16 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LVII


Na cama, mais uma vez nos braços de Jack, Clara apenas olhava-o dormir. Resolveu levantar-se, vestiu seu robe de seda e caminhou até a janela. Começou a chorar porque sentia que Jack estava mentindo para ela.

- Clara? - disse Jack sentando-se na cama. - Você está bem?

- Estou um pouco triste, só isso... - respondeu Clara.

- O que foi, meu amor? - disse Jack levantando-se e caminhando até ela. - Vem aqui, vem... me conta o que está acontecendo...

- Ai, querido... Estou triste porque sinto que estou te perdendo...

- Nunca! Ah, você está com ciúmes da Ann? Por favor, querida... esquece isso, eu te amo!

- Quando te conheci, me joguei de cabeça... Não quis nem que você me contasse sobre as outras mulheres da sua vida, lembra disso?

- Claro que sim, minha vida... Eu também fiz isso...

- Então, o que acontece agora é que depois de me jogar, estou abrindo os olhos e vendo o chão chegando cada vez mais perto... Eu sinto que vou me arrebentar toda...

- Não, meu amor... - respondeu Jack. - Ela não significa nada para mim. Já sei! Você vai comigo no estúdio amanhã e vê com seus próprios olhos...

- Não Jack. - disse Clara. - Marquei de ir ao médico amanhã; ver se já posso começar o tratamento para engravidar, mas agora vou apenas pedir ao médico para continuar suspendendo minha ovulação, acho que agora não tenho vontade de ter um filho seu...

- Ah, você vai destruir nosso casamento por causa da Ann? Enlouqueceu?

- Não Jack... estou lúcida! Pela primeira vez nos últimos 3 meses, eu estou enxergando as coisas como elas são! Eu estava apaixonada, vivendo um sonho e agora, acordei. Nosso relacionamento para mim é sagrado... - disse com os olhos cheios de lágrimas.

- Para mim também, Clara... - disse Jack ajoelhando-se aos seu pés, também chorando. - Por favor, não me abandona...

- Nunca, meu amor... - respondeu Clara ajoelhando-se também e abraçando-o. - Jack, eu te amo...

Os dois voltaram para a cama e passaram o resto da noite abraçados, chorando... Na manhã seguinte, quando desceram para o café da manhã, ambos estavam com os olhos inchados.

- Bom dia, princesa... - disse David. - Você está bem?

- Estou, David. Eu e o Jack conversamos nesta noite e estamos bem de novo. - disse Clara. - Então, Cindy, vamos para a cidade hoje?

- Sim, querida. - disse Cindy. - O doutor Hooper está marcado para as 11 horas. Depois dele, vamos almoçar no japonês e daí fazemos nossas comprinhas em Chelsea.

- Ótimo! - respondeu Clara. - Temos uma porção de coisas para fazer o dia todo...

- Querida, vocês vão ao Abbey Road? Vou para lá no final da tarde... - disse Jack. - Gostaria de vê-las por lá...

- Não, amor. - respondeu Clara. - Estou fechando os olhos novamente e dando outro mergulho. Por favor, não me decepcione...

- Não vou te decepcionar. - disse Jack. - Vou mandar o Peters filmar toda a gravação, assim você...

- Não precisa filmar... - respondeu Clara. - Eu confio em você...

- Vou ao estúdio com o Velhão, Princesa... - disse David. - Vou ficar de olho e se acontecer alguma coisa que não estiver de acordo, dou uma surra nele... Ele não pode te fazer sofrer...

- Eu agradeço David, mas não precisa. - respondeu Clara. - Ele é adulto e sabe o que está fazendo...

- Mas eu vou de qualquer jeito... O guitarrista que trabalha com a Ann é um velho amigo meu e vou lá me encontrar com ele... Cindy, hoje voltamos de madrugada... O Mike também vai...

- Tudo bem, querido... - disse Cindy. - Nós vamos passar o dia na cidade e depois voltamos para casa. Vamos comprar também algumas coisas para o final de semana, roupas de praia, chapéus...

- Ah! Isso me lembra... - disse Clara. - Jenni lembra aquela matéria que vimos na internet sobre aquela loja de biquinis brasileiros que fica aqui em Londres? Você sabe onde ela fica?

- Sei, vamos passar lá hoje... - respondeu Jennifer. - Fica em Chelsea...

- Ótimo! - respondeu Clara. - Vou comprar alguns para levar para Nice e também para as férias no Brasil... Meu biquini está muito velho e sem graça... Ah! E vou levar meu iPad... vou fazer uma lista nele para não esquecer de nada... Vamos amigas, que não quero perder um minuto hoje... Tchau pessoal, nos vemos amanhã...

- Clara. - disse Jack, levantando-se da mesa e puxando-a até o corredor de vidro. - Me perdoa e confia em mim... Logo teremos nossa lua-de-mel no Brasil e tudo estará bem de novo.

- Tenho certeza que sim, meu amor. - respondeu Clara beijando-o. - Por favor, não me decepcione...

- Nunca, querida... nunca... nosso amor é sagrado para mim também...

- Que bom! - disse Clara chorando. - Até amanhã, querido.

Clara seguiu pelo corredor de vidro e logo, Jennifer e Cindy a seguiram. Jack voltou para a mesa chorando.

