27 de nov de 2011

Rockstar - Capítulo XLVIII


David surpreendeu-os indo pegá-los no aeroporto para levá-los até Heathcliff Hall. E depois das nove horas de voo, um jantar caprichado os aguardava em casa e a primeira audição do material do novo disco já mixado e eles puderam ouvir pela primeira vez a nova versão para "The Light".

- Vai ser um sucesso, meu amigo. – disse David. – Quem pode resistir a essa voz, Princesa? Se ainda não te agradeci, deixa agradecer, porque o mundo vai se apaixonar pela Crossroads de novo, graças a você.

- Eu que agradeço a vocês por serem tão doces comigo. – disse Clara com os olhos marejados. – Estou me sentindo no meio de um sonho. Nunca imaginei que pudesse cantar.

- Você tem talento, amor. – disse Jack. – sua voz parece de uma fada e com um pouco mais de treino, você poderá fazer o que quiser com ela. Acho que encontrei uma estrela.

- Está muito bom mesmo, Clara. – disse Cindy. – Parabéns!

- Obrigada meus queridos! – disse Clara. – Espero não decepcioná-los.

A conversa continuou madrugada adentro e só quando já estava prestes a amanhecer, Jack e Clara foram para o quarto de hóspedes que sempre ocupavam em Heathcliff Hall para dormir. Estavam felizes, mas muito cansados. Tiraram as roupas, tomaram um banho rápido de chuveiro e pegaram no sono.

Com a aproximação do outono, os dias começavam a ficar cada vez mais gelados na Inglaterra e Clara começava a se preocupar mais e mais, se conseguiria enfrentar o inverno, quando já estava tendo dificuldades no final do verão.

No dia seguinte, enquanto todos tomavam café da manhã, Cindy convidou Clara e Jennifer para irem até Londres com ela, fazer compras e visitar as obras da casa, que deveria ficar pronta na próxima semana.

Jack passaria o dia no estúdio, ensaiando para a turnê e ajudando na mixagem das músicas do disco, enquanto isso.

- E aí? Como foi em Chicago? – perguntou Cindy.

- Foi muito bom. – disse Clara. – O Jack conseguiu convencer a Kate a vir morar aqui, no apartamento de Kensington.

- Nossa! – disse Cindy. – Tinha até me esquecido daquele lugar. É um belo apartamento, Clara. Espaçoso, bem localizado. Mas o Jack quase mandou colocar fogo nele depois que brigou com a tal da cantora americana. Como não podia por fogo, ele mandou fazer uma reforma enorme e passou a morar entre o hotel e a casa da montanha.

- O que essa mulher fez para ele afinal? – perguntou Jennifer.

- Ela enlouquecia ele com ciúmes. – disse Cindy. – Eles brigavam dia e noite, foi mesmo um horror.

- Pobrezinho do meu Jack. – sorriu Clara. – Ainda bem que eu apareci na vida dele...

- Ainda bem mesmo! – sorriu Jennifer. – Eu lembro de uma festa, acho que foi uma premiação, viemos de Los Angeles só para isso e os dois passaram a noite toda discutindo... Era impossível de ficar perto.

- O Jack quer ter um filho comigo. – sorriu Clara. – O que vocês acham?

- Nossa! – disse Cindy. – Isso sim é que é mudança! Ele fez vasectomia, você sabe, não?

- Sim. – respondeu Clara. – Ele disse que vai ao médico dele em Londres, para reverter a cirurgia.

- Pois é... – disse Cindy. – A louca da americana era obcecada por ele e queria porque queria ter um filho. Quando eles começaram a brigar ele fez a cirurgia e não contou nada para ela e ela ficava me dizendo que queria um filho dele. Quando ela descobriu sobre a vasectomia, o mundo acabou!

- Eu quero um filho sim, mas não agora. – disse Clara. – Temos muita coisa para fazer ainda...

- É... – disse Jennifer. – O Mick Jagger ficou muito preocupado com vocês. Me ligou várias vezes para saber se estava tudo bem.

- Ele é uma boa pessoa. – disse Clara. – Acho que quando as coisas acalmarem e ele perceber que não vamos mesmo ficar juntos, eu terei nele um bom amigo.

- Difícil dizer, querida. – disse Cindy. – Ele não é o tipo de homem que desiste fácil. Acho que está só esperando o momento certo para dar o bote.

- Espero que não. – disse Clara. – Estou começando a considerá-lo um amigo. Não gostaria de ter que me afastar dele.

