30 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LXII


"A vida do lado de fora da casa de meu pai seria muito mais dura do que eu imaginava. Mas enfrentava tudo com a cabeça erguida.

Don me ajudou, sem que seus pais soubessem, me deu uma cópia da chave da garagem de sua casa, que era usada como um depósito e depois de dormir ao relento por alguns dias, passei a ter um teto, que dividia com pilhas de jornais, garrafas e muitas outras coisas velhas e empoeiradas.

Além do teto, Don também me alimentava. Enquanto de dia, corria atrás de um emprego que me desse alguma forma de sustento, à noite, contava com a ajuda de meu amigo que me trazia biscoitos, leite e comida de sua mesa.

Quando os pais dele finalmente me descobriram, depois de algumas semanas, disseram que imaginavam que o filho tinha adotado algum cãozinho secretamente e o repreenderam por me manter naquela garagem gelada.
Passei a dividir o quarto com Donovan e finalmente voltava a ter uma cama quentinha para voltar todas as noites e um bom jantar depois de passar meus dias trabalhando como ajudante de cozinha em um pub, entregador de jornais, balconista de diversos tipos de comércio, pedreiro, pintor. Muitas atividades, mas para mim, tinha apenas uma profissão e sempre que me perguntavam qual ela era, respondia com todo orgulho: sou um bluesman!"

Clara releu o que tinha acabado de escrever, deu um longo suspiro e foi até a cozinha beber um copo de água.

Estava sem sono, com saudades de Jack e aproveitando um lampejo de inspiração, resolveu retomar a história dos anos que antecederam o início da Crossroads.

Já era madrugada e não tinha ninguém, além dela, acordado no apartamento. E mais uma vez ela conseguia ver as cenas que descrevia como se tivessem acontecido com ela.

Clara pegou o copo d'água e caminhou de volta ao quarto decidida a ligar para Jack, sentia muitas saudades e precisava ouvir a voz dele, mesmo que interrompesse seu trabalho.

Mas apenas pegou seu celular nas mãos e ele começou a tocar. Sorriu, suspirou e deitou-se na cama, sobre as cobertas.

- Amor... acabei de pegar o telefone para te ligar e ele começou a tocar...

- Menininha, não consigo dormir... o dia já está amanhecendo e sinto tanto sua falta que chega a doer...

- Eu também não... queria falar com você, mas não queria interromper seu trabalho... senti tanto sua falta que retomei o livro, comecei a escrever o quarto capítulo, precisava estar com você de algum jeito, meu amor.

- Que bom, querida. Ao menos esta maldita distância entre nós está servindo para alguma coisa construtiva além de doer tanto aqui dentro do meu peito...

- Estava escrevendo algumas páginas falando sobre a época em que o Don te abrigou na casa dele. É incrível como eu consigo te ver lá, dormindo naquela garagem cheia de coisas velhas...

- Somos a mesma pessoa, meu amor...

- Acho que somos mesmo, querido. Queria tanto que você estivesse aqui, comigo...

- Mas eu estou! E você está aqui, comigo, nos meus braços. Estou sentindo seu perfume neste momento. Me desculpa, mas roubei algumas peças de roupa da sua mala porque preciso ao menos sentir seu cheiro perto de mim...

- Eu fiz a mesma coisa, amor... - riu Clara. - Estou agora vestindo aquela camiseta cinza que você usa para dormir.

- Te desejo tanto, querida. Queria muito estar dentro de você agora.

- Eu também te desejo, meu amor...

A conversa dos dois passou das palavras doces para os gemidos e depois deles, ambos estavam finalmente relaxados e dormiram quando o dia já tinha amanhecido. Um mar os separava, mas sentiam-se muito próximos um do outro.

Clara sentia-se leve, atravessando veloz o ar gelado da noite, a caminho de sua montanha. A paisagem lá embaixo ficando mais e mais familiar a medida em que se aproximava.

O seu Berthold a esperava na cabana onde viviam e a neve já tingia tudo de branco no topo da montanha. Os dois, aquecidos por seu pequeno forno, celebravam mais uma vez a vida, em sua pequena cama de palha, em uma noite mágica, Ceridwen via novamente o rosto sorridente da Deusa, enchendo o mundo de luz.

A manhã seguinte, demorou a começar para Clara. Ela acordou emocionada com as coisas que tinha visto em seu sonho e preferiu ficar mais um pouco na cama. Queria falar com Jack, estar com ele, mas não ligaria, não queria correr o risco de acordá-lo.