- Ela não confia mais em mim... - disse Jack. - Pior que não posso culpá-la... Vou precisar ter uma boa conversa com a Ann hoje. Vocês vão comigo hoje lá no estúdio e servirão de testemunhas...

- Cara... - disse Michael. - Cuidado, a Ann não é exatamente essa pessoa fácil que todo mundo imagina...

- O que? - perguntou Jack. - Não sabia que você conhecia a Ann...

- Há uns 7 ou 8 anos eu fiz algumas coisas com ela, no estúdio, e ficamos juntos por um tempo... você não sabia?

- Não cara! Não tinha a menor ideia... - respondeu Jack.

- A Jennifer não sabe também. - sorriu Mike. - Tinha acabado de me divorciar da Fran, estava muito chateado e a Ann foi para L.A. porque queria trabalhar comigo... Não durou muito, mas foi doce...

- Lindo... então isso faz de mim o único homem nesta sala que ainda não dormiu com a senhorita Kurtiss... - riu David. - E nem tem esta intenção... Quanto a você, Jack, não vou te deixar fazer nada para ferir a Clara, entendeu?

- Entendi, cara... - respondeu Jack. - Deixa comigo, aprendi minha lição, ela é ciumenta e vai me chutar a bunda se não mandar a Ann de volta para Nashville. O pior é que ela me disse que não quer mais nem ter um filho comigo por causa disso...

- Não posso culpá-la... - disse David. - Vocês casaram há dois meses, sua ex aparece do nada e você, bom, você a deixou acreditar que tudo continuava igual...

- Ah! A Ann é louca... - disse Jack. - Ela me agarrou, sou um homem ainda...

- Mas está casado com a mulher mais linda e maravilhosa do mundo... tem que deixar isso bem claro para a Ann... - disse David.

- Vou fazer isso hoje, sem falta... - disse Jack. - Não posso colocar em risco o meu relacionamento com a Clara por causa da louca da Ann...

- Bem, senhores, vamos ao estúdio porque quero mostrar uma coisa que estou pensando para o arranjo da "Unexpectedly", que, se der certo, deixará o público enlouquecido... Vamos?

Enquanto os rapazes desciam para o estúdio, no subsolo, para mais um dia de ensaios e preparações para a turnê, Clara, Jennifer e Cindy se preparavam para ir para Londres.

Clara colocou o óculos de sol para esconder os olhos ainda inchados da noite passada e entrou no carro, mas desta vez não mandou nenhuma mensagem carinhosa para Jack no celular. O encanto estava quebrado e ela agora apenas tentava não pensar muito no que sentia naquele momento.

- Então, vamos ao doutor Hooper e depois estamos livres para as compras... - disse Cindy. - Como você está querida?

- Bem, estou um caco... mas vou sobreviver... - sorriu Clara. - Acho que precisava acordar do sonho algum dia...

- Querida, você vai ficar bem... - respondeu Cindy. - Vamos ao médico, você conversa com ele e depois, vamos gastar o dinheiro do seu marido até tudo isso passar...

- Acho que 1 bilhão de libras de compras não são suficientes para diminuir essa dor... - disse Clara. - Mas vou comprar o menor biquini que puder achar em Londres, o senhor Jagger verá algumas partes da minha anatomia que guardava para meu marido apenas...

- É assim que se fala... - disse Jennifer. - Se o Jack pode ficar com aquela americana ridícula, você pode ficar com o Jagger...

- Eu falo isso, mas vocês sabem que é só da boca para fora. - riu Clara. - Não conseguiria ficar com ele... me sentiria muito mal se o traísse com o Mick.

- Ai querida, não é traição... - disse Cindy. - É vingança... é devolver a dor que ele te fez sentir, na mesma moeda.

- Não, queridas... - suspirou Clara. - É traição mesmo... não quero que ele sinta a dor que estou sentindo, a decepção, a vontade de deixar tudo e voltar para minha casa, no Brasil...

- Você não pode fazer isso, querida. - respondeu Cindy. - Também você está dando muita importância para uma bobagem... já pensou que ela pode estar se atirando nele exatamente para provocar uma briga entre vocês?

- Pode ser... - disse Clara. - Mas contava que ele a empurrasse para longe... e sei que não foi isso o que ele fez, não é?

- Mas acho que fará... - disse Cindy. - Ela não perde por esperar o chute que tomará hoje... acho que vai chegar em Nashville sem precisar de um avião...

- Espero que sim... - respondeu Clara. - Sabe o que é pior? Se ele vier mentindo para mim, saberei... sinto dentro de mim, não sei explicar, mas sei exatamente quando ele está dizendo a verdade e quando está mentindo...

- Esse seu lado bruxa me assusta, sabia? - sorriu Jennifer. - Mas acho que desta vez ele está bem consciente e não vai cometer uma bobagem destas... Os olhos dele também estavam inchados de chorar...

- A noite passada foi horrível, nós brigamos no carro e fizemos as pazes, transamos e voltamos a brigar de madrugada e depois, transamos de novo e choramos juntos...

- A noite foi horrível e vocês transaram duas vezes? - riu Cindy. - Imagina se tudo estivesse bem...

A piada de Cindy fez as três rirem no carro. Clara começava aos poucos relaxar graças ao apoio de suas amigas e uma vontade muito grande de fazer tudo o que fosse necessário para que seu casamento com o homem dos seus sonhos, continuasse a fazê-la a mais feliz das mulheres.

