1 de nov de 2011

Rockstar - Capitulo XXVII


Jack e Clara correram para a limusine e voltaram para o hotel, Clara também estava cansada naquela noite e assim que chegaram, Jack apenas tomou um banho e deitou-se ao lado de Clara que já estava dormindo.

Todas as coisas deles estavam arrumadas, tiveram o cuidado de mantê-las assim porque iriam viajar para Dublin no dia seguinte, às 10 da manhã.

Os dois acordaram com os alarmes dos celulares às 8 da manhã, tomaram banho juntos para economizar tempo e seguiram de limusine para a pista do aeroporto com Michael Peters, Charles Hutton e um segurança.

Clara estava começando a acostumar-se com aquele ritmo de vida, aeroporto, hotel, show e tudo novamente no dia seguinte e no outro. E tanto era assim que quando acordou naquela manhã demorou alguns minutos até reconhecer o quarto onde estava e lembrar-se que estavam em Liverpool.

O voo foi particularmente desagradável, nuvens de tempestade e alguns raios chacoalhavam o pequeno jato terrivelmente. Clara estava em pânico, agarrada a Jack, escondia o rosto em seu ombro e segurava forte sua mão.

- Calma, amor. Não se preocupe, já estamos chegando. – disse Jack.

- Por favor, não me faça mais entrar nestes aviões pequenos... – pediu Clara agarrada a Jack.

- Claro que não, amor. – Vamos voltar para Londres de voo comercial, não se preocupe, o Michael vai providenciar tudo não vai Michael?

- Ok, Jack! Mas você sabe que será mais complicado, amanhã é domingo e tem menos voos Mas tentarei conseguir lugares para vocês.

- Ótimo! Não quero que meu amor fique nunca mais assim apavorada – disse Jack beijando as mãos trêmulas de Clara.

Demorou apenas alguns minutos que pareceram horas para Clara, para o piloto pedir desculpas e avisar que havia contornado com sucesso as nuvens de tempestade. O pouso foi tranqüilo, mas já caia uma chuva forte no aeroporto de Dublin e o desembarque teve que ser feito em um dos hangares.

Clara ainda tremia muito e teve dificuldade para descer as escadas do avião e caminhar até o carro que os esperava. Jack abraçou-a e amparou-a em todo o trajeto, preocupado. Quando os dois entraram no carro, ela caiu no choro, enquanto Jack a abraçava ternamente e tentava acalmá-la cantando suavemente em seu ouvido.

Clara começou a acalmar-se e só então percebeu que estava no carro sozinha com Jack: - Onde está o Michael?

- Eles estão no outro carro. Ficaram para pegar as bagagens. – respondeu Jack. – E assim a gente tem um pouquinho de privacidade também. Está mais calminha?

- Me perdoa, Jack. Me sinto tão idiota quando não consigo me controlar e dou esse tipo de vexame...

- Ah, meu amor! Que vexame? Todo mundo dentro daquele avião estava apavorado, eu inclusive. Não foi vexame nenhum. – disse Jack com doçura, acariciando os cabelos de Clara e enxugando seus olhos.

- Obrigada, meu amor! Obrigada por me aturar... – respondeu Clara beijando-o no rosto.

Ele puxou Clara para ainda mais perto, ela agora estava no colo de Jack, e ele beijou-a seguidamente, muitas vezes. – Eu te amo! Não consigo mais ficar sem você.

Concentrada no carinho que Jack lhe entregava tão generosamente naquele carro, Clara não teve nem a oportunidade de olhar para Dublin que passava veloz pelas janelas.

O carro chegou ao hotel Four Seasons Dublin, com fama de ser um dos mais caros da cidade. Jack e Clara ocupariam a suíte presidencial, um apartamento de luxo completo, com sala de estar, sala de jantar, escritório e a suíte de casal propriamente dita, com uma grande banheira de mármore e um bom terraço.

A suíte ficava no décimo andar e seu maior luxo era o elevador exclusivo, que se abria diretamente em um saguão todo de mármore decorado por vasos de orquídeas e espelhos com molduras douradas.

