3 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LII


Como já esperavam, o caminho até os Estúdios Leavesden estava livre de madrugada. Chegaram um pouco antes das cinco da manhã, cumprimentaram a equipe e foram encaminhados aos grandes trailers que serviam de camarins.

Clara foi penteada e maquiada e já com a coroa de ouro e diamantes na cabeça colocou o figurino feito para ela por Jean Paul. Olhou-se no espelho e gostou muito do que viu. Enquanto se olhava, Jack entrou no camarim já maquiado e usando uma camisa branca de babados, uma calça preta de couro e botas de cano alto.

- Meu amor, você está linda! - sorriu Jack. - Mas trocaria fácil esta coroa de diamantes pelas flores do Beltane... minha ninfa...

- Eu também, querido. - sorriu Clara. - Vem mais perto, deixa eu te ver melhor. Meu príncipe...

- Eles deram uma acertada na minha barba e passaram uma daquelas coisas que você costuma usar para meu cabelo ficar melhor...

- Você está lindo, meu amor. - sorriu Clara.

- Velhão?! - disse David entrando atrás dele no camarim, usando roupas medievais - Princesa! Uau! Você está linda.

- Obrigada David. Você também está lindo... - sorriu Clara. - Vou querer filmar e fotografar todos nós juntos... Onde está o Mike?

- Lá fora, falando com o Peters... Cadê a câmera?

- Está aqui, na minha mochila. - sorriu Clara. - Pronto... Vamos lá fora tirar fotos?

Os três sairam juntos do camarim e encontraram Michael Silver conversando com Michael Peters.

- Que linda! - disse Silver. - Como o David sempre diz, você é mesmo realeza...

- Obrigada querido. - sorriu Clara. - Vamos aproveitar as fantasias e tirar fotos? Olá Michael, pode nos fotografar juntos?

- Claro, Alteza! - riu Michael Peters.

- Até você? - riu Clara. - Jack, cadê sua espada?

- Epa, Velhão, não se pode perder a espada por aí, cara...

- Deixei no camarim, vou buscar...

O grupo passou alguns minutos brincando em seus figurinos antes de ser chamado pela equipe de produção para a gravação do clipe. As primeiras cenas seriam feitas em uma floresta cenográfica, onde Jack apareceria apenas caminhando entre as árvores parcialmente encobertas por uma neblina feita de gelo seco.

As cenas de Clara seriam feitas em um cenário de jardins de palácio. Ela deveria andar pelos jardins e os dois caminhariam um para o outro, até encontrarem-se frente a frente, com David e Michael tocando seus instrumentos musicais medievais, desfocados na câmera, atrás deles.

Então Jack se ajoelharia na frente dela e, com uma linda espada dourada, ela tocaria seus ombros, como se o estivesse consagrando cavaleiro.

Depois gravaram algumas cenas de Clara correndo pela floresta usando a capa de veludo roxa e com o capuz preso a sua cabeça e de Jack correndo também, mas agora vestindo uma roupa de cavaleiro e um capacete prateado na cabeça.

David e Mike também gravaram tocando entre as árvores e a equipe fez um intervalo perto das 11 da manhã, para almoçar, antes de gravar a última cena. Jack com suas roupas de cavaleiro se aproximaria em um lindo cavalo branco, puxaria Clara pela mão para cima do cavalo e os dois partiriam cavalgando.

Michael Peters agora filmava tudo com a câmera de Clara, enquanto David e Mike se divertiam rindo de Jack. Depois de 10 takes errados e 3 feitos de diferentes ângulos, o diretor Johnatan Oliver avisou que as filmagens terminavam por aquele dia.

Já eram quatro da tarde e todos estavam exaustos, mas muito felizes com o resultado.

Clara procurava não olhar muito para Jack e ele também evitava olhar para ela. Os cenários eram muito reais e aquele cenário de floresta em que filmaram, lembrava muito a montanha em que ambos viveram e eles agora se esforçavam para não emocionar-se demais na frente da equipe de produção, mesmo quando diante de seus olhos, cenas que tinham vivido em outra época pareciam estar sendo recriadas.

- Princesa! Você estava linda! Estava vendo aqui no monitor do diretor e você parecia um anjo...

- Obrigada David. - sorriu Clara. - Michael, você gravou tudo?

- Uma boa parte, Clara. - sorriu o advogado. - Parabéns! Vocês estão muito bonitos nesse clipe.

