20 de nov de 2011

Rockstar - Capítulo XLIII


Os dois desceram, jantaram quase em silêncio, beberam vinho e tentaram retomar o trabalho no livro. Mas logo pararam. Clara estava muito triste e Jack preocupado não conseguia concentrar-se naquilo que ela perguntava.

- Não, Jack... isso está muito errado... não podemos continuar assim. - Clara disse, desligando a câmera. - Chega! Não vou chorar mais!

- Meu amor, vamos fazer uma coisa? Você fica quietinha aqui e eu vou te dar o que você quiser. O que você quer? Vamos ficar aqui mais uma semana... vou ligar para o David...

- Não, Jack. Vamos voltar para Londres amanhã. Você precisa voltar, eu também preciso. Não faz sentido deixar seus compromissos de lado por causa das minhas bobagens. Vou ficar bem e se não ficar, o problema é todo meu.

- Tem certeza que não tem nada que eu possa fazer para deixá-la melhor? - perguntou Jack agora também parecendo triste.

- Não querido! Ou melhor... tem sim... me deixa te mimar, porque assim não me sinto tão mal por estar estragando nosso final de semana.

Jack sorriu e deitou-se no sofá colocando a cabeça no colo de Clara. Ela passou a acariciar seus cabelos e os dois subiram novamente ao quarto onde se amaram até pegarem no sono quando os primeiros raios da manhã clareavam o horizonte. Acordaram juntos no final da manhã, sentindo-se atrasados para arrumar a bagagem e preparar seu retorno a Londres.

- Bom dia, amor... Sente-se melhor? - perguntou Jack.

- Sim... muito melhor. - disse Clara sorrindo e sentando-se na cama. - Não entendo esses meus ataques... Perco tanto tempo precioso me sentindo um lixo...

- Meninininha... acho melhor você conversar com a Cindy e ver se ela pode te arrumar um bom médico.

- É o que pretendo fazer, amor... Meus hormônios devem estar enlouquecidos ultimamente... - sorriu Clara. - Meu corpo certamente não estava preparado para tanto amor.

- Estou com fome, amor... vamos levantar?

- Vamos sim... A que hora é o nosso voo mesmo?

- Às três. Vem... - disse Jack levantando e começando a vestir-se. - Depois do café, arrumamos a bagagem...

Os dois desceram, tomaram café da manhã e depois sairam pela casa recolhendo as coisas que levariam para Londres. David ligou avisando que já estava em Heathcliff Hall.

Ele e Cindy passariam os próximos dias no Four Seasons, junto com Clara e Jack e levariam com eles toda a bagagem que os dois casais deixaram guardada, na casa dele, antes de viajar.

Com toda a bagagem pronta, Jack e Clara foram caminhar um pouco na montanha, para aproveitar o sol e as últimas horas em casa. Bateram algumas fotos e logo já estavam descendo para almoçar e ir ao aeroporto de Birmingham.

Clara estava triste, mas não deixou Jack perceber e os dois continuaram namorando até chegar ao hotel. Ela estava decidida a lutar contra aquela sensação de abandono que sentia sempre que ele se afastava, e vivia o momento. Aproveitava cada minuto que podia para ficar ao lado dele, compartilhando tudo, conversando ou simplesmente quieta, sentada ao seu lado, segurando sua mão, ou descansando a cabeça em seu ombro.

Cindy ligou para Clara da casa que eles haviam comprado e estavam reformando e logo os dois foram a seu encontro. Estavam curiosos em ver o que estava acontecendo por lá e gostaram muito de saber que as maiores mudanças estruturais já tinham sido feitas e naquela semana a equipe passaria a dedicar-se aos acabamentos, pintura e restauração dos pisos e assoalhos.

- Mais umas duas semanas e acho que já podemos começar a tratar da decoração, Clara. - disse Cindy. - Foi bem rápido, não?

- Foi sim! Tenho a pior das experiências com reformas, quando criança, a casa onde eu morava passou meses reformando e foi horrível. - respondeu Clara sorrindo ao ver o novo piso da cozinha. - Ficou lindo, me sinto em outra época, não amor?

- Sim, está muito bom. - respondeu Jack. - Parabéns Cindy! Está ficando perfeito!

Os três saíram da casa e foram até a Starbucks que ficava próxima ao parque para tomar um café. Cindy deu a Clara os contatos de seu médico de confiança e ensinou-a como usar algumas funções úteis do iPhone, que Clara agora carregava junto com o celular antigo, na bolsa.

- Vocês fizeram bem de comprar esses iPhones. É bem mais prático. Não troco o meu por nada. - disse Cindy.

- Por enquanto está ainda um pouco confuso, mas também acho que vai nos ajudar bastante. - respondeu Clara.

- Amor, desculpa, mas acho que já está na hora de voltarmos para o hotel. Preciso pegar umas partituras que o David me pediu para levar ao estúdio hoje e nem sei onde elas estão.

- Vamos sim, Jack. - disse Clara. - Você vai para o hotel também Cindy?

- Não... ainda vou voltar para a casa de vocês, acertar umas coisas com meu sócio. - disse Cindy. - Vamos jantar juntas hoje? Tem uma fotos que eu fiz do casamento que você vai adorar...

- Falando em fotos, vou ver se passo no estúdio do fotógrafo hoje, ver se o álbum do casamento está pronto. Estou tão ansiosa... A que horas você vai para o hotel? Podíamos ir juntas para o estúdio e depois, jantamos em algum lugar. Vou chamar a Jenni também...

- Quer saber? Vou para o hotel com vocês, ligo para o Sam do caminho. Não tem entrega nenhuma na obra marcada para hoje, nem adianta ficar por lá mesmo. De lá, chamamos a Jenni e podemos ir juntas ao estúdio. Que tal?

