21 de nov de 2011

Rockstar - Capítulo XLIV


Khaled levaria Clara ao aeroporto usando a Mercedes do escritório de Michael. O trânsito estava pesado e ela ligou para Jennifer para saber onde estava e descobriu que ambas estavam presas em carros diferentes, no mesmo congestionamento.

Quando finalmente chegou ao aeroporto, encontrou Jennifer no meio do saguão. Seus bilhetes eram de primeira classe e mesmo tendo que enfrentar a fila do check in, elas foram encaminhadas para a sala vip do aeroporto, após passarem por todos os procedimentos de segurança.

E depois de um caminho acidentado, a sala vip serviu como um descanso. Sentaram-se e antes que chamassem os passageiros de seu voo para embarque, Clara mandava uma mensagem para Jack em seu iPhone.: "Te amo! Já estou com saudade, meu amor..."

E recebeu em seguida uma outra: "Te amo, meu amor. Queria que você estivesse aqui comigo..."

- O que foi Clara? - perguntou Jennifer.

- Nada. Só estava escrevendo para o Jack. Já estou com saudades dele... - suspirou Clara.

- Isso é tão bonitinho! Vocês estão inspirando todo o grupo... - sorriu Jennifer. - Até o Michael anda mais romântico comigo, desde o episódio da biscate italiana. As coisas melhoraram muito...

- Que bom! Fico feliz por vocês. - disse Clara. - Eu não consigo explicar o que existe entre eu e o Jack, mas estamos tão felizes.

As duas embarcaram e passaram todo o voo falando sobre os desfiles que iriam assistir durante aquela semana e a visita que fariam ao atelier de Jean Paul, o estilista que havia feito as roupas do casamento de Clara, em busca de um guarda roupa para usar durante a turnê da Crossroads.

Apenas uma hora após embarcar em Heathrow, as duas já estavam no Aeroporto Charles de Gaulle caminhando atrás de Claude, o motorista que costumava prestar serviço ao casal Silver. Ele guardou as malas no porta-malas do Mercedes preto e seguiu através do trânsito pesado e demorou mais que uma hora para chegar ao sofisticado 16º Distrito, bairro onde ficava o apartamento onde Michael e Jennifer moravam.

Aquele era o bairro residencial mais exclusivo de Paris, uma vizinhança luxuosa e bem arborizada onde viviam apenas os muito ricos. Na mesma rua em que vivia o casal Silver, também ficava o apartamento do escritor Paulo Coelho e o do cantor Mick Jagger.

Clara preocupou-se com a informação inicialmente, mas lembrou-se que durante um de seus últimos encontros, Mick contou a ela e a Jack que seu apartamento estava em reforma e respirou aliviada.

O apartamento dos Silver tomava dois andares e a cobertura de um prédio do século XIX, reconstruído após a Segunda Guerra. Decorado de forma clássica, o apartamento tinha quatro grandes suítes e o quarto de hóspedes, oferecido à Clara, tinha uma pequena sacada que dava para a avenida e era iluminado por uma clarabóia que enchia o quarto dos reflexos dourados da luz do sol no final da tarde.
A cama king size tinha um dossel alto e a decoração do quarto incluia tapetes orientais, grandes quadros com paisagens rurais e lindas antiguidades do período neo-clássico. O banheiro da suíte era todo de mármore branco e tinha uma enorme banheira, que provocou em Clara um profundo suspiro, a primeira vista.

O mais badalado desfile da temporada estava marcado para as 19 horas e seria seguido de um cocktail e um jantar de gala para os convidados vips e Clara e Jennifer teriam pouco tempo para prepararem-se. A equipe de um badalado cabelereiro veio ao apartamento cuidar de ambas e em poucas horas, elas estavam penteadas e maquiadas.

Clara optou pelo seu vestido preto de alças usado com um sári vermelho por cima. Os cabelos foram alisados e presos em um coque simples e o visual foi completado pelo conjunto de colar e brincos de diamantes e rubis, o primeiro presente que Jack lhe deu assim que chegaram em Londres.

Não resistiu à tentação e colocou também o bracelete de diamantes que Jack havia lhe dado no dia do casamento dos dois. Para ela, usar aquelas jóias era um jeito de ao menos ter com ela alguma coisa que a fazia lembrar-se dele, agora que ele estava em Londres trabalhando, enquanto ela passeava em Paris.

- Amiga! Perfeita... - disse Jennifer ao vê-la pronta para ir ao desfile. - Adoro esse seu vestido...

- Obrigada, Jenni. O seu também é maravilhoso. - respondeu Clara. - Falta só colocar o celular nesta bolsa de festa e já podemos ir.

- Que bom! Chegaremos no horário... Gostou do Martin?

- Ele é ótimo. Gostei muito do que ele fez no meu cabelo. Vamos arrasar, amiga!

Clara pegou seu celular e enviou uma mensagem para Jack: "Meu amor, Paris sem você é apenas um cenário sem vida. Já estou com saudades..."

Com o convite para o desfile nas mãos, as duas subiram na Mercedes preta e logo estavam na fila dos carros de luxo que estacionavam na porta de um antigo palácio restaurado. Um grande número de repórteres se concentrava em uma área reservada ao longo do tapete vermelho tentando ganhar a atenção dos famosos e endinheirados que seguiam para o desfile.

As duas foram fotografadas e avisaram a assessoria do evento que não falariam com a imprensa, que insistia em fazer perguntas. Uma hostess encaminhou-as para a primeira fila de assentos do desfile, onde se sentariam ao lado dos convidados mais importantes do evento; Paul McCartney e Mick Jagger, que estavam lá porque a coleção de inverno prestava uma homenagem à chamada "Swinging London".

Ao ver Clara chegando, Jagger levantou-se e foi a seu encontro.

- Olá, Clara. Tudo bem? - disse em bom português, para seu espanto.

- Hum, tudo bem... Senhor Jagger. Fala português agora? - sorriu Clara.

- Estou aprendendo... tenho um filho brasileiro, sabe? - respondeu ainda em português. - E o senhor Noble? Como vai?

- Muito bem. Está no estúdio finalizando o novo disco. - disse Clara em inglês, tentando incluir Jennifer na conversa. - Você conhece a Jennifer Silver, não?

- Olá senhora Silver, como vai? - disse Jagger voltando ao inglês, ao perceber que Jennifer olhava um tanto espantada.

- Muito bem! Não imaginava encontrá-lo aqui hoje.

- Recebi esse convite do estilista e ele me ligou falando que a coleção celebrava os anos 60 e... bem... decidi ver com meus olhos. - respondeu Jagger. - Para mim é uma surpresa muito agradável encontrar tão belas e agradáveis senhoras por aqui.

Clara sorriu diante dos galanteios canastrões de Mick e agora estava certa de que aquela seria uma longa noite. Mick conversou com a organizadora do evento que aceitou reorganizar os assentos para acomodá-lo ao lado de Clara.

Ela sentou-se por alguns minutos, mas logo chamou Jennifer para ir ao toalete com ela.

- Meu Deus! Você sabia que ele vinha? - perguntou Clara tentando disfarçar seu nervosismo.

- Eu sabia que ele seria convidado, mas esta é a primeira vez que o vejo em um desfile que não envolve a filha dele. - respondeu Jennifer. - Desculpe, não imaginei que isso pudesse acontecer.

- Não é sua culpa, querida. É melhor eu aprender a enfrentá-lo, não adianta fugir... - disse Clara em um tom que não disfarçava a tristeza em sua voz.

- Vamos, Clara. Vai ser divertido... - disse Jennifer. - Não presta muita atenção no que ele fala que logo ele se cansa.

O celular de Clara tocou, avisando da chegada de uma nova mensagem. "Meu amor... desejo que o tempo passe muito rápido para tê-la em meus braços novamente."

Clara respirou fundo para não chorar e digitou no celular: "Eu te amo... queria estar em seu braços agora." Depois retirou a campainha do celular e colocou-o novamente na bolsa.

Jennifer fez o mesmo com seu aparelho. Não queria que ele tocasse na hora errada.

- Vamos voltar? - disse Jennifer. - Você está pronta?

- Estou sim.

As duas caminharam até os seus assentos e alguns minutos depois, o desfile começava. Uma coleção colorida e divertida tomou a passarela e conseguiu tirar completamente a atenção de Clara de seus problemas mais imediatos.

Mary Quant e seus vestidos e saias curtíssimos, botas de cano alto, muitas cores, tons cítricos e elétricos e muitos casacos de pelúcia fugiam completamente dos pretos e cinzas tão presentes na moda inverno e eram a marca daquela coleção.

- Estas saias são muito curtas, Jenni... - disse Clara. - Não tenho coragem de usar algo assim...

- Ah! Querida. Fica lindo no palco. Mas podemos comprar algumas peças que funcionarão bem. Olha aquele casaco de pelúcia. Ficaria lindo em você.

- Eu gosto das botas. - sorriu Clara. - Nem precisava dizer, não?

- Eu não sei... - disse Jennifer. - Estou achando tudo moderno demais. Acho que você se sentirá mais a vontade com uma imagem mais romântica. Vamos falar com o Jean Paul amanhã...

- Você ficaria linda nesse vestido, Clara. - disse repentinamente Mick Jagger em seu ouvido. - Vermelho é sua cor.

- Obrigada Mick. Mas é curto demais para mim.

- Bobagem. Suas pernas são lindas, deveria mostrá-las mais.

- Quando você viu minhas pernas?

- Quando saímos juntos, na sua lua-de-mel. Fomos a Montmartre. Lembra-se? Você estava de short...

Clara sorriu um pouco sem graça e comentou com Jennifer sobre os casacos coloridos imitando as roupas que os Beatles usavam na capa do disco "Sgt Peppers" que tinham acabado de entrar na passarela.