Mesmo assim, pediu ao médico mais três meses de tratamento para não ovular e o médico aceitou a ideia quando viu o resultado de seus exames de sangue. Sua anemia, continuava preocupante e segundo o médico, justificava plenamente aquele tratamento.

Do consultório, as três seguiram até o Hikonori, o restaurante japonês que tinham evitado um dia antes, pela presença de Mick Jagger e hoje as recebia completamente distantes desta preocupação. Pelo contrário, se Jagger aparecesse por lá, naquele dia, seria muito bem recebido por elas, todo o medo que Clara tinha dele havia desaparecido na noite anterior.

- Hoje podemos apreciar nosso sushi tranquilamente. - sorriu Clara. - O que um dia após o outro não faz na vida da gente, não?

- Então não olha agora, querida, o Mick acabou de entrar no restaurante. - disse Jennifer.

- Mesmo? - sorriu Clara. - Que bom! Por favor, minhas amigas, não me deixem me jogar nos braços dele...

Cindy acenou para Jagger assim que ele a avistou no restaurante. Ele apontou para a mesa das três e aproximou-se dela junto com a bela garota japonesa que trabalhava como maitre do restaurante.

- Que prazer encontrá-las novamente hoje! Caras senhoras, lindas como sempre... - sorriu Mick, enquanto as cumprimentava beijando a mão de cada uma delas. - Cara senhora Noble, estou muito feliz em vê-la. Achei que comemoraria sozinho o sucesso da reunião desta manhã, mas é maravilhoso encontrá-las aqui. Vamos beber champagne?

- Então vocês se acertaram? - sorriu Clara. - Os stones estarão novamente na estrada...

- Sim, querida! Faremos uma turnê em comemoração aos 50 anos da banda com toda a pompa e circustância e quero aproveitar que estamos aqui juntos para convidá-la a subir no palco comigo, no próximo ano, para cantar uma música.

- Não mereço subir no palco dos Stones, querido... - sorriu Clara. - Isso para mim seria um sonho!

- Quero brindar a isso... - disse Jagger erguendo sua taça de champagne...

O almoço transcorreu entre muitas conversas animadas e planos para a turnê. Cindy e Jennifer quase não falavam, nem bebiam, mas Clara e Mick consumiram sozinhos quatro garrafas de champagne. O resultado foi que ambos estavam completamente fora de si mesmos no final da refeição.

- Vem, queridas, vamos para o meu apartamento. Vou tocar para vocês a música que fiz para minha amada Clara....- dizia Mick enrolando as palavras.

- Vamos lá, amigas... - disse Clara agarrada em Mick na calçada. - Vamos lá cantar com ele... Vem... vocês precisam ir junto conosco.

- Não! Clara, vem aqui um pouco comigo. - disse Cindy. - Mick, explica para a Jennifer como será o novo show porque ela não entendeu... Amiga, vocês dois estão muito bebados... Vou levá-lo para casa e depois, seguimos para o Ritz, onde você descansará um pouco, até passar toda essa bebedeira...

- Não, Cindy. O Mick quer que eu cante com ele, preciso ensaiar... - disse Clara. - Não quero estragar o show dos Stones...

- Querida, o show é só no ano que vem... vai ter muito tempo para ensaiar...

- Shiuuuuuu!!! Não fala nada... vou lá para transar com ele.... O Jack vai ter o que merece...

- Clara, você não está falando coisa com coisa... Vem, vamos para o carro...

- Cadê minha chave... - disse Mick. - Vocês estão com a chave do meu carro?

- Vem Mick, você vai para casa conosco... - disse Cindy.

- Mas e o meu carro?

- Depois seu motorista vem buscá-lo, vamos no meu carro...

- Clara, vem aqui... me abraça... - disse Mick agarrando-a na porta do estacionamento.

- Mick, meu amado... - disse Clara, beijando-o na boca. - Me desculpa, mas meu marido vai querer te matar depois disso...

- Fala para ele vir...

- Vocês dois... parem com isso ou teremos que tomar uma atitude mais drástica... - disse Cindy.

- Fica comigo, meu amor... - disse Mick, quando Jennifer puxou Clara para sentar-se no banco detrás do carro; enquanto ele sentava-se no banco da frente.

Logo, Cindy levou Mick até o apartamento dele em Kensington e depois seguiu até o Hotel Ritz, onde fez o check in em uma das suítes.

- Vocês estragaram meu dia... - disse Clara ainda fora de si. - Eu podia estar na cama com o Mick agora, ele me ama... sabiam?

- Você agora vai para a cama, esperar por ele, querida... - disse Cindy. - Vamos lá para o quarto, tirar a roupa e dormir um pouco que logo o Mick vem para cá...

- Ótimo! O Jack pode agora subir naquele americana asquerosa, no meio do estúdio, que não dou a mínima... vou transar com o Mick Jagger, falou? - disse Clara entrando no quarto, tirando suas roupas e deitando-se na enorme cama da suíte onde em poucos minutos, ela pegou no sono.

Cindy e Jennifer deitaram-na de lado para evitar problemas durante o sono e enquanto faziam isso, ouviram seu celular tocando na bolsa.

- Clara, amor... onde você está?

- Jack... sou eu, Cindy... Olha, querido, a Clara não pode te atender agora...