- Ótimo. Você deixou seu carro na obra? - perguntou Clara.

- Não. Vim a pé do hotel.

- Então vamos pegar um taxi para voltar. Assim é mais rápido porque o Jack está com pressa. - sugeriu Clara.

Os três pegaram um taxi na porta da cafeteria e voltaram ao hotel. Subiram juntos para a mesma suite e enquanto Cindy conversava no celular, primeiro com seu sócio e depois com Jennifer, Clara ajudava Jack a encontrar a partitura que David havia lhe pedido. Estava junto com as demais partituras, em uma pasta que Jack mantinha sempre organizada, onde também podia ser encontrado o caderno que usava para anotar as letras que compunha.

Assim que encontrou a partitura, Jack também pegou o celular e ligou para David, que naquele momento já estava no estúdio gravando novamente com a orquestra outra das faixas do disco.

Clara sinalizou para Jack e para Cindy, subiu para o quarto e foi trocar-se de roupas. Já ficaria pronta para ir ao estúdio do fotógrafo e de lá, jantar com Cindy e Jennifer.

- Clara... - disse Jack entrando no quarto e encontrando-a semi nua. - Ainda bem que não perdi o melhor momento. Vou me vestir também, o David quer que eu vá para o estúdio agora. O Mike e o Paul já estão lá.

- Ok, amor. Já liguei para o fotógrafo e ele me disse que posso ir até lá pegar o álbum. Depois, vou jantar com as meninas em algum lugar. Você vai demorar muito no estúdio hoje?

- Não sei, amor. O David não me disse o que planejou para hoje. Mas assim que descobrir o que ele pretende, te ligo para avisar. - disse Jack aproximando-se de Clara. - Agora, vem um pouco aqui, mais perto, vem.

- O que foi? - sorriu ela.

- Estou com saudades de poder te mimar. - respondeu agarrando e beijando-a. - Queria ficar o dia todo nesse quarto.

- Eu também, amor. Mas temos muito a fazer hoje. - disse Clara acariciando seus cabelos. - Já sabe o que vai vestir para ir ao estúdio? Quer que eu te ajude a escolher alguma coisa, ou posso ir tomar uma chuveirada rápida?

- Posso ir com você?

- Claro, amor... vem, vamos para o banheiro. Pega a necessaire que está aí na mala.

Os dois tomaram banho juntos no chuveiro e Jack ajudou Clara a secar os cabelos, que ela deixou naturalmente cacheados. Depois ela fez uma massagem em Jack com óleos essenciais e escolheu as roupas que vestiria para ir ao estúdio.

Ela por sua vez, vestiu sua calça jeans skinny favorita, um par de botas de cano alto e uma blusa preta larga de mangas longas que tinha comprado em Paris que era ao mesmo tempo confortável e estilosa. Completou o visual com um cinto e colares e pulseiras indianos que ela compartilhava com Jack.

Os dois desceram juntos para o primeiro andar da suíte, onde Jack pegou seu case com a guitarra, o celular e partiu para o estúdio e Clara ficou com seu iPad nas mãos conferindo o que estava acontecendo online, enquanto esperava Cindy descer do quarto anexo da suíte, pronta para sair.

Ainda confusa com seu iPad, Clara abriu seus e-mails e descobriu entre as novas mensagens uma de seu ex-namorado, Roberto. Antes de clicar, procurou seu remédio de asma e deixou-o ao seu lado, no sofá. Depois, respirou fundo e clicou para ler a mensagem:

"Querida Clara,

Acho que realmente me excedi naquela entrevista. Me perdoe por favor. Depois daquilo, o empresário do seu marido andou me perseguindo e o resultado é que não tenho conseguido escrever mais em nenhum lugar, além de meu próprio blog.
Peço encarecidamente que você interceda por mim. Sabe o quanto minha carreira é importante para mim e não posso admitir vê-la destruída por uma bobagem como esta.
Estou em Londres e gostaria de encontrá-la para conversarmos. Será que posso passar em seu hotel amanhã? Por favor, te conheço muito bem e sei que saberá atender a este apelo. Não me deixe nesta situação, me ajude.

Abraço,
Roberto"

Clara ficou nervosa com o que leu. Pegou seu remédio para asma e aspirou uma dose. Estava tremendo quando Cindy desceu as escadas pronta para saírem.

- O que foi, Clara? Algum problema?

- Meu ex. Me mandou um e-mail dizendo que quer conversar comigo. Meu Deus, será que este homem vai ficar me infernizando agora?

- Você respondeu alguma coisa? - perguntou Cindy preocupada.

- Ainda não. O que você acha que devo responder?

- Não sei, querida. - disse Cindy pegando o iPad de suas mãos. - Não entendo português. O que ele escreveu aqui?

- Ah! Desculpa. Estou tão nervosa agora, que me esqueci que você não entende. Ele disse que o Michael o está perseguindo e ele não está mais conseguindo trabalhar, que se excedeu na entrevista e que está em Londres e gostaria de conversar comigo. O que você acha?

- Acho melhor conversar com o Jack antes de responder, querida. Você não deve ir encontrá-lo sozinha. Pode ser perigoso...

- Não tenho medo dele, Cindy. Profissionalmente ele é bastante agressivo, mas eu o conheço há mais de 10 anos e até já moramos juntos.

- Mas a questão agora não é profissional?

- É... mas não acho que ele seja capaz de fazer alguma coisa contra mim ou contra o Jack, além de escrever bobagens no jornal.

- Não sei, querida. Se fosse comigo pedia até para o Michael reforçar a segurança novamente aqui no hotel. Eu ficaria apavorada.

- Não estou com medo. Só não queria esse tipo de situação agora. Quer saber? Não vou responder o e-mail, assim ele não sabe se recebi ou não e também não tem como saber se estou ainda aqui no hotel ou em Shatterford.

