiu o que queria... por favor, não conta nada para a Jenni, mas ela se jogou em cima do Mike e, neste momento, os dois estão juntos, no Ritz.

- O que? Ai querido, sério?

- Seríssimo... Mas por favor não diga nada para ninguém... o Mike confia em mim... você sabe...

- Estou com pena da minha amiga, mas não contarei... por que os homens são assim eu nunca vou entender... Será que não dá para respeitar a pessoa que vive com ele há tanto tempo?

- Não sei querida... mas você sabe que na minha cabeça, estas coisas mudaram completamente... quando eu traia a Mary, sempre me pareceu uma coisa natural. Era a estrada, todas as mulheres do mundo me queriam, não tinha tempo a perder; mas agora, acho que me sentiria o pior dos canalhas se fizesse alguma coisa assim... não conseguiria ficar com ninguém que não fosse você.

- Que lindo, amor. Eu sinto a mesma coisa. Tenho certeza de que não consigo ficar com nenhum outro homem, estou triste, carente e querendo tanto que amanhã chegue logo que minhas malas já estão até prontas para embarcar.

- Vocês farão o que hoje? - perguntou Jack.

- A Jenni vai dar um jantar aqui, convidou o Mick e a Gianna e amanhã cedo vamos todos para o aeroporto pegar o avião para casa. - disse Clara chorando.

- Queria tanto poder fugir daqui e correr até aí para te buscar...

- Você não pode, amor... tem o seu trabalho...

- Mas não estou trabalhando, o Mike não está aqui, o Keith e o Ron foram para Londres. Estou aqui sozinho com o David e como ele não larga da guitarra, naquele estúdio, estou completamente sozinho nessa droga dessa casa, em que tudo me lembra você.

- Ai, meu amor... quer saber... acho que não tenho mais nada para fazer aqui. Deixa eu olhar no meu notebook qual o próximo voo para Londres... Amor, o próximo voo é às 6 da tarde... pronto, comprei um bilhete e meu assento é 2A... Estou voltando para casa...

- Mesmo, amor? Vou te buscar no aeroporto... Ah, meu amor... - disse Jack chorando. - Não mereço isso... você é tão boa para mim...

- Não sou, querido... você é a razão da minha vida desde que nos conhecemos, quero estar com você, agora... não consigo mais ficar longe e vou fazer o que meu coração está mandando, correr para você.

- Não sei nem o que te dizer, Menininha... eu te amo tanto que me faltam palavras. Vou lá embaixo avisar o Dave que você está vindo... Me liga quando chegar no aeroporto. A que horas o seu voo chega aqui?

- Às 6:55. Vou avisar minhas amigas que estou indo para o aeroporto. Ah! Vou deixar minhas jóias com elas, odeio essa chatice de ser revistada no aeroporto como se eu fosse alguma terrorista perigosa, pronta para incendiar o mundo...

- Quer que eu alugue um avião particular para você? - perguntou Jack.

- Não querido... já comprei a passagem, vou ficar bem, só quero minimizar as chances de implicarem comigo, vou deixar também meus cremes, perfumes e xampus com minhas amigas. Elas trazem para mim amanhã, no avião do Mick. Bom, querido, vou desligar... vou avisá-las agora que estou indo, pedir um taxi e quando chegar na sala de embarque, te ligo de novo... Estou muito feliz e contando os segundos para poder te mimar novamente... beijo, te amo.

- Beijos querida... te amo.

Clara arrumou suas jóias, cremes, perfumes e xampus na mesma bolsa e levou-a com ela até a sala de estar, onde suas amigas se reuniam com seus iPads em mãos.

- Queridas, me desculpem, mas tenho uma coisa muito importante para contar a vocês, acabei de conversar com o Jack e decidi que quero vê-lo ainda hoje, por isso, estou a caminho do aeroporto...

- Clara... acho melhor você vir até aqui, ver isso, primeiro... - disse Jennifer. - Foram tiradas hoje, na porta do Chez Montagne...

Clara pegou o iPad e não conseguiu acreditar em seus olhos, mas a foto que ilustrava a matéria de um site de fofocas era de Jack beijando Ann Kurtiss na boca...

- Não estou entendendo... o que essa biscate está fazendo em cima do meu marido? - disse Clara devolvendo o aparelho para Jennifer. - O que é isso?

- Não sabemos também, querida. - disse Cindy. - Desculpe. Estávamos dando uma olhada no Facebook quando alguém postou esse link no meu mural.

Jack havia lhe dito alguma coisa sobre fotos publicadas, no telefone, mas ela não esperava por aquilo. Seu marido beijando novamente uma ex-namorada que, segundo ele, era louca e estava naquele exato momento com Michael Silver, no Ritz.

- Bom, já comprei minha passagem... vou pegar um taxi até o aeroporto, vou pedir explicações do Jack sobre isso e... quem eu estou enganando? Vou para casa porque estou morrendo de saudades dele... - suspirou Clara.

- Querida, não deve ser nada... - disse Patty. - Você sabe como são esses fotógrafos...

- Eu sei... e sei também como é a tal da Ann. Não perde uma oportunidade de tentar agarrar meu marido em público. Deve achar que vai passar para a história como a amante que roubou o noivo do casamento do ano, ou alguma estupidez do gênero.

- Pode ser isso mesmo, Clara. - disse Cindy. - O Jack não faria isso gratuitamente... Sabe que você é ciumenta.

- Tem razão, ele não faria mesmo... Estou triste... mas vou para casa assim mesmo. Coloquei nesta bolsa minhas jóias, cremes e todas aquelas coisas com que implicam no embarque, no aeroporto. Por favor leva para mim...

- Claro, querida. Você vai de voo comercial, pobrezinha. - disse Jennifer. - Toda aquela chatice...

- Eu vou ficar bem... não gosto, mas todas as coisas com que eles poderiam implicar estão aqui. Até meus remédios da asma. Tomo este comprimido uma vez por dia, à noite. Então posso tomar um antes de sair e só tomar o próximo, amanhã, quando estivermos todas juntas novamente.

- Claro, querida. Vou levar a bolsa comigo. Aliás, deixarei esta bolsa no meu cofre até amanhã. Suas jóias são tão lindas, não podemos arriscá-las. - disse Jennifer.

- Obrigada, querida. Vou pedir meu taxi...

- Taxi? Não, querida! Meninas, vamos levar a Clara ao aeroporto, não vamos? - disse Jennifer. - Vamos lá pegar nossas bolsas, Clara traz suas malas, vamos embora?

- Obrigada Jenni! - sorriu Clara e voltou para seu quarto para pegar as malas e dar uma última olhada para ver se não tinha esquecido nada.

O caminho até o aeroporto foi lento, no trânsito de final de tarde, mas as quatro amigas enfrentaram tudo com muito bom humor. Clara estava ansiosa por chegar e repetia para si mesma as razões para não contar nada do que Jack havia lhe dito sobre Michael Silver e Ann Kurtiss.

- Não consigo deixar de pensar na foto do Jack beijando aquela biscate. - suspirou Clara. - Sabe que ele até já me disse que, com exceção da Mary, todas as ex dele tinham virado inimigas...

- Ai querida... converse com ele... talvez ela o tenha agarrado quando viu os fotógrafos... - disse Cindy. - Ele gosta tanto de você. O David me disse ontem no telefone que o Jack chorou o voo inteiro para Londres ontem e que demorou horas até eles poderem começar a trabalhar no estúdio por isso.

- Tadinho... - disse Clara, as lágrimas escorrendo de seus olhos. - Olha só o que ele faz comigo...

- Vocês são lindos... - disse Patty. - Vai lá agarrar aquele homem, querida!

- Obrigada queridas... - disse Clara - Até amanhã... Mando uma mensagem quando chegar em casa...

Clara despediu-se e seguiu para a sala de embarque através de um longo corredor, seus sentimentos eram contraditórios, sentia culpa por não ter contado o que sabia à Jennifer uma de suas melhores amigas naquela fase de sua vida, mas ao mesmo tempo experimentava um certo alívio por ter conseguido chegar à sala de embarque sem revelar aquele segredo que, afinal de contas, não era dela, era de Jack e comprometeria seu marido diante de um amigo.

- Amor, já estou na sala de embarque.

- Querida! Que bom, já estou me preparando para sair de casa, sabe como o caminho até o aeroporto é chato nesse horário. Vou descer e falar com o David.

- Antes disso, amor. Por que mesmo você tinha que beijar a Ann Kurtiss na boca, na porta do restaurante?

- Ah! Aquilo... foi ela quem me agarrou, amor... Assim que viu os fotógrafos, ela pulou em mim e me beijou. Não a empurrei para não piorar a situação. Você sabe que ela é louca...

- Sei... Mas fiquei chateada com aquela foto...

- Não fica não... Vou compensar aquilo te mimando hoje a noite toda, no nosso hotel...

- Hotel? Acho melhor irmos para Heathcliff Hall. Você precisa trabalhar. Já estou me sentindo culpada por não contar para Jenni sobre o Michael e aquela biscate, não quero me sentir culpada por te tirar do estúdio também.

- Você que sabe, meu amor. Eu pedi para o Michael Peters mudar a Ann do nosso quarto e ele está reservado para nós. Mas se você prefere vir para cá, tudo bem. Você quem manda, querida.

- Ah meu amor, queria poder adiantar o tempo e chegar aí em um piscar de olhos... - suspirou. - Acho que estão chamando meu voo. Vou embarcar, querido, até daqui a pouco.

- Até daqui a pouco, querida. Vou lá embaixo avisar o David e já saio. Boa viagem, amor...

- Obrigada, querido... beijos, até daqui a pouco.

Ajudado por um bom vento de cauda, o voo chegou rapidamente em Heathrow. Clara pegou sua bagagem na esteira e seguiu com os outros passageiros até o portão de desembarque, onde logo viu Jack, no saguão, com um bouquet de rosas cor de lavanda nas mãos.

- Ai Amor! Que saudades... - disse, abraçando-o e beijando-o.

- Trouxe estas flores para você, querida. - sorriu Jack, enquanto câmeras de repórteres acompanhavam cada movimento dos dois.

- Clara, fala com a gente... - uma das repórteres pediu. - Sou do Mirror... por favor...

- Desculpem, mas não tenho intenção de falar com ninguém... Procurem nosso assessor de imprensa para marcar entrevistas. Não gostamos que perturbem nossa privacidade. - disse Clara pegando Jack pela mão e andando rápido pelos corredores do aeroporto.

- Ah, por favor, Jack fala conosco... - outro repórter provocava. - O que sua esposa achou das fotos que circularam hoje na internet de você beijando a Ann Kurtiss?

Eles continuavam cercando os dois e como o caminho até o estacionamento era longo, Clara resolveu então livrar-se da perseguição. Parou e sussurrou no ouvido de Jack: - Confia em mim... tive uma ideia.

- Bem, vocês não nos deixarão mesmo em paz. Então, falarei com vocês. Mas com uma condição; assim que dissermos que terminou, vamos seguir para nosso carro e vocês não nos seguirão mais. OK? Ou será que preciso chamar a segurança do aeroporto?

