24 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LX


Os dois desceram pontualmente às 10, já prontos para a praia, Clara transformou uma canga em vestido que usou sobre o biquini e Jack usou uma camiseta branca e uma das bermudas que havia comprado em Londres antes da viagem. Aliás todos ao redor da mesa já estavam prontos para a praia, usando roupas leves e coloridas sobre suas roupas de banho. E mesmo com roupas de praia, aquele ainda era um grupo que chamaria atenção pela elegância.

- Vou levá-los a um lugar inacreditável hoje. - disse Mick. - Mas é preciso ter alguma habilidade de mergulho, vocês todos têm, não?

- Faltei nessa aula, Mick. - sorriu Nancy. - Não sei nem nadar direito...

- Eu sei nadar e adoraria ir, mas hoje não posso... - disse Clara. - Tive uma crise de asma de manhã e, quando isso acontece, preciso ficar perto dos meus remédios e não posso fazer exercícios pesados.

- Querida, não sabia que você tem asma... - disse Mick beijando sua mão. - Mas você está bem agora?

- Estou, mas seria muito arriscado mergulhar. Eu poderia passar mal nadando...

- Não. Você tem razão... - disse Mick. - Quem vai? Jack? David? Cindy?

- Eu vou, você fica com a Clara, Nancy? - perguntou Jack.

- Eu fico. Não se preocupe Jack. - disse Nancy. - Paul você vai?

- Acho que não, querida. - sorriu Paul. - Nunca fiz o tipo atlético, não me arrisco no mar. Sou um homem de piscina e bicicleta...

- Adoro bicicleta, Paul. - sorriu Clara. - Era meu meio de transporte no Brasil.

- Então você gostará muito de conhecer minha vinícola, querida. Aliás, quero convidar todos vocês para conhecê-la, faremos muitos passeios de bicicleta por lá. Vocês irão gostar muito... É um paraíso! - disse Paul.

- Você comprou uma vinícola? - sorriu Jack. - Onde fica?

- Fica na Itália, na região da Toscana... - sorriu Paul. - Depois da lua-de-mel vamos todos passar uns dias lá...

- Pode inscrever eu e o Keith nessa excursão porque amamos vinho... - sorriu Ron.

- E vinícolas... - riu Keith.

- Essa vinícola já produz vinho? - perguntou Jack.

- Já... - disse Paul. - É uma linha popular, mas meus consultores disseram que se forem feitas algumas melhorias, o lugar tem muito potencial para fazer vinhos chianti de primeira linha.

- Parabéns Paul! - disse Mick. - Eu sempre quis entrar no mundo dos vinhos, mas vocês sabem como sou, teria que ficar lá cuidando de tudo e uma vinícola dá muito trabalho.

- Bom Mick, eu sou bem mais tranquilo com estas coisas. - disse Paul. - Contratei um especialista italiano que me foi bem indicado e enquanto ele cuida de tudo, eu vou lá só para curtir o lugar. Tudo está muito bem encaminhado...

- Ah! O Mick não consegue fazer isso... - riu Keith.

- Acho que não, mesmo - riu Mick. - Então? Todos prontos para embarcar para a ilha?

Aos poucos os convidados foram levantando-se da mesa e indo buscar as bolsas com seus acessórios de praia. Clara e Jack carregavam em sua sacola toalhas, um protetor solar e os dois celulares.

O trajeto de barco foi rápido e logo todo o grupo desembarcava no pier do lado oposto da ilha onde um cenário praiano sofisticado havia sido construído. Um conjunto de quiosques, guarda-sóis, cadeiras de praia e mais adiante uma bela piscina, tudo convidava a horas de relaxamento e diversão.

Dentro dos quiosques, um bar completo, uma longa mesa de buffet e algumas mesas menores sinalizavam que o almoço seria servido por ali mesmo. Os empregados de Mick, usando camisas coloridas havaianas e bermudas brancas serviam drinks coloridos aos convidados que foram aos poucos ocupando os espaços.

- Que tal isso, amor? - riu Jack. - O cara mandou construir um mini-Havaí na Cote d'Azur.

- É a cara dele, querido... - riu Clara. - E eu estou adorando!