- Você que sabe. Só acho que você deveria ser mais cuidadosa. - disse Cindy sorrindo. - Nossa que blusa linda! É da safra de Paris, não?

- É sim... O Jack comprou para mim. Viu na vitrine e fez questão de comprar. Linda, né?

- Não é que o hippie tem bom gosto? - riu Cindy. - E aí? Vamos ao estúdio?

- Vamos sim... Vou só pegar minha bolsa e a gente já sai.

As duas desceram, pegaram um taxi na porta do hotel e seguiram até o estúdio do fotógrafo para buscar o álbum com as fotos do casamento. Depois, seguiram até o Hikonori, o mais sofisticado restaurante japonês de Londres, onde tinham combinado de encontrarem-se com Jennifer.

Como todos os lugares frequentados pelos ricos e famosos de Londres, o Hikonori possuia sempre alguns paparazzi na porta e eles fizeram a festa ao vê-las chegando ao restaurante. Alguns minutos depois era a vez de Jennifer enfrentar os fotógrafos.

- Olá amigas! Prontas para mais uma semana de maridos presos no estúdio? - perguntou Jennifer sorrindo, assim que sentou-se à mesa.

- Será bem difícil. - respondeu Clara sorrindo. - Mas alguém precisa fazer isso... Nós três, por exemplo.

- É... eu já tenho planos, vou para Viena na quarta trabalhar na restauração de um palácio. E vocês? - perguntou Cindy rindo.

- Eu vou ficar no hotel, trabalhando no livro e tentando trabalhar com seu marido, Cindy. Ele disse que quer produzir um disco para mim, lembra? - respondeu Clara.

- E eu vou passar uns dias em Paris, porque a temporada de desfiles já vai começar. Vocês podiam ir comigo, especialmente você, Clara. - riu Jennifer. - Precisamos acertar seu visual para o palco, lembra?

- Ai querida! Isso pode ser interessante agora. Eu ando com a sensação de que estou atrapalhando o Jack. Acho que ele precisa de mais espaço, vocês não acham? - disse Clara.

- Espera... - riu Cindy. - Quem é você e o que você fez com nossa amiga Clara?

- Sério, meninas. Estou preocupada mesmo com isso. - respondeu Clara. - Ele é um doce, eu o amo muito, mas sei que o estou atrapalhando e não tenho esse direito.

- Como assim, atrapalhando? - perguntou Jennifer. - Vocês estão em lua-de-mel ainda. Não seja tão dura com você mesma.

O celular de Clara tocou interrompendo a conversa. E fazendo as três rirem.

- Oi Jack. Tudo bem por aí?

- Oi amor, paramos um pouco por aqui para comer. Onde você está?

- No Hinokori. Aquele japonês perto do nosso hotel. - disse Clara. - Você vai demorar muito hoje?

- Acho que sim, querida. Melhor nem me esperar acordada. Sinto muito... queria tanto estar com você agora. - respondeu Jack.

- Eu também queria estar com você, meu amor... Te mostrar o álbum do nosso casamento, ficou tão lindo.

- Amanhã você me mostra. O David está me chamando, querida. Preciso ir... - disse Jack. - Eu te amo.

- Te amo, também. Até mais tarde...

Clara estava chorando mais uma vez quando desligou o telefone.

- Vou ficar bem... - disse limpando as lágrimas dos olhos com um lenço de papel. - Vocês viram? Eu não posso ficar assim sempre.

- Não tem problema, Clara. - disse Cindy. - Eu acho muito lindo esse relacionamento de vocês. É romântico, doce e tenho certeza de que não está atrapalhando em nada o Jack, pelo contrário, você transformou um sapo em príncipe...

- Eu sei disso, mas está me incomodando. Eu o amo muito, muito mesmo. Mas não posso continuar me acabando de chorar cada vez que ele se afasta de mim. Não está certo isso. - disse Clara. - Nenhum relacionamento da minha vida foi assim...

- Falando em relacionamentos, o que você pretende fazer sobre seu ex? - disse Cindy. - O ex da Clara, aquele da entrevista, mandou um e-mail dizendo que precisam conversar.

- Opa! - disse Jennifer. - O Michael não tinha dado um jeito nele?

- Foi. - respondeu Clara. - O Michael conseguiu demiti-lo do jornal e pelo que ele me contou no e-mail, está dificultando para que consiga escrever para outros veículos.

- Então isso pode ser perigoso, Clara. - disse Jennifer. - Ao menos ele é bonito?

Clara sorriu e pegou seu iPhone. - Tem umas fotos dele aqui no meu Facebook.

- Hum... Estou maluca ou ele é uma versão "low profile" do Jack? - disse Jennifer. - Os cabelos são mais curtos, mas é magro, alto e tem os mesmos belos olhos azuis...

- Pois é. - riu Clara. - Culpada! Conheci na faculdade, eu tinha 17 anos e ele, 19 e nessa idade ele era idêntico ao Jack do início da Crossroads, parecia um anjo. Me salvou de uns veteranos bebados e nunca mais nos separamos. Acabamos indo morar juntos, mas ele me traiu profissionalmente e tudo virou um inferno. Nos separamos e ultimamente, só o encontrava em alguns compromissos profissionais.

- E daí ele apareceu para a entrevista? - perguntou Cindy.

- Foi... - Não conversávamos mais há muito tempo. Ele escreveu críticas horríveis para meus livros e eu fiz o possível para ignorá-lo. Até ele aparecer na minha frente, para aquela entrevista.

- Melhor ter cuidado, então Clara. O Jack já sabe? - disse Jennifer.

- Não. Decidi não envolvê-lo nesse problema. Ele vai surtar e chamar polícia, contratar seguranças...

- Mas ele tem razão. Pode mesmo ser perigoso. E se ele quiser se vingar? - disse Jennifer.