Cansada de brigar com seu desejo de ouvir a voz de Jack, Clara levantou-se, vestiu suas roupas de Yoga, pegou seu Ipod e subiu para o jardim de Jennifer para meditar.

Tentava encontrar razões para não deixar tudo para trás e pegar o próximo voo de volta para Londres. Depois da meditação, ela desceu, tomou um banho e foi tomar café-da-manhã com as amigas, que também já tinham levantado.

- Bom dia, queridas! - disse Clara. - Então, vamos ao joalheiro hoje?

- Sim, vamos! - sorriu Jennifer. - O Jakob é um grande artista, você verá as jóias lindas que ele fará para você.

- Ainda quero dar um presente para o Jack, além do anel....

- Vocês conversaram ontem à noite? - perguntou Cindy.

- Conversamos... Eu não estava conseguindo dormir e ele me ligou. Conversamos por algumas horas e só depois disso, peguei no sono...

- Nada como um bom sexo por telefone para relaxar, não amiga? - riu Jennifer.

Clara apenas sorriu sem graça. - Sonhei depois a noite toda com ele e a nossa montanha, era inverno e nos esquentávamos na nossa caminha forrada de palha...

- Caminha forrada de palha? - perguntou Patty intrigada.

- Patty, não sei se você acredita em reencarnação, mas a minha amiga aqui fez uma regressão e se viu em uma outra vida, junto com o Jack. - disse Cindy. - Eles moravam no topo da mesma montanha em que fica a casa de campo deles agora.

- Sério? Então é por isso que tudo foi tão repentino entre vocês... Por isso que foi amor a primeira vista. Então vocês já se conheciam?

- Já! - sorriu Clara. - Mas naquela vida não conseguimos ficar juntos por muito tempo e acho que por isso estamos juntos novamente.

- Nossa! E vocês sonham com essa vida anterior?

- Sonhamos! Eu e o Jack sempre nos vemos juntos, numa casinha construída por nós mesmos, no topo da montanha.

- Que lindo! - sorriu Patty. - A história de vocês daria um filme...

- Por que você não escreve um livro, Clara? - perguntou Jennifer.

- Talvez eu escreva. - sorriu Clara. - Mas ainda é muito cedo para isso. Ainda dói muito ver tudo o que aconteceu conosco...

Aquela seria mais uma manhã dedicada às compras. Clara entregou os desenhos e o cristal a Jakob e ele comprometeu-se a entregar as jóias na próxima semana. Clara então disse que passaria em seu atelier pessoalmente, depois que voltasse do Brasil.

De lá, foram até a sofisticada loja de Nicoló e compraram sapatos e botas para o casamento e para o inverno que se aproximava. Lá, Clara encontrou também o presente para dar a Jack, uma jaqueta de couro.

O almoço das quatro amigas foi em Montmartre, no restaurante favorito de Clara e no meio da tarde, elas voltavam para casa.

Para ao menos sentir que logo estaria com Jack, Clara foi direto para seu quarto com as sacolas e arrumou suas malas. Tarefa que interrompeu apenas para atender a seu celular.

- Amor, que bom ouvir sua voz. - suspirou. - Como você acordou hoje?

- Sentindo muito sua falta! E você?

- Sonhei com nós dois juntos, na nossa caminha de palha, na montanha...

- Hum... - suspirou Jack. - Estou te ligando para te avisar sobre uma coisa que aconteceu hoje.

- O que aconteceu amor?

- A Ann Kurtiss ligou para o Dave e fomos almoçar juntos no Chez Montagne. Tinha um montão de fotógrafos lá e nos fotografaram juntos. Estou te contando porque não quero que você fique nervosa a toa...

- Não vou ficar, querido... mas é só eu sair da cidade e essa mulherzinha vai para cima do meu marido de novo...

- Bem que ela tentou, mas como não conseguiu o que queria... por favor, não conta nada para a Jenni, mas ela se jogou em cima do Mike e, neste momento, os dois estão juntos, no Ritz.

- O que? Ai querido, sério?

- Seríssimo... Mas por favor não diga nada para ninguém... o Mike confia em mim... você sabe...

- Estou com pena da minha amiga, mas não contarei... por que os homens são assim eu nunca vou entender... Será que não dá para respeitar a pessoa que vive com ele há tanto tempo?

- Não sei querida... mas você sabe que na minha cabeça, estas coisas mudaram completamente... quando eu traia a Mary, sempre me pareceu uma coisa natural. Era a estrada, todas as mulheres do mundo me queriam, não tinha tempo a perder; mas agora, acho que me sentiria o pior dos canalhas se fizesse alguma coisa assim... não conseguiria ficar com ninguém que não fosse você.

