24 de nov de 2011

Rockstar - Capítulo XLVI


O carro desceu na garagem e os dois seguiram para o elevador. Jack abriu a porta do apartamento, colocou a chave dentro de um vaso como tinha combinado com Michael e disse para Clara que iria até a cozinha preparar um chá para ela.

- Ok! - ela respondeu. - Vou direto para o quarto soltar esse cabelo, para ver se melhora...

Jack então foi até a cozinha fazer um chá e estranhou não encontrar nenhum dos empregados de Michael no apartamento. Imaginou que estivessem de folga. Depois, já com uma xícara nas mãos, subiu para o quarto de hóspedes e quando abriu a porta, teve uma tremenda surpresa... O quarto estava Iluminado pela luz dourada de muitas velas acesas e com muitas pétalas de rosas vermelhas cobrindo a cama, onde um balde de gelo, duas taças de champagne e um recipiente de cristal repleto de morangos vermelhos chamavam atenção.

- Feliz aniversário de um mês, meu amor! - disse Clara sorrindo, com os cabelos soltos, usando apenas o conjunto de lingerie que havia comprado e a gargantilha de veludo com a frase "Sua" escrita por letras feitas de cristal Swarowski.

- Meu Deus! Você me enganou direitinho, meu amor! - respondeu Jack. - Perdi completamente a noção do tempo...

- Vem aqui... - disse Clara trazendo-o para dentro do quarto e trocando a xícara de chá que ele tinha nas mãos por uma taça de champagne. - Vamos comemorar nosso aniversário...

Jack agarrou-a e ela ajudou-o a despir-se.

- Você está linda... - disse Jack. - Não esperava ganhar este presente da vida.

- Quem ganhou um presente fui eu, Jack. - disse Clara acariciando o corpo de Jack e beijando-o.

Os dois passaram horas maravilhosas nos braços um do outro e adormeceram exaustos, quando o dia já amanhecia. Sonharam novamente com a sua floresta e acordaram juntos, ao mesmo tempo, sorrindo.

- Feliz aniversário! - disse Jack acariciando o rosto de Clara, enquanto levantava-se da cama para ir ao banheiro.

- Feliz aniversário, amor! - sorriu Clara. - sou eu, ou está mais frio hoje?

- Está frio, sim. - disse Jack apontando para a clarabóia. - Olha lá fora, está chovendo...

Clara levantou-se, vestiu seu roupão de seda e caminhou até o banheiro. Lavou o rosto, passou um creme hidratante e vendo Jack voltar para a cama, perguntou se algo estava errado.

- Não querida! Estou com frio, vou esperá-la na cama... - disse Jack. - Vem aqui comigo, vem...

- Hum... - suspirou Clara, tirando o roupão e deitando-se novamente ao lado dele. - Quem consegue resistir a você, meu amor?

- Antes da gente voltar a cuidar do nosso aniversário, o que você falou com o Jagger ontem? - perguntou Jack com uma expressão de seriedade que Clara nunca tinha visto em seu rosto, quando se tratava daquele assunto.

- Ah! Disse que apreciava o esforço dele, mas que não podia aceitar um presente tão valioso. E disse que mandaria o Michael entregar-lhe um cheque meu, no valor da jóia na segunda-feira.

- Ótimo, amor! - disse Jack. - Perfeito! Assim aquele palhaço para de te perseguir um pouco.

- Ele entendeu o recado, querido. - disse Clara sorrindo. - Agora, quero falar sobre outra coisa... Há um mês, a esta hora, acho que estava naquele salão de beleza, me preparando para ir ao seu encontro, em Heathcliff Hall, tremendo, nervosa, enquanto todas aquelas pessoas me maquiavam, arrumavam meu cabelo e eu só pensava em estar com você...

- E eu queria te ver, de noiva... - sorriu Jack, acariciando o corpo de Clara. - E quando você finalmente apareceu na minha frente, meu coração deu um salto... tão linda!