- O que foi? - perguntou Jagger.

- Gostei dos casacos. São lindos.

- Lindos mesmo... - disse Jagger. - Você tem muito bom gosto e está linda hoje. Falando em Montmartre, gostaria de almoçar comigo novamente naquele restaurante amanhã?

- Mick desculpa, mas não sei se poderei. A Jenni está controlando nossa agenda durante esta viagem e sei que ela marcou com diversas pessoas nestes próximos dias.

- Perguntamos para a Jenni então. Vamos almoçar em Montmartre juntos amanhã?

- Vamos! Só vamos nos encontrar com o Jean Paul no final da tarde, Clara.

- Ótimo. Não usaremos disfarces. Onde vocês estão hospedadas? - perguntou Jagger.

- No apartamento dos Silver, no 16º Distrito.

- Ah! São vizinhos do meu apartamento que ainda está em reforma. Passarei na porta de vocês às 12 horas amanhã. Não se preocupem porque iremos com seguranças e ninguém nos incomodará.

- Perfeito. - disse Jennifer. - Então está combinado.

Clara apenas sorriu. Estava preocupada com aquele almoço e com o restante da noite. Estava com medo dele, do que podia fazer assim que as câmeras e holofotes se apagassem e ele tivesse mais liberdade.

Quando o desfile terminou, os convidados atravessaram um belo jardim interno até um imponente salão de bailes onde espelhos, enormes lustres de cristal e molduras douradas criavam um ambiente espetacular para a área onde estavam montadas as mesas de jantar.

Uma pista de dança, no fundo do salão, era um prenúncio de que Clara poderia ter mais problemas após o jantar e ela então decidiu tomar uma atitude antes, chamando Jennifer para ir com ela ao toalete.

- Já conversei com a Mille Jones e na sexta, ela vai te receber para provar as peças que você gostou no desfile. Disse que tem mais alguns vestidos que você vai adorar lá no atelier.

- Isso é ótimo, Jenni! Mas estou apavorada. - disse Clara.

- Apavorada? Por que?

- O Mick. Não sei o que ele pode fazer depois desse jantar. - disse Clara.

- Podemos ir embora assim que o jantar terminar. - disse Jennifer. - Que tal?

- Ótimo! Faremos isso, então. Não quero passar a noite fugindo dele. - disse Clara.

As duas seguiram para a mesa marcada para elas, por coincidência ou insistência dele, a mesma de Jagger e de Paul McCartney e de sua noiva, Nancy.

Um pouco mais relaxada depois de combinar com Jennifer o momento de sua saída, Clara passou a conversar com Paul e sua noiva que se mostravam muito atenciosos com ela, falando sobre seu casamento com Jack.

- Para falar a verdade, a Nancy ficou muito chateada comigo. No dia do seu casamento nós estávamos no Japão para um show e quando saíram as revistas, com as fotos, ela veio me dizer que tinhamos perdido o casamento do ano.

- Eu sou suspeita para comentar, mas foi mesmo lindo. - disse Jennifer. - Muito romântico...

- Para mim foi muito especial. - disse Clara sorrindo. - Tudo muito inesperado. De um minuto para outro, conheci o Jack e antes que eu tivesse chance de entender o que estava acontecendo, já estávamos nos casando.

- A história de vocês foi surpreendente, não imaginava que acontecessem coisas assim fora dos livros e filmes. - disse Nancy. - Vi vocês na TV falando sobre como se encontraram em Nova York...

- Foi. - respondeu Clara. - Eu estava saindo para almoçar com meu editor, quando ele veio na minha direção com um dos meus livros nas mãos e me pediu um autógrafo. Me apaixonei a primeira vista.

- Sinceramente querida, até eu ficaria abalada com esta visão. - sorriu Nancy. - Desculpa Paul, mas o Jack Noble ainda é um homem muito bonito.

- Não tenho como discordar disso, querida! - disse Paul dando uma gostosa risada que todos acompanharam na mesa.

- O senhor Noble é mesmo uma visão impressionante... - disse Mick rindo também.

- É sim... - respondeu Clara. - Ele é lindo! Por dentro e por fora...

- O Jack é um amigo muito querido. - disse Paul. - Senti muito não poder ir ao casamento. Uma pena ele não estar aqui hoje.

- Ele está gravando em Abbey Road até sexta, mas vem para cá no final da semana.

- Ah! Então vamos jantar juntos no sábado! Onde vocês estarão hospedados? - disse Paul sorrindo.

- Na casa do Michael Silver, no 16º Distrito.

- Vocês conhecem o Cinq? A revista Vogue e a minha fundação farão um jantar beneficente lá, no sábado. Quero que vocês venham. Estou com saudades do Jack e de toda a Crossroads.

- Será maravilhoso. - disse Clara. - O meu marido fala de você com muito carinho, Paul.

- Você também vai, não Jagger?

- Não perderia isso por nada.

Clara teve a impressão de que sua bolsa se mexia em cima da mesa. Seu celular estava tocando.

Mas quando puxou-o para atender, ele já tinha parado e sua tela marcava duas ligações perdidas. Ela então pediu licença e foi até o toalete retornar a ligação de Jack.

- Amor, desculpa. Deixei o celular sem campainha e não percebi quando ele tocou...

- Não tem importância, querida. Você ainda está no desfile?

- Não amor. No jantar depois dele. O Paul McCartney está na nossa mesa e nos convidou para o jantar beneficente da fundação dele no sábado, no Cinq.

- Que lindo, amor. Eu adoro o Paul. Diz para ele que eu mandei um beijo.

- Queria que você estivesse aqui. Vai ser tão difícil passar os próximos dias sem você.

- Ah, minha vida. Queria muito estar com você! O David está me chamando para gravar. Mais tarde eu te ligo novamente e conversamos mais um pouco.

- Querido, não exagera por aí. Tenta ir para casa mais cedo. Não se cansa demais... Te amo!

- Vamos voltar logo. O David quer fazer só mais um take e já vamos para casa. Já cansamos por hoje... Te amo, Menininha!

Clara voltou para a mesa com tamanha expressão de tristeza no olhar, que fez Jennifer perguntar-lhe se estava tudo bem.

- Desculpa. Está tudo bem, mas fico triste quando o Jack não está aqui comigo. Não consigo evitar.

- Isso é tão doce. - disse Paul pegando a mão de Clara e beijando-a.

- O Jack te mandou um beijo, Paul. - disse Clara sorrindo.

- Diga a ele que mandei outro para ele, quando ligar mais tarde.

- Então, querida. Já está pronta para subir no palco? - perguntou Jagger inesperadamente, surpreendendo todos na mesa.

- Ainda não! Mas tenho certeza de que quando chegar o momento, olharei nos olhos do Jack e conseguirei.

- O que? Você vai subir no palco? Com a Crossroads? - perguntou Nancy.

- É... - respondeu Clara. - Uma ideia maluca do Jack, ele quis regravar "The Light" comigo fazendo o dueto e agora, ele quer que eu cante com ele durante a turnê. Por isso viemos aos desfiles, a Jennifer está me ajudando a escolher as roupas para os shows.

- Uau! - disse Paul. - Se tem uma coisa em que confio é no gosto musical do Jack. Se ele disse que você canta é porque certamente você tem muito talento.

- Ela tem mesmo uma voz incrível! - disse Jagger. - Será uma estrela em breve.

- Não sei. Tenho medo até de falar em público. Imagina cantar... Já estou tendo pesadelos de que subo no palco e minha voz não sai....

- Isso é normal. Já passamos por isso, não Mick? - disse Paul sorrindo.

- Sim... - disse Jagger. - Até hoje tenho esses pesadelos. Só significam que o palco é um desafio. Acho que quando eles não aparecem mais, está na hora da aposentadoria.

Depois de servirem as sobremesas e champagne, Clara deu um olhar significativo para Jennifer e começou a desculpar-se por estarem indo embora.

- Bem, queridos, acho que nos veremos bastante pelos próximos dias. Vamos fugir antes do baile. - disse Clara sorrindo.

- Não conte para ninguém, mas nós também vamos. - disse Paul sorrindo. - Temos muitos compromissos por aqui ligados à minha fundação, nos próximos dias e precisamos descansar. Ninguém está ficando mais jovem por aqui.

- Então vamos? - disse Clara sorrindo.

- Você fica Jagger? - perguntou Paul.

- A noite é uma criança, vocês me conhecem... - sorriu Mick. - Bem, nos vemos amanhã então, senhoras. E nos vemos no sábado, Paul, Nancy.

Jennifer ligou para seu motorista que veio buscá-las na porta do palácio. Muitas pessoas saíam com elas e, aparentemente, só os mais festeiros ficariam para a balada que viria a seguir.

Alguns fotógrafos ainda se acotovelavam nas barreiras que os separavam dos convidados, na certa esperando flagrar algum vexame de celebridades bêbadas. Antes de sair, longe dos fotógrafos, Paul puxou Clara pela mão e a beijou no rosto.

- Parabéns, minha cara! Você é mesmo um doce. - disse Paul para Clara.

- Obrigada! Gostei muito de conhecê-los. - disse Clara abraçando Nancy.

- Quer que meus seguranças as escoltem até o carro? - perguntou Paul preocupado com elas.

- Não será necessário. Eles não têm porque nos perseguirem. Mas obrigada.

As duas saíram e os flashes se iluminaram, enquanto entravam rapidamente na Mercedes.

- Clara, querida! Nunca vi o Paul McCartney tão amável e tão acessível com ninguém! Ele deve mesmo te adorar. - disse Jennifer sorrindo.