- Ela ainda está no médico?

- Não... fomos almoçar e ela exagerou na dose de champagne e agora, ela está apagada, na suite do Ritz, esperando o porre passar...

- O que? Ela nunca fez isso... O que está acontecendo? Vou até aí...

- Está tudo bem, Jack. - sorriu Cindy. - Mas se você vier, eu e a Jenni podemos voltar para nossas compras, enquanto você cuida dela... Acho que ela ficará feliz de te ver quando acordar.

Em pouco menos de uma hora, Jack chegou a suite e Cindy e Jennifer contaram como as três encontraram Mick Jagger por acaso no restaurante japonês e Clara ficou empolgada com o convite que ele fez a ela para participar do show dos Stones e o quanto os dois beberam e se expuseram para as câmeras de pelo menos dois paparazzi que estavam na porta do restaurante e os seguiram até o estacionamento.

Jack riu da história e disse que agora sim, ela era uma rockstar, porque falariam em todos os lugares sobre o escândalo dos dois bêbados no meio da tarde, saindo de um dos restaurantes mais caros de Londres.

- Pobrezinha... - disse Jack olhando-a carinhosamente enquanto dormia. - Cindy, vou pedir um favor para vocês, quero que tragam algumas roupas lindas para ela usar quando acordar. Ela vai comigo ao estúdio no final da tarde e quero que ela esteja estonteante. Traz também uma muda de roupas para amanhã de manhã, para mim e para ela. Coloca tudo em uma mala e me traz aqui no hotel. Vamos passar a noite aqui, depois do estúdio. Toma, tenho isso aqui no bolso.... melhor não... leva meu cartão de crédito... comprem o que for mais bonito para ela e traga também o maior maço de rosas cor de lavanda que achar...

- Jack, parabéns... você merece mesmo o amor que ela sente por você. - disse Cindy.

- Já voltamos com as coisas. - disse Jennifer, secando as lágrimas. - Vocês são muito lindos...

Jack tirou as roupas e deitou-se na cama, onde ficou observando Clara dormir, enquanto brincava com os cachos de seus cabelos.

Umas duas horas depois, Jenni e Cindy voltaram e Jack foi atendê-las na sala, vestindo um robe que encontrou no banheiro.

- Ela já acordou? - perguntou Cindy.

- Ainda não... Está apagada... Você trouxe as roupas?

- Estão nesta mala... - respondeu Cindy. - A Jenni escolheu, são coisas lindas de que ela gostará muito.

- Trouxeram as rosas também! - sorriu Jack. - Lindas! Quando ela despertar farei uma surpresa para ela... Ah! Leva com vocês, o iPad dela... não quero que ela saiba dos paparazzi, ela pode ficar chateada... quero fazê-la feliz hoje!

- Bom, Jack... - sorriu Cindy. - Vamos voltar para nossas compras, o seu cartão está na bolsa, junto com os recibos... O David e o Mike já vieram para a cidade também?

- Não... eles vêm no final do dia. Obrigado, queridas. - disse Jack beijando-as na testa. - Vocês protegeram meu anjo hoje e sou muito grato...

Quando as duas sairam, Jack desligou o celular de Clara, tirou novamente o roupão e levou o bouquet de rosas com ele para o quarto. Clara estava abrindo os olhos quando ele se aproximou da cama, nu, com as flores em suas mãos.

- Jack? - Clara começou a rir da cena inusitada. - O que? Onde nós estamos?

- No Ritz, meu amor. - Jack sorriu. - Estas flores são para você...

- Meu amor! - Clara sorriu também e beijou-o, pegando as flores. - Como nós viemos parar aqui?

- É uma longa história. - sorriu Jack. - Quer comer alguma coisa? Tomar um banho comigo?

- Sério, Jack... o que aconteceu? Estou com uma dor de cabeça horrível...

- Você bebeu um pouco demais no almoço e a Cindy te trouxe para cá... - disse Jack. - Quando ela me disse que você estava aqui, vim cuidar de você...

- Você é lindo, sabia? - disse Clara. - Estas flores são maravilhosas. - disse Clara levantando-se da cama. - Achei! Ali tem um vaso para colocá-las, vou pegar água no banheiro... Onde nós estamos mesmo, amor?

- No Ritz. - respondeu Jack. - Vamos passar o dia aqui, depois, vamos juntos ao Abbey Road e voltamos juntos para cá, para uma noite romântica e linda... Só nós dois...

- Mas não tenho roupas para ir ao Abbey Road... - sorriu Clara. - Só aquele vestido que estava usando e ele é muito casual... eu me sentiria péssima, mal vestida assim na frente daquela biscate americana que quer roubar meu marido...

- Você não precisa se preocupar com isso, querida... - disse Jack. - Não trouxe só flores, pedi que a Jenni e a Cindy comprassem umas roupas para nós... estão nesta mala...

- Sério? - sorriu Clara. - Ai meu amor, se eu não estivesse quase cega de dor de cabeça, você estaria prestes a ter a melhor experiência sexual de toda a sua vida...

- Tenho um comprimido aqui no bolso para isso também... - sorriu Jack.