Os repórteres aceitaram as condições de Clara e ela então afastou-se de Jack para responder as perguntas. - Ah! Antes que me esqueça. Deixem meu marido em paz, por favor, sou eu quem vai falar com vocês... E organizem-se porque não consigo entender quando vocês falam todos ao mesmo tempo...

- Clara, meu nome é Clark, sou do Mirror. Então, o que você achou das fotos publicadas hoje na internet do seu marido beijando a ex-namorada dele, Ann Kurtiss?

- Sinceramente, Clark. Aquela foto é puro sensacionalismo. Meu marido gravou com ela na semana passada e no restaurante, com eles, estava toda a Crossroads e alguns músicos da banda dela... E o que era um almoço entre amigos foi publicado por vocês como um encontro entre ex-namorados...

- Mas você também foi flagrada beijando o Mick Jagger na porta de um restaurante... - disse uma outra repórter.

- De novo isso? Que falta de assunto! O Mick Jagger é nosso amigo, meu e do meu marido e naquele dia, estávamos em um grupo de amigos comemorando coisas muito boas que tinham acontecido. O tal do beijo foi só uma brincadeira entre dois amigos... Mas isso não teria graça nenhuma para vocês, que vivem de invadir a vida dos outros, não é?

- Mas desde então existem rumores de que vocês estão se separando e que você se casaria com o Mick Jagger...

- O Mick Jagger tem uma namorada, que é minha amiga e vocês são todos loucos... Bem, queridos, é isso... Sério, vão procurar um trabalho mais digno para vocês. Sou jornalista também, mas tenho vergonha de que meus pares achem que invadir a vida de pessoas públicas seja um ganha-pão apropriado.

- Já chega! - disse Jack aproximando-se. - Se vocês querem saber sobre nós, anotem aí; estamos juntos, felizes e já perdemos tempo demais com suas bobagens. Tenham uma boa noite porque nós teremos... Tchau, boa noite!

Jack abraçou Clara e os dois saíram do corredor do aeroporto, entrando na passagem que levava ao estacionamento, deixando para trás todos os repórteres.

- Amor! Você foi linda! Acabou com eles... - riu Jack enquanto colocava as malas no porta-malas do carro. - Você é incrível, Menininha...

- A culpa é sua... Quando você está comigo, não tenho medo de nada... - sorriu e beijou Jack.

- Vamos, para Heathcliff Hall. Conversei com o David e ele quer ensaiar... sabe como ele é...

- É melhor amor. Não quero atrapalhar seu trabalho. Já me sinto culpada por ter bagunçado toda a sua vida, não preciso de mais essa culpa...

- Querida, só decidi voltar para a banda porque você está comigo, você não bagunçou nada, pelo contrário, está transformando toda dor e sofrimento em alegria... não sinta culpa nem por um segundo. Você é minha vida agora...

- Jack, meu querido... - disse Clara acariciando-o. - Estamos quase em casa, amor...

Continua

28 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LXI


Nancy nunca disse nada, mas Clara sentia que sua ideia era tentar fazer uma festa maior e mais bonita do que a de seu casamento. Para ela parecia importante roubar o título de "evento social do ano" que o casamento tinha recebido há menos de dois meses. Além disso, havia um certo mal estar causado pelo fato de Clara ter se transformado no rosto da griffe de Jean Paul, enquanto Nancy preferiu prestigiar a filha de seu noivo, que também era uma designer famosa.

Mas tudo pareceu mais tranquilo na limousine que Clara dividiu com suas amigas Cindy, Jennifer e Patty até o apartamento em que ficariam hospedadas no 16º Distrito.

- Querida, você está tão quietinha desde Nice... - sorriu Jennifer. - Você está bem?

- Estou Jenni... Mas você sabe, não gosto de ficar longe do Jack...

- Clara, foram meus olhos ou ele ficou irritado quando soube que o Mick vinha para cá? - perguntou Patty.

- Temos muitos ciúmes um do outro e às vezes ele fica nervoso quando o Mick se aproxima de mim. Mas consegui acalmá-lo lembrando-o do que aconteceu ontem à noite.

- E o que aconteceu? Vocês não desceram nem para o jantar...

- O que sempre acontece quando estamos sozinhos... mas ontem foi ainda mais lindo do que sempre é... - suspirou.

- É mesmo muito amor... - riu Patty. - Também ainda estão em lua-de-mel. Quando conheci o Keith não saíamos do quarto... foi o único momento da nossa relação em que ele esqueceu completamente a música...

- Só uma coisa, Clara. - perguntou Cindy. - O que foi que você disse para eles naquele estúdio?

- Por que?

- Porque o David comentou durante o jantar, na mesa, que nós deveríamos agradecer a você pela noite que tivemos...

- Nada... - riu Clara. - Só disse que nós eramos como Penélope esperando por Ulisses, com nossos braços abertos...

- Uau! Nada como uma escritora para colocar ideias nas cabecinhas influenciáveis de nossos queridos maridos. - sorriu Cindy. - Queria que você tivesse entrado há mais tempo em nossas vidas.

- Vocês são muito queridas... - riu Clara. - Admiro muito a forma como vocês conseguem levar seus casamentos, de longe, nas sombras, esperando...

- É, querida... já te disse que é difícil, mas acho que vale a pena... - sorriu Cindy.

O caminho do aeroporto até o apartamento de Michael e Jennifer foi demorado e serviu para as quatro conversarem e fazerem planos para o casamento. Chegaram ao apartamento de Jennifer almoçaram e combinaram que sairiam de lá para o atelier de Jean Paul, no final da tarde.

Assim, depois do almoço todas subiram para o jardim de Jennifer, no topo do prédio e ficaram por lá, bebendo champagne e aproveitando para ver Paris ainda sob a luz do sol, mas com a temperatura cada vez mais baixa.

- Você não ia para o Brasil? - perguntou Patty.

- Nós vamos, mas conversamos ontem e decidimos adiar nossa viagem para a semana que vem. O Jack achou melhor ensaiar para a turnê agora e assim, voltamos para o primeiro show. Estou tão ansiosa...

- Você irá cantar com eles, não?

- Irei... e cada vez que penso nisso, entro em pânico... Por isso estou tentando me manter no momento presente. Agora mesmo estou me concentrando em pensar no que usarei no casamento e em aproveitar essa visão maravilhosa dos telhados de Paris para me inspirar e pensar no quanto este lugar é romântico e me lembra do meu amado Jack. - suspirou Clara.

- Vocês não têm jeito... - riu Jennifer. - O Mike me disse que seu marido estava chorando no estúdio agora mesmo...

- Vou ligar para ele. - Clara respondeu pegando o celular com os olhos já marejados. - Amor, você pode falar comigo agora?

- Posso sim... - sorriu Jack. - o David acabou de fazer um intervalo para acertar o equipamento aqui. Está tudo bem?

- Está... mas estou aqui, no jardim da Jenni, olhando para os telhados de Paris e pensando em você...

- Ai Menininha... queria tanto estar com você... Então, vocês vão hoje ao Jean Paul?

- Nós vamos no final da tarde. - suspirou Clara. - Depois vamos ao Cinq para jantar. Estou triste de ir lá sem você...

- Não fica, querida. Logo estaremos juntos e sozinhos no Brasil. Falando nisso, já fiz todas as reservas agora de manhã e na segunda-feira embarcamos para o Rio de Janeiro e de lá, direto para Porto Seguro; o David me ajudou.

- Amor, que bom... - sorriu Clara. - Agora tenho mais uma razão para querer que esta semana voe...

- Ah, querida... eu também... Quero tanto descansar nos teus braços, sob o sol... estou sonhando com isso, meu amor.

- Eu também, querido... - suspirou Clara. - Mas parece que a segunda-feira nunca chegará... Ainda mais agora, que estamos longe um do outro...

- Você quer que eu vá para aí? Você manda, sou seu...

- Não amor... Não precisa... se você fizer isso me sentirei culpada por estar te tirando do trabalho, não quero isso. Vocês precisam trabalhar e eu preciso aprender a ficar longe de você.

- São só uns dias, você vem para cá na quarta, não é?

- Isso, o Mick tem um compromisso em Londres no almoço de quarta e vamos aproveitar a carona no jatinho dele.

- E depois do casamento, seremos só nós dois em um lugar quase deserto... sol, praia e você... não tem nada melhor. Menininha, preciso desligar, o David quer retomar o ensaio...

- Vai lá, amor... mais tarde a gente conversa mais... Te amo, querido...

- Também te amo... beijo.

- Beijo, amor..

Clara ficou mais algum tempo no terraço conversando com suas amigas, mas todas desceram para prepararem-se para ir ao atelier de Jean Paul. Sozinha em seu quarto, ela agora olhava para o pedaço de cristal que Jack havia trazido para ela de dentro da caverna, na ilha particular de Mick, e pensava em como pediria ao joalheiro para montá-lo em um pingente.

Pegou seu caderninho de anotações e desenhou um coração, que ficaria ao redor da pedra e decidiu também que mandaria fazer um anel de rubi para Jack. Queria que ele usasse aquela pedra como uma lembrança da paixão que existia entre eles e queimava dentro de seus corações.

Pronta para sair, ela voltou a reunir-se com suas amigas na sala de estar.

- Vamos ao joalheiro amanhã, certo, Jenni?

- Sim, marquei com ele às 10. Tem alguma ideia de como será esse pingente ou vai deixar que o Jakob o desenhe? - perguntou Jennifer.

- Quero que ele fique dentro de um coração, que desenhei, com umas linhas de ouro na horizontal, fazendo uma espécie de gaiola ao redor do cristal. - disse mostrando seu desenho para Jennifer.

- Bonito... - sorriu Jennifer. - Só não sei se ele vai fazer isso até quarta de manhã.

- Não tem problema. Quero que ele faça também um anel de rubi para o Jack. Quero dar alguma coisa para ele...

- Isso é uma surpresa... - disse Cindy fazendo todas suas amigas darem gargalhadas.

- Ah... vocês sabem... não estou falando disso, estou falando de um presente mesmo... se bem que aquilo também está me fazendo muita falta... - riu Clara. - Mas sobre as jóias, não tem problema, posso pegá-las na volta do Brasil. O anel será meu presente no dia da estreia da Crossroads.

- Nós sabemos que ele te faz falta, querida. Estava só brincando... - sorriu Cindy.

Clara deu um longo suspiro que fez suas amigas voltarem a rir.

- Querida, nós sabemos. - sorriu Patty. - E se seu marido for só a metade daquilo que aparenta ser quando está no palco, você está coberta de razões para sentir saudade dele, mesmo tendo-o visto hoje de manhã...

- Ai Patty, ele não é a metade, ele é muito mais do que aquilo que aparenta no palco e sim, não vejo a hora de estar novamente com ele.

- Querida, não faça propaganda dele assim tão abertamente... - sorriu Patty. - Suas amigas podem ficar curiosas e querer experimentá-lo...

- Confio em minhas amigas, Patty... São como minhas irmãs agora e sei que jamais fariam algo assim, por mais curiosas que fiquem.

- Não sei... para mim nunca é possível ter certeza total em coisas que envolvem dinheiro e sexo. O ser humano é muito estranho. Não espalhem, mas quando comecei a sair com o Keith, o Mick não me deixava em paz. Se o Keith soubesse as coisas que ele fazia para mim, acho que o Mick não estaria mais vivo...

