9 de nov de 2011

Rockstar - Capítulo XXXV


Os dois dormiram agarrados e quando o alarme do celular tocou, acordaram sorrindo. Tomaram um café da manhã rápido e foram para a banheira. Clara cuidou muito bem de Jack, com hidratantes para a pele e para os cabelos. Depois ele secou o cabelo dela e prendeu-o em um coque alto.

Clara fez uma maquiagem leve e colocou seu novo vestido, enquanto Jack, já vestido em um elegante terno preto, com camisa branca e usando uma gravata que identificava os membros da diretoria do clube, colocou na lapela um alfinete dourado com o brasão de seu time.

Como toque final, Clara fez um rabo de cavalo nele, deixando-o ainda mais elegante. Ela então calçou os sapatos, pegou a bolsa onde colocou seu remédio, o celular, sua carteira e uma pequena nécessaire com maquiagem, escova e pasta de dente, fio dental e um pequeno frasco de perfume.

Jack veio na direção dela com a câmera fotográfica e os dois conseguiram sair pontualmente de casa, às 9:40.

Quando já estavam alguns quilômetros na estrada para o estádio, o celular de Clara tocou, era Cindy avisando que o avião tinha acabado de pousar e que também estavam a caminho.

Os arredores do estádio estavam lotados de pessoas chegando para a partida. Não havia nenhum campeonato em disputa, mas o Chelsea, campeão inglês daquele ano e time de preferência de David, disputaria com o Wolverhampton Wanderers, time de Jack, uma partida amistosa e o vencedor levaria para casa uma linda taça de cristal, com detalhes em ouro e prata comemorativa do centenário do clube.

Logo Jack chegou ao estacionamento privativo da diretoria e estacionou em uma vaga marcada com seu nome. Os dois desceram do carro e seguiram para a porta social da diretoria do clube.

No caminho, Jack ia apresentando sua esposa para muitas pessoas igualmente elegantes que dividiriam com eles o camarote de honra do estádio.

Clara reconheceu algumas pessoas de seu casamento e estava conversando com elas quando David e Cindy, convidados dos dois, chegaram.

- Princesa! – disse David em português beijando a mão de Clara. – Como você está hoje?

- Muito bem, queridos! E muito feliz de revê-los. – respondeu Clara em português.

- Cindy! Olá amiga. – disse abraçando-a graciosamente para evitar que as abas de seus chapéus colidissem.

- De azul, ah!

- Você sabe que somos Chelsea desde sempre, não?

- E eu e meu querido Jack somos Wolves.

- Que bom que você melhorou. O Jack estava tão triste de perder esta festa. – disse Cindy.

- Pois é. Ele só me contou sobre tudo isso e me deu estas roupas ontem à noite. Foram compradas na loja da Linda.

- Até que aquela hippie tem bom gosto. Vocês dois estão parecendo realeza hoje. Você olhou direito para o Jack? Parece um rei.

- Também acho! Ele é lindo não?

- Queridas, vamos ocupar nossos lugares nos camarotes? – disse Jack pegando Clara pela mão.

Os quatro foram fotografados por repórteres na ante-sala do camarote e as duas torcidas levantaram e aplaudiram quando Jack e David foram mostrados no telão, gritando "Crossroads, Crossroads"; e deixando Jack emocionado.

- Que lindo, amor! – disse Clara no ouvido de Jack. – Eles amam vocês.

- E eu só penso em você. – respondeu Jack, beijando sua mão, ainda com uma grande mancha roxa que ela disfarçou colocando um grande esparadrapo cor da pele por cima.

- Machucou a mão? – perguntou Cindy.

- Não. Foi no hospital, estouraram minha veia com o soro e ficou uma mancha roxa muito feia que disfarcei com o esparadrapo.

- Pobrezinha!

Garçons serviam champagne no camarote de honra e como continuava tomando remédios, Clara preferiu não beber. Pediu que o garçom trouxesse para ela um refrigerante.

De repente, em um rápido contra ataque, o time de Jack marcou um gol, aos 30 minutos do primeiro tempo. Jack ficou muito feliz, pulou, gritou e abraçou Clara.

E o primeiro tempo de jogo terminou com o time de Jack em vantagem no placar. Durante o intervalo do jogo, os quatro subiram para a ante-sala do camarote e Clara lembrou-se que estava com a câmera e pediu que os fotografassem juntos.

Nestas ocasiões algumas pessoas aproximavam-se de Jack e David e pediam para tirar fotos ou autógrafos e sempre eram bem recebidas pelos dois.

Enquanto Cindy e Clara comentavam sobre as roupas e chapéus das outras mulheres elegantes naquela manhã de domingo, os dois falavam de futebol e discutiam uma polêmica marcação de impedimento que aconteceu logo no começo do jogo que poderia ter transformado completamente sua história.

O segundo tempo estava prestes a começar e o presidente do clube veio pessoalmente buscar Jack e Clara para voltar ao camarote.

