28 de nov de 2011

Rockstar - Capítulo XLIX


No final da tarde as três amigas estavam presas no caminho de trânsito pesado até Heathcliff Hall. Clara ainda estava nervosa com a atitude de Jack e embora não dissesse nada às amigas, era a mais ansiosa para chegar.

Quando o carro finalmente parou na frente da casa, uma das empregadas ajudou as três com suas sacolas e Clara apenas pegou suas compras e subiu para seu quarto.

Como calcularam, todos estavam no estúdio e isso significava que as três jantariam sozinhas.

Clara alegou que estava com dor de cabeça e não desceu para jantar com elas e nem as acompanhou quando elas desceram ao estúdio para ver como estavam as coisas.

Quando ela não apareceu no estúdio, Jack ficou preocupado e para espanto de todos, saiu sem dizer nada e subiu até o quarto, que encontrou com a porta trancada por dentro.

- Clara? – Jack bateu na porta. – Por que esta porta está trancada? Abre, quero conversar com você.

- Não temos nada para falar... – respondeu Clara áspera. - Volta para o estúdio, que eu preciso de descanso, estou com dor de cabeça.

- Não, não está! – disse Jack. – Está bancando a boba... abre, por favor...

- Boba? – disse Clara, abrindo a porta. – Até agora eu era a mais dissimulada das mulheres, combinando encontrar com meu amante Mick Jagger em Londres, depois que não pudemos conversar em Paris. Agora eu sou boba?

- É boba, sim! – disse Jack, empurrando-a para dentro do quarto e fechando a porta. – Me perdoa... eu enlouqueci de ciúmes quando vi aquelas flores...

- Eu não tenho culpa... – disse Clara, seus olhos já inchados de tanto chorar. – A Jennifer me disse que ele faria isso e eu...

- Vem aqui, meu amor. – disse Jack abraçando-a. – Não vamos brigar por causa desse cara de novo. Não tem nada que ele possa fazer para nos separar, minha vida. Me perdoa...

Clara beijou-o e ele a agarrou, empurrando-a até a cama, onde os dois deitaram. Jack tirou sua blusa e começou a beijar seus seios. Clara, também ajudou-o a despir-se e logo as lágrimas de tristeza causadas pelos ciúmes estavam esquecidas, em meio a gemidos de prazer e declarações de amor.

- Me perdoa, querida... – disse Jack. – Quando você ligou, a empregada estava me entregando o bouquet de flores. Quando vi aquele cartão, fiquei cego de ciúmes...

- Deixa isso para lá, querido. – disse Clara. – Só fiquei chocada com a injustiça disso tudo. Não podemos entrar em guerra cada vez que ele resolve aparecer nas nossas vidas...

- Melhor deixarmos isso para lá... – respondeu Jack. – desculpa querida, joguei as flores que ele mandou no lixo.

- Não me importa. – sorriu Clara, sentando-se na cama e começando a vestir-se. – Precisamos descer, nossos amigos devem estar preocupados...

- Eu saí do estúdio sem dizer nada a ninguém... – riu Jack. – espero que eles também não fiquem nervosos comigo!

- Eles te amam como eu te amo, Jack. Tudo vai ficar bem. Vem...

Os dois desceram e encontraram todos sentados, bebendo e conversando na sala de música, onde ouviam as faixas já mixadas do novo disco.

- E aí, Velhão? – disse David. – Da próxima vez conta para a gente o que vai fazer. Ficamos sem entender nada.

- Desculpa pessoal... – disse Jack. – Meu anjo tem prioridade sobre tudo nesta minha vida... eu precisava conversar com ela... Não está certo fazer chorar alguém que me faz tão feliz...

- Não está mesmo! – disse David. – Princesa, você quer que eu dê uma surra nesse canalha?

- Não, David. – sorriu Clara. – Está tudo bem agora. Eu amo desesperadamente esse canalha...

- Vocês querem jantar? – perguntou Cindy.

- Não, obrigada, querida. – disse Clara. – Não estamos com fome.