- Isso me preocupa. - disse Clara. - Gosto muito do Mick, mas essa mania de conquistador dele me deixa muito nervosa e o Jack fica morrendo de ciúmes... Já brigamos várias vezes por causa disso...

- Você precisa tomar cuidado então... Já percebi que você é a nova "favorita" dele. - sorriu Patty.

- Vamos indo? O motorista já está na porta, vamos ao atelier do Jean Paul e depois nos encontraremos com o senhor Jagger para jantar no Cinq... - sorriu Jennifer.

- Então vamos... - sorriu Patty. - Clara, suas botas são lindas...

- São do Nicoló, Patty. - disse Jennifer - vamos lá amanhã, fica pertinho do atelier do Jakob e tem as botas mais bonitas de Paris.

- São lindas mesmo, aliás, Clara, as roupas que você tem usado são incríveis. Aquela capa da Vogue não foi tão gratuita assim, não... - disse Patty.

- A Jennifer me ajudou muito nisso. Para ser sincera, não entendo nada de moda, roupas, sapatos... Mas agora, além da ajuda dela, tenho vontade de me sentir bonita, para meu Jack... me visto sempre pensando nele.

Depois de algumas horas comprando as roupas que usariam no casamento e muitas mais, as quatro amigas estavam livres para o jantar. Mick e Gianna, chegaram ao mesmo tempo e fizeram a alegria de dois paparazzi que estavam de plantão na porta do restaurante.

- Queridas! Tive um dia daqueles, mas estou muito feliz porque consegui tudo o que queria e agora desejo comemorar com muito champagne. - disse Mick quando o grupo ainda entrava no restaurante, caminhando atrás do maitre.

- Mick, fico feliz por você, mas não sei se devo... - sorriu Clara. - Meu marido está muito longe hoje para me resgatar, se me exceder... Então, melhor me comportar.

- Querida senhora Noble. - disse Mick pegando sua mão e a beijando. - Por favor, me perdoa... Ainda não sei direito o que me levou a beber tanto naquele dia.

- Já perdoei, Mick. Tenho muito carinho por você e adorei o final de semana que nos proporcionou, a mim e a meu amado Jack, naquele seu incrível castelo.

- A todos nós, Mick. - interrompeu Cindy. - Foi tudo maravilhoso, seu castelo é lindo...

- Lutei por muito tempo para conseguir comprar aquele castelo e muito me alegra que ele seja de seu agrado, minhas caras. - disse Mick com os olhos mergulhados nos olhos de Clara. - Assim que as coisas estiverem mais tranquilas podemos passar uma temporada ainda maior por lá, todos nós... que tal senhoras?

- Seria ótimo. - respondeu Jennifer.

- Sim, seria ótimo. - disse Clara. - Mas na prática ainda vai demorar algum tempo. Eu e o Jack vamos para o Brasil na segunda-feira e só voltamos às vésperas do início da turnê.

- Querida, isso é maravilhoso. - disse Mick. - Esse é um ótimo jeito de esquecer a estreia e pensar em coisas melhores do que o medo de subir no palco pela primeira vez.

- Não sei sobre isso, Mick. - sorriu Clara. - Ainda estou muito preocupada....

- Mas não fique! Você é uma estrela, nasceu para isso... O Keith tem o melhor par de ouvidos que conheço e ele me disse que está apaixonado por sua voz, quer até compor para você, querida.

- Obrigada Mick. Você é sempre muito gentil comigo, mas tenho tanto medo de subir no palco e ficar paralisada que tenho até pesadelos com isso...

- Mas isso não irá acontecer. Você, no palco, é como uma luz, um sol, esperando apenas o momento de amanhecer... - sorriu Mick.

- Verdade Clara. - interrompeu Gianna. - Fiquei toda arrepiada quando te ouvi cantando no castelo. Foi lindo!

- Obrigada Gianna. - ela respondeu, com os olhos começando a encher-se de lágrimas. - Vocês são muito gentis comigo e isso me deixa muito feliz!

- Dá para ver, Clara. Você está brilhando... quando anda, parece que está a vários centímetros do chão. - sorriu Cindy.

- Bem, acho que isto é obra do Jack. - sorriu Clara. - Desde que estamos juntos, não consigo parar de sorrir.

Depois do jantar, a noite seguiu com mais champagne no apartamento de Jennifer; mas assim que Mick e Gianna foram embora para seu hotel, Clara disse às amigas que estava cansada e foi para seu quarto. Queria falar com Jack, mas não se sentia a vontade para ligar, por isso, pegou seu notebook para tentar distrair-se.

Continua

24 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LX


Os dois desceram pontualmente às 10, já prontos para a praia, Clara transformou uma canga em vestido que usou sobre o biquini e Jack usou uma camiseta branca e uma das bermudas que havia comprado em Londres antes da viagem. Aliás todos ao redor da mesa já estavam prontos para a praia, usando roupas leves e coloridas sobre suas roupas de banho. E mesmo com roupas de praia, aquele ainda era um grupo que chamaria atenção pela elegância.

- Vou levá-los a um lugar inacreditável hoje. - disse Mick. - Mas é preciso ter alguma habilidade de mergulho, vocês todos têm, não?

- Faltei nessa aula, Mick. - sorriu Nancy. - Não sei nem nadar direito...

- Eu sei nadar e adoraria ir, mas hoje não posso... - disse Clara. - Tive uma crise de asma de manhã e, quando isso acontece, preciso ficar perto dos meus remédios e não posso fazer exercícios pesados.

- Querida, não sabia que você tem asma... - disse Mick beijando sua mão. - Mas você está bem agora?

- Estou, mas seria muito arriscado mergulhar. Eu poderia passar mal nadando...

- Não. Você tem razão... - disse Mick. - Quem vai? Jack? David? Cindy?

- Eu vou, você fica com a Clara, Nancy? - perguntou Jack.

- Eu fico. Não se preocupe Jack. - disse Nancy. - Paul você vai?

- Acho que não, querida. - sorriu Paul. - Nunca fiz o tipo atlético, não me arrisco no mar. Sou um homem de piscina e bicicleta...

- Adoro bicicleta, Paul. - sorriu Clara. - Era meu meio de transporte no Brasil.

- Então você gostará muito de conhecer minha vinícola, querida. Aliás, quero convidar todos vocês para conhecê-la, faremos muitos passeios de bicicleta por lá. Vocês irão gostar muito... É um paraíso! - disse Paul.

- Você comprou uma vinícola? - sorriu Jack. - Onde fica?

- Fica na Itália, na região da Toscana... - sorriu Paul. - Depois da lua-de-mel vamos todos passar uns dias lá...

- Pode inscrever eu e o Keith nessa excursão porque amamos vinho... - sorriu Ron.

- E vinícolas... - riu Keith.

- Essa vinícola já produz vinho? - perguntou Jack.

- Já... - disse Paul. - É uma linha popular, mas meus consultores disseram que se forem feitas algumas melhorias, o lugar tem muito potencial para fazer vinhos chianti de primeira linha.

- Parabéns Paul! - disse Mick. - Eu sempre quis entrar no mundo dos vinhos, mas vocês sabem como sou, teria que ficar lá cuidando de tudo e uma vinícola dá muito trabalho.

- Bom Mick, eu sou bem mais tranquilo com estas coisas. - disse Paul. - Contratei um especialista italiano que me foi bem indicado e enquanto ele cuida de tudo, eu vou lá só para curtir o lugar. Tudo está muito bem encaminhado...

- Ah! O Mick não consegue fazer isso... - riu Keith.

- Acho que não, mesmo - riu Mick. - Então? Todos prontos para embarcar para a ilha?

Aos poucos os convidados foram levantando-se da mesa e indo buscar as bolsas com seus acessórios de praia. Clara e Jack carregavam em sua sacola toalhas, um protetor solar e os dois celulares.

O trajeto de barco foi rápido e logo todo o grupo desembarcava no pier do lado oposto da ilha onde um cenário praiano sofisticado havia sido construído. Um conjunto de quiosques, guarda-sóis, cadeiras de praia e mais adiante uma bela piscina, tudo convidava a horas de relaxamento e diversão.

Dentro dos quiosques, um bar completo, uma longa mesa de buffet e algumas mesas menores sinalizavam que o almoço seria servido por ali mesmo. Os empregados de Mick, usando camisas coloridas havaianas e bermudas brancas serviam drinks coloridos aos convidados que foram aos poucos ocupando os espaços.

- Que tal isso, amor? - riu Jack. - O cara mandou construir um mini-Havaí na Cote d'Azur.

- É a cara dele, querido... - riu Clara. - E eu estou adorando!

- Bem, queridos, quem vai comigo ao mergulho na Caverna de Cristal, deve me seguir agora. Iremos naquela lancha menor até o outro lado da ilha. - disse Mick.

- Vai Jack. - sorriu Clara. - Vou ficar aqui na praia com o Paul e a Nancy, está tudo bem, meu amor.

- Já volto. - disse Jack. - Acho que não vai demorar muito, não Jagger?

- Não... - sorriu Mick. - É perto! Não se preocupe, voltamos logo, querida.

- Espera, amor. - disse Clara. - Vou passar protetor solar em você, vem aqui.

Clara espalhou protetor solar por todo o corpo de Jack e ele a agarrou e beijou tão apaixonadamente que ela sentiu-se um tanto embaraçada quando ele se afastou, seguindo Jagger e os outros convidados até a lancha.

- Keith? Você não vai? - perguntou Clara.

- Não querida... não faço esse tipo esportista-aventureiro do Mick. Prefiro aproveitar a praia...

- Quer protetor solar? - perguntou Clara.

- Acho que não precisa... - sorriu Keith. - Esse "couro velho" aguenta bem o sol... obrigado!

- Eu não posso abrir mão... - sorriu Clara. - Fico toda ardida com qualquer solzinho...

- Você é mesmo um achado, Clara. - sorriu Keith. - o Jack deve ter chorado por dias depois que te encontrou! Linda, inteligente... não é a toa que a raposa velha do Mick está tão apaixonado.

- Ele te disse isso?

- Não precisava nem dizer... Ultimamente ele só fala de você, do quanto é linda e o quanto queria que você estivesse com ele.

- E o que você acha que devo fazer? Estou muito confusa, amo meu marido, mas não quero magoar o Mick...

- É complicado, eu sei... quando o Mick coloca alguma coisa na cabeça, não tem quem consiga tirar, mas você pode começar não fugindo. Ele é um caçador nato e quanto mais uma mulher foge, mais ele se sente estimulado a correr atrás dela.

- Então é melhor eu conversar com ele, preciso conseguir fazer isso longe do Jack porque ele tem ciúmes e não entenderia.

- Se precisar da minha ajuda, estou a diposição, querida! - sorriu Keith. - Vem, vamos tomar um drink?

- O que você bebe? - perguntou Keith já na frente do barman.

- Champagne. - repondeu Clara.

- Um uísque e um champagne. - disse Keith ao barman. - Esse é seu veneno, não?

- Não... na verdade, não sou nem de beber, Keith. O que aconteceu naquele dia das fotos foi que estava com muitos ciúmes do Jack e queria devolver a dor que estava sentindo de algum jeito. Acabei dando um vexame.

