11 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LVI


As três arrumaram-se como de costume e Clara lutou consigo mesma por alguns minutos para tentar esquecer o conflito que sentia crescendo dentro de seu coração. Como em seu sonho, queria sentar e conversar com Mick, mas não sabia o que diria a ele. Queria que existisse alguma coisa que o fizesse desistir daquela loucura. Ela estava casada com o grande amor da sua vida e não cabia mais ninguém naquela relação.

Para garantir-se um pouco mais contra a possibilidade de seu sonho ser uma previsão do que aconteceria em seu dia, vestiu roupas completamente diferentes das que tinha visto no sonho, maquiou-se, perfumou-se e logo sentia-se pronta para as compras.

Antes de sair do quarto, mandou uma mensagem para o celular de Jack: "Meu amor, já estou sentindo saudades... queria estar com você, mas se for aí embaixo o David e o Mike não te deixarão em paz, por isso, nos vemos mais tarde. Te amo!"

Clara desceu as escadas e suas amigas esperavam por ela na sala de estar. Quando ela chegou no último degrau e começou a caminhar com suas amigas na direção da porta, ouviu Jack entrando na sala.

- Espera, Clara...

- Amor? - disse Clara sorrindo surpresa. - O que você está fazendo aqui?

- Precisava te ver, meu amor... - Jack respondeu agarrando-a no meio da sala e beijando-a. - Senti sua falta...

- Lindo! Eu te amo tanto... - disse ela acariciando o rosto de Jack e limpando as marcas de batom que ficaram em sua boca e barba. - Nos vemos mais tarde, meu amor...

- Tchau querida... - Jack respondeu. - Agora vou para o estúdio socar os caras que já devem estar rindo de mim...

- Tchau amor...

Clara saiu e encontrou suas amigas já no carro, aplaudindo e dando gritinhos; - Uau! Vocês estão em chamas ainda, amiga... - disse Cindy. - Que amor hein!

- Podem abusar o quanto quiserem... - riu Clara. - Aliás, estou quase voltando lá e levando aquele homem maravilhoso que vocês viram me beijando de volta para nossa cama...

- Querida... - riu Jennifer. - Vocês são uma inspiração para todos nós...

- Falando em inspiração, vamos direto para a loja não? - disse Clara. - Nada pessoal mas não quero nem passar perto do seu escritório hoje, Cindy...

- Claro, querida. - sorriu Cindy. - Mas tudo já está diferente do sonho, não está? Acho que já batemos seus poderes, não bruxinha?

- Espero que sim! - disse Clara. - Epa! Olha só a estrada, não tem trânsito! Uhuuuuuuuuu!!!!

- É mesmo! - disse Cindy. - Tinha trânsito no sonho? Que bom, mais um ponto para nós! Uhuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!

O caminho estava mesmo livre e em menos de uma hora o carro parava na porta de uma sofisticada loja de decoração em Knightsbridge. Clara caminhava impressionada entre peças de designer, antiguidades e objetos importados de lugares exóticos. Cindy ajudou-a nas escolhas e logo ela já entregava seu cartão de crédito ao gerente da loja. Tinha gasto em alguns objetos e móveis 60 mil libras.

- Cindy, desculpa minha falta de preparo, mas fazendo a conversão de moeda, acho que meu apartamento inteiro no Brasil, custou menos do que isso...

- Ah querida! - sorriu Cindy. - Você precisa acostumar-se com o fato de que você e o Jack são milionários e podem comprar o que quiserem agora. Sim foi caro, mas você comprou coisas lindas que farão parte de seu dia-a-dia. Você não vai querer olhar a seu redor e sentir-se cercada de coisas feias, vai?

- Não é isso, querida. - sorriu Clara. - É que me parece bobagem... como já disse algumas vezes moraria com o Jack no meu apartamento de São Paulo e ele não tem sequer água quente nas torneiras e todos os móveis e objetos que estão lá dentro não chegaram a custar 5 mil libras...