- Ele gosta do Jack e o Jack gosta muito dele. São amigos, só isso. - respondeu Clara na tentativa de mudar o tom da conversa que não a estava agradando. - Bem, amanhã almoçaremos com Mick Jagger, em Montmartre. Espero que ele se comporte.

- O Mick é um cavalheiro, querida. Não creio que ele não saiba como se comportar em Paris em plena temporada de desfiles. A cidade está lotada de repórteres, ele não arriscaria nada nesse tipo de cenário.

- Espero que não. Mesmo assim, tenho medo... - sorriu Clara. - Não fosse este pequeno detalhe estaria ansiosa por encontrá-lo amanhã.

- Pequeno detalhe? - riu Jennifer. - Ouvi dizer que o detalhe dele não tem nada de pequeno.

- Ainda prefiro meu marido. - respondeu Clara gargalhando. - O que será que ele está fazendo agora?

- Deve estar em alguma casa de moças, em Londres, tentando tirar o atraso... - riu Jennifer. - Junto com David e Mike, é claro!

- Você está em chamas hoje, amiga! Tenho certeza de que está naquele estúdio, se arrebentando, o pobrezinho... - disse Clara tirando o celular da bolsa para olhar. Por coincidência, assim que colocou seus olhos na tela, ele começou a tocar.

- Como você faz isso? - perguntou Jennifer espantada.

- Oi, meu amor. Onde você está?

- No carro, voltando para casa. E você?

- Já terminamos. Vamos para casa agora. Eu e o David viemos juntos no carro dele e agora estamos voltando juntos. Estou muito triste que você não estará em nossa casa, na hora em que chegarmos.

- Ah! Querido... - disse Clara começando a chorar. - Eu te amo muito... Assim que chegarmos em casa, te ligarei para conversarmos melhor. Jennifer, não conseguirei falar com ele agora. Estou muito triste para isso...

- Estou vendo. - disse Jennifer. - Querida... logo estaremos em casa e você se sentirá melhor.

- Sim... Jenni. Sempre posso culpar o champagne, me desculpe, mas estou triste porque o Jack não está aqui. Acho que preciso de um banho e descanso...

- Claro, querida! Então eles acabaram de trabalhar por hoje? Cedo, não? Eu quero dizer, pelos padrões deles.

- É... eu sei o que você quer dizer. Não me parece muito justo que eles estejam lá e nós aqui, não? - disse Clara sorrindo.

- Vocês são mesmo incríveis. Para te dizer a verdade, se o Mick Jagger viesse para cima de mim, não resistiria. Nem que fosse pela curiosidade de ficar com alguém que é uma lenda.

- Mas nossos maridos são lendas também...

- Não naquele nível... Só o Paul McCartney... Acho que nem alguém da realeza seria tão especial.

- Realeza? Acho que pegaria o Príncipe Harry, meu fraco por louros se estende aos ruivos, mas ele é um pouco jovem demais para o meu gosto. Ainda prefiro meu Jack. Ele é lindo, doce e me ama... O que mais eu posso querer?

O carro de Jennifer estacionou na porta do prédio de Jennifer e elas subiram rapidamente ao terceiro andar, onde ficava a entrada do apartamento. As duas entraram em silêncio, mas logo continuavam, com taças de champagne em suas mãos, na sala de estar, a conversa que tinham começado no carro.

- Você não tem nem curiosidade? - perguntou Jennifer rindo.

- Acho que não! Não tem espaço para mais ninguém na minha relação com o Jack. Ele transforma cada um dos meus sonhos em realidade. Para que eu ia querer outra pessoa?

- Mas não é para sempre... é só pela experiência que eu digo.

- Mas acho que não preciso dessa experiência. Meu marido me dá tudo o que eu quero, não vejo por que complicar...

- Ele deve ser muito bom na "coisa" para te prender desse jeito, mulher... - gargalhou Jennifer.

- Posso te garantir que ele é... - riu Clara. - Viu só como minha pele e meus cabelos brilham....

- Eu e a Cindy sempre falamos sobre sua pele, amiga... - riu Jennifer. - Nós duas gostamos de discutir a vida sexual dos outros. É nosso maior defeito...

- Tudo bem... Não me incomoda... - sorriu Clara, colocando mais champagne em sua taça. - De fato darei novas informações para suas discussões; sinceramente tem horas em que eu acho que vou enlouquecer. Pena que ele não está aqui...

- Quer saber? Gosto muito do Mike, acho que não estaria mais com ele, se não gostasse, mas se o Mick Jagger me olhasse do jeito que te olha, não ligaria de trair o Mike.

- Sabe, o Jack sempre diz que não liga para fidelidade, mesmo assim, tenho certeza de que me sentiria muito mal se o traísse. Ainda mais com o Mick Jagger. Estou até preocupada porque daqui a pouco terei que ligar para ele e contar sobre o almoço de amanhã.

- A Cindy me disse que ele quebrou umas coisas lá no estúdio quando soube que vocês saíram com ele...

- Viu só? Bem, querida... - disse tirando as sandálias que estava usando. - O champagne não está mais anestesiando meus pobres dedinhos massacrados, por isso, vou descansar um pouco no meu quarto e avisar meu querido marido que amanhã saíremos com aquela lenda do rock que o incomoda tanto... Ah! Amanhã, a que horas acordamos por aqui?

- Lá pelas 9. Acho que dará tempo de nos prepararmos para todos os eventos do dia e será um dia bem cheio. Melhor não se estender demais no sexo por telefone com o Jack...- disse rindo. - Boa noite, querida...

- Boa noite... - sorriu Clara levantando-se do sofá e subindo as escadas com a bolsa e as sandálias nas mãos.

Sem pensar muito, ainda movida pelo excesso de champagne, Clara tirou as roupas, encheu a banheira de água quentinha, sais de banho e óleos essenciais e entrou nela, levando consigo seu celular. Pressionou o número 1 e ele chamava o celular de Jack.

- Oi amor... - disse Jack. - Já está em casa?

- Já, querido. - respondeu Clara. - resolvi tomar um banho para relaxar um pouco. E você, onde está?

- Na nossa cama, vendo um pouco de TV para baixar um pouco a poeira. Acho que não vou conseguir dormir hoje... Estou sentindo muito a sua falta.

- E eu sinto a sua, amor. Posso te ver aqui, nu, entrando na banheira e tocando meu corpo, como só você sabe tocar. - disse Clara suspirando no telefone.

- E você está aqui comigo. Estou beijando sua boca e te puxando para mais perto do meu corpo.

Os dois concentravam-se em dar prazer um ao outro e mesmo a distância, sentiam-se muito próximos. Com os olhos fechados, Clara o via acariciando seu corpo, enquanto ouvia sua voz gemendo e sussurando palavras românticas em seu ouvido pelo telefone. Ela também gemia dentro d'água.

- Eu te amo, Jack... Te amo, tanto...

- Ai Menininha... queria muito estar aí com você.... Vou te mimar muito quando chegar aí na sexta-feira.

- Querido. Estou ficando com frio... Vou sair da banheira e já te ligo de novo.

- Ok... Estou esperando.

Clara levantou-se, esvaziou a banheira e passou rapidamente pelo chuveiro para aquecer-se. Depois, secou-se com a toalha e caminhou até o quarto. Vestiu uma velha camiseta que tinha o perfume de Jack porque ele a usava para dormir quando estava com frio e deitou-se na cama com o celular.

- Pronto amor, já estou quentinha novamente. O que você fará amanhã?

- O David quer ir bem cedo para o estúdio e gravar o dia todo, para terminarmos logo esse disco...

- Também terei um longo dia pela frente. O Mick Jagger nos convidou para almoçar em Montmartre, depois vamos ao atelier do Jean Paul e em mais um desfile da "Semana de Moda"...

- Ele está aí, é? Sabia... E você tem que sair com ele? - perguntou Jack tentando disfarçar os ciúmes.

- Me desculpa, meu amor, mas a Jennifer me "vendeu" nessa. Eu já tinha dito que tinha outros compromissos e ela me desmentiu...

- Não precisa pedir desculpas, querida. Você adora aquele restaurante, eu também adoro...

- É, mas sem você, não tem graça nenhuma... - disse com um tom triste na voz. - A boa notícia é que você me fez relaxar finalmente. Acho que vou dormir um pouco porque assim, o tempo passa mais depressa e sexta-feira chega logo. Boa noite, meu amor, sonha conosco.

- Boa noite, querida. Eu te amo.

Clara desligou o telefone e colocou-o sobre a mesa de cabeceira. Depois pegou o outro travesseiro e o abraçou, antes de apagar a luz e pegar no sono.

Acordou às oito e meia, antes do alarme do celular soar. Levantou-se, vestiu um quimono de seda japonês que Jack tinha lhe dado de presente há alguns dias e foi tomar café da manhã com Jennifer.

- Bom dia, amiga! Como estamos hoje? - perguntou ao encontrar Jennifer na cozinha do apartamento conversando com a cozinheira. - Você precisa de ajuda?

- Não querida... Pode sentar-se na mesa. Hoje estamos muito bem, Clara! E pela sua alegria, você também teve uma ótima noite.

- Maravilhosa. Conversei por algumas horas com o senhor Noble e depois sonhei com ele a noite toda...

- Lindo! Sonhos eróticos, imagino...

- Não, querida. Lindos sonhos românticos com nossa montanha e aquele incrível campo de alfazemas que existe próximo de nossa casa. Você já esteve lá, não?

- Ainda não, Clara. Mas vamos passear por lá um dia desses, não?

- Claro! Vamos todos para lá, antes do inverno chegar. É um lugar deslumbrante, na fronteira com o País de Gales. No alto de uma montanha de onde você vê um vale imenso, todo verde, que se perde no meio das outras montanhas. E lá perto da nossa casa tem esse campo grande de alfazemas, que de longe parece uma mancha roxa, no meio de todo verde.

