16 de nov de 2011

Rockstar - Capítulo XLI


- Estou triste! - disse Clara.

- Triste? Por que? - respondeu Jack. - Fiz alguma coisa errada?

- Não, amor! Tenho pouco tempo para ficar com você hoje... Logo você vai para aquele estúdio...

- E logo será amanhã e estaremos juntos por todo final de semana, Menininha! Na nossa montanha...

- Mas como você vai dirigir depois de passar a noite em claro? - perguntou Clara.

- É mesmo... não tinha pensado nisso. Vamos de avião? Deixamos o carro no aeroporto e pegamos ele de volta na segunda-feira.

- Pode ser, não quero sair de casa mesmo durante todo o final de semana. Aliás, por mim, não sairemos do quarto. - disse aproximando-se de Jack e beijando-o.

- Hum... Menininha... Mas não ficaremos sem carro, ainda não te levei na garagem onde eles ficam, mas lá na montanha tenho alguns carros. Teremos um final de semana maravilhoso. - respondeu Jack com aquele sorriso enorme em seu rosto que costumava deixar Clara completamente derretida. - Vou ligar para o taxi aéreo e a gente continua esta conversa daqui a pouco.

Jack pegou seu celular e reservou o avião para levá-los a Birmingham onde alguém os pegaria no aeroporto. Existia também uma outra questão, a do restante da bagagem que não precisava ser levada para a montanha. Como David também não pretendia levar tudo o que estava no hotel com ele em Londres, os dois combinaram que um funcionário da produtora levaria uma parte das coisas dos dois para ficar guardada em Heathcliff Hall durante o final de semana.

- Onde paramos? Ah, sim... então não vamos sair do quarto, neste final de semana?

- Acho que não... são só três dias... e eu quero te mimar como nunca mimei... - sorriu Clara acariciando o rosto de Jack.

- Hum... Melhor então dar folga a todos os empregados...

- Quando você sair vou ao mercado comprar material para fazermos fondue e mais algumas coisinhas gostosas para comermos.

- E eu vou contar cada segundo que falta até a nossa viagem... Ai, meu Deus, nunca senti tanta pressa para que um dia passasse...

- Eu também, minha vida! Quero tanto estar nua, na nossa montanha, na frente daquela lareira.

- Ah! Pro inferno com a Crossroads... Vamos embora agora? - disse Jack. - Quero estar com você lá agora! Vamos, me ajuda a arrumar a bagagem...

- Não amor. Você precisa gravar. Seus amigos estão te esperando, você não pode fazer isso com eles...

- Eu sei, menininha... Vamos fazer conforme combinamos. Pelo menos almoçaremos juntos hoje. O que você quer comer? Quer ir ao francês?

- Vamos, querido... Aí podemos sair pelo bairro e você pode seguir para o estúdio e eu volto de taxi para casa. Temos muitas coisas para embalarmos hoje. Acho que vou comprar mais umas roupas de frio para usarmos na montanha.

- Mas você não vai me convencer a usar nada nesse final de semana...

- Não sou eu... é o frio... Não vamos lá ver o amanhecer e o por do sol?

- Acho que não vai dar tempo... Quero ficar dentro de você dia e noite. - sussurrou nos ouvidos de Clara.

- Você não pode fazer isso comigo... me provocar desse jeito e depois sair para trabalhar até amanhã...

- E o que você vai fazer sobre isso? - sorriu Jack.

- Vem aqui, vem... - disse Clara puxando-o até a sala de estar e empurrando-o no sofá. Depois sentou-se no colo dele e tirou a blusa que estava usando. - Então, como eu estava dizendo, você não pode fazer isso comigo...

Jack tirou seu sutiã e começou a beijar seus seios. Nada mais importava naquele instante, só o prazer que sentiam juntos e ali, na sala de estar, o amor dos dois voltava a manifestar-se. Intenso como a loucura.

Depois de perderem-se no amor, os dois vestiram novamente as roupas e arrumaram-se para almoçar no restaurante "Chez Montagne"; estavam novamente felizes de poderem compartilhar um almoço em um bom restaurante da cidade.

Foram até lá de carro, desceram na porta, posaram para um fotógrafo que estava por lá sozinho naquele momento e entraram para almoçar. Clara gostava muito daquele restaurante e Jack parecia aos poucos estar se acostumando a ele. Comeram bem, beberam vinho e depois saíram para dar uma volta a pé pelas vizinhanças, mantendo o carro no estacionamento enquanto olhavam as vitrines das lojas próximas.

Mas ali, Clara não estava encontrando o que queria. Roupas quentes para levar para a casa de campo, então lembrou-se de uma pequena loja, em uma outra rua próxima, onde havia comprado suéteres, um pouco antes de ir para a montanha pela primeira vez.

Caminharam até lá onde a mesma velhinha irlandesa os atendeu. Jack comprou um suéter branco, todo feito de tranças e Clara comprou dois suéteres de gola alta para ela. Eles também compraram gorros e cachecóis para os dois.

Jack aproveitou que estavam dentro da loja e ligou para David como havia prometido. E enquanto ele estava entretido conversando com o amigo, a velhinha irlandesa que atendia Clara, chamou-a para mais perto e perguntou: - Seu marido, tenho a impressão que o conheço. Ele é artista, não?

- Ele é cantor, da banda Crossroads. O nome dele é Jack Noble. - sorriu Clara.

- Puxa! É mesmo... Minha filha era fã desta banda, tinha um poster enorme dele no quarto dela, querida. Nossa, mas ele é ainda mais bonito pessoalmente.

Clara sorriu com os comentários da velhinha. Pagou pelas compras e pegou as sacolas, enquanto Jack continuava no telefone.

- Não David, ela não vai querer. Está fora de cogitação... Ok, vou perguntar...

- Clara, o David disse que tem uma música para você, uma balada folk que ele acabou de escrever que ele quer que você grave.

- Mas eu não sou cantora, Jack.

- Fala isso para ele, então. - disse Jack entregando o telefone para Clara.

- Desculpa David, mas não sou cantora. Sou escritora, lembra?

- Ah Princesa, mas a música é linda e perfeita para a sua voz. Vamos fazer o seguinte? Vou mandar pelo Jack o CD e as partituras. Ele toca para você lá na montanha e você decide... Pode ser?

- Ok, David. Vou ouvir com carinho. Vou devolver o telefone para o Jack. Beijos.

