23 de nov de 2011

Rockstar - Capítulo XLV


Depois de explicar a ideia de Jack para Jennifer, Clara guardou a tiara em seu estojo e colocou-o no cofre, junto com suas outras jóias no quarto de sua anfitriã. Também pediu que a amiga entrasse em contato com Jean Paul porque tinha a intenção de ir com Jack a seu atelier logo após o almoço.

Com tudo combinado com o estilista, as duas foram até a sala de estar e combinaram com seus amigos que almoçariam por lá mesmo, no terraço para aproveitar o belo dia de sol. No final da tarde, David iria buscar Cindy no aeroporto e todos sairiam para jantar juntos em um restaurante italiano próximo do Hotel George V que Jack e Clara conheceram durante a lua-de-mel e a noite continuaria no clube de jazz, onde dançaram.

Um programa romântico para os três casais que daria a oportunidade de dividir com seus outros amigos a alegria que estavam sentindo.

O almoço no terraço foi a segunda comemoração daquele final de semana que provavelmente marcaria o fim da tranquilidade antes do furacão Crossroads jogá-los na estrada por tempo indeterminado, à mercê de suas alegrias e tensões.

Jennifer e Cindy estariam certamente na plateia durante os primeiros shows, mas logo se cansariam e voltariam para casa, vendo seus maridos muito mais em videos postados na internet do que pessoalmente. Quanto a ela, estaria incluída no "elenco" do show momentaneamente, mas quanto tempo isso duraria? E quanto isso custaria a seu relacionamento perfeito com Jack e a sua vida profissional, como escritora.

Sua intuição agora quase gritava para aproveitar muito bem aquele final de semana, porque seria um dos últimos momentos em que todos estariam felizes e em paz.

Por isso, enquanto almoçavam, ela tentava usar toda sua atenção para guardar em sua memória cada detalhe daquele lindo dia de sol, com suas pessoas favoritas, bebendo vinho e comendo comidas leves e deliciosas que vinham diretamente da cozinha de Jennifer.

Quando já tinham se espalhado pelo terraço, ainda bebendo vinho e champagne e beliscando frutas e queijos, como mandava a tradição francesa, os homens se uniram ao redor de uma guitarra que David usava para demonstrar uma ideia melodica e Jennifer e Clara conversavam enquanto olhavam Paris brilhando sob o sol.

- Estou muito orgulhosa de você e de Jack! - disse Jennifer puxando Clara para um dos bancos do jardim. - Foi genial essa solução que vocês acharam para o problema com o Mick Jagger.

- Foi ideia do Jack... - Clara sorriu. - Estou muito orgulhosa dele! E não só por causa dessa história de tiara...

- Hum... Me conta... O que aconteceu?

- Tivemos a melhor das noites... Foi lindo! Ele passou a noite toda dentro de mim...

- Uau! Amiga! - disse Jennifer. - Parabéns! Que fôlego, hein!

- Nem na nossa lua-de-mel isso aconteceu. Acho que ele estava com saudades de mim...

- Sim! E tem o fôlego de um leão da montanha! - riu Jennifer.

- Sabe que por isso estou feliz e ao mesmo tempo muito preocupada. - disse Clara.

- Por que preocupada? - perguntou Jennifer.

- Porque minha intuição me diz que a estrada vai acabar com tudo, tem uma vozinha aqui na minha cabeça que fica repetindo, aproveita porque quando começar a turnê, tudo começa a morrer...

- Não seja tão negativa, querida. - Jennifer disse, levantando-se para pegar mais duas taças de vinho. - Vocês dois se amam aqui e vão continuar se amando na estrada também. Tenho certeza disso.

- Eu já não tenho tanta certeza assim. Cada vez que eles falam sobre essa turnê, meu coração gela...

- Você está achando mesmo que a estrada pode atrapalhar a relação de vocês?

- Não sei. - disse Clara. - Não é achar, é sentir. É uma coisa que dói aqui dentro sempre que penso nessa turnê...

- Mas a sua situação é diferente da minha e da Cindy, por exemplo. Também tem um detalhe, nem eu, nem ela nunca vivemos esse tipo de situação. As carreiras de nossos maridos são bem diferentes da carreira do Jack. Quando o Mike ou o David viajam, eles voltam logo e não vão muito longe; eu acabo indo junto em muitas viagens, quando posso. A Cindy reclama mas também está sempre perto do David. Mas você vai viajar com eles, vai estar até no palco. Acho que vocês estarão mais próximos do que nunca, isso sim. Afinal você é a "Rainha da Luz", não é?

- Rainha? Se eu fosse mesmo uma rainha não estaria com tanto medo dessa turnê e também daquele jantar de amanhã. - respondeu Clara. - O Jack é um pouquinho passional demais às vezes e isso o torna imprevisível. Fico com medo dele aprontar um escândalo.

- Acho que não, querida. Ele sabe que pode perder você. Acho que só o fato dele não ter ido atrás do Mick na mesma hora, já mostra que não teremos problemas maiores.

Clara deu um discreto sorriso e um longo suspiro após ouvir as palavras de Jennifer. - E eu o amo muito! - disse olhando para Jack que naquele instante estava completamente absorvido pela música que David mostrava a ele na guitarra. - Por isso tenho tanto medo do que pode acontecer na estrada. Não suportaria perdê-lo.

- Querida, acho melhor começarmos a nos preparar para irmos ao atelier do Jean Paul. Já é quase uma e meia e ele nos espera para as três. - disse Jennifer.

- É mesmo! Já tinha até esquecido.

- Vou descer agora. Você continua por aqui?

- Não! Vou com você.

Clara levantou-se e caminhou pelo terraço na direção de Jack, de quem aproximou-se carinhosamente e sussurrou no ouvido que estava indo tomar um banho para sair.

Jack sorriu, piscou para David, pegou Clara pela mão e seguiu-a até o quarto dos dois.

- Vem lindo... vamos para a banheira. - disse Clara para Jack puxando-o para mais perto de seu corpo.

- Espera! - respondeu Jack agarrando-a e beijando-a no pescoço. - Quero tirar sua roupa.

Os dois começaram a tirar as roupas um do outro e em um total envolvimento, caminharam juntos até o banheiro. Encheram a banheira e despejaram nela sais de banho e óleos essenciais. Clara ainda acendeu um par de incensos e colocou-os para queimar ao lado da banheira.

Lentamente, um cuidou do outro, com muito carinho e assim se entregavam mais uma vez aos desejos que queimavam ardentes naquela tarde em Paris. Agora, Clara o cavalgava febril, enlouquecida de prazer, sentindo cada fibra de seu corpo vibrar. Quando terminaram, os dois se ergueram da banheira e envolveram um ao outro com toalhas.

Se enxugaram, passaram creme hidratante um no outro e secaram seus cabelos com um secador.

Os dois então andaram nus até o closet e escolheram as roupas que iriam usar. Clara, gostava de vê-lo usando roupas básicas e separou uma velha calça jeans surrada, um cinto de couro, uma camiseta branca lisa e botas de cowboy; enquanto Jack, separou para ela uma camiseta preta bem justa em seu corpo, black jeans skinny e botas de cano e salto alto.

Ela pegou em sua mala a caixa que usa para transportar os acessórios e nela pegou os colares que costumava dividir com Jack, seu japamala e um bracelete de prata com um ônix, que ganhou dele de presente.

Dividiu os colares entre os dois e deu seu japamala para ele usar no pescoço. - Fica mais lindo em você do que em mim, amor. - disse Clara sorrindo.

- O que você acha? - perguntou Clara. - Deixo o cabelo solto?

- Deixa, querida. - disse Jack, aproximando-se dela e acariciando seus cabelos. - Você está linda.

Clara puxou-o para perto e beijou-o com paixão. Jack então agarrou-se a seu corpo e tirou dela a camiseta que tinha acabado de vestir, beijando seus seios e tirando também seu sutiã.

- Não, amor. - disse Clara, empurrando-o. - Precisamos ir, o Jean Paul...

- Ainda temos tempo. - disse Jack puxando-a até a cama. - vem aqui, vem...

Jack sentou-se na beirada da cama e continuou a despí-la. Sentou Clara em seu colo e os dois estavam novamente entregues àquele desejo que quase os sufocava.

Depois que terminaram, vestiram-se novamente e Clara passou a fazer uma maquiagem leve, pegou um par de brincos indiano em sua caixa de acessórios e agora estavam quase prontos para sair.

Jack não parava de sorrir. - Viu como deu tempo? Nós somos ótimos juntos.

- Espera, só mais um beijo. Depois preciso passar perfume e batom. - disse Clara agarrando-o novamente. - Não queria sair daqui hoje...

- Não vamos, então! - disse Jack.

- Mas precisamos das roupas de palco. - disse Clara. - Logo vamos viajar e quando voltarmos não teremos mais tempo para nada...

- Eu sei, querida... - disse Jack. - Me dá esse batom, vou passar em você.

Clara entregou a ele o batom e ele o passou em seus lábios com perfeição. Depois ele pegou o frasco de perfume e o aspergiu sobre ela.

- Esse perfume me mata, amor. - disse beijando novamente o pescoço de Clara.

- Ai Jack... você vai ficar cheirando como ele, se não parar de me agarrar desse jeito. - disse Clara.

- Isso é uma reclamação? - Jack perguntou rindo.

- Não, amor. - Clara respondeu ajeitando os cabelos dele com as mãos. - Vamos por uma pomada nesse cabelo para ele ficar mais assentado?

- Ok! Nem sei do que você está falando, amor. Mas qualquer coisa que venha de você é boa para mim...

- Você não está tornando as coisas muito fáceis para mim, Jack. Tenho vontade de te beijar inteiro e te jogar de novo naquela cama...

Jack agarrou-a, empurrando-a contra a porta do quarto e a beijou com muita paixão. Já eram duas e vinte e tinham apenas mais dez minutos para o horário estipulado por Jennifer para irem ao atelier.