- Que lindo!

- Aparentemente, em nossa vida passada, íamos muito nesse campo de flores durante o verão, para fazer "coisas" entre as flores e no meu sonho eu me vi, lá deitada, esperando ele voltar da cidade e bem, fomos muito felizes por lá, sabe.... - sorriu Clara, um pouco sem graça.

- Uau, amiga. Deve ser muito louco ter esse tipo de lembrança... Não sei se eu gostaria de saber tanto sobre meu passado...

- É estranho... tem algumas coisas que nem parecem sonho. Eu me lembro nitidamente do perfume das flores, ficando mais intenso, conforme rolávamos pelo chão. É muito forte, não é como um sonho...

- Conversei com o Mike hoje cedo e ele me disse que hoje eles gravam a última música do disco. - sorriu Jennifer. - E se tudo der certo, amanhã, ou hoje mesmo, eles estarão por aqui!

- Sério? Eu falei horas com o Jack ontem e ele não me disse nada... aquele bandido...

- Vai ver ele queria fazer uma surpresa para você... - disse Jennifer sem graça. - E eu acabei de estragar tudo...

- Meu Deus! Agora eu estou explodindo de felicidade... - sorriu Clara. - Você não estragou nada, vou continuar fingindo que o verei só na sexta. Quer saber? Não me importaria de almoçar com Satã em pessoa, hoje, logo verei meu amor de novo. Você fez muito bem em me contar!

- Falando em Satã, o que você vai vestir hoje? Como é esse restaurante? - perguntou Jennifer rindo dos exageros de Clara.

- É um lugar simples, mas incrivelmente charmoso que fica em Montmartre, que eu e o Jack descobrimos na nossa lua-de-mel. Para quem olha de fora, é um restaurante comum, mas ele tem um páteo incrível na parte detrás, todo florido, muito romântico, especializado em frutos do mar; uma delícia.

- Hum... Acho que terei que ir com o Mike lá depois! - sorriu Jennifer. - Mas vamos vestidas para matar, não amiga?

- Sempre! - riu Clara. - Vamos direto de lá para o Jean Paul?

- Sim. Marquei com ele cedo para que possamos conversar direito. O Jean Paul é muito bem informado e pode te dizer o que será moda nas próximas quatro estações, no mínimo.

- Mesmo? Você já sabe como está o tempo lá fora? - perguntou Clara.- Aquele lugar fica ainda mais lindo em um dia de sol.

Jennifer caminhou até a sala de estar e abriu uma das janelas.

- E temos sol, querida! Será um dia bem quente pelo que posso ver daqui.

- Já sei! Tem um vestido que comprei aqui em Paris, Chanel legítimo. Ele é azul e marfim. Simples, mas muito bem comportado e chiquérrimo.

As duas foram até o quarto de Clara e ela pegou o vestido no closet.

- Que tal?

- Perfeito, querida. E o sapato?

- Trouxe esses escarpins mais baixinhos para poder andar por aqui. Sorte que são marfim também.

- E a bolsa?

- Para diminuir um pouco o tom e dar uma descontraída, esta azul, grande.

- Você não precisa de uma personal stylist, querida! - riu Jennifer. - Com esse bom gosto...

- Preciso sim, amiga... ainda falta o cabelo e as jóias.

- Cabelos presos, um coque discreto. Quanto às jóias, você precisa me mostrar o que trouxe.

- Tudo... Estão aqui, nestes estojos.

Clara entregou uma bolsa de veludo onde estavam os estojos, também de veludo, que abrigavam suas jóias.

- Colar de diamantes, colar de rubis, não... - dizia Jennifer olhando as peças que brilhavam sobre sua base de veludo. - Pérolas! Perfeição! Lindo! O Jean Paul terá um orgasmo hoje! - riu Jennifer.

- O bom é que esta roupa não tem nenhum decote e assim Sir Jagger ficará com os olhos longe de mim. - disse Clara.

- Ótimo! Agora vamos ao meu closet para você me ajudar... - disse Jennifer puxando Clara pela mão.

Clara e Jennifer caminharam pelo corredor em direção às únicas portas duplas do andar. Quando as portas se abriram revelaram uma suíte ainda mais luxuosa, a cama também tinha um dossel e, enquanto no quarto de Clara, a luz era dourada, no de Jennifer, a luz era rosada, reforçando os rosas e lavandas espalhados pelo ambiente.

- Seu quarto é lindo! Muito bom gosto, querida! - disse Clara.

- Obrigada! O apartamento todo foi feito por um decorador francês, o Michel Chevrier. Você já ouviu falar dele? Super badalado, mas se você quiser, posso te dar o contato dele.

- Obrigada, mas a Cindy vai cuidar da minha casa de Londres.

- Ela é ótima também. Não me canso nunca de olhar para Heathcliff Hall. Aquele lugar é tão lindo... - disse Cindy, enquanto passava os olhos sobre a enorme coleção de vestidos pendurados em seu closet. Até encontrar um rosa, de alças grossas, bem ajustado ao corpo, com uma saia levemente rodada, de comprimento médio. - Que tal este aqui?

- Que lindo, Jenni! - disse Clara. - Gostei muito da cor...

- É do Jean Paul, querida. Vou vestí-lo com estas sandálias altas, que comprei na semana passada e ainda não usei.

- Perfeito!

- As jóias agora... - disse pressionando com os dedos uma porta invisível no fundo do armário. - Querida, já que estou abrindo meu cofre, acho que seria interessante deixar aquela sua bolsa de veludo, dentro dele, enquanto não as estiver usando. Por mais de confiança que sejam os empregados, jóias como as suas são tentações muito grandes.

- Agradeço, Jenni. Sabe que quando viajo e as levo por aí, elas sempre ficam em cofres. Tenho muito medo de perdê-las, não pelo dinheiro, mas por fazerem parte da minha história com o Jack.

Clara caminhou até seu quarto, pegou a bolsa com suas jóias, deixando para fora apenas a caixa com o colar e os brincos de pérolas e levou-a até o quarto de Jennifer.

Antes de guardar, Jennifer fez questão de reabrir todos os estojos; - Não me canso de olhar para este colar, amiga! - disse ao abrir a caixa com o colar de diamantes de Clara.

- Nunca liguei muito para jóias, Jenni. Para te dizer a verdade, eu era contra esse tipo de coisa, mas agora, cada vez que o Jack aparece na minha frente com uma dessas, eu quase morro. Sei que é um jeito que ele encontrou para expressar o amor que sente por mim.

- Eu vou colocar esse ponto de luz, no pescoço e esta pulseira de ouro. Simples e chic. - disse Jennifer. - E os cabelos?

- Acho que um rabo de cavalo ficaria lindo. - disse Clara. - será uma coisa meio anos 60, Audrey Hepburn...

- Hum! Se eu sou Audrey, você é Catherine Deneuve... - sorriu Jennifer. - Vamos ligar para o Martin? Ele pode cuidar novamente dos nossos cabelos hoje...

- Para mim, não precisa. Estou acostumada a prender meus cabelos sozinha. O melhor é que ultimamente, quem tem feito isso para mim é o Jack. Adoro quando ele me ajuda a ficar pronta. - disse Clara sorrindo.

- O Mike não me ajudaria nem que o futuro do universo dependesse disso. Você tem muita sorte.

- Temos um acordo... - disse Clara. - Eu cuido dele, dos cabelos, da pele, das roupas e ele cuida de mim...

- Que sexy... Bem que notei que a aparência dos cabelos do Jack têm melhorado bastante ultimamente.

- Quero melhorar a pele dele também... Espero conseguir levá-lo a um bom dermatologista antes da turnê. Quero vê-lo brilhando no palco, mais lindo do que nunca.

- Cuidado para não deixá-lo atraente demais. Você sabe que em cima do palco, até os feios ficam bonitos...

- Eu sei, querida... - disse Clara suspirando. - Mas se puder, estarei o tempo todo com ele, até ele se cansar de mim.

- Bem, melhor começarmos já... - disse Jennifer. - Sem o Martin, costumo demorar muito tempo para me arrumar. Acho que sou um pouco lenta.

Clara caminhou de volta até seu quarto, prendeu os cabelos e colocou uma touca de plástico para não molhá-los. Entrou no chuveiro, tomou um banho rápido e logo passou seu creme hidratante em todo o corpo, sentindo falta das mãos de Jack que costumavam fazer isso para ela.

Depois, foi até o quarto, vestiu um sofisticado conjunto de lingerie de seda, meias brancas presas por uma cinta liga e seu robe de seda por cima e sentiu repentinamente uma vontade irresistível de conversar com Jack. Pegou seu celular, deitou-se na cama, apertou 1 e do outro lado, o telefone parecia nem ter tocado.

- Amor! Bom dia! Você não imagina que estava agora mesmo com o telefone na mão pronto para te ligar... até me assustei quando ele começou a tocar, achei que tinha apertado alguma coisa errada...

- Mesmo? - sorriu Clara. - Apenas me deu uma vontade enorme de ouvir sua voz...

- Estou com saudades de você meu amor. Sabe que sonhei com você a noite toda? Estávamos na nossa montanha, rolando felizes sobre as alfazemas.

- Eu sei, amor... sonhei com a mesma coisa. Acordei hoje com o maior sorriso nos lábios e com uma vontade imensa de te beijar de novo...

- Ai Menininha... Você me mata assim... E você ainda vai encontrar aquele cara hoje...

- Não se preocupe com ele. Eu não me preocupo. O que me importa é que estarei no nosso restaurante lembrando de cada minuto que passamos lá.

- Meu Anjo! Queria muito estar com você. Me dói tanto ainda estar preso aqui... Preciso de você...

- Eu também, querido. Quero muito estar com você... E o David? Já acordou?

