20 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LVIII


As três limousines entraram pelo portão do aeroporto e seguiram até as proximidades do hangar que abrigava o jatinho particular de Jagger.

Mick, um grupo de seguranças e empregados, aguardavam por seus amigos próximos ao avião. Assim que Clara e Jack desceram do carro, ele fez questão de chamá-los para uma conversa particular.

- Quero que vocês me desculpem. - disse Mick. - Sou inteiramente responsável por tudo o que aconteceu ontem naquele restaurante. Me excedi completamente... Vou entender se vocês não quiserem mais falar comigo...

- Não Mick! Não tem problema algum... - Jack tranquilizou-o. - Você é nosso amigo e estamos muito felizes de estar aqui...

- E será uma honra subir ao palco com você, no ano que vem... - acrescentou Clara sorrindo. - Até o momento em que você me convidou, ainda tinha muito medo de palco, agora sei que farei qualquer coisa para superar esse medo só para ter essa alegria.

- Desculpa, Jack... - sorriu Mick, pegando as mãos de Clara e beijando-as. - Mas sua mulher merece um beijo.

O voo até Nice levou um pouco mais de uma hora para chegar e a turbulência, que balançou o avião, deixou Clara assustada, ela se agarrava a Jack a cada novo balanço.

- Você está bem, querida? - Mick perguntou ao notar que Clara escondia o rosto no peito de Jack.

- Ela não gosta de aviões pequenos, Mick. - sorriu Jack.

- Mais uma razão para comprar um avião grande, Jack. - sorriu. - O da turnê de vocês será grande, não?

- O Mike já está providenciando um boeing. - respondeu Jack. - Não consigo ver meu amor sofrendo assim...

- Mas todos nós sofremos com isso, Jack. - interrompeu David. - A Clara não é a única que não gosta destes aviões pequenos... a Cindy também acabou de arranhar meu braço...

- Desculpa, querido... - riu Cindy. - Não consigo me acostumar com isso... estes aviões me apavoram.

- Alguém quer uma bebida? - perguntou Mick. - Temos uísque, champagne, vinho...

Todos aceitaram a oferta e ele levantou-se de sua poltrona e serviu-os como o mais elegante dos comissários de bordo. Clara e Jack beberam champagne, mas não se largaram.

A bebida ajudou a relaxar um pouco o grupo e quando o avião finalmente pousou no aeroporto de Nice, todos sorriam e conversavam, enquanto Mick contava a eles os planos para o final de semana.

Um comboio de limousines os levou por uma estrada tortuosa e estreita que cortava a região montanhosam, rumo ao Chateau St Jordan, uma construção do século XVIII, erguendo-se entre as paredes íngremes de uma grande montanha que termina abruptamente sobre o mar.

Um bosque muito verde sobe pela montanha, tingindo de verde as pedras e ajudando a completar uma paisagem que inclui ainda um porto para pequenas embarcações e uma pequena ilha próxima, banhada pelo mais azul Mediterrâneo, tudo parte da propriedade cinematográfica que estava na lista de desejos de Jagger há anos.

E depois de pequenos ajustes, Mick estava começando a usufruir daquele cenário maravilhoso. Os carros se aproximavam lentamente e chegaram ao páteo do palácio no exato momento em que o sol se punha, tingindo o céu com seus vermelhos e laranjas.

- Jack, olha só esse lugar... - disse Clara. - É deslumbrante...

- Você é mais... - disse Jack agarrando-a e beijando-a tão intensamente que precisariam de uma dose extra de autocontrole na hora de descer do carro.

Todos entraram no palácio e ficaram impressionados com seu luxo e beleza. Cindy, a mais empolgada de todos, fazia questão de observar de perto cada um dos seus detalhes. Do piso de mármore do hall de entrada, iluminado pelos raios do sol que entravam por uma imensa janela no alto da torre arredondada que subia muitos metros, ao salão que se abria para além dele completamente iluminado por uma enorme janela voltada para o mar.

- Este lugar é inacreditável, Mick. - disse Cindy. - Parabéns! Você fez uma ótima aquisição...

- Obrigado, querida... - sorriu Mick. - Passei tanto tempo negociando que até tinha me esquecido por que me apaixonei por ele em primeiro lugar. Vou primeiro instalá-los em seus quartos e em seguida faremos o tour completo do chateau St Jordan. Acompanhem-me...