Todos voltaram para os trailers, trocaram de roupa e quando já tinha colocado tudo em ordem para partir, Michael e Jack entraram no camarim onde Clara estava para uma conversa em particular.

- Bem, foi muito divertido! - disse Michael. - Mas vim aqui hoje para conversar com vocês sobre a questão da garota americana desaparecida.

- O que tem ela? - disse Jack.

- Vou para os Estados Unidos nos próximos dias, mas já contratei um detetive particular de Santa Barbara para começar a investigação...

- E... - disse Clara preocupada.

- Achei que vocês gostariam de saber que ele conversou com a polícia e me mandou o relatório de conclusão do caso, dizendo que não havia evidências do envolvimento de membros da banda e da equipe no desaparecimento da garota. A última conclusão do policial foi a de que se tratava de uma fuga de adolescente da casa dos pais.

- Então nunca encontraram um corpo, nem nada... - disse Clara.

- Não. O detetive ia falar com a família dela hoje. Estou só esperando que ele me relate o que descobrir por lá.

- Ótimo! - sorriu Jack. - Podem me chamar de maluco, mas a impressão que tenho é que essa tal garota está viva e tem até netos por aí...

- Querido, eu também tenho essa impressão. Não me pergunte por que mas tenho certeza de que esta mulher está viva.

- Eu espero que sim. - disse Michael. - Ah! Até o final da semana, quero que vocês dois passem no meu escritório para conversarmos sobre a oferta que a gravadora está querendo fazer por um disco da Clara. Já dei uma olhada no contrato e gostei, mas vocês precisam aprovar também. E o cheque, consegui entregá-lo na sexta ao senhor Jagger.

- Cheque? - perguntou Clara.

- Sim, no valor da jóia, o senhor Noble me pediu...

- Ele pediu, é? - perguntou Clara. - Ele não me disse nada.

- Foi querida... quando percebi que tinhamos esquecido de dar o cheque a ele, pedi ao Michael para procurá-lo...

- Você não o tratou mal, tratou? - Clara perguntou a Michael.

- Claro que não. O senhor Noble apenas me pediu para levar o cheque até ele e eu o levei.

- Sem problemas, Michael. Mas acho que precisarei conversar com o senhor Noble a respeito disso. Você se importa?

- Fiquem a vontade. - disse Michael descendo do trailer.

- Então você já mandou o cheque para o Mick? Por que não me disse nada?

- Porque eu esqueci... - respondeu Jack. - Desculpa amor, mas estes últimos dias têm sido um pouco cansativos para mim...

- Eu sei... eu estava lá também, lembra?

- Então... me perdoa?

- Perdoo sim. Mas não faça mais isso...

- Não faça o que?

- Nada pelas minhas costas... Quero que você seja transparente comigo, como sou com você. Não é certo fazer isso com alguém com quem terei que trabalhar em breve.

- Me desculpa. Não tive a intenção... só achei que estava sendo prático... - sorriu Jack. - Vem aqui, vem...

Clara abraçou-o e beijou-o. E os dois saíram agarrados de dentro do trailer que servia de camarim para as filmagens. Clara não disse nada, mas tinha a intenção de ligar para Mick Jagger para uma conversa.

Precisava saber se Michael não tinha feito estragos definitivos em sua relação com aquele amigo de que tanto gostava.

Com o final das filmagens daquele dia, todos agora aguardavam a chegada da limousine que os levaria de volta a Heathcliff Hall. Os quatro agora olhavam as fotos e vídeos gravados por Michael na câmera de Clara.

Clara queria apenas chegar rápido, descansar e ficar nos braços de seu príncipe, naquele dia em que teve muitas lembranças de seu passado em comum com ele. Sentia-se estranha, por isso apenas encaixou-se nos braços de Jack e deitou sua cabeça em seu ombro.

- Está cansada, querida?

- Um pouco, amor... - sorriu Clara. - Levantamos muito cedo hoje...

- Pois é... - disse David. - E amanhã tem mais...

- Pior, amanhã tem a mídia também... - riu Michael. - Por que deixamos o Peters fazer isso conosco?

- É o que me pergunto todos os dias, Mike. - riu Jack. - Não precisamos fazer essas entrevistas amanhã.

- Pior que precisamos. - suspirou David. - E faremos. Senhor Silver, como se sente hoje depois de vestir-se de bobo da corte ontem?