Os dois entraram, deram uma olhada na suíte e sentaram-se na sala de estar, esperando que Michael e Charles trouxessem sua bagagem.

Clara já estava bem mais tranquila e agora o provocava dizendo que estava pronta para experimentar a banheira nova.

- Menininha, você não sabe do que sou capaz... te jogo naquela banheira agora...

- Mas e o Michael? – perguntou Clara fugindo dos braços de Jack que tentava agarrá-la.

- Ele que espere lá fora. – respondeu Jack rindo. – Eu não ligo!

- Maluco! Meu maluco que eu amo tanto! – disse Clara, no momento em que o celular de Jack começou a tocar.

- É o Michael, ele está me chamando lá embaixo.

- Não demora, vou ficar te esperando.

- Já volto, amor!

Clara foi até o quarto, tirou os sapatos e sentou-se na cama com o controle remoto da TV nas mãos.

Depois de uns quinze minutos, Clara começou a ouvir barulho vindo da sala de estar levantou-se de meias e caminhou até lá.

- Jack?

Clara não podia acreditar no que via, no meio da sala de estar, Jack segurava um enorme bouquet de rosas vermelhas. – Eu nunca te dei flores. Resolvi pedir ao Michael para comprar para você. É meu jeito de pedir desculpas por esse voo horrível que tivemos até aqui.

- Eu te amo, Jack. Não sei nem o que dizer, ai meu amor, meu amor... – disse Clara com os olhos cheios d’água. – Obrigada, meu amor!

- Vamos pedir um almoço para o serviço de quarto? O que você quer comer?

- O que você quiser, amor. Pede um vaso para eu colocar as flores.

Jack examinou um menu do serviço de quarto enquanto discava no telefone da suíte: - Serviço de quarto? Queremos rosbife, risoto de blue cheese, batatas assadas e uma garrafa de Chateau Lafite. Ah! E me traz um vaso grande para flores. Obrigado. Senhor Peters, suíte presidencial.

A exemplo das suítes que os dois haviam ocupado nos últimos dias, existia uma equipe completa de empregados para cuidar dos hóspedes da Suíte Presidencial e depois de mais alguns minutos a bagagem também foi entregue.

Jack ligou para Michael e avisou que só iria para o local do show no final da tarde, estava cansado e usaria a mesma setlist da noite anterior, portanto não haveria necessidade de uma passagem de som propriamente dita, apenas faria um rápido reconhecimento do palco, para não ter maiores problemas na hora do show.

A chuva continuava forte lá fora e logo após o almoço Clara e Jack entraram no quarto, tiraram a roupa e foram descansar vendo um filme na TV.

Como de hábito, para evitar que perdessem a hora, Clara deixou o celular programado para tocar às 4 da tarde, com tempo suficiente para os dois tomarem banho, vestirem-se e ficarem prontos para ir ao teatro, de onde voltariam só após o show.

Na cama, Clara apenas encaixou-se no ombro de Jack e os dois ficaram assistindo ao clássico da década de 60, “Romeu e Julieta” de Franco Zefirelli.

- Nunca imaginei que fosse capaz de amar tanto alguém, como eu te amo, Jack. – disse Clara beijando-o no peito.

- Você não sabe o que está fazendo comigo, menininha... – disse Jack, com lágrimas nos olhos, beijando sua cabeça.

Jack estava cansado e acabou pegando no sono, enquanto Clara continuava assistindo a mais romântica das adaptações feitas pelo cinema do texto de William Shakespeare. Ela deixou a emoção rolar solta e as lágrimas agora escorriam por seu rosto, até que o cansaço a venceu e ela também pegou no sono diante da TV.

Quando o alarme do celular tocou, Clara estava mais uma vez desorientada; - Jack, amor, vamos tomar um banho para ir para o show?

- Vamos, querida. É o último show, vamos para casa amanhã. – disse Jack. – Vem que eu ainda quero te mimar mais um pouco antes de sairmos.

