1 de dez de 2011

Rockstar - Capítulo LI


Depois do pesadelo, nem Clara, nem Jack conseguiram mais dormir. Sentaram-se na cama e Jack envolveu-a em seus braços, mas ela não parava de tremer. Quando um deles pegava no sono era por apenas alguns minutos, acordando, a seguir, sobressaltado.

- Amor, vamos voltar para Londres? - disse Jack. - Agora de manhã?

- Não, querido... - Clara pegou a mão de Jack e beijou-a. - Vou ficar bem... você está comigo, nada de ruim pode acontecer quando estou com você.

- Estou muito preocupado. Não suportaria te perder...

- Mas não acho que exista algum perigo de fato. - disse Clara, acariciando os braços de Jack. - agora que estes braços me envolvem e me acalmam, acho que meu sonho é só um aviso, mas para tomar cuidado com o que ele pode publicar, me atacar através dos jornais, nunca fisicamente.

- De qualquer maneira, ficarei mais tranquilo quando o Michael colocar ao menos um segurança ao seu lado, Menininha. - disse Jack acariciando os cabelos de Clara. - Vamos levantar? Estou começando a ter fome e aqueles croissants de chocolate quentinhos podem resolver meu problema.

- Vamos sim, amor... - sorriu Clara. - Está tudo bem... Me perdoa por ter estragado nossa noite...

- Amor da minha vida... - disse Jack abraçando-a. - Você não precisa me pedir perdão... Estou aqui por você...

Ouvindo isso, Clara abraçou-o e começou a chorar com o rosto colado ao peito de Jack, enquanto ele apenas acariciava e beijava seus cabelos.

- Você é maravilhoso, Jack. Nunca vou me esquecer deste momento. Do carinho e do amor que estou recebendo de você agora...

- Meu amor... - disse Jack agora chorando com ela.

Depois de ficarem mais alguns minutos abraçados, os dois se levantaram, tomaram banho juntos no chuveiro e saíram para o café da manhã. O dia estava ensolarado e depois de comer, Jack e Clara decidiram caminhar um pouco pela cidade.

Pararam em uma banca de jornais onde compraram a revista People e voltaram para o hotel sentindo-se um pouco mais relaxados depois da madrugada tensa que tiveram.

Jack ligou para Michael pedindo para providenciar o retorno deles para Londres de taxi aéreo e também que deixasse seguranças a disposição deles durante toda a próxima semana.

Enquanto Jack ligava, Clara aproveitava para dar uma navegada em seu iPad e percebeu que seu nome estava em alta em toda a rede. As matérias da Vogue e da People eram comentadas em inúmeros blogs e sites de entretenimento e ela havia recebido um grande número de e-mails de veículos de imprensa pedindo entrevistas. Por isso, escreveu para Jonas e pediu que contratasse um assessor de imprensa para organizar e estudar quais deveriam ser atendidos.

- Amor... mandei o Jonas contratar um assessor de imprensa para cuidar dos pedidos de entrevista. Acho que de agora em diante, não teremos mais muita paz.

- Querida... precisamos encontrar nossa paz... aqui, entre nós... Não importa o que está acontecendo lá fora, enquanto estivermos juntos, estamos em paz. Quer ir descansar um pouco? Nosso voo está marcado para as 5 da tarde.

- Vamos, amor... Vou deixar o alarme do celular para tocar as duas. Nos vestimos, pegamos a bagagem e fazemos o check out. Vou viajar com esta roupa mesmo e você?

- Também, amor... Você não quer almoçar?

- Não estou com fome. Você quer?

- Também não estou... acho que comi muitos croissants hoje... - sorriu Jack. - Mas você deveria comer alguma coisa. Quero ver você bem, meu amor... Ainda temos um filho a fazer...

- Lindo... - sorriu Clara e beijou-o no rosto. - Você não existe, sabia? Mas tem razão, preciso me cuidar para que possamos fazer nosso filho... Vou ao médico na próxima semana para ver como estão as coisas.

