5 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LIII


Guiada por um segurança, Clara entrou na sala da coletiva e sentou-se ao lado de Cindy. Estava preocupada com todas aquelas entrevistas, mas tinha gostado da ideia de cuidar das exclusivas de Jack. Cumpriria essa tarefa com um sorriso nos lábios.

- Boa tarde, senhoras e senhores. - disse Charles Hutton. - O vídeo que assistirão a seguir é um making of das gravações dos dois novos videoclipes da banda Crossroads que aconteceram ontem e hoje nestes estúdios. O primeiro deles é da regravação da música "The Light", onde a grande novidade é a participação de Clara Noble fazendo dueto com Jack e aparecendo no vídeo caracterizada como a "Rainha da Luz".
O segundo vídeo, que foi gravado hoje é do single "Unexpectedly"; uma canção que os senhores já conhecem porque já está fazendo sucesso em todo o mundo, em sua versão ao vivo, gravada durante o show da Unicef em Paris. Devo informá-los que esta canção está em primeiro lugar nas paradas da revista Billboard há 6 semanas e não dá qualquer sinal de que possa ser substituída tão cedo.
Além disso, lembro que junto com o material que os senhores receberam hoje, estão as primeiras datas de show da turnê mundial da Crossroads. Como todos já sabem, a estreia da nova turnê acontece no dia 10 de Novembro na O2 Arena e teve todos os ingressos esgotados em apenas 15 minutos, por isso, abrimos uma segunda apresentação no dia 11 de Novembro, cujos ingressos serão vendidos a partir da meia-noite do dia 01/10.
As próximas cidades desta primeira parte da turnê, serão Paris, Berlim, Barcelona, Roma, Amsterdã e Viena. Depois a turnê pára por alguns dias e reestreia em Nova York, no dia 15 de Janeiro.
O novo disco é o oitavo da banda e o primeiro após 30 anos. Ele acabou de ser finalizado e enviado para a gravadora, ainda não tem um nome e deve chegar às lojas virtuais e físicas no dia 20 de Outubro.
Ele também será disponibilizado no formato vinil duplo, em uma edição especial e limitada. Teremos também uma edição especial para colecionadores com CD e DVD com a gravação do show da Unicef, entrevistas com os membros da banda e os dois videoclipes. No material que vocês receberam estão todos os nomes das 14 faixas, na ordem em que aparecem no disco.
Bem, senhores, dados todos os avisos, ainda resta pedir aos fotógrafos colaborarem e moverem-se com suas câmeras para o fundo da sala logo após a photo call e gostaria de lembrá-los que não serão permitidas fotos com flash durante toda a entrevista. Não gostaria de ser obrigado a parar a entrevista para retirar fotógrafos mal educados da sala. Peço que todos respeitem as regras e teremos a banda por pelo menos 30 minutos atendendo aos senhores.
Temos microfones nas laterais da sala, basta levantar o braço e nossa assistente os levará até vocês. Peço que se identifiquem e ao seu veículo, antes de fazer a pergunta. Então senhoras e senhores, com vocês, Crossroads!

Um pequeno vídeo passou a ser exibido em um telão, na frente da sala. Clara e Jack, com o figurino do dia anterior conversavam com o diretor, enquanto a nova versão de "The Light" era tocada. Suave, a canção emocionou Clara que agora assistia a algumas cenas dela conversando com David e caminhando pelo cenário de floresta e dos jardins do palácio e depois, de mãos dadas com Jack, assistindo a equipe fazendo takes de Michael e David. Jack sussurrava em seu ouvido e ela o beijava.

Assim que o vídeo terminou, sob os aplausos dos presentes, Jack, David e Michael entraram na sala e os flashes iluminaram tudo. Os três pararam em um lugar já preparado para as fotos, no fundo da sala, na frente de uma das paredes.

O coração de Clara disparou ao vê-los entrando e suas mãos começaram a tremer. Por causa dos flashes, os três agora usavam óculos de sol. Era impressionante o efeito que a presença deles fazia naqueles jornalistas. Todos agora haviam se erguido de suas cadeiras e olhavam para o fundo da sala e muitos os aplaudiam quando após as fotos, eles caminharam pela lateral, protegidos por seguranças; até sentarem-se em suas cadeiras, postadas em uma longa mesa com 3 microfones, de onde Charles se levantou.