- Dá para dizer que ele mudou de estratégia. - disse Jennifer. - desde que saímos com ele, em Paris, ele está tentando mostrar-se o amigo desinteressado, que já entendeu que nunca conseguirá o que queria e por isso, já trocou suas pretensões pela chance de estar por perto e ajudar. Não sei, não... mas acho que funcionou com você, Clara...

- Ah, Jennifer... - riu Clara. - Eu posso até parecer ingênua, mas não sou. Estou alerta, na primeira atitude estranha, me afasto... Por enquanto, ele está sendo bom comigo e com o Jack...

O trânsito estava pesado até Londres naquela manhã e as três amigas tiveram a chance de usar o caminho inteiro para colocarem a conversa em dia.

- Ah! Falando em Paris, o Jean Paul já me ligou umas três vezes e como imaginamos, ele está muito curioso sobre a história do vestido azul. - disse Jennifer. - E eu disse para ele que também fiquei surpresa com a reação de vocês e que não tenho a menor ideia do porquê. Também disse que vocês, às vezes, eram muito misteriosos.

- Obrigada, Jenni! - disse Clara. - Perfeito! Nós contamos a história toda para Kate, Mark e Mary, mas sabemos que os três não sairão por aí espalhando.

- Isso tem poder até para apagar a volta da Crossroads. - disse Cindy. - Vocês nunca mais teriam sossego.

- Eu tenho muito medo do Jack falar alguma coisa em uma entrevista. - disse Clara. - Ele é imprevisível, muito emocional, e pode colocar tudo a perder de um minuto para outro.

- Vocês não vão colocar nada sobre isso no livro, vão? - disse Cindy.

- Não. - respondeu Clara. - Não entramos em detalhes muito íntimos no livro. Não acho que seja relevante para o leitor conhecer a intimidade do Jack em detalhes. Quando escrevo, procuro protegê-lo.

- Melhor assim. - disse Cindy. - Eba! Abriu um pouco o trânsito, estamos chegando!

Logo o jipe que Cindy dirigia passava pelo portão da casa em reforma de Jack e Clara. As três desceram e Clara conferiu feliz cada detalhe da obra que já estava bem adiantada, na fase de acabamento. O paisagista já trabalhava nos jardins e começava a instalação de uma pequena estufa, nos mesmos moldes daquela instalada no jardim do apartamento de Cindy em Paris, para que Clara pudesse agora começar sua coleção de orquídeas.

A casa estava quase pronta, alguns ambientes ainda estavam sendo pintados e logo seriam liberados para receberem o trabalho do decorador. O closet, dentro da suite master havia sido completamente renovado por um carpinteiro e já estava pronto.

- Nem acredito, Cindy. - disse Clara. - tudo está tão lindo! Nossa! Estou muito feliz, amiga! Quando vamos começar a decorar?

- Até o final da semana. Já estou com o projeto desenhado. Quer ver? - disse Cindy, puxando seu iPad de uma pasta de couro.

- Claro que quero! Não acredito! - disse Clara.

As três se juntaram ao redor da bancada da cozinha e olharam um por um cada um dos projetos de decoração dos ambientes da casa.

- Que lindo! E o estúdio? - perguntou Clara.

- O David me indicou um técnico do Abbey Road que fará o projeto. - disse Cindy. - Ele deve vir aqui na próxima semana para dar uma olhada.

- Ótimo! Quero uma coisa bem feita para que o Jack possa trabalhar em casa tranquilo. Aliás, adoro a ideia de que teremos enfim a nossa casa aqui em Londres. Ando tão cansada dessa vida de fazer e desfazer malas, que vocês nem imaginam.

- É, querida. - disse Jennifer. - Mas vocês vão ainda fazer a turnê. O Michael já marcou uma porção de shows.

- Eu sei. - respondeu Clara. - Mesmo assim é diferente saber que quando voltar para Londres, nossa casa estará esperando. Não diga nada para o Jack, mas estou cansada da ginástica de ter que pensar em como embalar cada coisa para dar tudo certo quando chegarmos ao próximo hotel. Só de saber que terei um endereço para ao menos, mandar as malas excedentes já ajuda muito. Além disso, quando estivermos aqui, tudo será lindo e terei meu jardim, minhas plantinhas, minha sala de
ginástica, meu cantinho para meditar, um lugar onde possa sentar e escrever e uma cozinha quando quiser cozinhar.

- Eu sei, Clara. - disse Cindy. - Quanto aos projetos de decoração, são sugestões. É aqui que vai entrar seu toque pessoal, quando formos comprar os móveis, quero que você venha comigo e sempre vai aparecer algum móvel ou objeto que você vai gostar na loja e que não está necessariamente no projeto e eu prefiro assim, que meus clientes ajudem a escolher as coisas que farão parte do dia-a-dia deles.