Todos riram dentro do carro diante da imitação de David. Clara apenas agarrava-se ao braço de Jack que agora a envolvia. Estava cansada, seus olhos e sua cabeça doíam e Jack, percebendo que ela não estava bem, agora beijava seu rosto e seus cabelos, enquanto sussurrava palavras carinhosas em seu ouvido.

- Vai dar tudo certo, amor... fica tranquila.

- Você está bem, Princesa? - perguntou David.

- Estou com muita dor de cabeça. Acho que me cansei demais hoje...

- Quer uma bebida? - perguntou David abrindo o bar da limousine - Tem uísque. Alguém quer?

- Não Dave, obrigada. - respondeu Clara, enquanto os rapazes serviam-se da bebida. - quero só ficar com meus olhinhos fechados aqui, nos braços do meu Príncipe Encantado.

O trânsito de volta para Heathcliff Hall estava parado naquele horário e os quatro estariam mesmo presos naquele carro por quase uma hora, para fazer o mesmo percurso que de madrugada, demorou apenas 10 minutos.

- Princesa, percebi que você comeu muito pouco hoje. Deve ser por isso toda essa dor de cabeça. - disse David.

- A Jenni é igualzinha. - disse Michael. - tem dias que ela não come nada e depois fica morrendo de dor de cabeça. Aí, quem sofre sou eu, não posso fazer nenhum som pela casa até o remédio fazer efeito.

- Eu não consigo comer quando estou ansiosa... - disse Clara, com os olhos fechados e a cabeça apoiada nos ombros de Jack. - Mas também tenho muita sensibilidade a luz e aqueles holofotes, lá no estúdio, ajudaram a piorar.

- Tadinha do meu amor... - disse Jack beijando-a na testa. - Você vai descansar um pouco, no quarto, nos meus braços e logo vai estar boa de novo.

- Assim espero, meu amor. - disse Clara beijando-o.

- Estamos quase em casa, Princesa. - disse David, ao ver que a limousine agora entrava na estradinha secundária que terminava nos portões de Heathcliff Hall.

Chegando em casa, todos ajudaram a carregar as bolsas e sacolas com instrumentos e figurinos e Clara e Jack subiram direto para o quarto, onde se despiram e deitaram-se na cama, com todas as luzes apagadas. Jack ainda desligou os celulares de ambos e pediu que David avisasse na casa, para deixá-los descansar.

- Jack, meu amor. Você não precisa fazer isso. - disse Clara ao vê-lo desligar seu telefone.

- Eu quero fazer isso. Estar com você, cuidar de você é a única coisa que me importa, minha vida. - disse Jack acariciando os cabelos de Clara e puxando-a de encontro a seu peito. - Vem descansar em mim, quero te ver bem de novo.

Logo, envolvida pelos braços de Jack, Clara pegou no sono. E quando acordou, mais ou menos umas duas horas depois, sentia-se bem novamente. Abriu os olhos e percebeu que Jack já estava de pé.

- Jack? - ela chamou por ele no quarto escuro.

- Estou aqui no banheiro amor. - respondeu Jack. - Você melhorou? Vamos tomar um banho de banheira para relaxar?

- Vamos sim, amor. - disse Clara erguendo-se e acendendo a luz do quarto. - Vou pegar uns creminhos para tratar seu cabelo. Quero você brilhando amanhã, na gravação.

- Isso significa que você já está melhor? - disse Jack fazendo pose nu, na porta do banheiro.

- Isso significa que minha dor de cabeça já foi embora e podemos descansar para as gravações e entrevistas de amanhã, Grandão... - riu Clara. - Vamos tomar nosso banho, fazer massagem, cuidar dos cabelos e do corpo e descer para conversar e jantar com nossos amigos. Estas outras coisinhas que estão passando pela sua cabeça agora, ficam para amanhã, quando estivermos mais tranquilos.

- Não concordo! - disse Jack pegando Clara no colo, colocando-a na banheira, onde entrou junto.

Os dois começaram a beijar-se e logo entregavam-se novamente ao desejo que tinham um pelo outro. Depois do sexo, cuidaram dos cabelos e da pele e vestiram-se. Ligaram seus celulares e desceram para procurar seus amigos. Já era quase oito da noite e estavam todos ao redor da mesa, na sala de vidro, preparando-se para jantar.