- Ah, querida... - riu Keith. - Aquilo não foi nada... vexame? Não dá para chamar aquilo de vexame...

- Mas acho que magoou o Jack. Ele até me apoiou em um primeiro momento, mas tivemos uma discussão horrível depois...

- Ah... Não liga muito para isso.

- Estou tentando não ligar... - sorriu - Vamos nadar um pouco?

- Mas você não disse que não podia nadar? - perguntou Keith.

- Não posso me esforçar muito, mas posso brincar um pouco aqui no rasinho. Vem, vamos lá... Ah! Se eu ficar com falta de ar, meu remédio está naquela sacola azul, nas cadeiras ali embaixo, ok?

- Não se preocupe, corro até lá para buscar seu remédio...

Clara e Keith foram para o mar e ela se surpreendeu com a água gelada e a profundidade do mar a poucos passos da areia. Os dois encontraram Paul e Nancy brincando na água, enquanto Patty continuava tomando sol, estendida em sua cadeira.

Logo Clara começou a ouvir a lancha de Mick aproximando-se e saiu da água, para esperar pela chegada de seus amigos. Mas ao começar a caminhar pela areia, ela começou a sentir falta de ar novamente. Lenta e controladamente então, Clara caminhou até sua sacola, pegou seu remédio e o usou.

Jack que já vinha caminhando em sua direção, correu para ela aflito.

- Amor, você está bem?

- Estou, Jack! Já tomei meu remédio. Tive um pouquinho de falta de ar e ele resolveu.

- Que bom! Te trouxe um presente... - disse Jack abrindo as mãos e revelando um pedaço de cristal transparente. - O Mick me ajudou a tirar da caverna, para você, meu amor... Queria tanto ter dividido aquele lugar com você, de um minuto para o outro a caverna toda se enche de luz e as paredes brilham...

- Que lindo amor! Obrigada! - disse Clara beijando-o. - Vou mandar um joalheiro montar em um pingente, para carregá-lo sempre comigo...

- Querida, você está bem? - perguntou Mick aproximando-se. - O Keith me disse que você teve uma crise...

- Está tudo bem, Mick. - sorriu Clara. - Tive um pouco de falta de ar, mas o remédio resolveu...

- Então vamos almoçar? - convidou Mick. - O chef Mardien nos preparou um almoço maravilhoso...

Clara e Jack secaram-se com suas toalhas, vestiram-se e caminharam até a cabana de praia, agora pronta para o almoço. Garçons usando camisas havaianas serviam drinks coloridos e o almoço a seguir; lagosta ao champagne, especialidade do chef.

Aquela tarde de praia e amigos seguiu divertida e logo Mick chamava todos para embarcar de volta no iate para a viagem de volta ao castelo. A bordo, mulheres e homens novamente separaram-se, enquanto eles estavam na parte de dentro do barco, sentados nas poltronas discutindo seus planos para logo mais à noite, no estúdio de Jagger, as mulheres ainda aproveitavam o sol no deck aberto e falavam sobre os preparativos para o casamento de Paul e Nancy.

- Clara, querida, vem aqui um pouquinho, o Mick quer falar com você. - disse Jack, ao chegar no deck.

- Já vou, amor! - disse ela levantando-se e vestindo novamente sua canga. - Já volto...

Clara ficou imaginando o que Mick poderia estar querendo com ela e de mãos dadas com Jack entrou na sala.

- Querida! - sorriu Mick. - Pedi que seu marido fosse buscá-la porque estava contando a ele sobre a música que fiz para o disco que o David e ele querem produzir para você... Quando descermos hoje, após o jantar, para o estúdio, você vem conosco... quero que você a aprenda e podemos fazer uma demo...

- E vocês abandonarão suas esposas para passar a última noite do final de semana fechados no estúdio? - Clara perguntou com um certo tom de indignação na voz.

- Se elas quiserem, podem ficar na sala de controle. - sorriu Mick. - Lá elas podem continuar conversando sem nos atrapalhar...

- Isso! - riu Keith. - Assim elas sabem que não estamos juntos para falar mal delas, como elas sempre acham que estamos...

- Não é verdade, Keith... - sorriu Clara. - Nós apenas nos sentimos abandonadas e sem forças para lutar contra a amante que todos vocês sempre terão: a música!

- O que vocês não entendem é que a música não é uma amante. - sorriu Mick sedutoramente. - E ela apenas toma o lugar das mulheres que não são para sempre em nossas vidas...

- Exatamente, princesa. - interrompeu David. - Vocês sempre falam isso, mas não percebem que sempre chamamos vocês para perto. Até quando viajamos para tocar... se vocês acham chato nos seguir, o erro não está em nós...

- Mesmo porque, a estrada é dura. - disse Mike. - E quando queremos dividir o que estamos sentindo com alguém, onde ela está? Em Paris, comprando mais uma centena de pares de sapatos...

- Ou em Viena, correndo antiquários atrás de uma maçaneta do século XVIII... - sorriu David. - Vocês nos abandonam e depois se queixam... Mas música e mulher nunca foram a mesma coisa.

- Se fossem, eu seria o cara mais feliz do mundo agora. - disse Mick olhando Clara nos olhos. - Mas não sou...

- Hum... pelo jeito cheguei a uma reunião do sindicato, carregando um cartaz escrito "Viva os Patrões!" - sorriu Clara. - Mas vocês sabem que o final de semana logo estará terminando e vamos nos separar novamente e suas esposas querem apenas uma noite romântica, ao lado de seus maridos e não apenas ouvindo a música que eles fazem... a música é brilhante e linda, mas dançar ao luar seria ainda mais... entenderam?

- Bom, podemos fazer um acordo então... - disse Mick. - Fazemos a gravação da demo e subimos todos para dançar no terraço, fazendo um revezamento nos microfones... mas com uma condição...

- Qual condição? - perguntou Clara.

- Você também canta para nós... que tal? - propôs Mick sorrindo.

Clara olhou para Jack e para David pedindo socorro, mas resolveu que seria uma boa oportunidade para testar sua capacidade e aceitou o desafio.

- Ok! Então teremos um baile hoje à noite! Vou avisar minhas amigas... - disse subindo para o deck.

- Clara! - disse Jack correndo atrás dela e beijando-a. - Eu te amo! Não se preocupe, eu e o Dave vamos te ajudar...

- Lindo! Eu te amo tanto... Se for preciso cantar para ter você nos meus braços, então eu canto...

- Meu amor, vem aqui, vem... - disse Jack empurrando-a contra a parede do barco e beijando-a de um jeito tão apaixonado, que seus joelhos ainda falhavam quando ela subiu para o deck onde suas amigas tomavam sol.

- Bem, queridas... - sorriu Clara ao chegar ao deck. - Eles querem que eu grave uma demo no estúdio, nesta noite. Vocês todas estão convidadas para ficar na sala de controle e o melhor é que depois de gravarmos, teremos outro baile no terraço.

- Que bom! - sorriu Patty. - Você é mesmo surpreendente, querida! E nós que achamos que nossa noite de sábado seria vendo TV nas nossas suítes. Obrigada!

- Eles concordaram em revezarem-se no palco, mas terei que cantar também. - sorriu Clara. - Ao menos vou dançar um pouco com meu marido quando não estivermos cantando.

- O que? Eles irão te fazer cantar? - riu Cindy. - E você não está em pânico?

- Não mais... - suspirou Clara. - O Jack vai estar ao meu lado. Acho que não tenho o que temer quando isso acontece...

- É, não tem jeito... - sorriu Jennifer. - Já vi gente apaixonada, mas igual a vocês...

- O Jack deve ser mesmo muito bom "na coisa"... - sorriu Gianna. - Você está sempre suspirando por ele...

- Gianna, ele é um sonho! - sorriu Clara. - Ah! Outra coisa, meninas... disse para eles que estávamos cansadas de lutar contra a maior amante deles, a música e eles disseram que a música só ganha das mulheres que não são para sempre. Que eles sempre nos preferem... Foi tão bonitinho... Queria que vocês tivessem ouvido...

O desembarque no pier do castelo foi rápido. O por-do-sol se aproximava e todos tinham muito a fazer antes do jantar e depois ainda viria o estúdio e a festa. Mick adiantou o horário do jantar daquela noite para as 8 e também correu para ordenar que todas as providências fossem tomadas.

Clara e Jack subiram para seu quarto, tomaram banho juntos na banheira de mármore e cuidaram um do outro com cremes e óleos essenciais.

- Então querida, pronta para cantar hoje à noite? - sorriu Jack enquanto massageava Clara.

- Não sei, Jack. Estou um pouco apavorada, acho... Mas estarei com você no palco, não?

- Sim, amor... Você sempre pode contar comigo...

- Então estarei bem... - sorriu Clara levantando-se da cama e beijando-o. - Você me faz conseguir acreditar que sou capaz de qualquer coisa... acho que se saltar daquele terraço ali conseguirei até voar...

- Linda... - disse Jack empurrando-a de volta na cama e acariciando seu corpo suavemente. - Acho que não chegaremos a tempo para o jantar...

Os dois se amaram lentamente, deixando cada um dos seus desejos manifestarem-se plenamente. Depois que terminaram, um escolheu as roupas que o outro vestiria.

Clara separou para Jack uma camisa branca com babados, que ela havia acabado de comprar e combinou-a com botas pretas e com uma calça black jeans. Enquanto, Jack, escolheu para ela um vestido de veludo vermelho, justo ao corpo, com um decote profundo nas costas.

- O que foi, amor? - perguntou Clara ao vê-lo aproximar-se ainda nu, através do espelho da bancada em que se maquiava, no banheiro. - Faltou alguma coisa?

- Faltou sim, amor... - disse abrindo a gaveta da bancada e tirando dela um estojo preto de veludo. - Pedi para a Jenni me ajudar a comprar esse presente para você... espero que seja do seu gosto...

Na caixa preta, da joalheria Cartier, uma linda gargantilha de diamantes e um par de brincos.

- Querido! Que lindo! Devem ter custado uma fortuna...

- Mas ficará lindo no seu pescoço, é isso o que importa, meu amor... - disse colocando o colar no pescoço de Clara. - Olha só, meu amor...

Clara levantou-se da cadeira e beijou-o. Longa e apaixonadamente, sentindo seu coração inundado por uma nova onda de carinho por aquele homem.

- Meu amor... nunca, nem nos meus sonhos mais loucos imaginei que você seria tão doce e tão maravilhoso comigo... nem sei se mereço tanto amor...

- Querida, você é a razão desse amor... cada gota desse oceano que se agita aqui dentro de mim desde que te vi pela primeira vez. Te quero tanto que quase enlouqueço só de imaginar a possibilidade de ficar longe de você.

- Nunca, minha vida... nunca. - disse Clara beijando-o novamente. - Eu vim para ficar, não conseguiria viver sem você. Sou completamente sua...

Os dois vestiram-se e desceram para o salão onde os convidados que já tinham descido para o jantar, bebiam champagne e comiam delicados hors d'ouvres servidos por garçons. O clima praiano tinha ficado na ilha, no castelo à noite, tudo era novamente sofisticação.

Para Clara tudo também era romance, ela e Jack não se largavam nem por um segundo e mesmo seus amigos mais próximos pareciam entender.