- Vocês serão muito felizes aqui, amiga! - disse Jennifer. - É muito bom que a Cindy conhece vocês tão bem, assim no projeto, as coisas já estão a cara de vocês.

- Sabe que foi uma coisa que gostei muito na casa da montanha, na primeira vez em que estive lá. - disse Clara. - Tudo é a cara do Jack, mais uma razão para eu amar aquele lugar e me sentir em casa quando estou nele.

- Se você for ver, apliquei algumas coisas de lá no projeto desta casa... - disse Cindy. - O quarto de vocês, por exemplo, é muito parecido. Aquele anexo do estúdio, que também será um território do Jack, imagino, também...

- Reparei. - sorriu Clara. - Quero que ele se enxergue nesta casa tanto quanto eu. Ele me disse que não se importava, mas quero que ele veja este lugar como o nosso refúgio, enquanto não estamos lá na montanha, nem na estrada. Eu quero ver o Jack feliz...

- É muito bonito o modo como você o coloca sempre em primeiro lugar em sua vida. - disse Jennifer.

- É só uma expressão da verdade. - disse Clara. - Não consigo nem respirar sem ele...

- Nós sabemos! - sorriu Cindy. - Falando nisso, você gostou da restauração que fizemos no banheiro da suíte master?

- Muito! Aquele piso de mármore está fantástico. - suspirou Clara. - Seremos muito felizes naquela banheira...

As três riram muito do suspiro apaixonado de Clara e depois de dar todas as ordens necessárias à equipe que realizava a reforma da casa, estavam livres para seguirem para as compras.

- Já está esfriando, querida. - disse Jennifer. - É melhor você comprar algumas peças por aqui também. Comprou tão pouquinho em Paris...

- Quero mais alguns pares de botas e uns bons casacos. - disse Clara. - Vocês sabem onde posso encontrar?

- King's Road, querida... - disse Jennifer. - E imediações... e já que estamos por lá, podemos almoçar no francês...

- Ótimo! Sabe que estou mesmo preocupada. Vocês me ajudam porque já percebi que não tenho nenhuma resistência ao frio que faz por aqui. Em Chicago, quase congelei com aquele vento gelado e estava usando um casaco de couro.

- Mas é uma questão de costume. - disse Cindy. - Com o tempo você não vai mais sentir tanto...

- Espero que sim! - sorriu Clara, olhando para um belo par de botas de cano alto e salto altíssimo que Jennifer apontava na vitrine.

As três compraram algumas peças para a nova estação que se aproximava, levaram as sacolas até o carro e foram a pé até o Chez Montagne, seu restaurante favorito de Londres. Estranharam um pouco a movimentação de fotógrafos na porta, naquele horário, no meio da semana e como sempre acontecia, foram mais uma vez fotografadas. Com Clara na lista das mais elegantes da revista Vogue, o assédio dos fotógrafos estava maior do que nunca.

Entraram no restaurante e seguiram o maitre que as guiou até sua mesa favorita, mas enquanto ainda se acomodavam nas cadeiras, perceberam com surpresa que em uma outra mesa vizinha, Mick Jagger e Gianna Carli, que por coincidência também tinham acabado de chegar ao restaurante, agora chamavam as três para sua mesa.

- Clara, olha só quem está aqui... - disse Jennifer. - vamos nos juntar a nossos amigos?

- Vamos... - disse Clara. - Acho que não temos muita escolha. Pelo menos ele não está sozinho hoje...

- Olá. - disse Jagger aproximando-se da mesa. - Que bom encontrá-las aqui! Vamos almoçar juntos? Pedi ao maitre para levá-las à minha mesa, queridas... Vamos?

- Cara senhora Noble, já de volta à cidade... Como foram de viagem?

- Muito bem, Mick. - sorriu Clara. - E você, como tem passado?

- Estou preparando um novo disco solo e tenho uma nova canção que gostaria de mostrar a você, mais tarde. Você está no Four Seasons?

- Não, depois que voltamos de Chicago, estamos em Heathcliff Hall. O Jack está ensaiando para a turnê e o David está mixando o novo disco.

- Que pena... tinha pensado em mostrar-lhe uma música que fiz e que achei a sua cara. Mas acho que não faltarão oportunidades, eu suponho, vocês estão com todas as "bolas no ar", agora.

- Um pouco... Mas acredito que logo tudo se acalma. - sorriu Clara. - Logo eu e Jack vamos viajar para o Brasil.