- Acho que vocês têm razão. Quando Jack voltar, conto para ele o que está acontecendo. - disse Clara apenas para acalmar as amigas, já que não tinha a menor intenção de contar ao marido sobre aquele e-mail.

E a noite seguiu, Jennifer deu carona de volta ao hotel para Clara e Cindy e as duas, foram dormir no início da madrugada sem qualquer novo contato de seus maridos ainda nos estúdios gravando as faixas do novo disco.

Londres amanheceu chuvosa no dia seguinte e Jack ainda não estava no hotel. Clara acordou cedo, vestiu-se e desceu para a sala de estar. Resolveu dar uma olhada nas notícias em seu iPad enquanto esperava Cindy acordar.

- Bom dia, pelo jeito não veremos nossos maridos tão cedo. - sorriu Cindy.

- Pois é... - respondeu Clara. - Estão com a amante neste momento. O que você quer para o café da manhã?

- O de sempre... Frutas, panquecas, suco de laranja e chá. Você vai pedir?

- Vou sim. - disse pegando o telefone para ligar para o serviço de quarto.

- Ótimo! Vou para o escritório hoje. Preciso deixar tudo pronto para ir a Viena amanhã. Vou ter que ir de taxi, está chovendo horrores lá fora.

- Pior que está... Queria sair para andar um pouco e nem isso vou poder fazer. Pelo jeito passarei o dia aqui escrevendo mesmo. - sorriu Clara. - Na verdade, não posso nem me queixar, vou poder trabalhar no livro tranquila...

- Já está sentindo falta do Jack? - riu Cindy.

- Muita... - respondeu Clara. - Estava aqui agora mesmo pensando em razões para não ir até aquele estúdio. Sou ridícula, não?

- Não, amiga! - sorriu Cindy. - Não perde isso não... é inspirador para todos nós que ainda não chegamos lá.

O café da manhã foi servido e logo Cindy partiu para o escritório. Clara foi para o escritório da suíte com o notebook, mas estava inquieta pela ausência de Jack e não conseguia escrever. Depois de lutar consigo mesma por mais algumas horas, desistiu. Fechou o computador e desceu para andar um pouco no parque, aproveitando que a chuva tinha parado.

Mas assim que pisou no saguão do hotel, percebeu que alguém levantou-se dos sofás da recepção e caminhou em sua direção.

- Clara! Recebeu meu e-mail? Precisamos conversar. - disse Roberto aproximando-se dela.

- Ok! Vamos conversar... Tem uma cafeteria aqui perto, vem comigo. - respondeu Clara.

Clara e Roberto seguiram em silêncio até a cafeteria de uma livraria na rua detrás do hotel. A loja estava agitada, com muito movimento, mas os dois conseguiram uma mesa em uma área mais tranquila, onde poderiam conversar mais a vontade.

- Vou tomar um capuccino, o que você quer Roberto? - perguntou para o ex-namorado, assim que a garçonete aproximou-se da mesa.

- Uma coca-cola.

Ela esperou a garçonete afastar-se da mesa, respirou fundo, olhou nos olhos de Roberto e perguntou: - O que você quer agora?

- Antes de qualquer coisa, quero que você me perdoe. Eu fui um idiota naquela entrevista e você teve toda a razão do mundo para mandar o "pitbull" que trabalha para seu marido em cima de mim...

- Desculpa. Não fui eu que o mandei.

- Como não, Clara?

- Não foi. Não queria te contar isso, mas quando li a entrevista publicada na internet, passei muito mal e meu marido precisou me levar ao hospital. Quando ele soube da razão do meu mal estar, não tive como segurá-lo.

- Então... Ele fechou todas as portas da imprensa brasileira para mim e você sabe o quanto isso torna tudo difícil.

- Sei... e você quer que eu o convença a tirar o Michael do seu pé? É isso?

- Exatamente. Não fiz nada demais, Clara. Por que você quer me castigar para sempre? Já aprendi a lição, você agora é um deles.

- Do que você está falando Roberto. Não entendi...

- Você nem lembra mais, não é? Nenhum comprometimento com nossos ideais...

- Nossos ideais? Você está maluco? Eu cresci, Roberto. Aquela bobagem de achar que nós podiamos mudar o mundo...

- Você certamente não. Deixou tudo para trás, abandonou todos os seus sonhos para casar-se com um superstar alienado.

- Desculpa Roberto, mas você está delirando... Eu te deixei porque você me sabotou no jornal. A Márcia me disse que eu entraria na vaga do Celso, como repórter do caderno de entretenimento e você me sabotou. Seria minha primeira grande chance...

- Chance do que Clara? De enterrar seu talento escrevendo bobagens sobre shows de rock e filmes de Hollywood?

- Era o sonho da minha vida...

- Você tinha talento, podia fazer o que quisesse com ele e escolheu chafurdar naquela lama...

- Não adianta Roberto. Você não me entende e nunca me entendeu... Vou embora para minha casa agora e pedirei ao meu marido para interceder a seu favor. Não posso prometer nada porque depende da vontade dele. Vou pedir que ele converse com o Michael... Por favor, não me procure mais e espero que você entenda de uma vez por todas que as pessoas têm suas próprias razões, independente daquilo que achamos que elas devem fazer ou ser... - Clara disse levantando-se da mesa e caminhando ao balcão do café para pagar pelas bebidas.

Ela saiu caminhando pela rua sem olhar para trás e sentiu-se feliz por Roberto não ter sequer se levantado da mesa onde conversavam. Estava perturbada, mas pela primeira vez em sua vida começava entender a razão daquela agressividade dele, desde o final do relacionamento.

Era muito estranho, mas tratava-se de manter vivos antigos ideais, que em algum momento ela também tinha, mas que agora pareciam muito tolos e infantis.