Clara e Cindy continuavam conversando sobre os acontecimentos dos últimos dias. Clara lembrou-se de que o vídeo dos lobos ainda estava na memória da câmera e enquanto o jogo rolava, ela mostrava a família de lobos para a amiga.

- Que lindos! Nossa! Vocês conseguiram presenciar uma cena rara e linda. Maravilhosos.

- Vou colocar esse vídeo no meu blog, ia fazer isso ontem, mas não consegui.

- Por que?

- O Jack, para me proteger, não queria deixar que eu mexesse na internet ontem e daí só passei as fotos e os vídeos para o note e escrevi o texto. Vou tentar por tudo no ar quando voltarmos para casa.

- Acho esse cuidado que ele tem com você uma coisa super bonita sabia?

- Também acho. Não estou reclamando, ele me trata como uma rainha todo o tempo. Eu fico muito mal quando tomo um dos remédios à noite, passo horas tremendo e não consigo ficar deitada. Ele me abraça e me aquece a noite toda, nem dorme direito, coitado.

E a conversa das duas continuava, enquanto o jogo corria. Jack levantava-se da cadeira toda vez que seu time atacava e aos 25 minutos do segundo tempo, o juiz marcou uma falta perigosa próxima da grande área do Chelsea. Percebendo que Clara nem tinha visto o lance, Jack pegou-a pela mão. E aconteceu o segundo gol, que Jack comemorou beijando-a.

O beijo foi parar no telão e provocou gritos da torcida de "beija, beija". Os dois riram e repetiram o beijo que foi ainda mais comemorado do que o segundo gol.

Quando o jogo estava prestes a terminar, o presidente do clube chamou Jack e David. Eles foram escolhidos pela diretoria para entregar a taça e as medalhas comemorativas aos jogadores. Clara e Cindy continuariam esperando no camarote enquanto eles desciam até os vestiários.

Em poucos minutos foi estendido um tapete vermelho entre os vestiários e um pódio e ela os viu seguindo por ele, junto com a diretoria do clube. Clara e Cindy aplaudiram os maridos, enquanto cumprimentavam todos os jogadores e depois, os dois entregaram a taça ao capitão e neste momento, um secretário do clube as chamou para segui-lo até o carro no estacionamento onde reencontrariam com os maridos.

Rapidamente, Jack e David chegaram ao estacionamento e partiram juntos, no jipe de Jack para a mansão do presidente do clube, uma linda casa de campo antiga, nos padrões de Heathcliff Hall onde aconteceria nos jardins um grande almoço de confraternização.

A festa estava linda, com pompa e luxo, mas sem aquela rigidez que plastifica tudo nos ambientes em que muitos endinheirados se juntam. O presidente do clube tinha certamente mais dinheiro do que Jack e David juntos, mas era um homem simples que recebia todos com o mesmo sorriso acolhedor.

Clara e Cindy ficaram conversando com as esposas dos diretores, enquanto Jack e David estavam em uma grande roda de homens onde pela frequência e volume das gargalhadas piadas nada sutis estavam sendo contadas.

Maggie, a esposa do presidente, que esteve no casamento em Heathcliff Hall, elogiava para suas amigas a beleza e o bom gosto da festa e da casa e convidou Clara e Cindy para conhecer sua coleção de orquídeas em uma grande estufa.

Depois do passeio pela estufa, elas retornaram aos bem cuidados gramados onde os homens agora bebiam, fumavam charutos e continuavam conversando. Estavam mais sérios agora, então provavelmente discutiam sobre futebol ou política.

Jack percebeu os olhos de Clara sobre ele e retribuiu seu olhar com doçura.

Quando o garçom trouxe mais champagne para o grupo de mulheres e Clara pediu-lhe um refrigerante. Maggie tomou coragem e perguntou aquilo que estava passando pela cabeça de todas:

- Você está grávida, querida?

- Não, Maggie. Estou tomando um remédio e não posso beber nada alcoólico, pelo menos por esta semana.

- Ah! Que pena, querida! Já estava vendo pequenos bebês louros correndo por estes gramados.

- Ainda é muito cedo para isso, Maggie. Estamos só nos conhecendo. – respondeu sorrindo.

A tardinha começava a cair e com ela a temperatura dos jardins. Preocupado com Clara, Jack sinalizou para David que gostaria de voltar para casa.

Jack tirou o paletó e vestiu-o em Clara e logo os quatro estavam na estrada, a caminho de casa. David e Cindy haviam sido convidados para passar uns dias na casa de campo e aceitaram.

- E a balada, velhão? Está pronta para eu poder fazer o arranjo?

- Gravei ontem à noite e te mandei por e-mail, você não recebeu?

- Não mexi no computador hoje, não sei.

- Foi divertido hoje e aquele seu timinho apanhou de novo, para variar. – disse Jack sorrindo.