- Bem, queridos, quem vai comigo ao mergulho na Caverna de Cristal, deve me seguir agora. Iremos naquela lancha menor até o outro lado da ilha. - disse Mick.

- Vai Jack. - sorriu Clara. - Vou ficar aqui na praia com o Paul e a Nancy, está tudo bem, meu amor.

- Já volto. - disse Jack. - Acho que não vai demorar muito, não Jagger?

- Não... - sorriu Mick. - É perto! Não se preocupe, voltamos logo, querida.

- Espera, amor. - disse Clara. - Vou passar protetor solar em você, vem aqui.

Clara espalhou protetor solar por todo o corpo de Jack e ele a agarrou e beijou tão apaixonadamente que ela sentiu-se um tanto embaraçada quando ele se afastou, seguindo Jagger e os outros convidados até a lancha.

- Keith? Você não vai? - perguntou Clara.

- Não querida... não faço esse tipo esportista-aventureiro do Mick. Prefiro aproveitar a praia...

- Quer protetor solar? - perguntou Clara.

- Acho que não precisa... - sorriu Keith. - Esse "couro velho" aguenta bem o sol... obrigado!

- Eu não posso abrir mão... - sorriu Clara. - Fico toda ardida com qualquer solzinho...

- Você é mesmo um achado, Clara. - sorriu Keith. - o Jack deve ter chorado por dias depois que te encontrou! Linda, inteligente... não é a toa que a raposa velha do Mick está tão apaixonado.

- Ele te disse isso?

- Não precisava nem dizer... Ultimamente ele só fala de você, do quanto é linda e o quanto queria que você estivesse com ele.

- E o que você acha que devo fazer? Estou muito confusa, amo meu marido, mas não quero magoar o Mick...

- É complicado, eu sei... quando o Mick coloca alguma coisa na cabeça, não tem quem consiga tirar, mas você pode começar não fugindo. Ele é um caçador nato e quanto mais uma mulher foge, mais ele se sente estimulado a correr atrás dela.

- Então é melhor eu conversar com ele, preciso conseguir fazer isso longe do Jack porque ele tem ciúmes e não entenderia.

- Se precisar da minha ajuda, estou a diposição, querida! - sorriu Keith. - Vem, vamos tomar um drink?

- O que você bebe? - perguntou Keith já na frente do barman.

- Champagne. - repondeu Clara.

- Um uísque e um champagne. - disse Keith ao barman. - Esse é seu veneno, não?

- Não... na verdade, não sou nem de beber, Keith. O que aconteceu naquele dia das fotos foi que estava com muitos ciúmes do Jack e queria devolver a dor que estava sentindo de algum jeito. Acabei dando um vexame.

- Ah, querida... - riu Keith. - Aquilo não foi nada... vexame? Não dá para chamar aquilo de vexame...

- Mas acho que magoou o Jack. Ele até me apoiou em um primeiro momento, mas tivemos uma discussão horrível depois...

- Ah... Não liga muito para isso.

- Estou tentando não ligar... - sorriu - Vamos nadar um pouco?

- Mas você não disse que não podia nadar? - perguntou Keith.

- Não posso me esforçar muito, mas posso brincar um pouco aqui no rasinho. Vem, vamos lá... Ah! Se eu ficar com falta de ar, meu remédio está naquela sacola azul, nas cadeiras ali embaixo, ok?

- Não se preocupe, corro até lá para buscar seu remédio...

Clara e Keith foram para o mar e ela se surpreendeu com a água gelada e a profundidade do mar a poucos passos da areia. Os dois encontraram Paul e Nancy brincando na água, enquanto Patty continuava tomando sol, estendida em sua cadeira.

Logo Clara começou a ouvir a lancha de Mick aproximando-se e saiu da água, para esperar pela chegada de seus amigos. Mas ao começar a caminhar pela areia, ela começou a sentir falta de ar novamente. Lenta e controladamente então, Clara caminhou até sua sacola, pegou seu remédio e o usou.

Jack que já vinha caminhando em sua direção, correu para ela aflito.

- Amor, você está bem?

- Estou, Jack! Já tomei meu remédio. Tive um pouquinho de falta de ar e ele resolveu.