- Amor! Que loucura! - disse Clara tentando recobrar o fôlego. - Você está todo borrado de batom agora.

- Não ligo e para dizer a verdade, me orgulho disso... Vamos embora? - disse Jack abrindo a porta do quarto.

- Ok! Vamos... - disse Clara pegando a mão dele e seguindo pelo corredor.

- Querida? Está pronta? - perguntou Jennifer quando os dois chegaram à sala de estar.

- Estou Jenni. - disse Clara. - Ai meu Deus. Estou um desastre. Olha meu batom... olha sua boca, Jack.

- Vai sem bolsa? - perguntou Jennifer rindo.

- Não... - respondeu Clara envergonhada. - Vou pegar minha bolsa, lá dentro...

Clara foi até o quarto, enquanto Jennifer dava um lenço de papel para Jack tirar o batom da boca e da barba, na frente do espelho.

- Jenni, obrigada por ajudar o Jack! - disse Clara, passando novamente o batom, na frente do espelho da sala.

Os três pegaram o elevador e desceram no subsolo do prédio, onde embarcaram no jipe de Michael.

- Isso não vai demorar muito, não? - perguntou Jack. - Estou tendo uma ideia para uma letra e quero mostrar para o David antes dele ir para o aeroporto.

- Espera, amor. Tenho um caderninho aqui na bolsa. - disse Clara estendendo a ele um caderno e uma caneta.

- Obrigado, querida. - sorriu Jack. - Você é meu anjo!

Clara sorriu e ficou observando-o pelo espelho retrovisor, enquanto escrevia frases no caderno. Desejava beijá-lo novamente, mas precisava deixá-lo trabalhar em sua música. Sabia que era melhor deixá-lo quieto, sozinho. A inspiração era uma visitante tímida e fugaz que poderia desaparecer sem deixar rastros.

Ela continuava olhando para ele. Lembrava-se agora de como os dois haviam sido felizes um com o outro, durante toda a noite passada. Paris passava rápida pelas janelas, mas ela queria apenas olhar novamente para ele, os cabelos louros cacheados, os olhos profundamente azuis sob aquela luz.

Logo o carro chegava na porta de Jean Paul, que saiu na porta para saudá-los. Jack já tinha parado de escrever e devolveu o caderno para Clara.

- Boa tarde, queridas, estão lindas hoje... - disse Jean Paul. - Boa tarde, senhor Noble.

- Olá Jean Paul. - disse Jack. - Tudo bem?

- Tudo! Vamos entrar. - respondeu Jean Paul, guiando-os até seu escritório.

- Vocês dois estão brilhando hoje juntos! - disse Jean Paul ao chegar atrás de sua escrivaninha e colocar os óculos. - Bom, os croquis que a Clara viu são estes aqui. Fiz mais estes dois como alternativa.

- Olha, Jean Paul. - disse Clara. - Vou usar a coroa original que a Cate Blanchet usou no filme, por isso, esquece aquela minha ideia de trazer a roupa para uma coisa mais real, sem esse ar de figurino de teatro...

- Claro, querida. - disse Jean Paul. - Vamos mergulhar na fantasia então. Tenho uma surpresa para você. Vou pegar ali atrás e já volto.

Jack olhava para os desenhos de Jean Paul e para Clara, parecia tentar imaginá-la naquelas roupas. Até o momento em que Jean Paul trouxe em suas mãos um cabide com um vestido azul claro de um tecido nobre que ela não conseguiu identificar, mas que era exatamente igual ao que viu Clara usando em uma vida anterior.

Ele e Clara tiveram a mesma reação, os dois agora tremiam e choravam abraçados...

- Fiz alguma coisa errada? - perguntou Jean Paul assustado. - O que aconteceu?

- Nada querido! - disse Jennifer. - É uma longa história, depois eu te conto.

- Meu amor, era esse, não? O vestido que você estava usando... na festa... - Jack sussurrou nos ouvidos de Clara.

- Era sim... - ela disse chorando. - Desculpa Jean Paul. Gostaria de poder te contar, mas não podemos. Já temos dedos suficientes apontados para nós quando saímos juntos nas ruas, não podemos e não queremos ver essa história na mídia.

- Não se preocupe, querida. - disse Jean Paul. - Não saio por aí contando os segredos dos meus clientes...

- Desculpa querido, confiamos em você. - disse Clara. - Mas agora não temos condições de contar.

- Vocês me perdoem, não podia imaginar que um vestido... - disse Jean Paul.

- Não querido, você não entendeu... - disse Jennifer. - ele é perfeito e é exatamente isso que eles querem.

- Sim... - disse Clara. - posso experimentá-lo?

- Claro, querida. - respondeu Jean Paul. - fique a vontade... Vocês aceitam um chá?

- Aceitamos sim. - disse Jack, limpando as lágrimas do rosto de Clara. - Está tudo bem, Jean Paul... Nossa reação é porque adoramos o vestido e ele nos lembrou de algo que significa muito para nós dois.

- Que bom! - disse Jean Paul servindo chá para os três. - Depois do chá veremos como a Clara fica nele. Então vocês compraram a coroa original do filme, naquele leilão que todos estão comentando...

- Na verdade, nós a alugamos da pessoa que comprou. Mas já está conosco. - disse Clara colocando a xícara de chá de volta na mesa. - Vou me trocar.

Clara levantou-se da cadeira e foi até um pequeno provador no canto do escritório. Ela tirou suas roupas, colocou o vestido, olhou-se no espelho e era exatamente aquilo que ela imaginava. Identico ao seu vestido de aprendiz... Então, Clara saiu detrás do biombo...

- Meu amor! É perfeito! - disse Jack. - Falta só a capa e a coroa...

- Está lindo! - disse Jennifer. - Não vejo a hora de ver você usando isso no palco...

- É minha "Rainha da Luz"! - disse Jack, emocionado. - Se já não fossemos casados, te pediria em casamento agora...

Clara mandou um beijo para Jack e voltou para trás do biombo, vestiu-se novamente e trouxe o vestido azul em seus braços.

- Querido, embala ele com carinho porque vamos levá-lo agora. - disse Clara entregando o vestido para Jean Paul. - Jack, estava ali atrás me vestindo e lembrei da festa de amanhã. Você trouxe seu smoking?

- Claro que trouxe, amor. - respondeu Jack. - Quando você me falou da festa, mandei o Lambert levá-lo até a lavanderia e depois trazê-lo para mim, em Londres.

- Ótimo! Bem, então acho que por enquanto é isso, Jean Paul. - disse Clara. - Vou ficar com este vestido azul, a capa violeta, o vestido preto com a capa preta... não... acho melhor não fazer o preto, pode fazer um em branco com uma capa dourada?

- Sim, querida! - disse Jean Paul. - Terá um efeito maravilhoso no palco.

- Olha, este modelo aqui, com os bordados... tem um pedaço de papel que eu possa desenhar?

- Sim, claro... - disse Jean Paul estendendo um caderno de desenho para ela.

Clara pegou o caderno e desenhou algo que se parecia com uma série de ornamentos ligados à cultura celta. Ela não tinha a menor ideia de onde vinha aquele desenho, mas sentiu que os bordados dourados que seriam feitos sobre o vestido de veludo branco deveriam ter aquele desenho.

- Lindo! - disse Jennifer, um pouco desconcertada. - Desenho também? Deixa algum talento para as outras pessoas, querida...

- Ela tem razão querida... - disse Jack rindo. - Engraçado, onde vi esses desenhos?

- Também não sei, amor. Mas achei que um dos figurinos deve ser assim... - disse Clara. - Enfim, Jean Paul, o terceiro vestido é o lavanda, com a capa vinho. Esse é ao contrário; o vestido é aquele mais levinho, de cetim e a capa deve ser de veludo.

- Você vê, Jack. - disse Jennifer. - ela jurava que precisava da minha ajuda, de uma personal stylist quando consegue até desenhar modelos...

- Jean Paul, querido. - disse Clara rindo. - Não escuta esses dois, estão carentes de atenção, só isso.

- Ok! Tudo anotado. - sorriu Jean Paul, um pouco deslocado ainda naquela conversa deles. - E os sapatos?

- Viu? Vocês me fizeram esquecer desse detalhe importante. - disse Clara rindo. - Quero aqueles scarpins confortáveis, como o do meu casamento, forrados com o mesmo tecido dos vestidos.

- Melhor fazer dois de cada. - disse Jack. - Dois sapatos, dois vestidos, duas capas.

- O que amor? Dois? - perguntou Clara.

- Olha amor, na estrada, às vezes, algumas coisas como as roupas de palco não chegam e você precisa fazer o show com a mesma roupa que estava usando em um voo de 15 horas; além disso, as coisas rasgam, ou quebram o salto, na hora exata em que você precisa subir no palco.

- Verdade... - disse Clara. - Não tinha pensado nisso. Amor, isso já aconteceu com você? De fazer show com a mesma roupa do avião?

- Já... - disse Jack rindo. - Tenho certeza de que se a gente tivesse se conhecido naquela época você não ia querer nada comigo. Ninguém aguentava chegar perto de nós...

- Tadinho do meu amor! - disse Clara pegando a mão de Jack.

Jean Paul olhava para eles agora com um olhar de admiração que Clara tinha aprendido a reconhecer. Uma reação comum que ela observava nas pessoas ao redor da Crossroads, dos Beatles, do Pelé ou qualquer outro daqueles personagens que contavam com o carinho unânime do mundo.

- Bem, voltando ao figurino, então serão dois de cada, dois vestidos, duas capas, dois sapatos. - disse Jean Paul tentando reorganizar-se, depois respirando fundo, ele tomou coragem e continuou. - Então não saberei mesmo o mistério do vestido azul.