Clara deixou a mala de roupas em uma poltrona, no quarto e foi na direção de Jack. Puxou-o pela mão até a cama e começou a beijá-lo. Estava decidida a dar muito prazer a Jack e não se importava mais nem com sua dor de cabeça e nem com a possibilidade de engravidar que o médico havia lhe apontado dentro dos próximos dez dias. Estava comemorando o fato de que Jack era novamente seu, só seu.

- Você foi ao médico tratar essa coisinha aqui, hoje, não foi?

- Fui e ele me deu outra injeção. - disse Clara. - Achou que eu estava muito anemica e não podia engravidar agora... sinto muito, amor.

- Tudo bem, querida. - disse Jack. - Você precisa se cuidar... ficar bem para depois ter nosso filho... não tem pressa e o melhor é que podemos tentar, tentar e tentar fazer esse bebê, quantas vezes quisermos...

- Você é lindo, Jack. - disse Clara erguendo-se e beijando-o. - Vamos tomar um banho agora? Vem, tem uma banheira de mármore gigante no banheiro...

Os dois continuaram a namorar na banheira de mármore e depois de muito carinho mútuo, vestiram-se com as roupas novas que Jennifer comprou para eles. Clara adorou as roupas, um vestido preto decotado e muito sexy, para ser usado com os escarpins de salto altíssimo e um conjunto de lingerie de seda para ela usar naquela noite especial para os dois.
Para Jack, Jenni comprou blaser, gravata e camisa pretos que combinariam muito bem com a calça jeans black e as botas também pretas que ele já estava usando.

- Você está linda! - disse Jack ao vê-la com a lingerie preta. - Vou ligar para o estúdio dizendo que não vou...

- Vai sim... - sorriu Clara. - Você também está maravilhoso. A Jenni sabe muito bem o que faz, não querido? Você está delicioso, nesta roupa...

- Vem aqui, vem... - disse Jack. - Ainda temos mais uns minutinhos...

Jack agarrou Clara e começou a acariciar todo seu corpo.

- Vamos parar por aqui, amor... - disse Clara. - Ou não paramos mais... desculpa querido, mas quanto mais você demorar para fazer essa gravação, mais tempo aquela biscate fica por aqui, azucrinando nossa vida...

- Não, querida, você tem razão... Vamos lá chutar aquele traseiro cheio de ossos dela de volta para Nashville. Assim podemos voltar logo para cá, jantamos juntos e continuamos isso que estávamos fazendo...

- E os seus amigos? O David e o Mike estarão no estúdio também, não?

- Não se preocupe com eles... têm amigos na banda da Ann e, ah, você não vai acreditar, mas o Mike namorou com a Ann há uns 7 ou 8 anos atrás... logo depois do divórcio dele com a Fran...

- Sério? Engraçado... nunca imaginaria esses dois juntos...

- Pois é... nem eu...

Jack e Clara logo estavam prontos, pegaram a bolsa de Clara, a case com a gaita de Jack e seguiram para o estúdio. Um grande número de fotógrafos e repórteres se concentravam agora na porta e a polícia já havia sido chamada para manejar a situação.

Quando os dois desceram do carro, os flashes iluminaram a pacata rua e Clara não pode deixar de notar que seu nome estava sendo gritado por muitos dos repórteres na calçada.

- Querida, vamos entrar. Tem uma coisa que preciso te contar, antes. - disse Jack abrindo a porta e segurando-a no saguão de entrada do estúdio.

- O que foi?

- Hoje, na hora do almoço, você não se lembra o que aconteceu, certo?

- Não... bebi muito champagne... sei que estava comemorando a turnê dos Stones, com o Mick... mas não lembro de mais nada.

- Bem, você e o Mick foram fotografados por paparazzi na rua e no estacionamento, muito bebados comemorando e isso fez a alegria de muita gente na mídia...

- Meu Deus, que mancada... - disse Clara. - Me desculpa amor...

- Não se preocupe... você sabe que não dou a mínima para essas coisas...

- Mas eu não tinha esse direito... - disse Clara pegando a mão de Jack. - Eu te envergonhei...

- Não amor, estive envolvido nestas coisas toda a minha vida... Aliás, você também agora é uma rockstar. Já deu seu primeiro escândalo...

- Meu amor, não sei nem o que dizer. Te amo muito! - disse Clara beijando-o. - Vamos logo gravar... quero terminar tudo para voltarmos para nosso hotel...

- Olá Jack... - disse David entrando pela porta atrás deles. - Olá princesa.... Como vocês estão?

- Olá David, olá Mike... - disse Clara. - Que bom! Chegamos todos juntos!

- Princesa! Você está bem? - perguntou David, beijando-a no rosto.

- Muito! Aliás quero agradecer o carinho que tive de todos vocês. A Jenni e a Cindy salvaram minha vida hoje... amo muito vocês, meus queridos...

- A gente te adora, Princesa... - sorriu David. - Você é da nossa família agora, querida... Se o Velhão não se comportar...

- O Jack é o meu amor... - disse Clara, abraçando David e Mike. - e vocês são meus irmãos queridos...

Os quatro entraram abraçados na sala de gravação do estúdio, depois que a lampada que avisava que uma gravação estava acontecendo, se apagou. Michael Peters veio ao encontro deles, assim que passaram pela porta.

- Boa noite! - sorriu Peters. - Nossa! Quem vai gravar aqui hoje é só o Jack, certo?