- Que bom! Te trouxe um presente... - disse Jack abrindo as mãos e revelando um pedaço de cristal transparente. - O Mick me ajudou a tirar da caverna, para você, meu amor... Queria tanto ter dividido aquele lugar com você, de um minuto para o outro a caverna toda se enche de luz e as paredes brilham...

- Que lindo amor! Obrigada! - disse Clara beijando-o. - Vou mandar um joalheiro montar em um pingente, para carregá-lo sempre comigo...

- Querida, você está bem? - perguntou Mick aproximando-se. - O Keith me disse que você teve uma crise...

- Está tudo bem, Mick. - sorriu Clara. - Tive um pouco de falta de ar, mas o remédio resolveu...

- Então vamos almoçar? - convidou Mick. - O chef Mardien nos preparou um almoço maravilhoso...

Clara e Jack secaram-se com suas toalhas, vestiram-se e caminharam até a cabana de praia, agora pronta para o almoço. Garçons usando camisas havaianas serviam drinks coloridos e o almoço a seguir; lagosta ao champagne, especialidade do chef.

Aquela tarde de praia e amigos seguiu divertida e logo Mick chamava todos para embarcar de volta no iate para a viagem de volta ao castelo. A bordo, mulheres e homens novamente separaram-se, enquanto eles estavam na parte de dentro do barco, sentados nas poltronas discutindo seus planos para logo mais à noite, no estúdio de Jagger, as mulheres ainda aproveitavam o sol no deck aberto e falavam sobre os preparativos para o casamento de Paul e Nancy.

- Clara, querida, vem aqui um pouquinho, o Mick quer falar com você. - disse Jack, ao chegar no deck.

- Já vou, amor! - disse ela levantando-se e vestindo novamente sua canga. - Já volto...

Clara ficou imaginando o que Mick poderia estar querendo com ela e de mãos dadas com Jack entrou na sala.

- Querida! - sorriu Mick. - Pedi que seu marido fosse buscá-la porque estava contando a ele sobre a música que fiz para o disco que o David e ele querem produzir para você... Quando descermos hoje, após o jantar, para o estúdio, você vem conosco... quero que você a aprenda e podemos fazer uma demo...

- E vocês abandonarão suas esposas para passar a última noite do final de semana fechados no estúdio? - Clara perguntou com um certo tom de indignação na voz.

- Se elas quiserem, podem ficar na sala de controle. - sorriu Mick. - Lá elas podem continuar conversando sem nos atrapalhar...

- Isso! - riu Keith. - Assim elas sabem que não estamos juntos para falar mal delas, como elas sempre acham que estamos...

- Não é verdade, Keith... - sorriu Clara. - Nós apenas nos sentimos abandonadas e sem forças para lutar contra a amante que todos vocês sempre terão: a música!

- O que vocês não entendem é que a música não é uma amante. - sorriu Mick sedutoramente. - E ela apenas toma o lugar das mulheres que não são para sempre em nossas vidas...

- Exatamente, princesa. - interrompeu David. - Vocês sempre falam isso, mas não percebem que sempre chamamos vocês para perto. Até quando viajamos para tocar... se vocês acham chato nos seguir, o erro não está em nós...

- Mesmo porque, a estrada é dura. - disse Mike. - E quando queremos dividir o que estamos sentindo com alguém, onde ela está? Em Paris, comprando mais uma centena de pares de sapatos...

- Ou em Viena, correndo antiquários atrás de uma maçaneta do século XVIII... - sorriu David. - Vocês nos abandonam e depois se queixam... Mas música e mulher nunca foram a mesma coisa.

- Se fossem, eu seria o cara mais feliz do mundo agora. - disse Mick olhando Clara nos olhos. - Mas não sou...

- Hum... pelo jeito cheguei a uma reunião do sindicato, carregando um cartaz escrito "Viva os Patrões!" - sorriu Clara. - Mas vocês sabem que o final de semana logo estará terminando e vamos nos separar novamente e suas esposas querem apenas uma noite romântica, ao lado de seus maridos e não apenas ouvindo a música que eles fazem... a música é brilhante e linda, mas dançar ao luar seria ainda mais... entenderam?

- Bom, podemos fazer um acordo então... - disse Mick. - Fazemos a gravação da demo e subimos todos para dançar no terraço, fazendo um revezamento nos microfones... mas com uma condição...