Clara olhou para Jennifer e para Jack, que balançava a cabeça, pedindo que ela não contasse nada.

- Desculpa, querido. - disse Clara. - Por enquanto nós precisamos manter isso em segredo. É uma coisa que as pessoas normalmente não entendem e roubaria o espaço na mídia do que importa de verdade, que é o retorno da Crossroads. Não é nada pessoal, nós gostamos muito e confiamos em você, mas não podemos mesmo dizer.

- Querida, obrigado! - disse Jean Paul beijando a mão de Clara. - Vocês são muito queridos para mim e torço para que essa nova fase da vida de vocês seja sensacional!

- Obrigado, Jean Paul. - disse Jack sorrindo. - Você já foi o responsável por uma das maiores emoções da minha vida: o vestido de noiva da Clara! Ela estava maravilhosa e agora, esse vestido azul, tenho certeza que quando ela subir no palco com estas roupas, ela será uma estrela.

- Será sim! - disse Jean Paul sorrindo emocionado com os elogios ao seu trabalho.

Os olhos de Clara já estavam molhados, quando ela aproximou-se de Jack e deu-lhe um beijo no rosto. - Que lindo, amor.

Jack abriu os braços e os dois saíram agarrados carregando a sacola com o vestido, junto com Jennifer.

- Bem, então continuaremos em contato, precisamos do figurino pronto o quanto antes. - disse Clara. - A turnê começa em novembro, mas na próxima semana já estaremos ensaiando para o show, em Londres, e ainda não estamos com a agenda definida, mas logo também faremos as fotos para o material promocional, vídeos, entrevistas... enfim, começa toda a correria e seria interessante ter tudo em mãos porque nunca se sabe o que o pessoal do marketing vai inventar.

- Perfeito, amor! - disse Jack. - Essa minha mulher é linda...

- Ok! Vocês mandam! Quando estiver pronto, entrarei em contato. Ah! Existe um fio que tem ouro de verdade para fazer esse bordado dos vestidos. É caro, mas brilha muito mais...

- Claro... - disse Jack. - Use sempre o melhor, meu amor merece.

Os três se despediram de Jean Paul e voltaram ao apartamento de Jennifer ainda a tempo de encontrar David trabalhando com sua guitarra. Jack pegou novamente o caderninho com as letras na bolsa de Clara e se juntou a eles.

Clara estava absorvida em seus pensamentos desde o caminho de volta. Mais uma vez, Paris brilhava sob o sol nas janelas do carro, mas ela não tinha olhos para vê-la. Pensava se tinham feito bem de deixar Jean Paul curioso sobre a reação dos dois diante do vestido e também sobre a origem daquele desenho dos bordados. Nem Jack, nem Jennifer tinham perguntado nada sobre aqueles desenhos, mas ela percebia neles a intenção, porque olhavam para ela em turnos dentro do carro, sem nenhum tomar a iniciativa. Ela conhecia Jack e provavelmente ele falaria sobre isso com David antes de perguntar a ela.

Ela precisava espairecer e sabia onde esvaziar a mente daqueles pensamentos, por isso, levou a bolsa e a sacola para seu quarto e saiu dele com a máquina fotográfica. Ía fotografar os belos detalhes arquitetônicos do terceiro andar do apartamento de Jennifer e suas orquídeas, no terraço.

- Vamos fotografar suas flores, amiga? - disse para Jennifer.

- Claro, querida. - sorriu Jennifer. - Vamos lá para o jardim, então.

Clara fez algumas fotos nas escadas e na porta e depois foram até o terraço, onde sentaram-se em um dos bancos.

- Querida, - disse Jannifer com ar preocupado. - você sabe que o Jean Paul vai querer que eu conte para ele o segredo de vocês, não? Embora nem saiba direito do que vocês estavam falando.

- Eu sei. - respondeu Clara. - E a pior parte disso é que se isso vazar para a mídia vai acabar com o Jack. Ele sempre foi um homem muito discreto com sua vida pessoal, odeia esse tipo de coisa e eu estou apavorada com o tamanho do circo que pode surgir daí. Ele é muito transparente, muito sincero e eu tenho a impressão que
se vazar a mínima pista e perguntarem, ele acaba contando tudo.

- Tem razão. - disse Jennifer. - O Jack, às vezes, é só coração e isso é um perigo para alguém na posição dele.

Clara sentiu as lágrimas chegando mais uma vez em seus olhos e decidiu reagir a elas. - Então, onde está aquela orquídea que Sir Mick Jagger te mandou?

- Ah! Na minha estufa... - sorriu Jennifer. - Não é aquela maravilha de Heathcliff Hall, mas amo minha estufinha...

Jennifer abriu a porta da pequena construção de vidro que se assemelhava a um sofisticado coreto com colunas de metal decoradas por flores e um teto abobadado dourado que seguia o estilo art nouveau. Dentro, prateleiras simples, também com armações de metal, sustentavam os vasos, aparentando pequenas arquibancadas redondas.

- Que coisa mais linda, Jenni... - disse Clara.

- Sonhei com esse lugar, sabia? - disse Jennifer. - Tinha só começado a sair com o Mike e o vi sentado aqui dentro, entre os vasos de orquídea que ele sempre me dava. Daí, quando compramos este apartamento descrevi ao Michel Chevrier e ele construiu essa coisa linda.

- Suas flores são maravilhosas também. Não sei nem para onde olhar aqui dentro, Jenni.

- Elas são minha terapia, Eu as mimo, cuido de cada uma e converso muito com elas quando estou chateada com alguma coisa. - disse Jennifer. - A do Jagger é essa aqui. Linda e incrivelmente rara.

Clara fez o foco na câmera e por alguns intantes apenas concentrou-se em encontrar o melhor ângulo.

- Gosto muito dele, apesar de tudo. - disse Clara. - Adoro conversar com ele, tão culto, tão inteligente...

- Sei o que você quer dizer. - sorriu Jennifer. - Seria muito bom se ele fosse gay ou estivesse muito apaixonado por alguma outra pessoa e vocês pudessem ser amigos.

- É... Que o Jack nunca saiba disso, mas é uma pessoa que me fascina. Não só pela importância dele na música, pelo talento, mas pela personalidade dele.

- Mas você sabe que isso é impossível, porque não só ele é hetero, quanto está tão fascinado pela ideia de transar com você que já não se importa nem mais com os dois metros de "homem das cavernas" do Jack.

- Eu tenho vontade de gritar para ele que não sou nada disso do que ele imagina. - respondeu Clara. - Tem que existir algo de errado nesse mundo, não tenho nada de tão especial assim para eu chamar a atenção de alguém como ele. Até o próprio Jack, me sinto um nada perto dele.

- Como assim, mulher? - disse Jenni. - Você tem muito talento e esse jeito de menininha frágil, emotiva... estou surpresa que mais homens não estejam atrás de você.

- Mas não sou bonita! O que eu quero dizer é que não faço a linha mulherão... - disse Clara. - esse dois passaram a vida inteira cercados de modelos, atrizes, mulheres lindas de verdade. Sou uma menininha sem graça perto da Mary de agora, imagina na época em que ela casou com o Jack?

- Bem, você dá muito pouco crédito a si mesma. - disse Jennifer. - E quanto ao Mick, você já sabe minha opinião... Você deveria ir lá, transar com ele e pronto! Problema resolvido para sempre!

- Imagina! Isso não pode acontecer nunca! - disse Clara. - E depois? Se o Jack descobre? Não posso magoá-lo. Não consigo vê-lo triste, dói demais aqui dentro do meu peito, não consigo nem pensar.

- Eu sei. - disse Jennifer. - Mas você sabe que isso tende a piorar ainda mais com o tempo. Quanto mais você disser não para ele, mais ele vai te querer e te caçar, não sabe?

- Pior que eu sei. - disse Clara suspirando.

- Não sei se isso ajuda, mas as minhas amigas que já transaram com ele disseram que ele é um amante maravilhoso. Que as tratou como rainhas e que tem um fôlego espantoso.

- Queria que fosse assim fácil... - disse Clara. - Ía lá, transava com ele e pronto, problema resolvido. Mas acho que ele é o único homem no mundo que teria a capacidade de destruir o meu casamento.

- Ele? Não querida... acho que magoaria muito o Jack, mas destruir seu casamento... acho que só o David conseguiria... - disse Jennifer. - Aliás, acho que se você, um dia, quiser provocar a Terceira Guerra Mundial, só precisa ir para a cama com o David. O Michael me contou coisas sobre esses dois que são bem assustadoras.

- Não sei, o Jack nunca me contou a história completa, mas já me falou que devo ficar longe dele, que ele é perigoso, manipulador...

- Então é melhor ficar longe dele, querida. - disse Jennifer. - Sabe, são homens com um passado muito estranho e o Michael também nunca me disse tudo, disse que se me contasse eu perderia completamente o encanto por ele.

- Se você quer que eu te diga a verdade, quando ele começa a contar certas coisas, eu o faço parar. - sorriu Clara. - Não preciso que ele me confirme nada daquilo que já li sobre as coisas que eles aprontavam juntos na época das drogas e das groupies. É informação demais...

- É mesmo! - riu Jennifer. - Melhor ter muita paciência com esses tais rockstars...

- Com certeza! - riu Clara.

- Olá belas damas! - disse Jack aparecendo repentinamente na porta da estufa. - Com tanta beleza aqui, como posso saber qual das flores escolher...

- Oi, meu amor! O David já saiu? - disse Clara.

- Sim. - disse Jack. - Ele foi para o aeroporto e o Mike foi tomar um banho. Então vim até aqui para ver minha "Rainha da Luz".

- Bem, queridos. - disse Jennifer. - Vou atrás do meu marido, vamos jantar fora mais tarde e preciso estar linda. Fiquem à vontade...

- Obrigada amiga! - disse Clara sorrindo.