- Boa tarde. - disse Jack sorrindo.

Um jornalista que estava no meio da sala, levantou a mão e recebeu o microfone.

- George Studden, The Independent. Até pouco tempo atrás, você Jack Noble, dizia que era impossível alguém convencê-lo a reformar a Crossroads. O que mudou que tornou isso possível?

- Bem, muita coisa mudou. Também quando me divorciei, no começo da década de 80 disse para quem quisesse ouvir que jamais me casaria de novo. - sorriu Jack. - Mas sempre que alguém vinha para mim com esta ideia, eu descartava completamente porque para mim, sem o Don, não existia mais Crossroads. Mas a Clara apareceu na minha vida e acendeu todas as luzes. E de repente, eu estava inspirado novamente, fiz uma porção de músicas com o David e já estávamos preparando o nosso terceiro disco, quando o Michael nos procurou querendo participar. Fiquei confuso, mas percebi que não sentia mais aquela dor que costumava sentir, sempre que alguém falava na Crossroads e depois me senti feliz, porque além de trazer essa ideia de reformar a banda, o Michael me aconselhou a pedí-la em casamento. E o melhor foi que ela aceitou... - riu Jack.

- Albert Cross, The Sun. Foi lançada há alguns dias uma biografia do Joe Churnins, um ex-roadie do David Mersey que se chama "Burning Down Heart", em que ele diz que David Mersey seria o responsável pelo desaparecimento de uma groupie de 17 anos. Você poderia comentar sobre isso, David?

- Não há o que comentar. - respondeu David. - Não li esse livro e de fato me lembro de falar com a polícia na época, mas não só nunca tinha visto ou ouvido falar naquela garota que eles estavam procurando, como estava passando uns dias com o Jack em uma casa em Malibu, onde eu e ele demos nosso depoimento à polícia. Pelo que sei as investigações chegaram à conclusão de que nenhum membro da banda ou da equipe esteve envolvido nesse desaparecimento e até houve dúvida de que ela chegou a ir ao nosso hotel.

- Anne Farley, The Mirror. É verdade que a banda já estaria mobilizando seus advogados para tentar tirar os livros das prateleiras, como chegou a fazer com o "Gods and Monsters"?

- Não sabemos sobre isso, Anne. - disse Jack. - Mas se existe alguma ilegalidade nesse livro, se ele fere algum dos nossos diretos, acho justo que se faça alguma coisa. Afinal, ele está tentando ganhar dinheiro às custas da curiosidade que as pessoas têm sobre a banda.

Clara começou a preocupar-se, os jornalistas de tablóides estavam começando a dominar a coletiva e o tal do livro era o único assunto que os interessava. Ela discretamente chamou Hutton e pediu para levar os microfones para jornalistas de veículos ligados à música, mudando o foco da entrevista, ele gostou da ideia e conversou com as auxiliares que levaram os microfones para repórteres da Rolling Stone e da NME.

- Danny Johnson, Rolling Stone. Boa tarde, Michael Silver; Como foi, depois de trinta anos, voltar a trabalhar com David Mersey e Jack Noble?

- Boa tarde, Danny. Foi muito bom... nos separamos, mas ainda éramos amigos. Conversávamos bastante sempre que nos encontrávamos e eu alimentava esse desejo de voltar a trabalhar com esses caras. Perguntei inúmeras vezes e a resposta era sempre não... até um dia em que eu e o David fomos lá na montanha onde o Jack se esconde e lá, além do Jack, estava esse "anjo" que é a Clara. Eu perguntei mais uma vez e desta vez a resposta não foi não... - sorriu Michael. - Para sorte do Jack, inclusive, eu também disse, que ele deveria casar com ela...

- Agradeço muito essa ideia, Mike. - riu Jack. - Casar com a Clara foi a melhor coisa que fiz em toda a minha vida...

Clara mandou um beijo para Jack e ele piscou para ela.