Todos seguiram atrás de Mick, subindo por uma imponente escadaria de mármore até o segundo andar onde ficavam os quartos todos adaptados para belas e bem equipadas suites. A que Clara ocuparia com Jack tinha as paredes na cor lavanda e vasos com arranjos com muitas rosas brancas e lavanda.

O quarto tinha ainda uma porta para um grande terraço que se estendia sobre o azul do mediterrâneo, decorado com muitas plantas e com uma mesa e cadeiras disponíveis para quem quisesse dali apreciar a beleza da paisagem.

- Mick, este lugar é um sonho... - disse Clara. - Obrigada por nos convidar...

- Ah querida! Só é um sonho quando você está aqui... - disse Mick em português aproveitando que Jack estava distraído olhando para o mar, no terraço.

- Por favor, Mick. - respondeu Clara assustada.

- Querida, Mick, venham aqui... - chamou Jack, do terraço. - Olha só alguém está soltando fogos ali adiante...

- Que lindo! - disse Clara aproximando-se dele e abraçando-o.

- Bem queridos, tenho outros convidados, vou ajudá-los a instalarem-se também. Se precisarem de alguma coisa é só chamar um empregado através deste intercomunicador. O jantar será às 10 horas. Estava aqui pensando e acho que o tour pelo chateau será feito só amanhã. Chamo vocês daqui a pouco para relaxarmos um pouco lá na torre. - disse Mick apontando para uma das torres do castelo. - É o lugar mais alto e a melhor vista daqui... garanto que vocês irão gostar. Por enquanto, acomodem-se... Ah! Esqueci do mais importante... Se vocês precisarem, tem um cofre aqui no closet... vou anotar a senha para vocês... acho que você vai querer guardar suas jóias, não querida?

- Obrigada, Mick. Tinha até me esquecido delas... - suspirou Clara. - Meu Deus, este lugar é tão lindo....

- Bem, vou cuidar dos meus outros convidados... - Jagger sorriu. - Sou um péssimo anfitrião, sempre me perco nos detalhes...

- Espera Mick. - disse Clara cortando um botão de rosa cor de lavanda e colocando-o na lapela do blaser branco de Jagger. - Obrigada...

Jagger beijou-a no rosto e seguiu de volta para o salão do palácio atrás dos demais convidados.

Quando a porta se fechou, Jack caminhou até ela e pegou sua mão, mas o clima já tinha mudado.

- Por que você fez isso? Você não tinha me dito que o trataria mais friamente?

- O que? - disse Clara surpresa com os ciúmes de Jack. - Ah! Desculpa querido... foi por simples e pura admiração... Estava aqui olhando e pensando... você está na casa do Mick Jagger... desculpa, você tem razão, não devia mesmo ter feito.

- Vem aqui, meu amor, vem... - disse Jack puxando-a pela mão. - Me desculpa também... não tenho direito de falar assim com você. Também admiro muito esse cara que estava aqui agora...

Os dois sentaram-se na cama e não demorou muito até o carinho e o envolvimento entre eles colocá-los novamente em ação e, Jack, que inicialmente parecia um pouco nervoso e inseguro, deu a Clara tanto prazer que, depois do sexo, ela sentia-se bem mais do que um pouco culpada por deixá-lo com ciúmes.

- Meu amor... - disse Jack sentando-se na cama e procurando por seu relógio. - O Mick não ficou de nos chamar para irmos até a tal torre?

- É mesmo... - riu Clara. - Nos empolgamos aqui e esquecemos de todo o resto, mas nada tocou, nem ninguém bateu na porta... Então acho que ninguém subiu...

Enquanto conversavam, o celular de Clara tocou... - Viu só... agora está tocando. - disse ela caminhando até sua bolsa. - É a Cindy...

- Fala Cindy...

- Vocês não vêm para cá? - perguntou Cindy. - O Mick disse que está tentando chamá-los no intercomunicador e não está conseguindo...

- Estamos indo para aí... Mas espera, onde é aí? - riu Clara.

- O Mick disse que vai buscá-los. - disse Cindy.

- Diz para ele esperar um pouco, que encontramos com ele no salão... - riu Clara. - Precisamos nos vestir...

Cindy riu com o que Clara disse e avisou ao Mick que eles estariam no salão dentro de cinco minutos. Jack já se vestia e ajudava Clara pegando suas roupas pelo chão, enquanto ela desligava o telefone.

Os dois desceram as escadas e encontraram seu anfitrião esperando; - Desculpem pela confusão, vou mandar um empregado dar uma olhada no intercomunicador do quarto de vocês.