- Nós sabemos, Mike. - disse David. - Mas viemos até aqui para dar uma força para o Velhão...

- E rever velhos amigos. - sorriu Michael Silver.

- E namorar nos intervalos de gravação... - disse Clara abraçando Jack.

- Ok, Ok! Já entendi... - riu Peters. - Vamos trabalhar, então. A Ann já está esperando por você.

- Estou mesmo! - disse Ann aproximando-se do grupo. - Boa noite! Então veio toda a Crossroads ao estúdio. Acho que me sinto prestigiada...

- Então, vamos gravar? - perguntou Jack.

- Já vamos. - disse Ann. - Estou terminando uma outra música e a próxima será o dueto. Tenho que fazer só mais um take e passamos o dueto em seguida. É coisa que cantávamos na época da turnê, por isso, acho que será fácil. Vamos lá, acho que o pessoal da banda vai adorar te rever.

O clima no estúdio estava completamente diferente do jantar da noite passada. Ann Kurtiss estava contida, talvez ela entendeu finalmente que Jack estava casado e feliz. Tornara-se de um dia para o outro um ex; o antigo amante com quem, de fato, faria um trabalho.

Diante da mudança, Clara relaxou e decidiu ir até o jardim do estúdio, onde ficava um agradável restaurante para ligar para Cindy, enquanto a música do dueto não começasse a ser trabalhada. Sentou-se em uma das mesas, pediu um suco de maçã e pegou seu celular.

- Oi querida, tudo bem por aí? - perguntou Clara.

- Oi Clara... tudo! E aí, como estão as coisas?

- Melhor impossível, querida! Aliás, obrigada por me salvar daquela estupidez que eu fiz... Estou morrendo de vergonha... que vexame!

- Ai querida, foi uma loucura, mas foi divertido! O Mick ligou pedindo desculpas e mandou flores para nós três. Para você tem um bouquet de rosas gigante aqui, com um cartãozinho lindo...

- Ele é um querido... tadinho, gosto tanto dele...

- Amanhã vamos todos para Nice e vocês poderão rir muito das bobagens que disseram...

- Ah! A que horas nós vamos? - perguntou Clara.

- No final da tarde... O Mick tem um compromisso amanhã em Londres.

- Então terei tempo de comprar umas roupas de praia decentes. Você e a Jenni foram lá, naquela loja?

- Fomos... - sorriu Cindy. - Mas aqueles biquinis são muito pequenos... Não conseguiria usar uma coisa daquelas, comprei um mais discreto...

- Vou com o Jack amanhã na loja. - disse Clara. - Você pode me mandar o endereço por e-mail?

- Posso, mas seu iPad está comigo. O Jack me pediu para trazê-lo para casa, quis impedir que você visse as fotos que os paparazzi tiraram de você e do Mick.

- Ai que fofo! - sorriu Clara. - Ele quis me proteger... Mas pode mandar o e-mail sim, estou com o iPhone e dá para abrir aqui... Querida, a luz do estúdio apagou... vou entrar para acompanhar a gravação do Jack, quero muito beijá-lo. Nós vamos passar a noite no Ritz. Até amanhã, querida... beijos.

- Beijos, querida...

Clara pagou pelo suco e entrou novamente no estúdio. Jack estava em um canto conversando com os músicos de Ann, que estava na sala de controle com Mike e David. Ela então aproximou-se de Jack e puxou-o pela mão.

- O que foi, querida? - perguntou Jack.

- Nada, queria só te agradecer por ter sido tão maravilhoso comigo hoje... - disse beijando-o - Eu te amo muito!

- Ai Menininha... Eu também te amo muito... Vem, vamos conversar com os caras...

A conversa continuou, mas logo seria interrompida novamente por Ann que entregou nas mãos de Jack a partitura da música que seria gravada e começou a repassar os detalhes do arranjo com os músicos de sua banda.

David também veio para a sala de gravação e deu algumas sugestões para ajustar os arranjos. Jack foi até o biombo que tinha os microfones para gravar com Ann. Clara filmou tudo com seu iPhone e ficou emocionada com a música, uma velha canção tradicional que havia sido gravada por Elvis Presley, mas que já estava perdida no tempo.

Jack agora mergulhado em sua música, parecia estar em um outro mundo... Concentrada na tela do celular, ela nem percebia as lágrimas escorrendo em seu rosto. Naquele instante ela esquecia que Jack era seu marido, ele voltava a ser diante dos seus olhos, o músico que admirava e de quem bebia cada um dos sons e movimentos com sua câmera. Lembrava-se agora do quanto desejava estar perto dele, antes de conhecê-lo e do que sentia cada vez que o via cantando. Estava se apaixonando novamente por aquele homem, seu marido e seu amante, desde o primeiro momento em que se tocaram há poucos meses.

A gravação foi longa, fizeram cinco takes e mais dois com Jack tocando sua gaita; mas um pouco antes das duas da manhã, os dois estavam livres para voltar ao hotel. David e Mike, empolgados, começaram a fazer uma jam com os músicos da banda de Ann e ficaram por lá mesmo, enquanto Jack e Clara seguiam para sua suite no Ritz, depois de atravessar uma barreira de fotógrafos e repórteres que ainda se concentravam na porta do estúdio.

- Desculpa novamente querido. Eles não estariam aí se não tivesse feito aquela bobagem no almoço. - disse Clara acariciando os cabelos de Jack.