- Princesa! Está melhor? - perguntou David. - Passou a dor de cabeça?

- Sim David! Agora, eu e o Jack vamos nos alimentar um pouco...

- Desculpem. - disse Cindy, que tinha acabado de voltar do aeroporto. - Queria chamá-los para jantar, mas o David não deixou. Disse que vocês precisavam descansar.

- Obrigada Cindy. - disse Clara, sentando-se em seu lugar na mesa. - Voltei com muita dor de cabeça e precisei dormir um pouco para me recuperar. O Jack desligou nossos celulares e pediu ao David para não nos chamar...

- É, mas se você está bem agora é sinal que o descanso funcionou. - sorriu David. - É isso o que importa....

- O David estava me contando como foram as gravações. Estou louca para ver o que vocês filmaram por lá. - disse Cindy.

- Deixei minha câmera com o Michael Peters e ele nos filmou. Depois do jantar podemos assistir. Vou pegar meu notebook e assistimos lá.

- A TV grande, da sala de cinema, tem uma entrada para câmera. Podemos ver lá em cima, no telão. - disse David rindo. - O Velhão bancando o príncipe encantado é coisa para telão...

Todos riram do que David dizia.

- E a Jenni? - perguntou Clara.

- Ela volta de Paris amanhã. - disse Cindy. - Encontrou uns estilistas amigos dela no almoço ontem e vai no atelier deles dar uma olhada.

- Vai precisar de um voo extra para trazer tudo o que essa mulher comprar, amanhã. - disse Michael sorrindo.

Enquanto conversavam e riam, o jantar começou a ser servido pelos empregados da casa. Salmão, salada de folhas e legumes acompanhados de batatas no forno. Comida leve porque os próximos dias seriam de trabalho pesado, no estúdio.

De sobremesa, um delicioso cheesecake de frutas vermelhas, especialidade da cozinheira de Cindy, que ela fazia sempre que encontrava frutas de qualidade no mercado.

Depois do jantar, todos subiram até a sala de cinema e David ligou a câmera de Clara no telão gigante e todos puderam assistir as cenas que Michael filmou durante as gravações do videoclipe.

Como de costume, entre os membros da banda, cada vez que a câmera mostrava um deles, os outros riam e faziam piadas. A única que estava momentaneamente imune às gracinhas era Clara, que, sentada no colo de Jack para assistir ao filme, ouvia dele elogios sussurrados em seu ouvido.

- Princesa, você nasceu para isso... - disse David. - Você vai enlouquecer a mídia direitinho quando esse videoclipe for lançado. Linda e talentosa...

- Não me sinto assim, David. - respondeu Clara em um tom mais sério. - Acho que estou assumindo muitos compromissos que não conseguirei cumprir, isso sim.

- Vamos te ajudar no que pudermos, amor. - disse Jack. - Não é justo te deixar nessa ansiedade toda... Uma coisa por vez...

- Eu não vou dar conta, amor. - disse Clara, as lágrimas escorrendo de seus olhos.

- Vai sim, querida. - Jack abraçou-a. - Estou aqui para você.

A noite terminou mais uma vez cedo para os padrões habituais de Heathcliff Hall e antes da meia noite, todos já haviam se recolhido em seus quartos. A limousine pegaria a banda na porta da casa novamente antes das cinco da manhã e seria preciso que todos estivessem prontos.

Quando foi para o quarto, Clara deixou as roupas que ela e Jack vestiriam no dia seguinte prontas e também colocou algumas que seriam os figurinos do videoclipe para Jack, em uma mochila. Era preciso um cuidado extra agora; as roupas não podiam simplesmente ser confortáveis, tinham que ser bonitas pois eles seriam fotografados exaustivamente após as filmagens, pela imprensa e pelo fotógrafo que faria o material de encarte do disco.

Clara cansou-se para arrumar as mochilas, sabia que o dia seguinte seria muito cansativo, mas estava agradecida porque fariam tudo de uma só vez e tudo ficaria resolvido para o embarque para suas férias no Brasil. Programou novamente seu celular para tocar às 4 da manhã, tirou todas as roupas e deitou-se ao lado de Jack, que envolveu-a em seus braços.