- Quando te vi, lá perto do David... - disse Clara, acariciando Jack. - Achei que fosse morrer de tanta emoção...

Os dois se beijaram e logo estavam novamente comemorando o aniversário de seu casamento, celebrando o amor que sentiam e compartilhando um êxtase que para eles parecia infinito.

Levantaram-se da cama com fome, tomaram banho, vestiram-se e desceram para o café da manhã, sendo surpreendidos pelos aplausos dos amigos quando chegaram à sala de jantar, onde comiam.

- Parabéns, Velhão! - disse David.

- Parabéns Jack! - disse Michael rindo. - Ainda não sei como pode uma moça tão linda e tão talentosa gostar de alguém como você, mas tá valendo, não?

- Obrigado! - respondeu Jack. - Estou feliz demais para aceitar suas provocações...

- Isso mesmo, querido! Não liga para eles - disse Clara rindo. - Obrigada, pessoal! Estou muito feliz por estar aqui com todos vocês.

- Vocês planejaram alguma coisa para hoje? - perguntou Jennifer.

- Ainda não Jenni. - respondeu Clara. - Está chovendo, não?

- Podemos ir a algum restaurante comemorar. - disse Jack. - Vocês conhecem algum interessante? O nosso favorito é ao ar livre e não dá para ir hoje.

- O Mick Jagger queria ir conosco à Montmartre hoje, mas está chovendo e o Mike já ligou para ele, chamando-o para almoçar aqui, conosco. - disse Jennifer de olho nas caretas que Jack fez ao ouvir aquela frase.

Clara deu um sorriso sem graça e pegou a mão de Jack.

- Tudo bem! - disse Jack. - Sou um homem civilizado, não? A namorada dele também vem, certo?

- Não sabemos... - disse Cindy. - Nós a convidamos, mas foi antes dele sair do restaurante ontem sozinho e deixá-la por lá...

- Bem, não vamos estragar nossa festa! - disse Jennifer. - Liguei para um chefe de cozinha espanhol que já fez algumas festas para nós e ele vem aqui preparar uma autêntica paella valenciana.

- Perfeito, então! Estaremos comemorando em grande estilo! - disse Clara. - Obrigada de novo, meus queridos amigos, por terem transformado minha vida em um sonho, nestes últimos meses.

Depois daquele início um pouco nervoso, os comentários da mesa passaram a ser sobre o jantar da noite passada e as conversas passaram a descrever as roupas, os escândalos e vexames da noite de gala.

E enquanto suas amigas discutiam os acertos e erros da noite passada, Clara repassava em sua mente a conversa que teve com Mick Jagger e seu medo do que ele podia fazer crescia. Decidiu que não largaria de Jack nem por um segundo.

Jennifer também disse que Paul McCartney havia apresentado o Príncipe William e sua esposa para eles e que ele havia lamentado que não estavam mais por lá, porque tinha lido sobre o casamento dos dois na imprensa e que ele e a Duquesa Katherine tinham ficado intrigados com a questão dos votos.

- Sério? – riu Clara. – Viu amor, perdemos a chance de conhecer o futuro rei...

- Foi ele quem perdeu a chance de nos conhecer, amor... – riu Jack. – Você sabe que sou mais do que um pouco avesso à Monarquia...

- Sei, amor. Mas acho que seria interessante conhecê-los... – sorriu Clara. – Quem sabe não dão um título de Sir para você? E eu seria então chamada de Lady Noble....

- Você não precisa de títulos, querida. – riu Jack. – Você têm tantos talentos que merecia ser coroada Rainha...

- E serei coroada... em breve... – riu Clara. – Ah, por favor não me façam lembrar que para isso terei que subir ao palco. Fico em pânico sempre que penso nisso...

Aos poucos, como de hábito, o grupo se dividiu em dois. Homens falando sobre as partidas da rodada que veriam na TV e mulheres, ao redor de seus iPads, revendo as roupas e gafes da noite.