O jantar passou rápido demais para Clara, que, com medo de perder o fôlego na hora de cantar, comeu e bebeu muito pouco. Todos então desceram no estúdio, uma sala grande e confortável, onde se destacava um imenso piano preto, onde Mick, depois de dar ordens a um técnico de som na sala de controle, levou Clara pelas mãos.

- Que mão gelada, Clara. - disse Mick. - Você está com frio?

- Não, querido. - sorriu Clara. - Acho que estou nervosa. Você se importa se eu chamar o Jack para ficar ao meu lado?

- Claro que não, querida. - sorriu Mick. - Jack, sua esposa precisa de você; vem aqui perto dela.

Mick sentou-se no piano onde pegou uma copia da partitura da música e a estendeu a Clara. Depois ele cantou a música duas vezes para tentar fazer com que ela se acostumasse com a melodia, já que ela não sabia ler partituras.

Jack gostou da música e disse que existia espaço para uma harmonização de sua própria voz e os dois ensaiaram juntos e cantaram juntos três vezes antes de gravar a demo, que foi entregue para David em um pendrive e finalmente todos estavam livres para o baile.

E todos subiram para o terraço, e todos os músicos passaram a revezarem-se nos instrumentos e microfones e com Clara, agora mais relaxada, cantando duetos com Jack; a nova música de Mick e mais tarde "In the Light" e uma terceira, do disco dele com Ann Kurtiss, que Clara conhecia bem e por isso conseguiu acompanhá-lo. E os dois arrancaram aplausos de todos.

- Então, meu amor? - Jack sussurrou em seus ouvidos enquanto dançavam. - O palco não doeu, não é?

- Ao seu lado, nada dói, meu amor... - sorriu Clara.

Felizes, ela e Jack subiram para sua suite horas mais tarde, quando o dia já estava amanhecendo. Deitaram-se e dormiram abraçados.

Os planos para a manhã seguinte eram de aproveitar novamente a praia na ilha, mas o dia amanheceu chuvoso e o mar cinzento e mexido convidava a ficar no castelo. E logo após o café da manhã, mais uma vez, homens e mulheres se dividiram e o estúdio foi o lugar escolhido por eles para aquele domingo.

Clara, que na noite anterior havia impressionado a todos com sua voz, foi convidada a acompanhá-los. As suas amigas, por sua vez, aproveitaram a academia completa montada em um dos salões do primeiro andar do castelo e mais tarde, depois de almoçar, foram para o salão de jogos, onde podiam jogar sinuca, brincar em mesas de carteado, ou em jogos de arcada e simuladores de carros de corrida.

Jack estava muito feliz de tê-la ao seu lado e não a soltava por nem um minuto. Clara dividia os microfones com os convidados e deles recebia verdadeiras aulas de como colocar melhor sua voz e a cada nova canção, sentia-se mais e mais segura naquele ambiente.

E muito feliz. Era inacreditável que ela estava ao lado daqueles músicos que tinha passado a vida inteira admirando e eram eles que faziam sugestões e a aplaudiam quando ela conseguia atravessar uma canção inteira.

Ela estava no céu, suas amigas nem tanto. Reclamavam por hábito embora já estivessem acostumadas àquela ausência. A música era o centro da vida daqueles homens, todo o resto era secundário e as horas de espera e solidão para elas, eram inevitáveis.

- Quer um uísque, amor? - Jack perguntou para Clara, em um intervalo da atividade musical pedido por Mick que tinha parado tudo para atender seu celular.

- Quero sim, Jack. - sorriu. - Então? Você acha que consigo?

- O que? Beber uma dose? - riu.

- Não, amor! Cantar... - suspirou. - Nunca sonhei que isso fosse possível e agora tenho medo de estar muito entusiasmada com algo que não é para mim...

- Vem aqui, meu amor... - disse Jack pegando-a pela mão e levando-a até o meio da sala. - Você está vendo alguém aqui dentro que começou ontem, ou que não entende nada de música?

- Não... mas...

- Mas nada... - riu Jack. - Se você não acredita no que digo e acha que só falo essas coisas porque quero te agradar, então acredita neles... eles não dormem com você e amam a tua voz.

- Desculpa, querido. - disse Clara aproximando-se dele e brincando com seus cabelos. - Claro que acredito em você, é que para mim, este cenário ainda é tão surreal...

- Princesa... - David interrompeu a conversa deles. - Você só precisa acreditar mais em você mesma. Relaxar e deixar a música sair... a voz está aí... é só sentir isso aqui dentro de você e sair cantando...

- Obrigada David... Vou tentar com todas as minhas forças... quero que vocês se orgulhem de mim...

- Já nos orgulhamos, querida! - disse Mick voltando do telefonema. - Bem, queridos... vou precisar subir porque meu advogado não está entendendo o que eu quero. Acho que precisarei desenhar para ele. Vocês continuam por aqui, ou preferem fazer média com suas senhoras lá em cima, bem antes da hora do jantar, desta vez?

- Vamos subir sim... - riu Paul. - Vou me casar na semana que vem e minha noiva, a essas horas, já deve está lá em cima pedindo divórcio...

- Meus queridos, vocês nem imaginam o que elas falam quando vocês não estão por perto. Elas se sentem sós, tristes; são todas Penélopes esperando por seus Ulisses, com o coração partido, mas sempre na esperança de que algum vento mágico os traga de volta para seus braços.

- Isso é lindo, meu amor... - disse Jack abraçando-a.

- Senhores, vamos subir? - sorriu Jagger. - Nossas Penélopes nos aguardam, com os olhos perdidos no mar e os braços abertos. E precisamos que uma delas viesse até aqui e nos lembrasse disso...

Depois do discurso de Clara, a noite foi de puro romantismo. Ela e Jack não se desgrudaram. Nem desceram para o jantar, preferindo passar a noite toda no quarto, namorando.

A manhã seguinte foi corrida, malas arrumadas apressadamente e deixadas nas mãos dos empregados para serem embarcadas nas limousines que os levariam de volta ao aeroporto.

Juntos nas limousines, mas separados nos aviões. Clara a caminho de mais uma viagem de compras em Paris, para preparar-se junto com suas amigas para o casamento de Paul com Nancy e Jack, voltando com seus amigos para Londres, para mais algumas sessões de ensaios para a turnê, que se aproximava rapidamente.

Mas mesmo com toda correria, a notícia de última hora de que Mick e Gianna iriam para Paris no mesmo avião particular que Clara e suas amigas, deixou Jack enciumado e Clara preocupada. Ao menos estava tudo acertado que Jagger e sua namorada, assim como Paul e Nancy se hospedariam no hotel George V até quarta- feira.

Clara passou a maior parte da viagem até o aeroporto Charles de Gaulle calada, mas suas amigas estavam agitadas, pensando em tudo o que fariam nos dias que faltavam até o domingo, quando seria o casamento.

Continua

22 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LIX


Mick avisou que o dia seguinte seria desfrutado na praia da ilha particular que fazia parte da propriedade, então todos estavam convocados para tomar café da manhã às 10 e embarcar na lancha que partiria para a ilha às 11.

- Vem, querida. - disse Mick na praia puxando Clara pela mão. - A caverna é linda... você vai adorar...

- Espera, aqui tem muitas pedras... estou descalça...

- Vem aqui, princesa... - Em um gesto rápido, Mick pegou-a no colo e levou-a até a pedra mais próxima do mar, onde um buraco cheio de água, perfeitamente redondo de pouco mais de um metro de diâmetro era a entrada por onde deveriam passar para alcançarem a caverna.

Sem qualquer cerimônia, Mick tirou todas as roupas e mergulhou e ela o imitou. Os dois nadaram sob as águas em um longo túnel, cada vez mais escuro, até uma abertura de onde vinha alguma claridade e por onde os dois subiram.

Um exercício duro, mas a visão que esperava por eles valia a pena; um grande salão, com paredes recobertas de cristais transparentes se erguia ao seu redor.

- Nossa, Mick... - disse Clara aproximando-se de uma das paredes para tocá-la. - Isso é lindo...

- Você ainda não viu nada, querida. Olha lá em cima...

Clara olhou e viu uma pequena janela redonda por onde a luz do dia entrava.

- Espera um pouco, quando a hora exata chegar, um pequeno raio de sol entrará por aquela abertura e...

Uma coluna de luz do sol formou-se e quando ela atingiu um grande cristal no chão, espalhou a luz pelas paredes da caverna que agora brilhavam iluminadas como um imenso diamante.

- Mick! Isso é maravilhoso. - disse Clara. - Precisamos chamar todo mundo para ver isto... O Jack vai adorar...

- O Jack foi embora, Clara. - disse Mick pegando-a pela mão. - Ele não quer te ver nunca mais...

- Não!

- Vem aqui, querida... - disse Mick beijando-a. - Estamos em paz agora...

Clara sentou-se na cama com falta de ar. Procurou a bombinha que usava para asma e não a encontrou.

- Querida, está tudo bem? - disse Jack acordando com a movimentação dela.

Clara não respondeu para ele, era importante concentrar-se em manter o fôlego até encontrar o remédio. Encontrou sua bolsa em uma cadeira próxima da janela, usou o remédio e pode finalmente tranquilizá-lo.

- Está tudo bem meu amor, foi só uma crise de asma... - sorriu. - Dorme querido, desculpa ter te acordado...

- Querida, você está bem? - disse Jack sentando-se na cama. - Precisa de mais algum remédio... deveriamos ter trazido aquela injeção, ficou na geladeira, em Hethcliff Hall... chamamos uma ambulância? O Mick tem um helicóptero...

- Calma amor, já estou bem... - sorriu Clara e voltou para a cama. - Vem aqui, que vou te fazer adormecer novamente...

Clara deitou-o em seu ombro e passou a acariciar seus cabelos até ele pegar no sono. Naquela manhã, ela não conseguiria dormir novamente. Repassava dentro de sua cabeça aquele sonho estranho com Jagger e mais ainda, a conclusão que a deixara muito nervosa.

- Como assim, Jack me abandonou? Aquilo não podia acontecer, nunca! - pensava ela ainda tremendo.

Continua

20 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LVIII


As três limousines entraram pelo portão do aeroporto e seguiram até as proximidades do hangar que abrigava o jatinho particular de Jagger.

Mick, um grupo de seguranças e empregados, aguardavam por seus amigos próximos ao avião. Assim que Clara e Jack desceram do carro, ele fez questão de chamá-los para uma conversa particular.

- Quero que vocês me desculpem. - disse Mick. - Sou inteiramente responsável por tudo o que aconteceu ontem naquele restaurante. Me excedi completamente... Vou entender se vocês não quiserem mais falar comigo...

- Não Mick! Não tem problema algum... - Jack tranquilizou-o. - Você é nosso amigo e estamos muito felizes de estar aqui...

- E será uma honra subir ao palco com você, no ano que vem... - acrescentou Clara sorrindo. - Até o momento em que você me convidou, ainda tinha muito medo de palco, agora sei que farei qualquer coisa para superar esse medo só para ter essa alegria.

- Desculpa, Jack... - sorriu Mick, pegando as mãos de Clara e beijando-as. - Mas sua mulher merece um beijo.