- Não se preocupe, amor. - sorriu Jack. - Vamos passar quase um mês no Brasil e quando voltarmos tudo estará esquecido!

- Espero que sim... - suspirou Clara. - Sabe o que estou estranhando? Meus pais... achei que iam me ligar, cobrar explicações depois daquele vexame...

- Acho que até eles sabem que foi uma bobagem... - sorriu Jack. - Ou estão pensando que "estraguei" de vez a filhinha deles...

- Você não me estraga... só me faz melhor, Jack... - sussurrou Clara no ouvido dele, aproveitando a parada do jeep em um sinal de trânsito.

- Menininha... não faz isso comigo... assim não consigo dirigir... - disse Jack beijando-a.

O envolvimento deles era tamanho, que quando chegaram ao hotel, nem perceberam que os seguranças já barravam alguns fotógrafos que se concentravam na porta e gritaram quando os viram passar no saguão.

Quando se viu sozinho com Clara no elevador, Jack pressionou seu corpo contra o dela, empurrando-a contra a parede do fundo e beijando-a ardentemente. Nem lembrou das câmeras de segurança, apenas pensou naquilo que Clara o fazia sentir naquele instante.

Seguiram até a suite e tiveram uma noite maravilhosa e só lembraram que não tinham jantado depois que o dia amanheceu e eles já tinham passado algumas horas na cama juntos.

A manhã de sol que surgia no horizonte os deixava ainda mais felizes. Redescobriam o amor e o carinho e isso era como apaixonarem-se novamente.

- Meu amor! - disse Jack, assim que percebeu que Clara estava com os olhos abertos. - Só você para me fazer esquecer o jantar...

- Ai vida... é mesmo... - riu Clara. - Ontem eu estava tão... com tanta vontade de você que nem lembrei de comer também... minha delícia! Vou ligar para o serviço de quarto e pedir um café da manhã bem gostoso para nós...

- Vamos mesmo naquela loja que você disse ontem? - perguntou Jack

- Vamos sim, amor... precisamos comprar roupas de praia bonitas, para o fim de semana e também para nossa lua de mel no Brasil...

- Estou decepcionado...

- Por que?

- Porque queria passar dia e noite nu ao seu lado no Brasil...

- Amor, não dá... - riu Clara. - Vamos a uma praia afastada, mas não deserta... acabaremos presos se ficarmos andando nus por lá.

- Pena... - riu Jack. - Vem, vamos ligar logo para o serviço de quarto e enquanto eles não vem, vamos tomar um banho juntos...

Depois do banho, os dois tomaram o café da manhã, arrumaram as malas e desceram para fazer o check out do hotel. Alguns repórteres ainda estavam na porta e eles precisaram da ajuda dos seguranças do hotel para despistá-los.

- Você tem o endereço da loja, querida?

- Sim, a loja se chama Copacabana e fica na Old Church Street, na altura da King's Road. - disse Clara abrindo o e-mail que Jennifer havia mandado para ela. - Você conhece?

- Conheço sim... e se não tiver nada nessa loja, temos a King's Road para procurar... vamos lá, Menininha...

- Hum, tem um e-mail do Jonas aqui... "Olá Clara, seu pai ficou totalmente indignado com as fotos dos paparazzi e me ligou reclamando. Acho que você deveria conversar com ele, se ainda não conversou. Como você já deve ter notado, o efeito das fotos foi tsunamico. Minha caixa postal está explodindo mais uma vez de pedidos de entrevistas, talvez você deva emitir algum comunicado oficial explicando o evento, se é que existe uma explicação... A seu favor, posso dizer que você está linda nas fotos e aqui no Brasil já se comenta que você conquistou mais um rockstar e logo se divorcia do Jack para casar-se com o Jagger... enfim... como não sei o que está acontecendo, não sei o que responder... Não deixe seu amigo no ar... beijos, Jonas."

- Acho melhor ligar para meu pai e para o Jonas também... É incrível como essa bobagem se espalha...

- O que foi dessa vez? - sorriu Jack.

- O Jonas me disse que meu pai está louco da vida comigo e que as pessoas, no Brasil estão dizendo que nós estamos nos divorciando e que eu me casarei com o Mick Jagger...

- Essa é boa! - riu Jack. - Mas eles não tem culpa... as pessoas tendem a pensar isso quando veem um casal se beijando...

- Desculpa querido... - riu Clara. - Mas estávamos tão bebados que acabamos criando essa confusão...

- Não tem problema... - respondeu Jack. - Por mais que eu sinta ciúmes dele, eu entendi o que aconteceu e estou totalmente em paz com isso. Conheço bem o Mick e ele sempre teve isso. É uma coisa de ego, ele vê uma mulher interessante, ele precisa conquistá-la para a coleção de troféus dele e você é a "caça" da vez.

- Eu me sinto um pouco culpada por isso... - disse Clara. - Olha, amor, eu tenho que te dizer que o Mick para mim sempre foi um ídolo, alguém que eu ainda admiro muito...

- Eu também querida... - riu Jack. - Até para mim, às vezes é completamente surreal estar perto dele, do Keith, do Paul... estes caras são lendas vivas...

- Você também é uma lenda viva, amor... - disse Clara acariciando o cabelo de Jack. - Mas como eu estava dizendo, eu tento ficar meio blasé, vê-lo como uma pessoa comum, mas...