- Querida, você é hippie, como o Jack. Mas quando tudo estiver pronto, você vai...

- Eu sei, Cindy... - riu Clara. - Me desculpa, foi só o choque. As coisas que compramos são lindas, sei que não preciso delas para ser feliz, mas quero que tudo ao redor do Jack seja lindo. Quero envolvê-lo em beleza, cercá-lo dela... sei que isso também não significa felicidade, mas eu o amo tanto que não pode ser diferente.

- Você está certa, Clara. - disse Jennifer. - Mas acho que você ainda não se acostumou com o lado de cá. Você precisa de um pouco mais de tempo e um pouco mais de luxo... vamos comprar, querida?

- Acho que eu preciso de um pouco mais de Jack. - riu Clara. - Vou mandar outra mensagem para ele...

- Bem, queridas. - sorriu Cindy. - Vamos almoçar? Estamos perto do Chez Montagne...

- Desculpa Cindy, mas o Chez Montagne hoje está fora de cogitação. Batemos meu sonho até agora e não quero colocar tudo a perder indo a um restaurante que eu sei que o Mick frequenta. Que tal o Hikonori? Fica aqui perto também...

- Ótimo, você sabe que eu amo sushi... - disse Cindy. - Que tal, Jenni?

- Perfeito! Vamos até lá então... - disse Jennifer sorrindo.

Cindy então seguiu com o carro até a porta do badalado restaurante japonês. Cindy deixou o carro em uma rua próxima do restaurante, mas conforme caminhavam em sua direção, Clara sentiu que alguma coisa não estava muito certa naquele cenário. Um número muito maior de fotógrafos e curiosos agora reunia-se nas proximidades do restaurante.

- Ei, você, paparazo... - Clara chamou um deles. - Oi, tudo bem? Quem está aí hoje?

- Por enquanto, só o Keith Richards e a mulher. - disse o fotógrafo. - Mas parece que o resto dos Stones estão vindo para cá. Estão na cidade para uma reunião...

- Ah, tá! - sorriu Clara. - Obrigada pela informação.

- Cindy, acho que esqueci meu celular no carro, vamos lá buscar? - disse Clara chamando as amigas para fugir de lá o mais rápido possível.

- Não pode ser! - riu Clara. - Acho que desta vez conseguimos fugir dele...

- Ainda bem que você perguntou ao fotógrafo. - disse Cindy. - Desta vez, foi perto.

- Vamos almoçar no francês então? - disse Jennifer.

- Exatamente! - riu Clara. - Agora que sabemos onde o senhor Jagger está, ficou mais fácil!

As três amigas caminharam até o restaurante francês e tiveram por lá uma refeição tranquila.

- Quero brindar ao meu time vencedor de amigas, que hoje está me ajudando a vencer um terrível pesadelo e transformando um dia que seria desastroso em um sucesso absoluto! - disse Clara com uma taça de champagne nas mãos.

- Obrigada querida! - sorriu Cindy. - Que você consiga superar tudo com a mesma graça e elegância que tem mostrado até agora... E que seja feliz, nos braços do homem que ama, seja ele quem for...

- Cindy! - riu Clara. - Eu amo o meu Jack e não sei se é possível ser mais feliz do que já sou...

- É possível sim, querida! - disse Jennifer. - Todas nós merecemos... Confia em mim, você deveria experimentar só uma vez... o que o Jack não sabe, não pode ferí-lo...

- Mesmo assim, acho que não experimentarei, querida. - disse Clara. - É perigoso. O que senti no sonho... Tenho muito medo de me apaixonar por ele. Não posso amar dois homens ao mesmo tempo, não sou assim, me sentiria muito mal se isso acontecesse.

- Hum! Quero ter um sonho destes, querida... - riu Cindy. - Sabia que o senhor Jagger também já fez parte da minha lista de sonhos de consumo? Como seu marido também... ele era uma visão dos deuses na época da Crossroads.