- Eu também... preciso mandar ele costurar de volta tudo que cortou... Quero fazer esse filho do jeito certo... nada daquela história de inseminação que o médico disse. Quero fazer isso como deve ser feito... e enquanto não fazemos nosso filho, podemos treinar...

- Meu amor... - disse Clara enrolando os dedos nos cabelos dele. - Vem, vamos descansar um pouco agora...

Os dois se despiram e deitaram na cama, dormiram agarrados e quando o alarme do celular soou, levantaram-se, vestiram-se e terminaram de arrumar a bagagem antes de descer para fazer o check out.

- Como você está, amor? - perguntou Jack, no elevador, enquanto desciam até o saguão do hotel.

- Estou melhor, querido... - sorriu Clara, abraçando-o.

- Que bom! O David disse que vai nos buscar no aeroporto hoje, preciso ligar para ele quando estivermos no avião.

A chegada no aeroporto Charles De Gaulle foi rápida e logo os dois estavam dentro do avião, de onde ligaram para David avisando que estariam em Heathrow em uma hora. A ideia era a de passar os próximos dias em Heathcliff Hall para ficarem mais perto dos estúdios Leavesden, onde gravariam dois videoclipes no início da semana.

- Clara, meu amor... pronta para ir ao Brasil? A partir da próxima semana podemos embarcar... O que você acha?

- Não sei mais, amor... Não é melhor conversar com o David e com o Michael Peters antes? Porque é bem possível que depois dessas revistas os pedidos de entrevistas tenham explodido por lá também.

- Ah, Menininha... mas não é assim que eu trabalho... - sorriu Jack. - Só vamos fazer a coletiva na terça e estamos livres; podemos ir para o Brasil na terça mesmo.

- Querido... mas e se os clipes não estiverem prontos? - riu Clara. - Não podemos largar todo mundo assim...

- Podemos sim... - disse Jack pegando a mão de Clara e beijando-a. - A única coisa que nunca deixarei para trás é você, Menininha... o resto...

- Você é maluquinho, Jack. Acho que se eu fosse o Peters, já teria te deixado há muito tempo... - riu Clara. - Essa onda das revistas e do barulho que estão fazendo, precisa ser navegada... o disco vai sair daqui uns dias, melhor se tiver muito barulho, você sabe, não?

- Sei... Mas não ligo... E depois, querida. Um disco da Crossroads, depois de 30 anos longe, se vende sozinho... nem precisamos da imprensa para isso. Você disse para o Jonas fechar algumas entrevistas no Brasil, mas sinceramente, se eu fosse você, não dava entrevista nenhuma. Deixa aquele bando de urubus falando sozinhos...

- Hey... há pouco tempo eu era um deles... - riu Clara. - Não sei, amor... não vai parecer estrelismo?

- Ah, querida... o segredo é deixar eles acharem o que quiserem... o público não liga mesmo para o que essas pessoas dizem... Nossos discos mais massacrados pela crítica foram os que mais venderam...

- Mas estamos em outra época, Jack. As pessoas podem até não ouvir o que os críticos falam, mas quando um artista se isola demais, o público dele pode sentir-se desprezado e fazer campanha contra, a internet mudou tudo, querido.

- O que você não sabe é que eu não me importo... Não tenho dentro de mim essa necessidade de ser aplaudido o tempo todo... se me vaiarem, xingarem... não ligo...

- Sério? Você não liga?

- Por que ligaria? Não preciso de dinheiro, não quero provar nada para ninguém, estou com a mulher mais maravilhosa do mundo ao meu lado e tenho a liberdade de fazer o que bem entender artisticamente... Só preciso da aprovação de uma pessoa: você! Do resto do mundo, eu dispenso!

Clara levantou-se de sua poltrona, sentou-se no colo de Jack e beijou-o.

- Isso você já tem. Não importa o que você faça...

Os dois ficaram juntos na mesma poltrona até o piloto do jatinho avisar que o avião pousaria nos próximos minutos em Heathrow. Pela primeira vez, desde a lua de mel, Clara sentia-se feliz em deixar Paris para trás. O pesadelo que teve com Roberto a havia deixado mais abalada do que queria admitir.