- Então... - perguntou Cindy. - Pronta para enfrentar o Mick hoje?

- Tenho que estar... - respondeu Clara. - Acho que passarei o dia grudada no Jack. Estou apavorada.

- Desculpa por isso, Clara. - disse Jennifer. - Foi o Mike quem o convidou, não consegui evitar...

- Não tem problema, Jenni. - respondeu Clara. - Acho que preciso aprender a enfrentá-lo...

- Por que? Afinal o que aconteceu ontem entre vocês? - disse Cindy.

- Nada, quer dizer; eu conversei com ele e ele me disse que tinha sido um presente, que queria me ajudar, mas que compreendia minha atitude e que queria continuar sendo meu amigo. – contou Clara em um só fôlego, parecendo nervosa.

- E você, fez o que? – perguntou Jennifer.

- Eu pedi desculpas por não aceitar o presente e pedi que ele não fizesse mais esse tipo de coisa, porque o Jack não entenderia. Daí, ele beijou minha mão e olhou nos meus olhos, confesso que senti uma coisa que não deveria sentir.

- Cuidado... – disse Cindy. – Ele é muito sedutor...

- Mas não era nada sexual, Cindy. – disse Clara. – Isso que me deixou mais intrigada, era um carinho enorme por ele, uma admiração... sei lá, nem eu entendi o que foi aquilo.

- Piorou! – disse Cindy. – Todo cuidado é pouco, não quero, daqui a pouco, ver você brigando na corte com o Jack sobre quem vai ficar com a casa em Londres.

- Imagina! – sorriu Clara. – Como já disse para vocês, é um homem fascinante, que admirei toda a minha vida, mas ainda amo muito meu marido e não conseguiria fazer algo que certamente irá magoá-lo.

- Mudando de assunto, vi você dançando com o Paul McCartney. – disse Jennifer. – que tal?

- Gosto muito dele, nem acreditei que dançamos juntos. – sorriu Clara. – a noite passada ainda me parece muito mais um sonho do que uma coisa real.

- Mas foi real sim. Olha só as fotos no site da Vogue... – disse Jennifer. – O Jean Paul vai ligar daqui a pouco enlouquecido porque o seu vestido foi considerado o mais bonito da festa. Aqui está dizendo que você roubou todos os olhares e até a Duquesa de Cambridge ficou para trás diante do seu brilho.

- O Jean Paul deveria pagar comissão para você, querida. - riu Cindy. - Você está virando a modelo número um da Maison dele.

Clara apenas riu dos exageros de Cindy e do que leu em duas ou três colunas de celebridades e resolveu dar uma olhada em seus e-mails. Sua caixa postal transbordava de pedidos de entrevistas e tentativas de contato de ex-colegas repórteres.

Resolveu então abrir um e-mail de Jonas: “Oi Clara, sei que você não gosta de dar entrevistas, mas estão me enlouquecendo por aqui com esta história de lista da Vogue. Será que não dá para fazer umas duas ou três coisas por e-mail mesmo? Vou entender se não quiser, mas está complicado de lidar com sua celebridade, logo precisaremos de um assessor de imprensa para lidar com essa gente. Beijos e divirta-se, Jonas.
PS: Como está o livro? Estou começando a ficar aflito de novo.”

Clara resolveu responder o e-mail imediatamente. “Oi Jonas, gostei da ideia de um assessor de imprensa, talvez seja esta a melhor maneira de lidar com esses caras mesmo. Minha caixa postal também está transbordando de pedidos por aqui. Mas não darei entrevista para falar sobre isso. Só tenho intenção de falar com a mídia quando o disco estiver sendo lançado e ainda assim, só vou falar sobre minha participação nele e na turnê.
Encontrei o Roberto ontem à noite, na porta do restaurante e disse a mesma coisa para ele. Quanto ao livro, amanhã volto para Londres e também a pensar nele. Aqui em Paris está impossível fazer isso. Com saudades das nossas conversas, Clara.”
PS: Me dê parabéns, estou completando hoje um mês de casamento!"