- Ele ainda é uma visão dos deuses para mim, Cindy.

Depois do almoço tranquilo, Cindy levou as amigas para uma loja tão sofisticada quanto a primeira, mas que era especializada em móveis para quarto e lá, Clara comprou todos os móveis para seu quarto e para os três quartos que usaria como quartos de hóspedes em sua casa. Logo, Clara estava animada novamente com a casa, vendo os móveis pessoalmente, ela agora começava a imaginar como se sentiria quando estivesse vivendo entre eles. Agora podia ver-se deitada na cama, com os braços de Jack ao redor de seu corpo.

Mais conversa com o gerente, pagamento, Cindy com seu iPad nas mãos negociou a data de entrega dos móveis e rapidamente as três amigas caminhavam para fora da loja e atravessavam a rua para chegar a um café.

- Então? Vamos voltar para Heathcliff Hall? - disse Cindy. - Temos mais ou menos 3 horas para ir até lá, nos arrumarmos e voltarmos para o encontro no Chez Montagne. Que tal?

- Eu tenho outra ideia. - disse Clara. - Por que não vamos naquelas lojinhas lindas da King's Road comprar uns vestidinhos novos, passamos no SPA do meu hotel, fazemos massagem, cabelos e estamos lindas e prontas para encontrarmos nossos queridos maridos. Acho que 3 horas é tempo suficiente para isso...

- Ótimo! - disse Jennifer. - Você se tornou rapidamente uma das nossas, querida! Acho que a capa da Vogue fez muito bem para você...

- Não é por isso... - riu Clara. - quero poupar a Cindy, ou ela passará as próximas 3 horas dirigindo...

- Gênio! - sorriu Cindy. - Muito melhor do que ir até em casa... Estamos pertinho da King's Road, vamos a pé até lá e nem preciso arranjar outro estacionamento para o carro e depois que comprarmos tudo, vamos para o hotel.

- Eu vou ligar para o hotel e mandar reservar os tratamentos para nós... Massagens e cabelereiros? - perguntou Clara.

- Isso mesmo! - disse Jennifer. - Lá nos vestimos e vamos para o Chez Montagne. Perfeito, querida!

As três amigas seguiram com seus planos e escolheram a boutique de uma amiga estilista de Jennifer, para comprar as roupas. Clara comprou um vestido preto colado ao corpo, tomara que caia e com uma saia mais curta, completou o visual com um sapato escarpin de salto altíssimo. Comprou um conjunto de colar e brincos de ouro com pedras brasileiras. Queria estar com suas jóias, mas não iria até Heathcliff Hall buscá-las.

Com todas as sacolas na mão, elas desceram na porta do SPA do Four Seasons Over the Park. Os massagistas e cabelereiros já eram velhos conhecidos e inclusive arrumaram Clara, Jack e muitos dos seus convidados para o casamento e fizeram festa ao ver as três amigas chegando.

- Querida! Nossa tão chique! Agora que está na capa da Vogue, da People... esqueceu dos amigos e nem fica mais aqui no hotel...

- Ai, amor! - riu Clara, cumprimentando o cabelereiro. - Minha vida anda tão complicada que não consigo ficar onde quero. Mas não se preocupe, quando minha casa ficar pronta, eu não sairei daqui...

- Casa? Onde?

- Aqui perto, na High Gardens. Você vai lá me atender, não vai?

- Pode apostar, querida! Aliás, ontem achei que você estava aqui no hotel. Me pediram para subir na suite do senhor Peters, mas quando cheguei lá, achando que iria arrumar minha cliente mais chique, encontrei a Ann Kurtiss, aquela cantora americana. Achei estranho...

- Sério? - perguntou Clara intrigada. - Por acaso você viu o Jack por aqui esses dias?

- Não vi, não. - respondeu Pablo. - Por que?