- Qual condição? - perguntou Clara.

- Você também canta para nós... que tal? - propôs Mick sorrindo.

Clara olhou para Jack e para David pedindo socorro, mas resolveu que seria uma boa oportunidade para testar sua capacidade e aceitou o desafio.

- Ok! Então teremos um baile hoje à noite! Vou avisar minhas amigas... - disse subindo para o deck.

- Clara! - disse Jack correndo atrás dela e beijando-a. - Eu te amo! Não se preocupe, eu e o Dave vamos te ajudar...

- Lindo! Eu te amo tanto... Se for preciso cantar para ter você nos meus braços, então eu canto...

- Meu amor, vem aqui, vem... - disse Jack empurrando-a contra a parede do barco e beijando-a de um jeito tão apaixonado, que seus joelhos ainda falhavam quando ela subiu para o deck onde suas amigas tomavam sol.

- Bem, queridas... - sorriu Clara ao chegar ao deck. - Eles querem que eu grave uma demo no estúdio, nesta noite. Vocês todas estão convidadas para ficar na sala de controle e o melhor é que depois de gravarmos, teremos outro baile no terraço.

- Que bom! - sorriu Patty. - Você é mesmo surpreendente, querida! E nós que achamos que nossa noite de sábado seria vendo TV nas nossas suítes. Obrigada!

- Eles concordaram em revezarem-se no palco, mas terei que cantar também. - sorriu Clara. - Ao menos vou dançar um pouco com meu marido quando não estivermos cantando.

- O que? Eles irão te fazer cantar? - riu Cindy. - E você não está em pânico?

- Não mais... - suspirou Clara. - O Jack vai estar ao meu lado. Acho que não tenho o que temer quando isso acontece...

- É, não tem jeito... - sorriu Jennifer. - Já vi gente apaixonada, mas igual a vocês...

- O Jack deve ser mesmo muito bom "na coisa"... - sorriu Gianna. - Você está sempre suspirando por ele...

- Gianna, ele é um sonho! - sorriu Clara. - Ah! Outra coisa, meninas... disse para eles que estávamos cansadas de lutar contra a maior amante deles, a música e eles disseram que a música só ganha das mulheres que não são para sempre. Que eles sempre nos preferem... Foi tão bonitinho... Queria que vocês tivessem ouvido...

O desembarque no pier do castelo foi rápido. O por-do-sol se aproximava e todos tinham muito a fazer antes do jantar e depois ainda viria o estúdio e a festa. Mick adiantou o horário do jantar daquela noite para as 8 e também correu para ordenar que todas as providências fossem tomadas.

Clara e Jack subiram para seu quarto, tomaram banho juntos na banheira de mármore e cuidaram um do outro com cremes e óleos essenciais.

- Então querida, pronta para cantar hoje à noite? - sorriu Jack enquanto massageava Clara.

- Não sei, Jack. Estou um pouco apavorada, acho... Mas estarei com você no palco, não?

- Sim, amor... Você sempre pode contar comigo...

- Então estarei bem... - sorriu Clara levantando-se da cama e beijando-o. - Você me faz conseguir acreditar que sou capaz de qualquer coisa... acho que se saltar daquele terraço ali conseguirei até voar...

- Linda... - disse Jack empurrando-a de volta na cama e acariciando seu corpo suavemente. - Acho que não chegaremos a tempo para o jantar...

Os dois se amaram lentamente, deixando cada um dos seus desejos manifestarem-se plenamente. Depois que terminaram, um escolheu as roupas que o outro vestiria.

Clara separou para Jack uma camisa branca com babados, que ela havia acabado de comprar e combinou-a com botas pretas e com uma calça black jeans. Enquanto, Jack, escolheu para ela um vestido de veludo vermelho, justo ao corpo, com um decote profundo nas costas.

- O que foi, amor? - perguntou Clara ao vê-lo aproximar-se ainda nu, através do espelho da bancada em que se maquiava, no banheiro. - Faltou alguma coisa?

- Faltou sim, amor... - disse abrindo a gaveta da bancada e tirando dela um estojo preto de veludo. - Pedi para a Jenni me ajudar a comprar esse presente para você... espero que seja do seu gosto...