- Então vamos tomar um vinho. – disse David servindo uma taça de vinho para cada um. – E já que estamos aqui, vamos ouvir as faixas do novo disco que já estão prontas, quero saber o que vocês acham...

David colocou o disco para rodar e aos poucos a tensão tinha deixado completamente aquele ambiente e os seis amigos discutiam suas impressões sobre as novas músicas e os planos de divulgação dele que Michael havia enviado a eles por e-mail.

O principal deles, que mais tinha preocupado Clara, era a gravação ainda na próxima semana de dois videoclipes, um para a música "Unexpectedly" e outro para "The Light". Tudo seria feito nos estúdios Leavesden, a partir da próxima segunda-feira.

- Ele já mandou até os roteiros dos clipes. Quer ver? – disse Jack.

Clara passou rapidamente os olhos sobre a história que teria cenas gravadas em um cenário de castelo medieval e em uma floresta, ambos montados no estúdio e tinha uma história que teria lutas de espadas e onde Clara apareceria como a Rainha da Luz, usando o figurino dos shows, caminhando por uma floresta encantada.

- Bem, acho que é isso... – suspirou Clara. – espero me sair bem...

- Não se preocupe, querida. – disse Jack. – Nós também não gostamos destas coisas, mas pelo que eu li aqui, ao menos será divertido...

- O que o Jack quer dizer, princesa, é que dói menos se você não levar a sério. – sorriu David. – Esses caras sempre inventam... e somos nós que pagamos os micos...

- E o "Unexpectedly"? – perguntou Clara.

- Esse vai ser mais tranquilo... quer dizer, vamos tocar a música ao vivo em um palco, com uma plateia e eles vão filmar em preto e branco. Nada de espadas, nem castelos... – disse David.

- Ufa! – sorriu Clara. – E o resto do figurino? A capa? Os sapatos?

- Vamos buscar amanhã, em Paris... – sorriu Jack. – Eu e você... Passamos o final de semana lá, no George V.

- Sério? – sorriu Clara. – Vocês não vão?

- Não princesa. – sorriu David. – Estamos terminando a mixagem... ficaremos por aqui mesmo... alguém tem que trabalhar nessa banda...

- É isso mesmo, David... – riu Jack. – Não gostou? Vem me pegar...

- Viu só, Princesa? – disse David rindo. – Já começou de novo, você só é príncipe no videoclipe, cara... Olha que está cheio de vocalistas nesse mundo, te substituo em dois minutos... deixa ver, acho que ainda tenho o telefone daquele cara de Yorkshire...

- Não consigo mais ligar para nada. Vou passar o final de semana em Paris com meu marido! – sorriu Clara. – Nada mais me importa... Já vou fazer as malas... A que horas nós vamos?

- Estava conversando com o David e ele me quer aqui até a hora em que o Paul volta para Londres, lá pelas 5. - disse Jack. - Temos reserva no George V até domingo. Voltamos para cá, à tarde, porque nos esperam no Leavesden na segunda de manhã.

- Que surpresa linda, meu amor! - sorriu Clara. - Você não me disse nada...

- Quando o e-mail chegou, liguei para o Jean Paul e ele me disse que mandaria tudo, mas depois pensei melhor e liguei em seguida, avisando que pegaríamos as roupas no final da semana com ele. Acho que você não me perdoaria deixar passar esta oportunidade de um final de semana em Paris...

- Só trocaria Paris por nossa montanha, amor... - sorriu Clara.

- Precisamos desse tempo juntos... - disse Jack. - O Michael abriu a gravação dos vídeos para a imprensa. Daremos entrevistas na terça, no set de gravações e daí em diante tudo começa, lógico que viajaremos antes para nossa lua-de-mel, mas quando voltarmos, começa a estrada e tudo o que vem com ela. Teremos seguranças nos acompanhando todo o tempo e isso significa nenhuma liberdade...

- Ah querido... Não consigo me preocupar com isso... desde que estejamos juntos, tudo estará bem... Vocês também, sei que às vezes é bem difícil, mas se vocês ficarem unidos, a estrada será mais fácil de enfrentar. Vocês são amigos, só precisam não deixar as chatices da estrada criarem muros entre vocês...