Desceram do avião, encontraram com David que estava acompanhado de um segurança, colocaram toda a bagagem no carro e seguiram para Heathcliff Hall. O sol que deixava Paris dourada naquela tarde de domingo, não estava presente em Londres, nuvens escuras e um vento gelado começava a soprar anunciando que a chuva estava para chegar a qualquer momento.

- Então, Velhão? Viram a capa da People? - sorriu David. - Mais uma coisa que devemos à Princesa...

- Vocês não me devem nada, queridos... - sorriu Clara. - Vimos sim... comprei uma em Paris, mas acho que comprarei outras para mandar para meus pais no Brasil.

- O Michael está no céu! Disse que a gravadora tem planos de "vazar" o disco na internet na próxima semana.

- Vazar? Sabia! Mas isso não diminuirá as vendas depois?

- Não querida. - disse David. - Isso nos fará vender ainda mais. A propaganda na internet aumenta muito o interesse das pessoas. Eles têm até pesquisas que provam isso.

- Então toda aquela choradeira contra pirataria...

- Sim, é bobagem... A pirataria é uma grande arma de marketing e popularização. Quando o disco chega nas lojas, não precisamos mais gastar um centavo de divulgação, ele se vende sozinho. Mas não conte para ninguém... - sorriu David.

- O vinil já está pronto, David?

- Acho que ainda não. Vou passar na fábrica nesta semana, escutar todas as versões para ver se estão de acordo. Gostaria que vocês fossem comigo...

- Vamos sim. - disse Jack. - Você vai gostar de ir ver isso, Menininha...

- E a capa? - perguntou Clara.

- Vamos fazer umas fotos lá no Leavesden. O Michael disse que não tem tempo a perder e já chamou o Rod Firp para fazer as fotos na terça.

- Quem? - disse Clara.

- O Rod Firp... - repetiu David. - Você não conhece? Ele trabalha principalmente com shows ao vivo e já fez muitas capas de disco, inclusive as dos meus discos com o Jack.

- Acho que já ouvi falar dele. Mas espera, não é aquele cara que não gosta do Jack?

- É verdade, amor. - sorriu Jack. - Esse cara quer ser amigo de todo mundo, mas esquece que para isso precisa respeitar a nossa privacidade.

- O Velhão deu um chega para lá nele há uns anos porque ele queria fotografá-lo com uma namorada, em um clube onde estavam só amigos...

- Só falei que o mundo já tinha paparazzi demais e pedi que ele não nos fotografasse. Ele saiu dizendo que eu me achava uma estrela intocável e que depois de 40 anos de carreira, já deveria ter entendido que era uma pessoa pública.

- Que horror! Mesmo as pessoas públicas têm direito a alguma privacidade... - disse Clara.

- Foi o que eu disse a ele, mas não adiantou... - sorriu Jack. - Continua usando todas as chances que tem para falar mal de mim. Espero não ter problemas com ele nessa sessão de fotos.

- Acho que não terá... - sorriu David. - O Michael vai deixar a imprensa acompanhar tudo; ele não terá muito espaço para te irritar desta vez, Velhão.

- Hum, de vez em quando, ele até trabalha para nós, aquela raposa velha... - sorriu Jack. - Vai amarrar o cara direitinho...

O carro já havia entrado na estradinha estreita e em poucos minutos eles chegavam a Heathcliff Hall, enquanto uma chuva fina começava a cair. Clara entrou rapidamente para casa, fugindo do frio, enquanto a bagagem dos dois era trazida para dentro.

- Clara! Então, que tal Paris? - perguntou Cindy, abraçando-a.

- Oi querida! - sorriu Clara. - Foi lindo! Mas passou tão rápido... Oi Jenni! O Jean Paul te mandou um beijo e disse que está te esperando... Comprei tantas coisas, que tivemos que comprar duas malas novas... Ah! E comprei também um quadro, que será entregue na casa nova, na próxima semana...