O voo até Nice levou um pouco mais de uma hora para chegar e a turbulência, que balançou o avião, deixou Clara assustada, ela se agarrava a Jack a cada novo balanço.

- Você está bem, querida? - Mick perguntou ao notar que Clara escondia o rosto no peito de Jack.

- Ela não gosta de aviões pequenos, Mick. - sorriu Jack.

- Mais uma razão para comprar um avião grande, Jack. - sorriu. - O da turnê de vocês será grande, não?

- O Mike já está providenciando um boeing. - respondeu Jack. - Não consigo ver meu amor sofrendo assim...

- Mas todos nós sofremos com isso, Jack. - interrompeu David. - A Clara não é a única que não gosta destes aviões pequenos... a Cindy também acabou de arranhar meu braço...

- Desculpa, querido... - riu Cindy. - Não consigo me acostumar com isso... estes aviões me apavoram.

- Alguém quer uma bebida? - perguntou Mick. - Temos uísque, champagne, vinho...

Todos aceitaram a oferta e ele levantou-se de sua poltrona e serviu-os como o mais elegante dos comissários de bordo. Clara e Jack beberam champagne, mas não se largaram.

A bebida ajudou a relaxar um pouco o grupo e quando o avião finalmente pousou no aeroporto de Nice, todos sorriam e conversavam, enquanto Mick contava a eles os planos para o final de semana.

Um comboio de limousines os levou por uma estrada tortuosa e estreita que cortava a região montanhosam, rumo ao Chateau St Jordan, uma construção do século XVIII, erguendo-se entre as paredes íngremes de uma grande montanha que termina abruptamente sobre o mar.

Um bosque muito verde sobe pela montanha, tingindo de verde as pedras e ajudando a completar uma paisagem que inclui ainda um porto para pequenas embarcações e uma pequena ilha próxima, banhada pelo mais azul Mediterrâneo, tudo parte da propriedade cinematográfica que estava na lista de desejos de Jagger há anos.

E depois de pequenos ajustes, Mick estava começando a usufruir daquele cenário maravilhoso. Os carros se aproximavam lentamente e chegaram ao páteo do palácio no exato momento em que o sol se punha, tingindo o céu com seus vermelhos e laranjas.

- Jack, olha só esse lugar... - disse Clara. - É deslumbrante...

- Você é mais... - disse Jack agarrando-a e beijando-a tão intensamente que precisariam de uma dose extra de autocontrole na hora de descer do carro.

Todos entraram no palácio e ficaram impressionados com seu luxo e beleza. Cindy, a mais empolgada de todos, fazia questão de observar de perto cada um dos seus detalhes. Do piso de mármore do hall de entrada, iluminado pelos raios do sol que entravam por uma imensa janela no alto da torre arredondada que subia muitos metros, ao salão que se abria para além dele completamente iluminado por uma enorme janela voltada para o mar.

- Este lugar é inacreditável, Mick. - disse Cindy. - Parabéns! Você fez uma ótima aquisição...

- Obrigado, querida... - sorriu Mick. - Passei tanto tempo negociando que até tinha me esquecido por que me apaixonei por ele em primeiro lugar. Vou primeiro instalá-los em seus quartos e em seguida faremos o tour completo do chateau St Jordan. Acompanhem-me...

Todos seguiram atrás de Mick, subindo por uma imponente escadaria de mármore até o segundo andar onde ficavam os quartos todos adaptados para belas e bem equipadas suites. A que Clara ocuparia com Jack tinha as paredes na cor lavanda e vasos com arranjos com muitas rosas brancas e lavanda.

O quarto tinha ainda uma porta para um grande terraço que se estendia sobre o azul do mediterrâneo, decorado com muitas plantas e com uma mesa e cadeiras disponíveis para quem quisesse dali apreciar a beleza da paisagem.

- Mick, este lugar é um sonho... - disse Clara. - Obrigada por nos convidar...

- Ah querida! Só é um sonho quando você está aqui... - disse Mick em português aproveitando que Jack estava distraído olhando para o mar, no terraço.

- Por favor, Mick. - respondeu Clara assustada.

- Querida, Mick, venham aqui... - chamou Jack, do terraço. - Olha só alguém está soltando fogos ali adiante...

- Que lindo! - disse Clara aproximando-se dele e abraçando-o.

- Bem queridos, tenho outros convidados, vou ajudá-los a instalarem-se também. Se precisarem de alguma coisa é só chamar um empregado através deste intercomunicador. O jantar será às 10 horas. Estava aqui pensando e acho que o tour pelo chateau será feito só amanhã. Chamo vocês daqui a pouco para relaxarmos um pouco lá na torre. - disse Mick apontando para uma das torres do castelo. - É o lugar mais alto e a melhor vista daqui... garanto que vocês irão gostar. Por enquanto, acomodem-se... Ah! Esqueci do mais importante... Se vocês precisarem, tem um cofre aqui no closet... vou anotar a senha para vocês... acho que você vai querer guardar suas jóias, não querida?

- Obrigada, Mick. Tinha até me esquecido delas... - suspirou Clara. - Meu Deus, este lugar é tão lindo....

- Bem, vou cuidar dos meus outros convidados... - Jagger sorriu. - Sou um péssimo anfitrião, sempre me perco nos detalhes...

- Espera Mick. - disse Clara cortando um botão de rosa cor de lavanda e colocando-o na lapela do blaser branco de Jagger. - Obrigada...

Jagger beijou-a no rosto e seguiu de volta para o salão do palácio atrás dos demais convidados.

Quando a porta se fechou, Jack caminhou até ela e pegou sua mão, mas o clima já tinha mudado.

- Por que você fez isso? Você não tinha me dito que o trataria mais friamente?

- O que? - disse Clara surpresa com os ciúmes de Jack. - Ah! Desculpa querido... foi por simples e pura admiração... Estava aqui olhando e pensando... você está na casa do Mick Jagger... desculpa, você tem razão, não devia mesmo ter feito.

- Vem aqui, meu amor, vem... - disse Jack puxando-a pela mão. - Me desculpa também... não tenho direito de falar assim com você. Também admiro muito esse cara que estava aqui agora...

Os dois sentaram-se na cama e não demorou muito até o carinho e o envolvimento entre eles colocá-los novamente em ação e, Jack, que inicialmente parecia um pouco nervoso e inseguro, deu a Clara tanto prazer que, depois do sexo, ela sentia-se bem mais do que um pouco culpada por deixá-lo com ciúmes.

- Meu amor... - disse Jack sentando-se na cama e procurando por seu relógio. - O Mick não ficou de nos chamar para irmos até a tal torre?

- É mesmo... - riu Clara. - Nos empolgamos aqui e esquecemos de todo o resto, mas nada tocou, nem ninguém bateu na porta... Então acho que ninguém subiu...

Enquanto conversavam, o celular de Clara tocou... - Viu só... agora está tocando. - disse ela caminhando até sua bolsa. - É a Cindy...

- Fala Cindy...

- Vocês não vêm para cá? - perguntou Cindy. - O Mick disse que está tentando chamá-los no intercomunicador e não está conseguindo...

- Estamos indo para aí... Mas espera, onde é aí? - riu Clara.

- O Mick disse que vai buscá-los. - disse Cindy.

- Diz para ele esperar um pouco, que encontramos com ele no salão... - riu Clara. - Precisamos nos vestir...

Cindy riu com o que Clara disse e avisou ao Mick que eles estariam no salão dentro de cinco minutos. Jack já se vestia e ajudava Clara pegando suas roupas pelo chão, enquanto ela desligava o telefone.

Os dois desceram as escadas e encontraram seu anfitrião esperando; - Desculpem pela confusão, vou mandar um empregado dar uma olhada no intercomunicador do quarto de vocês.

- Obrigada Mick. - sorriu Clara. - Desculpe, nos distraimos lá em cima...

- Não tem problema, acabamos de subir também. Vamos lá beber e conversar um pouco antes de nos prepararmos para o jantar. Consegui até tirar o Ron e o Keith do estúdio...

- A Patty também veio? - perguntou Clara enquanto os três seguiam por um longo corredor até o hall arredondado da torre.

- Sim, eles estão aqui desde ontem. Passou o dia tomando sol na ilha. - sorriu Mick.

- O dia está tão ensolarado por aqui, que nem parece que o verão já está no fim. - riu Jack.

- Tivemos sorte! - Mick disse. - A previsão do tempo diz que este será o último final de semana aproveitável da temporada.

- Nossa, sei que você já está cansado de ouvir, mas isso é lindo! - Clara disse ao chegar ao bem iluminado hall da torre, com seu piso de mármore branco, onde as portas douradas do elevador se destacavam.

- Também acho querida. - respondeu Mick sorrindo. - Me apaixonei por este lugar na primeira vez que o vi; era um hotel, sabia?

- Mesmo? - sorriu Clara olhando os detalhes do corrimão dourado das escadarias que subiam até o topo da torre. - É magnífico. Não sei se você sabe, mas tenho o hábito de fotografar pequenos detalhes arquitetônicos e flores quando estou estressada. E este lugar é cheio destes detalhes... E desta vez, nem preciso do stress para querer fotografá-los...

- Fotografe a vontade, querida. Eu tive muita sorte com este lugar. Ele pertencia a uma cadeia de hotéis, que o adquiriu da família de herdeiros e adaptou tudo para transformar-se em um hotel inacreditável, que vim a conhecer há uns cinco ou seis anos atrás.
Com as crises na economia, o hotel entregou a propriedade para o banco há uns três anos e o banqueiro, encantado com o lugar, resolveu que viveria aqui e mandou restaurar e transformar o hotel novamente em uma residência particular. Desde que soube que o castelo estava nas mãos do banqueiro, venho fazendo ofertas por ele, mas só agora, há poucos meses, ele resolveu aceitar. Acho que com toda essa crise, ele percebeu que podia recuperar um pouco do seu investimento às custas do meu amor por este lugar. Não estou reclamando, estou feliz porque graças a isso, consegui finalmente realizar meu sonho.

- É mesmo encantador. - disse Jack. - Um sonho e tanto!

O elevador abriu as portas e eles subiram o último lance de escadas até a porta de metal e vidro que se abria para o páteo arredondado de onde a vista do Mediterrâneo era simplesmente incrível.

- Acho que tenho tido muita sorte neste ano! - sorriu Mick abrindo as portas. - Amigos, consegui trazer o querido casal Noble...

Clara e Jack cumprimentaram todos que estavam por lá, bebendo e apreciando a vista. Mas logo o grupo estava dividido, homens falando sobre música e mulheres sobre roupas e sapatos.

- Então amiga, vocês fizeram mesmo as pazes. - disse Cindy ao notar Clara distraída olhando para Jack.

- Sim querida. - respondeu Clara dando um longo suspiro. - Está tudo bem agora.

- Que bom! - sorriu Jennifer.

- Vocês tinham brigado? - perguntou Patty.

- Os últimos dias foram um pouco agitados, por causa da Ann Kurtiss, eu fiquei um pouco nervosa quando soube que ela estava na cidade... - sorriu Clara. - Mas acho que agora está tudo bem.

- Pensei que tivesse sido por causa das fotos dos paparazzi. - riu Patty. - O Keith me mostrou umas fotos suas com o Mick na internet e disse que achava que vocês estavam tendo um caso...