- A Princesa tem toda razão! - sorriu David. - E até que enfim temos entre nós alguém com equilíbrio e disposição para aturar esse bando de malucos... Somos bons músicos, mas conta a lenda que temos as piores personalidades...

- Nunca vi nada que me fizesse concordar com isso... - sorriu Clara. - Me parecem três homens bons, inteligentes e afáveis...

- Jack, obrigado por achá-la... - sorriu David, abraçando Clara. - Você é muito especial, querida.

- Obrigada... - sorriu Clara. - Considero vocês todos minha família agora, meus irmãos e irmãs no exílio... quanto ao Jack, ele é o meu "outro eu"... somos a mesma pessoa ocupando corpos diferentes. – disse abraçando Jack.

- Ah, Menininha... - disse Jack beijando-a na testa. - Eu te amo! Espero nunca te decepcionar...

Clara chamou Jennifer e Cindy para ajudá-la a preparar as malas que levaria a Paris. Separou roupas quentes, já que o tempo começava a esfriar por lá também e decidiu que não levaria suas jóias, para não ter que preocupar-se com cofres e pegou roupas em sua maioria simples, com que pudesse passear pela cidade, mas também embalou a lingerie sexy que tinha acabado de comprar para fazer uma surpresa especial para seu marido.

A ideia era também a de aproveitar o passeio para mais algumas compras, Clara que nunca ligou muito para o que vestia, agora parecia bastante preocupada. Com o lançamento do disco, ela passaria a estar constantemente sob os olhos do público e isso praticamente a obrigava a buscar roupas apropriadas. A meta era não dar margem a comentários maldosos que poderiam roubar atenção da mídia do que realmente importava: a música da Crossroads.

Jennifer, a mais bem relacionada delas com o mundo da moda, deu a Clara uma lista de lojas e ateliers de estilistas, onde ela certamente encontraria o que procurava. Além disso, entregou-lhe as encomendas de roupas da nova coleção de Mille Jones que haviam chegado para que ela experimentasse, em Paris e que Jennifer, como sua personal stylist, tinha trazido para Londres.

Em sua lista de compras, desta vez, estavam casacos leves e mais pesados, botas, sapatos, bolsas e acessórios para complementar o visual. Se já vinha recebendo uma atenção extraordinária da imprensa antes de subir ao palco, tudo tendia a ficar pior depois da estreia do videoclipe e do show.

- O Jack é mesmo imprevisível... - disse Clara. - Quando achava que íamos continuar brigando por causa daquela bobagem de hoje, ele me convida para um final de semana romântico em Paris...

- Deve ser consciência pesada, querida. - sorriu Jennifer. - Ele não tinha nenhum direito de falar daquele jeito com você.

- Ele tem ciúmes do Mick e não acho justo torturá-lo ainda mais. - disse Clara. - De agora em diante, meu contato com o senhor Jagger deve ser o mínimo possível...

- E vai se privar da companhia de alguém que lhe agrada apenas para não deixar os instintos pré-históricos de seu marido manifestarem-se? - perguntou Cindy inconformada.

- Posso viver sem a companhia de um amigo interessante, mas não consigo continuar vivendo se para ter essa companhia for necessário ferir meu marido, Cindy. - sorriu Clara. - é como se ferisse a mim mesma...

- Estamos em 2011, querida. - sorriu Jennifer. - você deveria ser livre para conviver com quem bem entendesse.

- Eu sou livre... - respondeu Clara. - Por isso me afasto, antes que algum mal aconteça. Então Jenni... e aquele estilista que você me disse na semana passada que tem o catálogo todo na internet? - disse Clara mudando de assunto. – Vamos dar uma olhada no site dele e você me diz o que acha que ficaria melhor em mim...

A conversa no quarto voltou às roupas e acessórios, enquanto o coração de Clara sentia-se fazendo o primeiro sacrifício de seu relacionamento com Jack, o de abrir mão de uma amizade com que tinha sonhado durante toda a sua vida.

Continua

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