- Por nada, querido... - sorriu Clara, disfarçando. - O Jack já gravou com ela, você sabe não é...

- Sim, adoro aquele disco, amiga. É tão lindo!

Clara estava louca agora para reencontrar Cindy e Jennifer. Era a segunda vez que a tal da cantora com quem Jack teve um relacionamento há alguns anos chamava sua atenção. Ela não tinha esquecido o vaso com orquídeas com um cartãozinho, que Jack recebeu dela no aniversário. Aquela suite triplex do Four Seasons era uma segunda casa do Jack e estava sempre à sua disposição. Além disso, o uso do nome que Jack sempre usava no hotel era um sinal claro de que Ann Kurtiss estava em contato com seu marido e ela não gostava nem um pouco disso.

Jack mandou uma mensagem no celular de Clara avisando que a reunião na gravadora estava terminando e que logo estariam indo para o restaurante. As três amigas, agora prontas, penteadas e maquiadas, entraram no carro no subsolo do hotel e começaram a seguir para o Chez Montagne.

- Bom, agora que estamos aqui, eu preciso que vocês me contem tudo sobre o relacionamento do meu marido com a tal da Ann Kurtiss...

- Por que, Clara? - perguntou Jennifer. - Que eu saiba tudo terminou no fim da turnê conjunta dos dois, há uns três anos... Depois ele começou a sair com uma modelo...

- Porque ela está hospedada na nossa suíte do Four Seasons e o quarto está no nome que o Jack usa quando fica lá... - respondeu Clara nervosa. - Só por isso...

- O que? - perguntou Cindy. - Espera, vou até parar o carro ali naquela vaga para te escutar melhor...

- Bom, vocês conhecem o Pablo, que me arrumou para o casamento... o cabelereiro chefe do salão de beleza do hotel, não conhecem?

- Claro! Foi ele que te atendeu naquela sala Vip dele... - sorriu Cindy. - Ficamos com ciúmes, mas você é a mais chique de nós três mesmo, não é?

- Ele me disse que foi chamado para atender a senhora Peters na minha suíte e quando chegou lá, era a Ann Kurtiss que estava hospedada... detalhe, pelo que ele me disse, acho que o Michael Peters estava com ela...

- Epa! Não gostei disso... - disse Cindy. - E o Jack? Ele viu o Jack por lá também?

- Não. Nos últimos dias ele nem tem saído de perto de mim, só hoje passamos o dia longe um do outro. Mesmo assim, isso tudo é muito estranho... Não gosto de segredos, vou perguntar para o Jack assim que chegarmos ao restaurante.

- O Mike acabou de me mandar uma mensagem, disse que já estão no restaurante. Está me perguntando onde estamos. - disse Jennifer. - Vou responder que estamos a caminho...

- Querida... não estou gostando nada disso. Mas existe uma boa possibilidade de ser coisa do Michael Peters... - sorriu Cindy. - Sabe como é...

- Espero que sim... - Clara respondeu suspirando. - Ai Jack, não me decepciona, por favor! Odeio mentira...

Em poucos minutos, Cindy deixava o carro nas mãos do manobrista e as três seguiam pelo tapete vermelho do restaurante para delírio de um grande número de paparazzi concentrados na porta.

Mas somente quando se aproximou da mesa, Clara compreendeu o frisson que acontecia na porta do restaurante. Sentados com Jack, Mike e David estavam Mick Jagger, Keith Richards e a esposa e Ann Kurtiss.

- Finalmente chegaram! - disse Jack levantando-se e caminhando na direção de Clara. - Olá querida, tem uma pessoa que eu quero que você conheça. Essa é a Ann Kurtiss. Ann, esta é minha esposa Clara.

- Como vai. - disse Clara educadamente. Depois cumprimentou o restante das pessoas na mesa.

- Olá Clara! Não nos vemos desde seu casamento. - disse Patty. - Você estava tão linda...