Os dois acordaram com o alarme do celular e como na manhã anterior, tudo ainda estava muito escuro lá fora. Clara vestiu-se com roupas quentes, mas bonitas; botas de cano alto, calça skinny, uma camiseta preta de mangas longas da banda Crossroads e um sobretudo de couro que havia acabado de comprar em Paris. Complementando o visual, uma paximina roxa em volta do pescoço para aquecê-la e os óculos de sol para não sentir novamente dor de cabeça com as luzes do estúdio.

Jack vestiu também um sobretudo de couro preto sobre a malha de lã cinza que Clara tinha comprado para ele em Londres, calças black jeans, botas pretas de cowboy, um cachecol grosso também cinza ao redor do pescoço e os óculos de sol.

- Amor, você está simplesmente linda... - disse ele, ao ver Clara saindo do banheiro com uma maquiagem leve no rosto.

- Hum, amor, você também está maravilhoso... - sorriu Clara. - Já te disse que amo esse perfume que você usa? Vem aqui, deixa eu ajeitar um pouco seu cabelo.

Os dois desceram com suas mochilas já prontos para embarcarem em uma das três limousines que seguiriam até os estúdios. Por envolver a mídia, naquela manhã haveria carros de apoio com seguranças e o novo baterista, Paul Clarke, tinha acabado de chegar na porta da casa em seu próprio carro e nele seguiria acompanhando o comboio. Embora ele fosse participar na gravação do DVD e nas fotos para o encarte do disco, ele tinha ordens expressas de Michael de ficar longe da imprensa.

Naquela manhã, Cindy também os acompanharia e ela também já havia descido, muito agasalhada e pronta para a partida.

- Nossa, amor... por que tantos seguranças? - perguntou Clara.

- Coisa do Michael. Ele acha que passa para a mídia a impressão de que somos poderosos. Eu particularmente nunca tive paciência para essas coisas.

- Nem eu. - disse Michael Silver. - Pena que a Jenni não está aqui, ela ia adorar essa confusão toda.

- Pena mesmo, Mike. - sorriu Clara. - Mas vou tentar filmar tudo o que puder para ela.

- Querida, o Michael não quer que você entre na sala da coletiva. - disse Jack. - Olha só essa mensagem que ele me mandou no celular.

- Mas eu vou estar lá, nem que seja no meio dos repórteres. - riu Clara. - Não quero dar entrevista, mas não perderia essa coletiva por nada nesse mundo.

- Foi o que eu disse para ele. - riu Jack. - Você não precisa sentar-se na mesa com a gente, mas você vai estar naquela sala, ou eu não dou entrevista nenhuma.

- Você falou isso para ele? Ai amor, isso é loucura. Prometo que fico quietinha no meu canto, junto com a Cindy e eles não vão nem perceber que estou lá.

As limousines chegaram, todos embarcaram e em menos de 10 minutos estavam nos portões dos estúdios Leavesden novamente. Clara estava um pouco ansiosa, mas Jack, que não a largou todo o caminho, a distraiu contando histórias sobre algumas loucuras que eles faziam na estrada, nos EUA, quando viajavam de ônibus.

As gravações do clipe envolviam uma plateia de figurantes, que ficaria ao redor de um palco redondo, montado no meio do estúdio, onde a banda fingiria estar tocando ao vivo. O diretor havia posicionado a câmera no estacionamento e já os filmou descendo das limousines. Clara que não esperava por aquilo, tomou um susto quando Jack contou-lhe que estava tudo no roteiro que havia sido mandado para eles, por isso as três limousines, os seguranças, tudo fazia parte do plano.

Depois de serem filmados descendo das limousines, todos seguiram até os trailers que funcionavam como camarins para vestirem as roupas de show que tinham trazido.
Jack e Clara ocuparam o mesmo camarim do dia anterior e ele vestiu uma camisa vermelha, de seda, que Clara comprou para ele em Paris, calças pretas de couro e botas de cowboy.

Depois que já estava vestido, Clara aproximou-se dele e beijou-o. Depois, pendurou seu japamala em seu pescoço: - Estou com você, meu amor...

Jack puxou-a em sua direção e agarrou-a. - Meu amor, sem você, nada disso estaria acontecendo. Sou um pedaço de você e você é um pedaço de mim... você é minha vida, queria te dar o mundo...

As lagrimas corriam dos olhos de Clara e ela não conseguia encontrar palavras que exprimissem o que sentia. As emoções agora a tomavam completamente e mais uma vez, quem estava em seus braços era Jack Noble, o "Deus do Rock", o homem de seus sonhos.