Clara levantou-se, separou as roupas que ela e Jack usariam, pegou as nécessaires, enquanto Jack enchia a banheira para os dois tomarem banho juntos.

Entraram juntos na banheira e lentamente cuidaram um do outro, Clara já estava se acostumando àquela doce rotina, de passar uma boa parte de seu dia sob os cuidados de Jack e ele, sob os dela.

Os dois saíram da banheira, secaram os cabelos um do outro, vestiram-se e desceram com Michael e Charles para a garagem do hotel. Os quatro entraram no carro e foram para o teatro.

- Vamos fazer algumas entrevistas lá no teatro, são poucos repórteres e dá para fazer uma mini-coletiva em cima do palco e gravar uns minutinhos para a TV. Já avisei todo mundo que será rapidinho. – disse Charles.

- Sem problemas! – respondeu Jack sorrindo e colocando o braço ao redor do pescoço de Clara. – Estou em paz hoje.

A chuva já tinha parado e muita gente já esperava grudada na grade que protegia a porta de trás do Olympia Theater e quando o carro se aproximou, os seguranças da casa começaram a fazer uma barreira. Jack e Clara passaram pela barreira e entraram no teatro.

Jack puxou Clara pela mão até o camarim, que já estava pronto para recebê-los. Os dois sentaram-se no sofá e ficaram esperando por Michael e Charles.

- Vamos, Jack? A imprensa já está te esperando. – disse Charles. – Vamos para o palco? Clara você vem?

- Vou, mas fico na lateral do palco. Ou desço para a plateia, o que é melhor?

- Fica na lateral, se você descer eles não vão te dar sossego. – disse Jack. – A Clara não vai dar entrevista, ok?

- Tudo bem! Vamos? – disse Charles.

Os três seguiram pelo corredor escuro até o palco. Jack pediu um banquinho para Clara sentar-se na lateral e ficou ao seu lado esperando Charles anunciá-lo.

- Boa tarde! – disse Charles no microfone no centro do palco. – Jack Noble responderá algumas perguntas e depois vocês poderão gravar a passagem de som e já conversei com a segurança do teatro que para evitar dor de cabeça na hora da apresentação, as câmeras serão guardadas na chapelaria e liberadas no final do show. Ok?

- Senhoras e senhores, Jack Noble.

Jack entrou no palco sob muitos flashes e caminhou até o microfone: - Boa tarde.

Os repórteres sentados nas cadeiras do teatro levantavam a mão e faziam suas perguntas, claro que a maioria só queria saber sobre a volta da Crossroads e seu casamento, mas com boas doses de paciência e bom humor, Jack conseguiu conquistar todos.

A seguir, a banda subiu no palco e tocaram juntos a música “Love in Vain”; que recebeu muitos aplausos eufóricos daquela plateia de repórteres.

Quando os seguranças retiraram os repórteres da sala, Jack checou o funcionamento do teleprompter, o posicionamento do tapete e a presença de suas queridas caixas de retorno, porque Jack havia mandado a equipe devolver os tais fones de ouvido que estava testando na turnê com a promessa de nunca mais usaria “aquelas coisas”.

Com tudo no palco testado e arrumado de acordo, Jack pegou Clara pela mão e voltou ao camarim; os dois ficariam por lá agora até a hora do show. Michael esperava por eles lá dentro, com todo o esquema pronto para o retorno dos dois para Londres no dia seguinte em um vôo da British Airways no final da tarde.

- Então posso confirmar o vôo da British para vocês? – perguntou Michael preocupado.

- Pode! Não quero mais que minha Clara fique com medo. – respondeu Jack.

- Não precisa mudar nada por mim Jack. Vocês vão voltar no jatinho a que horas? – disse Clara pegando as mãos de Jack. – Eu vou ficar bem. Sei que não tem perigo, o que aconteceu hoje foi uma bobagem minha.

- No final da tarde também. – respondeu Michael, com uma expressão de espanto no olhar.