- Obrigada Patty! Foi um dia em que me senti particularmente iluminada... - sorriu Clara. - Estávamos muito cansados, eu e o Jack, mas muito felizes.

- Tocamos muito naquele dia, Jack. - disse Keith. - Eu e o David fizemos umas coisas inacreditáveis depois que vocês foram embora... O Mick também, com a gaita dele... foi lindo, cara...

- O David me contou... - disse Jack. - Precisamos fazer isso de novo... Eu e a Clara vamos passar uns dias no Brasil, mas depois que voltarmos, vamos inaugurar nossa casa aqui na cidade e queremos dar uma festa... que tal fazermos uma jam por lá?

- Lindo! - disse Mick. - Então vocês vão se mudar do Four Seasons?

- É, compramos uma casa perto dele, na High Gardens... - sorriu Clara. - A Cindy está restaurando e decorando antes de nos mudarmos. Passamos o dia comprando móveis hoje, vai ficar tão linda...

- Ai querida! Que coisa boa! - disse Patty. - Não gosto de hotéis. Não consigo me sentir a vontade neles...

- Também não gosto... - respondeu Clara. - Não vejo a hora de me mudar para a minha casa...

- Pelo jeito, aquela bela casa de Nashville não voltará a ser usada tão cedo... - disse Ann repentinamente. - Sim, o Jack comprou uma mansão linda, vizinha da minha em um condominio fechado. A casa tem até um bom estúdio... você chegou a vendê-la, querido?

- Já a vendi. - respondeu Jack. - Há uns dois anos. E como estão as coisas lá?

- Bem! - disse Ann. - Passei os últimos três meses em casa, descansando um pouco, escrevendo novas músicas. E finalmente vou gravá-las! Clara, você vai precisar me emprestar seu marido por uns dias, vamos gravar no Abbey Road... imagina eu, essa pequena garota das montanhas de Nashville, gravando em Abbey Road!

- Mesmo? - sorriu Clara. - O Jack não me disse nada sobre isso...

- O Jack não sabia nada sobre isso, querida. Até a reunião na gravadora hoje... - sorriu Jack. - O Michael Peters trouxe a Ann para conversamos e aceitei o convite.

- Bom! - respondeu Clara com um sorriso que ainda deixava ver os ciúmes que estava sentindo naquele instante. - Então teremos que mudar a data de nossa viagem, querido?

- Talvez seja necessário adiarmos alguns poucos dias. - respondeu Jack. - São só duas músicas, posso fazer isso em um dia de estúdio, querida... Mas o Mick acaba de convidar a todos nós para passar o final de semana em Nice. Vamos no jato dele. Pensando bem, acho que podemos também fazer uma jam por lá, não Mick?

- Epa! Isso mesmo! E vocês, lindas damas, tragam suas roupas de banho para mergulhar proximo da ilha particular que faz parte da propriedade. O tempo já está mudando, mas ainda dá para vocês trabalharem no bronzeado e nadarem um pouco, enquanto nós, os homens, brincamos com nossos instrumentos no estúdio. Será um final de semana maravilhoso. - disse Mick sorrindo, enquanto mergulhava seus olhos nos olhos de Clara.

Confusa, nervosa e com muitos ciúmes, Clara pediu licença e foi ao banheiro. Cindy acompanhou-a.

- Querida, você está bem? - perguntou Cindy. - Acho que até eu estou ficando nervosa com os rumos da conversa lá dentro...

- Você viu? Ele vai para o estúdio com ela? Tenho certeza de que ele sabia, mas não me disse nada... - disse Clara. - Por que? Quem é essa mulher? Você viu como ela se joga para cima dele? Meu Deus... até meu problema com o Mick ficou deste tamanhinho agora diante dessa pistoleira americana se atirando em cima do meu marido.

- Você é ciumenta, não? - disse Cindy. - Mas é melhor se controlar. Lembra? Eles já viveram juntos e tudo acabou... você conhece o Jack, nehum relacionamento dele termina bem...