- Não... as fotos só aconteceram porque eu estava louca de ciúmes do Jack. Mas ele foi tão maravilhoso comigo que até cuidou de mim depois de uma bebedeira monstro e não me deixou nem ver as tais fotos, para me proteger. Mas, mudando um pouco de assunto, engraçado, naquele jantar do outro dia, tive a impressão de que o Mick tinha convidado a Ann Kurtiss para vir para cá também.

- Ah, você não está sabendo... - disse Patty. - O Mick pediu ao empresário do seu marido para marcar uns compromissos para ela em Londres neste final de semana. Ele contou para o Keith que sabia que você não gosta dela e queria te agradar.

- O Mick é maravilhoso comigo... sempre. - sorriu Clara, enquanto sentia muita vontade de agradecer a Mick pela ausência de sua rival.

- É por isso que você estava beijando ele naquelas fotos? - riu Patty.

- Eu gosto muito dele, Patty. - disse Clara. - Mas só o beijei porque estava muito fora de mim. O Mick me convidou para cantar com os Stones na próxima turnê. Eu estava triste porque o Jack ia gravar com a Ann e bebi muito champagne. Daí, para lá de bebada, eu o beijei porque estava feliz pelo convite que ele me fez e nem lembrei que naquele lugar sempre tem fotógrafos.

- E o Jack não ficou com ciúmes? - disse Patty espantada.

- Ah, o Jack! Sabe, se eu já não o amasse, me apaixonaria por ele no instante em que abri os olhos, no quarto do Ritz, onde minhas amigas me levaram para curar a bebedeira e o vi lá, parado, nu, segurando o maior bouquet de rosas que vi em toda a minha vida...

- Que lindo! Se eu fizesse uma coisa destas com o Keith acho que ele não falaria nunca mais comigo. - disse Patty. - Vocês sabem que ele e o Mick são os maiores amigos do mundo, mas sempre existiu uma competição louca entre eles... Quando o tempo muda, vocês não imaginam do que são capazes, dá até medo...

- Nossa! Já são quase oito horas. - Jennifer disse, preocupada. - Melhor nos arrumarmos para o jantar. Roupas de gala, cabelos, jóias... precisamos ter tempo para tudo isso.

- Vou chamar o Jack. - suspirou Clara. - Quero cuidar dele para que fique ainda mais lindo...

Clara caminhou até o grupo de homens e sussurrou no ouvido de Jack: - Vou me arrumar para o jantar, você vem comigo...

- Amigos, minha esposa querida está me chamando para nos prepararmos para o jantar e estou muito inclinado a seguí-la de volta ao nosso quarto...

- Vai nessa Velhão... - riu David. - Trocar a Princesa por este bando de homem feio e velho é péssimo negócio...

- David, Mike e Keith... - sorriu Clara. - As suas esposas pediram para dizer que também estão descendo para arrumarem-se...

- Mick e Ron, aproveitem por nós... - riu Mike. - Vamos lá antes que elas se irritem... eu não devia ter casado...

- E não é que às vezes é muito bom estar solteiro? - sorriu Ron levantando-se e servindo mais uma dose de uísque em seu copo, enquanto os quatro casais caminhavam na direção do elevador para descerem da torre.

- Trocaria todas as doses e até esse castelo pelos cuidados da senhora Noble... - disse Mick.

- Cuidado, cara! - disse Ron. - O Jack não me parece nada disposto a dividir aquele filé com ninguém...

- Não consigo pensar em outra coisa a não ser beijá-la, tê-la em meus braços, na minha cama...

- E como você vai fazer isso, posso saber? - perguntou Ron.

- Ainda não sei... - disse Mick. - Vou dançar com ela depois do jantar, talvez consiga levá-la até o terraço... No restaurante, ela me beijou, sei que se conseguir falar com ela longe do Jack, tenho chance...

- Não sei, não... Não acho que o Jack vá deixar que isso aconteça assim, tão fácil...

- Tenho que ser cuidadoso, ou esse hippie me quebra... se não conseguir nada hoje, amanhã ela vai conhecer a caverna da ilha... Vamos passar o dia na praia...

- Sonha, cara... - riu Ron. - Ela é linda, mas está bem longe do seu alcance, pelo menos por enquanto...

- Sabe, eu a conheci no mesmo dia em que o Jack. Ela estava linda, no teatro Beacon, em Nova York. - disse Mick. - Eu queria falar com ela, mas a perdi de vista no camarim e quando a vi novamente, ela já estava beijando o Jack... acho que fui lento demais.

- Ela é uma delícia... pegava fácil... - riu Ron.

- Cara, ela não sai da minha cabeça, comprei este castelo pensando nela... Bom, vamos descer? Vou dar uma passada na cozinha para ver como estão as coisas. Quero que este jantar seja perfeito... Vamos?

- Vamos cara... - riu Ron. - Tem alguma coisa de bom lá na sua cozinha?

- Comida? - gargalhou Jagger.

No quarto, Jack e Clara tomaram banho na enorme banheira de mármore e um cuidou do outro com cremes e óleos essenciais. Depois, Clara secou os cabelos de Jack com o secador, amassando os cachos para deixá-los mais bonitos.

Jack então fez uma massagem no corpo todo de Clara com óleos essenciais.

- Hum, meu amor... Você está inspirado hoje... - sorriu Clara.

- Quero te enlouquecer de prazer meu amor... - disse Jack. - Tenho tanto medo de te perder...

- E por que me perderia? - perguntou Clara levantando-se da cama para pegar sua lingerie na mala. - Eu não vou a nenhum lugar...

- Não vai mesmo? - disse Jack. - Tem um cara que conheço, que tem um castelo e até já comprou uma coroa para convidar você para ser a rainha dele...

- Não estou entendendo, pagamos pela coroa, não pagamos? E o dono do castelo é nosso amigo, por isso estamos aqui, não é?

- Não sei... ele sempre aparece ao seu redor, não é?

- O que foi Jack? De novo esses ciúmes? - disse Clara vestindo o robe de seda por cima da lingerie - Eu não sei mais o que você quer, entreguei minha própria vida nas tuas mãos... minha carreira, meus planos, até do meu país eu abri mão para estar com você. Você quis casar comigo sem nem me conhecer direito e eu aceitei... O que mais você quer de mim?

- Não sei... Talvez um pouco menos de empolgação quando ele chega perto de você. Ou que você não o beije na boca quando ele te convidar para fazer um show....

- Ah! Sabia! Aquele Jack compreensivo, que entendeu o tal beijo como o resultado do excesso de champagne, onde está ele, hein? Queria falar com ele, porque o Jack que está aqui na minha frente não entende que eu admire um cara que também é amigo dele.

- Alguém que fica cercando minha mulher o tempo todo e a sufoca enchendo o nosso quarto de rosas cor de lavanda, não pode ser meu amigo...

- O que tem as rosas? Elas estavam ao nosso redor no dia do nosso casamento e ontem, naquele quarto do Ritz, quando você me disse que eu devia esquecer tudo que tinha acontecido...

Clara caminhou até o terraço e sentou-se em uma das cadeiras, chorando.

- Clara, me perdoa... - disse Jack indo atrás dela. - Eu não sei o que está acontecendo comigo. Eu não posso te perder... estou desesperado... - disse Jack se ajoelhando nu na sua frente. - por favor, não me deixe.

Clara levantou-se do banco e ajoelhou-se na frente dele, beijando-o. Os dois agora estavam com o rosto molhado, chorando... Ergueram-se do chão e entraram novamente no quarto, onde sentaram-se na cama e ficaram abraçados, quietos.

- Meu amor. - disse Clara. - Não se preocupe mais com isso. Eu quero você, só você... não pense nessa bobagem, nem por um minuto. Eu não podia ser mais sua...

- Me perdoa, não tenho direito de dizer essas coisas... - respondeu Jack chorando. - Você sabe que me sinto intimidado por ele, eu te amo tanto, não quero te perder...

- Não tem porque, minha vida. - disse Clara secando as lágrimas de Jack. - O que temos, para mim é sagrado, lembra? Vou ligar para a Cindy e pedir para ela avisar que não vamos jantar. Vou passar a noite aqui, cuidando de você...

- Não amor! Quero ver você brilhando lá embaixo. Logo você será uma estrela, preciso me acostumar a dividir você com o resto do mundo...

- Não precisa. Eu não amo o resto do mundo... amo você... só você.

Os dois se beijaram e foram até o banheiro, lavar o rosto para continuar arrumando-se para o jantar. Clara cuidou para que Jack parecesse um príncipe em seu smoking e ele ajudou-a a prender o cabelo, fechar o vestido e colocar seu colar, brincos e bracelete de diamantes.

Um pouco de perfume complementou a produção de ambos e os dois desceram as escadas de mãos dadas até o salão onde David, Cindy, Keith, Patty e Ron já esperavam, conversando e bebendo champagne.

- Princesa, Velhão... - sorriu David. - Uau! Parecem realeza... acho que só precisam de um castelo...

- Ai David, você não tem jeito. - sorriu Clara. - Então, prontos para o jantar?

- Muito! - respondeu Ron. - Nossa! Quando o Mick falava sobre o quanto você é bonita eu achava que ele estava exagerando. Mas agora eu vejo que não tinha exagero algum...

- Obrigada Ron, mas o Mick é bem exagerado, sim... - sorriu Clara, um pouco sem graça com os elogios.

- Então? Querem champagne? - perguntou Keith, trazendo em suas mãos uma garrafa que acabara de abrir.

- Queremos sim... - disse Jack aproximando-se de Keith para pegar duas taças. - Onde está nosso anfitrião?

- Na cozinha, atrás do nosso jantar. - riu Keith. - Você conhece a peça, precisa controlar tudo, até onde colocam as porras das azeitonas...

- É verdade... - riu Ron. - O cara não aguenta deixar rolar, nunca aguentou...

Enquanto os homens agora se concentravam em rir de Mick e a conversa parecia retornar mais uma vez para a música, Cindy, Patty e Clara afastavam-se do grupo para ver melhor alguns quadros que decoravam a parede do castelo. Entre eles dois Van Gogh e um Monet.

- Lindo, amo Monet! - disse Clara. - Sou louca por jardins e este que ele pintou é inacreditável...

- A senhora é ainda mais linda, senhora Noble. - disse Jagger aproximando-se repentinamente do grupo de mulheres. - Deslumbrante! Os velhos mestres da pintura lutariam entre si para retratá-la, minha cara. Receberemos mais alguns convidados; Paul e Nancy já estão a caminho e minha pequena Gianna Carli, acabou de chegar ao aeroporto, vinda de Milão.

Clara sorriu ao ouvir esta informação. Então Mick não estaria sozinho naquela noite e isso significava que a deixaria em paz.

- Mick, gostaria de agradecer-lhe... - disse Clara.

- É um prazer tê-los aqui, minha querida. - sorriu Mick.

- Também, por isso querido, mas principalmente porque soube que você cuidou para que a senhorita Kurtiss não pudesse vir... - sorriu Clara. - Obrigada!

- Querida, isto tudo aqui, é por você e para você... Quero que saiba disso... - sorriu Mick e caminhou na direção dos outros convidados.