- Sim, estamos esperando o serviço de quarto trazer nosso café. Ele está no telefone com a Cindy, agora.

- Diga que mandei um beijo para os dois e que estou ansiosa por nosso final de semana juntos.

- Amor, nosso café já chegou! Vou comer alguma coisa e mais tarde, quando estiver no estúdio, te ligo.

- Ok, amor. Vou ficar esperando. Te amo muito...

- Também te amo, minha vida!

Clara desligou o telefone e voltou a preparar-se para sair. Não queria pensar no porque ele não tinha contado sobre o final do trabalho naquele dia e na possibilidade de estarem juntos antes do dia terminar. Pensou que talvez Jennifer tenha razão e a intenção dele seja a de aparecer de surpresa.

Pegou um dos seus perfumes na bolsa, um que ela gostava de usar nos dias quentes porque dava uma sensação de frescor. Foi até a penteadeira, prendeu os cabelos em um coque baixo, passou uma leve camada de pomada para fixá-los e sentiu falta da ajuda de Jack enquanto o fazia.

Fez uma maquiagem muito leve, caminhou até a cama e deu uma olhada no relógio. Já eram 11:40, mas antes de colocar o vestido, resolveu ligar para Cindy. Estava ainda querendo entender por que Jack não lhe disse nada sobre o final das gravações.

- Cindy? Você pode falar?

- Oi Clara. Sim, estou no taxi voltando para o hotel. E você?

- Na casa da Jenni me preparando para almoçar com ela e com o Mick Jagger em um restaurante de Montmartre.

- Hum! O Jack já sabe disso?

- Sabe sim. Contei para ele assim que o Mick nos convidou, ontem.

- Espero que ele não saia quebrando tudo, de novo.

- Falei com ele mais cedo. Ele estava tranquilo. Estou te ligando por outra razão. A Jenni me disse que as gravações do disco terminam hoje, você sabe alguma coisa sobre isso?

- Não querida, o David não me disse nada... que estranho...

Se Cindy sabia alguma coisa, não deixou transparecer pelo telefone e logo ela precisaria desligar para terminar de se preparar para sair, ou acabaria ficando atrasada.

Colocou o vestido, o sapato, as jóias e jogou o conteúdo de sua bolsa e o celular dentro de uma estilosa bolsa azul. Colocou nela uma paximina azul para usar caso sentisse frio. Colocou seu óculos de sol e saiu do quarto.

Faltavam cinco minutos para o meio dia e ela caminhou até a sala de estar onde encontrou Jennifer já pronta e em pânico, com a porta do apartamento aberta, esperando por ela.

- Você está pronta! Que bom... vamos descer, não gosto de me atrasar... - disse Jennifer saindo para o hall com Clara. - Você está arrasando, amiga!

- Obrigada! Você também! - sorriu Clara no elevador.

Assim que as duas chegaram na portaria do prédio, viram através da porta de vidro uma Mercedes preta estacionando. De dentro dela, desceu Mick Jagger, usando um terno branco sobre uma camiseta azul clara, um chapéu panamá e elegantes óculos de sol, ele caminhou até a porta, enquanto as duas caminhavam em sua direção.

- Senhoras, boa tarde! Paris hoje parece ainda mais linda com damas tão fabulosas sob este doce sol de verão! - disse Jagger beijando a mão de Jennifer e indo na direção de Clara. - Senhora Noble, por favor perdoe minha franqueza, mas a senhora está deslumbrante.

- Obrigada Sir Jagger! - sorriu Clara, enquanto ele beijava sua mão.

- Então vamos, senhoras? - Mick pegou as duas pelas mãos e caminhou com elas até o carro.

A Mercedes estava parada entre dois grandes jipes da mesma marca, com vidros pretos, cada um com um número de seguranças que Clara não saberia dizer. Dentro do carro, sentado ao lado do motorista, mais um segurança. Pelo jeito Mick não estava mesmo brincando quando disse que ninguém os incomodaria naquele almoço.

Os carros seguiram até Montmartre, pelas largas e ensolaradas avenidas de Paris. E enquanto Mick fazia de tudo para ser o homem charmoso e fascinante de sempre, Clara parecia estar mergulhada em seu próprio mundo, ainda tentando compreender por que Jack não a tinha avisado sobre o final das gravações.

- Você não vai responder, Clara? - perguntou Jennifer.

- Desculpa, não sei qual foi a pergunta. Me distrai...

- Como toda boa ninfa, Clara está docemente fora de nosso mundo hoje, Jennifer. - disse Jagger. - Repetindo minha pergunta: Gostaria de ter sua companhia amanhã em Nice, para apresentá-la a meu novo investimento; o Chateau St Jordan.

- Amanhã? Desculpe, não posso! Eu e Jennifer estamos aqui para comprar os figurinos que usarei durante a turnê do Crossroads e já temos encontros marcados com diversos estilistas até o final da semana.

- Viu? Disse a você que ela responderia isso. - sorriu Jennifer.

- É uma pena. - suspirou Jagger. - Estive muito tempo negociando esse Chateau e tive que insistir muito com seu antigo dono para vender-me. Mas tenho certeza que conseguirei ter a honra de sua visita.

- Claro! Não faltarão oportunidades. - disse Clara. - Trabalhamos juntos agora, não?

- Sim, querida! - disse Mick. - Minha mais bela e brilhante roteirista. Está mesmo comprando roupas para o palco? Já sabe qual será seu estilo?

- Ainda não. Começamos ontem naquele desfile da Mille.

- Hum, temo que aquelas roupas não sejam parecidas com você, querida... - disse Jagger, pegando Clara pela mão. - Se me permitem o palpite, acho que você ficaria melhor usando coisas mais etéreas. Uma pequena fada com vestidos e cabelos esvoaçantes subindo ao palco para cantar com Jack Noble. Seria o momento mais emocionante do show.

Clara sorriu com a ideia e gostou da imagem que Mick compôs. Vestidos etéreos, esvoaçantes e cabelos soltos, uma fada ou ninfa, cantando ao lado de Jack.

- Gostei da ideia! - disse olhando para Mick. - O que você acha Jenni?

- Acho que faria um grande efeito no palco. - sorriu Jennifer. - Obrigada pela ideia, Mick. Ainda estamos bastante perdidas. Iremos visitar Jean Paul, o figurinista que fez o vestido de noiva de Clara hoje às três e veremos o que ele pode fazer a partir dela.

- Perfeito! Ela estava linda no casamento. Uma visão do paraíso, uma princesa de contos de fadas em carne e osso. - disse Mick, beijando sua mão.

Os três carros chegaram à porta do restaurante chamando atenção dos turistas que passavam pela calçada sempre movimentada.

Mick, Clara e Jennifer entraram no restaurante escoltados por cinco seguranças. E enquanto os três carros eram levados a um edifício garagem próximo, por uma questão de discrição, os seguranças levavam os três amigos até sua mesa, no páteo e garantiam que ninguém de fora do staff do restaurante chegasse até eles.

- Quando você disse que ninguém nos incomodaria hoje, você não estava brincando, não? - Clara sorriu para Jagger.

- Eu nunca brinco com segurança, querida. - disse Mick. - Já passei por muitos episódios assustadores antes de aprender definitivamente a lição.

- Mesmo? - disse Jennifer. - Uma vez, em algum lugar nos Estados Unidos, um maluco subiu com uma faca no palco, na época em que o Jack estava tocando com o David. Os dois são apavorados com isso até hoje.

- Lembro de ter lido sobre isso. - disse Clara. - Existe muita gente louca no mundo. Eu também morro de medo, mas hoje teremos um almoço tranquilo.

- Este lugar é lindo! - disse Jennifer. - Eu moro nesta cidade e nunca estive aqui.

- Pois é, Jenni. - sorriu Clara. - Eu e o Jack encontramos esta maravilha por acaso, durante nossa lua-de-mel. Tirei muitas fotos aqui e conversei com o dono que até me deu um livrinho com a história desse prédio que eu acho lindo.

- É lindo mesmo. Vocês me convidaram para vir aqui, naquele dia e eu me apaixonei... - disse Mick olhando profundamente nos olhos de Clara e dando um discreto suspiro.

O dono do restaurante aproximou-se da mesa, distribuiu os menus e a carta de vinhos e Mick, em bom francês, passou a conversar com ele sobre as flores que cobriam todo o muro que cercava o páteo.

Clara participou da conversa e sentindo que o dono do restaurante tentava descobrir de onde a conhecia, pediu desculpas por ter vindo disfarçada anteriormente. Simpaticamente, ele disse que era uma de suas clientes mais queridas e que estaria honrado de recebê-la e a seus amigos, sempre que eles estivessem na cidade. Ela agradeceu e disse que continuaria recomendando o restaurante para todos seus amigos.

Depois pediu que ele sugerisse algo de especial para comerem e ele sugeriu o Salmão ao Champagne com risoto selvagem e camarões flambados. Mick pediu o melhor champagne da casa para acompanhar a refeição.

Clara também fez questão de pedir a entrada do restaurante, uma cesta de pães ainda quentes acompanhados de paté de foie gras e um bom caviar, que foram trazidos à mesa por uma garçonete francesa ruiva e muito atraente, que logo despertou os instintos caçadores de Mick, que passou a seguí-la com os olhos desde então.

- Meu Deus! Que francesa linda... - Mick pensou em voz alta, enquanto a garota ruiva, que tinha no máximo 25 anos se afastava da mesa.

Uma alegre e relaxante visão para Clara, que finalmente saia um pouco de seu foco de atenção e por isso, respirava aliviada. Mick chamou a garçonete e logo perguntou seu nome, pedindo a ela que trouxesse também uma porção da salada de folhas verdes que tinham experimentado da primeira vez em que passaram por lá e os três consumiram rapidamente a primeira garrafa de champagne, pedindo uma segunda.