Clara chegou à suíte em poucos minutos. Ficou feliz ao notar cases de guitarras de Jack e de David no meio da sala de estar. Sinal de que ambos já tinham voltado do estúdio. Subiu ao terceiro andar na esperança de encontrá-lo, mas apenas encontrou um bilhete escrito por Jack colado na porta do quarto dos dois: “Menininha, queria muito te ver, mas preciso dormir um pouco. Assim que eu acordar, a gente conversa. Eu te amo”

Clara sorriu com o pedaço de papel na mão e desceu para o escritório. Embora ainda abalada pelo encontro inesperado com Roberto, ela decidiu que deveria trabalhar um pouco no livro e que poderia usar aquelas horas em que seu marido dormia para escrever. Abriu novamente o notebook, respondeu alguns e-mails e escreveu um longo texto em seu blog que falava sobre saber respeitar as decisões de quem amamos, mesmo quando elas nos parecem absurdas.

Era quase hora do almoço quando o celular de Clara tocou. Era Cindy perguntando se Jack e David já estavam em casa e convidando Clara para almoçar com ela em um bom restaurante italiano próximo de seu escritório.

- Ótima ideia! Vou escrever um bilhete para o Jack e já estou indo para aí... - respondeu Clara. - Hum, espera... o restaurante é de luxo?

- Por que? - perguntou Cindy.

- Porque eu estou usando roupas esportivas. Saí hoje de manhã para caminhar no parque e não posso me trocar. O Jack está dormindo e não quero entrar no quarto.

- Pode vir tranquila. Não é nenhum daqueles lugares badalados que a Jennifer costuma escolher. - riu Cindy.

- Tenho uma porção de coisas para te contar. Só vou pegar minha bolsa e já desço para pegar um taxi até aí... No seu escritório, certo?

- Exatamente... Estou te esperando...

Clara desligou o telefone e mesmo com Cindy dizendo que o restaurante era tranquilo, ela achou que deveria arrumar-se um pouco. Prendeu novamente os cabelos, fechou o ziper do moleton que estava usando, lavou o rosto, passou perfume, pegou a bolsa e antes de sair, pegou uma página de seu bloco de anotações na bolsa e escreveu para Jack: "Fui almoçar com a Cindy em um restaurante italiano próximo do escritório dela. Estou morrendo de saudades de você, mas não quero te acordar... Te amo muito."

Clara pendurou o bilhete na porta do quarto e começou a descer as escadas sem fazer barulho, mas repentinamente a porta do quarto se abriu.

- Bom dia, meu amor. - disse Jack, nu parado na soleira da porta. - Você estava saindo?

- Jack! Eu te acordei? - perguntou Clara enquanto voltava para abraçá-lo.

- Não querida! A fome me acordou... - respondeu Jack sorrindo e lendo o bilhete que ela tinha acabado de colocar na porta. - Você ia sair para almoçar com a Cindy?

- Vou, querido. Você quer ir também? - disse Clara. - Melhor se vestir, não? Vou ligar para a Cindy. Será que o David não quer ir também?

- Melhor deixar ele dormir... Ele passou o dia e a noite toda naquele estúdio e precisa descansar. Liga para a Cindy dizendo que vai se atrasar. Vem, vamos tomar um banho juntos. - disse Jack puxando Clara pela mão para dentro do quarto.

Clara ligou rapidamente para Cindy avisando que Jack tinha acordado e que ele almoçaria com elas. Também disse que deixariam um bilhete para David, caso ele acordasse antes de voltarem do restaurante.

Jack despiu Clara lentamente e passou a beijar seu corpo, enquanto ela o acariciava e os dois entraram juntos no chuveiro. Tudo o que ela desejava no mundo agora estava em seus braços, sob a água quente que os molhava. Não tinham muito tempo disponível, mas aqueles momentos mudavam completamente o dia para ela.

Escolheram suas roupas e em clima de muito amor, desceram as escadas da suíte para sair quando encontraram a porta do quarto de David aberta. Ele também já estava acordado e naquele instante estava sentado na sala de estar esperando por eles.

- David? Já acordou? Não está cansado não?

- Um pouco. Mas estou com muita fome. Liguei para a Cindy e ela me disse que vocês estão indo no "Vittorio's" perto do escritório dela. Vamos?

- Vamos sim, David. Que bom que você também acordou. - sorriu Clara. - Vamos descer, então?

- Vamos no meu carro... - disse Jack, procurando pela chave e encontrando-a em cima do piano.

- Fizemos grandes progressos ontem no disco e já estamos quase terminando as gravações. - disse Jack. - Graças ao David, estamos quase de férias, amor.

- Precisamos comemorar então. Vocês vão voltar ao estúdio hoje à noite? - perguntou Clara.

- Não, Princesa. Só vamos para lá amanhã à noite.

- Perfeito! Então podemos fazer uma pequena comemoração na suíte. Pedir algo especial para o serviço de quarto, chamar o Michael e a Jenni e ter uma noite de festa entre amigos. A Cindy vai para Viena amanhã, a Jenni vai para Paris, seria uma boa oportunidade de todos nos reunirmos. Que tal?

- Eu acho ótimo. Vamos fazer isso, então. - disse Jack. - Você não quer ir para Paris com a Jenni, amor?

- Não, querido. Preciso trabalhar no livro. Tenho muita coisa ainda para escrever... Um dia ainda pretendo terminar esse livro.

- Também vamos trabalhar juntos, não Princesa? Vamos escrever algumas músicas para o seu disco. - disse David. - Fiz uma melodia linda ontem no estúdio, hoje à noite tocarei para você e o Jack vai escrever a letra.

- Mesmo? Meu Deus! Não sei se fico feliz ou em pânico quando vocês me falam isso. Ainda não me sinto digna de entrar naquele estúdio e cantar, rapazes.