Na caixa preta, da joalheria Cartier, uma linda gargantilha de diamantes e um par de brincos.

- Querido! Que lindo! Devem ter custado uma fortuna...

- Mas ficará lindo no seu pescoço, é isso o que importa, meu amor... - disse colocando o colar no pescoço de Clara. - Olha só, meu amor...

Clara levantou-se da cadeira e beijou-o. Longa e apaixonadamente, sentindo seu coração inundado por uma nova onda de carinho por aquele homem.

- Meu amor... nunca, nem nos meus sonhos mais loucos imaginei que você seria tão doce e tão maravilhoso comigo... nem sei se mereço tanto amor...

- Querida, você é a razão desse amor... cada gota desse oceano que se agita aqui dentro de mim desde que te vi pela primeira vez. Te quero tanto que quase enlouqueço só de imaginar a possibilidade de ficar longe de você.

- Nunca, minha vida... nunca. - disse Clara beijando-o novamente. - Eu vim para ficar, não conseguiria viver sem você. Sou completamente sua...

Os dois vestiram-se e desceram para o salão onde os convidados que já tinham descido para o jantar, bebiam champagne e comiam delicados hors d'ouvres servidos por garçons. O clima praiano tinha ficado na ilha, no castelo à noite, tudo era novamente sofisticação.

Para Clara tudo também era romance, ela e Jack não se largavam nem por um segundo e mesmo seus amigos mais próximos pareciam entender.

O jantar passou rápido demais para Clara, que, com medo de perder o fôlego na hora de cantar, comeu e bebeu muito pouco. Todos então desceram no estúdio, uma sala grande e confortável, onde se destacava um imenso piano preto, onde Mick, depois de dar ordens a um técnico de som na sala de controle, levou Clara pelas mãos.

- Que mão gelada, Clara. - disse Mick. - Você está com frio?

- Não, querido. - sorriu Clara. - Acho que estou nervosa. Você se importa se eu chamar o Jack para ficar ao meu lado?

- Claro que não, querida. - sorriu Mick. - Jack, sua esposa precisa de você; vem aqui perto dela.

Mick sentou-se no piano onde pegou uma copia da partitura da música e a estendeu a Clara. Depois ele cantou a música duas vezes para tentar fazer com que ela se acostumasse com a melodia, já que ela não sabia ler partituras.

Jack gostou da música e disse que existia espaço para uma harmonização de sua própria voz e os dois ensaiaram juntos e cantaram juntos três vezes antes de gravar a demo, que foi entregue para David em um pendrive e finalmente todos estavam livres para o baile.

E todos subiram para o terraço, e todos os músicos passaram a revezarem-se nos instrumentos e microfones e com Clara, agora mais relaxada, cantando duetos com Jack; a nova música de Mick e mais tarde "In the Light" e uma terceira, do disco dele com Ann Kurtiss, que Clara conhecia bem e por isso conseguiu acompanhá-lo. E os dois arrancaram aplausos de todos.

- Então, meu amor? - Jack sussurrou em seus ouvidos enquanto dançavam. - O palco não doeu, não é?

- Ao seu lado, nada dói, meu amor... - sorriu Clara.

Felizes, ela e Jack subiram para sua suite horas mais tarde, quando o dia já estava amanhecendo. Deitaram-se e dormiram abraçados.

Os planos para a manhã seguinte eram de aproveitar novamente a praia na ilha, mas o dia amanheceu chuvoso e o mar cinzento e mexido convidava a ficar no castelo. E logo após o café da manhã, mais uma vez, homens e mulheres se dividiram e o estúdio foi o lugar escolhido por eles para aquele domingo.

Clara, que na noite anterior havia impressionado a todos com sua voz, foi convidada a acompanhá-los. As suas amigas, por sua vez, aproveitaram a academia completa montada em um dos salões do primeiro andar do castelo e mais tarde, depois de almoçar, foram para o salão de jogos, onde podiam jogar sinuca, brincar em mesas de carteado, ou em jogos de arcada e simuladores de carros de corrida.

Jack estava muito feliz de tê-la ao seu lado e não a soltava por nem um minuto. Clara dividia os microfones com os convidados e deles recebia verdadeiras aulas de como colocar melhor sua voz e a cada nova canção, sentia-se mais e mais segura naquele ambiente.