- Você tem certeza, amor? – perguntou Jack segurando suas mãos. – Não quero te ver sofrer nunca mais.

- Estou em paz agora, Jack. – ela respondeu acariciando o rosto de Jack. – Vamos de jatinho que é bem mais prático e não tem aquela chatice toda de filas e de segurança.

- Ok! Então não confirmo as reservas? – perguntou Michael.

- Não! Vamos no jatinho mesmo! – respondeu Jack. – Pode deixar tudo pronto para a gente Michael?

- Claro! Sem problemas, Jack! – disse Michael sorrindo. – Pode ficar tranquilo.

- Eu estou! – disse Jack abraçando Clara. – Agora está tudo certo e amanhã, a esta hora, já estaremos em casa. Bom, Michael, providencia tudo e depois me avisa, ok?

- Ok, Jack. – disse Michael saindo do camarim.

Jack levantou-se do sofá e passou a chave na porta. – Bom, agora teremos um pouco de paz! Você tem certeza que vamos de jatinho amanhã? Olha, menininha, não quero que você faça nada que não queira fazer.

Clara levantou-se e caminhou até ele. – Você quer mesmo saber o que eu quero agora?

- O que?

- Você! – respondeu Clara beijando-o e empurrando-o contra a porta, com seu corpo.

E os dois se entregaram ao desejo naquele pequeno camarim do teatro, que agora era só deles. – Sua doida! Você sabe que alguém pode vir até aqui a qualquer momento, não sabe?

- Mas eu te quero agora! Não consigo esperar nem mais um minuto.

Jack pegou Clara no colo e levou-a até o sofá, as roupas foram ficando pelo chão, enquanto os dois se entregavam a sua paixão e o desejo explodia ainda mais forte do que na primeira vez, na limusine que voltava ao hotel em que estavam hospedados em Nova York. Clara sentia-se explodindo de prazer a cada toque e carícia; não precisava mais sonhar para sentir que se fundia ao universo, ela e Jack, eram pequenas gotas que se descobriam parte de um oceano de amor.

Nada era mais importante, ou bonito do que isso. Nada mais doce do que olhar para aquele par de profundos olhos azuis atentos a cada um de seus movimentos. Aquele amor mudava tudo em sua vida, velhas crenças e conceitos davam lugar a descobertas de novos horizontes infinitos.

Por sorte, ninguém perturbou aquele idílio dentro do camarim do velho teatro. Mas as horas passavam rápidas e depois de tanto prazer, os dois estavam famintos. Por exigências contratuais o backstage teria que sempre oferecer uma área para receber convidados após o show com um bom serviço de catering.

Assim, Jack e Clara seguiram até a sala de ensaios, pegaram sanduíches e voltaram para o camarim particular de Jack, felizes e relaxados.

Clara não conseguia parar de sorrir e Jack estava tão concentrado nela que a deixou com uma certa sensação de culpa por tirá-lo daquilo que precisava fazer a poucas horas do show.

Na hora de subir ao palco, Michael bateu na porta e ele e Clara o seguiram pelo longo corredor do teatro. Mais uma vez, Clara assistiria ao show ao lado dele, na lateral do palco, enquanto Charles acompanhava atentamente os jornalistas que estavam no teatro desde cedo.

Agora o cenário era bem diferente, o teatro estava lotado e com ingressos esgotados há meses, Jack estava inspirado e adicionava pequenas frases no meio dos blues mais românticos, que Clara tinha acabado de ouvir sussurradas em seu ouvido no camarim. Mais uma provocação daquele homem muito sexy com quem tinha acabado de transar.

Ela queria muito poder ir até ele e beijá-lo naquele instante. Sem perder a concentração no show, Jack algumas vezes se virava para ela, piscava, mandava beijos e sussurrava declarações de amor.

Michael, que estava ao seu lado apenas balançava negativamente a cabeça de tempos em tempos.