- Que lindo, amor. Eu sinto a mesma coisa. Tenho certeza de que não consigo ficar com nenhum outro homem, estou triste, carente e querendo tanto que amanhã chegue logo que minhas malas já estão até prontas para embarcar.

- Vocês farão o que hoje? - perguntou Jack.

- A Jenni vai dar um jantar aqui, convidou o Mick e a Gianna e amanhã cedo vamos todos para o aeroporto pegar o avião para casa. - disse Clara chorando.

- Queria tanto poder fugir daqui e correr até aí para te buscar...

- Você não pode, amor... tem o seu trabalho...

- Mas não estou trabalhando, o Mike não está aqui, o Keith e o Ron foram para Londres. Estou aqui sozinho com o David e como ele não larga da guitarra, naquele estúdio, estou completamente sozinho nessa droga dessa casa, em que tudo me lembra você.

- Ai, meu amor... quer saber... acho que não tenho mais nada para fazer aqui. Deixa eu olhar no meu notebook qual o próximo voo para Londres... Amor, o próximo voo é às 6 da tarde... pronto, comprei um bilhete e meu assento é 2A... Estou voltando para casa...

- Mesmo, amor? Vou te buscar no aeroporto... Ah, meu amor... - disse Jack chorando. - Não mereço isso... você é tão boa para mim...

- Não sou, querido... você é a razão da minha vida desde que nos conhecemos, quero estar com você, agora... não consigo mais ficar longe e vou fazer o que meu coração está mandando, correr para você.

- Não sei nem o que te dizer, Menininha... eu te amo tanto que me faltam palavras. Vou lá embaixo avisar o Dave que você está vindo... Me liga quando chegar no aeroporto. A que horas o seu voo chega aqui?

- Às 6:55. Vou avisar minhas amigas que estou indo para o aeroporto. Ah! Vou deixar minhas jóias com elas, odeio essa chatice de ser revistada no aeroporto como se eu fosse alguma terrorista perigosa, pronta para incendiar o mundo...

- Quer que eu alugue um avião particular para você? - perguntou Jack.

- Não querido... já comprei a passagem, vou ficar bem, só quero minimizar as chances de implicarem comigo, vou deixar também meus cremes, perfumes e xampus com minhas amigas. Elas trazem para mim amanhã, no avião do Mick. Bom, querido, vou desligar... vou avisá-las agora que estou indo, pedir um taxi e quando chegar na sala de embarque, te ligo de novo... Estou muito feliz e contando os segundos para poder te mimar novamente... beijo, te amo.

- Beijos querida... te amo.

Clara arrumou suas jóias, cremes, perfumes e xampus na mesma bolsa e levou-a com ela até a sala de estar, onde suas amigas se reuniam com seus iPads em mãos.

- Queridas, me desculpem, mas tenho uma coisa muito importante para contar a vocês, acabei de conversar com o Jack e decidi que quero vê-lo ainda hoje, por isso, estou a caminho do aeroporto...

- Clara... acho melhor você vir até aqui, ver isso, primeiro... - disse Jennifer. - Foram tiradas hoje, na porta do Chez Montagne...

Clara pegou o iPad e não conseguiu acreditar em seus olhos, mas a foto que ilustrava a matéria de um site de fofocas era de Jack beijando Ann Kurtiss na boca...

- Não estou entendendo... o que essa biscate está fazendo em cima do meu marido? - disse Clara devolvendo o aparelho para Jennifer. - O que é isso?

- Não sabemos também, querida. - disse Cindy. - Desculpe. Estávamos dando uma olhada no Facebook quando alguém postou esse link no meu mural.

Jack havia lhe dito alguma coisa sobre fotos publicadas, no telefone, mas ela não esperava por aquilo. Seu marido beijando novamente uma ex-namorada que, segundo ele, era louca e estava naquele exato momento com Michael Silver, no Ritz.

- Bom, já comprei minha passagem... vou pegar um taxi até o aeroporto, vou pedir explicações do Jack sobre isso e... quem eu estou enganando? Vou para casa porque estou morrendo de saudades dele... - suspirou Clara.

- Querida, não deve ser nada... - disse Patty. - Você sabe como são esses fotógrafos...

- Eu sei... e sei também como é a tal da Ann. Não perde uma oportunidade de tentar agarrar meu marido em público. Deve achar que vai passar para a história como a amante que roubou o noivo do casamento do ano, ou alguma estupidez do gênero.