- Beijos, Princesa. - David respondeu.

- Viu cara? - disse Jack rindo no telefone. - Essa é a minha gata!

Clara entrou com ele em uma loja vizinha onde comprou cremes hidratantes, sais para banho e óleos essenciais para massagens.

Jack desligou o celular e passou a interessar-se pelos produtos da loja.

- Eu quero também um creme de esfoliação. - disse Clara para a vendedora que não tirava os olhos de Jack.

- Menininha, olha isso aqui. - disse Jack puxando-a e apontando para um conjunto de massageadores de madeira na vitrine.

Clara sorriu para a vendedora e pediu para ver os massageadores e eles decidiram comprá-los.

- Deixa que eu pago, querido. - disse Clara pegando a carteira na bolsa.

- Vamos indo, amor? - disse Jack pegando as sacolas de suas mãos. - Vou te levar para casa antes de ir para o estúdio.

- Ok! Vou comprar nossas comidinhas lá perto do hotel.

- Hum, amanhã será um dia maravilhoso.

- Eu já estou feliz hoje porque você está aqui comigo. Ah! Precisamos de incensos também querido. Aquela lojinha ali, do outro lado da rua tem uns ótimos.

Os dois foram até a lojinha que tinha muitos produtos de origem indiana e junto com as caixas com incensos de sândalo, Jack encantou-se com uma echarpe de seda lilás que deu de presente à Clara, junto com um bracelete de prata enfeitado por um grande ônix.

- Que lindo, meu amor. - Clara disse em seu ouvido. - Eu te amo.

- Vamos embora, querida? - disse Jack.

- Vamos. Nosso carro ainda está lá no restaurante. - sorriu Clara.

Os dois caminharam com suas sacolas e pegaram o carro no estacionamento. Jack deixou-a na porta do hotel, onde um dos carregadores aproximou-se com seu carrinho para pegar todas as sacolas e levá-las até o saguão, enquanto Jack agarrava Clara e a beijava, antes de entrar novamente no carro e partir. Ela olhou para o carro afastando-se e entrou no saguão; onde o gerente veio rápido em seu encontro e entregou-lhe um lindo bouquet de rosas cor de lavanda.

- Chegaram para a senhora.

- Obrigada. - disse pegando as flores e seguindo o carregador até o elevador.

Ainda no elevador, o celular tocou avisando da chegada de uma mensagem de texto de Jack: "Te amo muito menininha e já estou sentindo sua falta."

Ela ajeitou as flores em seus braços para digitar "Eu te amo!" como resposta e mandar para ele.

Deu uma gorjeta ao carregador que colocou as sacolas na sala de estar e foi embora e ela pode finalmente abrir o cartão que veio junto com as rosas. "Querida Clara, estou em Londres por alguns dias e gostaria de encontrá-la para discutirmos sobre o filme. Vamos jantar juntos? Me ligue por favor. Mick Jagger"

- Ah não! De novo! Não! - disse Clara em voz alta completamente alheia ao fato de estar falando sozinha naquele instante.

Depois foi buscar um vaso de flores no armário, colocou algumas pedras de gelo no fundo e encheu-o de água. As flores, que eram lindas, não tinham culpa das intenções de quem as tinha mandado.

Sentou-se na sala de estar, pegou o celular em suas mãos, procurou o número de Jagger, mas achou que dizer que não estava disponível naquela noite para jantar acabaria estragando sua chance de transformar seu livro em roteiro.

Pensou melhor e decidiu ligar para Cindy. Ela poderia encontrar a resposta ideal para dar a Jagger, ou talvez ajudá-la indo ao tal jantar com ela, já que seu marido também estava preso no estúdio naquela noite.

- Oi Cindy, tudo bem por aí?

- Tudo! Estou no escritório, mas vou voltar para o hotel daqui a pouco. Meu sócio esteve na sua casa hoje e disse que está tudo correndo muito bem. O encanamento já está renovado e agora estão mexendo na cozinha.

- Que ótimo! Eu e o Jack parecemos desligados, mas só não fomos até lá ainda porque ele achou que eu ficaria nervosa se algo não estivesse de acordo e isso estragaria a gravação que precisávamos fazer na segunda-feira.

- Não se preocupe querida. Estou de olho e está tudo perfeito. Se quiserem ir lá antes de ir para a montanha amanhã, meu sócio os receberá.

- Bom, Cindy, liguei para você porque preciso de sua ajuda. - disse Clara mudando de assunto.

- O que foi? Algum problema?

- O pior de todos... Cheguei agora do almoço com meu marido e recebi do gerente um bouquet de rosas com um cartão do Mick Jagger. Ele quer jantar comigo... O que eu faço?

- Bom, melhor hoje que os rapazes estão no estúdio. O que você respondeu?

- Ainda não respondi. Eu pensei em dizer a ele que combinamos de jantar juntas hoje na minha suite, se ele não se importaria de vir para cá para conversarmos sobre o filme. O que você acha?

- Hum... Assim evitamos os paparazzi, mas não será ainda pior? Quero dizer, ele não se sentirá livre demais aqui para se jogar em cima de você, sem outros olhos além dos meus para vigia-lo?

- Bem pensado! Vamos ao francês, então? - disse Clara. - E mais tarde, quando o Jack ligar, digo tudo a ele, antes que ele descubra através de algum tablóide. E você vai comigo.

- Perfeito. - disse Cindy. - No restaurante, em público, ele estará mais contido e você poderá perceber se ele quer mesmo uma roteirista ou uma nova amante.

- Nem brinca com isso, amiga. Estou muito nervosa. Vou ligar para ele e já nos falamos.

Clara desligou o telefone e ligou para Mick Jagger. Explicou seus planos, disse que já tinha planos para jantar no "Chez Montagne" com Cindy e que ele seria bem vindo para juntar-se a elas e ele aceitou, dizendo que passaria às 9 da noite para pegá-las com seu carro na porta do hotel.

Clara ligou novamente para Cindy e contou tudo o que Jagger disse e que iria passar para pegá-las no hotel às 9 e Cindy disse que já estava a caminho do hotel e iria até sua suíte para conversarem.

Enquanto esperava pela amiga, Clara pegou as sacolas e já começou a arrumar uma parte das malas para levar para casa no dia seguinte. Depois passou a rever suas roupas, pensando no que deveria vestir para o tal jantar. Queria algo muito sóbrio que desse o recado a Jagger de que não estava disponível, nem aberta a qualquer tipo de negociação.