- Vai começar tudo de novo! - disse Clara. - Tem um montão de pedidos de entrevistas aqui e... quer saber? Não quero nem pensar nisso...

- Melhor querida! - disse Cindy. - Se eu fosse você colocava tudo nas mãos do Michael e descansaria até começar a turnê.

- É isso mesmo que farei! - respondeu Clara. - Estou cansada de ter que me esticar toda para tentar fazer as coisas que todos esperam de mim. Vou fazer só o que eu quero de agora em diante.

- Muito bem! - disse Jennifer. - Precisamos nos arrumar porque daqui a pouco sir Jagger estará por aqui...

- Nem sei o que vestir. - riu Clara. - Acho que ele ficaria me olhando até se usasse uma roupa do Jack...

- Não tem jeito, querida. - riu Jennifer. - Então vista-se para o Jack e finja que não percebe os olhares dele.

- Acho que é isso mesmo que farei. - disse Clara. - Que tal roupas mais despojadas, calça jeans, botas? Um visual mais informal, de quem está em casa em um domingo qualquer?

- Querida, mas não é um domingo qualquer. É seu aniversário de casamento. Melhor uma coisa mais francesa, informal, mas chic... - disse Jennifer. - Que tal aquela roupa do chá do outro dia?

- Boa ideia! - sorriu Clara. - Tinha me esquecido completamente dessa roupa. É quente e passa a mensagem certa. Perfeito Jenni! Não sei o que faria sem você!

- Para isso funcionar, o Jack também precisa se arrumar, o Mick está sempre elegante e perfumado. - disse Cindy. - É aniversário dele também, não?

- Não queria fazer isso com ele, tadinho. - disse Clara. - Para mim, ele é lindo de qualquer jeito, mas acho que terei que convencê-lo a vestir um blaser, não?

- Sim querida. - disse Jennifer. - Não fica com pena, não. Se precisamos nos arrumarmos de acordo, nossos maridos devem nos acompanhar também.

- Eu vou me preparar já, porque daqui meia hora o chef Juan chega aqui e preciso estar pronta. - disse Jennifer. - Querida, quer suas jóias?

- Quero sim... - disse Clara. - Vou pegar minhas pérolas e guardar meus rubis...

Clara seguiu Jennifer até os quartos, pegou o colar e os brincos de rubi que usou na noite passada, guardou-os no estojo e pegou o estojo com o conjunto de colar de pérolas e diamantes que usaria com suas roupas naquele dia.

- Eu nunca liguei nem um pouco para essas coisas, mas cada uma destas jóias tem uma história especial. - disse Clara. - Acho que morreria se me roubassem...

- É querida. - sorriu Jennifer. - Eu também amo minhas pedrinhas...

- Bom, vou para meu quarto me preparar. Mas antes, vou lá embaixo buscar o Jack. Ele veio com aquela história de "homem civilizado", mas conheço meu marido, ele deve estar bem nervoso com isso tudo.

- Fica tranquila! - disse Jennifer. - E desculpa o Mike... às vezes ele é meio lerdo...

- Tadinho, Jenni! - respondeu Clara. - Não é culpa dele, nem de ninguém... O Mick me prometeu ontem que se comportaria. Espero que ele faça isso...

- Vamos buscar nossos maridos lá embaixo, agora, amiga! - sorriu Jennifer. - Eles vão reclamar, mas no final sempre obedecem...

Clara sorriu e seguiu Jennifer até a sala de estar e cada uma delas aproximou-se de seu respectivo marido e chamou-o para arrumar-se para o almoço. Cindy também puxou David e os seis subiram para seus quartos.

- Eles tinham que convidar esse cara, não? - disse Jack, finalmente quebrando o silêncio, enquanto Clara procurava pelas roupas dele no closet.