- Ah! Fizemos a gentileza de perder para não estragar a festa; só isso! – respondeu David.

O carro já se aproximava da entrada que levava à estradinha que subia até a montanha deles.

Jack olhou para Clara e disse carinhosamente: - Estamos quase em casa, amor. Ainda está com frio?

- Um pouco! Esta montanha é um lugar lindo, mas é tão gelado.

- É frio mesmo, estou congelando. – disse Cindy abraçando David.

Jack parou o carro na porta de casa, Clara e Cindy desceram rápido e correram para entrar em casa, enquanto Jack e David pegavam a mala no porta-malas.

Jack e Clara levaram David e Cindy ao quarto de hóspedes, depois foram até o próprio quarto para trocar de roupa.

- Jack, acho que vai ser preciso acender a lareira hoje. Esta casa está um gelo...

- Vou acender assim que descer. Você se sentiu bem hoje?

- Sim. Achei que ia ficar cansada, mas não, estou bem.

- Que bom! Fiquei preocupado, mas deu tudo certo!

- Só faltou uma coisa... A gente ficar mais tempo juntos, estava com saudades de você, de poder te beijar, te mimar.

- Ai menininha! – disse Jack, enquanto vinha ainda sem camisa em sua direção e a beijava apaixonadamente. – Vamos, amor. Temos convidados hoje. Vou acender a lareira para a gente.

Clara vestiu um suéter de lá, calças jeans, botas e complementou o visual com uma pachimina de lã amarrada ao redor do pescoço, como um cachecol, soltou o coque do cabelo e fez duas tranças. E Jack vestiu o suéter de lã cinza que Clara deu de presente a ele, calças jeans e botas.

Logo os quatro já estavam na sala de estar. Clara pensou em preparar um fondue e perguntou onde Jack guardava o réchaud e ele respondeu que nem sabia o que era isso.

- Fondue? Você sabe o que é, não?

- Não, amor... essas coisas francesas, não costumam fazer parte do meu vocabulário.

- Mas não é francês, é uma coisa suíça. Uma panela no meio da mesa, em cima de uma boca de fogo, com queijo ou caldo fumegante e você mergulha pedaços de pão, ou de filé mignon ou camarões grandes e todos comem com molhos, outros complementos e muito vinho para esquentar.

- Não fui nessa aula, mas parece bom..

- Ok! Vou fazer uma das minhas sopas então... Amanhã peço divórcio porque me casei achando que você conhecesse uma das minhas comidas favoritas no mundo.

Todos riram. E David disse que também não conhecia, mas que pelo que Clara descrevia, ele gostaria de conhecer.

Clara e Cindy foram para a cozinha e ela decidiu preparar uma sopa creme de batatas que gostava de fazer quando esfriava muito. Também preparou escalopes de filet mignon em molho de vinho, que ela improvisou rapidamente com poucos ingredientes.

Logo estavam todos ao redor da mesa espantados com seus dons culinários. A sobremesa foi uma taça de frutas vermelhas com creme chantili e calda quente de chocolate amargo que Clara preparou na hora.

- Acho que a sua comida de nome francês não seria tão boa quanto esse jantar que você fez, menininha... Desta vez você se superou! – disse Jack pegando sua mão e beijando-a.

- Fondue também é bom, comi bastante na Suíça, quando ia esquiar com meus pais, Jack. Mas você tem razão, esta sopa de batatas consegue ser melhor do que aquela de cebolas que você fez no Dan, outro dia.

- Maravilhosa, querida! – disse David. – Já considerou escrever um livro de receitas?

- Não sei tanto assim, seria um livro com poucas páginas... – riu.

- Vocês querem café? – perguntou Jack – Pode ser também capuccino, porque a Clara leu o manual daquela máquina e me ensinou a fazer.

- Oba! Capuccino então! – disse Cindy.

Todos foram para a cozinha e enquanto Clara preparava cafés e capuccinos na máquina de expresso, Jack, David e Cindy colaboravam para colocar toda a louça na máquina de lavar.

- Menininha, o seu remédio. Você esqueceu dele? – perguntou Jack.

- Vou tomar mais tarde, amor. Não quero ficar tremendo na frente dos meus amigos.

- Pode tomar, Clara. – disse Cindy. – Você precisa ficar bem. Não se preocupe conosco.

- Isso mesmo, princesa. Por favor, você precisa antes se tratar.

- Ok! Vou tomar...

Com a cozinha arrumada, todos foram para a sala de estar sentarem-se perto da lareira. Jack pegou dois violões que estavam próximos do piano e eles passaram a tocar e cantar velhos bues.

Clara estava no céu, olhava para Jack, queria até filmá-lo, mas suas mãos já começavam a tremer novamente e seria impossível conseguir bons resultados.

Jack e David tocavam agora uma velha balada folk da Crossroads, que encheu os olhos de Clara de lágrimas.