Cindy chegou ao hotel e bateu na porta de sua suíte. Clara desceu para a sala de estar, abriu a porta e levou-a até seu closet. Queria ajuda para decidir o que vestir.

- Isso vai ser complicado. Se for muito bonita, ele achará que é para seduzí-lo, se for desleixada, os tablóides vão cair na sua pele... Mas que complicado! Você não quer convidar a Jennifer para ajudar?

- Será que ela iria com a gente? - disse Clara. - Quero dizer, será que ela não tem algum outro compromisso?

- Quer que eu ligue para ela? - disse Cindy.

- Quero sim...

Jennifer disse que tinha um compromisso naquela noite, mas que se dispunha a ajudar Clara para escolher a roupa e por isso estava a caminho do hotel naquele instante.
Clara então ligou para a casa da montanha e pediu que Mona, sua cozinheira comprasse todo os ingredientes para Fondue e brigadeirão.

Poucos minutos depois, quando as três mergulhavam no closet de Clara, escolhendo o vestido, o celular dela tocou novamente.

- É o Jack! Vou contar para ele.

- Oi amor!

- Querido, preciso te contar uma coisa. O Mick Jagger me mandou um cartão nos convidando para jantar com ele para falar sobre o filme e eu chamei a Cindy para ir comigo ao Chez Montagne.

- Você vai jantar com aquele pilantra? Não acredito, amor.

- Não vou sozinha.

- Eu sei, mas... Ok! Eu confio em você. Não confio nele, mas o Chez Montagne é uma boa escolha, pelo menos está sempre cheio de paparazzi e ele não terá liberdade de aprontar por lá.

- Foi o que a Cindy me disse também... Acho que isso será tranquilo. Você sabe que quero ver meus livros no cinema, não sabe?

- Claro, amor. Mas não vá linda demais... O que eu estou dizendo? Você é linda e isso é impossível...

- Ah, meu amor... Chamei a Cindy e a Jenni aqui para me ajudarem a escolher a roupa certa. Quero algo que diga; estou aqui para trabalhar, senhor Jagger!

- Linda! Você é minha vida... Eu te amo! Te ligo de novo no próximo intervalo.

- Ok! Eu também te amo!

Clara desligou o telefone e voltou para o closet secando as lágrimas dos olhos.

- Ele brigou com você? - perguntou Cindy.

- Não... Falou um montão de coisas lindas e eu fiquei assim...

- Então amiga! Vamos escolher? Eu gosto muito deste vestido preto. - disse Cindy. - Nossa que echarpe linda essa lilás. É de Paris?

- Não. Acabei de ganhar do Jack. Ele comprou para mim em uma loja indiana onde entramos para comprar incensos. Droga! Por que tem que ser tão difícil?

- Não é difícil, querida. Este outro preto é o ideal! - disse Jennifer. - É chic, discreto e passa a mensagem certa. Agora vamos escolher os complementos.

Jennifer optou por um scarpin preto discreto e encantou-se com o conjunto de brinco e colar de pérolas que Jack havia lhe dado. Pegou uma paximina cinza chumbo para completar porque sabia que Clara ainda não tinha se acostumado com o frio de Londres.

- Perfeito, amigas! Vocês são maravilhosas, não sei o que faria sem vocês! Vamos sair para tomar um capuccino na Starbucks? - disse Clara. - Ou vocês preferem que eu faça um capuccino para nós por aqui mesmo? Ah! E tenho chocolates também.

- Ah! Vamos ficar por aqui, Clara. - disse Cindy. - O capuccino que ela faz é maravilhoso.

- Também prefiro ficar aqui, querida. Falando em Starbucks você viu as fotos suas com o Jack que os paparazzi tiraram, não?

- Vi... Estão no meu notebook. - sorriu Clara. - Queria que ele estivesse aqui.

Clara pegou a máquina de fazer café e começou a preparação dos capuccinos. Também pegou as xícaras com coraçõezinhos que tinha comprado junto com ela.

- E a gravação? Como foi? - perguntou Jennifer.

- Ótima! Achava que não conseguiria, mas consegui. E o David ficou tão empolgado que disse que tem fez uma música para mim. Quer que eu ouça no fim de semana e pense se quero gravar.

- Agora vamos esperar um pouco, mas assim que a temporada de desfiles começar em Paris, vamos lá escolher as roupas certas para você. Uma estrela precisa de estilo hoje em dia, querida. - disse Jennifer.

- Mas eu não sou uma estrela, Jenni. - riu Clara. - Sou só uma escritora.

- A Jenni tem razão. O David está empolgadíssimo desde segunda-feira com a ideia de um disco seu. - sorriu Cindy. - Não fala de outra coisa.

- Então acho que vou precisar mesmo de uma personal stylist! - disse Clara sorrindo. - Você já está contratada, amiga!

- Hum, este capuccino está ótimo! - disse Jennifer. - De onde é?

- É de uma cafeteria chic lá da City. Fica perto do escritório do Michael Peters.

- Acho que conheço. Uma toda de madeira escura, parece um lugar antigo... - disse Cindy.

- Isso mesmo! - disse Clara.

- Bom saber. Vou lá comprar esse preparado. É muito bom.

- O chocolate também é de lá... Gostei muito, tinha até pensado em passar lá hoje para comprar mais.

- Mas se você vai ser uma estrela é melhor começar a ficar longe destas coisas. Você sabe que não pode engordar, não? - disse Jennifer rindo.

- Pior que sei. - respondeu Clara rindo. - Mas preciso de alguma compensação pelo menos hoje. Só verei o Jack amanhã...

Todas riram dela, mas estavam juntos há menos de 60 dias e casados há apenas 20. Era natural que quisesse estar perto dele. Foi então buscar a câmera e seu notebook, queria ver os videos que ela e Cindy tinham gravado no estúdio nos últimos dias.

- Jenni, Cindy, vamos ver como ficaram os vídeos que gravamos estes dias lá no estúdio? - disse Clara.

E ela ligou a câmera no computador e as três puderam assistir Clara cantando com Jack primeiro e depois a incrível performance dele tocando e cantando blues no dia seguinte.

- Uau! Este disco será um sucesso arrasador, não? - disse Jennifer. - E você será uma estrela, amiga! Você canta muito bem. É incrível!

- Está mesmo muito bom. Acho que você não vai poder esconder esse talento todo. - disse Cindy.