- Quadro? - sorriu Cindy. - Do que?

- Um retrato do Jack. Achamos na vitrine de um atelier em Montmartre. Foi pintado a partir de uma foto tirada em um show na década de 70 e ele está simplesmente maravilhoso... - suspirou Clara.

- Que bom! Era exatamente isso que eu dizia sobre colocar a personalidade de vocês na decoração da casa. - sorriu Cindy. - Você já sabe onde o colocará?

- Quero colocá-lo no nosso quarto, ele está maravilhoso, com aquelas calças apertadas... - sorriu Clara. - O Jack é mesmo uma visão...

- Concordo totalmente, querida - riu Cindy. - E as roupas?

- Comprei muita coisa além dos figurinos, vem, vamos subir no meu quarto que mostro para vocês! - disse Clara.

- Oba! Queremos ver tudo! -sorriu Jennifer. - Você foi àquelas lojas que coloquei na lista?

- Fui, amiga! Comprei casacos, vestidos, sapatos... e também comprei roupas para o Jack. Ele estará lindo no palco e nos meus braços...

- Melhor mesmo. Vocês dois agora serão mais perseguidos pela imprensa do que jamais foram. Depois dessa matéria da People...

- Ah! Vocês viram? O Jean Paul nos mostrou, fiquei chocada quando vi, mas eu e o Jack já estamos prontos para eles... - disse sorrindo. - E depois, vamos namorar mais um pouco no Brasil...

- Vocês vão mesmo? Na próxima semana, não? - disse Jennifer.

- Sim, mas antes, quero deixar tudo organizado por aqui. - sorriu Clara. - Vamos gravar os clipes, dar entrevistas e principalmente, ver como está nossa casa e iremos ao médico, nos cuidar, para que possamos ter nosso filho...

- Filho? - sorriu Cindy. - Nossa! Que loucura! Vocês decidiram mesmo isso?

- Sim, eu e ele teremos um filho. O Jack irá ao médico durante a semana, vai pedir para reverter a vasectomia e eu vou ver como está minha anemia e se posso engravidar. Quem sabe, quando voltarmos do Brasil, já estaremos grávidos...

- Uau! Para quem até pouco tempo achava que não teria tempo... - riu Jennifer. - Vocês mudaram de ideia rápido. E o livro? Os shows? O disco?

- Vamos fazer tudo isso e também um bebê... O Jack me convenceu!

- Vai ser corrido, querida. - disse Cindy. - Mas acho que vocês devem mesmo ter esse filho. O David estava me dizendo isso hoje, que tem a impressão de que por isso vocês foram reunidos depois de tanto tempo.

- Será? - disse Clara. - Vem, vamos lá no meu quarto que vou mostrar para vocês tudo o que compramos...

As três subiram as escadas até o quarto de hóspedes que Clara e Jack ocupavam quando estavam em Heathcliff Hall. Clara mostrou às amigas as coisas que comprou em Paris e elas ficaram encantadas também com os figurinos e com o novo vestido preto de veludo que Jean Paul havia feito especialmente para ela.

- Uau! O Jean Paul te ama mesmo! - disse Jennifer. - Esse vestido é deslumbrante! Precisamos arrumar uma festa chiquérrima para você ir com ele, quem sabe o Grammy?

- Vai demorar muito... - disse Clara. - Não vejo a hora de usá-lo... E se engravidar, vai ser difícil entrar nele...

- É mesmo, querida. - disse Cindy. - Que tal na festa de lançamento do disco?

- Vai ter uma festa de lançamento?

- É bem possível... - disse Jennifer. - Acho que assim que vocês voltarem do Brasil. O Mike e o David estavam conversando sobre isso hoje, a gravadora quer fazer o máximo de barulho possível.

- O David nos disse, no carro... Estou feliz, mas ao mesmo tempo, ficando cada vez mais ansiosa. Tive até um pesadelo em Paris, que deixou o Jack super preocupado.

- Pesadelo? - disse Cindy.

- Com meu ex-namorado. Sonhei que ele me esfaqueava.