Quando Jack percebeu que Clara chorava e tremia muito, parou de tocar e foi até ela. Tirou suas botas para deixá-la mais confortável e abraçou-a.

- Já vai passar menininha. Já vai passar.

David levantou-se e sugeriu que fossem deitar-se para acordarem bem cedo para assistir ao nascer do sol na montanha.

- Ótimo. – respondeu Jack, agarrado em Clara. – vamos subir lá pelas quatro. Coloca roupa bem quente porque lá em cima vai estar um gelo. E você, menininha, vamos subir agora! Você precisa descansar. Te levo no colo!

- Não, amor, não precisa. Posso subir sozinha.

- Boa noite queridos! Daqui a pouco vamos para a montanha.

- Boa noite. – responderam David e Cindy.

Clara pegou as botas nas mãos e subiu as escadas abraçada em Jack.

Jack levou-a para dentro do quarto e ela pegou um velho moletom de Jack para dormir e programou o celular para tocar às 3:45. Jack tirou toda a roupa e ajudou-a a despir-se e a vestir-se. Depois sentou-se na cama apoiado nos travesseiros e abriu os braços para sustentar Clara.

- Vem menininha! Vem descansar aqui, meu amor.

Sem saber o que responder ela deitou-se entre seus braços, chorando e tremendo.

Jack abraçou-a e sussurrou em seus ouvidos até que ambos pegaram no sono. O celular tocou, os dois acordaram e pegaram as mesmas roupas que usaram na noite anterior e mais gorros de lã e um casaco de couro que Jack vestiu em Clara. Estava enorme, mas a manteria bem aquecida.

Jack pegou lanternas e desceu. David e Cindy já estavam na sala de estar esperando.

- Bom dia. Prontos? – disse Jack. – Pega essa lanterna David. Vamos subindo juntos, porque ainda está bem escuro lá fora.

- Bom dia, Jack. Bom dia, princesa. – disse David. - Sentindo-se melhor?

- Muito. – respondeu Clara. – Vamos subir a montanha?

- Você está com seu remédio, amor? – perguntou Jack.

- No bolso.

- Ótimo! Vamos embora....

Os quatro saíram usando a lanterna para iluminar o caminho que estava um breu e completamente tomado pela neblina.

Subiram de mãos dadas até o topo da montanha. As nuvens baixas criavam um ambiente quase místico. Os quatro sentaram-se na pedra olhando na direção do vale, Jack e David desligaram as lanternas e deixaram-se envolver pela total escuridão, enquanto esperavam que o sol começasse a iluminar tudo.

O céu começou a ficar transparente e foi iluminando-se aos poucos, tons avermelhados primeiro, róseos, dourados, enquanto a névoa se dispersava revelando a beleza do vale e de suas árvores estendendo o verde nas margens do rio que seguia serpenteando até sumir de vista.

Os sons da mata se intensificavam, pássaros, insetos e pequenos animais pareciam comemorar o fim da escuridão e os quatro amigos, sempre envolvidos em suas conversas preferiam agora calar-se para ouvir as vozes da montanha.

Clara que desde seu problema de saúde estava em uma fase ainda mais emotiva, chorava nos braços de Jack pela beleza do que assistia.

- Este lugar é mesmo incrível! - disse Cindy quebrando o silêncio. - Lembro de vocês me terem trazido aqui para assistira a esse show há uns cinco anos quando você nos convidou para passar uns dias. Mas era no alto do verão e estava bem mais quentinho aqui em cima.

- Foi! Você estava namorando com aquela americana velhão, lembra? - disse David - E ela não entendeu nada quando você disse que ia passar uma semana com seus amigos em casa, enquanto ela ia para a Itália fazer shows.

- Você fez isso, amor?

- Fiz sim. Não queria ninguém aqui que não fosse para sempre. - respondeu Jack rindo. - porque este lugar para mim é muito especial.

- Você é muito especial - sussurrou Clara no ouvido de Jack.

Os quatro agora estavam de pé assistindo ao show da natureza nos primeiros momentos de luz do dia. Um falcão sobrevoava majestoso as copas das árvores e todos comemoraram quando ele gritou.

- Você está bem, menininha? - perguntou Jack preocupado quando ela começou a tossir.

- Está tudo bem, amor. - disse ela beijando-o.

- Vamos tomar nosso café da manhã? - perguntou Jack. - Os empregados ainda não chegaram, mas posso fazer umas panquecas para a gente.

- Hum! E eu posso fazer umas caldas para acompanhar essas panquecas, chocolate, frutas vermelhas... que tal? - disse Clara.

- Opa! Vamos descer porque se o Jack comer tudo isso sozinho, vai ficar ainda mais gordinho. - disse David rindo. - Não é Clara?

Eles já tinham começado a descer a montanha, Clara abraçada em Jack parou, arregalou os olhos e olhou para Jack e para David.