Jennifer piscou para ela e seguiu para a porta do terraço. Jack então estendeu a mão para Clara ajudando-a a levantar-se e puxou-a para o jardim, onde os dois começaram a dançar juntos, de rosto colado e sem música.

Paris brilhando sob os reflexos avermelhados do por do sol ao redor e eles de olhos fechados apenas concentrados em uma música que não existia. Movendo seus corpos lentamente, em sincronia com uma música que ninguém mais ouvia.

Jack agora beijava e acariciava seu corpo. Aqueles poucos dias em Paris estavam funcionando para eles como o melhor de todos os afrodisíacos, aumentando ainda mais seu desejo já tão intenso. Eles só pareciam encontrar alguma paz quando estavam nos braços um do outro.

- Quando te vi, naquele vestido azul... - disse Jack suspirando. - Meu coração quase parou! Lembrei da primeira vez em que te vi naquela festa da nossa aldeia e depois, nadando nua e saindo do lago para vestir-se... a minha ninfa...

- Você estava olhando, não é? - sorriu Clara.

- Foi o momento mais erótico de todas as minhas vidas... Eu te desejava tanto que quando peguei sua mão para ajudá-la a subir no cavalo... bom, você sabe...

- Ai, meu amor... - disse Clara. - Você me mata quando diz essas coisas...

- Vem, vamos até o nosso quarto, minha ninfa? - disse Jack puxando-a pela mão.

- Não consigo resistir a você, Jack.- disse Clara seguindo-o.

Os dois caminharam até o quarto e assim que chegaram lá, Clara trancou a porta e programou o celular para tocar às seis e meia da tarde. Depois ela se aproximou de Jack e os dois começaram a despir um ao outro lentamente.

O envolvimento era total e o desejo tão grande que Clara sentia um prazer intenso a cada toque e gemia junto com Jack, próxima de enlouquecer de tanto amá-lo. E depois de tanto prazer, os dois apenas adormeceram.

Quando o alarme soou, acordaram sorrindo e se levantaram. Vestiram-se e caminharam até a sala de estar, onde Michael e Jannifer conversavam.

- O David ainda não chegou? - perguntou Jack sentando-se no sofá.

- O voo da Cindy está atrasado, parece que teve uma grande tempestade em Viena e o aeroporto fechou. - disse Jennifer. - Mas já abriu de novo e ela já está a caminho e deve chegar lá pelas sete e meia.

- Vocês querem beber alguma coisa? - disse Michael. - Um vinho? Uísque?

- Uísque. - disse Jack. - Eu te ajudo a servir.

- Eu e a Clara queremos vinho, querido... - disse Jennifer. - Então amiga, que tal ficaram as fotos?

- Ah! Ainda não tive tempo de subí-las para o computador, mas certamente estão muito lindas. Eu amo orquídeas.

- Não teve tempo? - sorriu Jennifer. - Depois quero que você me conte o segredo de vocês...

- Não tem segredo. - disse Jack aproximando-se com duas taças de vinho tinto nas mãos. - É só amor...

- Não é possível, cara. - disse Michael. - ela é linda, mas minha mulher me disse umas coisas que...

Clara e Jennifer cairam na gargalhada, enquanto Jack fingia-se indignado por estarem comentando sua vida sexual com sua esposa, mas sentou-se ao lado dela, colocou o braço ao seu redor e sussurrou em seu ouvido: - Vamos voltar para o quarto, amor. Acho que ainda temos um tempinho...

Todos riram muito da brincadeira de Jack, mas Clara agora temia por sua saúde. Tinham passado uma boa parte das últimas 24 horas fazendo sexo e isso não tinha acontecido nem mesmo em sua lua-de-mel.

- Sério, cara! Você não pode fazer isso com sua mulher, a Jennifer já está me exigindo coisas que não sei se consigo fazer ainda... - riu Michael. - Eu e o David somos mais velhos do que você... por favor!

- Querida, não liga para esse cara... - disse Jack. - Ele está apenas com inveja de nós dois...

- Pode apostar! - respondeu Michael caindo na gargalhada.

- Jennifer, vocês fizeram reserva no restaurante? - perguntou Clara. - É melhor fazer reserva, hoje é sexta-feira, deve estar lotado...

- Sim, querida. - sorriu Jennifer. - Eu liguei ontem para eles. Lembra, você me deu aquele cartão...

- Ah! É mesmo! Estou um pouco zonza hoje, aconteceram muitas coisas nestas últimas 24 horas...

- Eu sei, querida... - disse Jennifer. - Não escute o que esses caras dizem, homens são bobos por natureza e daqui a pouco vão buscar uma régua para medir o negócio deles, para saber qual é o maior....

Clara riu muito da piada de Jennifer. Bebeu mais um gole de vinho, enquanto Jack acariciava suas costas e sua nuca com uma das mãos e segurava seu copo de uísque com a outra.

- Vocês dois são mesmo uma inspiração. - disse Jennifer. - E aquela história do vestido? Não entendi nada...

- Ah! Quando fizemos a regressão, com o David, vimos uma cena em que eu estava usando esse vestido azul, que era uma espécie de uniforme que todas as aprendizes do Templo da Deusa usavam. Quando o Jean Paul fez o desenho, ontem, reconheci o vestido na hora e quando ele o trouxe pronto, hoje, o Jack e eu quase tivemos um ataque cardíaco. - disse Clara.

- Mesmo? E aquele desenho que você fez?

- Nem eu sei... - respondeu Clara. - Mas apareceu na minha cabeça esse vestido branco com exatamente aquele bordado em dourado... Sei lá, deve ser alguma coisa daquele tempo de que ainda não me lembrei...

O celular de Jennifer tocou, David e Cindy estavam chegando ao prédio e pediam para que ela abrisse a porta do apartamento para eles.

- Eles chegaram! Vamos nos preparar para o jantar? Quero sair daqui lá pelas nove. - disse Jennifer.

- Vamos dizer oi para a Cindy e já vamos nos arrumar. - disse Clara, enquanto Jack e Michael, nem olhavam para os lados, concentrados em uma de suas conversas sobre futebol.

- Oi pessoal! Desculpem a demora, mas finalmente cheguei! - disse Cindy atravessando a porta com David seguindo logo atrás dela, puxando sua mala.

Clara e Jennifer se levantaram e foram cumprimentá-la. As três conversaram um pouco, mas logo a sala de estar estava vazia e cada um dos três casais se preparava para sair para jantar no tal restaurante italiano.

Clara e Jack foram tomar um banho rápido de chuveiro, juntos, mas desta vez, apenas com o propósito de serem mais rápidos. Jack escolheu as roupas de Clara e combinou uma saia nova, de tecido brilhante que ela tinha acabado de comprar em Paris, com uma camisa preta, de babados, parcialmente transparente.

- Hum, amor... acho que é muito sexy... vão achar que sou uma daquelas moças do Bois de Bolougne... - disse Clara.

- Não querida... aquelas moças de lá, não são moças. - riu Jack. - Ok! O que você quer vestir, então?

- Aquele vestido preto, com babados... - respondeu Clara sorrindo. - É sexy, mas nem tanto....

- Desde que eu possa tirá-lo mais tarde... - disse Jack, pegando seus seios com as mãos e beijando-os, impedindo assim que ela vestisse seu sutiã.

- Amor! Você está em chamas, hoje! Deixa eu me vestir, não quero me atrasar... - disse Clara percorrendo o peito de Jack com os dedos.

- Hum... - disse Jack agarrando-a. - Eu quero você... nunca deixo de querer...

Clara empurrou-o, mas ele voltou a se aproximar dela.

- Não posso... - riu Clara, descendo as mãos agora sobre o traseiro de Jack. - Vamos perder a hora e estragar a noite dos nossos amigos.

Depois ela se aproximou mais de Jack e sussurrou em seu ouvido: - Depois, amor... Vou para o lado de lá da cama e assim nós podemos nos vestir.

Jack puxou-a e beijou-a com paixão e sussurrou em seu ouvido: - Gostosa... nunca desejei tanto alguém como desejo você.

Eles continuaram vestindo-se e Clara entregou nas mãos de Jack um blaser preto, uma camisa violeta e uma gravata no mesmo tom que tinha comprado para ele em Paris e uma calça black jeans, também nova.

- Querida! Que lindo! Você comprou para mim? - disse Jack. - Obrigado, meu amor! Você tem muito bom gosto e eu te amo demais!

- Eu também te amo demais... - disse Clara colocando o vestido. - Amor, fecha meu zíper...

Jack empurrou os cabelos de Clara para o lado, beijou sua nuca, acariciou suas costas e finalmente puxou o zíper. Clara, que já estava ficando com os joelhos amolecidos, virou-se e beijou-o.

Depois ela se afastou para pegar seu sapato no closet. Um escarpin de salto muito alto que tinha comprado há poucos dias e nunca havia usado.

- O que eu faço com meu cabelo? - perguntou Clara. - Prendo?

- Não! Gosto deles soltos... - disse Jack puxando-a para mais perto e acariciando seus cabelos. - Quer que eu penteie eles para você?

- Quero! - sorriu Clara, entregando o pente nas mãos dele.

Jack sentou-a em uma cadeira, na frente do espelho do toucador e acertou seus cabelos que naquele dia estavam cacheados apenas nas pontas e ele os ajeitou quase como um cabelereiro profissional, colocando um pouco de spray para fixá-los no final.

- Ficou lindo, querido! Vou fazer a maquiagem agora...

- E as jóias? - perguntou Jack.

- Minhas jóias estão no cofre, no quarto da Jenni, amor... - disse Clara. - não quero incomodá-los, vou colocar bijouterias. É mais seguro também, vamos andar a pé até o clube de jazz, já pensou se encontramos algum ladrão no caminho?

- Você que sabe, querida! - disse Jack. - O Mike disse que chamou uns seguranças que costumam trabalhar para ele para nos acompanhar hoje.