- Obrigada Mick. - sorriu Clara. - Desculpe, nos distraimos lá em cima...

- Não tem problema, acabamos de subir também. Vamos lá beber e conversar um pouco antes de nos prepararmos para o jantar. Consegui até tirar o Ron e o Keith do estúdio...

- A Patty também veio? - perguntou Clara enquanto os três seguiam por um longo corredor até o hall arredondado da torre.

- Sim, eles estão aqui desde ontem. Passou o dia tomando sol na ilha. - sorriu Mick.

- O dia está tão ensolarado por aqui, que nem parece que o verão já está no fim. - riu Jack.

- Tivemos sorte! - Mick disse. - A previsão do tempo diz que este será o último final de semana aproveitável da temporada.

- Nossa, sei que você já está cansado de ouvir, mas isso é lindo! - Clara disse ao chegar ao bem iluminado hall da torre, com seu piso de mármore branco, onde as portas douradas do elevador se destacavam.

- Também acho querida. - respondeu Mick sorrindo. - Me apaixonei por este lugar na primeira vez que o vi; era um hotel, sabia?

- Mesmo? - sorriu Clara olhando os detalhes do corrimão dourado das escadarias que subiam até o topo da torre. - É magnífico. Não sei se você sabe, mas tenho o hábito de fotografar pequenos detalhes arquitetônicos e flores quando estou estressada. E este lugar é cheio destes detalhes... E desta vez, nem preciso do stress para querer fotografá-los...

- Fotografe a vontade, querida. Eu tive muita sorte com este lugar. Ele pertencia a uma cadeia de hotéis, que o adquiriu da família de herdeiros e adaptou tudo para transformar-se em um hotel inacreditável, que vim a conhecer há uns cinco ou seis anos atrás.
Com as crises na economia, o hotel entregou a propriedade para o banco há uns três anos e o banqueiro, encantado com o lugar, resolveu que viveria aqui e mandou restaurar e transformar o hotel novamente em uma residência particular. Desde que soube que o castelo estava nas mãos do banqueiro, venho fazendo ofertas por ele, mas só agora, há poucos meses, ele resolveu aceitar. Acho que com toda essa crise, ele percebeu que podia recuperar um pouco do seu investimento às custas do meu amor por este lugar. Não estou reclamando, estou feliz porque graças a isso, consegui finalmente realizar meu sonho.

- É mesmo encantador. - disse Jack. - Um sonho e tanto!

O elevador abriu as portas e eles subiram o último lance de escadas até a porta de metal e vidro que se abria para o páteo arredondado de onde a vista do Mediterrâneo era simplesmente incrível.

- Acho que tenho tido muita sorte neste ano! - sorriu Mick abrindo as portas. - Amigos, consegui trazer o querido casal Noble...

Clara e Jack cumprimentaram todos que estavam por lá, bebendo e apreciando a vista. Mas logo o grupo estava dividido, homens falando sobre música e mulheres sobre roupas e sapatos.

- Então amiga, vocês fizeram mesmo as pazes. - disse Cindy ao notar Clara distraída olhando para Jack.

- Sim querida. - respondeu Clara dando um longo suspiro. - Está tudo bem agora.

- Que bom! - sorriu Jennifer.

- Vocês tinham brigado? - perguntou Patty.

- Os últimos dias foram um pouco agitados, por causa da Ann Kurtiss, eu fiquei um pouco nervosa quando soube que ela estava na cidade... - sorriu Clara. - Mas acho que agora está tudo bem.

- Pensei que tivesse sido por causa das fotos dos paparazzi. - riu Patty. - O Keith me mostrou umas fotos suas com o Mick na internet e disse que achava que vocês estavam tendo um caso...

- Não... as fotos só aconteceram porque eu estava louca de ciúmes do Jack. Mas ele foi tão maravilhoso comigo que até cuidou de mim depois de uma bebedeira monstro e não me deixou nem ver as tais fotos, para me proteger. Mas, mudando um pouco de assunto, engraçado, naquele jantar do outro dia, tive a impressão de que o Mick tinha convidado a Ann Kurtiss para vir para cá também.

- Ah, você não está sabendo... - disse Patty. - O Mick pediu ao empresário do seu marido para marcar uns compromissos para ela em Londres neste final de semana. Ele contou para o Keith que sabia que você não gosta dela e queria te agradar.