- Vocês vão para o Brasil? – riu Mick. – Mas a turnê não começa em novembro?

- Sim, vamos lá descansar um pouco antes que ela comece. – disse Clara. – Será uma lua-de-mel, porque a nossa foi interrompida pelas gravações em Abbey Road.

- Hum, inteligente... – disse Mick. – Gianna querida, elas aceitaram nos acompanhar...

- Olá Gianna, como está? – disse Clara em italiano.

- Olá queridas! – disse Gianna. – Olá Clara... então como está a filha do Jack?

- Está tudo bem, agora! – disse Clara. – O bebê é prematuro, mas deve também ter alta nos próximos dias. Ele é tão lindo... parece uma versão miniatura do Jack... Aliás esse é o nome dele Jack James Noble Benning... mas já o estamos chamando de pequeno Jack. Tem uma foto dele aqui no meu celular, olha só que lindo...

- Ai que fofo! Que bom que está tudo bem... – sorriu Gianna enquanto via as fotos do pequeno Jack no celular de Clara. – Tão pequenino... fiquei aflita quando vocês saíram correndo para ir para a América.

- Nós também estávamos... – disse Clara. – O Jack só voltou ao seu normal depois que conversou com a Kate no hospital. E como o bebê ainda não teve alta, vamos passar por Chicago novamente na ida para o Brasil.

Passaram algumas horas conversando no ambiente sofisticado do restaurante mais badalado da cidade. Mas as três amigas despediram-se de Jagger e da namorada para voltarem a percorrer as lojas das vizinhanças a procura de roupas para a nova estação que se aproximava.

- Você adora esse cara, não? – disse Cindy repentinamente para Clara.

- Que cara? – perguntou Clara.

- O Jagger... – sorriu Cindy. – Seu olhos brilham tanto quando vocês conversam, que se eu fosse a Gianna, ficaria com ciúmes...

- Imagina... – riu Clara. – Eu o admiro muito. É um ídolo meu desde sempre e um homem inteligente, com quem gosto de conversar... só isso.

- Só vou te dizer uma coisa... – respondeu Cindy. – Você está em um caminho bem perigoso. O Jack é muito ciumento e o Jagger é muito esperto... essa nova postura dele de amigo que aparece aqui e ali é pura estratégia. Você não acha, Jenni?

- Acho sim, Clara. – riu Jennifer. – Você é muito ingênua, mas verá que quando chegarmos mais tarde em Heathcliff Hall, ele já terá te mandado flores, só para deixar o Jack cismado... Nunca o vi deixar escapar nada que ele quisesse.

- E o que vocês acham que eu devo fazer? - sorriu Clara.

- Liga para o Jack e conta tudo o que aconteceu antes que as flores cheguem lá... – disse Jennifer. – diga que fomos ao Chez Montagne para almoçar e ele estava lá com a Gianna. Almoçamos juntos e agora continuaremos nossas compras.

- Ok! – disse Clara pegando o celular e ligando para Jack. – Oi amor, você pode falar?

- Sim, querida. – Paramos um pouquinho para almoçar.

- Nós também... – sorriu Clara. – Fomos ao Chez Montagne e encontramos o Mick Jagger lá.

- Eu sei! – disse Jack. – Estou neste momento segurando um bouquet de rosas cor de lavanda que ele enviou para cá agradecendo pelas horas agradáveis que teve ao seu lado...

- Sério, Jack?

- Eu nunca brinco sobre flores enviadas por canalhas para a minha esposa... – disse Jack irritado.

- Querido... – disse Clara preocupada. – Não faça o jogo dele. Ele só queria te irritar e, pelo jeito, conseguiu.

- Bom... – Jack suspirou. – Vou voltar para o estúdio agora. Você pega suas flores quando chegar em casa...

- Meu Deus! Ele desligou! – disse Clara tremendo. – O Jack está muito bravo... Eu não tenho culpa...

- Não se preocupe, querida. – disse Cindy. – Quando voltarmos para casa, tudo estará esquecido. Ele só está nervoso por ter caído na armadilha do cara...

- É! – disse Jennifer. – Não fale mais nada sobre isso. Quando chegarmos eles ainda estarão naquele bendito estúdio. Dá um trato nele nesta noite e fica tudo resolvido... Vem... vamos comprar umas lingeries novas...

- Não posso! – disse Clara indignada. – Isso é muito injusto! Ele acha que eu combinei com o Mick esse encontro? Não posso aceitar isso... O Jack está reclamando sem razão agora, mas se ele continuar com estas bobagens darei a ele uma razão para reclamar e ser rude comigo. E ele não vai gostar...

Continua

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