- Mas você é, Princesa. - respondeu David sorrindo. - Você é muito melhor do que imagina.

O trânsito de Londres estava complicado na hora do almoço, mas o escritório de Cindy não era muito distante e todos desciam do carro na porta do restaurante.

O almoço foi festivo, embora tenha sido interrompido mais de uma vez por pessoas atrás de fotos e autógrafos, atendidas por Jack e David sempre com a maior gentileza.

Os dois casais deixaram o restaurante juntos e foram para o hotel. Subiram para a suíte prontos para passar algumas horas apenas aproveitando o início da tarde, logo após o almoço, para descansar. Cindy precisaria voltar ao escritório para pegar alguns papéis para a viagem no dia seguinte e antes do final da tarde, ela seguiu até lá.

Jack e Clara subiram para seu quarto e ficaram lá pelas próximas horas, apenas descansando nos braços um do outro, enquanto David sentou-se com sua guitarra, revendo detalhes de uma melodia que gravariam no dia seguinte.

- Amor... Estou com um pequeno problema e preciso da sua ajuda. - disse Clara.

- O que foi, querida?

- É sobre meu ex-namorado.

- O que tem ele? - Jack sentou-se na cama, preocupado.

- Bom, hoje de manhã, desci para andar um pouco no parque e ele estava me esperando na recepção do hotel.

- Meu Deus! Ele te atacou? Você chamou a segurança do hotel para lidar com ele? - perguntou Jack.

- Não amor, eu saí com ele para tomar um café na cafeteria da livraria da rua detrás. - respondeu Clara. - Você me conhece, não gosto de deixar nada pendente, nem mal resolvido.

- Mas isso é muito perigoso. E se ele te atacasse? Te sequestrasse?

- Querido... não! Ele não faria isso. - disse Clara acariciando os cabelos de Jack. - Ele queria conversar comigo e eu fui conversar com ele.

- E o que ele queria?

- Ele me disse que depois que o Michael demitiu ele do jornal, não está conseguindo mais emprego em lugar nenhum. Queria que eu te pedisse para tirar o Michael do pé dele para que possa trabalhar. E eu gostaria que você fizesse isso. Chega! Não quero ficar pensando mais nele... Pede para o Peters mexer novamente seus contatos para liberá-lo e nos livramos dele para sempre.

- Minha vida! Vou falar com o Michael... Mas não acho que ele mereça... Deveria ficar na geladeira por alguns anos ainda até aprender sua lição.

- Não adianta amor. Agora entendi porque ele me persegue... deixa eu te explicar... Quando comecei a namorar com ele, eu tinha 17 anos e era uma menininha mimada, chata, que não dava a mínima para o resto do mundo e ele já era um ativista político. Me deu livros para ler e eu passei a frequentar o movimento estudantil e tornei-me uma ativista, sempre muito mais para acompanhá-lo, do que por qualquer ideologia. Estava lá, no meio dos políticos e intelectuais da faculdade, mas sem realmente me preocupar com tudo aquilo. Quando consegui uma vaga no caderno de variedades, depois que meu pai já tinha acabado com todas as minhas chances de fazer o que eu chamava de jornalismo sério, ele me sabotou e eu perdi também aquela chance. E ele me disse que eu era boa demais para desperdiçar meu talento com as bobagens do caderno de variedade.

- Sério que ele te disse isso? Aquele desclassificado que quase te matou?

- Bom, foi isso o que aconteceu... sei que ele é um idiota, mas quero que o Michael o deixe em paz e fechamos para sempre essa história, ok?

- Eu faço tudo o que você me pede, meu amor. Mas vou pedir para ele deixar um segurança com você por uns dias.

- Não precisa, querido. - disse Clara segurando seu rosto. - Eu te amo, te amo e te amo! Sabe que agora me sinto aliviada. Não tinha a menor ideia do porque dessa atitude dele e agora tudo faz sentido e eu posso por uma pedra sobre essa história para sempre.

- Querida, eu posso pedir ao Michael para agir, mas e se mesmo assim ele não conseguir um jornal para trabalhar?

- Olha, amor, posso mandar e-mails para alguns editores que eu conheço e também pedir ao meu pai, que é muito bem relacionado nesse meio para ajudá-lo.

- Você é um doce, meu amor! - disse Jack acariciando Clara. - Queria muito te mimar e fazer tudo o que você quiser...

- A única coisa que eu quero agora é você. Aqui, colado em mim...

- Ah! E o médico? Já marcou?

- Vou ligar amanhã. Tive um dia muito cheio hoje...

- Mas até que não está sendo um dia ruim. - disse Jack começando a beijar todo o seu corpo novamente.

- Ai Jack, você me enlouquece...

Os dois voltaram a seu doce idílio. Nada mais importava, só aquilo que sentiam um pelo outro. E a tarde foi se arrastando lentamente, entre carinhos e prazeres. Logo era preciso lembrar que haveria convidados para o jantar e era preciso que eles se preparassem.

- Vamos comer o que hoje à noite? - perguntou Jack. - Que tal se pedíssemos algo ao serviço de quarto?

- Pode ser, vida... Você me ajuda a escolher alguma coisa no menu? Você conhece melhor o gosto dos nossos amigos...

- Claro que ajudo... então nos resta levantar e começar a providenciar tudo...

- Vem... vamos tomar uma chuveirada rápida e nos vestimos para dar uma olhada naquele menu.

- É uma pena... estava tão feliz aqui, no meio destas perninhas finas...

- Vamos lá, Grandão... Mais tarde continuamos de onde paramos...

- Hum... disso eu gostei... Estava aqui pensando - disse Jack já de pé caminhando com Clara para o banheiro. - Que tal lagostas?