- O Mick é maravilhoso comigo... sempre. - sorriu Clara, enquanto sentia muita vontade de agradecer a Mick pela ausência de sua rival.

- É por isso que você estava beijando ele naquelas fotos? - riu Patty.

- Eu gosto muito dele, Patty. - disse Clara. - Mas só o beijei porque estava muito fora de mim. O Mick me convidou para cantar com os Stones na próxima turnê. Eu estava triste porque o Jack ia gravar com a Ann e bebi muito champagne. Daí, para lá de bebada, eu o beijei porque estava feliz pelo convite que ele me fez e nem lembrei que naquele lugar sempre tem fotógrafos.

- E o Jack não ficou com ciúmes? - disse Patty espantada.

- Ah, o Jack! Sabe, se eu já não o amasse, me apaixonaria por ele no instante em que abri os olhos, no quarto do Ritz, onde minhas amigas me levaram para curar a bebedeira e o vi lá, parado, nu, segurando o maior bouquet de rosas que vi em toda a minha vida...

- Que lindo! Se eu fizesse uma coisa destas com o Keith acho que ele não falaria nunca mais comigo. - disse Patty. - Vocês sabem que ele e o Mick são os maiores amigos do mundo, mas sempre existiu uma competição louca entre eles... Quando o tempo muda, vocês não imaginam do que são capazes, dá até medo...

- Nossa! Já são quase oito horas. - Jennifer disse, preocupada. - Melhor nos arrumarmos para o jantar. Roupas de gala, cabelos, jóias... precisamos ter tempo para tudo isso.

- Vou chamar o Jack. - suspirou Clara. - Quero cuidar dele para que fique ainda mais lindo...

Clara caminhou até o grupo de homens e sussurrou no ouvido de Jack: - Vou me arrumar para o jantar, você vem comigo...

- Amigos, minha esposa querida está me chamando para nos prepararmos para o jantar e estou muito inclinado a seguí-la de volta ao nosso quarto...

- Vai nessa Velhão... - riu David. - Trocar a Princesa por este bando de homem feio e velho é péssimo negócio...

- David, Mike e Keith... - sorriu Clara. - As suas esposas pediram para dizer que também estão descendo para arrumarem-se...

- Mick e Ron, aproveitem por nós... - riu Mike. - Vamos lá antes que elas se irritem... eu não devia ter casado...

- E não é que às vezes é muito bom estar solteiro? - sorriu Ron levantando-se e servindo mais uma dose de uísque em seu copo, enquanto os quatro casais caminhavam na direção do elevador para descerem da torre.

- Trocaria todas as doses e até esse castelo pelos cuidados da senhora Noble... - disse Mick.

- Cuidado, cara! - disse Ron. - O Jack não me parece nada disposto a dividir aquele filé com ninguém...

- Não consigo pensar em outra coisa a não ser beijá-la, tê-la em meus braços, na minha cama...

- E como você vai fazer isso, posso saber? - perguntou Ron.

- Ainda não sei... - disse Mick. - Vou dançar com ela depois do jantar, talvez consiga levá-la até o terraço... No restaurante, ela me beijou, sei que se conseguir falar com ela longe do Jack, tenho chance...

- Não sei, não... Não acho que o Jack vá deixar que isso aconteça assim, tão fácil...

- Tenho que ser cuidadoso, ou esse hippie me quebra... se não conseguir nada hoje, amanhã ela vai conhecer a caverna da ilha... Vamos passar o dia na praia...

- Sonha, cara... - riu Ron. - Ela é linda, mas está bem longe do seu alcance, pelo menos por enquanto...

- Sabe, eu a conheci no mesmo dia em que o Jack. Ela estava linda, no teatro Beacon, em Nova York. - disse Mick. - Eu queria falar com ela, mas a perdi de vista no camarim e quando a vi novamente, ela já estava beijando o Jack... acho que fui lento demais.

- Ela é uma delícia... pegava fácil... - riu Ron.

- Cara, ela não sai da minha cabeça, comprei este castelo pensando nela... Bom, vamos descer? Vou dar uma passada na cozinha para ver como estão as coisas. Quero que este jantar seja perfeito... Vamos?

- Vamos cara... - riu Ron. - Tem alguma coisa de bom lá na sua cozinha?

- Comida? - gargalhou Jagger.

No quarto, Jack e Clara tomaram banho na enorme banheira de mármore e um cuidou do outro com cremes e óleos essenciais. Depois, Clara secou os cabelos de Jack com o secador, amassando os cachos para deixá-los mais bonitos.