- Obrigada meninas! Obrigada pelo apoio. Eu gosto de cantar, amo música, mas não sei se vou conseguir subir no palco, essa parte é tão difícil para mim.

- Mas você estará linda no palco e com os melhores músicos do mundo ao seu redor; quero dizer, você terá a melhor estrutura ao seu redor e, se quiser, pode mesmo ser uma estrela. - disse Jennifer.

- Vocês têm razão. Estou começando com o apoio dos melhores. É um começo e tanto para qualquer aspirante a artista. - sorriu Clara. - Eu disse para o David que pensaria com carinho e é isso que farei. Na verdade, acho que dependerá muito mais de como me sentir no palco, na estreia da turnê.

- O que você fará com seus cabelos hoje à noite? - perguntou Jennifer mudando repentinamente de assunto.

- Não sei. Pensei em lavar, deixá-lo com meus cachos naturais e prender só a parte da frente, deixando o resto solto, que tal? - disse Clara.

- Ficaria bom. Mas precisa ir ao salão para deixar esses cachos de acordo para os fotógrafos na porta do Chez Montagne. - disse Jennifer.

- Hum... que tal uma sessão de tratamentos para nós três, então? - perguntou Clara pegando o telefone.

- Alô, esta é a senhora Peters, da suíte Golden Master. Tenho um evento nesta noite e preciso de cabelereiros, manicures e massagistas para três pessoas. Sim. Ok! Estamos descendo agora para o SPA.

As três amigas passsariam as próximas horas sob os cuidados de bons profissionais de beleza.

- Estaria muito mais feliz se isso tudo fosse para encontrar-me com meu Jack, mais tarde. - disse Clara suspirando.

No mesmo instante, por uma daquelas coincidências que só aconteciam com Clara seu celular tocou avisando que uma mensagem de texto havia chegado: "Menininha, queria estar com você agora! Sinto muito sua falta!"

Clara respondeu digitando rápido: "Eu te amo!", suspirando longamente ao enviar a mensagem para o deleite dos presentes.

- Podem rir... Não ligo! - sorriu Clara.

Depois das massagens, manicure, pedicure e cabelereiro, as três estavam livres para voltar à suíte, sentindo-se ainda mais bonitas. Logo, Jennifer voltou para seu próprio hotel, Cindy desceu para sua suíte e Clara subiu para o quarto para começar a vestir-se.

Pensava em Jack quando o celular tocou.

- Meu amor, estava pensando em você agora mesmo e você me liga. Que bom!

- Já está se arrumando para sair com aquele palhaço, não? - respondeu Jack um tanto áspero.

- Preferia estar com você. Você sabe disso.

- Ai minha vida. Queria muito estar aí com você. Está doendo tanto.

- Em mim também. Mas pensa que amanhã, nesta hora, estaremos na frente de nossa lareira, na nossa montanha.

- E eu estarei dentro de você. - sussurrou Jack no telefone deixando Clara arrepiada. - Acho que isso é a única coisa que me mantem ainda de pé, meu amor.

- Eu te amo, Jack.

- Eu também te amo, menininha. Vai tranquila no seu jantar, minha querida.

- Fica tranquilo na sua gravação, meu amor.

Jack desligou o telefone e Clara mais uma vez suspirou fundo. Fechou os olhos, engoliu as lágrimas e continuou a preparar-se para o jantar. Vestiu-se, colocou as jóias e voltou ao cofre porque fez questão de colocar seu bracelete de diamantes. Usaria naquela noite como um testemunho de seu amor por Jack.

Já estava pronta, parou mais uma vez na frente do espelho e gostou muito do que viu. Passou uma mensagem de texto para Cindy avisando que estava descendo para o saguão.

Logo Cindy esperava ao seu lado nos sofás e alguns minutos depois, pontualmente às 21 horas, Mick Jagger, elegante em um terno Armani, entrava no saguão cumprimentando-as.

- Nossa. De repente, percebi que precisava de mais seguranças nesta noite. Não achava que estaria acompanhado por tanta beleza. Boa noite, senhoras. - disse beijando as mãos de ambas. - Vamos?

- Vamos! - as duas responderam sorrindo.

- Uma pena seus maridos não estarem aqui hoje. - disse Mick.

- Estão no Abbey Road, adiantando as gravações para podermos viajar no final de semana. - disse Clara enquanto caminhava ao lado de Mick até o Jaguar que as esperava.

Seguiram até o "Chez Montagne", ainda o restaurante mais elegante da cidade, onde paparazzi fizeram a festa ao vê-los chegando juntos. Não pararam para serem fotografados nem responderam a seus chamados e provocações, mas sabiam que as fotos estariam em questão de minutos em diversas publicações.

Atravessaram o restaurante sob os olhares curiosos de grande parte dos clientes endinheirados e logo estavam acomodados na melhor mesa da casa.

- Bem, minhas caras. Já que este é um encontro de negócios como deixou claro, minha cara senhora Noble; devo então relatar a ela que o projeto de adaptação de seu livro já está muito bem encaminhado e amanhã os advogados de meu estúdio estarão se encontrando com seu editor, no Brasil, oferecendo a ele o valor de 15 milhões de libras pelos direitos de adaptação da obra para o cinema durante os próximos cinco anos. E minha função aqui é perguntar-lhe se este é um valor aceitável.

- Pelos próximos cinco anos? - perguntou Clara.

- Sim, bem, estamos com o projeto bem encaminhado na produtora, mas cinema não é uma "ciência exata". Estamos neste momento fazendo captação de recursos e negociando com o elenco. Essa parte costuma ser longa e complicada por isso os cinco anos de contrato.

- Entendo. - respondeu Clara desejando por um momento que Michael Peters estivesse ao seu lado para negociar por ela.

- Percebi em seu olhar que existe alguma insegurança. Se preferir ligar para seu empresário, vou entender. - disse Mick.

- Obrigada Mick, mas não estou negociando apenas por mim. Fico feliz que você compreenda. - disse Clara pegando o celular em sua bolsa.

A conversa com Peters foi rápida e ele disse a ela que aquele valor era perfeitamente aceitável e colocou-se a disposição para aprovar o contrato em seu nome.

- Obrigada Michael, amanhã farei com que o contrato seja enviado a você também. - disse Clara. - Obrigada por tudo. Boa noite.