- Quanto mais você der atenção, mais você estará fazendo o jogo dele. - disse Clara, revirando as roupas de Jack atrás de um dos suéters de gola alta que tinha comprado para ele, antes de viajarem para a montanha. - Jack, você trouxe aquele suéter de lã de gola alta, que compramos antes de ir para a nossa montanha?

- Trouxe, sim. Hum! Entendi o que você quer, amor e gostei! - disse Jack. - Vamos ignorar esse cara, quem sabe assim ele não entende que você é minha.

- Sou sim, amor. - sorriu Clara. - Você não leu minha gargantilha ontem?

- Hum, vem aqui, vem... - disse Jack puxando-a pela mão. - Estou tendo um flashback muito, mas muito sexy mesmo...

- Querido, sinto muito, mas não temos tempo para isso... - disse Clara beijando-o. - Precisamos nos arrumar... ai Jack...

Jack começou a tirar as roupas dela e ela puxou-o para fora do closet, levando-o até a cama e também ajudando-o a despir-se. O desejo falou muito mais alto do que todas as convenções e quando os dois perceberam, já estavam transando mais uma vez.

- Vamos, amor... - disse Clara, erguendo-se da cama. - Isso não podia acontecer, nossos amigos estão nos esperando...

- Mas aconteceu... - disse Jack sentando-se na cama. - Qual o problema com isso?

- Desculpa, meu amor. - disse Clara. - Acho que estou nervosa... me perdoa...

- Vem aqui... - disse Jack sentando-se ao seu lado, na beirada da cama e pegando sua mão. - Fica tranquila, querida. Nós estamos juntos, lembra? Não tem nada no mundo que me atinja quando estou com você.

- Ai que lindo... - disse Clara começando a chorar e beijando Jack. - Me perdoa, amor... estou uma pilha de nervos. Fico lembrando que não escrevi nenhuma palavra do livro e que na próxima semana vamos ensaiar para a tour...

- Calma... - sorriu Jack e colocou a cabeça de Clara em seu ombro. - Eu estou aqui para você... Ninguém vai te incomodar nunca. Sou sua armadura contra o resto do mundo.

- Você é lindo, minha vida... - disse Clara abraçando-o. - nem nos meus sonhos mais loucos você era tão doce, tão maravilhoso...

- Amor, não sou nada maravilhoso... - interrompeu Jack.

- É sim... te amo tanto, que fico assustada com o que sinto... - disse Clara acariciando os cabelos de Jack.

- Ai Menininha... - disse Jack abraçando e beijando Clara apaixonadamente. - Vem... vamos nos vestir.

Jack e Clara vestiram-se, perfumaram-se e ajeitaram os cabelos, um do outro. Depois saíram do quarto e quando chegaram à sala de estar, Jennifer já estava na cozinha recebendo e ajudando Juan, o chefe de cozinha e seu auxiliar a instalarem-se para fazerem o almoço.

- Será que a Jenni precisa de ajuda? - Clara perguntou para Cindy assim que chegou à sala de estar.

- Acho que não querida! - disse Cindy. - Quer champagne?

- Obrigada... - disse Clara, levantando-se e caminhando até o bar, onde estava a garrafa dentro de um balde de gelo. - Deixa que eu pego.

- E então? - perguntou Cindy. - Ele está nervoso?

- Não! - sorriu Clara. - Ele estava me acalmando lá no quarto. Foi tão doce que nem sei te dizer, me deixou emocionada...

- Ele te adora, não? - sorriu Cindy.

- Muito e eu o amo como nunca amei ninguém neste mundo... - disse Clara, olhando para Jack através da sala. - Por mim, passaria o dia todo lá no quarto, com ele.

- Com certeza... - riu Cindy.

Jennifer veio da cozinha com uma nova garrafa de champagne, serviu suas amigas, serviu-se e sentou-se perto delas.

- O Mick acabou de ligar e disse que chega aqui lá pela uma da tarde; você tem mais meia hora para preparar-se.