- Epa! Cuidado com ele, então. - disse Jennifer. - Melhor começar a andar com um segurança...

- O Jack já pediu ao Michael Peters. O assédio vai aumentar mesmo... - disse Clara. - Estou preocupada, mas não porque eu ache que o Roberto vá tentar me matar, mas porque acredito que ele tentará me atacar novamente pelo jornal.

- Faz sentido. - disse Cindy. - Acho que tudo ficará meio agitado agora, quanto mais proteção, melhor.

- O pesadelo estragou nosso final de semana em Paris. Foi muito assustador... Eu acordei chorando, não conseguia parar...

- Pobrezinha. - disse Cindy. - Vocês precisam mesmo dessas férias no Brasil. Descansar um pouco sob o sol... tudo vai melhorar, vocês verão.

- É o que espero, Cindy.

- Que linda essa bota? É do Nicoló, não? - disse Jennifer ao ver as botas que Clara tirou da mala para guardar no closet.

- É! E foi paixão a primeira vista... Não vejo a hora de usá-las também. - sorriu.

- Falando em paixão, suas jóias já estão aí no cofre, dentro do closet. Inclusive a coroa...

- Ah! Isso me lembra. Preciso mandar um cheque para o Mick Jagger, para pagar por ela. Com toda aquela confusão do bebê da Kate, acabei me esquecendo...

- Manda o Michael fazer isso, querida. - disse Cindy. - Você não vai querer deixar o Jack irritado novamente...

- Não! Quero fazer isso pessoalmente. Vou ligar para ele amanhã...

- De novo? - disse Cindy. - Pelo jeito você gosta mesmo de brincar com fogo...

- Não... eu gosto da companhia do Mick. Vou aproveitá-la um pouco, antes de ir para a estrada.

- Bom, você que sabe... - disse Cindy. - Ele é perigoso, mas não deixa de ser um homem fascinante...

- Mas ele é ainda mais fascinante porque é perigoso. - disse Jennifer. - O Mick é um sedutor, trata as mulheres como rainhas...

- Não é isso. - disse Clara. - Passei a vida toda sonhando conhecê-lo. Pensei melhor em Paris e não vou me privar desse sonho porque meu marido acha que eu quero transar com ele.

- Mas você não quer transar com ele? - perguntou Jennifer.

- Não... - respondeu Clara. - Com ele, só quero conversar. Para transar, tenho meu marido e para dizer a verdade, isso já é bem mais do que o suficiente...

As três riram do que Clara disse. Sabiam que ela estava sendo sincera quando dizia que Jack era o único homem que a interessava. E depois de colocar todas as roupas no closet e deixar os figurinos prontos para levar com ela ao estúdio no dia seguinte, as três desceram para a cozinha e foram preparar um jantar porque aquele era o dia de folga dos empregados da casa.

- Vamos fazer o que Cindy? - perguntou Clara.

- A cozinheira deixou algumas coisas congeladas. Tem uma lista aqui. - disse Cindy, entregando uma folha de papel a Clara. - Que tal esse rosbife?

- Ótimo... quer que prepare um molho para acompanhar? Que tal uma massa? Ou um risoto? - sorriu Clara. - Já sei... Vou fazer um purê de batatas, molho madeira e uma salada. O que vocês acham?

- Você gosta mesmo de cozinhar, não? - sorriu Cindy. - Mas é muito trabalho... você precisa descansar. Vamos aquecer o rosbife e fazer sanduiches com queijo, como fizemos aquela vez, na montanha, lembra?

- Pode ser, então. Você que sabe... Eu e o Jack nem almoçamos hoje.

- Mesmo?

- Ficamos muito nervosos com meu pesadelo e não conseguimos dormir direito, nem comer...

- Por isso não, querida... Vamos preparar uma daquelas tábuas de queijo francesas, com frutas... vem, me ajudem a cortar o queijo... Tenho um pão maravilhoso aqui, que eu mandei o Dave comprar hoje à tarde...

Clara aqueceu o rosbife, fez uma salada verde e um molho de mostarda para acompanhamento. Enquanto isso, Jennifer arrumou a mesa na sala de vidro e logo os três casais estavam lá apreciando seu lanche de domingo à noite.

- Estou com uma fome de leão, amor... - disse Jack no ouvido de Clara, enquanto a ajudava a levar os pratos e vasilhas da cozinha até a sala de vidro.

Com todos sentados ao redor da mesa, Jack pegou uma taça de vinho e começou a falar:

- Meus queridos, pelo que pude perceber, tudo começa amanhã. Não sei como expressar o medo que tinha da chegada deste momento até que minha pequena Clara, com seus poderes mágicos, transformou tudo em alegria. Por isso, hoje, brindo a essa alegria! À Crossroads!

- À Crossroads! - todos responderam.

Clara estava feliz, mas sentia-se muito ansiosa porque estava chegando o momento em que ela teria que subir ao palco. Mesmo sabendo que aquele medo era algo irracional e que estaria totalmente protegida e amparada pela melhor estrutura possível, ela não conseguia deixar de sentí-lo. Por isso, decidiu fugir do medo, vivendo o momento; o dia da estreia se aproximava, mas ainda não havia chegado, então ela se concentraria naquela noite de prazer na casa de seus amigos, ao lado do homem que amava e momentaneamente esqueceria do palco.

Após o jantar, foi a vez dos homens irem para a cozinha, enquanto as três amigas caminhavam com suas taças de champagne até a sala de estar.

- Acho que preciso começar a me despedir da bebida. - disse Clara. - Quando estiver grávida, não poderei mais beber...

- É verdade, amiga. - sorriu Jennifer. - E não terá mais essa cinturinha absurda que você tem...

- Pois é... - suspirou Clara. - Mas acho que não vou ligar muito para isso. Quando faço minha Yoga direitinho, meu corpo costuma ficar sequinho. Acho que será uma questão de disciplina para voltar ao normal depois. Além disso, terei minha casa e nela teremos uma sala de ginástica cheia de equipamentos... Vou ficar bem... eu acho...

- Claro que vai, amiga! - riu Cindy. - Falando nisso, preparada para as gravações amanhã?

- Não, nem um pouquinho... - riu Clara colocando mais champagne em sua taça. - Eles nos querem às cinco da manhã naquele estúdio... quem pode ser uma Rainha da Luz às cinco da manhã?

- Queria tanto ir com vocês. - disse Jennifer. - Mas vou a um almoço beneficente em Paris amanhã...

- Eu precisava tanto de vocês... - queixou-se Clara. - Estou com medo de estragar o vídeo...

- Imagina, querida... - riu Cindy. - Você vai conseguir... Também gostaria de ir, mas vou para Viena amanhã às sete. Mas sei que o Michael Peters irá lá assistir e que o diretor arranjou papéis para o Mike e para o David.

- Sério? - riu Clara. - Eu não estava sabendo disso...

- O diretor mandou um roteiro novo ontem, dizendo que tinha decidido colocar os outros membros da banda no clipe e o Mike e o David serão menestréis que aparecerão tocando instrumentos antigos em algumas cenas...

- Isso promete ser divertido. - sorriu Clara. - Por que eu estou com tanto medo? Eu odeio essa minha timidez...

- Ah, querida... - riu Cindy. - Acho que isso é assim mesmo. Você vai ver, é só um primeiro momento, depois você se solta e será muito divertido. Você estará ao lado do Jack, lembra?

- Esta é a melhor parte de tudo. Estarei ao lado do meu Jack. - disse Clara sorrindo, ao ver o marido entrando na sala de estar com mais uma garrafa de champagne nas mãos.

- Amor, sabe o que o David me disse? - riu Jack sentando-se ao lado de Clara. - Que ele e o Mike participarão do clipe amanhã... enfim, não seremos mais só nós dois naquele estúdio...

- A Cindy acabou de me dizer isso também, amor. - sorriu Clara, acomodando-se no ombro de Jack. - Vamos nos divertir muito amanhã...

- Só queria que fosse mais tarde. - riu David. - Cinco da manhã é cedo demais...

- Vamos manter o bom humor, David. - riu Michael. - Vamos ver o Shags vestido de príncipe encantado amanhã... tem alguma coisa mais engraçada do que isso?

- Podem rir... - disse Jack diante das gargalhadas de todos. - Mas sou eu quem vai beijar a Rainha da Luz no final do filme...

- Ah pessoal! Deixem meu amor em paz... - riu Clara. - Ele é lindo até fantasiado de Gollum...

- Obrigado querida! - disse Jack beijando-a na testa. - Viram? Invejosos...

- Eu e o Mike seremos dois menestréis, tocando para a realeza... vamos rir muito amanhã... - disse David. - Princesa... puxa... a partir de amanhã terei que chamá-la de Rainha...

- Ainda bem que todos vocês estarão lá... pena que a Cindy e a Jenni não irão...

- Vamos filmar tudo com sua câmera, Princesa... - riu David. - Depois trazemos aqui para elas verem...

- É mesmo... Posso levar minha câmera... Vou filmar tudo que puder... vocês me ajudam? Fazemos um rodízio, quem estiver fora de cena filma e depois, faço um DVD e assistimos todos na sala de cinema, lá em cima...

- Perfeito! - riu David. - E rimos todos juntos...

- Bem, queridos... falando em rir... - disse Clara. - Acho melhor facilitarmos o trabalho dos maquiadores amanhã e todos nós irmos para nosso soninho de beleza, para acordarmos com a pele e os olhos brilhantes as 4 da manhã...

- Tem razão Princesa! - riu David. - Não adiantará nada nós, velhos capengas, dormirmos, continuaremos parecendo velhas ameixas estragadas, mas você certamente estará bem mais linda se puder dormir o suficiente. Ouviu, Velhão? Ela precisa dormir...

- Eu também... - riu Jack, levantando-se do sofá e pegando Clara pela mão. - Vamos querida. Vou embalar minha Rainha da Luz nos meus braços, até amanhã velhos gagás e caras senhoras...

- Boa noite, meus queridos.- riu Clara. - Vou embalar meu Príncipe Encantado nos meus braços...

Os dois subiram as escadas agarrados, estavam bebados e riram todo o caminho até o quarto, onde terminaram de deixar as coisas que levariam prontas, entre elas a caixa com a coroa de ouro e diamantes. Com tudo embalado e as roupas que vestiriam no dia seguinte prontas, Clara programou o celular para acordá-los às 4 da manhã. Os dois então tiraram todas as roupas e deitaram-se na cama para dormir.

O alarme soou mais rápido do que esperavam e eles levantaram, tomaram um banho rápido para acordar, vestiram roupas quentes e confortáveis e desceram até a sala de estar onde ficaram esperando pela chegada da limousine da produção que viria pegá-los em casa.

- Bom dia, Princesa... - disse David. - Viu? Estamos com cara de batata cozida... dormir cedo não resolve...

- Não, vocês estão muito bem... e meu Jack está lindo como sempre... - disse Clara, dando um beijo no rosto de Jack.

- Pegamos tudo, amor? - disse Jack. - Figurinos, coroa, camera, celular?

- Está tudo aqui na minha mochila, amor. Acho que vou buscar gorros, luvas e cachecóis para nós. Está frio lá fora. - disse subindo as escadas novamente.

- É melhor! Não quero ver minha menininha congelada... - riu Jack.

- Ela é linda, Jack. - riu David. - Você teve muita sorte de achá-la...

- Eu sei... - disse Jack. - Agradeço à Deusa todos os dias desde que a encontrei... Sei que não mereço, mas ela está aqui, iluminando minha vida. Queria muito conseguir fazê-la feliz, como ela me faz.

Clara desceu as escadas com agasalhos para ela e para Jack e os dois vestiram tudo antes de sairem, ainda no escuro e sob uma neblina pesada, para irem até a limousine que já os esperava lá fora.

Continua

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