O largo sorriso de Clara entregou sua alegria a Jagger, que logo se desculpou:

- Ela é muito bonita, querida. Mas você, cara senhora Noble é uma Deusa. Intocável, muito acima do poder de nós mortais, mas ainda em nossos sonhos.

- Ai, Mick! Fico tão sem graça quando diz essas coisas. - disse Clara.

- Por favor, não fique, querida! - disse Mick sorrindo. - Quero ser seu amigo, já sei que você é apaixonada por seu marido e não tenho qualquer chance.

- Sou sim. É muito bom ouví-lo dizendo isso. - disse Clara também sorrindo. - Então acho que agora podemos ser amigos.

- Vamos brindar a isso. - disse Mick enchendo novamente as taças dos três e levantando a sua no ar. - A nossa amizade. Que cada momento dela seja doce como este...

- Que bom! Fico tão feliz de vê-los finalmente entendendo um ao outro. - disse Jennifer, erguendo sua taça. - Bebo a isso!

Clara e Mick levantaram suas taças de champagne e enquanto faziam isso, Jennifer pediu que mantivessem o gesto, enquanto batia uma foto usando seu celular.

- Quero guardar este momento para sempre! - disse Jennifer.

Logo, estavam ainda mais relaxados e fotografando uns aos outros com seus celulares. Almoçaram e pediram de sobremesa a tradicional porção de queijos e frutas.

A cada passada da garçonete pela mesa, Mick dizia alguma coisa e perto do final da refeição, quando Clara e Jennifer foram até o banheiro, acertar a maquiagem, ele já tinha o telefone da moça que se chamava Jeanne Sarvin, anotado em um pequeno pedaço de papel, em sua mão.

Os três fizeram mais fotos, posando próximos ao pequeno chafariz, que ficava no fundo do pátio e na frente das flores de cores fortes do muro, para um dos seguranças que os fotografou com os três celulares.

E enquanto conversavam alegremente, o celular de Jennifer tocou avisando a chegada de uma mensagem de texto de seu marido, Michael: "Já estamos em Paris. Não conte nada a Clara e não venha para o apartamento antes das cinco da tarde. Jack está preparando uma surpresa para ela. Beijos"

Jennifer então apenas sorriu e disse que já eram quase duas da tarde e seria bom que se preparassem pois Jean Paul as esperava no atelier às 3. Mick então pediu a conta e após pagá-la, levantou-se da mesa e caminhou na direção da garçonete que agora conversava com ele e sorria.

- Não diga nada ao Jack, mas o Mick é mesmo um homem muito charmoso. - disse Clara sorrindo. - Pobre garota... Já se apaixonou por ele...

Quando ele retornou à mesa, Jennifer convidou-o para um café em seu apartamento, mas ele respondeu que não queria atrapalhar os planos das duas e por isso as levaria ao atelier e voltaria a seu hotel para arrumar suas malas para partir ainda naquele dia para Nice, em seu jato particular.

- Amigos nunca atrapalham. - disse Clara sorrindo para ele.

Mick sorriu e deu um beijo em seu rosto.

- Somos amigos agora... - disse Clara. - Espero que Jack compreenda...

- Minha Deusa! Vamos então? - disse Mick sorrindo. - Querem então ir direto ao atelier?

- Gostaríamos que você fosse conosco ao atelier, Mick! - disse Jennifer. - Uma opinião masculina ajudaria muito agora.

- Ah, queridas! Eu ficaria encantado! Mas não acho que seja apropriado. Quero dizer, se o senhor Noble souber que estou com vocês, ele pode vir de Londres e...

- Não Mick. - disse Clara começando a ficar preocupada. - Também acho que o Jack não gostaria nada de saber que você nos acompanhou. Desculpe, mas por mais que eu goste da sua companhia...

- Claro, querida. - disse Mick. - Não quero criar problemas...

Os três voltaram aos carros que esperavam por eles novamente na porta do restaurante, com sua equipe de seguranças e partiram novamente até o Champs Elysees, onde ficava o luxuoso atelier de Jean Paul.

Como de costume, Jean Paul veio até a porta recebê-las e ficou radiante ao ver Mick Jagger se despedindo de suas duas clientes, fora do carro.

- Que chiquérrimas, queridas! Andando com Mick Jagger agora? Assim vocês me matam.... - disse Jean Paul assim que os carros partiram de sua porta.

- Ah, Jean Paul! - disse Clara suspirando. - Ele é nosso amigo.

- Vamos entrar... - disse Jean Paul. - Você estava me contando que nossa princesa subirá no palco durante os shows da Crossroads.

- Sim Jean Paul. - disse Clara. - Gravei uma música com a banda e devo apresentá-la ao vivo com eles, durante a turnê.

- Que linda! - disse Jean Paul. - Vamos garantir que você estará chiquérrima quando isso acontecer. Quando e onde será o primeiro show?

- Será em Londres, em Novembro, Arena O2. - Respondeu Clara, a tensão crescendo em seu rosto, apenas pela lembrança de que em uma questão de poucos dias, ela estaria na frente de uma multidão cantando ao lado de Jack.

- O que vocês têm em mente? - perguntou Jean Paul.

- Mick deu uma ideia que nos agradou muito. - disse Jennifer. - Vestidos esvoaçantes, que a deixarão parecendo uma fada.

- Bela imagem... - disse Jean Paul. - Mas ela não ficará com frio? Já sei... Vamos ao meu escritório queridas que tenho uma ideia.

Jean Paul levou-as a seu escritório, sentou-se em sua escrivaninha e passou a desenhar um vestido longo, fluído, com um grande decote, mangas longas que alargavam a partir do cotovelo. Ele agora parecia buscar inspiração nos personagens de "O Senhor dos Anéis"; livro favorito de Jack na época em que escreveu as letras para "The Light"; a Rainha da Luz nascia perante seus olhos.

- O que vocês acham? - perguntou Jean Paul. - Pensei em seda, cetim ou mesmo veludo para o tecido, dependendo do tipo de efeito que se quer. Ah! E podemos fazer uma capa com capuz para usar por cima dele.

Clara apenas viu os desenhos e imediatamente lembrou-se das visões de seu passado comum com Jack. Aquelas roupas eram parecidas com seu uniforme de aprendiz do Templo e ela agora as via, em sua frente; lembrando até mesmo o toque delas contra a sua pele, quando as vestiu com o corpo ainda molhado enquanto Bertold, fechava os olhos.

- Queria que Jack estivesse aqui. - Clara pensou em voz alta enquanto observava Jean Paul explicando os detalhes de cada um dos croquis que desenvolvia.

- Você pode trazê-lo aqui no final de semana. - disse Jean Paul. - A Jennifer me disse que a banda vem para cá entre amanhã e sábado.

- Sim! Claro... - sorriu Clara, mas com os olhos começando a lacrimejar. - desculpa Jean Paul, mas gostaria de saber a opinião dele. Seus desenhos são lindos, mas gostaria que o Jack os visse. Tinha pensado em algo menos teatral... mas o show é dele...

- Na minha opinião são lindos. - disse Jennifer. - Falta definir apenas uma paleta de cores e eu sugiro algo a partir do vinho e do violeta até tons mais claros como o lavanda e o lilás...

- Eu quero um azul bem claro, com uma capa de veludo, violeta para acompanhar.

- Azul, querida? - perguntou Jean Paul. - Por que azul?

- Existe uma longa e complicada explicação para isso... - suspirou Clara, já não segurando mais as lágrimas. - Mas para simplificar, me vejo usando essa cor na estreia, com toda aquela multidão da O2 me olhando e o Jack segurando minhas mãos...

Jennifer abraçou a amiga, enquanto Jean Paul lhe servia chá.

- Querida, deve mesmo ser muito emocionante subir a um palco como aquele, pela primeira vez. - disse Jean Paul.

- É apavorante! - disse Clara, limpando as lágrimas. - Sou tímida... Meu editor sempre queria que eu fosse dar palestras em escolas, mas nunca aceitei. Tenho uma vergonha imensa de falar em público. E agora terei que cantar. Bem, querido... Vamos agora a outro assunto; Paul McCartney nos convidou para um jantar no Cinq, no próximo sábado e eu quero estar linda...

- Esta não esperava, Clara! - disse Jennifer rindo. - Acho que estou exercendo uma boa influência em você, afinal...

- Você também quer um vestido, Jennifer querida? - perguntou Jean Paul.

- Alguma vez já respondi esta pergunta com um não, Jean Paul? - riu Jennifer contagiando a todos.

- Então queridas, me acompanhem! - disse Jean Paul guiando-as até uma sala maior do atelier onde ficavam algumas de suas criações já prontas para o uso. - Estas aqui são do tamanho da Clara e estas, aqui atrás, são para você, Jennifer.

Clara aproximou-se dos cabides e viu muitos vestidos de festa. Com brilho, sem brilho, roupas muito sofisticadas que a encantaram imediatamente. Mas um longo de veludo de uma cor de vinho intensa; capturou sua atenção.
O vestido seguia o modelo Regency, apertado nos seios de onde surgia a saia levemente franzida, mas diferente de seu vestido de noiva, aquele tinha um generoso decote e deixava os ombros à mostra. E como seu vestido de noiva aquele também era formado de duas peças, uma mais leve, de cetim e a capa de veludo que seria vestida por cima.

Clara pegou o vestido e levou-o ao provador e ao olhar-se no espelho com ele, gostou muito do que viu. Sentiu-se uma rainha.

- Jean Paul, querido! Você fez de novo! Este é meu....

- Querida! Ficou lindo. - disse Jean Paul. - Seu vestido de noiva fez tanto sucesso que estava pensando em você quando desenhei este vestido. Estou todo arrepiado.