E muito feliz. Era inacreditável que ela estava ao lado daqueles músicos que tinha passado a vida inteira admirando e eram eles que faziam sugestões e a aplaudiam quando ela conseguia atravessar uma canção inteira.

Ela estava no céu, suas amigas nem tanto. Reclamavam por hábito embora já estivessem acostumadas àquela ausência. A música era o centro da vida daqueles homens, todo o resto era secundário e as horas de espera e solidão para elas, eram inevitáveis.

- Quer um uísque, amor? - Jack perguntou para Clara, em um intervalo da atividade musical pedido por Mick que tinha parado tudo para atender seu celular.

- Quero sim, Jack. - sorriu. - Então? Você acha que consigo?

- O que? Beber uma dose? - riu.

- Não, amor! Cantar... - suspirou. - Nunca sonhei que isso fosse possível e agora tenho medo de estar muito entusiasmada com algo que não é para mim...

- Vem aqui, meu amor... - disse Jack pegando-a pela mão e levando-a até o meio da sala. - Você está vendo alguém aqui dentro que começou ontem, ou que não entende nada de música?

- Não... mas...

- Mas nada... - riu Jack. - Se você não acredita no que digo e acha que só falo essas coisas porque quero te agradar, então acredita neles... eles não dormem com você e amam a tua voz.

- Desculpa, querido. - disse Clara aproximando-se dele e brincando com seus cabelos. - Claro que acredito em você, é que para mim, este cenário ainda é tão surreal...

- Princesa... - David interrompeu a conversa deles. - Você só precisa acreditar mais em você mesma. Relaxar e deixar a música sair... a voz está aí... é só sentir isso aqui dentro de você e sair cantando...

- Obrigada David... Vou tentar com todas as minhas forças... quero que vocês se orgulhem de mim...

- Já nos orgulhamos, querida! - disse Mick voltando do telefonema. - Bem, queridos... vou precisar subir porque meu advogado não está entendendo o que eu quero. Acho que precisarei desenhar para ele. Vocês continuam por aqui, ou preferem fazer média com suas senhoras lá em cima, bem antes da hora do jantar, desta vez?

- Vamos subir sim... - riu Paul. - Vou me casar na semana que vem e minha noiva, a essas horas, já deve está lá em cima pedindo divórcio...

- Meus queridos, vocês nem imaginam o que elas falam quando vocês não estão por perto. Elas se sentem sós, tristes; são todas Penélopes esperando por seus Ulisses, com o coração partido, mas sempre na esperança de que algum vento mágico os traga de volta para seus braços.

- Isso é lindo, meu amor... - disse Jack abraçando-a.

- Senhores, vamos subir? - sorriu Jagger. - Nossas Penélopes nos aguardam, com os olhos perdidos no mar e os braços abertos. E precisamos que uma delas viesse até aqui e nos lembrasse disso...

Depois do discurso de Clara, a noite foi de puro romantismo. Ela e Jack não se desgrudaram. Nem desceram para o jantar, preferindo passar a noite toda no quarto, namorando.

A manhã seguinte foi corrida, malas arrumadas apressadamente e deixadas nas mãos dos empregados para serem embarcadas nas limousines que os levariam de volta ao aeroporto.

Juntos nas limousines, mas separados nos aviões. Clara a caminho de mais uma viagem de compras em Paris, para preparar-se junto com suas amigas para o casamento de Paul com Nancy e Jack, voltando com seus amigos para Londres, para mais algumas sessões de ensaios para a turnê, que se aproximava rapidamente.

Mas mesmo com toda correria, a notícia de última hora de que Mick e Gianna iriam para Paris no mesmo avião particular que Clara e suas amigas, deixou Jack enciumado e Clara preocupada. Ao menos estava tudo acertado que Jagger e sua namorada, assim como Paul e Nancy se hospedariam no hotel George V até quarta- feira.

Clara passou a maior parte da viagem até o aeroporto Charles de Gaulle calada, mas suas amigas estavam agitadas, pensando em tudo o que fariam nos dias que faltavam até o domingo, quando seria o casamento.

Continua

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