- Meu amor, meu melhor amigo, minha melhor parte... você já me deu tudo o que eu poderia querer... Nem nos meus sonhos mais loucos eu achava que um dia seria tão feliz...

Jack também chorava em seus braços. - Você é adorável... Vem, vamos... ou acabaremos inundando esse lugar de tanto chorar...

Os dois saíram do trailer e seguiram para um outro onde cabeleireiros e maquiadores já cuidavam dos outros músicos da banda e de alguns extras que seriam mostrados mais detalhadamente no videoclipe. Clara colocou novamente seus óculos de sol porque não conseguia mais parar de chorar, suas emoções estavam fora de controle como nunca, naquele dia.

Logo começaram as gravações e ela, com sua câmera, gravou poucas cenas. Ela trazia a ação para mais perto com o zoom da câmera, porque estava longe e os extras ao redor do palco, bloqueavam sua visão. Jack pediu que um segurança a acompanhasse e ele estava ao lado dela, junto com Cindy e Michael Peters.

Depois de algumas horas gravando de diversos ângulos, o diretor deu-se por satisfeito e o clipe já estava "na lata". Enquanto estavam lá aguardando a banda refrescar-se após as horas seguidas de luzes e agitação no palco, Charles Hutton, o assessor de imprensa da banda chegou.

- Clara, querida... - disse Michael Peters, puxando-a para um canto mais silencioso. - O Hutton disse que tem pedidos de jornalistas brasileiros para conversar com você. Quer atendê-los, enquanto esperamos os rapazes saírem?

- Que jornalistas? - perguntou Clara.

- Estes, querida. - disse Michael mostrando uma lista de nomes no tablet de Hutton. - São todos TV, não?

- Sim. - disse Clara reconhecendo os nomes, um tanto aliviada pelo nome de Roberto Junqueira não estar entre eles. - Atendo sim... Onde podemos fazer isso?

- Vem comigo, vamos lá para a sala que já está montada para as exclusivas. - disse Hutton.

- O segurança vai com ela... - disse Michael.

- Cindy, vem comigo também? - perguntou Clara.

- Claro, querida.- sorriu Cindy.

O pequeno grupo partiu na direção da sala preparada para as entrevistas. Um sofá para Clara, uma cadeira para o entrevistador, alguns castiçais com velas e uma bela tapeçaria oriental pendurada na parede atrás do sofá criavam um ambiente especial. Seriam ao todo quatro entrevistas de cinco minutos cada uma. E depois ela estaria livre para almoçar, antes da seção de fotos para a capa do disco.

Um dos funcionários da produtora trouxe garrafinhas de água mineral para o estúdio e logo ela atendia o primeiro repórter.

- Quando ninguém mais esperava que isso pudesse acontecer, eis que a Crossroads volta ao cenário musical e os membros da banda têm dito sempre que você teria sido a pessoa responsável por essa volta. Será que você poderia contar mais detalhes ao público sobre como conseguiu fazer Jack Noble mudar de ideia?

- Esta história não está bem contada... os rapazes exageram muito minha participação - sorriu Clara. - O que aconteceu foi que no dia em que conheci o Jack, em Nova York, conheci também o David e a esposa dele. Daí nos apaixonamos, passamos o final de semana juntos lá em Nova York e como estávamos nos conhecendo, ele me convidou para ir até Londres, queria que eu assistisse a gravação do DVD do show da carreira solo dele. Quando chegamos lá, ele resolveu convidar o David e a Cindy para jantar conosco e naquela noite, aconteceu uma tempestade, nós estávamos hospedados na cobertura de um hotel de Londres e as luzes se apagaram. Então o Jack pegou violões e nasceu "Unexpectedly"... Então acho que a culpa dessa volta foi muito mais dos raios que apagaram as luzes do hotel, do que minha...

- Mas você serviu de inspiração para a música. Tanto que pouco tempo depois disso já estava casada com o Jack Noble...

- É... essa parte eu admito... - riu Clara.

- Mas de lá para cá muita coisa aconteceu, além do casamento. Você participou da regravação da faixa "The Light" e ontem gravou o clipe que será usado em sua divulgação. Existem rumores também de que cantará no show.

- Eles me convenceram... O Jack me ouviu cantando algumas vezes, em casa, de brincadeira... Me fez gravar com ele a música e mostrou para o resto da banda. Como todos eles são um pouquinho malucos, como eu, acreditei no que eles me disseram e fui com eles ao Abbey Road gravar. Espero conseguir estar a altura do que eles esperam de mim, no palco.