- Arrasou, amiga! - disse Jennifer. - Está parecendo realeza... O seu marido vai de smoking no jantar, não?

- Vai sim, Jenni. - disse Clara. - Espera um pouco. Esta é a roupa certa, não? Não estou exagerando, estou?

- Não querida! Este jantar de Sir Paul, no Cinq é o evento da temporada. Ouvi dizer que até a realeza vem para cá...

- Ufa! Por um momento achei que tinha exagerado. - disse Clara.

- Estas suas pérolas também são lindas, mas acho melhor usar aquele colar de diamantes incrível da festa da UNICEF. - disse Jean Paul.

- Como você sabe do meu colar, Jean Paul? - perguntou Clara.

- Amor, sou assinante da Hello! desde que me entendo por gente... - sorriu Jean Paul. - Esqueceu que você saiu na capa, naquele vestido preto lindo?

- Eu sai na capa? - riu Clara. - Nem fiquei sabendo. Sempre me esqueço de olhar essas revistas... Bem, vou me trocar porque já escolhi o que vestirei. E você, Jenni? Já sabe o que vai levar?

- Não sei, querida... - disse Jennifer. - Ainda estou em dúvida.

- Vou me vestir e já venho te ajudar. - disse Clara caminhando até o provador.

Clara tirou seu novo vestido, pegou-o nos braços e entregou-o a uma das funcionárias do atelier. Depois foi para perto de Jennifer que examinava alguns modelos sofisticados.

- Gostei deste preto, com babados, Jenni. - disse Clara. - Acho a sua cara!

- Querida! Quem é a personal stylist de quem aqui? - disse Jennifer rindo. - Sim, esse é muito bonito. Vou provar...

O vestido ficou perfeito em Jennifer e ela decidiu comprá-lo. Agora as duas já tinham suas roupas para a festa de sábado. Já eram quase seis da tarde e elas pegariam um taxi para voltar para casa, para deixar as sacolas, trocar de roupa e irem ao desfile da semana de moda, que estava marcado para às 7:30.

Sem que Clara se desse conta, Jennifer passou uma mensagem de texto para o celular de seu marido avisando que estavam a caminho e recebeu como resposta um "OK!"

- Já está cansada, querida? - perguntou Jennifer no taxi.

- Não Jenni. Estou feliz porque acho que o Jean Paul conseguiu captar exatamente o que eu queria.

- É mesmo! Aquele modelo que ele desenhou para você é perfeito.

O carro parou na porta do prédio de Jennifer e as duas saltaram com suas sacolas, subindo ao terceiro andar. Como o tempo era curto, cada uma partiu para seu quarto, sem mesmo ter tempo de estranhar a ausência dos criados que ficavam o dia todo na casa.

Mas apenas entrou no quarto, Clara saiu correndo dele, chamando por Jenni.

- O que foi querida? - disse Jennifer.

- Vem aqui, por favor. - disse Clara. - Acho que estou enlouquecendo, entrei no meu quarto agora e senti o perfume do Jack. Me diz que você está sentindo também.

- Não querida. Estou sentindo o perfume da lavanda que os meus empregados usam como aromatizador para os lençóis. - respondeu Jennifer.

- Estou enlouquecendo, então. - disse Clara com os olhos cheios de lágrimas. - Eu sinto tanto a falta dele que minha cabeça já está criando fantasmas.

- Não querida. Você está apenas cansada e com saudades. - disse Jennifer. - Quer saber? Não precisamos ir ao desfile de hoje. Você já decidiu usar as roupas do Jean Paul na turnê. Vamos fazer o seguinte. Limpar essas lágrimas, pegar uma garrafa de champagne na cozinha e assistir ao por do sol de Paris do meu páteo, no terceiro andar. É uma visão inesquecível quando o dia está lindo como hoje. Vamos?

- Vamos, sim! - disse Clara secando as lágrimas com as mãos. - Espera... vou levar meu celular para ligar para o Jack. Domingo faz um mês que nos casamos e ele não falou mais comigo desde hoje cedo. Acho que está chateado porque saímos com o Mick.

Jennifer caminhou até a cozinha, pegou uma garrafa de champagne, colocou-a em um balde de gelo junto com duas lindas taças de cristal e seguiu com Clara até o hall do elevador. Naquele andar, o segundo de seu apartamento, só existiam as escadas. Uma escadaria imponente de mármore em caracol com corrimões de metal dourado moldados caprichosamente em formatos de flores, folhas e galhos que subiam ao terceiro andar, onde existia um lindo vitral multicolorido, também com motivo floral no teto, fazendo as vezes de clarabóia e iluminando as escadas.

- Meu Deus! Esta escadaria é maravilhosa, Jenni. Me lembre de trazer minha câmera aqui para fotografar. Este teto é simplesmente lindo.

- Vamos continuar subindo, querida. Você ainda não viu meu portão. - disse Jennifer chegando ao topo, onde um novo vitral art nouveau estava montado em um portão de metal dourado, também com motivos florais.

- Jenni... que lindo! - disse apreciando os detalhes do portão duplo. Enquanto a amiga o abria e a seguir ficando muda ao olhar para o páteo e ver Jack Noble parado, com um enorme buquê de rosas vermelhas olhando para ela.

- Oi, amor! - disse Jack.

Clara sorriu para ele, mas seus olhos estavam novamente cheios de lágrimas. Ela então caminhou até ele e beijou sua boca, agarrando-o e pressionando-o contra seu corpo como se não o visse há anos.

- Meu amor! Que flores lindas! - disse depois pegando as rosas de suas mãos. - Que surpresa maravilhosa!

- Acabamos as gravações e quisemos te fazer uma surpresa, querida! - disse Jack.

- Olá Clara! - disseram David e Mike saindo detrás de alguns arbustos do jardim.

- Então, gostou da surpresa? - perguntou Jennifer.

- Você sabia, não é? - disse Clara rindo. - E deixou eu achar que estava enlouquecendo, lá embaixo...

- Por que amor? - perguntou Jack preocupado.

- Pobrezinha! Ela sentiu seu perfume no quarto e eu fingi que não senti e ela achou que estava ficando maluca.... - riu Jennifer.

- Obrigada novamente, meus queridos! - disse Clara. - Amo muito todos vocês.

- Clara, nós também te amamos! - disse David aproximando-se dela e beijando-a no rosto.

- E a Cindy? Ela ainda não veio? - perguntou Clara.

- Ela vem amanhã, no final da tarde. - disse David. - Está trabalhando em Viena.

Clara levou as flores até uma das empregadas e pediu que fossem colocadas em um vaso. Só agora ela estava tendo a chance de olhar para aquele jardim surpreendente, no topo do prédio, que tinha até uma pequena estufa e bancos, mesas e cadeiras prontos para receber convidados em festas sofisticadas.

Jack caminhou até a mesa e pediu para que o garçom servisse champagne para todos.

- Quero fazer um brinde para Clara. - disse ele, erguendo sua taça. - À mulher que curou meu coração e minha alma e tornou possível esta alegria de trazer a Crossroads de volta à vida. Para Clara!

Todos levantaram suas taças, brindando a ela, que agora estava radiante de tanta felicidade e aproximou-se novamente de Jack e beijou-o com tanta paixão que fez com que os presentes dessem gritinhos e aplaudissem.

- O velhão! Vai para o quarto... - riu David, fazendo todo mundo rir e Clara ficar vermelha.

- As gravações terminaram, agora começa uma nova etapa em nossas vidas. Farei as mixagens e começaremos os ensaios para a turnê. Então, está na hora de começarmos a nos preparar para a estrada. A melhor parte é que tudo será feito no meu estúdio, em Heathcliff Hall, onde estaremos mais a vontade. - disse David. - E assim, poderemos fazer tudo antes de outubro, quando Jack e Clara partirão para o Brasil em lua-de-mel.

- Onde passarão dias e noites nus, sob o sol e sob a lua e serão incrivelmente felizes... - disse Jack, deixando Clara ainda mais embaraçada.

A festa seguiu com comidinhas e bebidinhas enquanto o céu de Paris mudava de cor, naquele final de tarde ensolarado, Mike colocou alguns de seus discos de standards do jazz para tocar e eles serviram como trilha sonora para o por do sol perfeito daquela linda cidade aos pés dos cinco amigos. Eles estavam mais próximos e felizes do que nunca, mesmo depois que tudo escureceu completamente e surgiu um luar prateado.

Clara e Jack sentaram-se em um dos bancos, entre os arbustos e aproveitaram a ocasião para simplesmente descansar, um nos braços do outro pois os dois últimos dias, em que estiveram separados, haviam sido muito difíceis para eles.

- Nunca imaginei que doeria tanto ficar longe de você, Menininha! - disse Jack em seu ouvido. - Nunca mais me deixe sozinho...

Clara beijou-o novamente e o desejo cresceu tanto entre eles, que sem chamar atenção dos amigos que conversavam animados no terraço, desceram rapidamente pela escadaria de mármore e seguiram até o quarto de hóspedes.

Despiram-se movidos pela força intensa de uma paixão que só crescia e naquele momento queimava em chamas descontroladas. Clara precisava dele e tremia de prazer com cada toque de suas mãos. Jack, o melhor amante que teve em sua vida, sabia exatamente onde e como tocá-la e os dois gemiam completamente mergulhados naquele amor que os movia.

Queriam subir antes que dessem falta deles, seus joelhos falhavam na volta ao jardim, onde seus amigos os esperavam, fazendo piadas, mas fingindo que não tinham percebido sua ausência, quando apareceram, abraçados, os olhos ainda molhado das lágrimas que ambos choraram pela emoção do reencontro.

- Queridos! - disse David, com um tom cínico na voz. - Onde vocês estavam?