- Ann Taylor, BBC News. Existem rumores que a sua esposa, a Clara Noble, além de fazer o dueto da "The Light" com você no show, também gravará um disco solo. Estaria até com um contrato assinado com a mesma gravadora que vocês. Estes rumores procedem? É verdade que o David será o produtor?

- Sim, ela já teve algumas ofertas, mas isso só será decidido depois que a turnê começar. A Clara canta como um anjo, mas nunca subiu em um palco. Ela ainda tem um pouco de medo, mas deixa começar a turnê que ela se convence. O David e eu produziremos o disco e já estamos compondo para ela. - sorriu Jack. - É isso amor?

Clara balançou a cabeça afirmativamente e mandou um beijo para Jack.

- Anne Farley, The Mirror. O casamento de vocês foi bastante inesperado, mas a Clara está se tornando uma celebridade e dizem que até ofuscou a família real em um evento vip em Paris. Vocês não temem que ela ofusque a volta da Crossroads?

- Acho que ela tem esse direito. - disse David. - Sinceramente, se ela não tivesse aparecido, não existiria Crossroads. Os fãs devem tudo a ela.

- Essa é a minha Princesa... - sorriu Jack, mandando um beijo para ela. - Meu amor...

- Michel Sanders. Paris Match. - Como será o repertório do show?

- Estamos estudando ainda isso. - disse David. - Já começamos a ensaiar e a setlist deve ter os clássicos, que nenhum de nós três chegou a parar de tocar através dos anos e algumas das músicas novas, que sabemos, logo se tornarão clássicos.

- Claire Jones, BBC Radio 2. Como foi a emoção de subir novamente juntos no palco, em Paris?

- Foi maravilhoso! - disse Jack. - Demorei 30 anos para aceitar que isso acontecesse, mas uma vez que a banda começou a tocar, aquela massa sonora que fazemos juntos, não existe nada igual... A Crossroads ainda é poderosa. Foi lindo...

- Jack Trussin, Time Out. E o novo baterista, o Paul Clarke. Como foi a escolha dele?

- Fomos até Londres e fizemos alguns testes com alguns bateristas. - disse David. - O Michael tinha trabalhado com o Paul em uma trilha sonora e convidou-o para os testes. Ele é um grande baterista e gostamos do estilo dele imediatamente.

- Finn Roberts, NME. Os ingressos para todos os shows têm terminado em questão de minutos. Alguns tem sido revendidos no Ebay por verdadeiras fortunas. Vocês esperavam por tanto sucesso, trinta anos depois?

- Dizer que não esperávamos, não seria sincero, Finn. - sorriu Jack. - Cada vez que alguém vinha me perguntar se queria reformar a banda me ofereciam coisas que beiravam a insanidade, então, sabíamos que o interesse pela Crossroads continuava existindo. Sinceramente, acho uma loucura o que está acontecendo, mas graças a minha princesa, conseguirei enfrentar tudo com um sorriso nos lábios.... Clara, quer casar comigo de novo?

- Quero, meu amor... - sorriu Clara.

- Albert Cross, The Sun. Existem rumores de que cada um de vocês deve embolsar em torno de 1 bilhão de libras entre disco e turnê. Com a grande crise financeira que existe na Europa, este parece um pagamento justo para vocês?

- Se é justo não sei, porque não é real. - disse David. - Não podemos divulgar valores por razões contratuais, mas as pessoas andam exagerando muito...

- Só sei que se fossemos os Stones, ninguém ficaria chocado que lucrássemos tanto... - riu Jack. - Eles podem e nós, de repente, estamos tirando o dinheiro do país, causando desemprego e falência...

- Claire Jones, BBC 2. Já que você falou em Stones, eles se recusaram a fazer o show de abertura dos Jogos Olímpicos no ano que vem. Ouvi rumores de que vocês seriam os próximos a serem convidados, vocês aceitariam?

Os três olharam um para o outro espantados.

- Não ouvimos esses rumores. - sorriu David. - Não sei, temos agora uma agenda bem cheia de shows pelo mundo todo... Precisamos ouvir a proposta para saber se a aceitamos ou não. De qualquer forma, seria um grande show, para bilhões de pessoas ao redor do mundo, em nosso país... tudo isso nos agrada muito.

- Última pergunta, senhores. - disse Charles Hutton, pegando o microfone.