- Já estou pronta! - sorriu Clara. - Aliás não contei para vocês, mas ontem, no meio daqueles repórteres, na porta do restaurante, estava o Roberto, meu ex, junto com uma equipe de televisão.

- Mesmo? - disse Jennifer. - E você falou com ele?

- Sim... - sorriu Clara. - Mandei um segurança buscá-lo e o fiz dizer o que queria na frente do Jack e ele disse que queria uma entrevista.

- Que homem mais estranho esse seu ex. - disse Cindy.

- O pior foi o final da conversa. - disse Clara. - Ele me disse em português que queria me beijar, na frente do Jack.

- E o Jack? - perguntou Jennifer.

- Ele não percebeu nada, ou fingiu que não, o que para mim foi ótimo. - respondeu Clara.

- Que bom que o Jack não percebeu! - disse Jennifer. - Imagina só o escândalo com toda aquela mídia por lá.

- Não quero nem pensar. - disse Clara. - Mas acho que o Jack não faria nada tão louco assim.

- Nunca se sabe. - disse Cindy. - É melhor ter cuidado.

Jack levantou-se e veio na direção de Clara.

- Amor... - disse Jack mostrando o telefone. - Olha só o que meu celular está fazendo...

- Deixa eu ver, querido. - disse Clara pegando o telefone de sua mão. - Nossa! Que estranho! Ah! Tem uma ligação perdida, da sua irmã, querido. Liga para ela.

- Foi isso, então? - sorriu Jack. - O telefone fez uma coisas esquisitas, depois ficou tocando essa campainha a cada dois minutos.

- Você deve ter mudado alguma configuração sem perceber, preciso dar uma olhada para entender, mas o que deu para descobrir é que sua irmã quer falar com você, acho que ela deixou um recado. Vou abrir para você ouvir...

Clara colocou a senha e Jack aproximou o fone de seu ouvido. "Jack, querido, me ligue, precisamos conversar."

- Vou ligar para a Jane, amor. - sorriu Jack. - Obrigado! Sempre me perco com essas coisas.

- Gosto de aproveitar cada pequena chance para te mimar, meu amor. - sorriu Clara, acariciando os cabelos dele e beijando-o no rosto.

- Eu te amo, Clara! - sorriu Jack, beijando-a na boca.

- Também te amo, vida! - suspirou Clara, enquanto Jack se afastava para telefonar para Jane.

- O que será que ela quer? - perguntou Cindy.

- Não deve ser nada. - disse Clara. - Provavelmente só conversar um pouco com ele. Sabe, o Jack nunca liga, nem para ela, nem para os filhos. Acho que está com saudades.

- Homens são assim mesmo, querida. - disse Jennifer. - Já nascem com aversão a telefone.

- Já é quase uma hora, o Mick deve chegar a qualquer momento. - disse Cindy.

- Ele já chegou, meu porteiro acabou de avisar. - disse Jennifer. - Vou lá na porta recebê-lo.

- Cadê o Jack, que não está aqui? - disse Clara começando a tremer.

Jennifer abriu a porta e Mick entrou com Gianna, sua namorada e os dois carregavam imensos bouquets de flores.

- Minha querida Jennifer! - disse Mick beijando-a no rosto. - Como podem ver, passei em uma floricultura antes de vir até aqui. Estas são suas Jenni.

- Oi Mike, oi David, já converso com vocês mais apropriadamente. Estas são para minha cara Cindy. E estas, para nossa querida senhora Noble, pelo seu aniversário de casamento. Minha cara, como está? - disse Mick beijando a mão de Clara.

- Olá Mick, tudo bem? - sorriu Clara. - Obrigada pelas flores. Olá Gianna, como vai?

- Olá Clara. - Gianna cumprimentou-a com um beijo. - Parabéns pelo aniversário.

- Obrigada, querida. - sorriu Clara.

Mick e Gianna cumprimentavam a todos dentro da sala de estar.

- Onde está o senhor Noble? - perguntou Mick.