- Eu amo! Acho que não tem quem não goste... boa ideia, amor! - disse Clara enquanto buscava seus xampus na necessaire. - Vou pedir um risoto de champagne para acompanhar e um sorvete de sobremesa.

- Vem aqui... vou te mimar mais um pouquinho nesse chuveiro. - disse Jack agarrando-a assim que entrou no box.

Os dois tomaram banho juntos. Vestiram-se e desceram para a sala de estar onde David agora no piano tocava uma nova melodia que eles não conseguiam reconhecer.

Em silêncio, Clara pegou o menu do serviço de quarto e puxou Jack pela mão para subirem ao escritório, no segundo andar da suíte.

- Amor, ele está compondo. É melhor não atrapalharmos. Vamos olhar o que tem de lagosta aqui no menu. - disse Clara depois de fechar a porta.

- Olha essa aqui... Parece boa, não?

- Perfeita, querido. Vou ligar então para eles e marcar o jantar para as 9 da noite? Pode ser?

- Perfeito amor.

Clara ligou para o serviço de quarto e pediu o menu que eles escolheram para um jantar com serviço completo em sua suíte marcado para aquela noite e em seguida, ligou para Cindy para confirmar se ela já tinha convidado Michael e Jennifer.

- Tudo providenciado, querido. O Michael e a Jenni virão hoje à noite e a Cindy já está a caminho do hotel. Quer ver nosso álbum de casamento agora?

- Quero sim... onde ele está?

- Aqui, junto com meu notebook.

Clara sentou-se no colo de Jack com o álbum e os dois puderam ver novamente as fotos que escolheram no estúdio agora devidamente montadas e encadernadas.

- Ficou lindo, amor! Vou chamar esse cara para fazer a capa do disco... - disse Jack admirando a qualidade do trabalho do fotógrafo. - Precisamos mostrar ao David e ao Mike o que ele fez com nossas fotos, esse relevo com as palavras dos nossos votos e as flores, ficou de muito bom gosto.

- Eu também gostei muito. Foi tudo mágico nesse dia... aliás tem sido tudo mágico desde Nova York e você é a maior razão disso tudo... - disse Clara passando os dedos sobre o símbolo do infinito em relevo sobre a foto em que estavam frente a frente, no altar, dizendo seus votos.

- Ai, Menininha... você está me matando... Você está tão linda nessa foto que me dá vontade de chorar... O que você viu em mim?

Clara começou a sentir as lágrimas escorrendo de seus olhos. Fechou o álbum e beijou Jack.

- Eu te amo tanto, Jack. Me dói quando você fala assim...

Jack também começou a chorar e os dois ficaram quietos abraçados por alguns minutos.

- Meu amor... - disse Clara limpando as lágrimas do rosto de Jack. - Vamos descer, o David parou de tocar, está ouvindo?

Clara e Jack levantaram-se, limparam as lágrimas do rosto um do outro e desceram as escadas. Cindy já tinha chegado e estava entrando com várias sacolas nas mãos.

- Oi Cindy! Pronta para viajar amanhã? - perguntou Clara.

- Opa! Muito pronta! Fiz até algumas compras... - disse Cindy. - Cadê o David?

- Deve ter ido para o quarto de vocês. Ele estava tocando há alguns minutos.

- Boa noite, meus caros. - disse David do alto da escada. - Você já chegou, amor? Que bom!

- E aí, David? Essa que você estava tocando há uns minutos é nova, não? - perguntou Jack.

- É sim, Velhão! Estava pensando em dar para a Princesa gravar...

- Sério? - disse Clara sorrindo. - Ainda não me sinto a altura desse desafio... mas quando penso que vocês estão dispostos a me ajudar, fico sem palavras para expressar a emoção que sinto. Amo vocês, meus queridos amigos.

- Nós também te amamos, Princesa! - disse David. - E não será nenhuma surpresa se seu disco fizer mais sucesso do que o nosso.

- Obrigada, David! Por colocar tanta fé em mim! Estou muito feliz...

- Queridos, vou guardar minha compras. A Jenny me ligou e disse que chega daqui a pouco... Vem Clara, vem ver as roupas que comprei...

Clara acompanhou Cindy no quarto e ajudou-a a fazer sua mala.

- A Jennifer disse que vai te convidar para ir para Paris com ela, para ver os desfiles... Pena que eu tenho que ir para Viena, porque se não tivesse, eu também ia. - sorriu Cindy.

- Eu gostaria de ir, mas tem o livro e o disco que eles querem fazer para mim. - disse Clara suspirando.

- Ah! Vai... Você pode escrever em qualquer lugar e além disso, você vai mesmo precisar de um guarda roupa novo para os shows. A turnê vai começar logo e quando se der conta, não terá mais tempo para nada.

- Acho que você tem razão. Também seria bom sair um pouco de Londres. Encontrei com meu ex hoje de manhã, quando saia para andar um pouco no parque.

- Meu Deus! E aí? Você despachou ele?

- Ele me pediu para tirar o Michael do pé dele e eu contei tudo para o Jack. Ele me prometeu que conversará com o Michael. Vou escrever para o meu pai pedindo que dê uma força para aquele idiota e assim, posso esquecer que ele existe de uma vez por todas.

- Melhor ainda. Duvido que ele vá atrás de você em Paris. Assim, ele não terá mais acesso... Não gosto dessa história, esse cara me parece perigoso...

- Não é, Cindy. Mas acho que você tem razão. Seria bom sair do alcance dele por um tempo.

- Então? Sabe o que eu estou aqui pensando? - disse Cindy. - Vou ficar em Viena até sexta-feira e posso pegar um voo para Paris e encontrar vocês lá. Os rapazes também não costumam gravar no final de semana. Podíamos passar o final de semana todos juntos em Paris... que tal?

- O Jack? Em Paris? Hum... começou a melhorar. - sorriu Clara.

- Viu só? Vamos viver um pouco antes da loucura começar, amiga!