Clara ficou sem graça com o que ouviu de Mick e agora buscava o olhar de Jack através da sala, mas ele parecia triste. Olhou para ele até ele notar e mandou um beijo.

- Querida, o Mick tem razão. Você está muito bonita. - disse Patty. - Quem é mesmo o estilista que faz estas maravilhas que você usa? Você sabe que o casamento do Paul será na próxima semana e ainda nem comprei um vestido para ir.

- Meu estilista é o Jean Paul, ele tem um atelier em Paris, na Champs Elyseé... ele já era muito amigo da Jenni quando pedi que fizesse meu vestido de casamento. Nós recebemos o convite para o casamento do Paul também, mas ainda não sei se estaremos aqui ou já no Brasil.

- Nós vamos ao casamento e também precisamos de roupas, podemos ir ao Jean Paul na próxima semana, ver o que ele pode fazer por nós, que tal? Vamos Patty? - perguntou Cindy.

- Ah! Gostaria muito de ir... - disse Patty. - Vamos estar a semana que vem inteira em Londres, podemos combinar uma excursão rápida até Paris.

- Acho que podemos encaixar uma excursão feminina de compras em Paris antes da viagem ao Brasil. - sorriu Clara. - Meu marido já está acostumado a essas minhas escapadinhas para compras.

- Alguém falou em compras? - sorriu Jennifer chegando ao salão. - Clara, estou com ciúmes! Este seu vestido é maravilhoso! O Jean Paul se superou...

- Querida! Você está linda também! - respondeu Clara para a amiga. - A Patty quer ir conosco ao atelier do Jean Paul comprar roupas para o casamento do Paul.

- Também vou precisar! Podemos ir direto daqui. - sorriu Jennifer. - Na segunda-feira! Que tal? Ficamos no meu apartamento.

- Perfeito para mim.- disse Clara. - Sei que vou ao Brasil, talvez não vá ao casamento, mas vou até Paris nem que seja pela festa e pela alegria, podemos fazer mais umas comprinhas no começo da semana. Vamos Cindy?

- Vamos! Assim os rapazes podem trabalhar e nós não precisamos ficar presas em Heathcliff Hall... Ah! E tem umas lojas de decoração em Paris que você vai amar, Clara. Podemos comprar algumas coisas lindas para sua casa. Falando nisso, acabei de saber, a sala de jantar que vi em Viena, já é sua. Demos um lance hoje e ele foi aceito!

- Que lindo! Aquela sala de jantar é maravilhosa! Obrigada Cindy! - sorriu Clara. - Ah! Comprei um quadro em Montmartre na semana passada. Você sabe se ele já chegou?

- Chegou sim, querida... - sorriu Cindy. - Desculpa esqueci de comentar, chegou na quarta-feira e está lá na casa esperando por você...

- Na próxima semana, quero ir lá para cuidar da minha casa. - disse Clara. - Estou louca para vê-la pronta, amiga...

- Vamos sim, querida! - sorriu Cindy. - Mas precisamos antes avisar nossos maridos sobre nossos planos...

As mulheres atravessaram o salão e contaram seus planos aos homens, que por sua vez decidiram passar uns dias em Heathcliff Hall enquanto as mulheres compravam em Paris.

Todos confirmaram sua presença na casa de David exceto Mick, que iria para Nova York fazer alguns contatos para a turnê dos Stones. O carro de Paul e Nancy parou no páteo do castelo, junto com o de Gianna e todos os convidados do jantar de gala finalmente estavam presentes.

A conversa estava animada e o champagne corria solto, junto com pequenos petiscos, servidos por garçons. Pontualmente, às 10 da noite o mordomo da casa anunciou que o jantar seria servido e convidou todos a seguí-lo até o salão de banquetes.

Aquele era o salão mais impressionante de todo o castelo especialmente pela pintura do século XVIII, feita no teto por um importante artista italiano, segundo Mick, ela retratava o príncipe que vivia ali com sua amante, uma linda camponesa que foi assassinada por ordem da esposa do príncipe, quando ela descobriu que a moça estava grávida. O nome do afresco era "O Idílio" e ele o mandara pintar para que a esposa nunca mais esquecesse que aquela era a mulher que ele havia amado.

- Esta pintura é simplesmente linda... - disse Clara. - Mas sua história é tão trágica...

- Princesa, a moça parece com você e o tal do príncipe, tem até os cachinhos do Velhão... - riu David. - Quem diria? A natureza errou mais de uma vez e fez um cara assim feio de novo!

- Mas ela acertou e também fez a Clara, que é ainda mais linda do que a camponesa da pintura... - disse Mick sorrindo.

- O Jack é lindo, David! - riu Clara. - Não é meninas?

- O Jack sempre foi uma pintura. - disse Gianna sorrindo.

- Eu também acho. - disse Nancy.

- Ok, Velhão, a mulherada sempre fica maluca por causa desses seus cachinhos dourados... - riu David. - Poxa Princesa, você podia ter arrumado coisa muito melhor...

- Não consigo imaginar ninguém melhor, David. - sorriu Clara. - Desculpe...

O grupo inteiro apreciou um jantar sofisticado e entre muitos sorrisos, conversaram sobre a beleza daquele castelo e sobre o casamento de Paul e Nancy que se aproximava cada vez mais.

Mick fez questão de chamar o chef francês contratado para fazer o jantar para conhecer seus convidados e ele foi aplaudido por todos.

Depois do jantar, aconteceria o baile, na verdade um Jazz Quartet comandado por uma cantora foi contratado para tocar sobre um pequeno palco montado no grande terraço com vista para o Mediterrâneo que o castelo possuía.

E a noite seguiu perfeita e romântica, Clara e Jack dançaram muito, nos braços um do outro, enquanto os seus amigos revezavam-se na pista de dança.

No meio de uma das músicas, Mick e Gianna aproximaram-se de Clara e Jack e propuseram uma troca de pares.

- Jack, meu caro... - sorriu Mick. - Será que me permite a alegria de dançar com sua linda esposa?

- Claro. - disse Jack sorrindo para Gianna.

- Querida... - disse Mick, pegando Clara pela mão e abraçando-a para dançar.

- Mick. - sorriu Clara, sem graça.

- Precisava dançar com a mulher mais linda desta festa... - sorriu Mick.

- Você sabe que meu marido é ciumento, Mick, não sabe?

- Não se preocupe, querida. Estamos apenas dançando... - disse Mick. - E por mais que eu queira muito te beijar agora...

- Por favor, Mick... - disse Clara. - Não fale assim... não é apropriado e estão todos nos olhando agora...

- Sou um cavalheiro, querida. Estou apaixonado por você, mas não tomarei nenhuma atitude, até que perceba que você corresponde aos meus sentimentos... - sorriu Mick.

A música terminou e a banda fez um pequeno intervalo, Jack aproximou-se novamente de Clara e Mick levando Gianna pela mão e depois, afastou-se para pegar taças de champagne que foi beber com Clara, longe dos seus amigos que já estudavam um jeito de aproveitar a ausência da banda para tocar um pouco.

- Então? - perguntou Jack sério.

- O que, querido? - sorriu Clara.

- Você está apaixonada por ele? Não está? - disse Jack com um olhar muito triste.

- Ah, meu amor. - suspirou Clara e beijou-o apaixonadamente. - Alguma dúvida?

- Desculpa, querida... acho que estou sendo ridículo, não?

- Não querido, você é adorável... - ela disse acariciando o rosto do marido. - E eu te amo muito mais do que você sequer imagina...

- Eu também te amo muito... - Jack respondeu, beijando-a.

Enquanto os dois namoravam, um grupo de convidados já se preparava para subir ao palco.

- Você não quer ir com eles? - perguntou Clara.

- Agora não! - sorriu Jack. - Estou ocupado conversando com a mulher mais linda desta festa...

- Hum... - suspirou Clara. - Se eu já não te amasse tanto, me apaixonaria por você agora...

- Me perdoa toda aquela bobagem...

- Psiu... - disse ela colocando os dedos sobre os lábios de Jack. - Não quero mais falar sobre isso... Tivemos uma semana muito difícil, brigamos, discutimos... quero agora comemorar o fato de que me sinto completamente sua novamente. Quando vi aquela pintura no teto, pensei em nós, em uma outra época, vivendo nosso amor no alto da nossa montanha, rolando naquele campo de alfazemas... e percebi que não existe mais nada nesse mundo que eu deseje além de você.

- Você acha que eles notarão se subirmos agora? - perguntou Jack

- Acho que não, querido. - sorriu Clara. - Você sabe chegar ao nosso quarto?

- Acho que sei... - disse Jack, pegando Clara pela mão. - Precisamos chegar naquele salão onde estávamos conversando antes do jantar e subir as escadas.

Mas não escaparam a tempo. Mick e Gianna aproximaram-se deles e começaram a conversar sobre os planos para o dia seguinte, que seria desfrutado na praia, na ilha particular que fazia parte da propriedade. Seguiriam para lá no iate de Mick que agora estava ancorado no porto do castelo.

- O Paul e a Nancy também vão? - perguntou Clara.

- Sim, consegui convencê-los a passar a noite no castelo e os dois irão conosco. Será um dia na praia para todos nós, querida.

Enquanto conversavam, subiram ao palco David, Mike, Paul e Keith que começaram a tocar e cantar velhos rocks da década de 50, deixando todos os presentes extasiados.

Todos os demais convidados aproximaram-se do palco e Clara sussurrou no ouvido de Jack: - Vai lá, amor... eu sei que você quer ir...

Jack subiu no palco e cantou "Don't" uma romântica e pouco conhecida balada do repertório de Elvis Presley com os olhos mergulhados nela enquanto ela sentia-se derretida de amor por ele.

Jack agradeceu os aplausos e desceu do palco, sendo substituído nos vocais por Mick Jagger. Clara agarrou Jack e os dois ficaram ouvindo Mick cantae "Love In Vain" e "As Tears Go By", que ele dedicou a sua nova futura companheira de palco, Clara Noble.

Jack então subiu no palco novamente e desta vez convenceu Clara a cantar "The Light" com ele. Com o acompanhamento de dois violões, um nas mãos de David, outro nas mãos de Jack, ela cantou a música e recebeu o aplauso dos convidados da festa.

- Que lindo! - disse Mick quando desceram do palco. - Será lindo quando cantarmos juntos, querida!

- Obrigada Mick... - disse Clara sorrindo. - Estava tão nervosa que acho que desafinei...

- Não desafinou, amor.- disse Jack, beijando-a. - Cantou como um anjo... Meu anjo...

Mick subiu novamente no palco e como a madrugada já ía alta, convidou todos para assistir ao espetáculo do nascer do sol na torre do castelo. Como o vento batia um pouco mais frio, naquele instante, Jack tirou o paletó de seu smoking e vestiu-o em Clara.

- Meu amor... - disse Clara abraçando-o e chorando diante da beleza daquele dia que começava a nascer no horizonte. - Isso é tão doce, ver outra manhã chegando aqui, dos seus braços.

O horizonte avermelhava lentamente e o silêncio da noite ia aos poucos sendo substituido pela melodia dos pássaros do bosque vizinho e das gaivotas. O dia nascia lindo e o céu começava a ficar multicolorido.

Continua