- Não acredito que você contou para ele, Jack.

- O que? - perguntou Cindy.

E Clara contou para Cindy todo o episódio do telefonema para a médica e o quanto riram quando ela disse que Jack era muito pesado.

- Mas ele não me parece tão gordo assim. - disse Cindy.

- Viu? A Cindy me enxerga como eu sou...

- Mas eu também te enxergo como você é, amor... Lindo!

- E gordinho! - disse David rindo ainda mais.

- Meu gordinho. - sussurrou Clara nos ouvidos de Jack. - Que eu amo!

Jack parou no caminho e beijou-a. - Te amo, menininha!

Logo chegaram a casa e foram direto para a cozinha. Jack pegou ovos na geladeira e começou a preparar suas panquecas, Clara pegou morangos e fez uma calda e depois, derreteu um pedaço de chocolate meio amargo e creme de leite e fez uma segunda calda.

Prepararam também chá e torradas e colocaram tudo na mesa da sala de jantar junto com algumas frutas e queijos para o café da manhã. O ambiente era de total felicidade.

- Mais tarde podemos subir de novo, passear lá na fonte. - disse Jack. - Será que os lobos vão aparecer de novo?

- Vamos, sim. - David disse. - Este lugar é mesmo fascinante. Lembro quando a gente veio para a fazenda gravar. Era uma confusão, mas fizemos muita música boa. Você vendeu a fazenda para o Dawkins, não é? Será que ele está por aí para a gente fazer uma visita?

- O Dawkins está na França. Vai ficar por lá até o fim do ano.

- Pena. A princesa ia gostar de lá.

- Levo ela lá quando ele voltar. É um lugar que fez parte da minha vida e acho que ela precisa conhecer. - disse Jack com a mesma expressão triste que sempre aparecia em seu rosto quando mencionava aquele período.

- David, vamos arrumar a cozinha e depois quero te mostrar uma coisa que anda rodando na minha cabeça há uns dias. - disse Jack recolhendo as coisas da mesa.

- Jack, deixa as coisas aí. Eu e a Clara arrumamos tudo aqui sem problemas, vai lá mostrar a música para o David. - disse Cindy.

- Vai Jack. Deixa que nós cuidamos de tudo. Vai lá que eu estou curiosa. - disse Clara tirando os pratos de suas mãos e levando-os até a cozinha.

Jack então foi para o piano com David enquanto Clara e Cindy colocavam a louça na máquina e guardavam o que havia sobrado de queijos, caldas e frutas na geladeira.

Quando elas começaram a ouvir o som do piano, Cindy e Clara olharam uma para a outra e correram para a sala de estar. Jack agora completamente concentrado em sua música mostrava no piano uma ideia melódica que teve para David e este tentava reproduzir no violão.

Clara apenas os observava, já estavam em outra dimensão, mergulhados na música. Dois gênios e parceiros que se entendiam no olhar, sem necessidade de palavras. Como fã, Clara amava vê-los trabalhando juntos.

Quando David conseguiu pegar a melodia na guitarra, Jack ativou o gravador que continuava na sala e sentou-se no piano tocando a nova música desde o início.

Agora ela sabia o que acontecia, Jack iria começar a cantarolar, primeiro sons, acompanhando com a voz a melodia que os instrumentos faziam e depois, encontraria as palavras nestes sons; palavras doces de homem apaixonado, que ele nunca deixava de dizer-lhe.

Enquanto estavam entretidos com a música, os empregados da casa chegaram e Clara levantou-se, foi até a cozinha e disse a Mona que tinham convidados e pediu que ela preparasse salmão e batatas assadas.

Pediu que as arrumadeiras renovassem as flores dos vasos da casa e cuidassem muito bem do quarto de hóspedes, porque convidaria seus amigos para ficar mais alguns dias.

Depois chamou Lambert e perguntou como estavam as coisas e ele apenas respondeu que o Michael Peters havia pedido para Jack entrar em contato.

- Vou avisá-lo Lambert. Obrigada!

- Meggie. – chamou Clara. – Quero que você cuide da nossa lavanderia hoje. Já está tudo separado; as roupas que estão no cesto podem ser lavadas aqui e as outras, que estão separadas nos cabides devem ser levadas à lavanderia, incluindo meus vestidos e o terno do senhor Jack.

- Ok, senhora! Vou levá-las para a cidade mais tarde.

- Obrigada Meggie. Precisamos destas roupas prontas antes do final da semana porque vamos voltar para Londres.

Com tudo providenciado, Clara voltou para a sala e pode ver Jack agora escrevendo em seu caderninho, enquanto David fazia as anotações das notas musicais em uma partitura.

Jack levantou-se e foi na direção de Clara. – Tudo bem, meu amor?

- Tudo. Fui conversar com os empregados. O Lambert disse que o Michael Peters ligou e quer falar com você.

- Vou ligar para ele, querida. – disse Jack. – Mas agora, eu preciso de você.