- Danny Johnson, Rolling Stone. Agora que vocês voltaram a trabalhar juntos, existem planos de novos discos?

- Danny, ainda não sabemos. - disse Jack. - quando estamos juntos, aparecem músicas todo o tempo. Se a turnê e esse convívio longo for tão agradável quanto tem sido até agora, posso dizer que é muito provável que venham outros discos. Bem, agradecemos a presença de todos e gostaríamos muito de encontrá-los em nossos shows. Estamos muito felizes de visitar nosso público e voltarmos para a estrada. Esperamos ver todos e celebrar com todos os nossos fãs a volta da Crossroads.

Os três levantaram-se e saíram por uma porta lateral e foram seguidos por Michael Peters, Clara, Cindy e alguns seguranças, até uma sala lateral que dava acesso às três salas onde aconteceriam as entrevistas exclusivas.

- Oi amor. - disse Clara abraçando-o. - Estou muito orgulhosa de você...

- Obrigada por salvar novamente nossos traseiros lá dentro, Clara. - disse David. - Vi quando você falou para o Hutton como terminar aquela história de livro. Foi lindo!

- Imagina... - sorriu Clara. - Ainda bem que deu certo e conseguimos mudar de assunto.

- Casa de novo comigo? - disse Jack para Clara, beijando-a no rosto . - Você é mesmo um anjo... E foi tão discreta que nem percebi, isso significa que ninguém percebeu...

- Meu lindo! - sorriu Clara beijando-o.

- Agora vamos esperar o Hutton, para começar as exclusivas. - disse Michael Peters. - Obrigado Clara por salvar a gente.

- Estou aqui para o que vocês precisarem. - disse Clara. - Quero ajudar em tudo o que puder...

- Obrigado, meu amor. - Jack sussurrou em seu ouvido.

- Estou aqui para você, meu amor... - Clara sussurrou para ele.

Depois de alguns minutos, sentados na sala aguardando, Charles Hutton veio até eles e entregou duas listas impressas com os nomes dos repórteres que fariam as exclusivas. Uma para Michael e outra para Clara.

- São cinco entrevistas exclusivas, vou dar a vocês estes relógios para controlar. - disse Charles entregando um cronómetro que Clara pendurou no pescoço e uma lista para Clara e Michael. - Por favor, não deixem estourar muito o tempo, procurem agilizar o processo. Aqui está a lista de jornalistas, são TVs e jornais, mas que publicam em vídeo na internet. A coletiva foi perfeita e precisamos manter tudo no horário para podermos terminar cedo.

- Está tudo bem, Charles. - disse Jack. - Em que sala devo ir?

- Sua sala será aquela ali. A Clara e o Michael vão comigo até a sala de espera chamar a primeira equipe. Enquanto eles se ajeitam na sala e aí vocês devem cuidar para que tudo seja rápido, vocês vêm aqui e chamam, o Jack e o David. Eu vou ficar com o Michael, na sala do meio e a sala do David é aquela da ponta... Vamos?

A primeira repórter, do canal de internet da BBC ficou extasiada ao ver que Clara trabalharia como assessora na entrevista de Jack. Disse que era muito fã de seus livros e que estava muito surpresa com sua bela voz na gravação.

Jack sorriu para Clara ao ver a repórter fazendo mais festa para ela do que para ele mesmo, o grande "Deus do Rock", feliz por estar sendo eclipsado momentaneamente pelo carisma daquela mulher que amava tanto.

Tudo correu muito bem nas exclusivas e logo, todos subiam nas limousines que os levariam de volta a Heathcliff Hall e a noite seria de celebração. Quando chegaram, Jennifer já os esperava e os empregados já preparavam um jantar especial, a pedido de Cindy.

- Queridos, tinha pensado em ir comemorar no Chez Montagne hoje, mas achei que aqui seria mais aconchegante, entre nós... - disse Cindy. - Apreciaremos uma boa lagosta hoje e mais algumas coisas francesas de que todos gostam.

- Ah, então vamos nos arrumar para jantar, Cindy. - disse Clara. - Quero ver todo mundo lindo e brilhando nesta noite, como brilharam lá no estúdio... Estão de parabéns, essa coletiva colocará a banda definitivamente sob todos os holofotes.