Jack começou a rir e atirou um guardanapo em David.

- Eu apenas acho que vocês não devem perder seu tempo precioso conosco. Voltem ao seu ninho de amor, crianças... - disse David entregando uma garrafa de champanhe dentro de um balde e duas taças de cristal aos dois. - É uma pena não aproveitarem esta linda noite de Paris para se amarem, quando são tão felizes quando estão juntos.

- Ok, então! - disse Jack sorrindo. - Boa noite, meus caros! Nos vemos amanhã...

- Boa noite. - responderam todos rindo.

Clara pegou seu vaso com as rosas que ganhou de Jack, enquanto ele carregava o balde de gelo com champagne e as taças. Chegaram ao quarto e resolveram tomar um banho de banheira juntos para relaxar.

Cuidaram um do outro, namoraram dentro d'água, enxugaram-se, massagearam um ao outro com cremes hidratantes e voltaram para a cama e para compensar a pressa e a urgência do que fizeram antes, se amaram lentamente, atentos a cada um de seus desejos, percorriam o corpo um do outro completamente relaxados, como quem caminha nu pelo próprio jardim, em um dia maravilhoso de verão.

Depois pegaram no sono, agarrados, incapazes de perceberem-se naquele instante, como duas pessoas separadas, sentiam-se um só e sonhavam que estavam juntos e felizes atravessando o céu, voando entre as nuvens. Sentindo o ar gelado da noite passando por sua pele.

Jack acordou, levantou-se, caminhou até o banheiro e bebeu uma taça de champagne olhando para Clara que estava adormecida sob a luz da lua filtrada pela clarabóia.

Sentindo-se observada, ela acordou... Sentou-se na cama e ficou olhando para Jack, nu, de pé, olhando para ela com uma taça de champagne nas mãos.

- Quer champagne, querida? - perguntou Jack.

- Quero sim, mas preciso ir ao banheiro primeiro. - disse levantando-se. - Já volto.

Clara voltou do banheiro e Jack já estava sentado na cama, segurando duas taças e olhando para ela com o mesmo olhar de absoluta devoção de alguns minutos atrás, quando ela ainda dormia.

- Meu amor! - disse Jack. - Eu te amo tanto...

- Ai Jack... - disse Clara. - Estava sonhando com você, estávamos voando nus pelo espaço... Estava frio, mas estávamos muito felizes.

- Como isso acontece, meu amor? - disse Jack. - Temos até os mesmos sonhos...

- Eu também não sei explicar, querido. Mas é tão doce, estamos sempre juntos e isso é o que importa.

- É verdade... - disse Jack pegando as taças de champagne de suas mãos e colocando-as sobre a mesa de cabeceira. Depois pegando as mãos de Clara. - Não entendo, mas adoro estar cada segundo do meu dia com você.

- E eu com você! - Clara disse pousando as mãos sobre o peito dele e o acariciando. - Sabe, com você longe de mim, me sinto uma pessoa tão pequena, tão sem graça...

- Você é linda, Clara. - disse Jack beijando-a. - E eu te amo tanto, que fico desesperado quando você está longe de mim. Preciso que você esteja aqui, nos meus braços, todo o tempo.

Jack colocou seus braços ao redor dela e tudo recomeçou. Apenas as saudades que sentiram um do outro podiam explicar aquela entrega e disposição que tinham de compartilhar seu amor até o dia amanhecer.

Acordaram um pouco mais tarde, sob os aplausos e brincadeiras dos amigos, mas que não foram suficientes para tirá-los de seu estado de graça e se transformaram em mais uma razão para justificar seus sorrisos.

Mas a chegada de alguns pacotes pelo correio, no final da manhã, serviu para mudar completamente o clima. Jennifer recebeu uma linda e rara orquídea, com um cartãozinho simpático; mas junto com ela, chegou uma caixa endereçada para Clara, um presente que a deixaria perturbada e deixaria Jack enlouquecido de ciúmes.

Os sites de entretenimento davam conta naquela manhã, de que a casa de Leilões Sotheby's comemorava o leilão das jóias que haviam sido criadas para as filmagens da saga "Senhor dos Anéis" e agora foram vendidas peça por peça pelo colecionador americano que as havia arrematado todas juntas anteriormente.

A peça mais cara pela sua importância durante toda a saga e durante o leilão, que foi disputado por colecionadores e fãs do mundo inteiro, havia sido mesmo o anel de ouro, carregado pelo personagem de Elijah Wood durante os três filmes, chegando a marca impressionante de 160 mil libras; mas foi seguido de perto pela tiara usada por Cate Blanchet. O chamado diadema de Galadriel, uma delicada coroa, com uma intrincada construção em ouro branco e amarelo, com diversos diamantes, chegou muito perto, custando 152 mil libras.

E era esta jóia que chegava em um lindo estojo de veludo vermelho, por um courier, enderaçada à Clara. "Querida Clara, depois que conversamos ontem sobre sua roupa de palco, soube deste leilão e cuidei para que esta linda jóia ficasse em suas mãos. Seu amigo, Mick"

- Meu Deus! - disse Clara olhando sem saber o que fazer. - Não posso aceitar isso!

- Onde esse cara está, Clara? No George V, certo? - disse Jack indignado. - Me dá esse estojo porque vou levá-lo de volta para ele, agora!

- Não está mais, querido. - respondeu Clara, os olhos enchendo-se de lágrimas e as mãos trêmulas. - Ele ia para Nice ontem à noite.

- Nice? Como você sabe? - perguntou Jack.

- Ele nos convidou para ir com ele. - disse Jennifer, agora com o estojo nas mãos, olhando para a jóia estupefata. - Meu Deus! Dessa vez ele exagerou mesmo...

- Desculpa Jenni. - disse Clara - Mas preciso conversar com meu marido a sós.

Clara pegou Jack pela mão e levou-o até o quarto de hóspedes.

- Você sabe que não tenho culpa disso, não? - disse Clara chorando e sentando-se na cama.

- Eu sei que ele te quer e não vai sossegar enquanto não conseguir. - respondeu Jack. - Ou eu não for até lá e arrebentar a cara dele.

- Mas Jack, você não pode fazer isso. - disse Clara. - Você consegue imaginar o tamanho do escândalo se isso acontecer?

- Acho que não me importo... - respondeu Jack. - Ele não pode é ficar te rodeando desse jeito, como um lobo na espreita de um filhote de cordeiro. Além disso, nós dois somos rockstars, não somos? As pessoas sabem que rockstars são gente sem classe, elas sabem que daremos vexames.

- Não Jack! - disse Clara tremendo. - Querido, vocês dois não são assim. Não mais, pelo menos. Deixa, vou devolver essa jóia a ele no sábado, no restaurante. Sem escândalos, sem brigas, ok?

- Mas ele não vai entender. - respondeu Jack. - Hoje é essa jóia, amanhã um carro, ou um apartamento em Paris... esse homem não tem limite.

- Vou conversar com ele, Jack. Vou dizer a ele que a tiara ficaria muito bonita no meu figurino, mas que não posso aceitar um presente tão caro. - disse Clara puxando Jack pelas mãos para sentar-se na cama ao seu lado.

- Mas ele não vai se convencer assim fácil... - disse Jack.

- Vai... quando eu disser a ele que se não aceitar, devolverei todo o dinheiro que ele me pagou pela adaptação do livro e pelo roteiro, rasgarei aquele contrato e nunca mais quero vê-lo na minha frente. - Clara chorava e segurava as mãos de Jack.

- Não, meu amor! Não! - disse Jack. - Isso vai destruir a sua carreira de escritora. Estes contratos...

- Eu não me importo mais! - interrompeu Clara. - Eu te amo e não quero que você tenha problemas por causa daquele contrato estúpido. Não preciso do dinheiro e tenho certeza de que quando contar tudo para o Jonas, ele vai concordar comigo.

- Não, querida. Não faça isso! - disse Jack agora tentando secar as lágrimas de Clara com as pontas dos dedos. - Eu posso conversar com ele, dizer que você gostou da presteza e da preocupação dele e que usará a jóia nos shows, mas como um empréstimo, que a devolverá a ele assim que a turnê terminar porque é muito cara e que você está se sentindo constrangida de aceitá-la como presente.

- Boa ideia, amor. Mandamos o Michael atrás dele com um contrato de aluguel da jóia, ou coisa que o valha e pronto! - sorriu Clara. - Você é um gênio, meu amor! Sabia que te amava por alguma razão...

- O que? E meu sex appeal a flor da pele combinado a uma voz de Deus do Sexo?

- Você é meu "Deus do Sexo"! Jack, te amo muito e vou te mimar hoje o dia todo!

- Então, minha "Rainha da Luz" usará uma coroa no palco... - sorriu Jack. - Vamos experimentar? Onde você a deixou?

- Está lá na sala de estar, com a Jenni... - disse Clara. - Ah! Falando nisso... precisamos que você vá comigo ao Jean Paul para ver os croquis dos vestidos que usarei no palco.

- Jean Paul? Ah, amor... queria passear por Paris com você, não ficar no atelier daquele cara...

- Mas são as roupas do show, amor. - disse Clara. - Elas precisam combinar com a tal da coroa, agora.

- Nós vamos sim, amor. - respondeu Jack. - Fala com a Jenni para confirmar com ele. Agora venha, solta o cabelo que quero ver você com a tal da coroa.

Os dois voltaram para a sala de estar sorrindo e de mãos dadas e para o espanto ainda maior dos amigos, Clara pegou a tiara em seu estojo e colocou-a na cabeça.

- Que tal? - ela perguntou para seus amigos boquiabertos.

- Linda! - respondeu Jack com uma mesura. - Minha "Rainha da Luz"!

Continua

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