- Conto com isso, Cindy. - sorriu Clara. - Porque se ele me trair com essa mulher, o Mick terá o melhor sexo que já teve na vida. Eu não sou só ciumenta, sou também muito vingativa quando provocada! Mas agora, é melhor voltarmos para a mesa antes de levantarmos suspeitas, vamos?

- Hum, fiquei com medo agora, amiga! - disse Cindy. - Sou sua amiga, viu? Estou sempre ao seu lado.

- Cindy, querida. - sorriu Clara. - Não sei o que faria sem você...

- Ai querida! Você é maravilhosa também! - sorriu Cindy, abraçando a amiga.

As duas voltaram para a mesa. Clara sentiu os olhos de Jack e de Mick sobre ela, enquanto se aproximava e ao sentar-se ao lado do marido, ele pegou sua mão e sussurrou em seu ouvido: - Está tudo bem, amor?

- Claro, amor! - ela sussurrou no ouvido dele. - Ou você acha que devo ficar preocupada?

- Não. Por que ficaria? - Jack perguntou.

- É mesmo, por que ficaria? - sorriu Clara.

- Não te disse, Keith? - sorriu Jagger. - Estão sempre namorando... São uma inspiração para o resto de nós...

- Isso vocês são mesmo! - sorriu Patty. - Foi o casamento mais lindo em que já fui...

- Obrigada Patty! - sorriu Clara. - Você é muito gentil...

- Para mim, esse casamento foi uma surpresa... - disse Ann. - Quando você foi para Nova York, naquele dia, nunca imaginei que na próxima vez que o visse, você estaria casado e de volta na Crossroads... É espantoso, temos um novo Jack Noble! Querida, você deve ser algum tipo de anjo para conseguir transformar tanto assim alguém em um pouco mais de dois meses.

- O Jack é o anjo, sou apenas a garota de sorte que o encontrou... - sorriu Clara.

- Teve muita sorte mesmo! - respondeu Ann. - O Jack é um homem maravilhoso quando está apaixonado.

- Olha só. - riu David. - O Velhão é e sempre foi um imã para todas as mulheres. Não sei como você faz isso, cara, mas admiro muito...

- Não é o único. - riu Keith. - Conheço outro muito parecido...

- Até parece que vocês nunca pegaram ninguém... - riu Mick. - Me perdoem as senhoras aqui presentes, mas nenhum homem desta mesa pode se queixar de solidão... Embora ultimamente o amor não tenha sido muito meu amigo. Amar sem ser amado é muito duro... Mas teremos muita diversão neste final de semana...

- Mick, os outros stones estarão por lá também? - perguntou Clara, ainda um pouco sem graça com o que Mick acabara de dizer.

- O Ronnie estará. - respondeu Mick, os olhos mergulhados nos olhos de Clara. - O Charlie me disse que tem um compromisso em Nova York e assim que resolvermos tudo aqui, voltará para lá...

- Você não sabe o quanto me sinto feliz por mais esta oportunidade de vê-los todos juntos. - sorriu Clara. - Sou apaixonada por música e já estou ansiosa para que o final de semana chegue logo...

- Eu também estou ansioso. - respondeu Mick. - Aliás rapazes, vou ter finalmente a chance de mostrar para vocês e para Clara a música que fiz para ela... Podemos até gravar uma demo. Que tal querida?

- Claro! Vou ficar muito feliz em gravar uma música sua. Aliás obrigada por pensar em mim...

- Não estou fazendo nenhum favor, querida. - sorriu Jagger. - Você canta como um anjo e logo será uma estrela...

- Nossa! - interrompeu Ann. - Você canta também?

- Os rapazes me convenceram a gravar uma faixa para o disco deles e agora querem que eu faça um disco...

- Você é mesmo um achado! - comentou Ann com um indisfarçável ar de despeito. - Tem alguma coisa que você não possa fazer, querida?