Jack então fez uma massagem no corpo todo de Clara com óleos essenciais.

- Hum, meu amor... Você está inspirado hoje... - sorriu Clara.

- Quero te enlouquecer de prazer meu amor... - disse Jack. - Tenho tanto medo de te perder...

- E por que me perderia? - perguntou Clara levantando-se da cama para pegar sua lingerie na mala. - Eu não vou a nenhum lugar...

- Não vai mesmo? - disse Jack. - Tem um cara que conheço, que tem um castelo e até já comprou uma coroa para convidar você para ser a rainha dele...

- Não estou entendendo, pagamos pela coroa, não pagamos? E o dono do castelo é nosso amigo, por isso estamos aqui, não é?

- Não sei... ele sempre aparece ao seu redor, não é?

- O que foi Jack? De novo esses ciúmes? - disse Clara vestindo o robe de seda por cima da lingerie - Eu não sei mais o que você quer, entreguei minha própria vida nas tuas mãos... minha carreira, meus planos, até do meu país eu abri mão para estar com você. Você quis casar comigo sem nem me conhecer direito e eu aceitei... O que mais você quer de mim?

- Não sei... Talvez um pouco menos de empolgação quando ele chega perto de você. Ou que você não o beije na boca quando ele te convidar para fazer um show....

- Ah! Sabia! Aquele Jack compreensivo, que entendeu o tal beijo como o resultado do excesso de champagne, onde está ele, hein? Queria falar com ele, porque o Jack que está aqui na minha frente não entende que eu admire um cara que também é amigo dele.

- Alguém que fica cercando minha mulher o tempo todo e a sufoca enchendo o nosso quarto de rosas cor de lavanda, não pode ser meu amigo...

- O que tem as rosas? Elas estavam ao nosso redor no dia do nosso casamento e ontem, naquele quarto do Ritz, quando você me disse que eu devia esquecer tudo que tinha acontecido...

Clara caminhou até o terraço e sentou-se em uma das cadeiras, chorando.

- Clara, me perdoa... - disse Jack indo atrás dela. - Eu não sei o que está acontecendo comigo. Eu não posso te perder... estou desesperado... - disse Jack se ajoelhando nu na sua frente. - por favor, não me deixe.

Clara levantou-se do banco e ajoelhou-se na frente dele, beijando-o. Os dois agora estavam com o rosto molhado, chorando... Ergueram-se do chão e entraram novamente no quarto, onde sentaram-se na cama e ficaram abraçados, quietos.

- Meu amor. - disse Clara. - Não se preocupe mais com isso. Eu quero você, só você... não pense nessa bobagem, nem por um minuto. Eu não podia ser mais sua...

- Me perdoa, não tenho direito de dizer essas coisas... - respondeu Jack chorando. - Você sabe que me sinto intimidado por ele, eu te amo tanto, não quero te perder...

- Não tem porque, minha vida. - disse Clara secando as lágrimas de Jack. - O que temos, para mim é sagrado, lembra? Vou ligar para a Cindy e pedir para ela avisar que não vamos jantar. Vou passar a noite aqui, cuidando de você...

- Não amor! Quero ver você brilhando lá embaixo. Logo você será uma estrela, preciso me acostumar a dividir você com o resto do mundo...

- Não precisa. Eu não amo o resto do mundo... amo você... só você.

Os dois se beijaram e foram até o banheiro, lavar o rosto para continuar arrumando-se para o jantar. Clara cuidou para que Jack parecesse um príncipe em seu smoking e ele ajudou-a a prender o cabelo, fechar o vestido e colocar seu colar, brincos e bracelete de diamantes.

Um pouco de perfume complementou a produção de ambos e os dois desceram as escadas de mãos dadas até o salão onde David, Cindy, Keith, Patty e Ron já esperavam, conversando e bebendo champagne.

- Princesa, Velhão... - sorriu David. - Uau! Parecem realeza... acho que só precisam de um castelo...

- Ai David, você não tem jeito. - sorriu Clara. - Então, prontos para o jantar?

- Muito! - respondeu Ron. - Nossa! Quando o Mick falava sobre o quanto você é bonita eu achava que ele estava exagerando. Mas agora eu vejo que não tinha exagero algum...

- Obrigada Ron, mas o Mick é bem exagerado, sim... - sorriu Clara, um pouco sem graça com os elogios.