Na hora de cantar “Unexpectedly”, enquanto esperava que seu roadie entregasse em suas mãos a guitarra acústica, Jack começou novamente a falar: - Quero dedicar esta música à mulher que a inspirou. Estava com ela ainda agora lá nos bastidores e ela não tem a mínima ideia, mas me fez tão feliz hoje que eu queria dar o mundo todo para ela. Clara! Eu te amo!

Clara mais uma vez começou a chorar e Michael veio em seu socorro, providenciando lenços de papel e um copo de água.

Logo o show chegou a sua última parte, Jack agradeceu cada um dos músicos e prometeu tocar novamente com eles no próximo Mardi Gras em New Orleans e falou que agora estava pronto para retomar algo que foi muito importante em sua vida, porque tudo tinha mudado.

Jack saiu do palco e teve que voltar duas vezes porque a multidão o chamava de volta, primeiro tocou "Crossroads" e depois repetiu "Love in Vain". Clara pegou a toalha das mãos do roadie e ficou esperando por Jack. Nos últimos acordes, ele veio em sua direção, suado, cansado, mas com seu sorriso mais lindo nos lábios.

Ela o envolveu carinhosamente com a toalha e os dois seguiram pelo corredor até a porta de saída do teatro onde Michael já esperava por eles com uma barreira de seguranças para permitir que caminhassem até o carro.

- Tudo bem, Jack? - perguntou Clara assim que o carro começou a andar.

- Ótimo! Gostou do show? - perguntou Jack, puxando Clara para mais perto.

- Foi inesquecível, Jack. - ela respondeu beijando-o no rosto. - Obrigada por me proporcionar esse presente.

Jack a abraçou e beijou ternamente. O carro já se aproximava do hotel e alguns fãs estavam na porta, bloqueando a passagem. O motorista então pediu autorização por telefone e deu a volta, entrando por uma área de entrega, atrás do prédio.

Os dois passaram com seu segurança e mais dois do hotel pela cozinha, foram escoltados até o elevador e subiram tranquilos para sua suite.

Jack e Clara atravessaram a suite e foram direto para o banheiro, tomaram um banho rápido de chuveiro, cuidaram um do outro com hidratantes e foram para a cama. Estavam cansados mas tão felizes que não queriam mais nada, a não ser terminar aquele dia glorioso nos braços um do outro.

Acordaram tarde no dia seguinte, pediram um café da manhã ao serviço de quarto, deixaram a bagagem o mais arrumada possível e saíram para andar um pouco acompanhados de um segurança, em um parque próximo do hotel.

O dia estava bastante ensolarado e Clara levou com ela sua câmera que usou para fazer fotos de Jack brincando entre as flores e sentado à sombra de uma árvore centenária. E aproveitando que tudo estava realmente tranquilo, pediram ao segurança para tirar algumas fotos dos dois juntos e o mandaram de volta ao hotel, para ter um pouco mais de privacidade.

- Hoje não tem jogo do seu time? - perguntou Clara.

- Está acontecendo agora, mas prefiro ficar aqui com você. Gosto de futebol, mas gosto muito mais de você. - respondeu Jack sorrindo.

Clara sorriu e beijou-o no rosto. E Jack prendeu-a entre seus braços. Juntos, na paz da natureza daquele parque, Jack e Clara nem perceberam que estavam sendo filmados por um repórter escondido atrás de arbustos, de uma longa distância. O casamento dos dois despertava a curiosidade das pessoas e, por tabela, a fúria daquele tipo de imprensa sem escrúpulos que não se importava em invadir até o mais sublime dos momentos do casal.

Jack viu ao longe um sorveteiro e os dois caminharam até ele. Pediu sorvete de creme e Clara, de chocolate e os dois apreciavam seus sorvetes, mas começaram a ter medo de serem reconhecidos, agora que o movimento do parque crescia, eles acabaram achando melhor voltar ao hotel.

Clara percebeu ao longe uma câmera acompanhando-os, mas deu graças a Deus que Jack não o viu; tinha medo dele ficar irritado e partir para cima do cinegrafista, causando confusão. Clara ficou tensa, alguns desses fotógrafos e cinegrafistas na verdade buscavam esse tipo de confusão, fazendo-se notar ou provocando diretamente com perguntas desrespeitosas.