- Isso mesmo, Clara. - sorriu Cindy. - O traje do jantar desta noite é de festa. Quero todo mundo aqui, na sala de estar, lindo e arrumado às sete e meia. Vamos tirar fotos e filmar tudo...

Clara pegou Jack pela mão e subiu as escadas até o quarto dos dois.

- Meu amor, temos uma hora e meia para nos vestirmos, mas antes, teremos que nos despir... - sorriu Clara. - Vem aqui Grandão, vou tirar toda a sua roupa...

- Hum... eu te amo tanto, Menininha... - disse Jack caminhando na direção dela e agarrando-a. - Você não sabe o que faz em mim, quando diz essas coisas...

- Eu estou muito feliz porque tudo deu certo hoje. - disse Clara, beijando-o. - Você não imagina o quanto me fez bem estar lá, do seu lado... Acho que esta turnê será uma das maiores alegrias da minha vida, mais um sonho virando realidade...

Jack acariciava Clara enquanto lentamente era despido por ela. - A maior alegria da minha vida foi quando te beijei, no camarim do teatro, em Nova York... Naquela noite, eu renasci pelas tuas mãos.

- Que lindo, meu amor... - sorriu Clara, acariciando o peito de Jack e depois deslizando a mão por suas costas. - Para mim também foi maravilhosa aquela noite. Tive muito medo depois, achei que você pensaria que eu era uma mulher fácil por me entregar daquele jeito. Mas a verdade é que já estava te querendo tanto, que não consegui resistir.

Jack acariciava os cabelos de Clara e beijava o topo de sua cabeça, enquanto ela abria seu cinto e o zíper de sua calça jeans. Depois, ela empurrou-o na cama e tirou suas botas. Ele levantou-se novamente e começou a despí-la também. Logo os dois se entregavam de forma febril aos sentimentos que transbordavam.

Depois da explosão de prazer, os dois se levantaram e caminharam até o banheiro, tomaram uma rápida chuveirada juntos, cuidaram um do outro, vestiram-se e perfumaram-se como se fossem jantar fora e desceram as escadarias de Heathcliff Hall, pontualmente às sete e trinta.

Todos já esperavam por eles na sala de estar, igualmente arrumados e David os convidou para tomar um uísque, enquanto os preparativos do jantar formal aconteciam na sala de vidro.

- O que a tal da Vogue sabe? Você está simplesmente linda, Princesa! - disse David, puxando Clara e beijando-lhe a mão. - Meu Deus! Cindy, cadê a câmera?

- O bro... - disse Jack. - É linda sim, mas tem dono...

- Clara é verdade! - sorriu Jennifer. - Esse vestido ficou deslumbrante em você.

- Obrigada querida... - sorriu Clara. - Como foram as coisas em Paris? Depois quero ver o que você comprou...

- Ai amiga... - respondeu Jennifer. - Depois te mostro tudo... Você não vai acreditar, mas encontrei com o Jagger na porta do meu apartamento.

Na hora em que Jennifer disse o nome, Clara percebeu que Jack, agora de pé, trazendo copos de uísque para ele e para ela, fez uma nada discreta careta.

- Mesmo? - sorriu Clara. - E o que ele estava fazendo lá?

- Disse que foi dar uma olhada na obra do apartamento, que já está quase pronto e que queria convidar todos nós para um final de semana no novo chateau dele, em Nice. Falou até que nos levaria no avião dele para lá...

- Vai sonhando... - riu Jack. - Vamos para o Brasil amanhã, amor?

- Como amanhã? Não temos nada pronto ainda. Seria muita correria, amor. - respondeu Clara. - Não queria ter que correr nas férias...

- Como assim, Jack? - disse David. - Ficou maluco? Ainda temos muito a fazer aqui, precisamos aprovar o layout do disco, fazer a audição de todas as versões na gravadora, assinar mais uma dúzia de papéis, antes que algum de nós possa sair de Londres, Velhão... Ah! E o Hutton quer que gravemos depoimentos para o DVD...

- Vocês podem assinar por mim. Ou o inútil do Peters... - riu Jack. - O que vocês decidirem está decidido... Eu não ligo... Posso gravar meu depoimento antes de viajar.