- Então? Querem champagne? - perguntou Keith, trazendo em suas mãos uma garrafa que acabara de abrir.

- Queremos sim... - disse Jack aproximando-se de Keith para pegar duas taças. - Onde está nosso anfitrião?

- Na cozinha, atrás do nosso jantar. - riu Keith. - Você conhece a peça, precisa controlar tudo, até onde colocam as porras das azeitonas...

- É verdade... - riu Ron. - O cara não aguenta deixar rolar, nunca aguentou...

Enquanto os homens agora se concentravam em rir de Mick e a conversa parecia retornar mais uma vez para a música, Cindy, Patty e Clara afastavam-se do grupo para ver melhor alguns quadros que decoravam a parede do castelo. Entre eles dois Van Gogh e um Monet.

- Lindo, amo Monet! - disse Clara. - Sou louca por jardins e este que ele pintou é inacreditável...

- A senhora é ainda mais linda, senhora Noble. - disse Jagger aproximando-se repentinamente do grupo de mulheres. - Deslumbrante! Os velhos mestres da pintura lutariam entre si para retratá-la, minha cara. Receberemos mais alguns convidados; Paul e Nancy já estão a caminho e minha pequena Gianna Carli, acabou de chegar ao aeroporto, vinda de Milão.

Clara sorriu ao ouvir esta informação. Então Mick não estaria sozinho naquela noite e isso significava que a deixaria em paz.

- Mick, gostaria de agradecer-lhe... - disse Clara.

- É um prazer tê-los aqui, minha querida. - sorriu Mick.

- Também, por isso querido, mas principalmente porque soube que você cuidou para que a senhorita Kurtiss não pudesse vir... - sorriu Clara. - Obrigada!

- Querida, isto tudo aqui, é por você e para você... Quero que saiba disso... - sorriu Mick e caminhou na direção dos outros convidados.

Clara ficou sem graça com o que ouviu de Mick e agora buscava o olhar de Jack através da sala, mas ele parecia triste. Olhou para ele até ele notar e mandou um beijo.

- Querida, o Mick tem razão. Você está muito bonita. - disse Patty. - Quem é mesmo o estilista que faz estas maravilhas que você usa? Você sabe que o casamento do Paul será na próxima semana e ainda nem comprei um vestido para ir.

- Meu estilista é o Jean Paul, ele tem um atelier em Paris, na Champs Elyseé... ele já era muito amigo da Jenni quando pedi que fizesse meu vestido de casamento. Nós recebemos o convite para o casamento do Paul também, mas ainda não sei se estaremos aqui ou já no Brasil.

- Nós vamos ao casamento e também precisamos de roupas, podemos ir ao Jean Paul na próxima semana, ver o que ele pode fazer por nós, que tal? Vamos Patty? - perguntou Cindy.

- Ah! Gostaria muito de ir... - disse Patty. - Vamos estar a semana que vem inteira em Londres, podemos combinar uma excursão rápida até Paris.

- Acho que podemos encaixar uma excursão feminina de compras em Paris antes da viagem ao Brasil. - sorriu Clara. - Meu marido já está acostumado a essas minhas escapadinhas para compras.

- Alguém falou em compras? - sorriu Jennifer chegando ao salão. - Clara, estou com ciúmes! Este seu vestido é maravilhoso! O Jean Paul se superou...

- Querida! Você está linda também! - respondeu Clara para a amiga. - A Patty quer ir conosco ao atelier do Jean Paul comprar roupas para o casamento do Paul.

- Também vou precisar! Podemos ir direto daqui. - sorriu Jennifer. - Na segunda-feira! Que tal? Ficamos no meu apartamento.

- Perfeito para mim.- disse Clara. - Sei que vou ao Brasil, talvez não vá ao casamento, mas vou até Paris nem que seja pela festa e pela alegria, podemos fazer mais umas comprinhas no começo da semana. Vamos Cindy?

- Vamos! Assim os rapazes podem trabalhar e nós não precisamos ficar presas em Heathcliff Hall... Ah! E tem umas lojas de decoração em Paris que você vai amar, Clara. Podemos comprar algumas coisas lindas para sua casa. Falando nisso, acabei de saber, a sala de jantar que vi em Viena, já é sua. Demos um lance hoje e ele foi aceito!

- Que lindo! Aquela sala de jantar é maravilhosa! Obrigada Cindy! - sorriu Clara. - Ah! Comprei um quadro em Montmartre na semana passada. Você sabe se ele já chegou?