- Mesmo? - disse Clara sorrindo. - Mas acho que vou colocar esse colar de ônix que comprei ontem com estes brincos; mais simples, e lindos, não amor?

- Você ficaria linda com um colar de tampinhas de garrafa, amor...

- Me beija agora, antes de passar o batom, lindo. - sorriu Clara.

Jack tirou o batom da mão dela, beijou-a apaixonadamente e a seguir passou o batom delicadamente em sua boca.

- Pronto... - disse Jack. - Tenho vontade de cuidar de você, como se fosse uma flor rara, a mais bela de todas, aqui, ficando ainda mais linda...

- Ai querido! - disse Clara suspirando. - Você é um homem maravilhoso... eu não te mereço...

- Não, querida! Sou eu quem não te merece. Você é a mulher mais linda e mais talentosa que conheci em toda a minha vida. - disse Jack segurando as suas mãos e beijando-as. - Ainda não sei o que você vê em mim, mas me sinto muito grato por você estar aqui ao meu lado.

- Te amo tanto, Jack... - disse Clara com os olhos começando a encherem-se de lágrimas.

- Não vai chorar agora, que vai borrar a maquiagem, amor... - disse ele, pegando um lencinho de papel na penteadeira e secando seus olhos. - Pronto, amor...

Jack vestiu seu paletó, ajeitou os próprios cabelos com as mãos e pegou a bolsa de Clara... - Vamos embora, amor? Ah! Melhor pegar uma daquelas coisas que você costuma usar...

- Que coisas? - perguntou Clara.

- Aquelas coisas quentinhas, com franjas nas pontas...

- Ah! Uma paximina? - riu Clara. - É, acho que vou precisar de uma...

Clara caminhou até o closet e pegou uma paximina cor de vinho que tinha comprado uns dias antes de embarcar para Paris...

- Hum, essa eu não conhecia... - disse Jack. - Linda!

- Vou só pegar meu celular, querido. - disse Clara. - Levo minha câmera também?

- Ah! Não precisa... se quiser fotografar alguma coisa, a gente fotografa com o celular... que tal?

- Ok, querido... - sorriu Clara. - então vamos...

Os dois caminharam até a sala de estar e lá encontraram Michael e David, já prontos para sair, bebendo uísque enquanto esperavam que suas esposas ficassem prontas.

- Já pronta, princesa? - disse David.

- E linda! - disse Michael. - Que tal é ter uma mulher descomplicada, Jack?

- Ter esta mulher nos meus braços é maravilhoso. - disse Jack, pegando as mãos de Clara e beijando-as.

- Vocês querem um uísque? - perguntou Michael levantando-se e caminhando até o bar. - Princesa, quer champagne?

- Obrigada Michael, aceito champagne sim... - disse Clara. - E você amor?

- Quero champagne também Mike... - disse Jack.

- Caras! Os aeroportos estão mesmo um saco, ultimamente... Sentei lá no saguão, coloquei meus óculos escuros e fiquei bem quietinho, só falando com a Cindy pelo telefone e um agente de segurança francês deve ter cismado que eu era um terrorista perigosíssimo, ficou me seguindo, não tirava os olhos de mim.

- Vai ver, se apaixonou, Dave... - riu Jack.

- Foi estranho. - disse David rindo. - Fiquei com medo, o cara só desistiu de mim depois que uns garotos me reconheceram e vieram pedir meu autógrafo.

- Talvez ele também tenha te reconhecido, mas como segurança, não podia deixar seu posto para se aproximar de você. - disse Clara.

- Espero que sim, princesa! - riu David. - Já estou velho demais para revistas íntimas em salas de segurança.

- Que horror! - riu Clara. - Vocês já passaram por isso?

- E por que você acha que exigimos um avião só nosso a partir da segunda turnê? - disse Michael.

- Sério? - riu Clara. - E como foi isso?

- Foi no aeroporto de Austin, no Texas, chegamos para embarcar para Nova York e tinha muito mais policiais por lá do que era esperado. - disse Jack. - O Brad, nosso empresário percebeu que tinha algo de muito errado e, antes dos roadies descerem as caixas com nosso material de palco, onde estavam também as coisas que esses policiais queriam pegar, ele os mandou de volta ao hotel.

- E então... - disse Clara. - Eles fizeram vocês tirar as roupas?

- Querida, foi horrivelmente humilhante, mas eles não acharam o que procuravam e para nossa sorte, também não plantaram nada. - disse Jack.

- Ainda bem! - disse Clara. - Eu fico sempre apavorada com essas coisas. Essas pessoas têm muito poder e quase sempre abusam dele.

- Ah! Querida! - disse Jack. - Você não sabe as coisas que já passamos... O David chegou a ser preso algumas vezes, o Don também... Eu acho que tive muita sorte de nunca terem me pego.

- Eu também não! - disse Michael. - Nós brincávamos com fogo naquela época. O nosso empresário, o Brad, andava sempre armado e sempre dava um jeito de carregar seu revolver para dentro de todos os aviões em que embarcávamos, se o pegassem, era prisão na certa.

- Nossa vida na estrada estava muito longe daquilo que as pessoas imaginam, Princesa. - disse David. - Eu fui muito viciado em tudo o que você pode imaginar e durante um bom tempo fiz tantas loucuras que nem sei como ainda estou vivo. Em um daqueles nossos shows, que duravam quatro horas, eu estava com pneumonia e subi no palco com 40 graus de febre. Fiz o show e depois desmaiei no caminho para o carro. Me levaram do estádio direto para o hospital e passei uma semana internado, tal era meu estado.

- Pobrezinho! - disse Clara. - As esposas de vocês nunca estavam por perto, não?

- Não, Princesa! - respondeu David. - Estrada não é lugar para mulher... o Brad cuidava da gente e nunca as queria por perto. Ele nos mantinha tranquilos com as groupies e as drogas.

- Ele dava drogas para vocês? - perguntou Clara.

- Sim, muitas vezes... - disse Jack. - Eu nunca curti as coisas mais pesadas que eles usavam, então, como sempre estava um pouquinho menos intoxicado do que todo mundo, eu acabava tendo que resolver os problemas que eles criavam, eu tinha que ir lá acalmar jornalistas que tinham sido socados na cara, pelo Don, ou ainda pior, fãs ou contratantes que apanharam do Brad ou dos seguranças que ele arranjava para a gente.

- Não tinha nada de bonito, ou glamouroso. - sorriu Michael. - Muitas vezes parecíamos muito mais bandidos, escondendo drogas e armas, no meio do equipamento.

- Que triste! - disse Clara. - Tenho pena de saber disso. Tanto sonhei em vê-los tocando ao vivo em um desses shows que íam até o amanhecer... acho que ficaria decepcionada...

- Eu tenho certeza, querida! - disse Jack rindo. - Só éramos realmente bons para quem estava tão fora de si quanto nós. Acho que você, toda bonitinha assim, caretinha... você iria nos odiar...

- Quem odeia vocês? - perguntou Jennifer chegando na sala.

- Oi Jenni. - sorriu Clara. - Ele estava me dizendo que acha que eu odiaria ter visto a banda ao vivo nos anos 70.

- Eu odiaria com certeza! - riu Jennifer. - Não me levem a mal, mas vocês são barulhentos demais para meus pobres ouvidos.

- Eu amo a música deles. - sorriu Clara. - Sempre amei. Tem uma coisa ali, que me atinge direto no coração. Parece que nem passa pelos ouvidos.

- Obrigado, Princesa! - disse David.

- Eu amo fazer essa música. - disse Michael. - Estou muito feliz de voltar para ela.

- Queridos, cheguei! - disse Cindy. - Obrigada por me esperar...

- Valeu a pena! - sorriu David. - Você está linda!

- Então vamos? - disse Michael. - Deixei três carros prontos lá embaixo, são dois jipes e a Ferrari. Vocês pegam um jipe cada um e eu vou levar minha Ferrari para esticar um pouco suas pobres perninhas, ok? Vocês estão com a carteira de motorista com vocês, não?

Os seis pegaram o elevador e desceram no estacionamento do subsolo. Um quarto carro, também um jipe com seguranças, iria acompanhá-los.

Cada casal subiu em um dos carros e seguiram juntos em comboio até a região próxima ao hotel George V, onde deixaram os carros com valets que trabalhavam para o restaurante e entraram.

Como sempre, a chegada de todos juntos a qualquer estabelecimento chamava muita atenção e capturava todos os olhares. O maitre levou-os a uma mesa em uma área mais reservada do restaurante e eles puderam apreciar uma boa refeição italiana. Entradas, massas, bons vinhos, pães, queijos, consumidos entre sorrisos e uma ótima conversa sobre a vida na estrada, seus problemas e suas alegrias, que ainda continuava no restaurante para deleite de Clara.

Todos aprovaram o restaurante, disseram que era muito melhor do que muitos que conheceram na Itália e depois de pagarem a conta, os seis e seus três seguranças, saíram caminhando um pouco pelas belas calçadas, em busca do tal clube de jazz que Clara e Jack tinham conhecido durante a lua-de-mel.

Lá eles dividiram uma mesa, beberam e dançaram, junto com os outros casais que não acreditavam em sua sorte de encontrarem-se com todas aquelas lendas juntas, em uma noite comum de sexta-feira.

Jack ainda surpreendeu a todos subindo ao palco, com o trio de músicos veteranos do jazz e cantou "Nature Boy", um velho clássico do gênero, deixando a plateia eletrizada.

Depois, ele e Clara foram para a pista de dança e passaram a noite toda nos braços um do outro, sussurrando palavras carinhosas nos ouvidos. Michael deixou uma cópia da chave para eles e foram os últimos a sair da pista de dança, quando o clube já estava quase vazio.