- Desculpe Mick. Meu editor costuma fazer sempre toda a negociação por mim, eu não entendo nada de números, leis, direitos...

- Você é nova nesse universo ainda, minha cara. É só isso. Você também receberá um cachê referente a sua posição como co-roteirista. No momento, minha produtora negocia com Jack Sommers, um roteirista de peso, que tem dois prêmios da Academia. E devo dizer que ele está bastante entusiasmado com a tarefa e já começou a adaptação. Logo teremos algumas páginas para sua aprovação e a produtora irá hospedá-lo em seu hotel, para que possam trabalhar juntos.

- Fico feliz! - sorriu Clara. - Acho que será ótimo trabalhar com alguém como ele.

- Bem, o cachê dele pelo roteiro é de 3 milhões de dólares. Achamos justo que receba o mesmo valor pela sua participação. - disse Mick. - Se quiser conversar novamente com o Senhor Peters...

- Não, acho que não preciso. Aceito esse valor. Quando ele virá para cá? - perguntou Clara.

- Nas próximas semanas. Por que?

- Em outubro tenho uma viagem de 15 dias marcada com meu marido e acredito que quando voltarmos, durante os ensaios para a turnê, terei algumas horas livres para este trabalho.

- Perfeito! Então a consultoria fica para a segunda quinzena de outubro. Viu? Você tem mais capacidade para negociar do que quer admitir, minha cara. - disse Mick pegando sua mão e beijando-a.

Clara sentiu-se muito desconfortável com aquele gesto, mas não o deixou perceber. Sorriu e levantou-se para ir ao toalete e Cindy a acompanhou.

- O que houve, Clara? - disse Cindy.

- Nada. Acho que fiquei nervosa. Não estou acostumada com esses milhões e contratos...

- E beijos nas mãos. - sorriu Cindy.

- Isso também... Gostaria muito de chegar ao final da noite com alguma graça e elegância, mas se ele não parar, terei que colocá-lo de volta em seu lugar.

- Caras senhoras, tomei a liberdade de pedir champagne para brindarmos esta nossa noite tão agradável. E agora que a parte de negócios está finalizada, podemos finalmente aproveitar nossa noite com conversas mais interessantes. Então, minha cara, como estão as gravações do novo disco da Crossroads?

- Seguindo. Um pouco atrasadas porque deveriam ter começado na semana passada, mas já temos algumas músicas prontas. - respondeu Cindy. - Clara participou da gravação na segunda-feira. Eles refizeram a "The Light" com Clara como Rainha da Luz.

- Mesmo? Nossa! Não bastava sua beleza, inteligência e talento, ainda canta? Deus estava mesmo querendo provar alguma coisa ao mundo quando a fez, cara senhora Noble! - disse Mick sorrindo.

Clara retornou o sorriso um pouco sem graça e apenas disse que ele exagerava sobre seu talento.

- Modéstia! Ah! Mas deixe-a ter uma dose de palco e de luzes que isto deve passar. Não acho certo negarmos nossos talentos. Gostaria de ouví-la cantando um dia destes.

- Não faltarão ocasiões, Mick. - respondeu Clara. - Estes malucos que me rodeiam querem que eu participe da turnê da Crossroads.

- Então os shows serão verdadeiramente imperdíveis. - disse Mick. - espero poder assistí-los várias vezes.

- Ainda tenho algum tempo para preparar-me para subir no palco. Confesso que no momento só a ideia já me paralisa. - disse Clara.

- Se precisar de ajuda para isso, ponho-me a disposição. Tenho alguma experiência nesta área... - sorriu Mick.

- Sei que ensaiarei bastante com a banda, mas ainda tenho medo de olhar para a multidão e travar. - respondeu Clara.

- Então não olhe. Nos primeiros shows, suba no palco com os olhos fixos em algum ponto no horizonte. Finja que a sala está vazia e que será apenas mais um ensaio. - disse Mick. - Logo você se sentirá tão bem no palco que partirá para a carreira solo.

- Assim espero! - sorriu Clara. - Gosto muito de música e do meu marido para envergonhá-lo na frente de todos.

- Querida, conhecendo seu marido e também o seu, Cindy, não acredito que isso seja possível. Sua voz deve ser mesmo maravilhosa. Os dois são perfeccionistas demais para colocar alguém ao lado deles no palco, que não seja magnífica.

- Isso é verdade, Clara. - disse Cindy. - Já disse isso para ela, mas ela ainda está insegura.

- Pena que não estamos em Paris, uma visita à suite do piano mataria minha curiosidade. - disse Mick. - Mas sei que ainda terei a oportunidade de ouví-la, senão em uma performance mais íntima, certamente em público, quando começarem os shows.

- Tem um piano em sua suíte, não Clara? Por que não mudamos nossa conversa para ela? - disse Cindy.

- Pensei em sugerir isso, mas não sei se seria apropriado. Quero dizer, meu marido está no estúdio... - disse Clara olhando espantada para Cindy.

- Ora! Estamos no século XXI, minha cara, garanto que seu marido não se incomodaria, mesmo porque sou um cavalheiro. - disse Mick.

- Ok! Então vamos ao hotel. Convido-os agora a beber um capuccino em minha suíte. - disse Clara.

- Perfeito! Então vamos. - disse Mick sinalizando discretamente ao garçom para trazer a conta e recebendo a habitual visita do gerente do restaurante dizendo que aquela refeição era por conta da casa, pela honra de ter a preferência de pessoas tão distintas.

- Minha cara, esta é uma das poucas vantagens da fama. As pessoas nos querem sempre por perto e não pagamos a conta algumas vezes. - disse Mick. - Uma pequena compensação por quase sempre nos cobrarem preços astronômicos por tudo e também por nunca sabermos se somos realmente amados.

Os três voltaram para o Jaguar protegidos dos paparazzi por seguranças e seguiram para o hotel. Mick subiu com as duas para a suíte de Clara.

- Belo piano! - disse Mick.

- O Jack achou uma boa ideia tê-lo por perto durante a gravação do disco, caso surgisse alguma ideia. - disse Clara. - Mas por favor fiquem a vontade. Preparo um capuccino para todos ou vocês preferem algum outro tipo de bebida, champagne, vinho, uísque...

- Acho que vou preferir champagne. - disse Mick sorrindo. - Vocês me acompanham, não?

- Sim. - sorriu Clara, ainda um pouco constrangida pela situação. - Tenho algumas garrafas na sala de jantar. Vou buscar.