Para tentar evitar isso, ela puxou Jack para mais perto e sussurrou em seu ouvido: - Jack, por favor não fica nervoso, mas tem um paparazzo ali nos arbustos. Acho que quando passarmos ele vai querer te provocar. Finge que não viu, por favor.

- Ah! Já tinha visto... Não se preocupa, esses caras não me tiram mais do sério; estou velho demais para deixar um idiota desses ter o que ele quer.

Clara ficou feliz em ouvir aquilo. Passariam ilesos por qualquer provocação e o domingo deles continuaria perfeito. Bem que o paparazzo tentou, chamando Jack e até xingando-o quando não recebeu qualquer atenção; mas os dois continuaram andando de mãos dadas como se não houvesse ninguém em seu caminho.

Subiram de volta no quarto do hotel, terminaram de arrumar a bagagem, pediram um almoço leve e logo estavam prontos para ir ao aeroporto. Finalmente voltavam para casa.

Michael ligou confirmando que o carro os levaria ao aeroporto às 4 e o vôo sairia às 5. Tudo combinado e certo.

Desceram com a bagagem meia hora antes para fechar a conta do hotel e quando Clara estava sentada em um dos sofás da recepção seu celular começou a tocar.

- Oi Cindy, tudo bem?

- Oi Clara, o Jack está perto de você?

- Não. Você quer falar com ele?

- Não. É que a filha dele, que mora nos Estados Unidos, acabou de chegar em Londres para o casamento e nem eu, nem o David sabemos o que fazer.

- Como assim?

- Eles brigaram feio há uns cinco anos e ela disse que nunca mais falaria com ele. Mas quando ela soube do casamento, achou melhor vir até aqui porque não queria que o pai dela se casasse com uma exploradora que iria arrancar todo dinheiro dele.

- Meu Deus! Essa garota é maluca?

- Um pouco... Por isso eu e o David estamos tão preocupados. O que você acha de um jantar para receber ela e o marido aqui em casa, hoje?

- Ótimo! Vou conversar com o Jack sobre isso. Vamos ver como ele reage, mas acho que tudo vai dar certo.

- Ele está aí perto?

- Sim, claro, Cindy. Vamos jantar na sua casa sim. Beijos, depois te ligo e a gente conversa melhor.

- O que a Cindy quer, amor?

- No caminho, eu te conto.

Clara agora estava mais preocupada, não sabia o que tinha causado o distanciamento entre Jack e a filha, mas precisava resolver todo o problema no caminho de volta a Londres.

O embarque foi rápido, Clara teve medo de entrar novamente naquele jatinho, mas não deixou Jack perceber. Depois da decolagem, ela tomou coragem e disse diretamente a Jack o que estava acontecendo.

- Sério que ela disse isso? Que veio até aqui para defender seus direitos de herdeira?

- Foi o que ela disse para a Cindy. Olha, Jack, acho que vocês precisam conversar. Se for preciso, me afasto para que vocês se entendam.

- Não! De jeito nenhum! Você é minha mulher, não vou aceitar esse tipo de coisa dela. Está ficando igualzinha a mãe na época do divórcio, queria só me ferir.

- E o que vamos fazer?

- Vou apostar em você. Sei que quando ela te conhecer, mudará de ideia, mas se não mudar, pior para ela, porque aí sim irei deserdá-la.

- Jack, eu não quero me intrometer e estou sempre do seu lado, não importa o que você decidir. Mas acho importante que você volte a conversar com ela. É sua filha!

- Vou tentar. Por você, ok?

Clara agora estava muito tensa. O vôo até Londres foi sem incidentes, mas ela sabia que Jack não estava nada contente com aquela novidade e estava agora calado e com muita pressa de resolver tudo com Kate, sua filha.

E ela agora sentia-se muito mal, cheia de culpa por estar criando mais um problema para ele.

Continua

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