- Chegou sim, querida... - sorriu Cindy. - Desculpa esqueci de comentar, chegou na quarta-feira e está lá na casa esperando por você...

- Na próxima semana, quero ir lá para cuidar da minha casa. - disse Clara. - Estou louca para vê-la pronta, amiga...

- Vamos sim, querida! - sorriu Cindy. - Mas precisamos antes avisar nossos maridos sobre nossos planos...

As mulheres atravessaram o salão e contaram seus planos aos homens, que por sua vez decidiram passar uns dias em Heathcliff Hall enquanto as mulheres compravam em Paris.

Todos confirmaram sua presença na casa de David exceto Mick, que iria para Nova York fazer alguns contatos para a turnê dos Stones. O carro de Paul e Nancy parou no páteo do castelo, junto com o de Gianna e todos os convidados do jantar de gala finalmente estavam presentes.

A conversa estava animada e o champagne corria solto, junto com pequenos petiscos, servidos por garçons. Pontualmente, às 10 da noite o mordomo da casa anunciou que o jantar seria servido e convidou todos a seguí-lo até o salão de banquetes.

Aquele era o salão mais impressionante de todo o castelo especialmente pela pintura do século XVIII, feita no teto por um importante artista italiano, segundo Mick, ela retratava o príncipe que vivia ali com sua amante, uma linda camponesa que foi assassinada por ordem da esposa do príncipe, quando ela descobriu que a moça estava grávida. O nome do afresco era "O Idílio" e ele o mandara pintar para que a esposa nunca mais esquecesse que aquela era a mulher que ele havia amado.

- Esta pintura é simplesmente linda... - disse Clara. - Mas sua história é tão trágica...

- Princesa, a moça parece com você e o tal do príncipe, tem até os cachinhos do Velhão... - riu David. - Quem diria? A natureza errou mais de uma vez e fez um cara assim feio de novo!

- Mas ela acertou e também fez a Clara, que é ainda mais linda do que a camponesa da pintura... - disse Mick sorrindo.

- O Jack é lindo, David! - riu Clara. - Não é meninas?

- O Jack sempre foi uma pintura. - disse Gianna sorrindo.

- Eu também acho. - disse Nancy.

- Ok, Velhão, a mulherada sempre fica maluca por causa desses seus cachinhos dourados... - riu David. - Poxa Princesa, você podia ter arrumado coisa muito melhor...

- Não consigo imaginar ninguém melhor, David. - sorriu Clara. - Desculpe...

O grupo inteiro apreciou um jantar sofisticado e entre muitos sorrisos, conversaram sobre a beleza daquele castelo e sobre o casamento de Paul e Nancy que se aproximava cada vez mais.

Mick fez questão de chamar o chef francês contratado para fazer o jantar para conhecer seus convidados e ele foi aplaudido por todos.

Depois do jantar, aconteceria o baile, na verdade um Jazz Quartet comandado por uma cantora foi contratado para tocar sobre um pequeno palco montado no grande terraço com vista para o Mediterrâneo que o castelo possuía.

E a noite seguiu perfeita e romântica, Clara e Jack dançaram muito, nos braços um do outro, enquanto os seus amigos revezavam-se na pista de dança.

No meio de uma das músicas, Mick e Gianna aproximaram-se de Clara e Jack e propuseram uma troca de pares.

- Jack, meu caro... - sorriu Mick. - Será que me permite a alegria de dançar com sua linda esposa?

- Claro. - disse Jack sorrindo para Gianna.

- Querida... - disse Mick, pegando Clara pela mão e abraçando-a para dançar.

- Mick. - sorriu Clara, sem graça.

- Precisava dançar com a mulher mais linda desta festa... - sorriu Mick.

- Você sabe que meu marido é ciumento, Mick, não sabe?

- Não se preocupe, querida. Estamos apenas dançando... - disse Mick. - E por mais que eu queira muito te beijar agora...

- Por favor, Mick... - disse Clara. - Não fale assim... não é apropriado e estão todos nos olhando agora...

- Sou um cavalheiro, querida. Estou apaixonado por você, mas não tomarei nenhuma atitude, até que perceba que você corresponde aos meus sentimentos... - sorriu Mick.

A música terminou e a banda fez um pequeno intervalo, Jack aproximou-se novamente de Clara e Mick levando Gianna pela mão e depois, afastou-se para pegar taças de champagne que foi beber com Clara, longe dos seus amigos que já estudavam um jeito de aproveitar a ausência da banda para tocar um pouco.