Mick sentou-se no piano e começou a tocar uma balada lenta, que Clara não conseguiu identificar, mas que era muito bonita.

Pegou a garrafa de champagne na geladeira, as taças e desceu. Serviu a bebida para seus amigos e para si mesma. Pegou também uma caixa de chocolate abriu-a e colocou-a em cima do piano para que eles se servissem, se quisessem.

- Vamos cantar? Quero ouví-la. Sabe "Gimme Shelter"? Ou prefere algo mais suave?

- Pode ser "My Funny Valentine"?

- Claro... canta um pouco para eu pegar seu tom... - disse Mick.

E Clara cantou a música toda acompanhada de Mick no piano.

- Lindo! Perfeito! - disse Mick. - Não é a toa que seus maridos estejam entusiasmados. Sua voz é linda!

- Obrigada Mick. - sorriu Clara. - Mas ainda me sinto tão aquém do que eles esperam de mim.

- Aquém? Você nasceu com talento, minha cara. Não diga isso! Seu lugar é o palco... - disse Mick. - Só é preciso acostumar-se com a ideia.

Passaram mais algumas horas conversando na suíte e conforme havia prometido, Mick comportou-se como um cavalheiro. Um homem extremamente charmoso, que depois do início atabalhoado, começava a conquistar a amizade de Clara, que agora voltava a encantar-se com ele.

Quando finalmente ele decidiu que já era muito tarde e que deveria partir. Clara finalmente estava sozinha com a amiga e podia reclamar de sua atitude maluca de convidá-lo para vir até o hotel.

- Só achei que era hora de você parar de vê-lo como um bicho papão. Vocês trabalharão juntos agora e acho melhor que se conheçam para que ele supere essa fantasia que tem de transar com você e você supere o medo que tem dele. - disse Cindy.

- Acho que você tem razão. Mas o Jack tem ciúmes. Não quero torturá-lo...

- Mas o Jack não precisa saber disso. Precisa?

- Não vou mentir para meu marido. Quando ele me perguntar como foi esta noite, direi tudo a ele. Prometemos ser transparentes um com o outro.

- Você que sabe, querida. Mas acho que contar a ele que o Mick esteve aqui apenas o deixará nervoso por nada.

- Mas não posso mentir para ele...

- Isto não é mentir, apenas poupá-lo de sua própria imaginação. Sua atitude tem colocado o Mick no lugar ultimamente. Ele não é bobo, sabe que se tentar fazer alguma bobagem será expulso para sempre de sua vida.

- Quer saber? Vou ligar para meu editor para conversarmos sobre a reunião que ele terá amanhã com os advogados da produtora.

- Mas não é muito tarde para isto?

- Não. São três horas a menos no Brasil. Ele deve estar em casa, vendo TV a esta hora.

- Jonas, tudo bem?

- Oi Clara. Ía ligar para você amanhã cedo. Você conversou com o Mick Jagger hoje?

- Pois é, Jonas. Você tinha um encontro marcado com a produtora e nem me ligou...

- Desculpa, o Jagger me disse que tinha falado com você. Ele me ligou pessoalmente ontem dizendo que fecharia os detalhes hoje com você e que depois disso nós podíamos discutir as propostas dele.

- Bom, jantei com ele hoje, a proposta é muito boa e eu aceitei 15 milhões de libras pelos direitos de filmagem pelos próximos cinco anos. E tem também o meu trabalho como co-roteirista da adaptação, ele quer me pagar 3 milhões de dólares. Jonas? Você ainda está aí?

- Meu Deus! Estamos ricos! - Jonas comemorava do outro lado do telefone.

- Estamos sim, meu caro! - riu Clara. - Então, amanhã é a reunião com os representantes da produtora?

- Isso! Amanhã eu assino por 15 milhões de libras... Não quero nem fazer a conversão! É uma fortuna!

- Querido sócio! Parece que acertamos a mão e as pessoas estão despejando seu dinheiro em nossos bolsos. Você ainda não sabe, mas meu marido e o David Mersey me convenceram a fazer uma participação no disco cantando. E não é só no disco, eles me querem também na turnê. Me pagaram 5 milhões de libras ontem.

- Meu Deus! E você vai mesmo fazer isso? Cantar?

- Acho que vou...

- E o livro?

- Já escrevi uma boa parte do segundo capítulo. Acho que em mais umas duas sentadas eu termino. E daí é só começar o terceiro.

- Ótimo! Clara, estou em estado de graça aqui! Com saudades de você, mas muito feliz de saber que está tudo dando certo. O primeiro capítulo do livro está fantástico, o seu marido vai é ganhar um Nobel com ele...

- Imagina, Jonas. Eu estou tão feliz que tenho medo de tudo isso ser um sonho.

- Me liga mais vezes, tenho saudades da minha amiga.

- Está bem, querido. Amanhã vou para a montanha para o final de semana e acho que lá conseguirei terminar o segundo capítulo e assim que terminar, te ligo! Beijos!

- Estou abrindo um champagne aqui, querida! Beijos!

Clara desligou o telefone e voltou a falar com Cindy.

- Desculpa, querida. Precisava saber o que meu editor andou aprontando e demorou mais do que eu esperava.

- Não se preocupe! Estou tranquila!

- Quer chocolate? Um capuccino? Champagne?

- Não obrigada, querida! Você já arrumou a bagagem?

- A maior parte pelo menos. Que bom que uma parte das coisas vai para a sua casa. Sabe que estou começando a cansar dessa coisa de mala, bagagem...

- Querida, você precisa acostumar-se com isso. Mas tem uma coisa, logo sua casa estará pronta e as coisas vão ficar mais calmas. Eu já deixei tudo pronto. Comprei um vestido tão lindo que não vejo a hora de ir neste casamento amanhã! Aliás, ele veio a calhar. É uma amiga da faculdade que está casando pela segunda vez com um empresário italiano riquíssimo.

- Que bom!

- A festa será em uma villa na Costa Amalfitana, luxo puro, amiga! É um lugar lindo, romântico. Pena que você vai lá para a montanha, você ía gostar muito de lá.

- Acho que gostaria mesmo. Mas estou em uma fase em que preciso me concentrar no Jack. - sorriu.

Cindy caiu na gargalhada e respondeu:

- Sei!

- Sério! Estamos precisando ficar juntos. Estou com medo do que vem por aí. Disco, ensaio, turnê... Tenho medo que seja nossa última chance de ter um tempo só para nós.