- Não, querido. - disse Clara pegando a mão de Jack. - Tem também a nossa casa, que está quase pronta, precisamos ir até lá ver como estão as coisas, aprovar os projetos de decoração... Até combinei com a Cindy de ir em alguns fornecedores amanhã...

- Você que sabe, meu amor. - suspirou Jack. - Amanhã, eu preferia ver o por-do-sol nos mares do sul, com você nua nos meus braços...

- Jack... - sorriu Clara sem graça. - Não me deixa envergonhada na frente dos nossos amigos...

- Querida, eles sabem o que acontece quando estamos juntos... - riu Jack.

- Mesmo assim... Por favor, seja gentil...

- Não liga, Princesa. - riu David. - Nós não ligamos. Todo mundo aqui é adulto...

- Ok, amor. Perdão... - sorriu Jack. - Quero ir logo para o Brasil, mas acho que não poderemos, então. Vamos no dia primeiro, como já estava combinado.

- Cindy, será que nossa casa ficará pronta antes do dia primeiro? - disse Clara.

- Acho que não. - respondeu Cindy. - Pronta mesmo, acho que só depois que vocês voltarem. Ah! Isso me lembra, você quer um piano na sala de estar, Jack?

- Quero sim... - ele respondeu. - Igual ao da casa da montanha. Não se preocupe com isso, tenho um bom fornecedor, posso fazer a encomenda.

- Para combinar com a decoração que estou planejando, este piano deve ser preto. - respondeu Cindy. - Ou marrom escuro...

- Ok! Vou falar com meu fornecedor amanhã... Mas demora uns dias para ele entregar. Esses pianos são fabricados na Suiça e vêm para cá de trem.

- Sem problemas, como disse, ainda vai demorar algum tempo para finalizar toda a decoração da sua casa. - sorriu Cindy. - Tem alguns móveis que encontrei em Viena, ontem, totalmente por acaso, que vocês vão amar...

- Mesmo? - sorriu Clara. - Que móveis?

- É uma sala de jantar incrível, tirei fotos, estão no meu tablet. Depois mostro a vocês. Amanhã, vocês estão livres? Clara? Jenni? - perguntou Cindy para as amigas. - Porque eu só vou de novo para Viena na próxima semana, vamos juntas comprar alguns móveis para a casa?

- Adorei! - disse Clara. - Você vai na gravadora amanhã, não é amor?

- Também... - Jack disse fazendo uma careta. - Antes o David quer testar uma mudança que fez em um dos arranjos e vamos passar a manhã aqui, no estúdio?

- Ai, amor... Depois podemos nos encontrar para almoçar ou jantar no Chez Montagne. Que tal? - disse Clara.

- Vai lá gastar, amor... - riu Jack. - Depois nos encontramos na cidade. O que acham rapazes?

- Ótimo! - sorriu David. - Mas acho que é mais fácil deixar para nos encontrarmos no jantar mesmo. Você sabe que a reunião na gravadora deve ser demorada...

O jantar já estava servido e um dos empregados comunicou isso com toda a pompa a que tinham direito. Todos se ergueram e seguiram pelo corredor de vidro até a sala de vidro, que naquela noite estava iluminada pela luz dourada das velas.

A noite seguiu seu rumo com conversas divertidas, amizade, brindes ao sucesso, muitos sorrisos e muito champagne. Todos estavam em algum grau de embriaguês no final daquele jantar e aproveitando que a noite estava estrelada, caminharam pelo gramado até o coreto que ficava no meio dele e naquela noite estava iluminado por pequenas lâmpadas brancas, presas em suas colunas e ligaram um CD player com músicas de Frank Sinatra que os três casais dançaram agarrados.

Jack sussurrava as letras das músicas nos ouvidos de Clara e ela apenas aproveitava aquele momento de mais absoluto romantismo e envolvimento para acaricía-lo e também dizer a ele palavras doces.

Depois de dançar por mais algum tempo, Jack pegou Clara pela mão e os dois subiram para o quarto. Concentrados um no outro, os dois se despiram e passaram o resto da noite se amando.

Continua

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