- Está dando um telefonema, já volta. - disse Clara. - Então, gostaram da festa de ontem?

- Muito! - disse Gianna, sorrindo. - Pena que vocês foram embora cedo. O Príncipe William queria conhecê-los.

- Uma pena mesmo... - respondeu Clara. - Estava muito cansada, me preparei tanto para a festa que não consegui ficar até o final.

- Tinha um repórter da Vogue desolado no restaurante porque precisava ter falado com você sobre a tal lista de mulheres mais elegantes do mundo e vocês fugiram antes. - riu Mick. - Pobre criatura...

- Coitado, não sabia. - sorriu Clara. - Já vivi o outro lado desta situação e sei como são estas coisas.

- Olá Mick. - disse Jack chegando à sala e cumprimentando os dois recém-chegados. - Olá Gianna, como estão?

- Querida, posso falar com você? - disse Jack puxando-a de lado. - É sobre a Kate, o bebê está para nascer, rompeu a bolsa de madrugada, lá em Chicago e ela pediu para a Jane me avisar.

- Querido... mas ela estava de seis meses, no nosso casamento, esse parto é prematuro. - disse Clara, preocupada. - Vamos para Chicago, vê-la?

- Vamos sim, amor. - disse Jack. - Será que conseguimos um voo para lá, ainda hoje?

- Vou ligar para a companhia aérea. - disse Clara. - Querido, não sei se posso viajar, o Mike ainda está com meus documentos, por causa da nacionalização.

- Vou pedir para ele trazer seu passaporte para cá. - disse Jack, com as mãos tremendo. - Preciso chegar lá...

- Calma, Jack! - disse Clara, puxando-o para mais perto de seu corpo. - Vai dar tudo certo, tenha fé, meu amor.

- Meu amor... - disse Jack. - Precisamos avisar o pessoal.

- Deixa que eu falo, querido. - disse Clara segurando a mão dele. - Jenni, vem aqui, por favor.

- O que foi, Clara? - disse Jennifer, preocupada com o ar aflito de Jack. - Algum problema?

- A Kate. - disse Clara. - A Jane ligou para o Jack avisando que o bebê está nascendo hoje, lá em Chicago e eu e o Jack vamos para lá para dar uma força porque o bebê é prematuro e o parto é de risco. Vou ligar para o aeroporto para ver se conseguimos lugar em algum voo para Chicago, ainda hoje.

- E ele está ligando para quem, agora? - perguntou Jennifer.

- Para o Michael. - disse Clara. - Ele está com meu passaporte, providenciando meus documentos provisórios, enquanto a cidadania definitiva não sai.

- Isso vai demorar um pouco, então, querida. – disse Jennifer. – Vamos fazer as coisas com calma, vocês almoçam, depois arrumam as malas e vão para o aeroporto.

- O que você acha, amor? – Clara perguntou a Jack.

- Acho que pode ser. Vou para o quarto, fazer nossas malas, não vamos levar tudo, só umas poucas coisas para dois ou três dias e o resto vocês levam para Heathcliff Hall. Vai ser difícil conseguir lugar no voo, mas podemos pegar alguma coisa até Nova York ou Miami e de lá para Chicago; que tal amor?

- Vou tentar, querido... – disse Clara usando o celular para falar com uma companhia aérea americana.

- Senão alugamos um jatinho. O Michael consegue isso para a gente em cinco minutos.- disse Jack subindo as escadas.

- Jack, o Michael está em Londres, vai demorar pelo menos umas duas horas até chegar aqui com meu passaporte.

- É mesmo! – disse Jack. – Esqueci disso...

- E o seu passaporte? – perguntou Clara. – Está com você?

- Não. – disse Jack. – Está em casa. Vai demorar no mínimo umas três horas até o Lambert trazê-lo para Londres e mais umas duas até aqui.

- Tive uma ideia. – disse Clara. – Pegamos um voo de Paris para Londres, encontramos com o Michael e com o Lambert no aeroporto, pegamos nossos passaportes e embarcamos para Chicago.