- Calma, amiga. Você não vai mais viajar em outubro?

- Vou! Mas estou começando a ficar assustada. Eles querem que eu cante e tem o livro, o filme... Eu estou quase morrendo de saudades dele, e o vi a menos de 12 horas e sei que ele está na cidade. Imagina quando tudo começar.

- Vocês vão ficar bem... Eu também tenho a intenção de curtir muito essa viagem para a Itália. Vocês vão viajar, mas o David vai fazer a mixagem do disco e depois começam os ensaios e a turnê. Nesta semana eu assinei um contrato para restaurar uma mansão na Áustria. Mesmo que meu sócio fique por lá, terei que ficar indo e vindo algumas vezes por semana.

- É... estamos fritas, amiga. - sorriu Clara. - melhor aproveitarmos cada minuto que tivermos com nossos maridos.

Enquanto conversavam, o celular de Clara tocou.

- Amor! Tudo bem, querida?

- Tudo ótimo, Jack...

- E o Jagger? Ainda está por aí?

- Não. Foi embora faz tempo.

- E aí?

- Ele me ofereceu 15 milhões de libras pelos direitos de filmagem e mais 3 milhões de dólares para ser co-roteirista do filme.

- Bom... bom mesmo, amor. E você aceitou?

- Eu liguei para o Michael e ele me disse que era uma boa oferta e que eu deveria aceitar.

- Fez bem! Ele é de total confiança, querida. Se me mandar pular no rio Tâmisa, eu pulo... - sorriu Jack.

- Tem mais uma coisa. O Mick veio conosco até o hotel e eu cantei para ele, no piano. - disse Clara preocupada com a reação de Jack.

- E ele gostou da sua voz? - perguntou Jack.

Clara não entendeu a pergunta, estava apavorada agora com a possibilidade dele ter uma de suas crises de ciúmes.

- Ele me disse que meu lugar é o palco.

- Parabéns, meu amor. Ele está nesse negócio a ainda mais tempo do que eu, não diria isso se não gostasse. - disse Jack, estranhamente tranquilo.

- Espera, Jack... Será que eu estou entendendo? Você finalmente percebeu que nada vai acontecer entre eu e ele?

- Não me importo mais com ele. Confio em você e em nosso amor, só isso. Se eu conheço aquele salafrário, ele deve estar agora se controlando para atacar mais tarde, mas sinceramente, sei que quando ele atacar, você mostrará que não tem lugar para ele. Simples.

- Lindo! Vai demorar muito ainda para você chegar? Estou morrendo de saudades...

- Acho que vai. Tenho mais uns takes para fazer de uma música e o David está reclamando que a bateria vazou de novo. Cruze seus dedinhos aí para que ele não mande esse baterista passear. Já o segurei umas duas vezes. Eu queria estar com você... Mas acho difícil sair daqui antes do meio-dia. Já arrumou as coisas para amanhã?

- Quase. Tem umas duas ou três coisas para embalar ainda e nossas malas também estão quase prontas.

- Que bom! Vamos nos concentrar nisso então... mais algumas poucas horas e seremos felizes! O David está me chamando, Menininha, não fica me esperando, vai dormir... Boa noite, meu amor. Sonha com os anjos.

- Boa noite, amor. Eu te amo...

Jack desligou o telefone e Clara foi até a caixa de chocolates pegar um bombom.

- Nossa! O que deu nele? Você disse tudo e ele não teve um daqueles surtos de homem das cavernas? Estou chocada.

- Ele parece um pouco mais tranquilo agora, mas não acho que deva confiar muito nisso. - sorriu Clara. - O David está irritado com o baterista e o Jack está tentando acalmar as coisas por lá.

- O David é complicado quando se trata de gravar. Tomara que as coisas se ajeitem. Já pensou se eles precisarem de outro baterista agora?

- Espero que não!

- Bom, querida. Acho que minha hora de voltar para minha suíte já deu! - sorriu Cindy. - Preciso do meu soninho de beleza agora, para ir ao casamento com uma cara decente. Até amanhã...

- Até amanhã, querida. Te ligo quando acordar, se os rapazes ainda não tiverem chegado, podemos tomar café da manhã juntas. Que tal?

- Ótimo! - respondeu Cindy já de saída. - Boa noite!

- Boa noite. - disse Clara observando da porta, a amiga entrando no elevador.

Estava sozinha de novo. Embalou a máquina de capuccino junto com as coisas que íam temporariamente para a casa de David e subiu para o quarto. Tirou a maquiagem, guardou a roupa que estava usando na mala, pegou as jóias no cofre e guardou-as em sua bolsa de mão e deixou tudo organizado para a partida no dia seguinte.

Depois deitou-se, pegou o controle remoto e tentou ver TV. Tentou ver um filme e outro, mas nada parecia realmente bom. Por um momento, lembrou-se que estava completamente desatualizada, uma falha imperdoável em uma jornalista, mas não conseguia concentrar-se suficientemente na CNN e nem na BBC para entender alguma coisa. Que bom que seus pais não estavam por perto, tomaria uma bronca homérica se eles soubessem de sua atual condição de alienação das coisas do mundo.

Colocou atualizar-se sobre os acontecimentos em uma lista imaginária ao lado de coisas como fazer mais entrevistas e buscar antigas entrevistas de Jack, do início da Crossroads, para que ele comente.

Ela continuou rodando os canais e achou uma reprise do filme "As Brumas de Avalon". Decidiu deixar por lá, mas ativou o timer da TV para dormir em paz, caso pegasse no sono. Não teve coragem de fechar a cortina, o luar e a luz da TV agora iluminavam o quarto da suíte. Queria que Jack estivesse ali, ao seu lado.

Logo, Clara pegou no sono e começou a sonhar. Estava com sua mestra, no templo, aprendendo sobre a lua e como ela influenciava a vida de todos. Depois ela e as outras alunas fizeram uma meditação para adquirir os poderes da Deusa, visualizando a imagem da lua cheia no centro da testa.

Enquanto sonhava, Jack chegava a suíte sem fazer barulho. Já eram mais de sete da manhã e ele tirou as botas e deixou os instrumentos na sala de estar antes de subir pé ante pé para evitar acordá-la.