Cindy havia conseguido convencer Clara a viajar com Jennifer para Paris e depois de terminar de arrumar a mala de Cindy, as duas desceram para a sala de estar com o álbum do casamento para mostrar aos seus amigos que ainda não tinham visto.

A equipe de empregados do hotel já tinha começado a trabalhar no preparo da sala de jantar e Clara conversou brevemente com o mordomo antes de descer.

Jack abriu a porta da suíte para Jennifer e Michael que tinham chegado naquele instante e logo a sala estava dividida em dois, homens ao redor de David, no piano e mulheres ao redor de Clara fazendo planos para a viagem a Paris, no dia seguinte.

- Espera. Antes de começar a fazer planos, preciso avisar meu marido que vamos viajar. Vocês não acham? - riu Clara.

Ela levantou-se do sofá, pegou Jack pela mão e levou-o até o terraço, onde contou seus planos. Ele sorriu, beijou-a e disse que aprovava a ideia.

- Queridos amigos. Minha esposa irá para Paris amanhã e gostaria de convidá-los para passarmos o final de semana por lá, todos juntos. - disse Jack. - Podemos ir na sexta-feira à noite e voltamos na segunda, que tal?

- Ótimo! Vamos querida? - perguntou David aproximando-se de Cindy. - Você pega um voo direto para Paris, na sexta e nos encontramos lá...

- Vai ser fantástico... Você sabe que eu amo Paris, David. - respondeu Cindy, beijando o marido.

- Desta vez, quero convidar a todos para ficar no meu apartamento. - interrompeu Michael inesperadamente. - Sei que estão surpresos agora, mas será maravilhoso ter vocês todos, meus amigos queridos, na minha casa.

Com a oferta inesperada de Michael, a noite foi de festa. Todos planejando como seria aquele final de semana dos três casais e com David dizendo que as gravações estavam terminando e logo começaria a próxima etapa do trabalho.

Clara tinha muito medo desta próxima fase, mas se consolava com o fato de que estaria sempre perto de seu marido em cada passo do caminho.

Depois das lagostas, do sorvete e do champagne, todos foram para o terraço, onde Clara colocou seu CD player para tocar uma coletânea de Frank Sinatra e os três casais dançaram sob o luar por algumas horas.

Jack estava ainda mais romântico e murmurava palavras doces nos ouvidos de Clara, enquanto a apertava contra seu corpo. Parecia já estar sentindo sua falta, antes mesmo dela ir embora.

Depois de dançar, os seis amigos sentaram-se na sala de estar para mais uma rodada de champagne e terminaram de fazer o planejamento da viagem. Jennifer ajudou Clara a usar seu iPhone para comprar sua passagem no mesmo voo das duas da tarde em que ía e todos começaram a fazer os arranjos necessários para o sucesso daquele final de semana.

Clara mandou um e-mail a seu pai pedindo para que ele intercedesse em favor de Roberto, enquanto Jack mandou uma mensagem a Michael Peters, pedindo que parasse de perseguí-lo.

Com tudo encaminhado, Michael e Jennifer partiram para seu hotel e David e Cindy se recolheram em seu quarto porque teriam que acordar cedo no dia seguinte. Clara e Jack ficaram sozinhos na sala de estar, mas logo também subiriam para o próprio quarto, onde continuaram, agora em clima de despedida, o namoro daquela tarde; sob a luz da lua, brilhando alta nas janelas da suíte.

- Vai ser tão difícil para mim passar a semana longe de você. - disse Clara acariciando o peito de Jack.

- Para mim também, Menininha. Mas lá, pelo menos, não me sentirei tão culpado por te deixar sozinha aqui nesse hotel e posso trabalhar sem querer a todo minuto largar tudo para voltar para você.

- Que lindo isso... você fica mesmo pensando em mim, no estúdio? - sorriu Clara.

- Não penso em mais nada além do momento em que vou te ver de novo. - disse Jack beijando-a e envolvendo-a em seus braços. - Errei umas cinco vezes ontem e o David ficou louco da vida. Quase me manda para o espaço...

- Tadinho... estou tirando sua concentração, meu amor? - riu Clara enquanto provocava Jack, acariciando-o.

- Vem aqui, Menininha... - Jack puxou Clara pelo braço e empurrou-a de volta ao colchão, começando novamente a beijá-la.

Já amanhecia quando os dois finalmente pegaram no sono, exaustos, mas ainda agarrados.

Mesmo assim, acordaram cedo, tinham muito a deixar pronto para que Clara pudesse viajar. Tomaram café da manhã com Cindy e David e depois subiram para arrumar as malas de Clara. Novamente deixariam uma parte da bagagem embalada para mandar para Heathcliff Hall durante o final de semana.

O tempo parecia correr mais rápido do que o normal e logo, se aproximava o momento da despedida. Clara vestiu-se, arrumou sua bolsa com iPhone, notebook e suas jóias. Clara não queria levá-las, mas Jennifer havia dito que durante a semana de desfiles, haveria muitas festas em Paris e elas seriam necessárias.

Jack não a deixou um minuto sequer naquele dia e um pouco antes da onze e meia, ela, já de saída, o abraçava e beijava, usando um óculos de sol para esconder as lágrimas.

- Divirta-se, Princesa... - disse David, levantando-se do piano, caminhando até ela e beijando-a no rosto. - Nos vemos na sexta...

- Tchau David...

- Jack, vem aqui, meu amor... - disse Clara puxando-o até o hall do elevador. - Quero ficar mais um pouquinho com você. Eu devo estar louca para viajar assim e te deixar aqui...

- Vai se divertir, querida. Sexta-feira estaremos juntos novamente... Vai em paz, meu amor.

- Tchau Jack... - disse Clara suspirando ao entrar no elevador.

Continua

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