- De mim? Para que?

- Quero seu colo para ter inspiração. Vem, senta aqui no sofá.

Clara sentou-se e Jack deitou-se, com o caderno e caneta nas mãos, em seu colo. Ela pegou os objetos de sua mão e pediu-lhe para fechar os olhos, enquanto acariciava seus cabelos.

- Quietinho amor. Relaxa. David, será que você pode tocar de novo a música?

- Ouve, amor... a letra está dentro dela...

Deitado no colo de Clara, Jack com os olhos fechados começou a acompanhar as notas da música com seus gemidos.

"The mountains were full of the sunlight,
In the dawn when I finally got home,
Tired and weak, feeling so sad
I surrender to you,
My heart and my soul in your sweet arms."

I'm yours little girl,
My heart and my soul in your sweet arms."


Clara chorava de novo ao ouvir aquelas palavras doces que mais uma vez, eram sobre ela e sobre aquele amor que a fazia tão feliz.

- Lindo velhão! Você tem uma guitarra elétrica por aí?

- Tenho sim. – disse Jack levantando-se. – Vou buscar lá em cima.

Quando ele se levantou, Clara desabou: - Vocês ouviram isso que ele cantou? Meu Deus, é tão lindo.

- Olha princesa, eu acho que ele te ama tanto que não consegue pensar em outra coisa. Esse é o trabalho de um homem apaixonado.

- É isso mesmo, menininha. – disse Jack na escada, descendo com uma case de guitarra e um amplificador nas mãos. – Eu só consigo pensar em você.

Clara levantou-se da poltrona e foi na direção de Jack. Esperou que ele entregasse o case e o amplificador nas mãos de David e puxou Jack em sua direção. Beijou-o apaixonadamente e os dois ficaram mais alguns minutos agarrados, no meio da sala de estar.

- Desculpa meus amigos, mas preciso dos braços da minha menininha.

- É velhão! Está perdido. – disse David, enquanto preparava a guitarra que Jack trouxe e a ligava no amplificador. – A princesinha acabou com a tua raça...

Todos riram e Jack voltou para o piano. – Vou trabalhar, menininha. Assim você não precisa escutar as besteiras que o David fica falando de mim.

- Aliás, princesa. Tenho muita coisa para te contar sobre o Jack... Teve uma vez que ele...

- Shhhhhhhhh! Menininha não presta atenção nesse cara...

- Não se preocupe querido. Não tem nada no mundo que ele possa me dizer que me faça te querer menos.

- Linda! – disse Jack atravessando a sala para dar um beijo em Clara e voltando ao piano. – Vamos trabalhar...

Jack começou a tocar piano e David acompanhou com a guitarra. Jack foi encaixando a letra e eles tinham mais uma música pronta para o novo disco.

Assim que a música ficou pronta, Jack pegou o celular, ligou para Michael Peters e ficou sabendo que Roberto Junqueira não fazia mais parte do quadro de funcionários do jornal. Jack não contou a história completa, mas a demissão já esperava por ele naquela manhã de segunda-feira. Jack era mesmo um homem poderoso e Michael era realmente o melhor do ramo.

Depois das boas notícias, Jack e David voltaram a tocar e o blues rolou solto até a hora do almoço. Estavam apenas curtindo as férias no campo e por isso decidiram subir novamente a montanha para comer a sobremesa, na fonte, no meio da floresta. Subiram com garrafas de champagne, uma toalha para colocar no chão, uma vasilha com morangos e uma garrafa de suco de maçã para Clara.

- Você precisa ficar mais uns dias por aqui, David. – disse Jack ao amigo quando subiam a estradinha que ia para o topo da montanha. – Acho que a gente podia fazer mais uma dúzia de músicas fácil até o fim da semana.

- É, Velhão. Depende da patroa. Se a Cindy quiser ficar, eu fico.

- Acho melhor assim, porque aí a gente volta para o estúdio na próxima segunda, com mais músicas.

- Vamos saber agora, quer ver? – disse David. – Cindy, o Jack convidou a gente para ficar até o fim de semana. Podemos ficar?

- Bom, meu único compromisso agora é com a reforma da casa de vocês, que já está bem encaminhada, com a equipe trabalhando. Se tiver algum problema, o Sam, meu sócio, vai lá ver para mim... Tranquilo, David, podemos ficar!

- Que ótimo! – comemorou Clara. – Fico muito feliz que vocês estejam por aqui.

- Muito bom! Vamos poder trabalhar em mais músicas. – disse Jack. – Não sei o que acontece comigo, mas toda vez que estou na montanha, minha cabeça fervilha de ideias.

- Sua cabeça sempre fervilha, Velhão!

- Menininha, vem aqui comigo. O David não merece nossa hospitalidade. – disse Jack rindo e dando a mão para Clara. – Vamos andar na frente.