Entrou no quarto, foi até o banheiro onde se despiu e tomou uma chuveirada rápida. Juntou suas roupas sujas em uma cadeira, para deixá-las prontas para colocar na mala e deitou-se ao lado de Clara. Pegou o controle remoto da cortina e fechou-a, mas deixou uma pequena fresta de luz, que permitia que enxergasse o rosto de sua mulher.

Seus cabelos estavam cacheados, soltos sobre o travesseiro e ele queria brincar com eles em seus dedos. Desejava beijá-la, mas não achava justo acordá-la, então ficou quieto, sentado na cama, olhando para ela tranquila, apenas dormindo. Deitou-se e continuou olhando-a, até que adormeceu também.

Clara acordou e ficou feliz de ver Jack na cama, dormindo. Levantou-se com cuidado. Fechou o resto da cortina com o controle remoto e foi até o banheiro. Depois voltou para a cama e quando deitou-se, olhou para Jack que estava de olhos abertos.

- Oi Menininha... Você está bem?

- Estou mais feliz do que nunca, meu amor... - disse Clara beijando-o. - Dorme, querido. Você deve estar cansado.

- Vem mais perto, amor. - disse Jack envolvendo-a em seus braços. - Estava com saudades de você.

- Eu também, vida. Que bom que você já está aqui... Vamos dormir um pouco...

Os dois dormiram agarrados. Felizes como nunca, sonhavam com o momento de chegar a sua montanha e passar todo o final de semana só namorando. Acordaram perto do meio dia com fome. Levantaram, vestiram-se e arrumaram o restante das malas.

Assim que o funcionário de Michael ligou, avisando que já estava no saguão do hotel, Clara e Jack repassaram todos os ambientes da suíte para conferir se deixaram alguma coisa para trás.

Com tudo organizado e a bagagem entregue, Jack e Clara desceram com as coisas que levariam para a casa da montanha e encontraram David e Cindy no saguão, também fazendo seu check-out.

- E então? Pronta para viajar? - perguntou Cindy.

- Muito pronta, amiga! Você acredita que nem comemos para não perder tempo?

- Acredito! Bem, o David me pediu para não te dizer, mas o Jack aprontou mais uma no estúdio. - disse Cindy.

- Sério? O que foi dessa vez? - disse Clara com medo da resposta.

- Ele quebrou a sala de descanso inteira quando soube que você ía sair com o Jagger, ontem.

- Meu Deus! Mas ele estava tão calmo no telefone.

- Pois é, querida. Acho que ele se acalmou quebrando tudo. - sorriu Cindy.

Clara ficou surpresa com a informação e com uma certa vergonha.

- Ai, esse meu marido... Acho que preciso tomar cuidado com ele.

- Melhor mesmo. Ele está se mostrando bem ciumento ultimamente.

David terminou seu acerto de contas com o gerente e aproximou-se das duas.

- Querida! Como estão as coisas? - disse beijando Clara no rosto.

- Olá David. - disse Clara em tom aflito. - Preciso saber o que aconteceu ontem no estúdio.

David pegou Clara pela mão e levou-a alguns passos mais longe de Jack.

- Seu marido quebrou tudo ontem, mas não se preocupe. Tive uma conversa séria com ele e acho que ele me ouviu. Só não deixa ele saber que você sabe porque ele me pediu muito para não te dizer nada.

- Ok! Mas estou preocupada.

- Princesa, fica tranquila porque agora ele está em paz.

- Amor, já estamos livres! - disse Jack abraçando Clara. - Vamos para nossa casa, Menininha?

- Vamos, querido! - sorriu Clara. - E vocês? Vão para o aeroporto também?

- Sim, Princesa! - respondeu David. - Graças ao Michael temos agora voos privativos para onde quisermos, até mesmo nas férias!

- Não gosto destes aviões pequenos, mas também odeio aquela chatice de filas intermináveis nos aeroportos. - sorriu Clara.

- Já que vamos todos para o mesmo lugar, vamos descendo porque os carregadores já levaram nossa bagagem para o estacionamento. - disse David.

Os dois casais foram juntos até o estacionamento e seguiram juntos pela estrada até a área de voos fretados do aeroporto, entrando com os carros na pista. Despediram-se e cada casal seguiu para seu avião.

Clara lembrou-se que o que ainda restava da caixa de chocolates estava em sua bolsa de mão e os dois puderam matar um pouquinho da fome que estavam sentindo.

- Nem acredito que estamos aqui meu amor. Senti tanto sua falta ontem...

- Eu também, meu amor. - disse Jack. - Acho que estou ficando viciado em você, Menininha.

- Ai, meu lindo! - disse Clara levantando-se de seu assento e sentando-se no colo de Jack.

- Maluquinha! - disse Jack, beijando-a. - Nunca precisei tanto de alguém como preciso de você.

O voo até Birmingham era curto. E em poucos minutos, o piloto já avisava que estava se aproximando do aeroporto e Clara precisava parar de namorar com o marido para voltar ao seu assento e colocar o cinto de segurança para o pouso.

Clara e Jack desceram do avião e ajudaram a colocar a bagagem em um Jaguar preto que Lambert levou ao aeroporto para buscá-los.

- Hoje estou me sentindo da realeza amor. Que carro lindo! - disse Clara. - Como você nunca me mostrou ele antes.

- Eu prefiro meu jeep. Mas tenho mais alguns na garagem. Se der tempo, te levo para uma tour por lá neste final de semana. - depois passou a sussurrar em seu ouvido. - Mas não pretendo sair de dentro de você para isso.

- Hum! - Clara suspirou e acariciou as coxas de Jack. - Precisamos chegar logo em casa, amor.

Jack agarrou Clara, prendeu seu corpo em seus braços e passou a beijar seu pescoço e sua nuca.

Clara já estava ficando preocupada, se não chegassem logo em casa acabariam transando no banco de trás do carro, tal era a excitação dos dois.

Por sorte a estrada estava livre e não demorou muito, logo o carro atravessava o portão que separava a estrada secundária para as montanhas da entrada da propriedade particular de Jack.

- Olha amor, estamos em casa. - apontou Clara através da janela, enquanto o carro seguia pela estradinha tortuosa que cortava o bosque morro acima. - E quando voltamos para Londres?

- Na segunda-feira à tarde. Vou gravar só à noite no estúdio.

- Então temos bastante tempo para ficarmos juntos.Vai ser lindo!

- Nunca é o bastante, Menininha! - disse Jack beijando-a.

- Eu te amo! - disse Clara.

Continua

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