- Então? - perguntou Jack sério.

- O que, querido? - sorriu Clara.

- Você está apaixonada por ele? Não está? - disse Jack com um olhar muito triste.

- Ah, meu amor. - suspirou Clara e beijou-o apaixonadamente. - Alguma dúvida?

- Desculpa, querida... acho que estou sendo ridículo, não?

- Não querido, você é adorável... - ela disse acariciando o rosto do marido. - E eu te amo muito mais do que você sequer imagina...

- Eu também te amo muito... - Jack respondeu, beijando-a.

Enquanto os dois namoravam, um grupo de convidados já se preparava para subir ao palco.

- Você não quer ir com eles? - perguntou Clara.

- Agora não! - sorriu Jack. - Estou ocupado conversando com a mulher mais linda desta festa...

- Hum... - suspirou Clara. - Se eu já não te amasse tanto, me apaixonaria por você agora...

- Me perdoa toda aquela bobagem...

- Psiu... - disse ela colocando os dedos sobre os lábios de Jack. - Não quero mais falar sobre isso... Tivemos uma semana muito difícil, brigamos, discutimos... quero agora comemorar o fato de que me sinto completamente sua novamente. Quando vi aquela pintura no teto, pensei em nós, em uma outra época, vivendo nosso amor no alto da nossa montanha, rolando naquele campo de alfazemas... e percebi que não existe mais nada nesse mundo que eu deseje além de você.

- Você acha que eles notarão se subirmos agora? - perguntou Jack

- Acho que não, querido. - sorriu Clara. - Você sabe chegar ao nosso quarto?

- Acho que sei... - disse Jack, pegando Clara pela mão. - Precisamos chegar naquele salão onde estávamos conversando antes do jantar e subir as escadas.

Mas não escaparam a tempo. Mick e Gianna aproximaram-se deles e começaram a conversar sobre os planos para o dia seguinte, que seria desfrutado na praia, na ilha particular que fazia parte da propriedade. Seguiriam para lá no iate de Mick que agora estava ancorado no porto do castelo.

- O Paul e a Nancy também vão? - perguntou Clara.

- Sim, consegui convencê-los a passar a noite no castelo e os dois irão conosco. Será um dia na praia para todos nós, querida.

Enquanto conversavam, subiram ao palco David, Mike, Paul e Keith que começaram a tocar e cantar velhos rocks da década de 50, deixando todos os presentes extasiados.

Todos os demais convidados aproximaram-se do palco e Clara sussurrou no ouvido de Jack: - Vai lá, amor... eu sei que você quer ir...

Jack subiu no palco e cantou "Don't" uma romântica e pouco conhecida balada do repertório de Elvis Presley com os olhos mergulhados nela enquanto ela sentia-se derretida de amor por ele.

Jack agradeceu os aplausos e desceu do palco, sendo substituído nos vocais por Mick Jagger. Clara agarrou Jack e os dois ficaram ouvindo Mick cantae "Love In Vain" e "As Tears Go By", que ele dedicou a sua nova futura companheira de palco, Clara Noble.

Jack então subiu no palco novamente e desta vez convenceu Clara a cantar "The Light" com ele. Com o acompanhamento de dois violões, um nas mãos de David, outro nas mãos de Jack, ela cantou a música e recebeu o aplauso dos convidados da festa.

- Que lindo! - disse Mick quando desceram do palco. - Será lindo quando cantarmos juntos, querida!

- Obrigada Mick... - disse Clara sorrindo. - Estava tão nervosa que acho que desafinei...

- Não desafinou, amor.- disse Jack, beijando-a. - Cantou como um anjo... Meu anjo...

Mick subiu novamente no palco e como a madrugada já ía alta, convidou todos para assistir ao espetáculo do nascer do sol na torre do castelo. Como o vento batia um pouco mais frio, naquele instante, Jack tirou o paletó de seu smoking e vestiu-o em Clara.

- Meu amor... - disse Clara abraçando-o e chorando diante da beleza daquele dia que começava a nascer no horizonte. - Isso é tão doce, ver outra manhã chegando aqui, dos seus braços.

O horizonte avermelhava lentamente e o silêncio da noite ia aos poucos sendo substituido pela melodia dos pássaros do bosque vizinho e das gaivotas. O dia nascia lindo e o céu começava a ficar multicolorido.

Continua 

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