- Mas vai acontecer uma carreira solo? Porque também ouvi dizer que o David Mersey produzirá um disco só seu...

- Você tem bons informantes...- riu Clara. - Sinceramente, vai depender de como eu me sentir no palco. Sou tímida e só de imaginar um montão de gente me olhando cantar já entro em pânico...

- E tem também o mistério dos votos... No dia do casamento, vocês distribuiram para a imprensa um livro com os votos que escreveram um para o outro e deixaram todos intrigados porque os textos, que supostamente não deveriam ter o conhecimento prévio do outro, terminavam com a mesma frase... vocês combinaram isso, não?

- Pior que não. Eu disse os votos primeiro e o Jack me contou que quando ouviu meu final, achou que eu tinha me enganado e lido a parte dele. Ele só acreditou que tinhamos escrito a mesma frase, quando mostrei para ele o original do texto no meu notebook. Acho que estávamos na mesma sintonia...

- Quais são os próximos planos? Algum novo livro?

- Por enquanto não. Vou acompanhar a turnê até quando me deixarem e só depois dela devo voltar a escrever. Por enquanto, vou me preparar para os shows, descansar um pouco e depois, estrada.

- E como é a vida no topo do mundo?

- Não sei... Tenho pavor de altura, acho que não gostaria de viver lá... Estou brincando, mas estou muito feliz e realizada neste momento. Sei que quando começar a turnê, terei ainda mais razões para me emocionar e a coisa que mais anseio agora é assistir aos shows que acontecerão no Brasil, no ano que vem.

O jornalista agradeceu e pediu para que Clara assinasse um de seus livros. Depois desejou sorte na estreia da turnê com o Crossroads. Quando ele saiu da sala, Cindy aproximou-se.

- Não entendi nada, mas parece que ele saiu daqui feliz....

- Pois é, amiga. - riu Clara. - Hoje quero ver todo mundo feliz... Estou tentando não me envolver porque já quase inundei o camarim de tanto chorar com o Jack, antes da gravação. Meu coração está disparado desde que acordei...

- Aquele vídeo de ontem, ficou tão lindo... Nunca imaginei ver o Jack tão mudado, tão apaixonado como ele está agora. Vocês dois brilham e parecem estar há pelo menos meio metro fora do chão quando estão juntos...

- Obrigada querida... - disse Clara, chorando mais uma vez. - Ai meu Deus, vou ficar desidratada desse jeito...

- Clara, posso deixar entrar o segundo jornalista? - perguntou Hutton.

- Sim, pode. - respondeu Clara sentando-se novamente no sofá, limpando as lágrimas e bebendo água.

As demais entrevistas seguiram mais ou menos os mesmos roteiros. Era incrível como a imprensa em geral se pautava pelas mesmas coisas e a única diferença entre as entrevistas que fez, acabava sendo a ordem das perguntas e a maior ou menor ênfase no destaque que ela estava obtendo no mundo da moda também.

Na última entrevista, Jack e David entraram na sala e o repórter, um fã confesso da Crossroads perdeu completamente o rumo, teve que reiniciar a gravação da entrevista duas vezes.

- Desculpa, Clara. - disse o repórter da MTV Brasil, já recolhendo seu material para ir embora. - Eles aqui, nesta sala...

- Vem comigo, eles são gente como nós... - sorriu Clara puxando o rapaz pela mão e levando-o até os dois, para apresentá-lo.

- Queridos, este é o Marcelo, da MTV Brasil. Ele me disse que gostaria de conhecê-los.

Jack e David trataram o rapaz muito bem, autografando capas de CDs para ele, enquanto Clara batia algumas fotos dos três juntos. E enquanto o rapaz agradecia a gentileza de Clara, Michael Peters chegava na sala, acompanhado de alguns seguranças para levá-los até o almoço que a produção estava oferecendo em um dos estúdios, em homenagem à banda.

Todos seguiram por um longo corredor e entraram em um dos enormes antigos hangares, que estava transformado em restaurante, onde toda a equipe de produção agora se acomodava em mesas para almoçar.

A banda toda dividiu a mesa com o diretor dos videoclipes, com Michael e com o fotógrafo Rod Firp, que tinha acabado de fazer fotos de todos para a capa do disco, no cenário em que o videoclipe foi gravado, sem os extras que faziam as vezes de público do show.