Os dois pegaram o carro no estacionamento e decidiram ir assistir ao nascer do sol em Montmartre, do topo da escadaria da Igreja de Sacre Coeur, de onde toda a cidade podia ser vista. Os dois sentaram-se nas escadarias e como outros casais de turistas que estavam por lá, ficaram tranquilos, apenas apreciando o espetáculo que não tardou a encher o céu de luzes e cores.

E apesar da presença de muitos turistas, naquela madrugada de verão por lá, ninguém os incomodou e nos braços um do outro, os dois choraram pela beleza daquele momento.

- Meu amor... - disse Clara. - que coisa mais linda... Espera! Vou tirar uma foto... Ela pegou o celular, virou-se na direção da igreja e afastou o máximo, seu braço, tentando pegar os dois, Paris lá embaixo e o céu cor de rosa.

- Me dá o celular, Menininha. Meu braço é bem mais comprido que o seu. - riu Jack e conseguiu fazer uma foto linda deles, com todos os elementos daquele cenário que queriam guardar para sempre.

- Lindo!!!!!!!! - disse Clara. - Essa foto ficou perfeita! Vou levar lá no estúdio do fotógrafo do nosso casamento para fazer ela em papel. Precisamos colocar essa foto em um quadro.

- Você está linda! - Jack dizia enquanto ajeitava o cabelo dela desarrumado pelo vento. - Vamos para casa? Estou ficando com fome...

- Vamos sim, amor. - respondeu Clara. - Quer tomar café no caminho? É muito cedo ainda, não quero incomodar nossos amigos...

- Hum... Já sei! Lembra aquele café onde íamos na nossa lua-de-mel? Aqueles croissants de chocolate...

- Perfeito amor! Vamos lá...

O dia já estava bem claro quando Jack e Clara caminharam até o carro e seguiram até as proximidades do hotel George V, estacionaram próximos ao café que frequentaram algumas vezes durante sua lua de mel, naquela manhã de sábado, bem mais vazio do que se lembravam dele.

Sentaram-se em sua mesa favorita e pediram chá, leite, panquecas e os maravilhosos croissants que chegavam quentinhos na mesa e deliciosos.

Quando ainda estavam comendo, a campainha do celular de Jack tocou. - Oi Velhão... Eu já acordei e vocês ainda nem chegaram em casa?

- É isso aí David. Estamos tomando nosso café da manhã perto do George V. - disse Jack. - Quer croissant de chocolate?

- Poxa Velhão, só para fazer vontade... - riu David. - Ok! Só estou ligando porque o Mike disse que viu no rastreador do jipe que vocês ainda não tinham chegado aqui... Vem pela sombra...

- Beijo David! Já vamos voltar, ainda precisamos dormir... - riu Jack.

- Então hoje você não vai nem ver aquele seu timinho perder para o Manchester United? - riu David.

- Acho que não, velho... depois de comer, já está batendo aquele soninho... - Vou deixar a Princesa dirigir o carro na volta. - respondeu Jack sorrindo para Clara. - Daqui a pouco estaremos por aí... beijos.

- Você não está falando sério... Eu dirigir na volta.

- Por que não? Você tem licença, não? Aqui a mão é igual no Brasil...

- Tenho... mas faz uns seis meses que não dirijo. - disse Clara começando a ficar assustada com o rumo da conversa. - Vendi meu carro no começo do ano, porque queria comprar outro, mas a editora me deu um dinheiro que eu não esperava e decidi comprar um apartamento com ele. E como meu novo apartamento era bem mais perto de tudo, comprei uma bicicleta para me movimentar por lá... e desde então não dirijo. Além disso, nunca dirigi um carro tão grande.

- O que você fez com esse apartamento quando veio para cá?

- Nada... quer dizer, quando fui para Nova York e achava que passaria só uns 2 ou 3 meses fora de casa, eu distribui minhas plantinhas e entreguei a chave do apartamento para minha irmã passar lá de vez em quando, para pegar correspondência, essas coisas. - sorriu Clara. - Depois, o "Furacão" Jack Noble passou por mim e não cheguei a dar um destino para ele... por que?

- Estava pensando aqui... nós vamos para o Brasil nas férias, podemos passar uns dias no seu apartamento de São Paulo. - disse Jack com o mais charmoso dos sorrisos nos lábios. - Queria saber mais sobre você, Menininha e esse seu apartamento... além disso, adoro andar de bicicleta por aí...

- Você é lindo, sabia? - sorriu Clara. - Tem até um parque lá perto onde a gente pode andar de bicicleta o dia todo. Ía lá quando não conseguia achar inspiração para escrever, ficava lá fotografando flores e passarinhos...

- Para mim parece perfeito. - disse Jack. - Vou pedir um café forte para me acordar e mais uns croissants para levar para casa. E você, minha querida, vai se inscrever em uma auto-escola para aprender a dirigir do lado certo da rua.

- Como assim lado certo? - riu Clara. - Só na Inglaterra tudo está invertido...

- Não querida, em muitos outros lugares do mundo também... Na Índia, no Japão, na Austrália...

- Mas estes lugares são muito distantes e não contam... - riu Clara.

- Contam sim. - disse Jack. - Não quero ter que contratar um motorista para minha princesa... Tenho medo de que alguém roube você de mim.

- Ninguém conseguiria isso, meu amor. Fica tranquilo porque te amo tanto que isso é impossível. Mas vou sim reaprender a dirigir... vou comprar para mim um daqueles carros pequenos, igual ao do Mr Bean.

- Eu vou te dar um carro de verdade, querida. - sorriu Jack. - Algo mais apropriado do que aquele carrinho de brinquedo.

- Ah! mas é tão bonitinho, querido. - riu Clara.

Jack terminou seu café, pegou os croissants extras embrulhados e os dois caminharam até o jipe para voltar para casa. Jack dirigiu de volta para o apartamento de Michael, eles entregaram o embrulho com os croissants para David e foram direto ao quarto para dormir.

Apenas escovaram os dentes, tiraram as roupas, fecharam todas as cortinas e dormiram até às duas da tarde, quando acordaram e foram almoçar com seus amigos, no jardim e após o almoço, Clara foi com suas amigas ao salão de beleza preparar-se para o jantar beneficente de Paul McCartney, enquanto Jack, Michael e David ficaram em casa vendo futebol pela TV.

- Então Clara, vocês foram para onde mesmo depois do clube de Jazz? - sorriu Jennifer, enquanto dirigia até um badalado salão de beleza de Paris pelas avenidas ensolaradas.

- Nós fomos ver o nascer do sol em Montmartre, nas escadas do Sacre Coeur. - sorriu Clara. - O Jack tirou uma foto nossa lá, olha.

- Que foto linda! - disse Cindy. - Você vai colocar ela na parede da sua casa nova, não vai?

- Pode ter certeza, Cindy. - Sorriu Clara. - Assim que chegar em Londres vou encomendar uma cópia em um tamanho bom para emoldurar.

- Depois, fomos tomar café da manhã perto do Geroge V e o Jack me disse que quer passar uns dias no meu apartamento em São Paulo, nas férias. Adorei a ideia!

- O Jack é mesmo maluquinho, não? - riu Jennifer.

Clara sorriu e deu um suspiro profundo. Jennifer e Cindy riram muito do suspiro. - Isso é que é amor, não? - sorriu Cindy.

- Vocês precisam me entender, amigas. - disse Clara. - Não faz nem um mês que nos casamos. Aliás, que dia é hoje?

- Dia 17 de setembro. Amanhã é o aniversário de um mês de vocês, querida. - disse Jennifer. - Vocês precisam fazer alguma coisa especial.

- O que vocês sugerem?

- Que tal reservar a suíte do piano no George V e passar uma noite romântica por lá, depois do jantar? - disse Cindy. - Liga lá, faz uma reserva para vocês, assim você surpreende ele...

Clara pegou o celular e ligou para o hotel pedindo uma reserva para a próxima noite na suíte 1020. O gerente, muito amável explicou que aquela suíte estava ocupada até segunda feira.

- Que pena! Está ocupada... - disse Clara. - A comemoração terá que ser no seu quarto de hóspedes mesmo, Jenni. Gosto muito de lá também, mas aquela suíte é especial. Bem, vamos ao salão e depois compramos algumas coisinhas... lingeries, morangos, rosas, champagne... O importante é preparar tudo para esta noite porque ele vai esperar alguma comemoração amanhã, não esta noite.

- Meu Deus! Você vai matar o velho hippie do coração! - riu Cindy.

- Eu quero dar para ele a noite mais romântica da vida dele. - respondeu Clara sorrindo.

As três chegaram ao salão de beleza para prepararem-se para o jantar daquela noite. A cabeça de Clara fervilhava tanto com as ideias para surpreender Jack, que nem notou o burburinho criado pela sua presença.

O iPad de um dos cabelereiros circulava de mão em mão mostrando uma reportagem do site de uma revista de celebridades que traçava o perfil dela, colocando-a na lista das mulheres mais elegantes da Grã-Bretanha e dizendo que seu casamento, no mês passado, havia ofuscado o casamento do Príncipe William e já estava sendo considerado o "casamento do ano".

Além de fotos do casamento, a matéria trazia algumas fotos de Clara tiradas por paparazzi na porta de restaurantes, no desfile de moda, ao lado de Mick Jagger, em festas, a sequência de fotos com Jack em um parque e o beijo na Starbucks de Londres.

- Você viu isso? - perguntou Jennifer.

- Não... - disse Clara. - Ah! Eles estão de brincadeira... Pobre de mim, uma escritora do terceiro mundo que acabou de chegar aqui.

- Querida, isso é o máximo! - disse Jennifer. - Conheço gente que cortaria os dois braços por uma matéria desse tipo. Prepare-se para os olhares invejosos de hoje à noite.

- E isso é só o começo. - disse Cindy.