- Sou péssima em esportes e não consigo desenhar nem casinha... Mas acho que em todo o resto, me garanto! - sorriu Clara erguendo sua taça de champagne.- Aliás quero fazer um brinde: às surpresas da vida. Que sejam todas felizes e doces como uma tarde sob o sol de Nice entre meus mais queridos amigos!

Mick sorriu para ela do outro lado da mesa e ela retribuiu o sorriso. Jack percebendo que algo estava acontecendo ali, pegou a mão de Clara e beijou-a.

- Eu te amo, Clara. - sussurrou em seu ouvido e beijou-a.

- Eu também te amo, querido. - respondeu Clara.

- Bem, meus caros. - disse David. - Acho que esta conversa deve agora mudar-se para Heathcliff Hall onde podemos ter uma prévia de nosso final de semana em Nice. Convido todos para passar a noite em minha casa.

- Seria maravilhoso... - disse Keith. - Mas amanhã, eu e o Mick temos uma reunião marcada para as 8 da madrugada na gravadora e acho que seria melhor se dormíssemos um pouco antes dela.

- Infelizmente... - complementou Mick. - Tem muita coisa que precisamos resolver antes do Charlie voltar para a América e ele embarca amanhã à tarde...

- Que pena! - disse David. - Mas acho que colocaremos a conversa em dia no final de semana.

Todos então, se despediram no restaurante e cada um seguiu para seu carro sob os flashes dos paparazzi que ainda estavam na porta, esperando por eles.

Jack e Clara entraram no jipe e seguiram em silêncio até a metade do caminho para Heathcliff Hall.

- Então? - perguntou Clara quando não conseguiu mais segurar sua indignação.

- O que? - perguntou Jack. - O que foi, querida?

- Quero saber por que tive que descobrir que a tal moça que mandou uma orquídea de presente, no aniversário do meu marido, está hospedada na nossa suíte, através do meu cabelereiro e não do meu marido?

- Ah! Sabia! - disse Jack. - Já vi que quando você fica assim, quietinha, é porque está brava comigo, mas não tenho culpa. Fiquei sabendo que a Ann estava na cidade hoje à tarde, na gravadora. O Peters trouxe ela para a reunião. Acho que eles estão juntos...

- Ah tá! - respondeu Clara. - Não sou tão bobinha assim... se o Peters está com ela, por que ela não parava de te olhar no restaurante?

- Clara, nós namoramos mas há uns 3 ou 4 anos atrás. - respondeu Jack. - Não a via há muito tempo...

- Segundo ela, dois meses... - disse Clara. - a impressão que tive do que ela disse foi que você disse para ela, volto logo amor e dois meses depois estava casado comigo...

- Mas não foi nada disso que aconteceu... - disse Jack. - Há uns 3 meses, estive em Nashville para gravar uma participação em um disco tributo para um artista de lá e encontrei com a Ann. Ela queria gravar outro disco comigo, mas eu tinha acabado de lançar o disco do Robert Johnson e não me interessei pela ideia. Saímos juntos naquela noite e no dia seguinte, peguei o avião e fui para Nova York. É isso o que você queria saber?

- Então vocês estavam juntos quando você me conheceu? - perguntou Clara, as mãos já tremendo.

- Não! - riu Jack. - Eu estava bêbado e sozinho em Nashville. Ela apareceu e me levou para a casa dela. Nosso relacionamento já não existia mais há anos...

- Mas vocês transaram e ela achou que isso era uma volta? - disse Clara.

- Isso! - respondeu Jack.

- Mas não era...

- Exatamente. - disse Jack. - Eu estava muito bêbado e ela se aproveitou disso. Inclusive estava saindo com outra garota, uma modelo canadense que tinha acabado de conhecer. Ela viu uma mensagem da Ann no meu celular e me deu um chute.

- Olha Jack. - disse Clara. - Eu te amo muito, mas não consigo evitar de me sentir um pouco decepcionada com isso tudo...