- Pode ser isso mesmo, Clara. - disse Cindy. - O Jack não faria isso gratuitamente... Sabe que você é ciumenta.

- Tem razão, ele não faria mesmo... Estou triste... mas vou para casa assim mesmo. Coloquei nesta bolsa minhas jóias, cremes e todas aquelas coisas com que implicam no embarque, no aeroporto. Por favor leva para mim...

- Claro, querida. Você vai de voo comercial, pobrezinha. - disse Jennifer. - Toda aquela chatice...

- Eu vou ficar bem... não gosto, mas todas as coisas com que eles poderiam implicar estão aqui. Até meus remédios da asma. Tomo este comprimido uma vez por dia, à noite. Então posso tomar um antes de sair e só tomar o próximo, amanhã, quando estivermos todas juntas novamente.

- Claro, querida. Vou levar a bolsa comigo. Aliás, deixarei esta bolsa no meu cofre até amanhã. Suas jóias são tão lindas, não podemos arriscá-las. - disse Jennifer.

- Obrigada, querida. Vou pedir meu taxi...

- Taxi? Não, querida! Meninas, vamos levar a Clara ao aeroporto, não vamos? - disse Jennifer. - Vamos lá pegar nossas bolsas, Clara traz suas malas, vamos embora?

- Obrigada Jenni! - sorriu Clara e voltou para seu quarto para pegar as malas e dar uma última olhada para ver se não tinha esquecido nada.

O caminho até o aeroporto foi lento, no trânsito de final de tarde, mas as quatro amigas enfrentaram tudo com muito bom humor. Clara estava ansiosa por chegar e repetia para si mesma as razões para não contar nada do que Jack havia lhe dito sobre Michael Silver e Ann Kurtiss.

- Não consigo deixar de pensar na foto do Jack beijando aquela biscate. - suspirou Clara. - Sabe que ele até já me disse que, com exceção da Mary, todas as ex dele tinham virado inimigas...

- Ai querida... converse com ele... talvez ela o tenha agarrado quando viu os fotógrafos... - disse Cindy. - Ele gosta tanto de você. O David me disse ontem no telefone que o Jack chorou o voo inteiro para Londres ontem e que demorou horas até eles poderem começar a trabalhar no estúdio por isso.

- Tadinho... - disse Clara, as lágrimas escorrendo de seus olhos. - Olha só o que ele faz comigo...

- Vocês são lindos... - disse Patty. - Vai lá agarrar aquele homem, querida!

- Obrigada queridas... - disse Clara - Até amanhã... Mando uma mensagem quando chegar em casa...

Clara despediu-se e seguiu para a sala de embarque através de um longo corredor, seus sentimentos eram contraditórios, sentia culpa por não ter contado o que sabia à Jennifer uma de suas melhores amigas naquela fase de sua vida, mas ao mesmo tempo experimentava um certo alívio por ter conseguido chegar à sala de embarque sem revelar aquele segredo que, afinal de contas, não era dela, era de Jack e comprometeria seu marido diante de um amigo.

- Amor, já estou na sala de embarque.

- Querida! Que bom, já estou me preparando para sair de casa, sabe como o caminho até o aeroporto é chato nesse horário. Vou descer e falar com o David.

- Antes disso, amor. Por que mesmo você tinha que beijar a Ann Kurtiss na boca, na porta do restaurante?

- Ah! Aquilo... foi ela quem me agarrou, amor... Assim que viu os fotógrafos, ela pulou em mim e me beijou. Não a empurrei para não piorar a situação. Você sabe que ela é louca...

- Sei... Mas fiquei chateada com aquela foto...

- Não fica não... Vou compensar aquilo te mimando hoje a noite toda, no nosso hotel...

- Hotel? Acho melhor irmos para Heathcliff Hall. Você precisa trabalhar. Já estou me sentindo culpada por não contar para Jenni sobre o Michael e aquela biscate, não quero me sentir culpada por te tirar do estúdio também.

- Você que sabe, meu amor. Eu pedi para o Michael Peters mudar a Ann do nosso quarto e ele está reservado para nós. Mas se você prefere vir para cá, tudo bem. Você quem manda, querida.

- Ah meu amor, queria poder adiantar o tempo e chegar aí em um piscar de olhos... - suspirou. - Acho que estão chamando meu voo. Vou embarcar, querido, até daqui a pouco.

- Até daqui a pouco, querida. Vou lá embaixo avisar o David e já saio. Boa viagem, amor...