Clara só percebeu realmente o sentido da frase de Cindy depois de alguns minutos tentando digerir aquela nova situação. Aquela revista tinha muita visibilidade e logo aquela matéria serviria de base para inúmeras outras publicações e até a próxima semana, no Brasil, ela estaria aparecendo muito mais como uma socialite circulando pelas altas rodas, do que como escritora de livros relacionados ao mundo do rock que teve a sorte deles tornarem-se muito populares.

No salão, ela fez massagem, pés, mãos e alisou e prendeu os cabelos em um coque baixo. Embora Jack preferisse seus cabelos sempre soltos, aquele era o penteado mais elegante que aquela ocasião formal pedia.

Agora as três já estavam prontas para a festa e atravessaram a rua para uma elegante loja de lingeries, onde Clara comprou um conjunto completo em seda preta com corset e cinta liga. Clara comprou também uma gargantilha de veludo preto, que podia receber letras de cristais Swarovski.

- Jenni, o Martin sugeriu que eu pinte meus cabelos de vermelho, o que você acha? - perguntou Clara, enquanto esperava Cindy pagar por algumas peças que havia comprado.

- Hum... depende do tom... - disse Jennifer. - Talvez fique interessante, pode dar um ar mais sexy e misterioso, uma aparência mais forte para você.

- A pior parte de tudo é que só uma coisa me preocupa de verdade. - disse Clara.

- O que? - perguntou Jennifer.

- Se o Jack vai gostar ou não... - riu Clara. - Preciso agradá-lo, sempre. É patológico...

- Acho que ainda é a fase... - disse Jennifer. - você ainda está em um momento em que tudo gira ao redor dele, mas logo isso melhora.

- Espero. - respondeu Clara.

- Vamos? - perguntou Cindy carregando duas sacolas com coisas que havia comprado na loja.

- Agora vamos até um mercado perto da minha casa, para comprar o resto. Lá tem tudo, até uma floricultura. - disse Jennifer.

- Como vamos chegar com todas estas coisas sem que o Jack veja? - disse Clara já no caminho de volta para o apartamento.

- Vou ligar para minha cozinheira e pedir que ela me encontre na garagem. Assim, ela sobe com as compras e nós subimos só com as sacolas da loja de lingeries. - disse Jennifer

- Ótima ideia! - disse Cindy. - Vocês são boas nisso.

- Não é a primeira vez que entro com coisas no apartamento que o Mike não deveria ver. - riu Jennifer.

Todas caíram na gargalhada diante da revelação de Jennifer e logo já estavam na sala de estar do apartamento onde, após o final do jogo de futebol, ainda discutiam alguns lances ao redor de copos de uísque.

- Olá queridos. - disse Clara entrando com sua sacola nas mãos. - Então, como estão as coisas por aqui?

- Oi Clara. - respondeu Jack. - Vocês demoraram... mas valeu a pena. Estão todas lindas!

- Jack... - riu David. - Poxa vida, cara! Não é assim que se faz... Agora você colocou a gente em uma enrascada, vamos ter que dar atenção para nossas esposas quando elas chegam em casa também.

- É cara! - disse Michael tentando fingir que falava sério. - Mais uma dessas e teremos que afastá-lo de nosso convívio para sempre. Nossas mulheres já estavam acostumadas...

- Vocês!!!!! - disse Clara fingindo indignação. - Homens... humpf! Vamos minhas amigas, vamos nos reunir em outra parte da casa para prepararmos a revolução!

- Cuidado, que quando a Clara diz essas coisas, ela geralmente está falando sério. - disse Jack rindo - Logo estarão instalando guilhotinas por aqui...

- Vem aqui, meu amor, vem... - sorriu Clara abrindo os braços para Jack.

- Desculpem, mas acho que as guilhotinas serão para vocês dois apenas... - riu Jack abraçando Clara e beijando-a.

- Queridos! Preciso dizer agora que amo todos vocês e estou muito feliz por estar aqui. - disse Clara. - Eu e minhas amigas vamos agora descansar um pouco nesta sala de estar e gostaríamos da sua companhia.

- Claro, Princesa. - disse David. - Nós também gostamos da companhia de vocês; apenas estamos cuidando da manutenção de nossos direitos conquistados.

- Vocês são mesmo terríveis! - disse Clara. - Amigas, a luta continua!

E a conversa seguiu por algumas horas, com bebidas e pequenos petiscos trazidos pela cozinheira que já tinha guardado morangos e champagne na geladeira e esperaria todos saírem para preparar o quarto de hóspedes para a noite romântica que Clara havia programado.

Jennifer mostrou a eles a matéria da revista de celebridades e Jack disse que estava muito orgulhoso de ver as pessoas descobrindo aquilo que ele já sabia quando a viu pela primeira vez; que Clara era alguém com muita beleza e carisma e que certamente seria uma das maiores estrelas da música em breve.

O carinho entre os dois agora era enorme, Jack segurava sua mão, desejava agarrá-la, mas temia destruir seu penteado. Estavam todos felizes e tranquilos e logo se recolheriam a seus quartos para arrumarem-se para o grande evento social.

Alguns minutos depois, Clara levantou-se e pediu para Jennifer abrir seu cofre para pegar as jóias que usaria mais tarde; o colar e o brinco de rubis e diamantes e seu bracelete também de diamantes.

Também aproveitou para deixar o vestido, as roupas de Jack e os sapatos dos dois prontos para vestirem mais tarde.

Deixou também sua necessaire com a maquiagem sobre a penteadeira e os cremes hidratantes que usariam no corpo e nos cabelos de Jack prontos para serem usados no banheiro.

Passou sua carteira para a bolsa que levaria ao jantar e voltou à sala de estar.

- Acho que estou ansiosa. - disse Clara para Jack. - Já deixei tudo pronto no quarto.

- Querida... Temos algum tempo ainda. Que tal descansarmos um pouco no quarto? - sussurrou Jack em seu ouvido.

- Vamos amor... - respondeu Clara. - Acho que estou muito nervosa...

- Não se preocupe, meu amor. - disse Jack. - Você vai brilhar como sempre.

Quando os dois chegaram no quarto, Jack puxou-a para perto de seu corpo e começou a despí-la, lenta e carinhosamente, enquanto os dois dançavam novamente sua música imaginaria.

- Está mais calminha, meu amor? - sussurrou Jack em seu ouvido. - Você não deve prestar a mínima atenção nessas coisas que escrevem sobre você, nem nas positivas, nem nas negativas. Eles não te conhecem...

- Eu sei, amor... Mas mesmo assim isso me assusta. Tem uma porção de implicações nesta bobagem que não quero para nossas vidas.

- Mas elas acontecem, querida. Nós dois somos lançados como produtos para consumo, nos colocam em prateleiras e as pessoas então encontram uma fuga para suas vidas sem graça olhando para nós. Fica tranquila, você é linda, talentosa e se todos se apaixonarem por você, não será nenhuma surpresa para mim. Estranho seria se não te amassem...

- Jack... - disse Clara, beijando-o - Eu te amo!

Os dois foram para o banheiro, tomaram banho juntos na banheira e depois Clara cuidou dos cabelos de Jack e massageou todo seu corpo com creme hidratante.

Depois eles lentamente se vestiram e Jack ficou quase louco quando viu seu novo conjunto de lingerie, todo preto...

- Desse jeito nem vou querer ir jantar... é perda de tempo, vamos para a cama, amor... - disse Jack, acariciando seu corpo.

- Mais tarde, amor. Depois do jantar você vai me ajudar a tirar tudo isso aqui... - disse vestindo um roupão de seda e sentando-se na penteadeira para maquiar-se, enquanto Jack vestia seu smoking. Estava com a gravata pendurada ao redor do colarinho quando Clara chamou-o para ajudá-la.

Jack então aproximou-se, beijou seus seios e ajudou-a a colocar o vestido que era em duas partes, a primeira, um vestido leve de cetim e a segunda, uma capa de veludo que se encaixava sobre ela.

- Você está linda, meu amor. - disse Jack beijando seu pescoço, enquanto fechava para ela o colar de rubis.

- Você é muito doce, Jack. Não te mereço!

- Ai! Menininha! Te amo tanto... Você está linda... eu queria muito ficar aqui com você, guardar toda essa beleza só para mim, mas temos que alimentar os caras lá fora, para que eles me queiram em cima daquele palco que eu amo tanto e que você conhecerá em breve.

- Espero estar a altura daquilo que esperam de mim... - disse Clara, ajeitando os cabelos de Jack com carinho.

- Não amor... você deve primeiro estar a altura do que espera de você e deixar que os outros cuidem de suas próprias expectativas. E isso inclui as minhas expectativas também... Primeiro você, sempre... Não quero que você aceite nunca ficar triste só para me fazer feliz...

- Você é lindo, meu amor... E te fazer feliz nunca me deixaria triste...

Os dois agora estavam prontos para irem embora. Fariam como na noite anterior, usariam um dos jipes de Michael e embora Jack ainda não soubesse de nada, voltariam logo para casa para viverem juntos uma noite muito especial.

Clara pegou a bolsa, deu a mão a Jack e os dois caminharam pelo corredor até a sala de estar, onde David estava sentado, já pronto, conversando com Michael.

- Deus! - disse David em português. - Princesa! Você está linda!

- Obrigada David. - respondeu Clara em português. - Mas devemos falar em inglês, meu caro.

- Minha esposa, cara... – disse Jack rindo. – Lembra? Minha esposa.

- Então... – Clara começou a dizer em uma tentativa para aliviar a tensão. – Vocês sabem se a Jenni ou a Cindy precisam de alguma ajuda para terminarem?

- Não sabemos. – disse Michael. – Mas fica tranquila porque quando a Jenni precisa de alguma coisa ela sempre chama.

- Ok! – respondeu Clara puxando Jack pela mão e sentando-se com ele no sofá.

E depois de um começo tenso de conversa, os ânimos foram aos poucos tranquilizando-se e Jack e David logo estavam falando novamente de futebol, seu segundo assunto mais recorrente, depois da música.