- Eu sei que o que você sente por ele é o mesmo que eu sinto... admiração. Aquela música maravilhosa que ele sempre fez...

- É, acho difícil esconder alguma coisa de você... somos a mesma pessoa, lembra? - sorriu Clara. - Vou tentar não olhar para ele com uma expressão tão embasbacada, para ajudá-lo a entender que sou só sua...

- E eu vou tentar não sentir mais ciúmes de vocês... - disse Jack. - espera, já chegamos, a loja é ali... vou estacionar o carro. Pronto, vem aqui, agora...

Os dois se agarraram e se beijaram. Ninguém entenderia aquela alegria deles, mas estavam comemorando o fato de pela primeira vez em seu relacionamento terem conseguido conversar sobre algo que incomodava a ambos e chegarem a uma conclusão comum, com transparência, carinho e respeito um pelo outro.

A loja Copacabana tinha coqueiros e uma praia como o cenário que acomodava manequins usando biquinis, chapéus e saídas de praia multicoloridas. Jack e Clara atravessaram rapidamente a rua e entraram correndo na loja, não queriam ser avistados na rua.

A vendedora brasileira ficou imensamente feliz de recebê-los e rapidamente eles sairam de lá com uma sacola recheada de roupas de praia para ambos; então, seguiram direto para a estrada, estavam voltando para Heathcliff Hall mais cedo porque precisavam ainda arrumar as malas para a viagem até Nice, no final da tarde.

No caminho, Clara aproveitou o tempo para ligar primeiro para Jonas e depois para seu pai.

- Querida, queria te pedir um favor... se você puder... - disse Jack. - Queria muito que você me ensinasse um pouco de português. Fico tão aflito quando te vejo falando, falando e não entendo nada...

- Claro, amor... quando você quiser... - sorriu Clara. - Mas está tudo bem... já contei tudo o que aconteceu para o Jonas e já avisei meu pai que vamos passar uns dias em São Paulo, no meu apartamento... nosso, agora...

- Você é linda... Não vejo a hora de estar lá com você... tive tanto medo de te perder... - disse Jack, os olhos se enchendo de lágrimas.

- Ai, meu amor, me desculpa, eu fiquei tão enciumada que quase perco a coisa mais importante da minha vida. - disse Clara chorando também. - Me perdoa, preciso aprender a confiar mais em você...

Jack estacionou o jeep na porta de Heathcliff Hall e os dois se abraçaram novamente, David que estava ali para recebê-los não entendia por que estavam demorando tanto para descer do carro e ficou ainda mais intrigado ao vê-los descendo, enxugando as lágrimas do rosto.

- Está tudo bem, Princesa? - disse David pegando-a pela mão para ajudá-la a descer. - O Velhão por acaso estava te maltratando?

- Não, querido. Está tudo bem... Eu e o Jack estamos muito bem agora.

- Isso mesmo, Dave... - riu Jack. - Conversamos e estamos melhores do que nunca...

- Ótimo! Esta casa está um agito só... todo mundo se preparando para ir para Nice. Vamos ver como o outro lado se diverte, Velhão...

- O outro lado? Mas vocês não são pobres... - riu Clara.

- Mas o Mick está em outro patamar, Princesa... - riu David. - Você vai ver...

Todos almoçaram juntos na sala de vidro e depois Clara e Jack subiram para sua suite, foram arrumar as malas para a viagem. Cindy avisou que além das roupas de praia, ela deveria levar roupas de gala porque Mick daria um jantar blacktie para seus convidados; assim o vestido de veludo preto que Jean Paul havia dado de presente para ela foi para a mala, bem como algumas jóias e o smoking de Jack.

Clara fez questão de levar também sua câmera e o iPad para registrar as jams musicais, que tinha certeza, aconteceriam todo o tempo. Jack levou sua gaita e uma guitarra acústica e Mike e David também levaram alguns instrumentos.

Uma outra surpresa para Clara foi a de que Mick mandou limousines buscá-los em Heathcliff Hall para levá-los ao aeroporto, uma para cada casal, os carros fizeram um cortejo que chamava a atenção das pessoas na estrada, dois carros com seguranças faziam parte do comboio também.

No caminho, Clara estava com a cabeça pousada no ombro de Jack, trocando mensagens no celular com Cindy e Jennifer.

- Eu nunca vou entender isso... - disse Jack.

- O que amor?

- Vocês três conversam o dia todo e ainda têm assunto para ficar escrevendo no celular... - riu Jack.

- Ai, amor... é coisa de mulher... Estamos muito ansiosas para chegar...

- Eu sei... - riu Jack. - Jantar de gala, passeios de iate, ilhas particulares... é Menininha.... mulheres adoram essas coisas.

- Eu prefiro você... - disse Clara beijando-o. - Troco tudo isso pelo meu apartamento lá de São Paulo, que cabe inteiro na suite da nossa nova casa, se você estiver lá, comigo...

Jack agarrou-a e beijou-a com intensidade. Os dois agora desejavam chegar logo ao tal castelo e mais ainda na cama da suite que ocupariam pelos próximos dias. O desejo entre eles só crescia desde o dia anterior e tudo o que eles queriam era ter tempo para ficarem juntos antes do tal jantar de gala.

Continua

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