- Obrigada, querido... beijos, até daqui a pouco.

Ajudado por um bom vento de cauda, o voo chegou rapidamente em Heathrow. Clara pegou sua bagagem na esteira e seguiu com os outros passageiros até o portão de desembarque, onde logo viu Jack, no saguão, com um bouquet de rosas cor de lavanda nas mãos.

- Ai Amor! Que saudades... - disse, abraçando-o e beijando-o.

- Trouxe estas flores para você, querida. - sorriu Jack, enquanto câmeras de repórteres acompanhavam cada movimento dos dois.

- Clara, fala com a gente... - uma das repórteres pediu. - Sou do Mirror... por favor...

- Desculpem, mas não tenho intenção de falar com ninguém... Procurem nosso assessor de imprensa para marcar entrevistas. Não gostamos que perturbem nossa privacidade. - disse Clara pegando Jack pela mão e andando rápido pelos corredores do aeroporto.

- Ah, por favor, Jack fala conosco... - outro repórter provocava. - O que sua esposa achou das fotos que circularam hoje na internet de você beijando a Ann Kurtiss?

Eles continuavam cercando os dois e como o caminho até o estacionamento era longo, Clara resolveu então livrar-se da perseguição. Parou e sussurrou no ouvido de Jack: - Confia em mim... tive uma ideia.

- Bem, vocês não nos deixarão mesmo em paz. Então, falarei com vocês. Mas com uma condição; assim que dissermos que terminou, vamos seguir para nosso carro e vocês não nos seguirão mais. OK? Ou será que preciso chamar a segurança do aeroporto?

Os repórteres aceitaram as condições de Clara e ela então afastou-se de Jack para responder as perguntas. - Ah! Antes que me esqueça. Deixem meu marido em paz, por favor, sou eu quem vai falar com vocês... E organizem-se porque não consigo entender quando vocês falam todos ao mesmo tempo...

- Clara, meu nome é Clark, sou do Mirror. Então, o que você achou das fotos publicadas hoje na internet do seu marido beijando a ex-namorada dele, Ann Kurtiss?

- Sinceramente, Clark. Aquela foto é puro sensacionalismo. Meu marido gravou com ela na semana passada e no restaurante, com eles, estava toda a Crossroads e alguns músicos da banda dela... E o que era um almoço entre amigos foi publicado por vocês como um encontro entre ex-namorados...

- Mas você também foi flagrada beijando o Mick Jagger na porta de um restaurante... - disse uma outra repórter.

- De novo isso? Que falta de assunto! O Mick Jagger é nosso amigo, meu e do meu marido e naquele dia, estávamos em um grupo de amigos comemorando coisas muito boas que tinham acontecido. O tal do beijo foi só uma brincadeira entre dois amigos... Mas isso não teria graça nenhuma para vocês, que vivem de invadir a vida dos outros, não é?

- Mas desde então existem rumores de que vocês estão se separando e que você se casaria com o Mick Jagger...

- O Mick Jagger tem uma namorada, que é minha amiga e vocês são todos loucos... Bem, queridos, é isso... Sério, vão procurar um trabalho mais digno para vocês. Sou jornalista também, mas tenho vergonha de que meus pares achem que invadir a vida de pessoas públicas seja um ganha-pão apropriado.

- Já chega! - disse Jack aproximando-se. - Se vocês querem saber sobre nós, anotem aí; estamos juntos, felizes e já perdemos tempo demais com suas bobagens. Tenham uma boa noite porque nós teremos... Tchau, boa noite!

Jack abraçou Clara e os dois saíram do corredor do aeroporto, entrando na passagem que levava ao estacionamento, deixando para trás todos os repórteres.

- Amor! Você foi linda! Acabou com eles... - riu Jack enquanto colocava as malas no porta-malas do carro. - Você é incrível, Menininha...

- A culpa é sua... Quando você está comigo, não tenho medo de nada... - sorriu e beijou Jack.

- Vamos, para Heathcliff Hall. Conversei com o David e ele quer ensaiar... sabe como ele é...

- É melhor amor. Não quero atrapalhar seu trabalho. Já me sinto culpada por ter bagunçado toda a sua vida, não preciso de mais essa culpa...

- Querida, só decidi voltar para a banda porque você está comigo, você não bagunçou nada, pelo contrário, está transformando toda dor e sofrimento em alegria... não sinta culpa nem por um segundo. Você é minha vida agora...

- Jack, meu querido... - disse Clara acariciando-o. - Estamos quase em casa, amor...

Continua

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