Jenni e Cindy ficaram prontas juntas, as duas muito elegantes em seus vestidos de alta costura, que assim como o modelo de Clara, logo seriam copiados pelo mundo afora.

Todos desceram, embarcaram nos carros de Michael e seguiram até o Cinq, o restaurante mais badalado de Paris, que naquela noite abrigava um dos eventos mais badalados do ano.

E o mais importante da temporada. Na agitadíssima semana de Moda de Paris, todos que queriam ser vistos estariam lá naquela noite e desfilavam pelo tapete vermelho montado na porta do restaurante. Atores, músicos, socialites e até mesmo o Príncipe William e sua esposa, a Duquesa de Cambridge, chegavam e disparavam os inúmeros flashes que iluminavam a rua arborizada e tranquila de uma das áreas mais nobres da cidade.

Como Clara esperava, Mick Jagger chegou com Gianna Carli, a modelo italiana que era oficialmente sua namorada, mas que ele não ligava nem um pouco de trair com inúmeras outras mulheres.

E como todos esperavam, a chegada dos membros da banda Crossroads causou furor entre os fotógrafos, os dois primeiros casais a chegar, Michael e Jennifer Silver e David e Cindy Mersey receberam atenção dos fotógrafos, mas ninguém foi mais fotografado do que Jack e Clara Noble.

Perguntas eram disparadas pelos repórteres sem obter respostas e até mesmo algumas equipes de televisão do Brasil tentavam em vão conversar com a mulher que tinha acabado de ser eleita pela edição francesa da revista Vogue, a mais importante publicação de moda do mundo, como a mais elegante da temporada.

Clara estava um pouco assustada com toda aquela atenção e ficou ainda mais quando viu junto com uma das equipes de televisão, seu ex-namorado Roberto Junqueira, que sinalizava para ela.

- Jack. – ela disse no ouvido do marido. – O Roberto está ali, quer falar comigo, será que não tem como liberar que entre aqui no saguão? Pode ser alguma coisa importante.

- Sério que você quer falar com esse traste? – disse Jack. – Tudo bem, vou pedir ao segurança que libere a entrada dele. Você não pretende dar uma entrevista para ele, pretende?

- Claro que não. – disse Clara. – Só quero saber o que ele quer.

Quando os dois entraram, Jack apontou Roberto para o chefe da segurança e ele foi pessoalmente buscá-lo do lado de fora levando-o até o saguão do restaurante, onde Jack e Clara esperavam por ele.

- Muito bem, Roberto. – disse Clara em inglês para que Jack entendesse o que diziam – Vejo que está empregado novamente.

- Sim. É TV, mas o que se há de fazer, nada é mesmo perfeito. – respondeu Roberto. – Eu gostaria de falar com você sobre uma entrevista.

- Não darei entrevistas hoje. – disse Clara. – Além disso, se atender você, terei que atender os outros repórteres que estão lá fora também.

- Ok! Mas quero uma exclusiva antes do lançamento do disco. – disse Roberto.

- Isso pode ser. – respondeu Clara. – Fale com Michael, ele organiza estas coisas para mim aqui na Europa, como o Jonas organizava lá no Brasil.

- Então está combinado. – disse Roberto em português. – Vou ligar para ele. Você está linda hoje... Se esse hippie não estivesse aqui eu te beijava.

- Estamos falando em inglês hoje, Roberto! – disse Clara corando levemente.

- OK! Então tchau... – disse Roberto. – Obrigado por ter me ouvido.

Jack deu a mão à Clara enquanto Roberto era escoltado pelos seguranças de volta para fora do restaurante. A seguir, uma hostess aproximou-se de ambos e encaminhou-os até a mesa de Paul McCartney, onde seus amigos já estavam acomodados.

- Boa Noite, querido Jack. – disse Paul. – Que bom que veio. Estava com muitas saudades de você, amigo. Esta é minha noiva Nancy

- Boa Noite Paul. – disse Jack. – Como vai, Nancy!

- Vocês conhecem minha esposa Clara. – disse Jack.

- Sim, a princesa Clara como todos a chamam. – disse Paul. – Que elas não me ouçam, mas está mais linda do que nunca; ofuscando todas as mulheres esta noite, inclusive a Duquesa de Cambridge.

- Imagina, Paul. – disse Clara, um pouco sem graça. – Você sempre é muito gentil.

- Olá Nancy! – cumprimentou Clara. – Como vai?

- Muito bem, querida. – sorriu Nancy. – Vejo que está mesmo radiante hoje. Será que a lista da Vogue tem alguma coisa com essa alegria?

- Nada, Nancy. – respondeu Clara sorrindo. – Sim, estou muito feliz, mas apenas porque hoje nos reencontramos e meu marido está aqui comigo finalmente.

- Olá "Rainha da Luz"! - disse Mick Jagger levantando-se de seu lugar e aproximando-se de Jack e Clara para cumprimentá-los. - Vai usar meu presente no palco?

- Olá, Mick. - disse Jack tomando a frente na conversa. - depois quero conversar com você sobre isso.

- Oi Mick. Como vai? - disse Clara estendendo-lhe a mão, que ele beijou. - Jack, por favor, me deixe conversar com ele.

- Ok! Vou me sentar! - respondeu Jack. - Não demora!

- Hum! - Jagger sorriu. - Pelo jeito seu marido não gostou nada do presente...

- Mick, você sabe que ele é ciumento, não sabe? - disse Clara.

- Sim... mas somos amigos. Soube do leilão e quis ajudá-la porque aquela jóia é perfeita para seu figurino.

- Eu sei. - respondeu Clara. - Mas o Jack quer pagar por ela ou fazer um contrato de aluguel pela jóia. Eu a uso no palco durante a turnê e depois a devolvo a você. Acho até que já ligou para o Michael para providenciar isso.

- Mas foi um presente. - disse Mick. - Não preciso do dinheiro, você sabe...

- Eu sei, mas me deixe fazer um cheque para você e ele vai ficar mais tranquilo. - respondeu Clara. - Por favor, não alimente os medos do Jack e procure não fazer mais esse tipo de coisa ou serei obrigada a me afastar de você.

- Querida... - disse Mick sorrindo e beijando sua mão mais uma vez. - prometo que me comportarei... não quero perdê-la.

- Vamos voltar à mesa. Mandarei o cheque na segunda feira para você pelo Michael e me perdoe por não aceitar seu presente. - disse Clara.

- Não há o que perdoar. - disse Mick. - Você é admirável, minha amiga. Gostaria tanto de poder estar mais tempo com você...

- Me desculpe, mas o Jack não entenderia. - respondeu Clara.

- Eu sei. - disse Mick. - Você ainda o ama?

- Desesperadamente... - suspirou Clara.

Os dois caminharam de volta à mesa e Clara foi cumprimentar Gianna, a namorada de Mick, com quem conversou brevemente em italiano. Depois deu a volta na mesa e sentou-se ao lado de Jack e Nancy.

Jack levantou-se da mesa e foi conversar com Phil Collins que não via há muito tempo e estava em uma outra mesa.

- Ele é uma visão e tanto, Clara! - disse Nancy. - Aliás não é a toa que a mídia está falando tanto em vocês, são mesmo lindos juntos.

- Obrigada! - respondeu Clara. - Eu nem sabia do que estavam publicando. Desde que ele chegou aqui, de surpresa, na quinta-feira, não sei mais o que está acontecendo no mundo, acho que não posso mais nem me considerar uma jornalista....

- Ah! Mas vocês acabaram de casar. - disse Paul. - isso é normal, vocês estão ainda em lua-de-mel e além disso tem toda essa confusão de banda, de turnê. Fica meio complicado mesmo para achar uma rotina agora.

- Verdade, Paul. - respondeu Clara. - Estou muito perdida ainda. Sempre me parece que não darei conta de tudo.

- Ah! Mas nem tente, querida.... - disse Paul. - Você precisa fazer apenas o que pode, não adianta passar a vida correndo atrás das coisas. Deixa que elas corram para você e verá que tudo se encaixa.

- Espero que sim, Paul. - sorriu Clara.

Jack voltou para a mesa e alguns minutos depois, o jantar era servido. O cardápio era totalmente vegetariano e a comida sofisticada e deliciosa. Após o jantar, haveria um baile e embora Clara já estivesse pensando em como levar Jack para casa mais cedo, ela sabia que os dois precisariam ao menos passar pela pista de dança para não parecerem antipáticos.

Jack e Clara foram para a pista dançar e no meio da dança, trocaram de par com Paul e Nancy. Depois Clara voltou para os braços de Jack e ela pode finalmente dizer a ele que estava sentindo-se cansada e com dor de cabeça.

Sem a menor ideia dos planos de Clara, Jack avisou a Michael que estava voltando para casa e pegou com ele a chave do apartamento. Enquanto fazia isso, Clara ligava para a cozinheira avisando que estavam a caminho. Era hora de colocar o plano em movimento.

E enquanto esperavam pelo carro, na porta do restaurante, ela passou mensagem de texto para Jennifer e para Cindy.

- Você está bem, amor? - perguntou Jack preocupado. - É só dor de cabeça, mesmo? Por acaso o Jagger te incomodou novamente?

- Não, querido. Estou bem! - disse Clara. - Deve ser o cabelo preso e o cansaço mesmo. Foi um longo dia...

- Você está tão linda. - respondeu Jack. - É uma pena sair tão cedo, queria dançar um pouquinho mais com você naquela pista.

- Ainda dançaremos muito por aí, meu amor. - sorriu Clara acariciando a coxa de Jack.

- Vou fazer um chá para você e colocá-la na cama... - disse Jack, aproveitando o sinal fechado para olhar maliciosamente para seus seios. - Queria mergulhar neles...

- Meu amor... - suspirou Clara.

Continua

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