- Decepcionada? Mas por que? - disse Jack. - Eu não posso ser responsável pelas conclusões erradas que os outros tiram. A Ann achou que estávamos voltando há três meses atrás e não percebeu que só transei com ela porque estava bebado demais para dizer não.

- Mas você nunca mais disse nada para ela, Jack. As pessoas não podem advinhar...

- Ai querida. Minha vida estava um caos. Eu esperava que você respondesse meu convite e não tinha espaço para mais nada, nem ninguém... - disse Jack. - Você não imagina como eu estava.

- Eu entendo... - disse Clara. - Mas não sei se conseguirei aguentar ver essa mulher se atirando em cima do meu marido.

- Mas ela não estava dando em cima de mim... - disse Jack. - Não que eu tenha percebido...

- Ok Jack! Você não percebeu que ela não tirava os olhos de você?

- Não! Eu só tinha olhos para você naquele restaurante. - respondeu Jack. - Você está linda e eu te amo... Não existe espaço na minha vida para mais ninguém...

Clara estava começando a sentir-se culpada por ter tantos ciúmes dele e seus olhos começaram a lacrimejar.

- Ai Jack, meu amor. - disse ela passando a mão nos cabelos dele. - Me perdoa. Fiquei nervosa demais quando vi que ela estava com vocês...

- Clara, meu amor... - disse ele pegando a mão dela e beijando. - Acho que preciso que você seja um pouco paciente com estas coisas. Confia um pouco em mim e tudo vai dar certo.

- Eu confio em você... Mas não confio nela... Espero que até o final de semana ela entenda que você é meu. - disse Clara passando a mão pela coxa de Jack.

- Hum, Menininha... assim, não vamos conseguir chegar em Heathcliff Hall... - sorriu Jack.

- Vamos sim, amor... - disse Clara ao avistar a entrada para a estradinha menor que levava até Heathcliff Hall. - Já estamos chegando...

Jack acelerou pela estrada estreita e logo estacionava o jeep na porta da casa. Os dois saltaram do carro pegaram as sacolas com as compras de Clara, passaram pela sala de estar onde disseram que estavam muito cansados e iam dormir e subiram as escadas rumo ao quarto.

- Achei que o Velhão estava encrencado dessa vez... - disse David depois que os dois sumiram de vista.

- Por que? - perguntou Cindy.

- Porque a Ann agarrou ele na gravadora de um jeito... - riu David. - Se a Clara fica sabendo disso, do jeito que é ciumenta, ela dá um pé nele tão forte que ele voa de volta para Nashville sem precisar de um avião...

- O que? Ele andou beijando aquela pistoleira americana? - perguntou Cindy.

- Beijar... - riu David. - Eu acho que se ele não tivesse feito a vasectomia, ela estaria grávida agora... mas não conta nada disso para a Clara porque você sabe o quanto ela é ciumenta...

- Meu Deus! - disse Jennifer. - Acho que isso coloca em perspectiva tudo o que aconteceu hoje, não?

- E o que aconteceu hoje? - perguntou David.

- A Clara estava se sentindo culpada porque sonhou que estava beijando o Mick. - disse Cindy. - Estava toda nervosa, você precisava ver.

- Nossa! - disse David. - Então é melhor mesmo ninguém dizer nada disso para ela... Tenho pena dela... o Jack não é exatamente esse cara fiel que ela espera...

- Nunca foi, mas achei que ela era a mulher que iria acabar com isso na vida dele. - respondeu Cindy. - Uma pessoa tão doce, tão entregue...

- É! O Velhão não está agindo certo... acho que vou falar com ele para ver se toma jeito. - disse David. - Gosto da Clara como se fosse minha filha, sabia?

- Torço muito por eles... - disse Jennifer. - Seria um desperdício acabar um amor como o deles por causa de uma pistoleira como aquela.

Continua

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