Desafeto declarado de Jack, o fotógrafo foi muito gentil com Clara e disse que gostaria de fazer algumas fotos dela, após o almoço, para o material de divulgação do disco.

Jack não gostou nada da ideia, mas fez o possível para evitar criar algum constrangimento com seus ciúmes e apenas disse no ouvido de Clara que estaria esperando por ela no camarim, quando ela estivesse livre.

Logo todos já haviam se dispersado pelos estúdios e Clara caminhava ao lado de Cindy, David e Firp até o maquiador e o cabelereiro que a preparariam para as fotos.

- Você acha que o Jack vai ficar nervoso de eu estar fazendo essas fotos? - Clara sussurrou para Cindy a pergunta, enquanto o fotógrafo arrumava o cenário.

- Não querida... - sorriu Cindy. - Relaxa porque ele sabe muito bem que você precisa fazer isso. Além do mais, daqui a pouco vai ter a coletiva mesmo...

- Princesa, não liga muito para o que o Velhão diz. - disse David. - Ele sempre tem esses ataques de Diva...

- Está bem, meus queridos. - suspirou Clara. - Mas vocês sabem que fico chateada quando ele faz isso...

- Ah Princesa... espera que vou lá no trailer buscar ele... - disse David.

- Não, Dave. Por favor, não faz isso. - disse Clara, levantando-se da cadeira do maquiador e caminhando até o cenário. - Vou terminar as fotos e já vou para lá.

Clara sentou-se em um banquinho que o fotógrafo indicou a ela no cenário, tirou algumas fotos e logo estava livre para ir atrás de Jack. Encontrou-o sentado no sofá, com um copo de uísque nas mãos.

- Demorei? - perguntou Clara sorrindo e aproximando-se dele enquanto abria o casaco de couro que estava usando, pegava dois copos e servia uísque para ambos. - Você vem sempre aqui?

Jack sorriu, pegou os copos de uísque e pousou-os na mesa. Puxou Clara para mais perto, deu-lhe um beijo apaixonado e tirou seu casaco.

- Jack, não... - sorriu Clara. - Amor, alguém pode entrar, esta porta não tem tranca.

- Somos casados, não somos? - disse Jack beijando seu pescoço. - as pessoas esperam que façamos isso...

- Ai, meu louquinho... - sorriu Clara, beijando-o - Fica chato, os outros vão pensar que somos animais que não têm controle... Vem amor. Vamos lá fora ver o que está acontecendo. Quando chegarmos em casa eu compenso você. - disse acariciando o rosto de Jack.

- Meu amor, vamos lá fora então. - sorriu Jack. - Se bem que quando precisarem de nós, eles nos chamam...

Clara vestiu novamente o casaco e os dois caminharam para fora do trailer e assim que saíram, encontraram-se com Michael e dois seguranças, que já estavam vindo buscá-los para a coletiva. Clara deu um suspiro de alívio por ter resistido a Jack alguns minutos atrás e evitar que fossem pegos naquela situação embaraçosa.

- Vamos lá Jack? - perguntou Michael. - Estão prontos?

- Sim. - disse Jack. - E a Clara? Onde ela vai ficar?

- Junto com a Cindy. - respondeu Michael. - Guardamos alguns lugares na primeira fila de cadeiras para elas e para mim.

- E os outros? - disse Clara.

- Já estão esperando na sala anexa pela nossa chegada. - sorriu Michael. - Tem 30 jornalistas do mundo inteiro esperando naquela sala e assim que a coletiva terminar, faremos algumas exclusivas. Tenho 3 salas montadas, como aquela que a Clara usou antes do almoço e cada um de vocês atenderá 5 jornalistas para entrevistas de 5 minutos. Aí entra a Clara...

- Não entendi. - disse Clara.

- Para agilizar, estas entrevistas serão simultâneas. - sorriu Michael. - Então, eu coordeno a sala do David, o Hutton, coordena a do Mike e você a do Jack. Você será assessora de imprensa do Jack por hoje.

- Mas eu quero seguranças ao redor dela todo o tempo. - disse Jack.

- Sim, teremos dois seguranças em cada sala. - sorriu Michael. - Não se preocupe.

- Não se preocupem vocês dois. - sorriu Clara. - Vou tomar conta do meu Jack direitinho...

Continua

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