Logo estavam no bosque que protegia a fonte e sentaram-se sob as árvores. O sol chegava ali com intensidade, mas seu calor parecia não ser suficiente para aquecer aquela área que permanecia fresca, com seus perfumes e sons tão próprios.

A conversa aconteceu pela tarde adentro, Jack deitado no colo de Clara comia os morangos que ela delicadamente aproximava de sua boca. Estavam todos um pouco altos, com exceção de Clara que bebia apenas seu suco.

- Eu sempre me esqueço como este lugar é lindo, Jack. – disse David olhando para o bosque ao redor. – Foi aqui que aconteceu não foi?

- O que? – perguntou Cindy curiosa.

- Você não sabe? – disse David. – Foi aqui que o Jack viu a Clara pela primeira vez.

- O que? Isso nem eu sei. – disse Clara. – Me conta essa história.

- Foi na época que nós estávamos gravando na fazenda, lá embaixo. – disse Jack. – Eu sempre subia aqui no topo da montanha para ver o amanhecer e o por do sol e vinha muito neste bosque, queimar uma erva para me inspirar. Teve um dia, em que eu estava aqui, tinha acabado de fumar um e eu vi a Clara. Ela estava toda nua, mas os cabelos dela eram mais compridos e estavam enfeitados com flores. Ela se aproximou de mim, me beijou na testa e saiu dançando no ar. Eu achei que era uma ninfa da floresta que eu tinha visto por causa da erva, mas quando vi uma foto da Clara no livro, eu a reconheci imediatamente como minha ninfa e comecei a tentar descobrir tudo o que podia sobre ela.

- Você nunca me contou esta história. Em que ano foi isso?

- No ano em que fizemos o nosso terceiro disco, 1974. Você nem tinha nascido, não é?

- Nasci em 1978... Meu Deus! Será que era eu, David?

- Quem sabe? Este lugar tem muito significado na história anterior de vocês, não era aqui que vocês moravam?

- Era!

- Vocês sabem como foi o primeiro encontro?

- Não. – disse Clara. – Eu só sei que era uma sacerdotisa da Religião da Deusa e que deixei tudo pelo Jack.

- Quando eu lembro alguma coisa é sempre sobre a parte em que moramos juntos, numa casinha no topo da montanha. Eu sei que nós construímos a casa juntos, sei que passávamos muito frio e tudo era muito duro, mas nós eramos muito felizes aqui, sozinhos. - disse Jack abraçando Clara.

- Vocês querem ver como se conheceram? - perguntou David.

- Acho que sim. - disse Jack olhando para Clara que concordou.

- Hoje à noite, vamos tentar uma coisa.

- Ah! Não, David. Aquelas coisas de espíritos, na minha casa, não...

- Não, tem nada a ver com espíritos. A Clara deve conhecer isso, porque era bem popular no Brasil, chama-se Terapia de Vidas Passadas, um método de hipnose que faz você lembrar de tudo o que aconteceu em outras vidas. Fiz um curso lá em São Paulo, no Brasil.

- Sério? Eu conheço sim. Quando terminei com o traste do Roberto, comecei a fazer terapia, por pouco tempo porque acabei me envolvendo com o terapeuta e começamos a namorar. Bom, o que interessa é que ele me apresentou para uma série de coisas dessa área, Tarot, Terapias de Vidas Passadas, Yoga, Meditação. Foi um mergulho nesse mundo.

- Você sabe ler Tarot? - perguntou Cindy. - Eba! Você vai ler para mim!

- Preciso comprar outro baralho, o meu ficou no Brasil. - respondeu sorrindo. - Os terapeutas usavam a TVP como uma ferramenta para curar traumas, fobias... fiquei sabendo de muitos casos impressionantes.

- Isso mesmo, princesa. Tem algum espírito envolvido nisso? - disse David.

- Não... é só uma hipnose. A pessoa vai voltando, voltando até o ponto em que ela assiste aquilo que criou o problema, ou trauma e entende o processo e isso faz com que ela melhore.

- Mas como o terapeuta sabe até onde tem que voltar? - perguntou Cindy.

- Não é o terapeuta que sabe, mas o paciente. A informação está presa em algum lugar do inconsciente. Daí quando ele volta, o inconsciente libera isso para ele entender. - respondeu David.

- E como isso é feito? - perguntou Jack.

- Hoje à noite, eu faço a Clara voltar. Precisa só de um lugar onde ela possa ficar deitada, uma vela e muito silêncio.

- Vou querer fazer, Jack. Entender tudo o que aconteceu com a gente, nesta e nas outras vidas.

- Não, você não, amor. É melhor que seja eu. Você ainda está doentinha, tomando remédio...

- Mas isso não interfere, quer dizer, pelo que eu sei depende da capacidade da pessoa ser hipnotizada...