- Perfeito, meu amor... – disse Jack. – Assim podemos ir mais rápido.

- Então vamos subir para preparar a bagagem. – disse Clara. – Melhor antes contar para nossos amigos o que está acontecendo.

- Deixa isso comigo, querida. – disse Jennifer. – Sobe, arruma suas coisas que eu aviso todo mundo.

- Obrigada, Jenni. – disse Clara.

Clara e Jack subiram para o quarto e assim que ela fechou a porta, Jack a abraçou e começou a chorar.

- Querido, calma! – disse Clara, tentando consolá-lo. – Vamos acreditar, vai dar tudo certo, meu amor... vai ficar tudo bem.

- Eu quero estar lá por ela. Nunca estive e mais uma vez, não posso estar... – disse Jack, as lágrimas correndo de seus olhos.

- Mas vamos estar. – disse Clara, secando suas lágrimas. – Não se preocupe, meu amor.

- Vamos embalar tudo nessa sua mala menor e a minha mala grande vai para Heathcliff Hall com nossos amigos.

Rapidamente eles colocaram as roupas dos dois em uma mala menor, daquelas que podem ser levadas à bordo do avião. Depois arrumaram o que sobrou das malas dos dois na mala grande que Clara tinha trazido, arrumaram uma bolsa de mão de Clara com tudo o que sobrou e só faltariam as jóias que estavam no cofre e ela pediria que Jennifer as levasse para Heathcliff Hall.

- Pronto! – disse Clara. – Quarto checado. Vamos viajar com estas roupas mesmo. Agora falta só almoçar e ir para o aeroporto.

- Obrigado, meu amor por estar aqui, do meu lado. – disse Jack. – Não sei o que faria sem você.

Mary, a ex-mulher de Jack ligou para ele dizendo que estava no aeroporto e já tinha conseguido uma passagem no voo das cinco da tarde para Chicago e ele disse que estava em Paris e precisaria ir primeiro à Londres para buscar os passaportes.

Clara e Jack desceram e encontraram seus amigos preocupados com eles na sala de estar.

- A Mary está indo para lá. Já liguei para o Lambert e para o Michael e eles irão nos encontrar no aeroporto.

- Jack. – interrompeu Mick. – Vocês sabem que estou com meu jatinho aqui. Vocês querem uma carona até Londres para ao menos buscar esses passaportes? Meu avião é antigo, não tem muita autonomia de voo e por isso teria que fazer umas duas ou três escalas até chegar em Chicago, mas, em Londres, vocês podem pedir ao Michael para alugar alguma coisa melhor.

- Não precisa, Mick. – disse Jack. – Mas obrigado assim mesmo. Daqui até Londres é fácil e o Michael ficou de providenciar um jato particular até Chicago. Não teremos o menor problema.

- Vamos almoçar, então? – disse Jennifer chamando todos para a sala de jantar. – É mesmo uma pena essa situação bem agora.

- É... – disse Clara. – mas já está tudo pronto e vamos para o aeroporto em seguida. Tenho fé de que tudo dará certo e mãe e bebê ficarão bem.

Clara deu a mão a Jack e sentiu que ele estava tremendo.

- Calma, amor... – disse Clara. – A gente já resolveu tudo. Agora é só ir...

O almoço estava delicioso, mas não existia mais clima para ele, nem para a sobremesa, um bolo recheado de mousse de chocolate com cerejas e licor, que também estava maravilhoso.

Após almoçarem, os dois se despediram dos amigos e combinaram o reencontro em Heathcliff Hall dali a poucos dias. Clara pediu que Jennifer levasse as malas que tinham ficado no quarto e suas jóias para lá.

Depois eles se despediram de David e Cindy e depois do gesto de solidariedade inesperado de Mick, Jack e Clara o abraçaram em agradecimento.

- Acho que será mais fácil chegar em Chicago do que em Londres. – disse Jack.

Continua

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