- Isso mesmo, a Clara tem razão. Mesmo com os remédios, se ela conseguir relaxar, dá para fazer a regressão. E tem outra, Jack; ela era uma sacerdotisa e desculpa dizer isso velhão, mas acho que mandava na relação; como agora. - riu David.

- Não fala assim, David. - disse Clara. - O Jack é um homem muito especial e já nasceu assim. É provável que este talento todo venha de outros tempos e eu sou só alguém que teve a sorte de estar perto dele naquele momento e agora.

Jack abraçou-a, quando disse isso e sussurou palavras de carinho em seu ouvido.

- Eu acho que os dois são fascinantes, David. - disse Cindy. - e se você conseguir descobrir como tudo isso começou será mesmo uma coisa incrível.

Então ficou tudo combinado, jantariam cedo, descansariam um pouco e David hipnotizaria primeiro Clara e depois Jack. E eles tinham certeza que assim conseguiriam descobrir toda a história daquele encontro anterior ainda tão presente em suas vidas.

No final da tarde subiram para o topo da montanha para assistir ao por-do-sol juntos. Um final romântico para um dia perfeito de descanso e amizade. Quando o sol finalmente se pôs, os quatro amigos levantaram-se e aplaudiram.

Depois acenderam as lanternas e desceram de volta para casa. Dois casais agarrados, tentando proteger-se do frio. Chegaram em casa, subiram para seus quartos, Jack e Clara foram tomar um banho na banheira e vestir roupas confortáveis. Os empregados já tinham ido embora e Clara preparou para eles sopa de cebola e filet grelhado com molho de maracujá que todos elogiaram muito.

- Princesa, você sabe muito bem o que faz quando entra numa cozinha, não é? - riu David.

- Sempre gostei muito de cozinhar, acho que é porque eu gosto de comer também.

- E também canta muito bem... - disse Jack, surpreendendo-a.

- Mesmo? Ah! Isso eu queria ouvir. - disse David sorrindo. - Canta um pouco para nós; vou lá para o piano.

David levantou-se e caminhou até o piano: - O que eu toco, princesa?

- Jack! Eu ainda te pego... Vocês não vão desistir, né... Vou cantar uma do meu repertório de karaokê então; "My Funny Valentine".

- Canta um pouquinho para eu ver o tom.

David começou a tocar e Clara cantou, de pé, perto do piano, enquanto Jack e Cindy assistiam da sala de estar.

- Muito boa mesmo, Velhão! Sabe como você falava às vezes de por uma backing vocal...

- Eu, backing vocal? Vocês não estão falando sério, não é?

- Seríssimo, princesa. Quer ver como você consegue? Jack, vem aqui... Pega um violão, eu pego outro, você sabe cantar "The Light"?

- Não sei direito a letra...

- Por isso não, espera um minuto, vou pegar minhas partituras lá em cima.

- Pelo jeito eles querem que você entre para a versão Crossroads da "Família Von Trapp", mas eles têm razão, preciso reconhecer que você canta direitinho, amiga. – disse Cindy.

- Até você? – respondeu rindo – Eles são malucos, mas achei que você fosse me apoiar.

- Apoio! Mas você canta bem e fiquei curiosa agora de ouvir.

- Pronto, amor... Está aqui, vamos cantar? – disse Jack. – David, já ligou tudo aí?

- Tudo pronto! – disse David. – Princesa, vem até aqui e pega este fone. Está me ouvindo? 1, 2, 1, 2, 3, 4...

E tocou a música... Clara e Jack assumiram os papéis de Rainha da Luz e de Príncipe Encantado e cantaram o clássico dueto; uma versão razoável que David logo fez questão de transformar em CD e guardou em seu bolso dizendo que ali estava a prova de que ela era capaz de cantar com a banda.

- Não sou cantora. Eu travo quando tenho que falar em público.

- Mas você tem talento. Deveria pensar melhor. Além disso, você estaria junto com a banda todo o tempo.

- Vou pensar no seu caso. Vocês sabem que seria uma honra para mim, mas não me acho digna de subir no palco com vocês, tenho espelho em casa e sei bem do que sou capaz.

- Não falei? – disse Jack.

- Espera. Agora ouve sua voz, princesa... – disse David, apertando a tecla play do gravador.

Jack puxou-a para sentar-se em seu colo. – Lindo, amor... sua voz é perfeita!

Ela colocou os braços ao redor dele e ficou apenas ouvindo. Ela tinha que admitir que aquela versão era bem melhor do que esperava.

- Viu, amor? Eu ia adorar estar com você cantando do meu lado. – disse Jack beijando-a. – Você nasceu para ser a minha Rainha da Luz!

Clara abraçou-o e os dois ficaram em silêncio, descansando em seu amor. Já tinha começado a sentir os efeitos do remédio que a deixava tremendo.

- Então, vamos voltar ao passado, princesa? – disse David, enquanto colocava violões de volta em seus pedestais e desligava os microfones e gravador.

Continua

Nenhum comentário: